Gibbs acordou sobressaltado da cama. Havia dormido mais que o necessário. O celular estava tocando pela quarta ou quinta vez e ele sabia que precisava voltar para o hospital. Ele atendeu o telefone quando tocou outra vez.

— Oi Dinozzo. – Disse acordando de repente. – O que foi?

— Você está bem? – Tony perguntou com medo de uma resposta negativa.

— Eu só dormi demais.- Disse Gibbs.

— Precisamos de você aqui no hospital. – Disse Tony.

— A Abby piorou? — Perguntou Gibbs.

— Não exatamente. – Disse Tony. Gibbs se preocupou.

— Dinozzo o que aconteceu? –Perguntou Gibbs.

— Pelo telefone é complicado de falar. – Respondeu Tony.

Na verdade, ele nem queria ter ligado para Gibbs com medo de um tapa na cabeça.

— Tem cinco segundos para me explicar o que está havendo? – Disse Gibbs.

— É e não sobre a Abby. –Disse Tony.

— Dinozzo! – Gritou Gibbs.

— Ah Deus! Como falar isso para você? –Dinozzo tentava enrolar. – Está bem. O médico de Abby, aquele que você conheceu ele na verdade nem médico é.

— E? – Perguntou Gibbs.

— Bem ele recomendou uma sedação de uma semana, mas na verdade ela nem precisa disso tudo. – Completou Tony.

— Quem é esse cara? E porque diabos ele iria querer deixar a Abbs em coma uma semana sem nenhuma necessidade? – Perguntou Gibbs.

— Talvez seja alguém contratado pelo atirador para acabar com o "serviço". – Respondeu Tony.

— Encontre-o Dinozzo. – Disse Gibbs. – E traga-o para eu fazer mandar Ducky autopsia-lo vivo. – Gibbs estava furioso.

— Quando você volta chefe? – Perguntou Tony.

— Vou tomar uma ducha e já estarei aíi. – Disse Gibbs

Tony desligou o telefone e voltou para ode estava. Ele notou a pequena movimentação no hospital. Ficou interessado e decidiu ver do que se tratava.

— Desculpe. – Disse Tony. – O que está havendo aqui?

A enfermeira olhou para ele assustada.

— Você é agente federal, certo? – Ela perguntou.

— Sim. — Respondeu Tony. – O que está havendo?

— Nosso sistema foi invadido. – Disse mostrando um computador. – Alguém mudou fichas hospitalares e a gente não consegue descobrir quem foi.

Tony ligou para McGee na agência.

— Ei novato. – Disse Tony quando McGee atendeu o telefone. – Preciso desse seu cérebro nerd.

— Pode falar Tony. – Respondeu McGee.

— Alguém hackeou o sistema do hospital e mudou as fichas de pacientes. – Disse Tony.

— Isso só pode ser brincadeira, né? – Falou McGee.

— Eu posso até brincar novato, mas estou falando sério. – Disse Tony.

— Está certo. – McGee deixou o que estava fazendo e digitou alguns comandos no computador. – Mas o que é isso? – Falou McGee.

— Algum problema novato? – Perguntou Tony.

— Alguém do hospital conectou um Pen drive com a Boot e agora todos os computadores estão executando um vírus potente. – Respondeu McGee.

— O que é uma Boot? – Perguntou Tony.

— É em outras palavras um vírus muito potente. – Falou McGee.

— Tem algum jeito de eliminar essa coisa? – Perguntou Tony.

— Posso executar um programa remoto daqui. – Falou McGee.

— E essa coisa não vai infectar o computador da agência? – Perguntou Tony.

— Não Tony. – Respondeu McGee. – O nosso antivírus é maravilhoso.

— Então faça novato. – Disse Tony.

— Ei. E como a Abby está? – Perguntou McGee.

— Ela ainda está em coma induzido. – Disse Tony. – Mas parece muito melhor do que ontem.

— Fico feliz. – Disse McGee. Ele sabia que Tony não poderia ver ele sorrindo.

McGee executou o programa e os computadores do hospital voltaram a funcionar.

— Muito bem, novato. – Disse Tony desligando.

Tony virou para uma enfermeira.

— Dá para descobrir o que eles mudaram nas fichas? – Perguntou Tony.

— Mudaram só uma ficha de paciente. Senhorita Abigail Sciuto. Quarto 502. – Disse a enfermeira.

— Todo esse trabalho para mudar só a ficha da Abby? – Perguntou Tony. – O que mudaram afinal?

— Tempo de internação, medicamentos, nome do médico, tempo previsto de coma induzido. – Respondeu.

— Alguém está tentando apagar seu rastro. – Disse Tony.

Gibbs finalmente chegou ao hospital. Parecia agitado.

— Dinozzo! – Gritou Gibbs. – O telefone tá quebrado?

— Perdão chefe. – Disse Tony tomando um tapa na cabeça. – Ei! Para quê isso?

— Para atender quando eu ligo. – Disse Gibbs.

— Já pedi desculpas chefe. – Disse Dinozzo. Ele levou outro tapa. – Ah! Qual é?

— Já disse mil vezes que pedir desculpa é sinal de fraqueza. – Gibbs finalmente se sentou. – Como está Abby?

Tony ficou assustado. Gibbs mudou de humor de repente.

— Então Dinozzo? – Perguntou Gibbs.

— Está bem melhor chefe. – Ele respondeu logo por morrer de medo em levar outro tapa na cabeça. – Tivemos uma situação interessante a pouco.

— Não me diga Dinozzo. – Gibbs estava irônico.

— Os computadores foram Hackeados, mas McGee os desbloqueou remotamente. Mudaram a ficha da Abby. – Disse Dinozzo.

O olhar de Gibbs mudou outra vez em menos de cinco minutos.

— Quem fez isso Dinozzo? – Perguntou Gibbs lentamente se aproximando de Tony.

— McGee está vendo isso agora chefe. – Os olhos de Tony fecharam quando Gibbs ficou bem ao lado dele. Ele esperou o tapa que não veio. – Achei que iria me bater.

— É... – Disse Gibbs. – Eu ia. Mas acho que três tapas na nuca são o suficiente.

— Você não me deu três tapas. – Disse Tony.

— Tem razão. – Disse Gibbs. – Então dois é o suficiente. – Gibbs saiu de trás de Tony ao ver o novo médico de Abby chegar. – Diga que não é um impostor. – Gibbs fez a pergunta meio que sem pensar e obviamente se arrependeu.

— Não, agente Gibbs. – Respondeu o médico. – Doutor Jacob Cullen. – Disse apertando a mão de Gibbs. – Especializado em clínica geral e neurológica.

— Prazer. – Disse Gibbs estendendo a mão. – Agente Especial Leroy Jethro Gibbs. NCIS.

— Muito prazer. – Disse Jacob. – Você é o chefe da Srta. Sciuto certo?

— Sim. – Disse Gibbs. – Diga que tem boas notícias?

— Eu tenho sim. – Disse Jacob. – Eu não sei explicar, mas Abby está melhorando rápido o suficiente para sair da sedação amanhã.

Gibbs parecia ter ganhado doce. Deu um sorriso grande.

— É tão bom ouvir isso. – Disse Gibbs.

— É. É muito bom mesmo apesar de não sabermos o que está acontecendo. Nenhum paciente jamais se recuperou tão rápido assim de um tiro ainda mais no peito. Leva dias... Até semanas. – Falou Jacob.

— Ela é especial Doutor. – Falou Gibbs.

— Posso liberar vocês para vê-la. – Disse o médico.

— Pode mesmo fazer isso? – Perguntou Gibbs.

— Sim. – Disse Jacob.

Tony vibrou com a notícia.

— Eu quero ir primeiro chefe. – Disse Tony.

— Eu vou primeiro Tony. – Disse Gibbs.

— É claro chefe. – Disse Tony. – Desc... – Tony não concluiu a frase porque Gibbs deu um olhar para ele. – Foi mal.

— Bem melhor assim, Dinozzo. – Disse Gibbs ainda com o médico. – Eu quero ir agora.

— Venha Agente. – Disse o médico levando Gibbs até a porta do quarto de Abby. – Pode entrar.

Gibbs entrou no quarto e deu um beijo na testa e Abby. Os batimentos subiram.

— Acho que alguém estava com saudades. – Disse Gibbs. – Eu sei que você vai sair dessa Abbs. – Gibbs se sentou ao lado da cama de Abby. – Eu vou ficar aqui um tempo.

Jacob deu dez minutos para Gibbs ficar com Abby.

Gibbs pegou a mão de Abby e a colocou embaixo da dele.

— Ei. Abbs. Posso te trazer um Caf- Pow da próxima vez que eu vier. – Disse Gibbs brincando. – Acho que você faz tanto falta que até a máquina estragou. McGee está cuidando do seu laboratório direito. Ziva está esperando você e até Vance está triste.

Gibbs sabia que Abby não acordaria.

— Eu só queria que você estivesse acordada para me contar o que houve lá. – Gibbs deu um suspiro fundo. – Eu só queria saber o que realmente aconteceu para você ser baleada por um filho da puta. – Gibbs falou as últimas palavras altas. – Desculpa Abby.

O Médico apareceu na porta.

— Está na hora Agente Gibbs. – Disse Jacob.

Gibbs deu um beijo em Abby.

— A gente se vê depois. – E saiu.

Gibbs não via a hora de voltar para ficar perto de Abby outra vez.

— Gostei do senhor doutor. – Disse Gibbs apertando a mão de Jacob.

— Igualmente, Agente Gibbs. – Disse Jacob. – Vou estar no consultório se precisar de mim.

Gibbs voltou para a cadeira e o sorriso era evidente.