True Blood
3 Threats - the thin line between fear and reality
Notas iniciais
Beth estava na recepção do hotel quando ouviu alguém chamar seu nome. Parou na porta da frente ponderando se voltava ou corria para a rua onde o sol talvez lhe desse uma vantagem. Ao virar percebeu que nada adiantaria, pois era iAm quem a chamara. Tentou pensar numa série de desculpas para estar saindo sem avisa-los e nenhuma lhe parecia plausível. Amava sua família, contudo as vezes as coisas podiam se tornar sufocantes, pensou.
O Sombra estava sentado numa mesa próxima as janelas, como uma peça a parte num conjunto de chá, mas de alguma forma harmonizando com o ambiente. Seus olhos se levantaram do café em suas mãos e olharam Beth com a expressão compreensiva. Ele sabia o que era se preocupar até quase enlouquecer quando se trata de irmãos.
–- Imagino que pretendia nos informar de sua saída, Rainha – falou com a voz calma e pausada.
Beth ficou parada enquanto ponderava sobre a situação. Era uma sutil referência a promessa feita de sempre sair acompanhada. Seus pés recusavam a se mexer e sua mente procurava uma forma de escapar de iAm. Precisava chegar até elas o mais rápido possível. No fim decidiu falar a verdade, contando em seu desespero para amolecer o coração de iAm.
–- Minha família está mais exposta a cada segundo que passo com minha bunda sentada naquele quarto – falou de uma vez só, com a voz embebida em medo e raiva – Você deveria entender, tem seu irmão e estava disposto a jurar lealdade a um homem que sequer é de sua raça. Laços familiares nos levam a fazer loucuras.
Ele a observou durante um longo minuto sem dizer nada. Pegou a carteira, tirou uma nota avermelhada – que Beth pensou ser de 10 pratas – e levantou com graça. A mesa de chá voltou a ser completamente normal a cada passo que o guerreiro se afastava dela.
–- O que está fazendo? – indagou a Rainha, confusa. Seu plano tinha ido por agua a baixo? A adrenalina correu mais forte nas veias enquanto se preparava para correr, mesmo que fosse ser alcançada em poucos metros.
–- Vou com você – iAm respondeu ao se aproximar – Vamos checar como elas estão, assim você verá que não estão em perigo e poderemos voltar à noite para pega-las.
Beth se encontrou surpresa demais para esboçar uma reação coerente ao seu sentimento de alivio passando por ela no momento. Estava preparada para usar toda sua massa muscular para fugir. Receber ajuda era a única coisa deixada de fora em sua mente durante todo o tempo. Por fim, saíram e entraram na minivan alugada pela Irmandade. A pequena caminhada sob o sol até o estacionamento lhes fez agradecer pelo ar-condicionado.
Chegaram até a escola onde sua irmã estudava onde alunos saiam por um grande portão branco, uns indo para carros e outros poucos para as paradas de transporte público mais próximas. Estacionaram na esquina do lado oposto da rua para evitar serem vistos, e Beth agradeceu pela arvore que lhes fornecia sombra. O sol era tão forte que nem mesmo seus genes humanos pareciam estar aguentando a claridade.
Minutos depois viu sua irmã sair acompanhada por um grupo de adolescentes. Percebeu que ela estava de mãos dadas com uma garota baixa de rosto redondo e corado, a constante cor avermelhada harmonizando com fios levemente ondulados e loiros descendo até os ombros. Junto a elas vinham pelo menos mais cinco ou seis pessoas seguindo para a praça em frente.
Beth abriu um sorriso amargo ao pensar na menina vivendo uma vida normal prestes a ser puxada para um mundo de loucura sem ao menos ter chance de dizer algo sobre o assunto. Isso fez o ímpeto de antes sumir um pouco. O suposto perigo gritante sentido no quarto do hotel havia se esvaído ao ponto sentir-se tola por ter feito iAm sair daquela forma abrupta. Estava prestes a pedir para voltarem quando viu o pescoço do vampiro ao seu lado enrijecer e a mão correr para a arma no cinto.
–- O que houve? – perguntou apreensiva.
iAm limpou a garganta e tentou mentir.
–- Nada.
Beth correu os olhos pelo local com uma sensação gelada na boca do estomago. Seus olhos pararam no homem de uns 40 anos encostado na arvore próxima ao grupo de sua irmã. Os jovens riam e conversavam inertes ao perigo a sua volta. O lesser usava um boné azul escuro pouco sucedido em esconder as írises anormalmente claras – seus os olhos pareciam duas bolas brancas. Sem pensar duas vezes, Beth alcançou a arma guardada na bolsa a pedido de Wrath. Caso tenha alguma emergência, dissera, e aquilo lhe parecia uma emergência. Num pulo estava fora do carro e indo em direção a Melina, disposta a contar a verdade ali mesmo se fosse necessário para colocá-la no carro.
iAm viu a rainha saindo cegamente enfurecida do veículo. Porra. Havia reparado no homem desde o momento que estacionaram, mas sua aproximação foi o motivo do alarme. Abiu a porta ainda decidindo se ia atrás de Beth ou do homem. Por fim, a alcançou e segurou seu braço no meio do caminho.
–- Olhe para mim e finja que estamos tendo uma briga de casal – orientou ao reparar que o lesser havia percebido a movimentação.
–- Se não me soltar agora você terá muito mais que uma briga de casal – falou duramente. Seu coração batia forte fazendo sua audição ficar prejudicada. Isso tudo a lembrava quando quase havia perdido Wrath, causando um gosto amargo de tristeza na boca.
O Sombra rangeu os dentes de raiva. O lesser olhou para eles sorrindo, mexeu no boné e se afastou.
Estavam fodidos.
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