True Love

11 Capítulo 11.


Notas iniciais
Olá pessoas! A tia M. Voltou! Bom, eu fiquei extremamente feliz com os comentários construtivos. Pena que tem aquelas pessoas que criticam, mas é pra atazanar mesmo, mas existem as pessoas que comentam e dão dicas construtivas como você, José Vinicius... Muito obrigada *-* Eu escrevi este capitulo escutando Never Let me Go da Florence + The Machine. Mais uma coisa, o que vocês acham de eu dividir essa fic em duas partes? Desculpem pelo capítulo monstro! Eu iria dividir, mas eu acho que não teria necessidade...

Aurora havia engasgado com o vinho que bebia em sua taça, ouvindo seu pai dizer a palavra "Casamento". As servas a ajudaram, dando pequenos tapinhas em suas costas.
— C-casar? — Dispensou as moças.
— Algum problema? -Senhor Alexandre perguntou levantando uma sombrancelha.
— N-não... Não! Claro que não senhor, é que eu não esperava... — Ela sorriu forçada, mas estava suando frio, e seu coração parecia querer saltar pela sua boca.
— Senhor Bartolomeu? — Alexandre se dirigiu ao pai de Aurora que estava sério. -O que acha?
"Pai, por favor... Não!" -Aurora se contorcia por dentro, esperando um olhar de seu pai, mas ele simplesmente parecia pensar.
— Sim, acho uma excelente idéia! — Bartolomeu sorriu. Aurora se despedaçou.
— Meu filho Phillip, tem um grande apreço por Aurora...
— Sim, Aurora também fala muito de Phillip!
" Não, eu não falo...!" — Pensou.
— Então, para quando marcamos a cerimônia? — Alexandre se animou.
— Talvez para daqui alguns meses... Decidiremos, ainda há muito tempo...
— Claro, claro... Suponho que que já deve estar na hora de partirmos...
— Obrigada pela presença! — Bartolomeu sorriu.
A criada acompanhou a família de Phillip até fora do castelo, mas o Príncipe ficou.
Aurora olhava dispersa para o guardanapo estendido em seu colo. Um turbilhão de sentimentos passavam pela sua cabeça naquele momento. Ela se sentia como se fosse a menor das criaturas, se sentia muito desconfortável. Se perguntava o motivo de seu pai não ligar para sua vontade.
— Aurora? -Phillip sorria em sua frente. — Você está bem? Não está feliz com o casamento? — O Príncipe fez mensão de tocar em seu rosto, mas a loira derrubou o garfo propositalmente.
— Er... Me desculpe -Se abaixou para pegar. — Eu... Não, não estou triste. Estava pensando nos... Preparativos...
— Ah, sim... -Ele pareceu não se convencer. — Quero muito que seja minha rainha. Mas não quero que se case comigo por obrigação...
"Mas é exatamente por obrigação que terei de casar com você!"
— Não, claro que não... Eu obedeço meu pai. Se ele quer que eu case com você, deverei me casar... -Ela pensou um pouco- Não é?
— Mas e você? Quer se casar comigo? — Aurora abriu a boca várias vezes, mas o som não saía de maneira alguma. Suas língua parecia embolar, nenhuma palavra era citada.
— Acho... Acho que não é um bom momento para discutir isto. Acabei de saber da notícia... E você provavelmente também. — Ela explicava atropelando as palavras.
— Mas eu...
Uma serva muito bonita de cabelos castanhos, e olhos cor violeta, cochichou algo no ouvido de Philip e ele assentiu, fazendo-a se retirar. Aurora a olhou bem, e teve certeza que o rosto dela era familiar.
— Bom, eu tenho de ir. -Beijou a mão da princesa, e se levantou, indo em direção ao portão.
Ela ficou parada no lugar, querendo imaginar que tudo aquilo era um sonho ruim. Mas na verdade era real.
Seu pai havia voltado sorrindo para a mesa.
— Minha filha! -Ele estava bem animado.
Aurora levantou-se da mesa, jogando o guardanapo no chão e foi andando batendo os pés para o jardim.
— Aurora! — As lágrimas insistiram em cair. Ela apressava os passos.
Passava pelos corredores do castelo, correndo quase tropeçando.
Chegando no jardim, viu uma chuva fina batendo contra a grama, formando pequenas poças de água. Centáureas eram cultivadas no jardim do castelo, as preferidas de Aurora. A lápide de Luna ficava no jardim, um pouco afastada de onde Aurora se encontrava.

Sentou-se na grama perto da pedra que estava gravado o nome da rainha, ignorando a chuva apanhando as flores nas duas mãos , que a lembrou justamente quem ela queria esquecer: Maléfico.
Ela perdera a mãe que nem conhecia e seu pai não tinha mais a sua confiança.
Depositou um punhado de flores no túmulo da mãe, que sempre estavam com rosas brancas, quase escondendo as pequenas centáureas.
E Maléfico... Aurora se sentia envergonhada por ter dividido o que sentia para com o Silfo. Como iria olhar em seus olhos novamente?
A princesa se sentia insignificante, como uma peça de um jogo. Sentia-se boba demais pensando que seu pai entenderia seus motivos.
Não iria casar com Phillip! Não queria casar, especialmente com ele!
Apertou os punhos, esmagando as pequeninas flores entre seus dedos.
— Os mortos recebem mais flores que os vivos, porque o remorso é mais forte que a gratidão*... — Aurora olhou para trás, e viu a mesma serva de olhos cor violeta, e dos cabelos trançados.
—Quem é você? — A loira se levantou.
— Uma criada do castelo! — A moça sorriu.
— Não se acha ousada demais?
— An... Não! — Ela sorria maquiavélica.
— O que quer aqui?
— Nada minha senhora... — Ela deixou de sorrir, adquirindo uma expressão ofendida. Estava se divertindo por dentro vendo a confusão de Aurora. — ... Apenas vim alertar a senhora de que o senhor Bartolomeu requisita sua presença.
— Eu não vou! — A suposta serva sorriu, baixou a cabeça e se virou para ir embora.
A loira se intrigou com aquela moça, pois nunca a havia visto no castelo, podia até ser uma nova criada, mas ela era diferente.
Olhando pela última vez para túmulo de sua mãe, Aurora entrou novamente no palácio, indo em seus aposentos retirar as roupas molhadas.

A serva fez o trajeto para o trono de onde o rei estava, pensativo e com uma expressão de tristeza.
Bartolomeu era jovem e bonito, mas talvez toda essa burocracia de reinado deve tê-lo desgastado.
Seus olhos acinzentados não tinham mais brilho, e estavam longe. Seus cabelos cacheados, continham fios brancos na lateral.
Segurava o queixo e o seu estava olhar num ponto fixo no chão.
— Senhor, ela se recusa a vir. — Disse se cabeça baixa.
— Por que ela sempre tem de ser tão difícil? — Suspirou apertando os olhos com os dedos.- Obrigada pelos seus serviços Margô, pode se retirar. — Sorriu.
—Obrigada, meu senhor. — Ela andava em direção ao seu quarto.
Tinha que completar sua missão, pois se falhasse, estaria morta.
Subiu as escadas de pedra, entrando em seu quarto.
A cama era pequena, revestida por um lençol branco, e um travesseiro, devia ser confortável. Havia um vaso com pequenas rosas murchas no cômodo mudo, e o cheiro de madeira pura era ótimo, mas não gostou muito de seu nome falso... Margô? Parecia o nome de algum tipo de comida.

Passou a mão no rosto, cansada. Já tinha todo seu plano em mente, mas não sabia se daria certo. Terá de fazer com que Aurora descubra o que realmente ela guarda.
Tomou um banho rápido, trancou a porta do seu quarto, — Para o caso de que alguém tentasse espiar. Vestiu a armadura de couro, guardando as armas na cintura e nas pernas. Olhou para trás, colocou as pernas no batente da janela, e pulou, caindo em pé, leve como um felino.
Começou a correr em alta velocidade, com o vento batendo em seu rosto.
Voltaria para contar ao seu senhor o que estava acontecendo, contaria em detalhes nítidos desde sua chegada ao palácio. Mas antes teria de fazer uma visita a um novo amigo... Talvez nem tão amigável assim.
* * *

A princesa desceu correndo a vasta escadaria saltando os degraus de dois em dois. A pressa era tanta que esbarrou em Amélia, que no exato momento atravessava o corredor com um bule de chá quente. A maravilhosa e magistral agilidade de Aurora impediu que acontecesse um desastre.
— Oh! Desculpe — Disse a princesa. — Escute, Derik está lá fora?
— Sim senhora!
— Obrigada! -Disse, enquanto andava até a porta dos fundos.
— Er... Majestade! — A loira a olhou. — Creio que não conseguirá ir por aí. Senhor Bartolomeu proibiu que deixássemos a senhora passar por lá...
— Quando foi isso?
— Ontem. — Aurora revirou os olhos e respirou fundo.
— Ah! Obrigada...
Deu meia volta para ir pela outra saída, mas para isso teria que passar pelo seu pai. Não queria nem olhar para ele, pois ele diria: "Aurora, fiz isto pela sua felicidade, para o seu bem. "
"Mas ele não havia feito isso para minha felicidade, fez pelo reino." — Era o que ela pensava.
O salão do trono estava quase vazio, pois a única pessoa presente era Bartolomeu, cujo olhar de censura causou em Aurora a mesma sensação de mal-estar que sempre sentia ao se deparar com um carneiro morto, sendo preparado na cozinha. Mas, que diabo, a troco de que precisava encará-la daquele jeito? Afinal, qualquer um ficaria aborrecido ao saber que teria um casamento arranjado, Não é?
Passava tranquilamente fingindo que não o via, mas foi aí que o irritou.
— Aurora! — Sua voz era firme e severa. — Vire-se, e olhe para mim! — A princesa se virou com relutância. — Deve lembrar que sou seu pai, e fará o que eu mandar!
— O senhor se lembrou que eu sou sua filha, quando me arranjou um casamento?
— Isso é diferente! Você não entende minhas causas... E não fale neste tom comigo!
— Verdade, eu não entendo! Pode me explicar?! — Cruzou os braços.
— Você um dia entenderá.
— Não! Eu nunca entenderei! Não amo Phillip, nunca vou amá-lo!
— Você acha que eu amava sua mãe?! — Bartolomeu gritou, descendo do trono, fazendo a princesa tomar um susto. Passou a mão pelos cabelos, controlando a respiração. -Eu quero que case com Phillip, porque vocês já se conhecem, são amigos... E ele gosta muito de você! Não imagina a fila de pretendentes que se apresentou! De grandes reinos que poderiam fazer uma ótima aliança, mas escolhi Phillip porque ele te conhece.
— É papai, o senhor me surpreendeu, mas não me convence!- Seu pai estava de frente com ela.
— Sei que pode pensar o pior de mim... Eu não tenho o costume de dar a melhor das impressões para os outros, mas saiba que só quero o melhor para você.
— Mas ainda não me conformo em ter de me casar! — Bartolomeu suspirou cansado. — E... eu queria pedir algo!
— Aurora... O que quer? Por favor, que não seja algo...
— Bom, há uma nova criada aqui, certo? — Ela o interrompeu.
— Sempre há novas criadas. — Franziu o cenho estranhando a afirmação da filha.
— Estou falando de uma moça de olhos violeta... Cabelos trançados.. Hm?
— Não sei... Ah! Sim... Margô.
— Margô? — A princesa pensou um pouco. — ... A criadagem deve ser melhor selecionada...
— Desde quando você se preocupa com isso?
— Também quero outra coisa... — O rei levantou uma sombrancelha- Me dê liberdade para sair do castelo.
— Isso nem pensar! — Voltou para o trono.
— Por que não?
— Não a quero com aquelas... Criaturas. Principalmente aquele demônio que a amaldiçoou, ele ainda está vivo.
— Mas o que é isso pai? Foi ele quem me acordou! — Disse fazendo gestos com as mãos.
— Soube disso... Não acha que foi um plano?
— Pelo amor de Deus pai! Maléfico nunca faria nenhum mal para mim!
— Ele matou Luna!
— Na verdade não foi exatamente ele!
— Aquelas bruxas estão fazendo sua cabeça!
— Nossa! Fala tanto de minha mãe, mas está ficando como ela! — A princesa andou até o portão do castelo pronta para ir.
— Aurora! — Ela fingiu que não o ouviu. E igualmente as tantas outras vezes que ele a chamou.
Não entendia a raiva que todos tinham se Maléfico, certo que ele a amaldiçoou quando criança, mas isso é passado. Será que os dois reinos não podiam viver em paz?
Derik alimentava os cavalos, e parecia estar... Conversando com eles.
Aurora não se limitou a rir de seu amigo, mas ele nem percebeu pois ela estava muito longe. Seu vestido de mangas longas, verde musgo com detalhes em dourado no busto e na saia, voava pela ventania. Realmente, estava muito frio, quase no inverno.
— Olá, encantador de cavalos! — Ele olhou para a amiga, mostrando seu sorriso brincalhão. Aurora entrou no estábulo, evitando a chuva.
— Olá pequena! — Revirou os olhos.
— Deve lavar sua boca com água e sabão...
— Eu não estou com mal hálito! — Ela gargalhou.
— Não é isso! Lembra que havia dito que eu me casaria com Phillip?
— Sim.
— Exatamente isso. Meu pai arranjou o casamento.- Derik abria a boca várias vezes, mas nada saía.
— Nossa... Eu... Eu sinto muito Aurora... — Baixou a cabeça.
— Não sinta... Eu não queria casar com ele, mas não tenho escolha..
O momento silenciou. Aurora ficou um pouco constrangida.
— Me empresta um cavalo?
— O que? Para que?
— Deixe de ser intrometido, e me empreste o cavalo!
— Deixe-me adivinhar... Moors?
— Me empreste? -Revirou os olhos para Derik.
— Sabe que isso não vai dar certo, não é?
— Ah! Vai me emprestar ou não?!
— Claro! Claro! — Derik andou olhando uma fileira de cavalos, que estavam dentro de saletas com palha. Retirou um negro, com os pelos brilhantes e a crina curta. — Essa é Jurema.
— Jurema? — Levantou uma sombrancelha.
— Era o nome da minha vó! — Ele cruzou os braços. A princesa não segurou a risada.
— Derik... Só você para me fazer rir nessas horas... Trarei ela daqui a pouco.
— É sua.
— O que?! — Arregalou os olhos. — Não Derik, não precisa...
— Tenho três cavalos, e contando com essa, seriam quatro... Fique com ela.
— Obrigada! — Pulou no seu pescoço o abraçando. — Te adoro!
— Eu sei! — Ele gargalhou. — Só vá logo, para o rei não perceber...
Aurora correu em direção a égua e a fez cavalgar até os Moors. Só não sabia se Maléfico iria ficar feliz com sua presença.

* * *

As preparações para a ida de Lorien para Grasbataly era eufórica, o elfo não estava muito feliz, não era aquela mulher que ele queria para viver com ele, mas teria de se conformar.
Seus cabelos castanhos longos, eram enfeitados com pequenas tranças e pedras preciosas, nas penas em seus ouvidos longos eram colados pequenos diamantes. Suas roupas eram inteiramente de seda azulada e vermelha, com detalhes de ouro nos cotovelos, na gola e nos botões. Usava calças pretas e sapatos da mesma cor.
Ele partiria à noite com Niana, e alguns dos elfos conselheiros. Maléfico os acompanharia ao nascer do sol.
O silfo andava por entre as árvores que se esforçavam fazendo um caminho para não deixar nenhuma gota de chuva cair em ninguém, era como um túnel que se estendia de um lado ao outro.
Pequenas poças se formavam entre as pedras, fadas evitavam voar na chuva, pois o tempo não ajudava nem um pouco com seus poderes.
Isso contribuía para o silêncio.
Claro que Maléfico queria ficar e ver as preparações, mas com certeza ele não era bem-vindo, Niana e os outros o odiavam, e com razão. Saremy estava ajudando os elfos, pensou em chamá-la mas ela parecia estar bem feliz, então optou por deixá-la se divertir um pouco.
O moreno recostou em uma árvore de cerejeira trazendo um reconfortante cheiro doce e suave, que diminuiu sua frequência cardíaca de preocupação. Fechou os olhos, e inspirou aquele perfume vagarosamente.
Se lembrava de quando era mais jovem, de quando as criaturas o colocaram como guardião da floresta por ser o mais forte e que teria bom coração; Lembrou dos poemas declamados para ele e até dos elfos e elfas disputando seu coração, enchendo pergaminhos com palavras doces e juras de amor.
Depois de Luna, sua vida virou do avesso, o tornando sombrio e retirando completamente sua credibilidade no amor, o que para ele simplesmente não existia. Maléfico cobiçava quem quisesse seu amor, mas destruía o coração dos coitados percebiam que não teriam o seu.
Maléfico não tinha amigos.
Agora era um completo desconhecido para alguns e odiado por outros.
Era como um ser... supérfluo.
Afastou-se da árvore e começou a caminhar em passos leves e surdos, sem direção alguma, apenas andava. Até perceber que estava na chuva.
Havia até esquecido dessa sensação. O clima estava gélido e o vento era violento.
Os pingos grossos e gelados escorriam sob sua pele alva. O frio era cruel, mas não se incomodava. Os cabelos que estavam maiores, indo até a orelha, colavam em seu seu
rosto.

— Olá, meu amor... — O silfo abriu os olhos, que eram mais nítidos à noite, como de um animal.
— Quem é você? — Abriu suas asas bruscamente, mas a mulher não se mexeu.
— Oh! Como posso me esquecer? Você não me conhece! -Ela deu uma risada macabra. — Sou Katrina...
— Sim... Eu quero saber "o que" você é!
— Oh! Me desculpe! Sou uma Sgrated ... — Maléfico arregalou os olhos.
— O que vocês fazem aqui?
— Só eu fui mandada, não gosto muito de andar em bandos... Mas isso não importa... O que fiquei sabendo,é que você irá para Grasbataly amanhã...
— Como sabe disso?
— Tenho meus contatos, sabe? Esse seu "reino" não é tão perfeito... Tenho meus espiões...
— O que? — Maléfico não entendia aquela mulher, o que ela dizia, não fazia sentido.
— Oh! Pelos Deuses! Meu senhor não me disse que vocês eram tão lerdos! Vou direto ao ponto! — Katrina foi com tudo pulando em Maléfico, desferindo om soco em seu rosto, e como era mais forte, não houve nenhum problema em derrubá-lo. Dessa vez o Silfo a empurrou, fazendo a moça bater as costas em uma árvore, o ar faltou, mas mesmo assim levantou-se, dando um chute, Maléfico segurou seu pé, a puxando para perto, segurando seus ombros, a jogando no chão e ficando por cima da mesma.
— Eu não bato em mulheres! — Ele sorria com escárnio, ela rangeu os dentes.
— Acontece meu bem, que não sou qualquer mulher! — Os olhos lilás dela mostravam fúria.
Seus dentes cresceram todos, ficando pontiagudas e amarelos. Uma cena totalmente medonha. Sua lingua agora bivurcada, lambeu os dentes.
Foi tão rápido, que o moreno não teve tempo de piscar, e viu Katrina morder seu ombro, trazendo uma dor lasciva, sentindo seu sangue escorrer. Ele amoleceu e percebeu que ela estava injetando algo em seu corpo, trazendo a paralisia e a dor em sua cabeça.
— Sua... Meretriz, o que... Você fez...?- Sua visão falhava, e sua respiração também.
— Tenha mais respeito por mim, seu verme! — Chutou seu estômago, o fazendo cuspir sangue, e soltar um pequeno gemido de dor. — Apenas uma boa quantidade de peçonha...
Ela sorriu, limpou a boca suja de sangue, e foi embora correndo.
Ele apenas ficou paralisado no chão, até seu corpo começar a temer, e o frio não ajudava, deixando seus lábios roxos, sua vista ficou escura e desmaiou.



* * *

Aurora parou em frente à pedra que dava na entrada da floresta. Os seus cabelos molhados que insistiam em cair em seus olhos dificultavam a visão, mas mesmo assim, continuou andando.
Ela não podia se perder naquele lugar, pelo contrário, Aurora sentia como se aquele fosse sua casa.
Molhava suas botas e as manchava com lama, procurando Maléfico.
A floresta não estava escura, algumas sereias com seus corpos ilumidados, dançavam em meio a chuva.
Uma silhueta se mostrava atrás de arbustos, deitado no chão, estava Maléfico.
Andou lentamente até o homem que reconhecia como seu anjo da guarda.
— Er... Anjo? — O silfo se encontrava parado em meio a chuva, ele não se mexeu, continuou imóvel, como uma estátua. — Meu Deus! Está desmaiado!
Aurora ajoelhou ao seu lado, encostou a mão no rosto dele. Estava completamente gelado, e a pele azulada.
Tentou puxá-lo, mas ele era pesado.
— Oh! Deus! — O largou e correu até alguém que pudesse ajudar.
Haviam luzes perto de lá, então tratou de correr, vendo Saremy rindo e conversando com uma elfa.
— Saremy! — Ela gritou.
— Aurora? O que faz aqui?
— Maléfico está debaixo da chuva, desmaiado e você está aqui, conversando e rindo?! — A princesa gritou aborrecida.
— Eu não sabia! Ele me deixou vir e ficar aqui...
— Não temos tempo para isso! — A interrompeu- Vamos! Ajude-me a levantar ele!
As duas foram correndo até o lugar que Aurora mostrara para Saremy, que ficou horrorizada com o estado de Malefico.
— Oh! Deus! — Caminhou até ele, na chuva deitado. — Aurora, segure o outro braço.
Cada uma segurou o Silfo de cada lado e andaram o carregando, fazendo esforço.
— Onde estamos indo Saremy?
— Na casa dele! Onde mais estaríamos indo?
— Não venha descontar em mim sua grossa! Se eu não o tivesse visto, ele provavelmente morreria de hipotermia!
— Não venha me chamar de grossa, sua criança ingênua!
— Por que estamos brigando afinal?!
— Por que você parece uma criança! -Aurora abriu a boca espantada.
— Como ousa? Você é muito mal educada! Não sou sua parente, e muito menos sua amiga para ter essa liberdade comigo!
Saremy calou-se e continuaram andando em silêncio, até uma dríade -que o rosto parecia de um senhor de idade, e andava curvado -ver os esforço das donzelas, e segurar Maléfico com uma mão só, ajudando as moças a carregar o Silfo. Os três entraram na casa de porta arredondada.
Maléfico era perfeitamente organizado, dentro de um tronco de árvore, as paredes eram caramelo, e nasciam alguas plantas, deixando o lugar mais bonito, várias janelas faziam parte do lugar e havia uma mesa na sala, poltronas e uma pequena esfera do tamanho de um punho, e dela emitia uma luz branca que iluminava.
Subiram dois lances de escadas, abriram a grande porta do quarto do Silfo, o depositando na grande cama de lençóis cor verde.
Seu rosto era perturbador, como se enquanto adormecido, estivesse travando uma batalha com algum monstro em sonho.
A princesa arrastou uma cadeira de caules trançados, e se sentou perto da cama observando o rosto do homem.
— Aurora, pode chamar os curandeiros? — Saremy observava um canto qualquer só para não precisar olhar para a princesa.
— Posso conhecer essa floresta, mas eu não sei onde as curandeiros ficam, então vá você mesma... — Aurora continuava a olhar para o rosto pálido adormecido.
A morena revirou os olhos e batendo os pés, foi até a porta do quarto e saiu, a batendo com força.
Aurora bufou, olhou para o canto do quarto e abaixada, lá estava a criatura que mais parecia uma árvore humanóide, curvada encostando as costas no teto.
— Pode ir, eu cuido dele. — Sorriu. Enquanto saía, a dríade disse algo, mas a loira não conhecia a língua.
O quarto era enorme, não havia muita coisa lá dentro só a cama, e um armário que ocupava toda a parede.
Do nada, o corpo do Silfo começou a se contrair, as pálpebras se apertavam com força e seus músculos do pescoço enrigeceram.
Parecia estar tendo um pesadelo. Como não sabia o que fazer, ela apenas colocou a mão no rosto dele, e acariciava seus cabelos.
— Como me dói vê-lo assim...
A princesa passou mais alguns minutos com o silfo, e quanto mais o tempo passava, algumas veias negras se espalharam em volta dos olhos dele, e sua boca ficava arroxeada.
Ela se desesperou. Não fazia muito tempo que Saremy havia saído, mas para ela pareciam horas inacabáveis.
A princesa tomou um susto quando a morena escancarou a porta do quarto, e atrás dela estavam quatro moças vestidas de branco, segurando cestas.
Uma moça morena de cabelos ruivos e o rosto extremamente angelical, tomou a frente das outras para examinar Maléfico.
Sentou-se na cama, colocando a mão na testa do silfo, desceu a mão passando em seu pescoço, até passar os dedos por uma estranha saliência.
— Minha nossa! -Ao abaixar a roupa negra e pesada de Maléfico, se deparou com uma ferida do tamanho de uma maçã no ombro dele, com veias negras em volta, idêntico ao dos olhos.
— Mas... O que é isso? — Aurora sentiu o estômago revirar vendo a cena.
— Não sei ao certo... — A moça constatou.
Tocou na ferida, e Maléfico grunhiu de dor.
— Há algo lá dentro! — Aprofundou o dedo indicador, enquanto Maléfico se debatia e as outras junto a Saremy e Aurora tentavam o segurar.
— Não coseguirei terninar, se ele ficar tão agitado! — Ele pareceu se acalmar, mas seu rosto transmitia a dor que ele estava sentindo. A moça ruiva passou a mão por cima dos olhos de Maléfico, mas sem tocar. O rosto do moreno se acalmou abruptamente.
— Por que você não fez isso antes? — Saremy cruzou os braços com o cenho franzido.
— O que fez? -Aurora perguntou preocupada, ignorando o comentário da moça.
— Ele irá dormir por alguns minutos, temos que retirar o que está lá dentro, se alimentando dele. Olhem as veias! -Cada vez mais, os fios negros por baixo da pele pálida dele, se mexiam e ficavam grossas. — Vamos logo!

Uma das moças curandeiras tirou um pote prata com um líquido azulado de dentro de sua cesta, a ruiva mergulhou a mão no líquido, que ficou como uma luva azul clara em sua mão. Segurou o ombro dele, colocou o dedo indicador e o polegar dentro do machucado, por fim retirando algo parecido com um ferrão.
Ela puxou o "ferrão" e olhou de perto, ele era do tamanho de um dedo mindinho, com a cor esbranquiçada, da ponta dele pingava um líquido branco.
O ferrão soltou um barulho estridente, assustando a moça, ela o pegou e jogou dentro do pote com o líquido, fazendo o ser estranho se debater e por fim morrer.
As veias no rosto de Maléfico estavam também se mexendo, mas não como antes, pois parecia que o ferrão que a curandeira retirou, era a fonte de vida deles. As veias se fundiram uma na outra, aumentando o tamanho, mas não adiantou, elas afinaram e sumiram fazendo a cor do rosto do Silfo voltar novamente.
— Céus! O que vai acontecer com ele? — Saremy tocou a testa de Maléfico percebendo febre.
— Ficará desacordado por alguns minutos e logo acordará, mas ele deve ficar em repouso, pois seu sangue está totalmente infectado com veneno. Não o deixem ir muito longe, pois se o ser que o atacou fizer isso novamente, será fatal!
— Mas quem o envenenou? — Aurora levantou uma sobrancelha. A moça riuva apenas olhou para o chão e saiu com as outras sem responder.
Aurora olhou para o Silfo e percebeu que escorria muito sangue de seu machucado. Ela pegou um pano que estava no criado mudo e tentou estancar o machucado.
—Mas que mulher irresponsável, até parece que ela saiu daqui fugida! E nem me respondeu! — Aurora falava irritada enquanto amarrava o tecido.
— Eu acho que ela sabe de algo... — Saremy cruzou os braços.
— Você acha? Eu tenho certeza! — A princesa logo lembrou de seu pai, e se desesperou. — Saremy, eu preciso ir!
— Mas Maléf..
— Amanhã eu volto, prometo! — a princesa desceu as escadas e como não estava mais chovendo tanto, ela correu por um atalho até seu novo cavalo.
* * *
Saremy não sabia se era certo ficar junto de seu senhor no mesmo quarto.
"Ora, mas ele está doente!"
Era o que ela pensava, então se sentou na janela, se ele acordasse ela pulava.
Ela estava completamente preocupada com Maléfico, não por ser sua serva, mas pelos sentimentos confusos que sentia ao vê-lo. Às borboletas no estômago, as pernas bambas, e a perda de memória.
Sorriu boba, olhando o rosto agora frágil de seu senhor, que parecia dormir tranquilamente.
Ele começou a se mexer, como quem acorda, mas logo voltou a dormir.

Ao longe, olhos violetas observavam com desgosto, por Maléfico ainda estar vivo.
* * *
Nos fundos do castelo, onde ficavam as conquistas dos reinos que pelejaram contra o exército de Bartolomeu, se encontrava a serva que acreditava ser amada pelo rei, mas apenas fazia parte de seu divertimento.
— Aghata! Não pegue nisso! — No castelo, a moça de cabelos castanhos e cacheados presos num coque tomou um susto segurando o recipiente de ouro puro, decorado com rubis nas laterais e um grande na tampa, que fazia menção de abrir.

— Ora Nadja! Não seja chata! — A moça levantou pouco a tampa, tentando espiar.
— Aghata! Se nosso rei Bartolomeu não quer que ninguém mexa aí, tem algum motivo!
— Nadja, eu serei a futura rainha, quero e devo ver o que é isto!
"A caixa de pandora não deve ser aberta..."
— Ouviu isso? — Aghata não respondeu. Estava mais interessada no conteúdo de dentro do recipiente, que emitia uma luz dourada, fazendo a moça pensar em ouro. -Er... Aghata?

" Hoje... Os fios da vida serão arrancados pela raiz..."
— Aghata! — A moça estava com os olhos vidrados ao recipiente. -Meu Deus! Ajuda! — Nadja correu.
As vozes parecidas com sussurros ecoavam assustadoramente pela saleta.
Finalmente a tampa se abriu por completo, libertando algo parecido com pó, mas era iluminado e flutuava, na verdade era magia pura. Aghata ficou olhando aquilo com tanto encanto, que tomou um enorme susto quando entrou pela sua boca, fazendo a moça ficar com falta de ar e tossir.
O rosto de Aghata foi ficando vagarosamente com rugas, seus cabelos esbranquiçavam, seus lábios antes vermelhos e carnudos perdiam volume. Os olhos antes castanhos perdiam brilho e sua pele corada ficara totalmente pálida.
Quanto mais idosa ficava, mais alto seu corpo era levitado.
Ela envelhecia. Antes com curvas voluptuosas, estava totalmente magra, como se estivesse doente.
Por fim, caiu no chão, os olhos abertos sem vida, mas com o desespero totalmente óbvio, não deixava dúvida de uma morte horrível.
A caixa de pandora caiu no chão, e logo o pó mais brilhante do que nunca, levitou de dentro da boca de Aghata, voltando para o seu lugar e fechando a tampa.

Notas finais
* Essa é a frase da digníssima Anne Frank! Obrigada por lerem! Comentem! Please! Beijos carinhosos da titia M.