Try Me

2 St. Storybrooke - 108


Notas iniciais
Gente, primeiro eu gostaria de agradecer a todos os reviews! Vocês são fantásticos! Continuem assim! Agora tenho que dizer uma coisa, eu não entendo NADA de medicina, então vocês vão ter que me desculpar por qualquer absurdo que a Emma ou a equipe de médicos fale. BOA LEITURA!

Acordei no sofá da minha casa completamente dolorida e com a cabeça doendo. O dia não ficou melhor quando tentei me levantar e pisei no copo de Whisky, que eu havia deixado no chão na noite anterior. Aquele havia sido o aniversário mais movimentado de todos, e eu tinha gostado daquilo. Quer dizer, eu gostaria de ter conhecido Henry em outras circusntâncias, claro. Regina e o garoto estavam dormindo na minha cama, enquanto eu estava no sofá. Preferi assim, pois ela precisava olhar Henry enquanto ele dormia para ver se estava tudo bem. Desviei dos cacos de vidro do copo no chão e segui para o banheiro do corredor, tomando uma ducha rápida. Eu havia acordado bem antes do meu despertador para o trabalho tocar, o que me deu tempo para separar algumas coisas que Regina iria precisar para fazer um curativo nos pontos que dei em Henry, e escrever um bilhete curto: “Quando acordar, leve-o até o Hospital geral de Massachusetts, eu o atenderei lá. Você pode usar o telefone para chamar o motorista. Quando sair, tranque a porta, a chave está sobre a mesa, assim como o que você irá precisar para fazer um curativo em Henry. PS:. Tem leite e comida para esquentar na geladeira. Fiquem à vontada. – Emma.”. Agradeci mentalmente por minhas roupas do trabalho não ficarem no meu quarto, e sim num pequeno escritório que eu tinha em casa. Saí do apartamento logo depois de me vestir, pegando meu fusca e indo direto para meu ponto matinal preferido: Starbucks.

– Emma! – Minha quase amiga Ruby chegou perto da mesa onde eu havia acabado de sentar, já com meu pedido em mãos. Era sempre a mesma coisa: um café com canela extremamente grande e waffles com morangos e mel, então ela nunca errava, mas dessa vez tinha algo a mais em sua bandeja. – Desculpe por não ter te ligado ontem, me assaltaram, e agora estou sem celular. Essa cidade está cada vez mais perigosa! – Ela falou, colocando as comidas sobre a mesa. Só de ver aquelas coisas deliciosas meu estômado já protestava. Realmente, aquela cidade estava um caos. – De qualquer forma, feliz aniversário atrasado! Vamos, abra! – Ela estendeu a pequena caixinha que estava sobre a bandeja em minha direção, me pegando de surpresa. Eu só havia comentado a data do meu aniversário com Ruby uma única vez, e ela havia guardado. Talvez eu devesse tirar Ruby da classificação de “quase amiga” e promovê-la para única amiga. Sorri largamente ao pegar o presente que ela havia me dado. – Eu lembrei de você.

– Ruby, é lindo! – Falei, com a maior sinceridade do mundo. Dentro da caixinha vermelha havia um colar prata, com um pingente em forma de cisne. Era bastante delicado, e parecia ter sido extremamente caro, o que me deixou culpada. Ruby trabalhava numa cafeteria, ela iria fazer no mínimo umas vinte horas extra para pagar aquilo, mas eu não poderia negar o presente. Levantei e lhe dei um abraço completamente desajeitado. Eu não era muito acostumada com contato humano, apesar de trabalhar num hospital. Ela me ajudou a colocar o colar em meu pescoço, e virou a bandeja para mim para que eu visse o meu reflexo. Era lindo. – Obrigada. – Falei por fim.

– De nada! – Ruby falou animada e virando as costar para mim, dando um tchauzinho. Ela tinha que preparar outros pedidos, e eu entendia perfetamente. Comi os waffles, que estavam maravilhosos como sempre, e bebi o café, que me deu energia para o dia que eu teria que aguentar. Eu amava meu trabalho, mas ele era extremamente cansativo, principalmente quando se fazia parte da equipe do Gold. Ele era o melhor, e sempre esperava o melhor de seus funcionários também. Paguei a conta, deixando o dinheiro sobre a mesa, com uma gorjeta bastante generosa para Ruby. Sem paradas, saí da Starbucks direto para meu carro, e com ele fui para o hospital. Eu achava um absurdo que o hospital mais próximo, que por sinal era onde eu trabalhava, ficasse a meia hora da minha casa. Eu morava num bairro nobre bastante movimentado, e lá aconteciam acidentes constantemente com carros e motos, e meia hora com certeza não era um tempo que aquelas pessoas tinham disponível para ser atendidas. Cheguei dez minutos atrasada, pois um dos médicos havia estacionado em minha vaga, o que me deixou bastante irritada. Ser da equipe do Dr.Gold tinha seus benefícios, e isso incluia uma vaga perto da entrada.

– Está atrasada, Dra. Swan. – Meu chefe estava no saguão do hospital. Eu poderia jurar que ele só estava ali para reclamar comigo pelo atraso, pois ele nunca saia de sua sala, a não ser para perturbar a sanidade mental das pessoas. Dr. Gold tinha quarenta anos, era magro, alto, cabelo castanho e parecia estar sempre pensando em alguma coisa que eu daria o mundo para saber o que era. Ele parecia estar sempre a frente de tudo com aquela bengala imponente dele. Eu já havia ouvido várias versões de como ele tinha conseguido aquele problema no joelho: Tiro, degeneração da patela, acidente de trabalho, mas o que eu mais acreditava, era que uma das médicas do hospital, a Dra. French, que agora era diretora, não havia seguido os comandos dele durante uma cirurgia para a retirada de alguns tumores em seu própio joelho, e então ele havia ficado com esse pequeno problema.

– Me desculpe, isso não voltará a acontecer. Alguém estacionou na minha vaga. – Ele olhou para mim, dando um meio sorriso completamente cínico e girou os calcanhares, provavelmente voltaria para sua sala. Olhei ao redor e o hospital estava praticamente vazio, o que era estranho. Normalmente ele vivia cheio, o que fazia com que eu voltasse para casa acabada. O fato do hospital não estar movimentado era ótimo, pois eu poderia escolher meus pacientes. Logo lembrei de Henry, e fui até a recepção pegar um pirulito para quando ele chegasse. Nós tínhamos conversado um pouco ontem à noite quando ele acordou. Era um menino muito inteligente para sua idade, o que me fez ficar impressionada. Ele tinha apenas oito anos e havia lido mais livros do que eu em todo o meu ensino médio. Resolvi que iria espera-lo em minha sala, deixando o nome de Regina com uma das mulheres da recepção, para que ela não pegasse fila ao chegar. Não demorou muito para que me chamassem, avisando que meu paciente havia chegado. Desci pelo elevador principal e quando ele abriu, vi Regina e Henry conversando, enquanto meu chefe se aproximava deles. – Dr. Gold, essa é Regina Mills. – Eu apresentei a mãe de Henry, mas Gold me lançou um olhar de deboche.

– Como eu poderia não conhecer a nossa principal fornecedora, Dr. Swan? – Ele me perguntou, e automáticamente eu lembrei de onde conhecia o sobrenome “Mills”. Como eu era idiota! Regina era dona da Mills Medicine and Cosmetics, mais conhecida como MMC, uma multinacional famosa que fornecia remédios e outros produtos para quase todos os hospitais de Boston. Como eu poderia não ter lembrado? As propagandas estavam espalhadas por todo o hospital e eu receitava os remédios dela quase que diáriamente. — Doutora Swan? – Gold me chamou. Eu havia me perdido em meus pensamentos por alguns segundos, ou minutos.

– Sim, claro! – Fingi que nunca havia me esquecido de quem Regina era, o que fez Henry dar uma boa gargalhada, e Regina me olhar com uma sobrancelha arquada. – Para você, Kid. – Desviei completamente o assunto, dando o pirulito, que eu carregava no jaleco para Henry. Ele ficou extremamente feliz com o doce, ao contrário da mãe, que parecia querer me engolir com os olhos.

– Só depois do almoço, querido. – Regina pegou o pirulito da mão dele, e o garoto pareceu bastante frustrado, e eu também. Ainda eram dez horas da manhã, aquilo seria uma tortura para ele, então logo pensei num apelido para ela “Evil Queen”. Por que as mães colocavam hora para tudo? Bufei sem querer e Regina me olhou ainda mais séria. – Algum problema, Miss Swan? – Ela perguntou, levantando o lábio superior, que tinha uma pequena cicatriz. Aquele corte em sua boca era extremamente sexy.

– Não, tudo bem. Vamos? – Perguntei, já segurando a mão de Henry para que ele me acompanhasse até minha sala, para que eu trocasse aqueles pontos. Nesse momento me dei conta de que outro médico havia chegado a pedido de Gold, então parei onde estava, sem acreditar no que estava acontecendo.

– Dr. Swan, irei precisar dos seus serviços neste exato momento. – Gold falou, e eu tive vontade de pegar aquela bengala ridícula e bater várias vezes em sua cabeça. Ele não precisava dos meus serviços, aquilo era apenas uma forma de me punir por eu ter chegado atrasada ao hospital. Ao seu lado estava o médico mais insuportável de toda a história da medicina, Dr.Hood. Céus! Ele nem era um bom cirurgião, só estava ali pois seu pai havia feito um acordo com a diretora French de patrocinar o hospital sempre que necessário, e todos sabiam. – Tenho certeza de que o Dr. Hood atenderá o Henry da melhor forma possível, Regina. – Gold deu um sorriso simpático, assim como o médico ao seu lado. Robin Hood era um homem bonito, mas completamente ignorante, e minha raiva por ele só aumentou, quando vi a forma que ele olhava para Regina. Henry me lançou um olhar tirste, soltando a minha mão, e aquilo me partiu o coração.

– Vamos logo com isso, eu não tenho o dia inteiro. – Regina retrucou, fazendo com que eu quisesse bater nela com a bengala do Gold também. Eu fui para o lado do meu chefe, e Regina me entregou minha chave do apartamento balbuciando algo como um “obrigada”, e eu apenas sorri para ela. Henry deu a mão para que Regina segurasse, e ela o fez, dando um beijo na testa do garoto logo em seguida.

– Gold, obrigado pela vaga do estacionamento. – Dr. Hood agradeceu, antes de levar o meu paciente para a sala dele. Foi então que me dei conta do que ele havia acabado de falar. Gold havia dado a minha vaga para aquele troglodita de jaleco. Senti minhas bochechas queimarem de raiva, e eu fiquei completamente vermelha, o que fez meu chefe dar um sorriso de lado. Aquilo era completamente injusto. Nós já estávamos no elevador sozinhos quando eu resolvi ter o meu ataque de raiva.

– Você deu a MINHA vaga e o MEU paciente para aquele idiota?! – Quase berrei com ele. Naquele momento não me importei em ser formal, eu estava completamente transtornada, eu não me importava se ele era meu chefe ou não. Gold apenas deu aquele sorriso irônico de sempre. Aquele ar de superioridade que ele tinha me deixava louca de raiva.

– Nós não devemos ter laços afetivos com os pacientes, Dra. Swan, e você claramente está apegada ao garoto. Quanto a vaga, eu sugiro que você coloque seu nome nela. – Naquele momento as portas do elevador se abriram, e Gold saiu rapidamente. Fui até minha sala e esperei que ele me chamasse para que eu prestasse “os meus serviços”, mas ele não o fez, e eu sabia que não o faria. As horas no hospital passaram rápido e eu atendi cerca de vinte pacientes. Aquela era minha noite de plantão, mas como eu iria cobrir o Dr. Killian ainda essa semana, me liberaram mais cedo. Voltei para casa completamente frustrada por não ter atendido Henry. Gold tinha razão, os médicos não deveriam criar laços afetivos com seus pacientes, e eu nunca havia feito isso antes, mas aquele garotinho era especial. Talvez pelo fato dele ser adotado, o que me fez lembrar de toda a minha infância em orfanatos. O fato é que eu me identificava com ele. Entrei no apartamento morta de cansada, jogando os sapatos para o alto e me deitando no sofá. Eu estava completamente sozinha novamente, mas algo me chamou a atenção em cima da minha mesinha de centro, era um bilhete e a caligrafia era de criança: “Emma, muito obrigado por ter me salvado. Espero que você tenha gostado de mim, porque eu gostaria de te ver mais vezes. Minha mãe disse que eu poderia te chamar para um almoço amanhã, aqui em casa. Ela vai escrever o endereço. – Henry. “ – Um espaço grande, e logo a caligrafia mudou para uma letra corrida, mas bastante caprichada: “Doutora Swan, entenderei perfeitamente se você não puder comparecer ao almoço, mas isso significa muito para meu filho. Estaremos esperando sua confirmação, o meu número está atrás da folha. Endenreço: Rua Storybrooke, mansão 108. — Regina Mills.”. Logo virei a folha, vendo o número de Regina. Peguei meu celuar e salvei nos contatos o número como “Evil Queen”, o que me fez rir um pouco da minha brincadeira secreta. Aquele convite havia feito meu dia inteiro valer à pena. Digitei uma mensagem rápida para Regina.

– Estarei ai! Que horas? — Emma. – Mandei a mensagem e acho que não esperei nem meio minuto para que ela fosse respondida. O que provava que Regina, apesar daquela pose de séria que ela fazia para os outro, estava tão animada quanto eu para aquele almoço, ou eu estava me iludindo, e ela apenas estava com o celular em mãos na hora resolvendo outra coisa. Eu não sei se eu estava animada por ter recebido um convite, por encontrar Henry novamente ou por vê-la mais uma vez. Eu gostava do jeito forte de Regina, e ao mesmo tempo sentia vontade de bater nela por ser tão mandona.

– Meio dia em ponto. Não se atrase, pois tenho que levar Henry para o judô às duas horas. – Essa foi sua resposta. Eu teria que me matar no hospital amanhã para tirar meu horário de almoço ao meio dia, mas não me importei muito. Foi naquele momento em que me predi na parte dos esportes, Henry não parecia um garoto que gostava de pratica-los. Pelo que conversei com ele, ler era seu hobby. Ele não tinha muitos amigos, assim como eu.

– O Henry gosta de esportes? – Mandei outra mensagem, eu não sei por qual motivo, mas não queria parar de falar com ela. Eu compraria algo para Henry amanhã antes de ir ao trabalho. Talvez ele gostasse de um livro novo para sua coleção. Dessa vez ela demorou um pouco mais para responder, o que me fez pensar que eu não deveria ter tentado começar uma conversa.

– Não muito, mas é bom para ele pratica-los. Miss Swan, estou impossibilitada de falar com você agora, pois tenho assusntos pendentes da empresa para resolver. Tenha uma ótima noite. Até amanhã. – Ela me dispensou. Sabia que o Henry não gostava daquilo, só fazia porque Regina queria. Coloquei meu celular dentro de uma gaveta, sem nenhum tipo de cuidado, e me joguei na cama, agarrando o travesseiro. O cheiro de maçã invadiu minhas narinas e logo me lembrei de onde eu o conhecia. Era de Regina, ela havia dormido no mesmo lado da cama em que eu dormia. Não demorou muito até que eu apagasse ali, sentindo aquele cheiro fantástico e com a esperança de vê-la novamente o mais rápido possível.

Notas finais
E ai? O que acharam? Continuem deixando reviews aqui!