Troca de favores

2 "A tragédia se inicia"


Notas iniciais
Aqui a continuação, espero que gostem.

Outro carro estaciona em frente á mansão de Marta Castro. Logicamente, é um automóvel inferior ao dela, mas não deixa de ser luxuoso. É o carro de Fábio, o filho de Marta.

Depois que seu pai morrera o homem não conseguira mais adormecer. Seus olhos se tornaram inchados, pelas infinitas lágrimas que iniciaram de lá. De todos os familiares, Fábio fora o que mais de abalara com a morte de Mário, até que durante o sepultamento, teve de ir embora, pois não aguentara tanta emoção e tristeza num só lugar.

Uma buzina alta é oriunda do carro estacionado. Não demora muito para que porta dourada se abra e coloque Marta para fora. Enquanto ela passa pelo corredor do jardim e cumprimenta Mauro, que está ao meio das flores, Fábio; sua esposa, Amélia e seu filho, Fernando colocam-se para o ar livre.

Fábio mal consegue sorrir, mas vai ao encontro de sua mãe, que está quase no fim do corredor. Um longo abraço é feito pelos dois e seguidamente Marta vai ao encontro de Amélia que também lhe abraça. A expressão de Amélia não é das mais felizes também, já que sempre fora uma pessoa muito ingênua e gentil e por isso, a morte de seu sogro lhe entristecera bastante. Características que nunca agradaram a sua sogra, reprovando dela casar-se com seu único filho, simplesmente por ela ser oriunda de uma família mais pobre. Mas a falsidade de Marta possibilitou este breve abraço.

Marta se vira Fernando, seu neto de dez anos e com um sorriso enorme, ela passa sua mão na cabeça dele.

– Vamos entrar? – diz a dona da casa, voltando-se para o corredor.

Os três convidados não hesitam e a seguem.

Fernando herdara os olhos da avó e por isso sempre fora o mimo da mesma. Já Amélia e Fábio carregavam os olhos mais escuros possíveis. Enquanto caminham pelo corredor, o filho de Marta se surpreende ao ver um jardineiro cuidando das flores.

– Dona Marta, eu estou vendo um jardineiro aqui ou é alguma alucinação minha? – diz ele, acenando para Mauro, que o responde com outro.

– Isso é a prova de que estou realmente abalada. – responde a mãe, enquanto não para de andar. – Vamos, o almoço já deve estar na mesa.

Todos passaram despercebidos, mas Fernando se assustara quando olhara para o jardineiro, pois o mesmo estava encarando-o, novamente com a sua horrorosa cara fechada. O menino quase dera um pulo do chão ao passar por isso, mas não teve coragem suficiente para compartilhar isso com os seus familiares. Apenas seguiu a caminhada até ao interior da mansão de sua avó, mas o medo permanecera nele.

A entrada da mansão se resume em um espelho moldurado e uma escada com corrimões dourados. Nenhum deles hesitou em usá-la para chegarem à copa. Os degraus são frios e é capaz de estremecer quem a usa descalço.

A copa é realmente o lugar mais gelado de toda a casa. E o mais silencioso também. Diante do banquete que foi apresentado ao almoço em família, ninguém ousa em proferir nenhuma palavra sequer. Uma longa mesa carrega todos os alimentos e algumas cadeiras a rodeiam, sendo que apenas quatro estão sendo utilizadas. Marta está sentada na cadeira central, como se fosse rainha de algum império – não que não seja. – e Fábio, Amélia e Fernando seguem ocupando o lado esquerdo. Na parede oposta, há dois retratos: um constituído por Leonardo, sentado na cadeira onde Marta está localizada agora, com a esposa e Fábio ao redor dele. Aparenta que o momento tenha sido fotografado há mais de trinta anos, pois todos estão mais jovens. Já a segunda é constituída por Leonardo novamente, – sentado na mesma cadeira, só que mais velho. – Marta, Fábio, Amélia e Fernando ao redor dele. Esta fora registrada há dois anos. Porém, nas duas fotografias, todos os integrantes estão com as vestimentas azuis. Esta cor tinha um significado para o falecido empresário, que sempre dizia que trazia prosperidade.

Todos os convidados estão disfrutando do farto almoço, enquanto Marta não se alimenta de nada, apenas beberica em uma taça de vinho tinto.

– Não vai comer nada, vó? – pergunta Fernando.

– Não, querido. Não estou com fome. – responde Marta. O neto apenas faz que sim com a cabeça, mesmo querendo insistir para que ela se alimentasse corretamente.

Durante alguns momentos, ninguém profere alguma palavra sequer.

– Então. – fala Marta, quebrando o silêncio novamente, para Fábio e Amélia. – Será que o Fernandinho poderia ficar comigo o resto do dia. Sabe, quando foi a última vez que passei um tempo com o meu neto? E também, estou muito sozinha agora e não quero entrar nesse mundo da depressão.

Os dois pais se olham e trocam respostas pelos olhares.

– Se ele quiser ficar um tempinho aqui com você, pode sim. – diz Fábio.

Mas para isso nem é necessário questionar. Fernando adora ficar na casa de sua avó.

– Eu quero sim! – profere o garoto, entrando na conversa, animado.

– Então, buscamo-lo amanhã de manhã? – pergunta Amélia para a sogra, mas a mesma a ignora como se não houvesse escutado nada. Fábio se mostra incomodado, pois nunca gostou desta relação tensa entre nora e sogra. Várias vezes ele solicitara para sua mãe ser gentil, mas Marta nunca se esforçara.

– O pegamos amanhã de manhã. – afirma Fábio em um tom seco.

– Ok. – responde Marta, que devolve a taça de vinho à sua boca, enquanto seus olhos brilham em direção ao seu neto, enxergando-o como se fosse algo valioso ou um troféu, talvez. Na verdade, este menino é a peça-chave para o plano que ela está tramando.