Trinity

4 Vida longa ao rei


Notas iniciais
Opa! Beleza? MUUUUTÍSSIMO OBRIGADO pelo apoio no último capítulo, eu realmente amo o feedback de vocês, de coração. Uma estrelinha pra quem achou um erro no capítulo, e duas estrelinhas pra quem elogiou meu desenho Na verdade fiquei tao chateado com as críticas que esse capítulo nem vai ter ilustrações. E ficou bem grandinho O capítulo de hoje tem dois personagens novos, e assim como no capítulo passado eu dei uma focada na história dos dois. E AH, ESSE TEVE UM POUCO DE DIÁLOGO, SIM. ME FALA SE ACHAREM UMA BOSTA TA. (Eu não revisei, deve estar cheio de erro, me apontem se acharem algum) Espero que gostem deles

Antes

Átila Lykaios acordou desanimado para seu último dia de aula.

A escola superior de Atlântida, reservada para os filhos dos eleitos, era extremamente cansativa para ele. Pra alguns poderia ser até considerada um exemplo a ser seguido, o ápice da educação mundial, mas para o franzino garoto de 12 anos não era bem assim, ele só gostaria de ficar o dia todo em casa com seus videogames e o colégio tirava isso dele.

Átila vinha de uma descendência real importante no antigo mundo, mas subjugada no novo. Segundo o governo atlante, o Parlamento, não existia espaço para novos monarcas no pós-guerra pelo simples fato de que eles incitariam uma nova disputa pelo poder. Mesmo com apenas 12 anos o garoto já entendia que isso não passava de uma simples desculpa para o Parlamento se manter como dominante e evitar vestígios de resistência, mas o garoto não ligava para isso.

Ainda que seu sangue fosse uma ameaça em potencial, os eleitos preferiram ter a família Lykaios a seu lado do que contra si, com isso deram a seus integrantes: o pai, a mãe e a irmãzinha de Átila, o direito de receberem a condição de eleitos em Atlântida.

Obviamente, não recusaram.

A casa era espaçosa e grande para a quantidade de pessoas daquela família; a arquitetura remetia à Roma clássica, com esculturas de lobos presentes nos corredores e na sala principal.

Átila escovou os dentes, tomou um banho gelado e desceu para tomar seu café da manhã.

Enquanto descia as escadas, olhou pela a janela que dava para o lado de fora. A casa do garoto ficava na chamada “borda” de Atlântida, ou seja, ficava na extremidade da cidade, rente à espessa parede de vidro, chamada de casca, que separava a mais antiga civilização do mundo novo ao negro mar que a encobria.

Átila residia no segmento selecionado, junto com os outros eleitos; ficava na parte mais profunda da cidade submersa. A luz do sol não chegava mais lá, toda a iluminação disponível era artificial, mas ainda assim não deixava nada a desejar. Pela janela era possível ver a casca e seu exterior completamente negro, desconhecido.

A casca era o maior trunfo de Atlântida no que se referia a sobrevivência, era feita do polímero mais resistente já fabricado; descoberto durante a grande guerra. Ele era capaz de suportar a diferença de pressão externa, que provavelmente reduziria qualquer humano comum a pó, com a pressão interna da civilização submersa, sem que sofresse qualquer deformação. A rigidez do material era extrema.

Átila aprendera isso na escola, mas pouco importava, se ela continuasse a manter ele vivo ali.

Ele estava vivo.

Ele estava feliz.

— Bom dia, pequena sereia – Disse sua mãe com um sorriso caloroso no rosto logo que o garoto entrou na cozinha – Animado para o último dia?

— Não – respondeu observando o ambiente, toda a sua família já estava ali. Seu pai, sua irmã e sua mãe, todos comendo a primeira refeição do dia. – Nunca vou ficar animado pra aula.

— Você é muito preguiçoso! – desta vez foi sua irmã, Juno, que falou. Mesmo sendo dois anos mais nova ela parecia mais madura que Átila – Vamos aproveitar, é o último dia com nossos amigos. Você já acordou tarde! Nós vamos ter que pegar o segundo ônibus, magrelo.

O garoto não ligou para o insulto, a idade tornava a irmã irritante. Mas ela não deixava de estar certa, era a última vez que veriam seus amigos.

Uma serviçal do continente serviu o rapaz, seu nome era Jody. Era uma jovem, com cerca de 20 anos, loira de olhos azuis por quem quando mais novo Átila veio a se apaixonar. Mas segundo ela, as próprias vestes marrons dela impediam de que o sentimento fosse recíproco.

Esse sentimento acabara e o tempo do café também.

— Pai, mãe, amo vocês – Disse Juno antes de partir para a escola, Átila apenas deu um olhar agradecido para eles e jogou um beijo com a mão.

Jody os acompanhou até o ponto em que o veículo ia busca-los, a cerca de quinhentos metros da casa. Geralmente ela trancava toda a casa antes de ir, mas o garoto reparou que dessa vez não havia trancado.

Mas não havia nenhum mal naquilo, afinal, não havia crimes em Atlântida. Ou ao menos isso era o que ele esperava.

Enquanto caminhava em direção ao ponto, Átila reparava outras coisas estranhas. Ele nunca havia visto tantos continentais em seu bairro, especialmente do sexo masculino. Eles andavam livremente pela rua, e não pareciam muito felizes.

Continuaram a caminhar. Átila desconfiado e Juno feliz, ela brincava de chutar as pedras brancas que estavam em seu caminho.

— Vamos rápido, garotos – Disse Jody atrás deles – Vocês não querem chegar atrasados não é mesmo?

— Eu não me importaria – Respondeu o garoto francamente.

— Eu sim, vamos logo! – Exclamou Juno, ela parecia um tanto quanto disposta para a aula. Seu irmão não entendia isso. – Eu quero ver o...

A fala foi interrompida por um barulho ensurdecedor, alto como nenhum dos garotos já havia escutado: uma explosão. Alguém destruiu o ponto de ônibus. O deslocamento do volume do ar causado pela explosão derrubou as duas crianças despreparadas no chão; estranhamente a serviçal não caiu, como se já estivesse preparada para aquilo.

O fogo e os destroços da explosão atingiram o teto da região que habitavam, desligando assim, parte da iluminação local, deixando todos na melancólica escuridão do mar profundo. A única luz que se via num raio de cem metros era a do ponto de ônibus destruído, ainda queimando em chamas.

O primeiro pensamento de Átila foi para sua irmã, ele olhou para ela.

— Eu tô legal – disse a garotinha – Como você tá?

— Acho que machuquei meu ombro quando caí, mas também tô bem – Respondeu o rapaz magricela, tentando disfarçar a dor que lhe incomodava. – E você, Jody?

Ele observou a continental se levantar e sorrir enquanto retirava um facão de carbono de dentro da bolsa. O medo que sentia desde o momento da explosão se intensificou muito mais agora: Ele e sua irmã estavam sendo atacados.

— Estou melhor do que nunca, “meu mestre” – respondeu, com um sorriso irônico – Enfim estamos no mesmo patamar.

— Como assim? – Perguntou Juno, também aflita – Jody, eu não estou entendendo.

— Você nunca vai entender, pequena – A loira se pôs a explicar – Você nunca vai entender qual é o sentimento de ver seus pais sofrendo por serem ricos no antigo mundo e não passarem de servos nesse. Você nunca vai entender o sentimento de ter sua liberdade consumida para servir alguém. Você não vai presenciar os suicídios que acontecem nos subúrbios.

O sorriso deu lugar a uma expressão de raiva e dor

— Você não vai entender por que você é uma eleita, minha pequena – Levantou o facão com o objetivo de matar Juno. O ódio era claro em seu rosto.

A falta de iluminação aliados ao rosto raivoso da continental tornava o clima melancólico demais. Átila queria fazer alguma coisa, mas se sentia impotente, ele temia por sua vida mais do que temia pela da irmã. Deitado no chão estava paralisado de pavor.

— Você não entende. Sua vida vem à custa da nossa mor...

Bang!

O barulho foi alto, não tão alto como os que ouviram na explosão, mas mesmo assim foi alto. Quando percebeu, Átila viu a serviçal caindo no chão. A cabeça da mesma fora destruída, o cérebro se misturava com sangue e ossos em uma poça mórbida. Jazia ali a apaixonante babá.

Ela não havia matado sua irmã, e isso que importava.

Mesmo com medo, Átila conseguiu se levantar, e se pôs ao lado da irmã que se encolhia sentada no chão. Ela estava com lágrimas nos olhos e soluçava constantemente. Ela não entendia o que estava acontecendo, o garoto também não.

Ele parou por dois segundos para observar a seu redor. Mesmo que aquele local estivesse escuro era possível ver que as casas que ficavam ali estavam sendo invadidas pelos continentais que ele viu na rua.

Um homem, um eleito, se pôs a seu lado com algo que parecia uma arma na mão direita. Era um amigo da família.

— Vocês estão bem?

— Acho que sim – Respondeu Átila. Juno continuou a chorar encolhida, era impossível dizer alguma coisa naquele estado – O que está acontecendo?

— Não dá pra explicar agora – o homem seguiu para o corpo morto da jovem e pegou o facão que ela segurava – Toma isso e vai para sua casa; avisa seu pai que a revolução chegou aqui.

O facão estava sujo com o sangue de quem o segurava

— Tudo bem, obrigado – Disse o rapaz, pegando o pesado facão em suas mãos – Vamos Juno, rápido.

A garota não se moveu.

Átila jogou todo o material de sua mochila no chão e colocou o facão lá dentro. Puxou a irmã pela mão, a tirando de seu estado de choque. Ambos se puseram a correr para casa.

Foi o pior caminho de sua vida. O garoto magro, que nunca havia vivenciado qualquer tipo de violência física via tudo o que conhecia sendo destruído. Os continentais estavam chacinando seu povo. Átila acreditava que estavam os ignorando por serem só crianças, mas isso não importava no momento, ele só precisava chegar em sua casa.

Quando chegou, não aconteceu bem o que imaginava que aconteceria.

A casa já estava havia sido invadida pelos continentais revoltosos.

Os irmãos entraram na casa, o mais velho com o facão em mãos e procuraram pelos seus pais. Vasculharam boa parte da casa até que ouviram os sons vindos do quarto da mãe.

A porta estava aberta.

O irmão mais velho se colocou na frente dela e viu a pior cena de sua vida.

Seu pai e sua mãe estavam no chão, machucados, sendo espancados pelas mãos de um continental jovem e de cabeça raspada. O ódio era visível em seus olhos.

Átila tinha o facão nas mãos e o medo no coração. Mesmo que estivesse armado e que o continental não notasse sua presença, ele não conseguiu fazer nada. Tinha medo.

Medo.

Juno, atrás de si, não via nada, mas queria ver. Passou rapidamente por entre as pernas do irmão e ficou chocada também. Mas era tarde demais, seus pais estavam mortos.

Ela gritou.

Obviamente, chamou a atenção do continental para ela mesma e o irmão. O homem foi rápido e logo segurou os dois, pegou uma corda que se encontrava no chão e os amarrou.

— Não vou bater em crianças, mas seu sangue eleito também merece sua punição – Disse calmamente. Sua ideologia dominava tanto seu corpo e pensamentos que já passava a agir de forma fria quando se tratava dos meios para atingi-la. — Vocês dois vão comigo para os subúrbios, lá eu não acredito que alguém ligue para seu sangue real.

O facão estava sujo com a covardia de quem o segurava. O antigo rei estava morto, Átila era o rei agora.

Vida longa ao rei.

Agora

Os irmãos se entreolhavam felizes. Aquele era um dos poucos momentos em que ficaram contentes desde que foram levados para a parte superior de Atlântida: Os subúrbios.

Os subúrbios eram bastante diferentes do que eram no mundo antigo. Primeiro que, por quase não existirem mais combustíveis fósseis não existia mais uma poluição do ar, como antigamente, mas isso não quer dizer que ele não era carregado com gás carbônico.

Ainda assim o miolo, que abrigava a porção comercial, e agora a residencial, dos continentais era cheio. Ali as pessoas usavam capuzes e máscaras, que os protegiam da forte iluminação (desregulada propositalmente pela marinha) e de respirar qualquer tipo de vírus no ar, o que não estava se tonando incomum.

Atlântida tinha um sistema de ventilação que privilegiava os eleitos: O ar da superfície era primeiramente condensado e enviado por enormes tubos para a porção inferior da pirâmide. Conforme ia sendo respirado, o ar liberava gás carbônico. Essa porção se tornava mais quente e menos densa, subindo assim de nível.

O ar dos subúrbios tinha cerca de 80% do oxigênio inicial. Era difícil respirar ali. Átila e Juno sabiam disso; desde que foram largados para sobreviver ali nunca mais respiraram como antigamente.

O mesmo homem que matou sua família os deixou ali, juntos para sobreviver.

Tentaram diversas vezes voltar à base da pirâmide, mas todas as vezes foram impedidos por guardas. Por mais que contassem sua história e se portassem como verdadeiros eleitos ninguém realmente acreditava de sua linhagem.

E se acreditava, simplesmente ignorava.

Poucos dias depois veio a retaliação dos marinheiros. Felizmente, Juno e Átila se encontravam no miolo quando o topo da pirâmide foi explodido.

Depois disso a sociedade virou um caos. A marinha passou a ocupar todos os lugares onde ainda existiam continentais vivos, empunhando armas e causando confusão. Demonstrando superioridade.

O governo parecia ignorar isso.

Não existia momento pior para se tornar um continental, intruso numa sociedade eleita.

Os irmãos tiveram que se virar para sobreviver. A princípio trabalhavam, mas como crianças de treze e onze anos não tem muita força física, o que conseguiam mal dava para se alimentar. Veio o desespero, e ele demanda medidas desesperadas.

Começaram a furtar.

Não durou muito tempo, Átila não era nem rápido nem forte, muito menos discreto. Juno, por sua vez também era um tanto quanto escandalosa, mesmo que fosse bem convincente na hora de pedir desculpas.

A primeira surra que Átila levou foi a última também. Os filhos de um vendedor de maçã o espancaram. Com medo de ser pego novamente pararam de furtar, mas a sua lábia funcionava para outras coisas.

Golpes.

Falsidade ideológica, falsificação de documentos e produtos incluíam-se nos métodos que os irmãos encontraram para sobreviver. Algo em seu sangue real os tornava bem convincentes, caso quisessem.

E golpes não deixavam Átila com medo.

E ele tinha medo do medo.

A garota de 15 anos e cabelos curtos era Juno. Ela manchava o rosto de fuligem e sujeira em geral para que não reparassem seus pequenos e bonitos olhos negros, e as delicadas feições de sua face. Usava roupas largas para esconder as curvas, afinal, era a maneira mais fácil de evitar algum tipo de assédio sexual, que já havia sofrido.

Seu irmão, agora com 17, manteve a mesma altura desde os 14, e provavelmente manteve o peso. Diferente da irmã ele não tem um corpo padrão para a idade, pelo contrário, é bem magro e pequeno. A única coisa que o deixa com uma expressão mais velha é a cicatriz, que parte da testa até a orelha esquerda (um vestígio da surra) e deixa uma falha na sobrancelha.

Os dois irmãos que descobriram não ter aptidão nenhuma para roubar, ironicamente conseguiram a maior façanha de sua vida com um furto.

Primeiro Juno causou uma confusão entre dois continentais em um bar afastado da área comercial, forçando o marinheiro responsável pela região a se deslocar do seu posto. Depois Átila, que havia conseguido comprar a roupa do mesmo marinheiro em uma lavanderia corrupta, se passou por ele. Assim, recebeu no galpão da marinha no setor 5-B do miolo um carregamento de alguma coisa. Ele mesmo não sabia o que era, só sabia que estava lacrado em caixas de madeira.

Enquanto o guarda fazia todo o procedimento de prevenção de crimes, mais conhecido como tortura, com os envolvidos na confusão. Juno se encontrou com o irmão no galpão com duas malas. Por fim, Átila forçou um pé-de-cabra contra as caixas e descobriu a melhor coisa que poderia descobrir.

As caixas continham armas.

Não armas de fogo, como aquela que havia explodido a cabeça de Jody, as armas da caixa eram garrafas que continham um líquido colorido e brilhante, parecia com um soro. Átila as conhecia da escola.

— JUNO! – Ele olhou para a irmã, animado – Você sabe o que é isso, não é?

— Deveria saber? – Respondeu com um rosto de dúvida.

— Sim! A gente viu isso na escola no sétimo ano.

—Desculpa, mas eu não cheguei no sétimo ano.

Átila havia esquecido que sua irmã tinha apenas 10 anos quando deixaram a parte inferior da pirâmide.

—Então eu vou te explicar – E se pôs a gesticular – Os eleitos chamam isso de “Buff” – Era estranho o fato de ele não se considerar um eleito mais – Pelo o que eu me lembro são drogas sintéticas que modificam o seu corpo. Quando se injeta na sua circulação você adquire a característica rapidamente, mas por um curto período de tempo, e quando você bebe você demora adquirir, mas dura mais tempo.

— Como assim “caraterística”, garoto? – Juno perguntou, aflita. Sinceramente ela não havia entendido nada que o irmão falou.

— Poderes – Ele respondeu, fantasioso, isso lembrava de seus videogames. Mas logo sua expressão mudou para uma de dúvida – Mas esse daqui eu não conheço não – disse apontando para as caixas.

O líquido nas garrafas era de um azul brilhante, e uma etiqueta sobre si dizia “Rotãvo”. Não era um dos clássicos, como o de velocidade ou o de força, que Átila conhecia.

Um barulho de motor interrompeu a indagação do rapaz magrelo. O marinheiro de verdade havia chegado. Se ele pegasse os irmãos ali o resultado com certeza não seria bom. Além disso, Átila com certeza não conseguiria enfrenta-lo fisicamente, o medo não permitiria.

— Você estudou sobre isso, não é, gênio? – Disse Juno apontando para as caixas – Estude uma maneira de a gente sair daqui agora.

Notas finais
Eu não to muito confiante nesse capítulo não, mas espero que tenha ficado legal. Dona de Átila e Juno APAREÇA NAS MENSAGENS PRIVADAS. Novamente, liberdade. O que os irmãos devem fazer? Lembrando que Juno é rápida e esperta, e Átila é magrelo e bom de lábia, fora isso nenhuma vantagem. Eu não recomendaria luta física. Boa sorte com isso. Críticas, sugestões, divulgação pra ter mais personagem homem nisso? Qualquer coisa, é só falar nos comentários, eu to de coraçãozinho aberto pra receber tudo que vocês mandarem ♥ Edit1 - Por favor alguém diz que nota as referências dos títulos