Try Me

4 Horses are hornless Unicorns


Notas iniciais
Queria pedir MIL DESCULPAS a quem está acompanhando. Gente, eu estou com os dias muito corridos! Fiquei sem tempo de atualizar minhas fics, mas não desistam de mim! Aqui está mais um capítulo! Beijos! Espero que gostem! BOA LEITURA!!

A semana demorou quase uma eternidade para passar, devido aos inúmeros plantões que tive que fazer por conta de minha “Falta inesperada ao trabalho, que eu deveria ter alertado com no mínimo dois dias de antecedência”. Eu não ligava muito de fazer os plantões, pois adorava meu trabalho. Acontece que existe uma coisa chamada “Sono” e eu acho que o Gold não sabe o significado dessa palavra. Ele me fez trabalhar como uma condenada por não ter lhe avisado que iria faltar, mas como eu saberia? Pensei que só iria almoçar na casa de Regina e depois voltaria para o hospital, mas não foi o que aconteceu. Quando saí da mansão, levei o Henry para tomar sorvete na primeira barraquinha que achamos, e depois fomos ao parque. Acabamos o dia sentados num castelo de madeira com uma vista bem agradável, e consequentemente perdemos a hora, o que fez com que Regina me ligasse no mínimo dez vezes. Quando chegamos à mansão cento e oito, Henry pediu para que eu entrasse, mas eu não era louca de enfrentar a fera, então ele apenas me fez prometer que iria ao campeonato que Regina iria participar junto a Rocinante, e eu concordei em ir. Bem, então a samana passou se arrastando e hoje finalmente era o dia. Eu não entendo como as pessoas marcam campeonatos no domingo, muito menos num domingo de manhã, mas havia prometido ao Kid que estaria presente. Eu tinha trauma de cavalos desde quando um dos orfanatos em que fiquei nos levou até um parque de diversões e um pônei me deu um coice bem no meio da testa. Foi uma sorte e tanta não ter ficado com nenhuma cicatriz. Eu estava jogada no sofá esperando uma mensagem divina dizendo que o campeonato havia sido cancelado ou adiado, para que eu pudesse dormir até o raiar do meio dia, quando Henry me ligou.

– Emma? – A voz fina do outro lado me chamou. Imaginei a cena: Henry sentado no sofá da sala, com os pés sem tocar o chão e com o telefone na mão, completamente aborrecido pela minha demora em responder.

– Hey, Kid. – Falei com empolgação, apesar de estar exausta. Ele não tinha culpa dos surtos do Gold. — Algum problema? – Rezei mentalmente para ele falasse “O campeonato será à tarde”, mas não foi o que aconteceu.

– Eu disse para a minha mãe que você tinha se oferecido para me levar ao campeonato, já que ela terá de ir mais cedo para treinar com Rocinante. – Ele falou bastante animado, e eu também fiquei. Nós não tínhamos combinado isso, mas passar mais tempo com ele era muito bom. – Tem problema? – Ele falou um pouco mais baixo.

– Estou indo para aí nesse exato momento. – Falei, saindo do sofá e indo em direção às minhas chaves. Eu já estava pronta desde que levantei da cama, pois sabia que se demorasse a me trocar a preguiça tomaria conta de mim, e eu nunca saíria de casa. – Te vejo em meia hora no máximo. – Eu chegaria à mansão e ainda teríamos cerca de uma hora para ficar sem fazer nada.

– Estou te esperando. – Ele falou, e logo após desligou o telefone. Eu havia acordado com o pé esquerdo, e estava com o pressentimento de que tudo daria errado no meu dia, mas deixei isso de lado e segui para a casa de Regina no meu fusca, ou como ela chamava na minha “máquina mortífera”. Eu não passaria na Starbucks, pois Ruby estava de folga e eu estava sem paciência para ter que explicar meu café da manhã para outra pessoa, então segui direto, o que me fez chegar lá em menos de vinte minutos. – Emma! – O próprio garotinho abriu a porta de entrada, me fazendo olhar para baixo.

– Oi, Kid! – Ele abraçou minha cintura e eu caminhei com ele apoiado nos meus pés para dentro da casa. Logo avistei Sidney guardando os brinquedos de Henry espalhados pela casa. Eram muitos. Nunca vi tantos brinquedos assim antes. – Quantos jogos, e bonecos! – Falei espantada.

– A minha mãe às vezes exagera um pouco. – Ele deu de ombros. – No meu quarto tem muitos outros! – Ele falou animado. Aquilo era realmente um exagero. Cresci em orfanatos, onde nós ganhávamos dois brinquedos por ano, um no dia das crianças, para os mais novos, e um no natal. Como eram brinquedos doados por outras pessoas, nem sempre eles estavam em condições de serem usados. Foram poucas as vezes que ganhei presentes realmente em bom estado. Quando eu fiz sete anos, me lembro de ter contado os dias para o natal. Eu tinha colocado na cabeça que aquele ano seria diferente. Fiz uma carta para o papai noel, e pendurei no meu par de meias reserva ao lado da minha cama. Eu havia pedido uma boneca, uma que não estivesse riscada, ou sem roupa, ou sem cabelo, ela não precisava ser a boneca do ano, ou nada parecido com isso. Eu só queria que ela estivesse inteira. Lembro de ter acordado no outro dia de manhã bem cedo, e ter olhado para o lado em busca do presente, mas naquele ano não ganhamos nada. Nenhuma das crianças recebeu nada. Uma das mulheres que trabalhavam no local falou que elas não haviam conseguido falar com o papai noel, hoje entendo que foi a falta de doação das pessoas. – Vamos! Vou te mostrar! – Ele me puxou pela mão e nós subimos pelas escadas. Chegamos ao quarto do garoto, e eu pensei estar na maior loja de brinquedos de Boston.

– Você brinca com todos eles? – Perguntei, observando que alguns ainda estavam dentro das caixas. Henry continuou a me puxar pela mão e nós sentamos em sua cama.

– A realidade é que eu não gosto muito deles. Eu prefiro ler. – Ele apontou para uma pequena quantidade de livros empilhados em sua cabeceira. Henry não era um daqueles garotos mimados e rebugentos, para falar a verdade, ele era mimado sim, mas não era rebugento. Era um menino caridoso, um menino bom.

– Kid, você quer fazer uma coisa diferente de tudo o que você já fez em sua vida? Uma coisa que vai deixar outras pessoas muito felizes? – Pude ver os olhos de Henry brilhando. Ele queria. Como eu havia suspeitado, ele era um garoto maravilhoso, e Regina provavelmente me mataria quando descobrisse o que eu tinha em mente. Henry concordou com a cabeça e eu olhei ao redor.

– Sim! Eu quero! — Ele levantou e começou a pular na cama. Estava bastante animado, o que me deixou muito feliz.

– Antes, senta aqui do meu lado. Vou te falar um pouco sobre mim. – Henry sentou no mesmo instante, e olhou para mim, prestando bastante atenção. – Sabe, Kid... eu e você somos parecidos, mas você teve um pouco mais sorte que eu. – Ele me lançou um olhar curioso. – Como você, eu também fui para adoção quando nasci, mas naquela época as pessoas não costumavam adotar tanto quanto hoje em dia. Então eu cresci numa casa de adoção, junto com outras crianças. – Ele me olhou confuso, talvez fosse demais para uma criança de oito anos, mas continuei. – Eu não tive pais para me encher de presentes como a sua mãe faz com você. – Ele sorriu e levantou, me deixando confusa dessa vez.

– Toma! É para você. – Ele estendeu um brinquedo ainda fechado em minha direção. Eu sorri para ele, e segurei o exemplar do homem-aranha que ele me entregava. – Eu tenho tantos que nem vou sentir falta. – Ele sentou ao meu lado novamente.

– Acho que sou um pouco grande para esse tipo de presente, Kid. – Baguncei o cabelo dele, fazendo com que ele sorrisse. – você sabia que as crianças da sua idade la no orfanato vivem de doações? – Perguntei, e ele balançou a cabeça em negativa. – Bem, as menores recebem dois presentes por ano, e as maiores apenas um, no natal. – Henry abriu a boca para protestar, mas nada saiu. – Triste, não é? – ele concordou com a cabeça.

– Emma! Eu tive uma ideia! – Ele levantou o dedo indicador, como quem pede a vez para falar na sala de aula. Eu sabia o que ele falaria, então concordei com a cabeça para que ele proseguisse. – Vamos doar todos os meus brinquedos para as crianças do orfanato! – Eu dei um enorme sorriso para ele, mas não deixaria que ele desse todos os brinquedos. A Regina me mataria.

– Que tal a gente selecionar os que você não usa mais e estão em bom estado? Nós podemos entrega-los ainda hoje! Será como um natal antecipado. – Estendi a mão no ar para que ele batesse, e ele bateu. Em pouco tempo nós tínhamos um número consideravelmente grande de brinquedos e exatas uma hora para chegar até onde estaria ocorrendo o campeonato.

– Em qual orfanato nós iremos entregar? – ele me perguntou, com uma sacola gigante nos braços. Eu ainda não havia pensado nisso. Eram tantos que precisavam de ajuda. – Que tal no que você cresceu? – Ele perguntou. Eu havia crescido em vários abrigos diferentes, mas havia um que eu tinha passado mais tempo.

– Combinado. – Falei, e nós saímos correndo pelas escadas em direção ao fusca. O local onde iríamos não era muito longe dali, o que me deixou um pouco mais aliviada. Colocamos a sacola na mala, e Henry sentou do meu lado no banco do passageiro. – A sua mãe vai nos matar. – Falei rindo, e ele não fez questão de esconder que ela ficaria uma fera.

– Ela vai matar você. – Ele riu ainda mais alto. Claro, ela não brigaria com o Henry. Chegamos na frente de uma casa mediana com a pintura desgastada. Umas crianças perambulavam perto da entrada, o tédio parecia reinar naquele lugar. Não era muito diferente de vinte anos atrás. Nós saímos do fusca, Henry estava bastante animado quando tirou a sacola de dentro do carro, indo em direção à entrada e despertando alguns olhares curiosos. Uma mulher com cerca de quarenta anos veio nos atender com um enorme sorriso no rosto. Eu a reconheci, e ela também pareceu lembrar de mim quando abriu a porta.

– Emma! Você por aqui! Depois de tanto tempo! – Ela me deu um abraço apertado. Ela era bem nova quando eu estava no orfanato, mas tenho uma vaga lembrança de que gostava bastante da mulher. – É seu filho? – Ela perguntou, abraçando Henry também. Eu tive uma vontade gigantesca de dizer que sim, dizer que ele era meu filho.

– Ele é um amigo. – Falei sorrindo, e Henry me olhou com uma expressão feliz. – Ingrid, nós trouxemos alguns presentes para as crianças. – Lembrei o nome dela, e os olhos da mulher brilharam. Como acontecia antigamente, parece que eles continuavam sem receber muitas doações.

– Entrem! Entrem! – Ela deu espaço para que eu e Henry entrássemos na casa. – Eu vou chamar as crianças! – Ela entrou dentro da casa e em cerca de cinco minutos todas as crianças do abrigo estavam perto de nós. Eram dezessete, sendo oito meninos e nove meninas. Todos estavam curiosos tentando ver o que Henry tinha dentro da sacola. – Recebam bem nossos convidados, tudo bem? – Eles concordaram com a cabeça e Ingrid me deu a palavra.

– Você quer falar, Henry? – Perguntei, mas ele se escondeu atrás da minha perna e eu apenas sorri. – Então eu falo. – Ele concordou atrás de mim. – Oi, meu nome é Emma, e esse aqui é o Henry. – Falei, olhando para as crianças que estavam achando engraçada toda aquela situação. – Um passarinho contou para a gente que vocês queriam muito ganhar presentes, então eu e meu ajudante resolvemos que todos vocês receberiam presente no dia de hoje. – Ver os olhinhos deles cheios de esperança e sonhos foi a coisa mais gratificante que recebi em anos. Um dos garotinhos menores levantou a mão.

– São brinquedos quebrados, senhorita Emma? – Aquela pergunta me partiu o coração. Eu sabia o estado das coisas que doavam para os orfanatos. As outras crianças baixaram o olhar, e por um momento, eu vi toda aquela alegria que eles sentiram quando falei pela primeira vez dos brinquedos sumir.

– Não são quebrados, parceiro! São novos! Estão até dendro da caixa! – Henry saiu de trás de mim, fazendo o garotinho mais novo sorrir. Eu estava tão orgulhosa dele. Nós havíamos selecionado muito mais brinquedos do que a quantidade de crianças, e muitos estavam realmente dentro da caixa ainda.

– Façam uma fila! – Ingrid falou. Ela estava claramente emocionada com aquilo. As crianças fizeram fila do menor para o maior, de frente para Henry. A maior parte dos brinquedos poderia ser usado tanto por garotos, quanto por garotas, o que facilitava bastante. Nós perguntávamos o que cada um queria e eles respondiam, então eu e Henry procurávamos o que chegava mais próximo do que eles haviam pedido. Ver o sorriso no rosto de cada uma daquelas crianças era a melhor coisa que alguém poderia querer ver, e por um momento eu me peguei pensando em como seria bom compartilhar aquilo com Regina também. Então chegou a vez do garotinho que fez a pergunta.

– Obrigado, senhorita Emma. – Eu ainda não havia lhe dado nada, mas ele já estava agradecendo. Era um garoto esperto, e extremamente fofo.

– Qual o seu nome, parceiro? – Henry perguntou, e o garotinho encheu o peito para falar.

– Meu nome é Roland. – Os cabelos negros caíram por cima da testa dele. – Como vocês sabiam que hoje era meu aniversário? – perguntou meio encabulado. Henry tomou ar para responder, mas eu entrei em sua frente.

– Um passarinho nos contou. – Eu sorri para ele, e ele retribuiu. – E então, o que você vai querer, aniversariante? – Ele pareceu pensar um pouco, mas logo decidiu.

– Um arco e flecha! – Ele falou acanhado. Nós tínhamos aquilo na sacola, pois o Henry havia ganhado uma réplica do arco do Arrow com as flechas sem pontas.

– Hoje é seu dia de sorte. – Eu respondi, e Henry entregou ao garoto o presente. Ele ficou radiante. – Como é seu aniversário, acho que você merece dois presentes. O que mais você gostaria de ganhar, arqueiro? – Perguntei, e dessa vez ele nem precisou pensar.

– Um cavalo! – Ele falou. Nós não tínhamos um cavalo, ou nada parecido. Henry chegou perto de mim e cochichou no meu ouvido. Aquela havia sido a ideia mais genial que alguém poderia ter.

– Hey, espere um minuto. – Falei, e deixei Henry entregando o resto dos presentes enquanto fui falar com Ingrid, que estava um pouco afastada das crianças.

– Posso ajudar, Emma? – Ela perguntou. Eu faria uma proposta praticamente irrecusável, e sabia que ela iria adorar a ideia.

– Posso levar você e os garotos para ver uma competição hoje? – não caberia todo mundo no meu fusca, então eu pagaria passagem de ônibus para todos. Ela nem precisou responder, pois eu já sabia qual era sua resposta.

– Eu não tenho como agradecer pelo que você está fazendo pelas crianças, Emma. – Ela apertou minha mão com força.

– Agradeça ao Henry. Foi ideia dele. – Deixei que Ingrid e Henry ficassem distribuindo os presentes enquanto fui para rua, providenciar um ônibus para as crianças. Não foi muito difícil e logo todos já estavam devidamente sentados. Eu não sei o que Regina iria achar daquilo, mas no momento pouco me importava. Segui com Henry e Roland no fusca, enquanto o resto das crianças seguiam com Ingrid no ônibus. O caminho estava um pouco engarrafado e nós demoramos quase meia hora para chegar ao local, nos deixando com um saldo positivo de quinze minutos.

– A competição já vai começar, Emma. Minha mãe tem um camarote aqui, eu já conheço o lugar então vou guia-los. – Concordei com Henry, eu teria que achar Regina para falar que já havia trazido o garoto. Ingrid e as crianças foram gruiados por Henry até o camarote de Regina e eu fui atrás da amazona.

– Regina? – Falei, entrando sem permissão no estábulo onde Rocinante estava. O som de minha voz ficou misturado com um grito e um barulho de queda. Corri para onde o cavalo de Regina estava e encontrei com ela no chão. Eu senti que ia morrer naquele momento. Eu havia feito com que ela caísse do cavalo, e aquele animal estava me encarando.

– O que você está esperando, Swan? Me ajude! – Ela Disse, segurando um dos braços contra o peito, mas eu não me movi. Eu estava paralisada. – Da pra me ajudar? – Ela perguntou irritada. Respirei fundo e fechei os olhos andando em sua direção. Eu andei de olhos fechados até ela e a segurei no colo, tirando-a dali. – A competição é em dez minutos. – Ela falou com raiva.

– Algum problema? – Um rapaz alto, com cabelo cor de mel, chegou perto de nós. Ele parecia um montador, assim como Regina. Ela olhou para ele e confirmou com a cabeça.

– Sim, Daniel. – Ela bufou. – Nós temos um grande problema. – Foi então que me dei conta do que havia acontecido. Regina havia torcido o braço, e eu era a culpada.

– Nós não podemos desistir do campeonato, Regina. Tem muito dinheiro em jogo. – Ele falou. O rapaz era o treinador de Regina, agora as coisas estavam começando a ficar mais claras.

– Eu não falei em desistir. A Miss Swan vai competir no meu lugar. – Engoli em seco. Eu não gostava nem de olhar para cavalos, quanto mais montar num. – Algum problema, Miss Swan? – Regina falava ao mesmo tempo em que tentava esconder sua cara de dor por conta do braço torcido.

– Eu não sei montar, Regina. – Era verdade, eu não sabia montar. Eu perderia essa competição de qualquer jeito.

– Rocinante sabe o que fazer. Você só vai precisar ficar em cima dele. – Regina revirou os olhos. – É mais fácil do que dirigir um fusca. – Pela primeira vez eu vi um meio sorriso se formar no rosto dela. Era a bipolaridade fazendo efeito. – Tome. – Ela me entregou seu Cap, e tirou a roupa na minha frente, no meio do estábulo e na frente do professor. Eu não sabia para onde olhar, mas meus olhos se fixaram na bunda dela involuntariamente, e acho que ela percebeu, me deixando completamente corada. – O que você está esperando? – Ela perguntou. Claro, nós trocaríamos de roupa. – não se incomode com ele. – Ela falou olhando para Daniel. Que outra opção eu tinha? Tirei minha vestimenta o mais rápido possível e vesti as dela. Regina era mais baixa do que eu, fazendo com que a calça dela ficasse coronha em mim, e o resto um pouco frouxo demais.

– Regina, eu tenho trauma de pôneis. – Falei desesperada, numa tentativa frustrada de que ela tivesse pena de mim e me deixasse fora dessa loucura.

– Ótimo! Rocinante não é um pônei, é um cavalo. – Ela deu de ombros, enquanto Daniel deu uma risada calorosa as minhas custas.

– Regina, cavalos são pôneis gigantes. – Eu estava cada segundo mais apavorada. Eu precisava subir naquele animal e não fazia a menor ideia de como. Ser guiada por um animal irracional era a maior loucura que eu iria fazer na minha vida.

– Não, Emma. Cavalos são unicórnios sem chifres. – Henry apareceu atrás de mim. Ele parecia estar se divertindo com meu desespero. – Essa jaqueta ficou ótima em você, mamãe. – Ele comentou, e nós ouvimos o primeiro toque para os competidores montarem. Devo dizer que eu me tremi bastante naquele momento. – Vamos, eu vou te levar pra enfermaria. – Henry chamou a mãe.

– Boa sorte, Miss Swan. – Ela me deu um abraço, e eu não queria sair dali nunca mais. Eu não queria montar aquele unicórnio sem chifre, e eu não queria competir, mas eu havia torcido o braço da competidora, que por sinal era nossa principal fornecedora e agora eu estava completamente ferrada.

– Regina falou sério quando disse que Rocinante te guiaria. Você só precisa montar e esperar. Ele fará tudo sozinho. – Daniel falou. Aquilo me tranqüilizava bastante. Andei até onde o cavalo estava e tentei não encara-lo por muito tempo.

– Daniel, eu não sei montar. – Eu disse, começando a ficar desesperada novamente. O rapaz chegou junto de mim e me segurou pela cintura, me colocando em cima do animal. Eu tenho quase certeza de que dei um grito naquele momento.

– Apenas relaxe. Ele saberá o que fazer. – Daniel falou pela última vez e abriu a porteira para que o Rocinante saísse do estábulo. O animal foi até uma pequena porta e esperou. Faltava um minuto para a competição começar e eu não fazia a menor ideia de onde eu estava, mas confiaria no cavalo. Isso mesmo, eu iria confiar no cavalo. Eu só podia estar ficando louca, mas era isso o que eu faria. Eu não tive tempo de pensar em mais nada, pois ouvi meu nome sendo chamado por um auto falante e um tiro vindo de longe. A porta abriu e Rocinante partiu em disparada para os obstáculos. A cada salto que ele dava, eu sentia que o meu fim estava mais próximo. Agradeci a Deus por não ter tomado café da manhã naquele dia, pois ele já estaria todo no chão depois do primeiro salto. Rocinante foi perfeito, e eu fique apenas sobre ele, esperando que tudo acabasse. Foram os dez minutos de apresentação mais demorados da minha vida. No final do percurso pude ver o camarote de Regina, que me observava junto com as crianças, Ingrid, Daniel e Henry, com um sorriso satisfeito no rosto e uma tipóia no braço. Rocinante finalmente entrou em uma cabine, e dois homens me ajudaram a sair de cima do cavalo. Até que eu havia ido bem.

– Parabéns! – Regina entrou animada na cabine. Eu estranhei aquele jeito alegre dela, não era muito comum.

– Obrigada! – Falei, ainda um pouco desestabilizada. Regina me olhou como se eu fosse a pessoa mais repugnante da face da terra e eu senti vontade de voltar para o útero da minha mãe.

– Eu estava falando com Rocinante. – Ela deu de ombros. – Mas obrigada por ter aceitado participar. – Ela tentou ser gentil, colocando sua bipolaridade em prática. Eu realmente não entendia aquela mulher, e aquilo me intrigava bastante.

– Não é como se eu tivesse tido algum tipo de escolha. – Falei, e vi que ela ensaiou um sorriso. – Quando sai o resultado? – Perguntei. Por algum motivo eu estava ansiosa para saber se Regina tinha conseguido.

– Faltam ainda cinco competidores. – Ela respondeu, alisando o cavalo. Eu sentei num banco próximo a ela e a observei. – Muito legal de sua parte trazer aquelas crianças para ca. – Regina falou, sem olhar para mim.

– Era aniversário de um dos garotos, e ele pediu um cavalo. – Dei de ombros. – Então trouxe ele para ca. – Regina sorriu.

– Roland, não é? Conversei um pouco com ele. – Ela virou-se para mim e sentou ao meu lado. – Ele disse que você era a fada madrinha dele. – Vi um sorriso sendo formado no rosto dela.

– Bem, talvez eu seja a médica madrinha dele. – Nós duas demos uma risada, apesar de não ter sido engraçado. – Ver aquelas crianças hoje me lembrou muito meu passado. – Eu falei, sem saber exatamente o motivo pelo qual estava falando.

– Do passado, apenas as boas memórias. – Ela me respondeu. Eu não entendi e fiquei a observando. – O meu pai me disse isso algumas vezes ao decorrer de sua vida. – Sorri. O pai de Regina era um homem sábio. – Acho que posso conseguir. – Ela disse, por fim.

– Conseguir o que? – Perguntei bastante confusa. Aquela conversa estava ficando abstrata demais.

– Com que as crianças tenham aulas de montaria ao menos uma vez por semana aqui no clube. – Ela virou para mim, dando um sorriso que apareciam todos os seus dentes extremamente brancos.

– Regina, isso seria incrível! – Falei, completamente encantada. Talvez Regina fosse a fada madrinha dessas criaças, e não eu. – Você não tem ideia do bem que está fazendo a elas. – Talvez ela não fosse a Evil queen que eu havia colocado nos contatos do meu celular. Naquele momento ela estava mais para salvadora.

– Vamos! O Resultado vai sair em alguns minutos! – Ela me puxou para fora da cabine com o braço bom, e eu a segui. A sensação que tive quando estava sendo guiada por ela era que eu seguiria aquela mulher até no inferno se ela quisesse. Quando chegamos, o ganhador já havia sido anunciado e como todos esperavam, Rocinante ficou em primeiro lugar. Aquele unicórnio sem chifre era muito inteligente.

– Nós ganhamos! – Henry correu em nossa direção, abraçando nós duas ao mesmo tempo. Aquele dia havia sido maravilhoso, nada do que eu havia pensado que seria.

– Sim, Kid. Nós ganhamos. – Eu abracei os dois com mais força. Eu não sei por qual motivo, mas eu me sentia em casa com os dois. Não, não era simplesmente uma casa, era um lar. Eu me sentia completa.

Notas finais
Gente, mais uma vez: DESCULPA! não desistam de mim. Comentem o capítulo comigo! Beijos!