True Blood

2 Capítulo 2 - Família não se abandona


Notas iniciais
achei que ninguém ia ler então nem tinha escrito esse capítulo antes obrigada a mocinha que mandou o review anyway revisei várias vezes mas como sempre ninguém é perfeito entao esperem erros de qualquer forma o capítulo é longo pra compensar

–- Jogue tudo fora – Beth falou de uma vez só, sua voz saiu dura e decidida. A tristeza parecia dar milhões de pequenos choques elétricos nas palmas das mãos. – Não estão envolvidas no nosso mundo e não precisam estar. Já tenho minha família – completou ao olhar para seu filho.

Vishous respirou fundo antes de falar. Quando as palavras saíram sua voz soou levemente preocupada.

–- A garota e sua mãe estão em perigo; no meio da pesquisa descobri que os telefones haviam sido grampeados. Imagino que sejam os redutores.

Beth respirou fundo e fechou os olhos. A gravidade parecia não funcionar muito bem naquele dia, constatou, ao se apoiar no braço de Wrath. Tinha impressão que o mundo girava mais e mais a cada notícia dada.

–- Vishous, pode nos dar licença?

O Irmão assentiu e saiu do quarto em silêncio. Respirou fundo mais uma vez e olhou para Wrath.

–- O que eu faço? – a pergunta era um pedido de ajuda sufocado.

A expressão de seu hellren era indecifrável. Ele franziu o cenho por um minuto pensando no que responder. Havia apoiado Beth quando soube da sua vontade pois colocar um ponto final em assuntos abertos era importante. Não imaginava, porém, descobrir uma cunhada e uma sogra. Pessoalmente não podia dizer que sentia qualquer simpatia pela mulher que abandonou sua esposa.

A menina, contudo, não possuía culpa. Mesmo que a colocar em suas vidas soasse absurdo. Uma humana cuja personalidade e temperamento eram um completo ponto de interrogação mesmo com pesquisa de Vishous. Ela poderia estar ciente dos livros publicados sobre eles e ir a público, por exemplo. A fina linha que mantinha a raça em segredo era o fato de serem considerados apenas figuras do meio de entretenimento literário. Se viesse a conhecimento geral a veracidade dos fatos, não conseguia imaginar o estrago.

A outra opção criaria outro tipo de estrago. Se redutores realmente tivessem chegado até a família de Beth, as matariam. Ou pior, caso achassem que as duas pudessem render informações. Era incabível deixa-las totalmente à mercê desses assassinos. O maior propósito da Irmandade era proteger a raça e suas famílias. Como poderia dizer que se preocupava com as filhas de seus súditos quando deixaria uma pessoa inocente morrer?

Wrath considerava apenas a irmã de Beth, claro. Para o caralho com sua querida sogrinha. Uma mulher que abandonou sua filha não merecia compaixão. Seus pais haviam morrido por ele, e morreria por seu filho. Em sua concepção o abandono era o pior dos crimes.

Encontravam-se numa encruzilhada onde as duas estradas podiam mal. De um lado, era incabível expor a raça depois de tamanho trabalho para esconde-la. De outro, não queria ver uma inocente perder a vida e sua shellan perder a oportunidade de conhecer a irmã.

Todavia, quando sentiu o corpo de Beth se aninhando ao seu e o perfume dos cabelos dela, já sabia qual o lado escolher. Sorrindo de leve, finalmente a respondeu.

–- Temos dois lugares sobrando na mesa de jantar, se você estiver de acordo.

Beth acordou suando no meio dos lençóis do hotel. Pela cortina pesada podia ver que ainda era de dia. Virou para o lado e alcançou o controle do ar condicionado para diminuir a temperatura. Deus, como aquele país era quente! Com os graus ajustados finalmente, foi tomar um banho. A agua gelada bateu refrescante nos ombros tensos da longa viagem. Com um riso cansado lembrou-se da reação de Wrath quando lhe contou sua decisão de viajar sozinha.

–- Não. Fora de cogitação. Você não vai viajar sozinha para um país desconhecido – o Rei bateu o punho com força. George se agitou embaixo da mesa. Parecia sentir a irritação palpável de seu dono. Mas quem naquele cômodo não sentia? A raiva de Wrath fazia o ar parecer estático.

Beth suspirou e respondeu com calma.

–- Não vou sozinha. Vishous vai comigo e iAm também, caso seja preciso sair de dia.

Foi como falar com uma parede. Estava decidido a não a deixar viajar sozinha, e usaria quais armas fossem necessárias.

–- Não posso permitir – tentou desfazer um pouco a expressão raivosa – Nosso filho precisa de você aqui.

–- Não pedi sua permissão. Sou muito capaz de tomar minhas decisões. Vim te contar e somente – e com um tom de voz decidido Beth finalizou – E não ouse usar nosso filho nisso. Você pode muito bem cuidar dele, principalmente com a ajuda de pelo menos uma das vinte pessoas que vivem nessa mansão.

Wrath fervia de ódio. Amaldiçoou o momento que havia dito estar disposto a cooperar com essa bobagem. A ideia de sua shellan fora de seu alcance era quase fisicamente dolorosa.

–- Vou com você então – resolveu, por fim.

Saxton limpou a garganta. O Rei sair do país naquela situação era uma péssima ideia. Ao olhar para Wrath, no entanto, não encontrou coragem para falar. Era como observar um leão furioso pronto para atacar. Por sorte Beth interveio, se aproximou de seu hellren sentando em seu colo. Parecia pequena em comparação ao mundo de músculos que ele era. Como um gato de aconchegando num leão.

Exceto que a raiva pareceu diminuir no instante que as peles de encontraram. Sem se importar com os Irmãos espalhados pelo gabinete e com Saxton sentado na mesa ao canto, tirou os óculos escuros dele e aproximou seus rostos. Quando as testas se tocaram, fechou os olhos e inspirou o perfume da pele de Wrath.

–- Sabe que preciso fazer isso – falou em voz baixa – Voltarei em três dias, e ligarei em todos. Não me peça para deixar isso para lá. É muito importante para mim.

Depois de um momento de silêncio, Wrath se pronunciou. A cólera tinha diminuído para tristeza e medo.

–- Leelan, eu te amo. Você é a coisa mais preciosa da minha vida e te ver tão longe... Caso algo aconteça não sei o que faria – falou com a voz entrecortada.

Beth o beijou com carinho e o abraçou. Amava-o tanto. Conseguia entender seu desespero, mas precisava cuidar dessa parte de sua vida.

–- Não vai acontecer – garantiu.

Wrath estava pronto para contestar quando uma voz se sobressaiu vinda da porta do gabinete.

–- Vou com ela. Juro não deixar seu lado nem por um segundo – Zsadist falou. Um ar de surpresa pairou na sala e rostos se viraram de forma interrogativa. – Foda-se. Eu sei como é desesperador ficar longe da minha fêmea. Se fosse eu no seu lugar gostaria de saber que ela está bem protegida.

John se prontificou logo após Zsadist.

–- Você faria o mesmo por mim – assinalou para Beth que traduziu no ouvido de Wrath as falas de seu irmão.

Rhage deu um passo para frente com um largo sozinho no rosto.

–- Bom, se todos vão viajar, também quero ir. Posso trazer um daqueles biquínis para Mary como presente, quem sabe.

Beth interferiu rapidamente. Logo todos os Irmãos iriam se prontificar e Deus sabe qual seria o resultado disso.

–- Não! De jeito nenhum. Apenas John, Vishous e iAm. Zsadist, agradeço, mas você tem Bella e Nalla aqui.

O macho deu de ombros.

–- E você tem Wrath e o seu filho – replicou -- Honro minha família ao proteger a de meu Rei. Bella e Nalla podem ficar com Rehvenge durante a viagem – um sorriso passou rapidamente por seu rosto desfigurado – Nalla está apaixonada pelos vestidos das Escolhidas e Bella sente falta do irmão. Não é como se estivesse ansioso para passar o dia brincando com bonecas ou jogando golfe com a família de minha shellan.

O gabinete foi preenchido com a risada estrondosa da Irmandade. Wrath, ainda contrariado, porém um pouco mais satisfeito, sorriu para Beth e depois para seus Irmãos. Sua família fora destruída quando pequeno, mas a vida havia encontrado uma forma de lhe pagar em dobro.

E foi assim que ela viera parar numa país distante com quatro guarda-costas. Além disso, Wrath exigira em pagar um avião particular por medidas de segurança.

Passou a viagem imaginando como seria o encontro com sua mãe e irmã. Sentia a ansiedade corroer a espinha. E se simplesmente a detestassem? Afinal sua mãe tinha aberto mão dela. Embora uma parte de Beth esperava uma boa explicação para isso. E se achassem que era uma louca? Ela andava com vampiros e seu marido tem quase 200 anos, não é exatamente a história mais crível de todas.

Cansada de se fazer as mesmas perguntas pela milésima vez resolveu ligar para Wrath. Desistiu ao olhar o relógio. Era muito cedo e ele provavelmente ainda dormia. Virou o corpo e alcançou o pequeno computador que Vishous lhe dera. Ali continham todas as informações coletadas sobre sua família. Abriu a ficha de sua mãe. Havia um texto conciso sobre ela.

Rosa Maria Grisaffis, 60 anos. Brasileira, viveu dos 15 aos 25 anos nos Estados Unidos. Após uma troca de identidade aos 25 anos voltou a viver no Brasil sobre o nome de Rosana Flores.

Beth sorriu quando leu sobre a troca de nomes pela primeira vez. Tomou um gole da agua que jazia sobre o criado mudo e voltou a ler.

A troca de identidade ocorreu após o parto de Elizabeth Anne Randall em 1980. Possível motivação: manter a segurança, uma vez que os redutores podiam descobrir seu caso com o guerreiro da Irmandade da Adaga Negra, Darius. Atual residência: Brasil, estado de São Paulo. Em 1997 nasceu sua segunda filha Melina Flores, paternidade desconhecida.

Após isso Vishous descrevia os empregos, escolas e lugares onde sua mãe havia morado. Até mesmo o GPS do celular tinha sido hackiado afim de que soubessem onde se encontrava no momento. Ao final estava uma foto da mulher dos sonhos. Os cabelos cheios até a altura dos ombros com a maior parte da cor perdida e os olhos castanho claro emoldurados por um rosto maltratado pela idade. Beth conseguia ver a semelhança entre as duas. Passou para o arquivo da irmã.

Melina Flores, 18 anos, brasileira. Cursando o ensino médio como bolsista numa das melhores escolas do estado. Notas relativamente boas. Histórico escolar com algumas advertências por brigas escolares. Certo envolvimento político. Saúde física estável; saúde mental atualmente estável. Pequena passagem por psicólogos quando criança. Envolvimento com homens e mulheres.

E seguia-se uma lista até mesmo das posições ideológicas da garota e um pequeno resumo sobre uma possível namorada. Não podia dizer que Vishous havia feito um serviço incompleto. Percebeu que ambas se pareciam de certa forma. Seu estomago se revirou e não sabia se era ansiedade ou tristeza. Rolou mais um pouco do arquivo e se deparou com as fotos. Diferente do arquivo anterior, esse possuía muitas. Adolescentes e sua mania de exporem a vida, pensou.

A menina na tela do computador não era exatamente uma menina. Era alta de cabelo pretos e longos com o rosto harmonioso, os olhos da mesma cor de Beth deixando inegável o parentesco. Um frio na espinha gelou seu corpo ao pensar que os redutores podiam matá-la naquele instante. A cada minuto era um perigo a mais, pensou, enquanto sentava ali num corredor cheio de guerreiros para protege-la. Imaginou o que os redutores fariam e logo a imagem de Bella ao chegar na mansão apareceu em sua mente. Naquele momento não importava mais que sua mãe havia a abandonado. A menina era sua irmã e corria um verdadeiro perigo. Abriu o programa que mapeava o GPS do celular das duas e descobriu que Melina ainda estava na escola e sua mãe na residência onde moravam.

Desligou o computador e se dirigiu para a porta do quarto. Foda-se o sol. Por ser meio humana tinha a vantagem acima dos Irmãos. Encontraria Melina e a traria para o hotel junto com sua mãe o mais rápido possível sem que eles ao menos acordassem. Ao cair da noite planejava pegar o avião e voltar para seu filho, seu marido e sua casa.

Beth estava decidida a não cometer o mesmo erro da geração anterior e abandonar sua família.

Notas finais
gostaria muito que mandassem pelo menos um "continua miga" pra eu saber se to falando com o vento ou não hahaahahahah