Notas iniciais
Espero que aprovem!

Uma partida de xadrez pode ser entediante para a maioria das pessoas, mas para Marta é o seu segundo principal hobbie, porque o primeiro lugar sempre será da jardinagem. Por conta de alguns motivos, Mauro a substituíra em seu principal passatempo.

Fábio e Amélia já deixaram a residência e se despediram do filho logo após a refeição diurna. Fernando e sua avó estão rodeando uma pequena mesa, ocupando lados opostos e duas cadeiras fofas. As peças do xadrez estão se esvaziando do tabuleiro e é perceptível sentir a vitória de Marta se aproximando. O menino com somente uma década de vida, se esforça para alcançar a mesa, já que sua altura não lhe permite fazer isso automaticamente.

– Desisto, vó. – diz o garoto, jogando-se e para trás e afundando-se na poltrona.

Marta ri um pouco.

– Ninguém consegue me superar neste jogo. – vangloria-se a avó. – Que para mim, considero como um esporte.

Em frente à cadeira de Fernando, uma janela lhe mostra que a noite já chegara há algum tempo e por isso, se surpreende que passara tanto tempo praticando xadrez. O sono está chegando e ele não insiste em continuar acordado.

– Vó, preciso dormir. Já está tarde. – enquanto solta um pequeno bocejo.

– Tudo bem. – responde Marta. – Mas antes, me dê um abraço.

Fernando não hesita e levanta da poltrona e dá um longo abraço em sua avó. Seguidamente, segue para a escada, em busca do quarto de hóspedes. Mesmo que o menino seja muito próximo à Marta, ele nunca foi presenteado com um dormitório exclusivo dele nesta casa, então sempre que dorme aqui, o seu lugar é reservado em um quarto para as visitas. Aproximando-se da porta do local em que passará a noite, ele roda a maçaneta silenciosamente. Entrando no quarto, percebe que a cortina da janela, que fica ao lado esquerdo da cama, está aberta. Algo que não é comum na mansão de Marta Castro França. Sempre fora a primeira ordem que repassara aos seus empregados permanecê-las fechadas. Fernando corre até a janela rapidamente e fecha a cortina em segunda ação. Concluindo isto, lembra-se que deixara a porta do dormitório escancarada e vira-se para retornar o caminho que fizera. Mas quando seus globos fitam a porta, os mesmos se arregalam. O susto consome seu corpo, fazendo-o esquentar. Mauro está parado ali. Seus olhos são pequenos e assustadores. Com uma pose congelada, o novato jardineiro exibe um sorriso amarelo – característica própria dele e de Marta também. Depois de alguns segundos, repentinamente, ele volta a andar pelo corredor, deixando a porta para trás e desaparecendo. A falta de ar obriga Fernando a respirar pela boca e seguidamente corre desesperadamente à porta, assim, fecha-a e tranca-a, apaga as luzes e pela terceira vez, corre, mas agora em direção á cama. Por fim, afunda-se nela e passa os cobertores até por cima da cabeça, cobrindo, assim, totalmente o corpo, enquanto insiste em continuar com a temperatura alta, causada pelo medo que ainda o rodeia.

O sono fora embora em prazo de alguns minutos com os olhos fechados. Toda vez que os abria, mesmo a coberta o protegendo, notava a presença de Mauro próximo ao filho de Fábio e Amélia. Pode parecer alguma frescura tola, infantil, mas para um pequeno garoto de dez anos, foi suficiente para que o traumatizasse. E ele sabe que é impossível que o novo empregado esteja próximo a ele, agora, pois recordara que trancara a única passagem que dá acesso para dentro deste respectivo quarto, então se acalma expressivamente.

A JANELA, exclama Fernando em sua mente, ao mesmo instante em que seus olhos abrem e se dilatam. Esta poderia ser outra entrada. O medo retorna e a presença de Mauro se torna mais real. Esquecera totalmente de comprovar a fechadura da janela e no momento, ele se arrepende amargamente.

O menino entra em um colapso de emoções e se sente imóvel por alguns segundos, sem saber o que fazer. Seu coração inicia-se a palpitar, mas sente no dever que deve revisar a janela e pretende completar esta missão o mais rápido possível. Por isso, velozmente retira a coberta de seu corpo, fazendo-a se chocar ao chão. Porém, no instante seguido, novamente um susto percorre todo seu organismo e seu coração deseja escapulir pela boca. A inspiração e a expiração se confundem e fazem-no desesperar mais ainda. Mauro está na sua frente. Em pé, ao lado da sua cama, encarando-o como se Fernando fosse uma pedra no caminho dele. O menino deseja fugir dali, mas é uma atitude estúpida, então, ele se empurra com os pés em direção à cabeceira da cama.

Uma bomba de dúvidas explode em sua mente. O que ele fizera para Mauro? Por que ele está ali em sua frente? Por que Marta o contratara? Marta. É isso, a única opção que Fernando tem é pedir socorro à sua avó. Enquanto ele se encolhe, sentado na cama e um suor congelante escorre por seu corpo, um grito origina dele, clamando pela vó. Em seguida, Mauro ri e diz:

– Já terminou? Pode gritar à vontade.

Algo está errado e Fernando percebe isso. Sabe que Marta viria imediatamente socorrê-lo se ele gritasse daquele modo.

– O que você fez com ela? – pergunta o garoto, tremendo-se inteiramente.

– Nada. – responde o jardineiro. Seus olhos são pequenos e verdes e transmitem uma expressão assustadora. Sua pele é praticamente inteira enrugada.

Fernando clama novamente por Marta, mas ninguém o responde. Então, ele se desespera e por impulso, salta da cama e corre até à porta. Mas se aborrece. Ela está trancada. É óbvio que estaria. Sentindo a respiração de Mauro se aproximando, consegue ouvir as batidas de seu coração. O homem puxa-o a fim de que fiquem em posição frente-a-frente. A vítima quer gritar, mas é impedido por um pano molhado que é colocado à força em seu nariz. Ele tenta se esquivar das mãos de Mauro, mas não demora mais que do alguns minutos para que seus membros comecem a se amolecer. Sua visão se torna distorcida e sente levemente que é jogado para cama, seu local inicial. Seus pensamentos começam a ficar lentos e parece estar flutuando. Porém consegue sentir uma pontada horrível de dor que se aloja em suas costas. De bruços, ele solta uma espécie de mistura de grito e choro, enquanto ouve a risada de Mauro. De repente, outra dor agonizante, novamente nas costas, se alastra. Seu choro cria mais volume e mesmo que esteja dopado, sabe que é Mauro quem está provocando isso. Mas por quê?

A dor aumenta, mas sente que é carregado para algum lugar. O frio consome seu corpo. Algumas flores rodam em seus olhos. Avista um carro preto dançando à sua frente. Adormece.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.