Trunfo

13 Cantoria ao redor da fogueira


-Anna, graças aos Deuses! – Exclamou Jason, correndo até eles.

Anna e Nico nem notaram o Sol se pondo, entretidos na acirrada (mas amigável) discussão sobre a melhor banda de Punk Rock dos anos 70.

-Eu andei por aí te procurando o dia inteiro! – Disse Jason, abraçando Anna.

-Talvez devesse ter corrido. – Resmungou Nico, mas logo se recompôs e cumprimentou Jason. – Oi Jason.

-Oi Nico. – Respondeu Jason, no mesmo tom.

Ele parou para respirar profundamente e, mais calmo, disse:

-Fiquei sabendo das novidades, Anna. – Contou. – E eu acho que você fez a coisa certa, se quer saber.

-Obrigada.

Ela sorriu timidamente, e ele correspondeu coçando a nuca e sorrindo de volta.

-Então! – Manifestou-se Nico. – Ouvi dizer que as cantorias ao redor da fogueira são bem mais animadas aos fins de semana...

-Isso é porque aos fins de semana nós não temos de sentar de acordo com os chalés. – Explicou Jason, depois de hesitar em desviar o olhar dos olhos de Anna.

-O que estamos esperando? – Os olhos de Anna brilharam e ela fez sinais para os garotos a guiarem até o Pavilhão.

O local estava todo focado ao redor da fogueira; as mesas de antes desapareceram e os bancos estavam organizados em círculos contornando a fogueira. O coral na verdade era um grupo de campistas sentados em um banco mais separado dos outros, que guiava o resto do acampamento nas músicas. A banda ficava de frente para o coral, com a fogueira entre eles, e tocava perfeitamente bem.

Os meio-sangues seguravam papéis com as letras das músicas da noite, e cantavam sem vergonha, superados por pouco pela voz do cantor principal, ao lado da banda, apoiado pelo Coral.

-Uau. – Murmurou Anna, se esgueirando por trás de um pilar grego e se sentando num dos bancos mais afastados da fogueira. Ainda assim, lá estava quente.

Anna imaginava os campistas cantando músicas religiosas e melosas, mas quando chegaram lá, encontraram todos cantando Hey Jude (Beatles). Jason explicou que nos fins de semana Quíron permitia que eles cantassem as músicas que queriam, e não músicas de louvor aos Deuses.

-Isso é legal. – Comentou Anna.

-As duas últimas músicas na semana também são opcionais. – Jason pediu um papel para um campista a frente deles. – Os papéis são mágicos; identificam as letras das músicas na hora, e mostram para os campistas.

-Bem ecológico.

-Jason! – Um garoto avistou Jason e correu até ele, exasperado. – Jason!

-O que foi Fred? – Perguntou ele.

-A Joan está passando mal, não vai dar pra ela cantar a próxima. – Declarou Fred.

-Chama a Madonna. – Disse Jason.

-Ela se machucou no jogo ontem. – Fred lançou um olhar furtivo a Anna.

Ela não pôde evitar reparar os nomes dos irmãos de Jason, filhos de Apolo. Fred (Freddie Mercury), Joan (Joan Jett), Madonna (!).

-Relaxa! – Pediu Jason (Mraz?). — Qual é a próxima música?

-That’s What You Get; Paramore – Disse o cantor do Queen.

-Eu posso cantar! – Exclamou Anna, se intrometendo. – Eu adoro essa música.

-Boa ideia! – Concordou Jason. – Viu só? Problema resolvido.

-Jason... – Reprimiu Fred, lançando um olhar questionador nada discreto ao o irmão.

-Qual é Fred?! – Jason retribuiu o olhar. – Ela é sua melhor opção.

Bufando, Fred assentiu e convidou Anna a cantar.

Exclamações escaparam das bocas dos campistas quando a viram novamente depois do jogo da noite anterior, porém Anna se convenceu a ignorar e fazer o que estava determinada a fazer: provar a Fred que sua melhor opção não era ruim.

Indicou para a banda que começasse a tocar, e seu corpo foi atravessado por uma corrente elétrica assim que os primeiros acordes encheram o ar.

-No sir, no I don’t wanna be the blame. – Cantou ela, ouvindo a voz de Hayley Williams em sua cabeça.

Os pensamentos de Anna voaram direto para os acontecimentos recentes.

-And why do we like to hurt so much? – Seguiu no ritmo. Pensou em seu pai ou mãe. — I can't decide you have made it harder just to go on.

Ouviu os campistas cantando junto com ela, e mergulhou de cabeça no momento feliz. Porque é para isso que serve a música; para gritar o que não se consegue dizer, e para se desligar do que você não gosta.

-I drowned out all my sense with the sound of this beating – Os outros pareciam se animar junto com ela, e Anna deixou seus olhos se fecharem e sua garganta trabalhar. — And that's what you get when you let your heart win, whoa.

Quando a música acabou e Anna recebeu as palmas, seu coração se encheu de alegria, e sua mente se desviou dos assuntos desconfortáveis. Os olhares desconfiados e preconceituosos foram substituídos por admiração e felicidade.

Jason correu até ela, e Anna se jogou em seus braços, sorrindo.

A raiva em seu coração foi substituída por uma sensação de curiosidade esperançosa. Talvez seu parente olimpiano não fosse uma criatura má, afinal. Talvez sua mãe tivesse engravidado antes de conhecer seu pai de criação, ou vice versa.

Avistou Quíron um pouco mais atrás do último banco. Afastou-se de Jason com uma risada e um beijo em sua bochecha, e então começou sua corrida até Quíron, preparada para ouvir o nome de seu parente Divino.

Mas não era assim que o destino brincava.

Passando pelo banco de Marylin, ela tropeçou em seu pé novamente e foi jogada para frente, cortando o ar. E de novo numa situação deselegante o poder divino resolveu jogar.

Anna caiu sobre os joelhos e mãos no chão, ralando essas partes do corpo. Porém ninguém teve tempo de rir, já que na mesma hora um brilho dourado se iniciou sobre a cabeça de Anna.

Só que daquela vez ele não estava sozinho.

Notas finais
Prometo matar suas curiosidades no próximo capítulo, aguentem!!