True Love
4 Capítulo O4
Notas iniciais
Luna não sabia o que fazer, suas mãos estavam formigando com o nervosismo e as asas de Maléfico enroladas em uma lona, começaram a se debater desesperadamente com a aproximação de dele. Seus lábios finos arroxearam e ela a cada minuto perdia o ar ficando tonta, sua única salvação seria a adaga.
A loira tirou a adaga de seu vestido, e com o desespero, acabou segurando-a pela lâmina, cortando suas mãos antes de virar o cabo da faca e e cravar fundo no abdômem de Maléfico, fazendo o mesmo cair de joelhos em sua frente. Ela não pensou duas vezes e saiu correndo com as asas dele em mãos. Ele a observou ir, as criaturas não a atacaram, pois ela espirrou um pó a sua volta, impedindo-as de chegar perto, mas Maléfico entendeu a situação. Não era o pó estranho que as limitava a ataca Luna, mas sim seu decreto, que há ano havia dado a ordem de que não ferissem a loira.
Maléfico se limitou a chorar, não agora ele não podia, aquilo foi demais para ele, ainda mais na frente das criaturas que o observavam com pesar.
Tentou se levantar sozinho, mas somando a dor de suas asas cortadas e o corte fundo em sua barriga, seria insuportável. Tateou o chão e encontrou um pequeno e insignificante graveto, que com sua magia, o rolou entre dedos o transformando em um cajado com uma esfera amarela esverdeada na ponta.
Para sua felicidade, alguns elfos correram a sua ajuda, levantando seus braços e carregando seu corpo pintado de sangue.
"Minha nossa! As asas dele!"
" O que será que aconteceu?"
Para Maléfico era difícil expressar a tristeza que sentia.
O rei dormia em seus aposentos, quando se assustou com o barulho de Luna jogando algo no pé de sua cama.
— O que é isso? — O velho perguntou.
— Eu o vinguei meu senhor, fiz tudo pelo senhor, meu amado. — O rei ficou admirado, não, assustado. Aquela garota não conseguiria matar a assustadora criatura que matara mais da metade de seus homens. O que ele sentia por Luna não eram apenas desejos carnais, mais sim... Ele a amava de verdade.
Luna foi na cabeceira de sua cama e sentou em uma cadeira, o rei passou as mãos pelo rosto da garota, que reprimiu uma expressão de nojo.
— Meu anjo de porcelana, como fez isso? — Ele perguntou enquanto Luna fazia voz de choro.
— Ele tentou me matar, mas como sei que ferro queima esses tipos de criatura, o capturei com correntes grossas. — Ela era uma ótima mentirosa.
— Mesmo assim querida, ainda não entendo como você-
— E levei pó de metal, que peguei do ferreiro. — O interrompeu.
— Fez a coisa certa, meu anjo. Mas... Eu morrerei logo, logo. Não sei o que posso fazer com você — Ele engasgou — Para os guerreiros, prometi minha filha... Case- se então com meu filho, Bartolomeu — Disse ele contragosto — Eu estou a beira da morte, mas para que não fique desamparada, seja rainha.
Luna conteve sua alegria, o filho do rei, Bartolomeu era muito bonito.
O rei chamou a todos e comunicou-os. De início eles ficaram contrariádos, mas como ele era rei, tiveram de acatar.
E assim ficou decidido, Luna seria rainha e se casaria com Bartolomeu.
Maléfico já havia quase se acostumado com sua vida sem asas, se surpreendeu que ainda o cortejavam por toda a floresta, não que pensasse que as asas fossem a única beleza contida em si, mas para ele, era algo importante como um braço ou uma perna, indispensáveis para se locomover.
Nas primeiras semanas, seus pés doíam quando andava longas distâncias, antes macios e rosados, naquele momento chegavam a ter calos, sangramentos e bolhas d'água terríveis. Meses depois, foi impossível não começar a usar sapatos, por insistência dos outros; longas botas grossas que mantinham seus pés confortáveis e saudáveis.
Estava andando pelas matas, caminhando para acostumar a sola de seus pés com o novo costume terreno. Como perdeu o contato com Niana, algumas outras criaturas se ofereceram para ajudá-lo, mas recusou friamente. Sentiu-se culpado pela maneira cruel com que estava tratando seus amigos, mas logo eliminou esse pensamento quando ouviu uma barulheira. Chegando perto, viu um humano com um corvo capturado se bebatendo numa rede.
"Mas... Ele está em nossas terras,"
— Aha! Pegamos um! — O humano gritava. Maléfico sentiu nojo da raça humana pela milésima vez, e pena do cachorro que o acompanhava.
— Transforme- se. — Murmurou Maléfico, fazendo mais uma vez sua magia, balançando as mãos e uma fumaça amarelada dançar sob seus dedos.
O corvo começou a aumentar o tamanho e as penas reduzirem, até virar uma mulher, mas a mesma estava toda suja. Olhou para os lados, levantando os braços e observou bem as mãos, dedos e pés.
— Socorro! Demôno, demônio! — o humano asqueroso saiu gritando. Ele por um instante riu do covarde.
— Mas o que... — A moça viu Maléfico na sua frente, mas não se importou por estar nua, sua raiva era maior do que a vergonha. — O que fez com meu lindo corpo?!
Maléfico a olhou de cima a baixo, não deixou de reparar em suas curvas, mas não se importou nem um pouco.
— Não seja tola mulher, salvei sua vida. Seja grata! — Ele disse com a voz firme.
— Desculpe. — Ela se sentiu intimidada com o rom de voz dele — Er... Para agradecer, serei sua serva. O que deseja senhor?
— Qual seu nome?
— Saremy. — Teve alguma dificuldade ao se levantar, ficando com as pernas bambas.
— Seja meus olhos, meus pés e minhas asas. — Ele respondeu. De início ela ficou confusa, depois entendeu. Maléfico a transformou em corvo de novo e a mesma voou até o castelo.
Não pensou bem no que fazia e nas consequências que traria ao transformar um animal, estava agindo impulsivamente, pelo ódio que corroía suas entranhas.
— Então, ela fez isso comigo... Só para virar rainha?! — Ele gritava completamente infurecido, o ódio corroía sua alma. Saremy havia acabado de contar sobre a coroação de Luna.
A raiva agora tinha cor, pois uma luz esverdeada emanou de Maléfico, e de forma violenta cortou as nuvens, invadindo o céu, todos que estavam perto viram, e os que não estavam também.
Pela janela do castelo Luna viu o ocorrido, e já esperava as consequências de sua traição.
Na entrada do reino dos Moors, Maléfico marchou, e por onde ele passava, escurecia. Improvisou ele, um trono com magia, Saremy pousou na mão do moreno. Deseperados, todos foram ver o que estava acontecendo.
Os elfos correram de seus vilarejos, ondinas nadavam pelos canais do rio até Maléfico. Ninguém tinha ideia do que estava ocorrendo, eté perceberem a imagem do silfo sentado no trono curvado de árvores mortas, e sentirem seus corações pesarem com as trevas que rodeavam o homem. Maléfico era pura magia negra.
Baltazar mandou as criaturas se ajoelharem, já que não teriam outra escolha, Maléfico era o mais forte, e sem ele, quem poderia protegê-los?
— É menina! É uma menina! — Saremy em sua forma de corvo pousada na janela, ouvia as servas do castelo gritarem.
Rápidamente ela voou até Maléfico que já a esperava, então a transformou em mulher de novo, enquanto ela se desequilibrou e caiu sentada.
— E então? — Ele estava muito impaciente.
— Eu ouvi falar... — Ela não continuou, estava preocupada com sua reação. Ficou de pé e suspirou.
— Ouviu falar...- Ele a instigou a continuar.
—... Sobre uma filha... Estão planejando apresentá-la aos aldeões.
— Uma festa para um bebê... Que comovente...- Ele ironizou. — Devemos conhecer essa pequena graça.
Todos estavam reunidos, no salão do palácio, Aurora -o nome da nova princesa- estava junto dos pais num berço.
O palácio estava todo iluminado, cheio de bandeiras de vários reinos diferentes que apresentavam presentes a Aurora.
Luna mantia sua postura fria. Seu marido, era diferente, era meigo e respeitoso com sua esposa embora não a amasse.
As três queridas fadas Fauna, Flora e Primavera apareceram voando até a frente do trono. Elas dariam o último presente para a princesa.
— Majestades...- falaram uníssono e fazendo uma reverência. Luna começou:
— Nosso presente será magia. Abençoaremos a criança com doces dons. Nem mais e nem menos.
As fadas voaram até a cabeceira do berço de Aurora e começou Primavera a lançar a fumaça azulada que cheirava maravilhosamente a canela.
— Aurora... Terás o dom da beleza, não só fisicamente, mas seu coração será o mais puro.
— Doce Aurora... Seu dom será o dom da felicidade, todos os seus dias da vida e haverá tristeza neles. Será como uma estrela em meio a noite. — Fauna sorria enquanto a fumaça verde brincava em seus dedos. Flora se preparou, já mostrando os pequenos indícios vermelhos em suas mãos.
— Doce bebê... — Ela parou quando um forte vento abriu as portas do palácio e de lá entrou Maléfico com Saremy pousada em seu ombro.
— Maléfico...! — As fadas murmuraram entre si. O povo que assistia a cerimônia ficou com medo, instalando o caos apagando as velas e fazendo as crianças chorarem enquanto suas mães desmaiaram.
— Ora, Ora... Ah, mas que coroação brilhante querida rainha. Nobreza, cortesãos e... — Olhou para as três fadas e sorriu. — Oh, que graça, até a ralé.
— Maléfico, o que o traz aqui?! — Luna se desesperou
— Eu realmente com tristeza estranhei minhas súditas terem sido convidadas e eu não.
— Não estava morto? — Bartolomeu desembainhou sua espada e olhou para Luna. — Não é bem vindo.
— Não? Oh meus deuses, que terrível situação! Julguei que tivesse sido apenas um desleixo. Bom, sendo assim, é melhor que eu me vá.- falou para si mesmo.
— E... Não está ofendido? — Luna sentiu frio na espinha, havia algo errado na tranquilidade que exalava. Maléfico acariciou a cabeça do corvo em suas mãos.
— Oh, nem um pouco... — Maléfico se virou para os dois. — E provando o que lhe digo, eu, também devo agraciar a criança.
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