Try Me
7 Captivate Her
Notas iniciais
POV Regina
Saí dos estábulos depois da conversa com Emma e fui caminhando até o chalé central do clube. O que eu tinha na cabeça para permitir que aquilo acontecesse? Eu estava deixando Emma entrar na minha vida, e as conseqüências daquilo eram inúmeras. Por mais que eu fugisse, ela sempre estava lá, e eu não podia simplesmente tirar isso do meu filho. Henry parecia outra pessoa desde a chegada dela. Ele estava mais alegre, mais comunicativo, e por mais que eu odiasse admitir isso, eu também estava. Gostava de chegar em casa todos os dias e encontrar os dois me esperando para almoçar, de reclamar com Emma por ela mimar demais o Henry, como se eu também não fizesse a mesma coisa, gostava do jeito que ela sorria de lado quando eu implicava com aquela jaqueta vermelha que ela insistia em usar todos os dias, gostava dela. Isso tudo era tão confuso. Eu nunca havia olhado para outra mulher como eu olhava para ela. A verdade é que desde o acidente de Graham que eu não me relacionava com ninguém, e isso já fazia nove anos. Ele foi o meu primeiro e único namorado, e na época estávamos noivos. Aquele havia sido o mesmo acidente de carro que matou meu pai. Lembro que quando Daniel chegou ao meu quarto para me contar da morte dos dois, meu primeiro instindo foi discar o número do celular deles. Dois dias após a tragédia tive que assumir a presidência da empresa, o que nunca havia sido meu sonho, e um ano depois adotei o Henry. Aquele foi um ano difícil, e as cobranças de minha mãe não ajudaram em nada. Cora era uma pessoa dura, mas eu atribuia isso ao seu passado. Minha mãe fazia a limpeza do clube de hipísmo e morava no quartinho dos fundos do chalé principal, junto com meu avô. Meu pai era apaixonado por ela desde o primeiro dia em que a viu, mas ela não o amava. Um belo dia ela apareceu grávida, e recorreu a ele, que assumiu a paternidade de Zelena. Os anos se passaram e os dois se casaram, mas Cora nunca o amou. Era um casamento falso, com a desculpa de querer o melhor para os seus filhos, onde nenhum dos dois era feliz. Quando meu pai e Graham morreram, prometi a mim mesma que jamais faria aquilo. Que nunca me casaria com ninguém que eu não amasse. Nunca casaria como a minha mãe. Isso fez com que minha relação com ela ficasse completamente abalada, pois em todos os encontros de família ela me empurrava para um novo pretendente multimilionário e completamente sem conteúdo. E cá estava eu, em frente ao seu quarto, prestes a desistir de entrar, quando ouvi sua voz atrás de mim.
– Algum problema, querida? — Eu gelei com a voz que vinha por trás de minha cabeça e Cora abriu a porta de seu quarto, passando por mim e fazendo sinal para que eu entrasse. Tudo estava exatamente como meu pai havia deixado naquele lugar. Ela não havia mudado nada. Eu entrei no cômodo a seguindo, mas não sentei na cama como ela fez. Cora bateu a mão na colchão ao seu lado, para que eu sentasse, mas não o fiz. O assunto que eu tentaria falar com ela exigia de no mínimo uns dois metros de distância. – Regina? – Ela chamou minha atenção. Eu estava apovorada. A aprovação de minha mãe era algo importante para mim, e eu sabia que não a teria.
– Acho que não vim numa boa hora. – Meu estômago embrulhou, e eu estava prestes a desistir quando ela me lançou um olhar de reprovação. Aquilo me matava por dentro. Dos três irmãos, eu sempre havia sido a favorita, e por tabela, também a mais cobrada. Cora despejava em mim todos os seus sonhos, desejos e frustrações e de alguma forma, eu queria ser tudo o que ela desejava. Eu queria ser suficiente para ela. Suspirei pesadamente e sentei na cadeira de frente para a penteadeira, olhando para ela apenas pelo reflexo do espelho.
– Exatamente igual ao seu pai. – Ela deu um sorriso debochado, e aquilo me encheu de raiva. – Ande logo com isso, Regina. Eu não tenho o dia todo a sua disposição, e você não veio aqui para conversar sobre como a macieira do jardim voltou a dar frutos, não foi? – Cora não era a pessoa mais receptiva do mundo, mas aquela notícia havia me deixado alegre de alguma forma. A macieira que eu havia plantado com meu pai quando ainda era criança não fazia o seu trabalho havia um bom tempo. Talvez aquilo indicasse um recomeço.
– Não. – Respondi seca. Do que eu tinha medo afinal? Eu era adulta, pagava minhas contas, tinha um filho maravilhoso e finalmente havia encontrado alguém por quem estava nutrindo um sentimento difrente. Um sentimento que eu nem sabia exatamente o que era. Isso, eu não sabia o que era. Talvez fosse muito cedo para assumir alguma coisa para minha mãe, quando nem ao menos eu sabia o que assumir. Me senti uma adolescente escondendo dos pais um segredo banal, mas que para ele seria o fim do mundo se alguém descobrisse. Naquele momento decidi que esperaria. Não falaria para Cora o que estava acontecendo. Eu sabia exatamente com quem falar sobre aquilo, e com certeza ele me apoiaria. – Na verdade, vim aqui para falar que você está com saldos negativos na empresa. As vendas desse mês não compensaram a quantidade de investimento que fizemos. Dê um jeito nisso. – Eu falei séria, e vi quando os olhos da minha mãe brilharam em minha direção. Ela estava orgulhosa, e eu queria me enfiar no primeiro buraco que encontrasse. Eu era responsável pelas dispesas e lucros de todas as empresas que meu pai havia deixado, o que me dava o direito de cortar gastos em certas áreas para investir em outras. Me sentia mal e covarde por não conseguir falar com ela sobre o que estava sentindo, mas seria melhor daquela forma.
– Bem, acho que já terminamos por aqui. – Ela falou um pouco mais animada. Por que ela só pensava em controle? Em poder? Por que ela não poderia perceber ao menos uma vez na vida que eu não estava bem? Suspirei e levantei, a deixando sozinha no quarto com apenas um aceno de cabeça. Saí do chalé, passando pela macieira e vendo que ela realmente estava repleta de maçãs completamente vermelhas. Não consegui esconder o sorriso que brotou em meu rosto.
– Senhorita Regina, que bom que veio. Acho que fizemos um bom trabalho, não foi? – Um jardineiro gordinho e muito mais velho do que eu segurou seu chapéu contra o peito. Me senti péssima por não saber seu nome. Eu sabia que ele era um dos funcionários mais antigos do clube, e eu nem ao menos havia me dado ao trabalho de lembrar da existencia dele, e de valorizar o seu trabalho com as plantas do local. A maioria das pessoas que trabalhavam ali eram muito humildes, pois as empresas Mills tinham uma política de contratar pessoas mais carentes para que elas tivessem algum tipo de oportunidade na vida, e eu simplesmente as ignorava.
– Um ótimo trabalho. Muito obrigada por cuidar tão bem dela. – Eu sorri para ele, e pude ver a alegria que ele sentiu em ver que seu trabalho havia sido reconhecido. Caminhei até mais perto da macieira e peguei uma de suas maçãs já maduras, e por um instante lembrei que o senhor baixinho era pai de duas garotas da idade de Henry. – Como estão as meninas? – Perguntei, e ele pareceu triste por um momento, colocando o chapéu de volta na cabeça.
– Não se preocupe com elas, Dona Regina. – Pude ver que algo estava errado ali. O humor dele havia mudado drásticamente de uma hora para a outra. Arqueei a sobrancelha em sua direção, fazendo com que ele falasse. – Elas estão doentes, Senhorita Regina. Começou com Elsa, minha mais velha, e agora Anna está doente também. Você sabe, eu crio as duas sozinho desde que a mãe delas morreu, e eu não sei o que fazer. Não temos dinheiro para o tratamento, nem para ir a um médico. Eu tentei ir a um hospital público, mas não tivemos resultado. – Ele desmoronou na minha frente. Parecia extremamente cansado, exausto.
– Leve as garotas ao Hospital geral de Massachusetts. – Ele me olhou com descrença, mas eu continuei. – Procure pela doutora Emma Swan e diga que eu pedi para que ela lhe atendesse. Os remédios que você precisar a MMC irá disponibilizar. – Ele me olhou como se quisesse falar algo. Me agradecer talvez, mas nada disse. Eu não precisava que ele falasse nada também, sabia o tamanho da gratidão que ele estava sentindo. O jardineiro andou até uma pequena casinha perto do chalé e voltou trazendo uma cesta feita com uma espécie de palha.
– Eu não tenho como agradecer o que a senhorita está fazendo por mim. – Ele disse, baixando a cabeça e indo em direção à macieira. O homem começou a retirar algumas maçãs da árvore e eu o ajudei. No final, deixamos a macieira quase sem nenhum fruto e ele me entregou a cesta. – Você parece com seu pai. – Ele me deu um sorriso sincero, e eu me lembrei de que era ele quem cuidava das plantas do chalé quando eu ainda morava aqui. Sabia que ele trabalhava havia muito tempo lá, mas não tinha associado o rosto a pessoa. Finalmente havia lembrado o nome dele.
– O que você precisar pode falar comigo, Marcus. – Peguei a cesta e ele concordou com a cabeça. Segui andando até os estábulos com a cesta de maçãs na mão, Rocinante iria gostar de ganhar um pequeno agrado. Quando cheguei lá, Daniel já havia saído e meu cavalo estava deitado em sua baia, exatamente igual ao dia em que eu o ganhei.
Flashback
– Papai, quando vou ter meu próprio cavalo? O Daniel já tem o dele! – Eu cruzei os braços contra o peito, batendo o pé no chão e fazendo uma cara emburrada. Meu pai andou em minha direção e afagou meus cabelos. – Não é justo. Eu sou apenas dois anos mais nova do que ele. – Eu tentava argumentar, e ele apenas sorria para mim. Era meu aniversário no dia e todos já haviam me dado um presente, menos meu pai.
– Tenha calma, minha princesinha. Tudo ao seu tempo. – Ele me respondeu. Me lembro de ter bufado para ele, e ele deu uma gargalhada sonora. – Antes de ganhar um cavalo, que tal nós escolhermos uma roupa adequada? – Henry me perguntou, e eu olhei para o que estava vestindo, fazendo uma careta. – Acho que o Daniel vai querer te levar para uma cavalgada. – Ele me puxou pela mão, e eu o segui. Fomos até o quarto do meu pai, onde havia uma roupa de amazona azul claro, exatamente do meu tamanho. – Vamos, vista-se! – Eu não sabia quem estava mais animado dos dois. Ele estava radiante, completamente jovem. Os cabelos ainda negros como os meus, e os olhos avelã que eu também havia herdado. Vesti a roupa que ele havia me presenteado e me olhei no espelho, vendo que Daniel também estava no quarto.
– Como se sente fazendo dez anos? – meu irmão me perguntou e eu o olhei confusa. Eu estava exatamente igual ao dia anterior, nada havia mudado. Era só mais um ano concluído. Revirei os olhos sem paciência e ele riu, junto com meu pai.
– Me leve logo para cavalgar, Daniel. – Eu exigi, fazendo com que ele olhasse para o meu pai fazendo uma careta, e nós seguimos andando pelo clube. Era uma caminhada gostosa de fazer com os dois, principalmente quando apostávamos corrida para ver quem chegava primeiro aos estábulos, e meu pai sempre me deixava ganhar.
– Por que ela é tão mandona sempre? – Daniel perguntou ao nosso pai, e eu mostrei minha língua para ele, fazendo com que Henry desse uma risada.
– Você vai ter que se acostumar, Daniel. As mulheres dessa família tem um gênio forte, e logo eu não estarei mais aqui para cuidar de vocês. – Era verde, as mulheres Mills tinham um gênio forte. O olhei impaciente. Eu não precisava de ninguém para cuidar de mim, me virava muito bem sozinha. Nós chegamos ao estábulo e eu me dirigi à baia de Ella para que Daniel a montasse e eu cavalgasse com ele, mas meu pai me puxou para o lado, e eu não entendi o que estava acontecendo até encontrar uma égua de pelagem preta e ao seu lado um potro. Era um macho, e havia acabado de nascer a julgar por seu pelo melado. A dificuldade em se levantar fazia com que ele ficasse deitado no chão, apoiado em uma das paredes da baia. – Acho que minha querida Mégara acabou de te dar um presente. – Ele me olhou completamente animado e eu corri para o lado do pequeno cavalo.
– Ele é meu, papai? – Nesse momento eu já estava abraçada com o potro e completamente melada também, enquanto meu pai segurava a égua maior para que ela não fizesse nada comigo. Ele concordou com a cabeça e Daniel trouxe um pano para mim.
– Cative-o. – Henry me disse, e eu segurei o pano que meu irmão havia me dado e comecei um trabalho de limpeza no meu mais novo companheiro. Eu sabia que não poderia monta-lo até que ele ficasse grande, e a partir de agora teria que cuidar dele e respeitá-lo, para que assim ele confiasse em mim.
– Rocinante. – Eu falei no ouvido do cavalo, e ele pareceu gostar de seu novo nome. Meu irmão me olhou com uma expressão de reprovação, e eu dei de ombros. – Se você desse uma lida em alguma coisa, saberia que esse é o nome do cavalo de Dom Quixote. – Ele deu as costas para mim, indo em direção a baia de Ella, me deixando sozinha com Henry. – Obrigada, papai. – Eu agradeci finalmente, e ele foi até mim, depositando um beijo na minha cabeça.
– Esse não é um presente para você, querida. É um presente para ele. Tenho certeza de que você cuidará bem do pequeno Rocinante, e que um dia vocês dois serão a grande aposta desse clube. – Meus olhos brilharam em direção ao meu pai, e eu o abracei com força. Aquele, com certeza, havia sido um dos melhores dias de toda a minha vida.
Fim Do Flashback
– Desculpe por hoje, amigo. – Eu cheguei perto de meu cavalo, e sentei no chão da baia junto a ele, com a cesta de maçãs. Ele me ignorou, virando o rosto para o lado. – Eu sei que você está chateado comigo, mas eu trouxe maçãs. – Rocinante finalmente olhou para mim e relinchou. Maçã era nossa fruta favorita. Coloquei uma das frutas da cesta na sua frente, e ele comeu em minha mão. Repeti o ato mais três vezes, e decidi que levaria algumas para casa. – Você quer cavalgar comigo? – Perguntei, e logo ele se levantou, mostrando que as maçãs haviam comprado seu perdão por eu ter exigido mais do que deveria dele. Montei em Rocinante logo em seguida, e eu o guiei até uma grande lápide que ficava numa parte isolada do clube. Deixei meu cavalo na porta e entrei dentro do grande mausoléu da família.
– Hoje não é quarta-feira. – Meu irmão falou atrás de mim, e eu dei um pulo para frente num susto. Ele não deveria estar ali, ou melhor, ele poderia estar ali, mas eu não sabia que ele estaria. Concordei com a cabeça, entendendo o recado. Meu pai havia morrido numa quarta-feira, e desde então, todas as quartas eu visitava a sua lápide. Era uma forma de estar sempre com ele, e aquilo me acalmava. – É a mulher loira de hoje mais cedo, não é? – Ele me perguntou, mas eu não respondi, apenas fiz sinal para que ele saísse dalí. Precisava de um tempo a sós com ele. Daniel saiu do mausoléu, me deixando sozinha com minhas dores, confusões e angústias.
– Oi, pai. – Eu comecei, contornando a grande lápide e passando a mão na tampa fria de mármore branco. – Eu sei que você sabe de tudo o que está acontecendo. – Gostava de acreditar que ele me acompanhava, mesmo que de outro mundo. Gostava de acreditar que ele conhecia meu filho, que estava sempre próximo a mim, me orientando em tudo o que eu precisava. – O que eu faço? Estou tão confusa, perdida. – Eu suspirei. Sentia tanta falta dele, de seu abraço apertado quando voltava do trabalho, do jeito que ele me defendia de tudo, de como eu me sentia protegida com ele. – Me dê um sinal de que estou fazendo o certo. – Pedi, me abraçando com a lápide e deixando que as lágrimas cobrissem todo o meu rosto. Logo meu celular tocou, e eu me aprumei para atendê-lo, e por um momento, aquele era o sinal que eu precisava. Henry estava me ligando.
– Mãe! – Ele falou um pouco alto demais do outro lado, e eu sorri com aquilo. Parecia cansado. Provavelmente havia feito com que Emma corresse pela casa com ele, deixando Sidney completamente irritado. – Venha para casa logo! Eu e Emma estamos morrendo de fome! – Ouvi Emma falando alguma coisa para ele, mas não entendi o que era.
– Eu já estou indo, querido. – Falei, tentando esconder dele a voz de choro, mas não consegui. Ele deve ter feito uma expressão confusa, porque Emma pediu para falar comigo e ele negou.
– Não chore, mamãe. – Ele disse, e eu abri um sorriso sincero. – Eu amo você. – Ele falava um pouco mais sério do que no início da ligação. – Olha, eu sei que essa vida de adulto é complicada, mas agora você tem a Emma! Ela pode te ajudar. – Sabia que ele não fazia a mínima idéia do que estava falando. Provavelmente achava que eu estava com algum problema no trabalho, ou algo do tipo, mas aquilo era o que eu precisava ouvir.
– Sim, querido. Agora eu tenho você e a Emma para me ajudar com os problemas da vida. – Falei sorrindo, e ele ficou mais animado. – Já estou indo para casa, meu amor. – Saí do mausoléu ainda com o telefone no ouvido, e vi que Rocinante havia comido todas as maçãs da cesta.
– Sim, nós vamos te ajudar! – Ele parecia pular no sofá, mas eu não estava ligando para o estrago que aquilo faria. – Eu sou seu amigo, e a Emma também. – Ele pensou um pouco do outro lado, como se tivesse tentando formular algo em sua cabeça. – Eu sei que você também é minha amiga, basta saber se você é amiga da Emma agora. – De alguma forma sabia que ele queria que eu perguntasse como eu faria aquilo.
– E você sabe como eu faço para que a Emma me desculpe e vire minha amiga? – Perguntei, sabendo que o celular dele estava no viva voz e que ela ouviria aquilo. Os dois começaram a falar baixo um com o outro, e Henry logo veio com uma resposta para mim.
– Cative-a! – Eu gelei assim que ele falou aquilo. Concordei com um grunhido estranho do outro lado da linha e Henry desligou. Aquilo havia sido o sinal que eu pedi para o meu pai? Levei Rocinante até os estábulos e o coloquei em sua baia, seguindo para meu carro e logo em seguida para casa. O clube não era longe da mansão, o que fez com que eu chegasse rápidamente. Minha cabeça estava doendo devido ao choro e a quantidade de estresse que eu estava carregando sobre minhas costas. Mal estacionei o carro e Henry saiu de casa correndo e puxando Emma pela mão.
– Querido, assim você irá machucar a Emma. – Eu o alertei. Henry estava a puxando completamente desengonçado, e apesar do sorriso no rosto de Emma, eu sabia que não deveria estar sendo nada agradável. – Como foi seu dia? – Perguntei, saindo do carro e dando um beijo na bochecha dele.
– Bem, foi legal quando a Emma voltou e disse que nunca mais sairia da minha vida. – Ele respondeu contente e eu dei um sorriso para meu filho, logo depois voltando meu olhar para Emma, que me deu um sorriso tímido. – Estou morrendo de fome! – Henry continuou segurando a mão de Emma, e com a livre segurou a minha. Nós três fomos andando até a porta da mansão e entramos. O almoço correu bem, com Henry falando sobre seu livro de bolso, que ele já estava quase acabando, e como Emma havia ensinado a ele alguns truques para ver se a pessoa estava ou não falando a verdade. Quando acabamos, pedi para que Sidney levasse Henry ao judô e ele nem fez tanta questão. Por incrível que possa parecer, Henry havia feito alguns amigos na nova turma, o que era ótimo para ele.
– E então? – Chamei a atenção de Emma, que parecia estar num mundo completamente paralelo olhando para mim. Sorri com o fato de que ela ficou completamente corada e sem jeito. Nós estávamos sentadas na mesma sala em que havíamos dançado, mas dessa vez nenhum som era emitido.
– E então o que? – Ele me desafiou, arqueando uma das sobrancelhas em minha direção. Estávamos sentadas lá havia quase dez minutos e nenhuma das duas tinha se pronunciado ainda.
– O que vai fazer agora que conseguiu entrar em nossas vidas de uma vez? – Eu a encarei, e ela fez uma expressão confusa no rosto, como se não esperasse por aquela pergunta. Eu estava feliz por ela estar lá comigo, mas ao mesmo tempo eu tinha a impressão de que nenhuma de nós duas sabia o que fazer a partir dalí.
– Eu não sei. – Ela me respondeu, e aquilo me deu vontade de rir. Toda aquela situação estava me dando vontade de rir, e eu não consegui me controlar. Em poucos segundos eu estava gargalhando na sala, e Emma também. Nós duas estávamos rindo e nem sabíamos do que era. – Para, Regina! – Ela reclamou, levando a mão à barriga, mas eu não consegui. Eu estava feliz, e ao mesmo tempo achava tudo muito inesperado.
– Você quer tomar um sorvete comigo? – Eu não sei por qual motivo, mas eu senti desejo de sorvete. Eu precisava de sorvete ou o filho que eu não estava esperando nasceria com cara de sorvete. Emma me olhou curiosa, e provavelmente achando o convite a coisa mais estranha do universo, mas depois sorriu para mim e concordou com a cabeça.
– Só se você pagar a conta. – Ela já estava em pé, assim como eu, e nós seguimos para a porta de saída. – E você for no meu carro. – Ela completou, e eu dei uma gargalhada sonora.
– Isso não irá acontecer, Miss Swan. – Ela revirou os olhos e tentou fazer uma expressão de revolta, mas nós duas não conseguíamos parar de rir. Emma chegou mais perto de mim e ajeitou meu cabelo, colocando-o para trás da orelha. – Obrigada. – Falei quase sussurrando, e ela abriu um sorriso mostrando seus dentes levemente tortos.
– Não foi nada. – Emma desviou o olhar do meu, e nós paramos na frente da porta da mansão. Não eram nem vinte passos até chegar ao meu carro, mas Emma segurou minha mão para que fôssemos juntas. No momento eu achei aquilo completamente estranho, mas não a soltei. Eu não queria largar Emma. Paramos na frente do meu carro, e ela me prendeu contra a porta, ficando a poucos centímetros de mim. – Esqueci de dizer uma coisa. – Eu engoli em seco, e concordei com a cabeça para que ela prosseguisse. – O meu sorvete tem calda de chocolate extra. – Ela me soltou, e eu consegui normalizar a minha respiração. Eu queria bater nela. Com certeza eu queria bater nela.
– Não abuse da minha boa vontade, Swan. – Vi quando Emma vez a volta no carro e foi para o banco do passageiro rindo, eu também estava rindo internamente, mas não deixaria que ela soubesse. Pisei no acelarador e nós partimos rumo à sorveteria.
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