Notas iniciais
Olá amores! Esse capítulo tem uma bomba para vocês! A Aurora está meio rebelde! Sorry por ter abandonado vocês viu? Foi culpa do bloqueio!

Nuvens cobriam o céu gélido, soprando o vento inodoro. Katrina corria pela floresta louca de raiva, arrancando as árvores do chão e as arranhando com suas unhas de vidro inquebráveis.
Seus dentes finos, compridos e afiados estavam arreganhados em uma careta demoníaca.
Bateu as duas mãos no tronco de uma gigantesca Figueira e arranhou lentamente, baixou a cabeça e lágrimas misturadas com sangue brotaram de seus olhos.
Deixou-se arranhar a madeira, até escorregar e cair na relva molhada à beira de um rio, cobriu o rosto com as mãos e olhou seu reflexo na água vendo a careta horrível que se instalara alí, ainda mais faminta como estava, seus dentes e olhos estavam maiores, fazendo rugas em sua pele dourada.
Estava horrível.
Não havia completado a missão por culpa de Maléfico. Ele se interferiu e quebrou o pequeno feitiço que lançara.
Se demorar muito para levar Aurora, ela morrerá e outro irá substituí-la.
Percebeu que apertava o punho tão forte, que as unhas enormes estavam contra sua carne, e a feria, espalhando sangue e cheiro de ferro. Ela colocou a mão a frente do rosto, cheirou o sangue e o lambeu.
Uma breve sensação de êxtase a atingiu. Era o sangue de sua última vítima, que ainda corria quente pelo seu corpo, mas em pouca quantidade.
Um barulho a interferiu, e sentia cheiro de suor, ferro... Cheiro de medo.
Katrina foi atrás, e viu uma mulher correndo com um grande pote de barro nas mãos, a moça tropeçou e deixou os cacos para trás quando viu que feriu a palma da mão direita. Começou a se arrastar, até encostar em uma perna, olhou para cima, e Katrina reconheceu os trages e as presilhas do cabelo enrolado que caía nos ombros desnudos da mulher.
— Tcs... Tsc... Nadja... — Abaixou até ficar alguns centímetros do rosto da moça. — Péssima hora para bisbilhotar... — Colocou o cabelo da moça atrás da orelha — Eu a desprezo, com todas as minhas forças, mas eu só beberei o seu sangue... Porque não terei outra alternativa! — Ela deu um gemido.
— Katrina, eu não sei... O que...
— Shhh... Eu não vou ser tão lenta assim, eu estou morrendo de sede! -Deu uma risada horrenda.
Lambeu a bochecha corada de Nadja, e chegou no pescoço o lambendo e depois dando pequenas mordidas, mas violentas. Cheirou e logo cravou seus dentes na carne da moça, fazendo o sangue espirrar para dentro de sua boca. Logo sentiu um êxtase absurdo invadir seu corpo, tanto que segurou os cabelos da mulher, puxando a cabeça da mesma para trás.
Cada gole, cada batida e lufada de ar que vinha de Nadja, a Sgrated via criptas, sons de tambores e um calor envolvendo-a. A mulher de íris violeta enterrou suas garras nos braços da moça, trazendo o corpo quase inerte para mais perto de si dando um abraço de urso.
Ouvia a forte batida do seu coração, como se dissesse "Não irei desistir, não morrerei". Katrina estava quente com o sangue que estava bebendo, e com a intensidade do gosto doce do sangue, ela enxergava campos no escuro da noite iluminados com tochas... Lugares cujo ela nunca esteve.
Parou de sugar a moça, quando sentiu seu coração parando, respirou fundo, e ficou decepcionada pelo êxtase que havia a abandonado, mas finalmente estava alimentada.
O corpp inerte de Nadja foi deixado em estado crítico, pálido e cadavérico, mas ainda respirando.
Katrina voltava lentamente a ter seu lindo rosto novamente, sua pele meia bronzeada e olhos lilás estavam de volta. Quanto a sua boca avermelhada, agora manchada de sangue também estava em seu perfeito lugar.
Nadja não conseguia falar, então gemeu.
— Oh! Minha querida... Não fique assim, logo estará morta. — Levantou, e limpou sua boca juntamente com as mãos. — Pelo menos é o que acontece com os outros.
Deixou Nadja deitada sobre a grama gelada esperando e implorando pela morte mais rápida que pudesse vir, a dor que mostrava em todo o seu corpo, e seus órgão era tão horrível que as lágrimas eram impossibilitadas de sair.
* * *

— Onde está Nadja? Ela já deveria ter chegado! Já esta noite! — Falava uma das velhas lavadeiras, encostada em uma pilastra de madeira.
— Ela logo estará de volta. -Amélia pegava um vestido púrpura que estava secando.
— Aquela menina sempre foi sem juízo... Temo muito por ela.
— Ela ficará bem Esmeralda, a senhora está na idade de se preocupar com si. Aquela moça nunca teve sequer respeito pela senhora! — A mulher de cabelos ruivos se retirou.
* * *
Após servas entrarem no quarto de Aurora mais uma vez para colocar um chapéu de penas azuis e pérolas na cabeça da moça, a mesma foi até o grande salão.
Mãos macias estendendo-se para suas mãos, trompas e rabecas estridulando por cima do surdo bater de tambores, harpas sendo tocadas em um ciclo olímpico enquanto os convidados começavam a dançar. Figuras adornadas de jóias e vestidos caros e pareciam flutuar quando rodopiavam ou esticavam os braços.
Quando os pares soltavam as mãos, rodopiavam e voltavam a se tocar apaixonadamente.
O som se tornou uma grande vibração melancólica, no entanto todos dançavam com leveza e animação.
Estava tonta, Aurora nunca vira tantas pessoas falando ao mesmo tempo, mesmo com tantas festas dirigidas pelo seu pai no castelo.
"Mas que diabos está acontecendo?"
Era um baile de máscaras. Todos estavam lindos, como nos contos de fadas que as suas "tias" lhe falavam.
Era por isso que o seu vestido estava tão enfeitado? Mas onde estaria sua máscara? Por que tudo isso?
Muitas perguntas surgiam em sua mente, fazendo a princesa sacudir a cabeça.
Dentre tantas pessoas, ela procurava Amélia, e se aliviou a avistar uma vasta cabeleira ruiva presa em um coque, e as mesmas roupas simples.
— Amélia, o que está acontecendo?
— Er... Hoje será o anúncio de seu noivado com Philip. — Aurora não se surpreendeu, pois sabia que esse dia chegaria, mas não esperava que seu pai mantivesse segredo.
— Meu pai é inacreditável... — Cruzou os braços.
— Aurora? Está sem o espartilho? — Amélia olhou duro para Aurora, mas a mesma ficou séria tentando decifrar o olhar da ruiva. Maléfico a alertara sobre a magia do espartilho, então quem lançou a magia, só podia ter tocado na peça... — Majestade?
— Sim?
— Retirou o espartilho, não é? — Suspirou — Ah! Não faz mal, venha vamos procurar Philip. — Pegou a mão da princesa e começou a conduzir.
— Não! — Soltou seu braço com brusquidão. — Não posso!
— Senhora, olha...
— Não! Maléfico precisa de mim, e irei vê-lo nem que seja a última coisa que eu faça! Parece ser algo sério! — Ela falava em tom ríspido. — Só preciso que me ajude a sair daqui sem ser percebida.
— ... Como? Vossa majestade quer fugir de sua festa?
— Amélia, esta festa não é minha! É de meu pai! — Levantou as barras do vestido, e foi andando no canto das paredes — Mas se não quer me ajudar, não há problema posso fazer tudo sozinha.
Amélia estava boquiaberta com a fala de Aurora, a princesa nunca havia falado assim com alguém, muito menos aquele olhar inexpressivo.
-Jurei lealdade a senhora... Farei o que a senhora precisar!
— Ótimo. — Amélia deu uma última olhada para sua pequena princesa, que agora se demonstrava ríspida.
"Será que a proteção exagerada de Bartolomeu a está afetando?" A criada pensava enquanto praticamente corria com Aurora.
— Amélia, quero que me arrume vestimentas como as suas. — A loira já retirava as luvas, e desfazia os nós do vestido.
— O que tem em mente? — Ela pegou um vestido simples, salmão e apertado na cintura, com mangas.
— Me ajude a vestir! Rápido! — Rapidamente Aurora estava vestida, e com os cabelos amarrados. — Você, vista meu vestido.
— O que?!
-Faça o que eu disse Amélia!
— Não poderei! Se o rei descobrir, me matará publicamente!
— Ele não fará nada a você! Não permitirei! Agora ande rápido!
Amélia retirou rapidamente as peças de roupa, depois foi colocando o vestido de Aurora, e sentiu dó, pois o tecido era extremamente pesado, e mais ainda pela quantidade de jóias que nele continha.
As luvas brancas foram colocadas, e os cabelos amarrados para que o vermelho não fosse percebido, e por fim o chapéu
— Pronto, agora suba o mais rápido que puder para o meu quarto, e se alguém a parar, corra e diga que não está se sentindo bem... Chegarei a tempo! — Aurora correu para o estábulo deixando a moça sem saber o que fazer.
Abriu a porta dos aposentos de Jurema, montou e começou a correr até os Moors, fazendo com que o vento arrancasse com violência os grampos de seus cabelos.
* * *

-Er... Podem por favor me escutar? — Todas as criaturas da floresta estavam reunidas no campo, desde sereias, dríades, fadas e elfos. Vozes misturadas e gritos de protesto contra Maléfico podiam ser escutados facilmente. — Sou a autoridade máxima neste momento, e exijo respeito de vós!
Um grande rugido foi ouvido, fazendo todos se calarem.
-Obrigado Baltazar! — Se voltou para o povo, e começou a andar em círculos. — Como vocês são ingratos e muito ousados... E eu sou um exemplo de sanidade e boa vontade neste reino, decidi contar para vocês algo grave que está acontecendo, e...
— O que não é mais que sua obrigação! — Alguém gritou.
— Como eu estava dizendo antes de ser interrompido, há um traidor entre nós, e esse ser asqueroso está servindo os Sgrateds, mandando mensagens sobre nosso reino e dos humanos... O que quer dizer que estão planejando algo.
Maléfico sorriu ao ver as expressões de preocupação nos rostos. Finamente haviam acreditado em algo dito por ele.
— Então... Quem quer que seja este traidor, dê um passo a frente e dou minha palavra, jurando pela magia de minha alma, que não morrerá.
Um silêncio mortal se instalou no local, podendo ouvir apenas os assobios do vento gelado percorrerem os corpos de cada um.
— Vamos, não tenho muito tempo!- Ele instigou, mas nada se mostrou. — Sinceramente... Não queria fazer isto.
Ele abriu os braços, fazendo com que uma magia de cor dourada sair da ponta de seus dedos, e formar um campo a volta da floresta.
— O que você fez?- Saremy que estava ao seu lado, questionou.
— Eu apenas estou impedindo entrada ou saída de qualquer humano ou criatura mágica... A menos, é claro que eu permita. — Umideceu os lábios.
Todos começaram a recla,ar e gritar por justiça.
— Façam bom proveito do que há aqui dentro. — Deu as costas.
— Olá! — Maléfico reconheceu a voz, e viu Aurora em um vestido igual aos que ela tinha quando praticamente morava na floresta dos Moors. — Pensou que eu não viria, não é?
O silfo correu e a envolveu em um abraço apertado e cheio de saudades, e nostalgia.
— Como ousa fugir de mim? — Aurora encheu o homem de beijos no rosto.
— Não fugi, apenas meu pai que me aprisionou. — Saremy revirou os olhos, e logo saiu daquele lugar.
— Está tão diferente... — Maléfico passou as unhas afiadas pelo rosto delicado da mulher.
— Onde está Saremy? — Ele olhou a sua volta e ainda a chamou,mas não houve resposta.
— Ela estava aqui agora há pouco...
— Ah! Então deixe ela, não ligue. — Enterrou o rosto nos ombros dele, sentindo o perfume intenso de flores, e matando a saudade que sentia — Fique aqui comigo enquanto posso...
— Como assim? — Levantou a cabeça da moça, para que olhasse em seus olhos.
— Me casarei com Philip...
— O.. O que?
— Não se preocupe... Terei algum tempo para pensar em algo, mas agora terei de ir.
— Mas chegou agora!
— Minhas roupas ficaram com minha criada! Ela está se passando por mim por enquanto.
— Fique mais um pouco...
— Então me visite.
— Aurora, eu não...
— Claro que pode! -Ela sorriu. — Você não foi como uma mariposa até a minha janela?
— Oh, Aurora... Você ouviu o que eu disse, não posso mais sair do reino tantas vezes. — Ela suspirou e baixou a cabeça.
— Tudo... Tudo bem! -Ela sorriu. — Tenho de falar com Saremy...
— Claro... Vá. — Maléfico daria um beijo na bochecha de Aurora, se ela não votasse seu rosto propositalmente e o beijo fosse aos lábios.
— Er... Desculpe! — Correu para longe, deixando um Maléfico bobo para trás.
Andando pelas folhas secas no chão, a princesa procurava Saremy. Observava o modo que a morena olhava o silfo, e se incomodava.
Saremy talvez sentisse o mesmo por Maléfico, mas Aurora não iria desistir facilmente.
— O que quer? — A moça trajava um vestido negro que ia até as canelas, e seus cabelos enormes estavam contidos em uma pequena trança com flores.
— Está tão amargurada assim?
— Sua criança mimada... Acha que eu não sei o que está tentando fazer? Que está enfeitiçado todos a sua volta?
— Por que diz tais coisas? Fique sabendo que não tenho poder para isso.
— Mas está fazendo o máximo para tê-lo...
— Está falando de persuasão ou de Malé...
— Sabe muito bem do que estou falando! — Ela andou em círculos- Sabe qual o seu problema Aurora?
-Qual? — Saremy chegou perto da princesa, abrindo um pequeno sorriso em ver a diferença de suas alturas.
— É extremamente bela... Mas além de ingrata é sonsa e tola!
— Esse não é meu problema Saremy... É o seu! — Chegou com o rosto mais perto ainda da morena. — Você pode me julgar tola, sonsa e ingrata... Mas não me conhece o bastante para que diga o que sou ou não...
— Conheço, conheço o bastante sobre você, criança... Sou mais velha, conheço o coração de Maléfico melhor do que ele mesmo...
— Então sabe que estou lá...
— Tenho pena de vós... — Jogou a cabeça para trás e gargalhou. — Sabe o gosto doce dos beijos dele? Os lábios macios envolvendo os meus?
— Pare!
— A língua quente invadindo a boca...
— Basta! — Aurora estalou a mão no rosto de Saremy, fazendo uma marca perfeita de sua mão.- É mentira! Ele nunca lhe beijaria...
— Se você imagina entender o coração de Maléfico, saiba que ele beija qualquer mulher, por mais que isso machuque- Desviou os olhos da loira — Não sou só eu e você...
Barulho de galopes, ferro e vozes masculinas são ouvidos.
— O que é isto? — Aurora correu até a fronteira, vendo Maléfico já perto dela.
Bartolomeu e seus guerreiros estavam na fronteira. Seus olhos cinza estavam mais escuros.
Maléfico caminhou até o rei, que desceu do cavalo e fez um gesto para que seus soldados guardassem as armas. Ficaram frente a frente se observando.
Bartolomeu contemplava Maléfico com tanta curiosidade, que ficou com a boca entreaberta vendo a cor dourada de seus olhos, a pele branca perfeita, os chifres que o faziam ficar sombrio, mas não menos belo e seu corpo.Era como um feitiço para quem o visse.
— Bom, eu sei que tenho este lindo rosto esculpido pelos deuses, e que minha beleza admira muito os seres humanos... — Bartolomeu foi retirado de sua ipnose, ficando meio sem graça — Mas acho desconfortável ser observado dessa maneira tão... Admirada. — Sussurou a última palavra, provocando raiva ao rei.
— Onde está minha filha?
— Ela está bem a... Quem? —
— Aurora! — Bartolomeu revirou os olhos.
— Nunca ouvi esse nome na minha vida, e olhe que sou mais velho que você! — Desembainhou sua espada e encostou no pescoço do Silfo, fazendo uma pequena queimadura.
— Diga agora! Seu verme! -Maléfico fez a espada voar longe.
— Sabe? Eu estava feliz até agora.
-Papai! Pare com isso! — Aurora descia correndo ficando perto do pai. — Ele não fez nada!
— Sim, dessa vez foi você quem fez, não é?
— Onde está Amélia?
— Na masmorra.
— O que?!
-Conversaremos no castelo! Suba!
Aurora sem protestar, foi até o cavalo e sumiu, olhando para trás.
Maléfico preocupado, voltou para dentro da floresta, observando Saremy esfregando a mão na bochecha, e estava resmungando algo sobre Aurora.
Segurou uma risada, pois Saremy ficava com o rosto engraçado quando estava com raiva.
-O que houve?- Ela se virou para ele, com a parte direita do rosto inchada e vermelha com a marca de uma mão- Quem lhe agrediu?
— Ninguém! — levantou.
— Qual o problema? Diga quem foi e eu irei punir o covarde!
— Não...
— Está escondendo algo? — Pressionou a unha na garganta de Saremy, qualquer movimento e seria um corte mortal.
— Por que faz isso comigo? — Ela fez um fio de voz.
-O que? Só quero saber quem fez isto.
— Ameaçando a cortar meu pescoço? — Retirou a mão rapidamente. — Você me trata como objeto... Sabe? Eu sou uma pessoa!
— Não, você não é uma pessoa... — Ela levantou uma sobrancelha- É híbrida, corvo e mulher... Uma linda mistura... — Colocou uma mecha atrás da orelha dela, e passou a mão no local curando a marca. — Desculpe.
— Comeu ervas daninhas?
— Ora! — Fez cara de ofendido- Não se pode mais elogiar! — Saremy gargalhou.

* * *

-Não pode fazer isso! — Bartolomeu jogou Aurora pelo braço dentro do quarto da mesma.
— Amélia ficará um bom tempo presa, sem comida e agua. E não será mais sua criada!
— Solte Amélia ou eu..
— Ou o que?
— Desertarei! Deixarei de ser sua filha!
— O que?!
— Isso mesmo!
— Você irá se casar com Philip! Nem que seja a última coisa que eu...
— EU ESTOU CANSADA DISSO! -Era apenas para apontar o dedo para seu pai, mas uma esfera de fumaça azul apareceu no lugar e atingiu o peito de Bartolomeu em cheio, o fazendo cair no chão.
— P...pai?

Notas finais
Escutem a música Honeymoon da Lana Del Rey!