True Love
10 Capítulo 1O
Notas iniciais
— Senhor! — Katrina ajoelhou demonstrando respeito a seu rei.
— Diga — Disse o homem quase albino. — A encontrou?
— Sim senhor! Mas... -Ela ponderou alguns minutos.
— Mas...?
— Ela não parece ser forte. Eu a testei, mas ela não se atreveu a usar seus dons.
— Você a machucou?- Ele bateu o punho fechado na parede.
— Não! Não senhor... — Ela tremeu.
— Não se atreva a encostar um dedo em Aurora! Ou eu mesmo arranco seu coração! — Ela caminhou até Katrina -Levante!
Obedeceu.
— Faça com que ela descubra os poderes por ela mesma. Fique por perto, e traga tudo que souber.. -Ele dizia frio. -Se eu souber que você mente... Será exilada.
Um frio subiu pela sua espinha.
Depois que Aurora havia saído do castelo sem a permissão de seu pai, ela agora estava confinada no castelo até que deixasse de ser teimosa.
A maior parte do tempo, ela conversava com sua criada, ou andava no jardim do castelo. Também havia Derik, um jovem soldado do castelo, com quem ela passava muito tempo.
Enquanto andava pelos corredores, viu um dos soldados treinando com espadas.
Teve uma idéia.
Andou procurando Derik, que estava no estábulo. Foi andando levemente nas pontas dos pés, e tampou os olhos do Castanho.
— Quem é que está aí? -Aurora soltou um risinho. -Ah sim! Aquela pequena princesa de cabelos dourados...
— Pequena?! — Ela tirou as mãos dos olhos dele. -Quem você. chamou de pequena?! -Derik se virou para olhá-la.
— A senhora.
— E diz assim, naturalmente? Fique sabendo o senhor, que eu não sou baixa!
— Sim, é! — Ele sorri -Tenho de olhar para baixo para falar com vossa Majestade.
Ela foi empurrá-lo, mas ele deu uma rasteira fazendo com que Aurora desequilibrasse, mas antes que ela caísse, ele a segurou.
— Sim, é pequena e fraca... Devia saber se defender, já que é uma princesa... -Ela se livrou dele, e levantou.
— Eu iria falar isso mesmo com você!
— Admite que é pequena?
— Não! É que eu queria aprender a lutar com espadas!- Ele coçou a nuca fazendo seu sorriso desaparecer.
— Desculpe, isso eu não posso ajudar.
— Por que não?
— O rei ficaria furioso comigo, e com a senhora também, já que saiu do castelo sem sua permissão...
— Ele não saberia!
— Tá, mas ele descobriu de sua fuga com "O plano perfeiro para enganar o rei" — Ele imitou a voz de Aurora fazendo aspas com os dedos.
— Como você disse, preciso aprender a me defender! — Ignorou a provocação dele.
— Eu não estava falando sério! — Ele arregalou os olhos castanhos.
— Por favor...
— Majestade, sabe que não posso fazer isso. Serei punido pelo rei! -Ela suspirou.
— Tudo bem, vamos ver se ele não vai deixar! -Virou as costas e andou em passos firmes até a entrada do castelo.
— O que vai fazer?! — Derik estava meio desesperado. Podia ser preso nas masmorras, o que não era muito bom.
— Perguntar para o meu pai o que eu posso fazer se alguém quiser tirar minha vida!
— Pelo amor de Deus! Não vá conseguir problemas!
— Não vou. -Olhou para Derik por cima do ombro e piscou um olho.
***
— Olá papai! — Bartolomeu olhou para Aurora, com um semblante cansado e sua aparência estava um pouco mais velha do que era para ser na idade dele. -O senhor está bem?
— Sim! Estou ótimo! -Ele deu um sorriso forçado, mas de bom grado. -O que houve minha filha?
— Bom, eu queria pedir algo...
— O que há desta vez Aurora? — Colocou a cabeça apoiada na mão e suspirou.
— Bom, eu gostaria de saber o que eu faria, caso fosse atacada por alguém! -Ele levantou uma sombrancelha.
— Você anda por todos os lugares com guardas a acompanhando...
— E se eles não estivessem comigo?
—O que quer dizer Aurora? -As pupilas dele ficaram dilatadas, quase escondendo os olhos acinzentados.
— Eu quero aprender a lutar! — O rei abria a boca e fechava. Não sabia p que iria dizer a ela.
— Bom... Não é uma má idéia... — Disse pensativo.
— Então o senhor concorda?!
— Acalme-se! Com uma condição... — Aurora diminuiu o sorriso.
— Só se Phillip ensinar a você!
— Mas isto é um absurdo! — Ela cruzou os braços.
— Qual o problema com Plillip? Ele é um Príncipe, é educado...
— Parece até que o senhor insiste em me fazer gostar dele! -Aurora percebia as tentaivas de Bartolomeu, em incluir o Príncipe em qualquer coisa que envolvesse ela.
— Aurora, você não pode simplesmente concordar comigo? — Disse suspirando.
— Deixe-me pensar... Não! — Respondeu irônica, fazendo o rei rir.
— Desculpe minha filha, mas é essa a minha condição.
— Mas papai, isso não é justo! Eu pedi para Derik me ensinar!
— Ele concordou?! — Ele ficou irritado.
— Nao, ele disse que não iria fazer isso porque o senhor não deixaria...
Bartlolomeu se recompôs.
Aurora deu meia volta com raiva por seu pai estar a "empurrando" para Pillip. Ela tinha consciência, que a maioria das princesas na idade dela, logo estariam casadas, mas ela não queria este destino.
Phillip podia ser educado, gentil, bonito; Mas ela não se importava, ela o achava entediante.
— Derik! — Ele se virou para ela. — Ele deixou treinar...
— Verdade? — Ele sorria.
— ... Mas só se for com Phillip. — O sorriso dele diminuiu, mas mesmo assim, continuou dando um mínimo sorriso.
— Você irá se casar com ele logo em breve, não é mesmo?
— Não! Claro que não!
— Não pode fugir disso, seu pai com certeza vai o fazer. Do jeito que está... — Virou-se para tirar a cela de seu cavalo.
— Eu sei disso, percebi esses dias que Pillip tem passado tempo demais aqui... Não quero isso!
— Diga que está a incomodando.
— Ele não vai simplesmente desistir!
— Tente conversar com ele... — Colocou uma mão no ombro de Aurora — Seu pai te ama muito, e tenho certeza que ele nunca faria nada para te prejudicar.
— Derik, eu já mencionei que te adoro?
— Não...
— Tudo bem, eu te adoro! — Ela o abraçou, e ele retribuiu.
— Quem não me adora?
— Meu pai! — Aurora começou a rir da careta que Derik havia feito.
Ao longe, uma carruagem azul, com detalhes em dourado e cortinas vermelhas, chega perto do castelo.
O coração de Aurora salta. Ela sabe quem é.
— Seus futuros sogros e noivo chegaram. Melhor entrar... — Ela o fuzilou com o olhar.
— Até logo!- Ela entrou no castelo para receber Phillip e os outros.
* * *
Maléfico havia convocado várias vezes os representantes do pequeno vilarejo dos elfos — que ficava dentro da floresta dos Moors — especialmente a tia de Lorien, Niana, mas ela simplesmente não aparecia.
Até Maléfico dar uma voz de urgência para que ela fosse.
Havia marcado a reunião ao pôr-do-sol.
Todos finalmente foram, e com muita insistência, a tia de Loriem, que estava emburrada e de braços cruzados. Suas orelhas pontudas haviam penas azuladas que tremiam mostrando sua insatisfação.
— Niana, sabe que também não estou feliz em ter de fazer isto, não faria se não fosse urgente. — Ele falava realmente sério.
— O que o senhor acha que pode ser mais sério, do que ter trazido a escuridão ao nosso reino? — Um dos representantes, olhava as unhas, falando debochado. Maléfico viu seu rosto corar quando o olhou. Ele inda não havia superado a pequena paixão jovial que nutria por Maléfico, que quase riu do ruivo.
— Quero ir direto ao ponto! — Maléfico revirou os olhos com o comentário do elfo com um sorriso no rosto.
— Sim "majestade"! -Disse debochando.
— Não acha que está muito velha para fazer tantas infantilidades?
— Eu só estou saudando meu rei. — Disse com voz de ofendida.
— Estou falando sobre seu sobrinho, Lorien!
— Deixe-o fora disso!
— Mas é exatamente dele que vou falar!
— Maléfico, você nos chamou aqui para um assunto urgente! Qual é ele? — Outra elfareclamou.
— Loriel me contou há algum tempo, que fez um casamento arranjado para ele.... Mas ela não é uma elfa.
— Isto não é de sua conta!
— Mas é claro que é! — Maléfico caminhou até a elfa e ficou frente a frente com ela. -Você sabe o que aquele povo é!
— Sim, sei... -
Descruzou os braços.
— Não, você não sabe! Estará matando Lorien ao tentar misturar as raças!
— Como assim? Você não estava se deitando com uma humana? — Todos os elfos presentes lançaram um olhar de desaprovação a ele. — Se bem que não me surpreende. Você sempre se deitou com qualquer ser que visse em sua frente!
— Chega! Minha vida íntima não é da sua conta, e esse não é o assunto. — Aponta o dedo para ela. — Saiba que eu nunca toquei em Aurora!
— Mas aposto que seu corpo reage ao pensar nela.
Maléfico corou. Antes que ele pudesse responder uma grande ofensa para Niana, os elfos o interromperam.
— Estão brigando como crianças! — Um deles gritou, indo para o meio do círculo.
— Sim! Desperdiçaram nosso tempo! Por isso não venho em suas reuniões enfadonhas! — O mesmo ruivo representante que alfinetava Maléfico um tempo atrás, falou.
— Você, esqueci seu nome... Pode parar de me amar pelo menos um pouco em sua vida, e me deixar falar? — O elfo abriu a boca ofendido e corou mais ainda o rosto. — Obrigado!
Ele caminhou até o círculo dos elfos, ficando no meio e espantando o outro.
— Niana está querendo casar Lorien, com uma mulher das montanhas de Grasbataly!
— E desde quando isso é um problema? — Um elfo falou.
— Vocês não vêem?
— Não vejo problemas em tentarmos reconciliar os povos... Depois de muitos anos sem diálogo...
— Como podem tomar decisões sobre esta floresta sem mim?!
— Desde quando você virou as costas para o povo, e começou a ser egoísta, agiu por seu próprio bem estar.- Niana respondeu.
— Eles são monstros! — Eles pareciam ignorar Maléfico.
— Você já olhou seu reflexo, ou repensou suas atitudes? — Niana continuou. — Não pode chamá-los de monstros se você mesmo é um!
Bastou aquilo para ofender Maléfico de todas as maneiras possíveis. Apenas levantou as sobrancelhas e respirou fundo.
— Peço licença para me retirar. Ao nascer do sol, estarei em Grasbataly! — Deu meia volta e saiu.
Maléfico caminhou até as cachoeiras mais cristalinas. Sentou nas rochas e observava a água bater contra as pedras e depois escorrer gotas para as flores. Elas eram tão frágeis, que o fizeram lembrar de alguém.
Aurora.
Ele era um pouco solitário. Saremy não conversava com ele como antes, e ele não sabia de Aurora, talvez ela não quisesse vê-lo mais.
Ele tinha poucos amigos. A maioria das pessoas do reino do Moors o odiava, especialmente Niana, e com toda a razão.
—Olá! — Lorien caminhava nas pedras.
— Olá Lorien...
— Vai para Grasbataly, não é?
— Você ouviu? -Maléfico levantou uma sombrancelha.
— Mas é claro! — Os olhos amarelados de Lorien arregalaram.
— Sabe? Você é muito curioso!
— Eu sei, é um de meus dons. — Ao longe Niana chamava Lorien. — Eu não quero ir.
— Eu sei. Vou tentar ajudar você.
— Vai mesmo? — Ouviu novamente a voz de Niana e estava mais próxima. Foi correndo, e as penas vermelhas das orelhas tremiam um pouco... Talvez de receio.
Saremy sobrevoava uma árvore ao lado do Silfo, e se instalou lá.
— Eu sei que está aí... — Olhou para o corvo, e a fez virar moça de novo.
Sentada no galho, observava Maléfico.
— Irei com o senhor para Grasbataly...
— Não, você ficará! É pergoso.
— Mas não estou pedindo sua permissão. Tenho de ter certeza que estará bem... -Ela corou.
— Partirei ao... -Ela interrompeu.
— Partiremos ao nascer do sol... Acha que irei deixá-lo sozinho?
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