Trinity

5 O mercenário e a tagarela


Notas iniciais
OI GALERA Desculpa a demora pra postar, na verdade to bem triste e to doente também. A cnb perdeu a final do cblol e esse capítulo foi um pouco difícil de escrever, envolvia muito diálogo e tal. De todo jeito espero que vocês gostem, e admirem esses dois personagens que por acaso são os últimos dessa segunda fase. Sem mais vamos ao capítulo

A mais alta cordilheira da terra também escondia seus segredos.

Criada em um local inóspito, onde poucos acreditaram que existiria alguma chance de sobrevivência, se ergueu a civilização de Columbia. Seu desenvolvimento inicial se deu ainda durante a guerra, e nunca mais parou.

O maior trunfo da cidade foi a construção de uma cúpula. Ela tinha como função reter o calor do sol para a cidade, então mesmo que a altitude tornasse a região extremamente fria, os habitantes de Columbia conseguiriam sobreviver tranquilamente dentro dela. O clima agradável aliado ao condensador de oxigênio, que aumentava a concentração do mesmo no ar, fazia com que o ambiente não oferecesse nenhuma dificuldade para a vida humana.

Sua arquitetura lembrava o início da idade contemporânea, o século XIX. Só existia um porém: a cidade não era plana. A princípio as construções foram feitas nos espaços entre uma montanha e outra, mas conforme a população ia crescendo e migrantes se aglomeravam no local, as próprias montanhas começaram a ser colonizadas: primeiro o exterior que recebeu a maioria das moradias, existindo construções da base até o topo das mais baixas, mas com o tempo até mesmo o interior rochoso das mesmas montanhas conseguia abrigar dez ou mais famílias.

A noite ali parecia até mais iluminada que o próprio dia. Luzes amarelas e azuis tomavam conta da grande cidade das montanhas.

Na mesma cidade noturna um homem ruivo corria com a respiração rápida e ignorando todos os xingamentos que recebia por esbarrar em alguém, era como se procurasse por algo. Ele havia nascido ali, mas como havia deixado Columbia quando jovem não estava reconhecendo a própria cidade natal, o que realmente dificultava realizar um trabalho de perseguição.

Um tapa olho, um lenço vermelho sobre a boca e toda a parte esquerda visível do braço com uma pele grossa e irregular, como se estivesse queimada. Só esses três pontos já o tornavam “badass” o suficiente para que assustasse criancinhas com o olhar. Estava óbvio que sua profissão não era a mesma de um contador.

Jake era seu nome.

Ele era um mercenário.

Sua jaqueta marrom e seu cordão com plaquetas militares balançavam com o movimento rápido de seu corpo. Mesmo que sua perna esquerda mancasse um pouco, sua velocidade era superior à maioria dos humanos. Ele quase não notou quando esbarrou em uma garota, deixando-a no chão.

—Hey! Presta atenção por onde anda – Ela disse soando irritada, mas com um sorriso sapeca no rosto.

— Desculpe — Jake se sentiu indiferente quanto à trombada, só pediu desculpas por educação. Estendeu o braço para levantá-la, mas ela saiu correndo. O homem teve de raciocinar um pouco para perceber que era justamente ela quem ele estava procurando.

Antes

— Coraline Mason é o seu nome, caso você venha a encontrá-la – O homem de cabelos longos e meia idade explicava – Alta, olhos azuis, cabelos cortados à altura do ombro. Não existem muitas pessoas com esse biótipo pelas bandas de Columbia; se você vir alguém parecido é quase certeza de que se trata dela.

Jake assentiu, o homem ofereceu um bom pagamento pela garota, bom o suficiente para que ele se deslocasse cerca de 20 km, chegasse às cordilheiras e localizasse um alvo fácil.

“Uma oportunidade de conseguir armas e comida não aparece com essa frequência”, pensou o mercenário.

— Sinto ser invasivo, senhor Yan, mas se me permite eu gostaria de saber o que ela fez – Disse Jake, mesmo que a oferta soasse um tanto quanto tentadora ele ainda desconfiava do homem – E gostaria de ver o pagamento também.

— Tudo bem, meu bom homem – o velho se pôs a caminhar sobre a mansão em que estavam, conduzindo Jake para o porão. – Desconfiar de mim é uma boa característica.

O homem de tapa olho ficou calado, não gostaria de dar uma resposta que desagradasse o velho. Apenas continuou o seguindo.

Quando finalmente chegaram ao porão o único olho de Jake brilhou. Dispostas sobre o largo assoalho haviam armas de fogo.

Algo extremamente raro de se encontrar no mundo pós-guerra eram armas de fogo. A maioria delas estava nos países que foram devastados pelas bombas, então encontrar uma naquela região significava poder.

Duas pistolas, dois rifles e quatro fuzis, além de muita munição. Era quase tudo que Jake precisava para colocar seu plano de libertação em prática.

—Posso? – Perguntou ele apontando para uma pistola a sua frente.

— Claro.

Ele pegou a arma e colocou os braços em uma posição favorável para atirar, levemente flexionados para absorver o coice e ter mais precisão no tiro. Mirou em um pilar do porão. Atirou. O estrondo causado pela explosão da pólvora poderia ser ouvido num raio de quinhentos metros, mas só fez barulho para Jake e o velho, pois além deles não havia mais ninguém para ouvir.

— Ótima postura, como aprendeu isso?

Jake se virou para ele.

— Qual o motivo da morte dela valer tanto?

O velho ficou apavorado, era um erro ter deixado o homem pegar a arma. Mesmo assim não demonstrou e disse sorrindo, esperando ser convincente.

— Ela perturba a paz mundial.

— Eu também – Dito isso atirou novamente, dessa vez na cabeça do homem que o iria contratar. A força do tiro foi forte o suficiente para empurrá-lo dois metros para trás, mas agora só Jake conseguiu ouvir o estrondo do tiro.

Agora

— Volta aqui! – Ele exclamou para a jovem que se pôs a correr.

Ela não voltou, e novamente ele se pôs a correr atrás dela.

“Ao menos agora eu enxergo o alvo” pensou o mercenário enquanto perseguia Coraline. Ela também era rápida para o padrão daquela cidade, e se esgueirava rapidamente pelos becos, caixotes espalhados e outros obstáculos.

Jake, por sua vez, derrubava tudo que estava em seu caminho como um touro desenfreado. Correram por todo um nível de altitude de Columbia, até que Coraline foi encurralada.

Atrás dela, um ruivo com a respiração pesada, provavelmente contratado pra mata-la, assim como os outros. Em sua frente uma queda com cerca de vinte metros que dava para um nível abaixo da cidade montanhesca, naquele ponto a única ligação entre os dois níveis era um grosso fio, usado no transporte de dados.

O que Coraline fez deixou o homem paralisado por alguns segundos.

Ela tirou sua blusa, ficando com o sutiã à mostra. Era de um vermelho vibrante, mas ele não entendeu por que havia reparado nisso.

Enquanto ele estava estonteado ela usou sua blusa como suporte e usou o fio como tirolesa, descendo ao nível inferior ao que estavam.

A mulher sentiu a emoção daquilo invadir seu corpo. Precisava ser perseguida assim mais vezes, era divertido. Ela estava tão tomada pela adrenalina que quase não notou que o homem que a perseguia conseguiu realizar a mesma proeza: usar o fio de tirolesa; mas, diferente dela, ele estava encolhido.

Infelizmente para Coraline ele era mais pesado. O ar denso conferia uma elevada resistência do ar, que impedia a garota de descer mais rápido. Por outro lado, a massa superior de Jake aliada à forma que dava ao seu corpo o conferia uma maior quantidade de movimento, o que tornava a descida mais rápida. Mesmo que ela tivesse cinco segundos de vantagem o homem conseguiu alcança-la no ar.

Quando chegaram a plataforma, ambos não conseguiram desacelerar. Infelizmente a garota foi de encontro à parede que estava em sua frente. O homem atrás de si conseguiu parar o movimento se jogando no chão. Ela chocou o joelho contra a quina da porta que dava para um corredor. A dor foi impactante, rápida e latejante.

Ela não ia conseguir mais correr.

Um pouco depois.

Coraline analisou bem o ambiente em que se encontrava. Era uma das únicas casas em Columbia que ninguém conhecia o dono. Ela não entendia como o homem tinha as chaves daquele lugar e muito menos por que ele havia levado ela para lá, já que tinha certeza que sua missão era de assassinato. O estranho é que assassinos não se importariam de vestir seus alvos, muito menos cuidar deles.

A casa era apertada e cheirava a mofo. O cheiro aliado à poeira e a quantidade de insetos que estavam ali denunciavam que aquela casa não estava habitada há muito tempo. Coraline estava deitada em um sofá empoeirado, fugir dali com o joelho machucado era impossível; ao menos o homem havia feito a gentileza de lhe dar alguns analgésicos e limpar a poeira com uma manta, mas ela parecia mais empoeirada que o próprio sofá.

—Lugarzinho meia-boca, hein – Coraline disse com um tom crítico – Não existem lugares melhores para se levar uma mulher nessa cidade?

Jake ignorou o comentário e enquanto retirava o lenço que cobria seu rosto perguntou em um tom sério:

— Coraline, não é? — Agora era possível ver o seu rosto completamente. Existia ali uma barba ruiva por fazer no lado direito do rosto, os olhos eram azuis e ele mantinha uma expressão séria. Jake poderia até ser considerado bonito, mas lado esquerdo de seu corpo era bizarro. Não era só o braço que mantinha um aspecto queimado, o rosto e pernas também.

— Pode me chamar de Cora, eu dou esse direito para aqueles que não me matam. E você é?

— Jake.

— Ok, Jake, posso perguntar o porquê das queimaduras?

— Não.

— Ué – Cora não esperava por essa resposta – Mas ao menos tenho o direito de perguntar por que não me matou, não é?

— Isso você tem – Respondeu sério – Mas antes eu quero saber por que estão querendo você morta.

Não havia motivo para ela desconfiar do homem. Primeiro que ele havia tido a oportunidade de matá-la e não o fez, segundo que ele estava passando uma atmosfera de que não eram verdadeiros inimigos. Ainda assim ela não iria confiar totalmente nele.

— Eu sei demais.

— Defina “demais”.

— Me responda antes.

Jake respirou profundamente, provavelmente seria difícil de lidar com ela.

— Eu não te matei porque matei meu contratante – explicou – Quando perguntei o que você tinha feito ele disse algo sobre perturbar a paz mundial. Eu sei que essa paz não existe, então deduzi que você saberia o que ele quis dizer com isso. Além disso, eu tenho minhas dúvidas sobre o que está acontecendo com a democracia de Columbia.

Coraline ficou surpresa, a maioria dos mercenários não criticaria e muito menos mataria quem o contratou.

— As pessoas que vivem aqui são alienadas – A moça se pôs a explicar – Elas acreditam que por viverem em uma sociedade aparentemente “perfeita” ela não possua seus defeitos. Elas aproveitam sua vida boa dentro das montanhas e ignoram o resto do mundo.

Jake queria saber onde aquela conversa ia dar.

— Continue – Disse o homem do tapa-olho.

— Você já se perguntou onde o exército de Columbia esteve nos últimos três anos? Ou mesmo por que a nossa cidade tem batedores, mesmo que a sede da democracia conheça todo o terreno em um raio de quatrocentos quilômetros?

— Sim, mas gostaria que você me explicasse.

— Nós matamos refugiados de Atlântida, Senhor Mistério – O que ela disse confirmou as teorias de Jake – E muito além de matar, os torturamos para conseguir informações sobre Atlântida. E adivinha onde está a parte da frota que não está matando os continentais? Dica: ela não está defendendo a cidade de possíveis ameaças de mutantes e esse tipo de coisa.

— Eu não sei

— Eles estão em Telúria. Estão em um local a milhares de quilômetros daqui, capturando nativos que nunca fizeram nada contra nós.

— Você sabe por que estão capturando?

— Lavagem cerebral. Alguns experimentos psicológicos e treinamento militar. Não entendi muito bem, mas parece que existe uma espécie de arena onde eles lutam entre si. Mas afinal, por que você tem tanto interesse nisso? Ninguém além de mim nunca havia sequer pensado na possibilidade de Columbia ser “do mal”.

— Acho que eles levaram meus companheiros para essa “arena” alguns anos atrás. Desde aquele momento eu venho procurando alguma confirmação sobre. Obrigado por explicar, agora você pode ir.

— Como assim “posso ir”, eu simplesmente te contei os podres dessa cidade e você me trata desse jeito? Um pouco de respeito às minhas informações, senhor.

— Pode ir. Ou você quer procurar eles comigo?

Notas finais
Opa! Então, senhoritos donos do Jake e de Coraline, espero vocês nas Mp's. Coraline só tem que decidir se vai acompanhar Jake ou não. Desculpa por não ter colocado decisões e/ou estratégias pra vocês, mas o que eu pensei para o capítulo realmente não permitiu. Por outro lado Jake tem armas, mas como a caminhada para a arena deve ser um tanto quanto cansativa ele não vai poder levar todas. Vamos estabelecer o primeiro sistema de itens aqui então. Jake tem uma força de 250, enquanto Cora tem 175. As armas que ele adiquiriu matando o velho e respectivos pesos são: —Rifle - 100 — Fuzil - 150 — Pistola - 50 cada — Granada - 25 Cada pack de munição de 20 balas tem peso 20 também. Além disso, recomendaria guardarem 50 do peso disponível para carregar suprimentos. É isso, espero que tenham gostado Aliás, Jader, você pode comentar nesse capítulo dizendo se peguei ou não a essência do seu personagem. Até EDIT1 = Habilidades artísticas 2