→Segundo Dia←

Texas – Houston

— SIM, SIM, SIM! Hoje o dia é MEU e você pagará caro por cada unha. – pulou em alegria mostrando os dedos da mão cortados

— Você fala como se o sofrimento tivesse sido só seu. – respondeu Bankotsu com a mão apoiada no queixo

— Verdade... três clientes reclamaram de café salgado. Ainda não sei como pôde confundir. – Disse Mukotsu o avô da família Shintai.

Vivendo o dia de Kagome, Kagura precisou ir para a cozinha, lavar panelas e fazer café – eles não arriscariam a reputação do restaurante colocando-a para ajudar na cozinhar. Atender as mesas foi ainda mais desastroso, então o “dia de Kagome” foi reduzido a lavar panelas.

— Na minha casa, não entra nada disso. Alimentação equilibrada, de qualidade e orgânica!

— Isso ainda não justifica confundir sal com açúcar – voltou a pontuar o idoso

— E então Sra Taisho? – Disse Bankotsu olhando intensamente para a mulher com um sorriso de canto – como vai ser o seu dia?

Kagura sorriu em resposta retribuindo o olhar penetrante do homem. Aquilo poderia ser divertido, afinal...

Nova York – Manhattan

Kagome estava na cozinha fazendo o que mais gostava. Ela picava, mexia, temperava e movia-se incessantemente dando sua atenção para as diversas preparações, enquanto cantava uma melodia qualquer alegre.

Ela teve a impressão de ouvir um barulho, mas não pôde identifica-lo. Será que Sesshoumaru tinha voltado mais cedo? Carregada de curiosidade, ela enxugou as mãos no avental e foi explorar o local.

Ali na sala havia uma menininha, carregando uma mala de viagem. Usava um uniforme escolar que consistia de uma saia azul que ia até os joelhos, uma blusa branca e um casaco também azul com um brasão bordado.

— Olá?

— Quem é você? E o que faz aqui?

Questionou a menina muito séria de franzindo cenho, Kagome a achou muito fofa e não pode evitar pensar em Sesshoumaru.

— Você é mesmo filha do seu pai – disse sorrindo

— A senhora não respondeu minhas perguntas – invasores deviam ser tratados com respeito? A menina se questionou mentalmente.

Ela estreitou os olhos e encarando o incomum avental Kiss the Cook. Kagura deixaria uma empregada livre do uniforme?

— Olá! Você deve ser a Rin, meu nome é Kagome e... Estou passando a semana aqui. Sua mãe não está, mas logo estará de volta

Como se fosse possível, a menina estreitou mais ainda os olhos e com altivez disse.

— Ela não é minha mãe

— Desculpe, não sabia... – tentou concertar o erro, mas foi ignorada pela menina

— Onde está a Sra Kaede?

— Ela foi ao mercado comprar umas coisas que faltaram para o almoço.

— Hum

A menina parecia apreensiva, olhando incerta pelo ambiente monocromático, talvez algo estivesse incomodando. Era estranho, já que Sesshoumaru disse que a menina não estaria presente para o programa, algo teria ocorrido?

— Você gostaria de comer alguma coisa? Eu vou começar a fazer a sobremesa para o almoço

— Sobremesa?

Aquilo pareceu tirar a menina das divagações

— Sim, estou preparando o almoço e... Oh céus o almoço!

E saiu correndo para ver algum possível desastre. Rin inclinou a cabeça levemente. O que estava acontecendo ali?

Sesshoumaru entrou exausto no apartamento afrouxando a gravata, foi um verdadeiro dia de cão. Ele saiu do apartamento muito cedo aquela manhã, um de seus clientes havia sido preso e ele teve que ir ao seu socorro. Uma manhã inteira dedicada a falar com um juiz para conseguir um alvará de soltura. Não houve tempo sequer para um café. O programa acabou ficando em segundo plano, foi um alivio mais que bem vindo não ter a sensação de estar sendo seguido pelos cantos com câmeras indiscretas. Seria muito perverso pedir pela prisão de outro cliente?

— Agora de volta as obrigações contratuais...

Só mais alguns dias e estaria acabado, ele poderia aguentar alguns dias mais daquela tortura, ficaria tudo bem, só precisava manter as coisas sob controle por mais alguns dias e logo se veria livre da cozinheira e seu estranho avental.

— Já estou em casa Ka... O que faz aqui Rin?!

Ele arregalou os olhos em surpresa quando sua filha apareceu saindo da cozinha, acompanhada de Kagome enquanto punha uma bandeja com legumes na mesa.

— Olá papai.

Rin correu para abraçar o pai, enquanto Kagome organizava a mesa sorrindo para a cena a sua frente

— Acho que você tem explicações a dar – ele disse estreitando os olhos para a filha tentando analisá-la

Rin parecia meio tensa e para tentar aliviar a situação Kagome optou por mudar de assunto

— Por que não comemos, antes que esfrie. Acho que você vai gostar

— Sim! Vamos comer, está uma delícia papai. Eu ajudei a fazer uma sobremesa

Kagome tinha uma espécie de luz em sua volta, ela parecia estar sempre animada tentando atrair a todos para si. Mas ele ainda não confiava nela muito menos para estar a sós com sua filha. Elas pareciam se entender bem e ele não tinha certeza se era uma boa coisa.

– Rin Taisho, você irá contar o que faz aqui de uma vez.

— Eu.. eu...

Ela desvia o olhar tentando buscar alguma salvação

— Ah, não vamos estragar o almoço, seja lá o que for, pode esperar o fim dele, né?

— Você sabe do que se trata? – isso definitivamente o desagradou, como uma desconhecida poderia ter segredos com sua filha?!

— Que diferença faz agora? Vamos comer, teremos tempo para conversa depois – disse esperançosa.

Dando se por vencido, ele deu as costas a elas.

— Vou me lavar

Rin lançou um sorriso de agradecimento para Kagome. É, talvez ter a estranha moça na casa não seja tão ruim...