Trust Me
1 Prólogo
Notas iniciais
Essa história vai começar com uma competição bem interessante e vai ter dramas paralelos bem envolventes, então acompanhem e espero que gostem desse começo!
— Tia Linda, tia Linda! – digo entrando correndo com meu cabelo vermelho balançando dividido em duas marias chiquinhas.
— Íris, meu amor, o que aconteceu? – pergunta a esplendorosa mulher loira atrás do balcão.
— O Fred e o Matt não querem me deixar brincar com eles! – respondo me escondendo no seu abraço.
— Do que eles estão brincando?
— De futebol! Mas disseram que sou muito baixinha e não vou saber jogar, que vou sou atrapalhar! – digo indignada. – Eu já tenho 7 anos, e eles só tem 9 e 10 anos, não sou tão pequena!
— Por que você não deixa esses meninos bobos para lá e vem me ajudar com os biscoitos para o lanche? – diz ela de um jeito dócil, alisando meu cabelo no processo.
— E eu posso fazer o biscoito que eu quiser? Do formato que eu quiser?! – estava animada novamente.
— Claro, minha querida. – tia Linda sorri pra mim– Poderia pegar as gotas de chocolate e qualquer outro confeito que queira colocar nos biscoitos ali na estante para mim?
— Sim! Vou separar todos os doces rosas para que os meninos não queiram comer os biscoitos! – digo já imaginando a cara deles quando só virem biscoitos com doces rosas.
— Que maldade Íris! – me repreende ela, mas ainda rindo para a minha traquinagem. – Deveríamos fazer os biscoitos em forma de corações e florzinha então para combinar.
— Ótima ideia tia Linda! – fico ainda mais animada voltando para a bancada com os potes de doces que sempre tinham na casa da tia Linda. – Tia, minha mamãe ia gostar de biscoitos em forma de flor?
Pude perceber o desconforto que tomou conta da tia Linda, ela sempre reagia assim quando eu perguntava da minha mãe, mas eu não podia evitar, eu queria saber mais da minha mamãe.
— Claro, meu anjo, sua mamãe Maire adorava flores! – responde ela forçando um sorriso. – Ela adoraria comer todos os lindos biscoitos que vamos fazer.
— Ela gostava de biscoitos?– pergunto ainda mais curiosa.– Tia Linda, me conta de novo a história de como você conheceu a mamãe!
— Conto sim, mas primeiro comece logo a separar os doces que você vai querer usar nessa vasilha. – diz ela me ajudando a sentar na cadeira alta da bancada e me entregando a vasilha. – No meu primeiro dia na faculdade eu fui levada para o meu quarto no alojamento dos estudantes, assim que eu abri a porta do quarto percebi que sua mãe era uma garota especial, pois ela estava colando vários desenhos lindíssimos na sua parede do quarto que iríamos dividir. Acabei por descobrir que os lindos desenhos eram criações dela e que estudaríamos juntas o curso de design de moda.
Eu via como a tia Linda ficava triste quando eu pedia para ela falar da mamãe, o papai também ficava muito triste... Eu também fico triste, não conheci a mamãe e ela não está mais aqui para eu a conhecer.
— Logo viramos melhores amigas! Fazíamos tudo juntas, e foi em uma dessas vezes que saímos para nos divertir juntas que conhecemos o seu papai e o tio Brad. – continuou contando ela com um olhar de saudade.– Eles eram muito charmosos e engraçados e não demoramos a cair nos encantos deles. Então onde era nós duas virou nós quatro, vivíamos juntos, os garotos era muito amigos também. Seu papai amava demais sua mãe, eles se casaram ainda na faculdade, alugaram um apartamento perto do campus e começaram a viver juntos, eu e o tio Brad seguimos os mesmos passos algum tempo depois.
– É nessa parte que eles fazem a empresa não é?! – digo animada por saber de algumas partes da história dos meus pais decorada.
— Sim, a Maire e o Phillip juntaram seus conhecimentos em moda e administração para criar a empresa, o que os surpreendeu foi como em pouco tempo a empresa começou a crescer. Nos formamos e a partir daí todos estávamos trabalhando na empresa, juntos desde o começo. – disse recomeçando a bater a massa dos biscoitos. – Mas você sabe que depois que sua mamãe... morreu, ele mudou o nome da empresa não é?
— Sim, sim! Agora chama "Nic Doiridh", que nem o nosso nome! – respondo prontamente. – Papai me disse uma vez que era uma jardinagem pra mamãe.
— Homenagem, meu anjo, ele deve ter dito homenagem. – diz com um sorriso gentil.
— O papai vai demorar muito para voltar? Estou com saudades! – digo continuando a separar m&ms, jujubas e outras guloseimas na vasilha.
Eu adorava ficar na casa da tia Linda, mesmo o Matthew sendo um chato, mas sentia falta de ficar com o Fred e o papai na nossa casa. Mesmo morando do outro lado da rua, toda vez que o papai e o tio Brad viajam pra trabalhar eu e o Fred temos que dormi aqui.
— Eles disseram que voltariam hoje, talvez estejam aqui na hora do jantar. Eles foram abrir a filial da empresa na Europa, meu amor, é um oceano de distancia daqui para lá!
— Eu sei, apenas estou com saudade...
— Terminei a massa, você já tem os doces que quer?
Volte a me distrair com os doces e em fazer lindos biscoitos e acabei por deixar de lado a história sobre a mamãe, mas isso não significava que eu não voltaria a perguntar em algum momento depois. Já a saudade do papai, eu estava acostumada com ela.
***
— Eu não sou obrigada a ver essa cena, Rachel! – resmungo para minha melhor amiga do outro lado da linha.
Fazia dois anos que nos conhecemos e viramos inseparáveis. Rachel é apenas alguns meses mais velha que eu, mas tem todo o ar de sabedoria que uma garota de 15 anos pode ter. Estávamos à quase duas horas no telefone e ela pacientemente escutava minhas lamurias sobre a palhaçada que estava acontecendo no andar de baixo da minha casa.
— Pense pelo lado bom, daqui a uma semana nós duas estaremos do outro lado do mundo, curtindo os gatinhos franceses e tendo o melhor ensino médio das nossas vidas! – diz ela animada.
— Seus pais foram os melhores quando convenceram o meu a nos deixar estudar fora. Eu sei que é uma oportunidade incrível e que passamos na seleção e isso nos torna merecedoras, mas ainda duvidava que ele fosse me deixar ir. Parece que a cada ano que passa ele fica mais super protetor!
— O tio Phill sabe que eu vou cuidar de você lá! – fala ela rindo.
— Até parece! Eu vou ter sorte se você não me trocar pelo primeiro francês charmoso que encontrarmos no aeroporto mesmo! – rebato rindo também.
— Como se você não fizesse o mesmo comigo sem pensar duas vezes! – acusa ela.
— Ferrugem, desce aqui! — escuto Matthew gritar lá de baixo e o sangue já me sobe a cabeça.
— O Matt também está aí?! – pergunta Rachel ao telefone.
— Eu te falei que estava uma palhaçada lá em baixo. Meu irmão tá que nem um pateta abobalhado com aquelazinha pendurada no pescoço, enquanto o Matthew fica se exibindo com aquela batata frita da sala do meu irmão! Nem é a formatura dele e ele age como se fosse o dono da festa!
— Amiga, fiquei confusa, você chamou a garota de gostosa ou de magricela?! – pergunta minha amiga em tom de brincadeira.
— Íris, desce aqui, maninha! — agora meu irmão que grita por mim.
— Eu tenho que desligar, mais tarde nos falamos de novo! – não espero por sua despedida antes de pular da cama e bater o telefone no gancho.
Desço as escadas da minha casa sem a menor pressa, vestida com meu confortável short jeans e meu moletom, além das minhas insubstituíveis pantufas de cachorrinho. Muito diferente de mim estavam os meninos, totalmente arrumados dentro de ternos sob medida e exalando tanto perfume que eu consegui sentir antes mesmo de chegar ao fim da escada.
Na sala de estar eles estavam muito sorridentes com suas respectivas acompanhantes posando para a câmera que a tia Linda segurava emocionada.
— Ferrugem, tira umas fotos nossas, minha mãe está tremendo tanto que nenhuma foto vai sair boa! – diz Matt apertando ainda mais a loira ao seu lado.
— Meus garotos já estão tão grandes.. Indo para o baile de formatura! – expressa tia Linda contendo as lágrimas.
— Eu já disse para não me chamar assim, seu idiota. E tia Linda, só quem vai se formar é o Frederick, o Matthew está indo de metido que é! – acuso pegando a câmera e mirando no meu irmão que estava muito arrumado e elegante. – Você está lindo, mano!
Não diferente do que eu esperava que ele fizesse, Fred largou mão da morena ao seu lado e veio até onde eu estava, me abraçando e dando um estralado beijo na minha testa. Depois que passamos da fase das implicâncias de criança, Fred e eu ficamos mais próximos do que tudo e acho que esses anos fora vão ser muito difíceis de passar sem o meu irmãozão do lado.
— Seja boazinha e tire fotos incríveis nossas, esse é um momento importante! – diz ele e volta para o lado da sua acompanhante.
Depois de uma sessão de fotos completa vejo os quatro entrarem na limusine que papai alugou e partirem para a festa de formatura do meu irmão mais velho. Eu estava muito orgulhosa dele, Fred havia passado para a faculdade de design de moda daqui de Toronto e começaria a estudar o que tanto ama daqui à alguns meses.
Ele estava seguindo os passos da mamãe, já eu não sei o que farei da vida, até tentei um curso de arte, mas Fred que acabava fazendo as minhas tarefas e assim descobriu sua real vocação. Eu queria ter mais coisas em comum com a minha mãe, ainda que papai sempre diga que eu sou a cara dela com meus compridos cabelos ruivos e meus olhos cinzas, isso não é o suficiente.
Ainda terei três anos pela frente para estudar e descobrir qual profissão seguir, mas isso não muda o fato de sempre faltar algo dentro de mim. Nos últimos 14 anos eu sempre tentei saber mais da minha mãe, pois achava que era isso que me faltava, mas nem isso pareceu ajudar. Sei muitas coisas da minha mãe, mas sempre parece ainda faltar algo... Ela morreu de psicose pós-parto quatro meses depois que eu nasci, isso dá um peso totalmente diferente para a morte dela, é como.. como se ela tivesse morrido por minha causa!
Notas finais
Espero que tenham gostado e vou tentar postar um capitulo por semana, mas não prometo, pois quero desenvolver minhas outras fics também!
COMENTEM!
Fiquem de olho nas próximas postagens, essa história promete muito!
Bjs, Tatá :3
Fale com o autor