Trinity

8 E eu tô pegando a sua irmã


Notas iniciais
Opa! E aí, tranquilos? Eu to de boa, obrigado pela atenção. Esse foi um dos capítulos mais divertidos de escrever, de verdade, então espero que gostem dele, a dona do Átila teve uma sacada genial que ajudou muito na composição desse capítulo. E ah, parabéns atrasadíssimo pra uma leitora muito querida. Feliz aniversário Kyra Sobre as referências eu gostei da brincadeira, vou colocar as do capítulo passado aqui. — O título é de um filme que chama "Desafiando gigantes", e eles estavam desafiando um gigante, saca. — Biuuur — Escravos de jó — Derrubar árvores (no ibiapuera, o Bambam faz isso sim) Aliás, como o mundo é o mesmo, dá pra usar coisas do mundo antes da guerra como base. Então, assim como nós comparamos alguém que tem um topete bolado com o Elvis, eles vão sim, comparar homem com o cabelo grande com o Safadão god. Sem mais, espero que gostem.

Átila se sentia paralisado de medo.

O barulho do motor felizmente havia denunciado a chegada do marinheiro a tempo de pensarem em alguma forma de fugir. Pelo que sabia, eles tinham cerca de dois minutos até que o homem conseguisse destravar a segurança do local e chegar até eles.

Tinham que agir rápido.

Átila teve um raciocínio veloz, mas não muito eficiente. Olhou novamente para Juno, que ainda se prostrava a sua frente como se esperasse alguma reação.

— A gente pode se esconder ali – disse Átila apontando para algumas caixas vazias em algum canto do galpão onde estavam – ou a gente pode usar isso aqui – virou-se para os frascos do buff azul.

Juno ponderou por um momento sobre as opções apresentadas. Eram muito simples, ineficazes. Ela sabia que o irmão seria capaz de montar um plano de fuga genial, mas provavelmente ele estava com medo. De novo com medo.

— Não – ela disse rapidamente, não podia perder tempo ali – não vai dar não. Ele vai notar que alguém abriu essa caixa, e vai procurar a gente. Se não percebeu, não existem muitos lugares pra se esconder nesse galpão além das caixas que você falou. Além disso, você mesmo disse que esse líquido demora fazer efeito se bebido, não é? Eu não tenho nenhuma seringa aqui...

Átila ficou parado, decepcionado. Mas ele mesmo já sabia que suas sugestões foram medíocres. Faltava apenas um minuto para que o marinheiro chegasse onde os dois estavam.

Provavelmente iam ser pegos.

E mortos.

— Foda-se – Juno disse, movimentando os braços, aflita – coloca os frascos na mochila. Eu vou tentar fazer uma coisa. — o que ela havia pensado era arriscado e provavelmente não era a melhor opção para o momento, mas com o desespero tomando o corpo do irmão não havia muito mais para se fazer.

Átila obedeceu rapidamente às ordens da irmã mais nova, afinal, se dependesse dele provavelmente morreriam.

E Juno colocou seu plano em prática

— Você é bem esperta, garota – dizia uma mulher extremamente bonita. Por mais que os continentais de Atlântida fossem a classe mais pobre da estrutura social da cidade, a sua maioria tinha uma linhagem provinda de classe média ou alta no antigo mundo, tanto que conseguiram sobreviver a guerra. Mesmo sendo tratados como servos, ainda eram orgulhosos e mantinham alguns costumes do antigo mundo, como a vaidade.

A mulher tinha longos cabelos pretos, a pele era parda e bronzeada de sol. Seu rosto era fino e um tanto quanto bonito. Não fosse pelos seus olhos azuis era possível compara-la com uma nativa da América do Norte. Era magra, mas voluptuosa. Todos os seus movimentos tinham um tom de sensualidade inserido, até mesmo a sua voz tinha um timbre que provavelmente deixaria um homem louco.

E parecia tão natural que era impossível de perceber que todos esses movimentos eram forçados. Mas ela se acostumara a força-los por tanto tempo que havia se acostumado com eles.

Era uma prostituta.

Era a primeira pessoa que ofereceu abrigo aos dois irmãos desde que ambos foram largados no setor 5-B.

5-B.

Não era o melhor setor para recomeçar a vida do zero.

—Mesmo assim não é sorte eu ter encontrado vocês antes daquele marinheiro – a morena continuou. Mesmo que ela tivesse essa profissão, Juno sentia que ela não era uma pessoa ruim. Átila estava distraído demais para prestar atenção na fala, e muito menos para ligar para quem era ela, na verdade ela os salvou de outra surra e isso já era o suficiente para que seja uma pessoa boa – eu fiz um “favor” para ele e ele fez um favor pra mim. Prometeu deixar vocês em paz por enquanto.

Mesmo tendo apenas treze anos na época, Juno já entendia como essa questão da sexualidade estava inserida no setor. Átila já havia explicado que ela devia se vestir e portar como um menino para evitar futuros problemas.

Mais especificamente: estupro.

A ética não era algo muito comum ali, e isso vinha tanto dos eleitos que “policiavam” o local: os marinheiros, quanto dos próprios moradores. Na verdade, viver entre os moradores que roubavam e se matavam o tempo todo era mais seguro que viver perto dos marinheiros.

Abuso de poder não era algo raro. Na verdade era mais comum do que poderia se imaginar.

E isso afetava toda a sociedade local. Todas as atividades se voltavam para o único propósito de sobreviver. Sobreviver ao seu próprio grupo, mas principalmente sobreviver aos marinheiros.

Boa parte das mulheres do 5-B se viu perdendo parte do orgulho remanescente do antigo mundo. Tornou-se comum fazer sexo em troca de uma semana de alimento, ou menos. Até os próprios maridos de tais mulheres tiveram que passar a aceitar tal humilhação.

Ou era isso ou morriam.

O abuso de poder era frequente.

O abuso de poder era frequente.

E isso fazia parte do plano de Juno.

O medo no corpo de Átila deu lugar ao estranhamento quando viu sua irmã tirando o largo moletom que escondia o seu corpo, ficando apenas com uma blusa que marcava suas curvas. Mesmo que seu irmão fosse magro, Juno não era. Ela realmente usava o moletom para esconder as curvas, e existiam curvas para serem escondidas.

— Que merda é essa? – ele perguntou espantado, ainda não havia entendido o que estava acontecendo ali. Por que caralhos a irmã estava se despindo?

— Joga a mochila para um canto – ela ordenou. Mesmo que ainda não entendesse nada, Átila apenas obedeceu. — a gente tem cerca de quinze segundos. Tenta tampar seu rosto para ele não te reconhecer, eu acho que vai dar certo.

— O que vai dar certo, porra? – perguntou irritado enquanto a irmã bagunçava os cabelos curtos e limpava a sujeira do rosto, ganhando um aspecto feminino. Ela estava usando aquele olhar de raposa que Átila conhecia bem, agora ele não sabia se estava mais receoso com relação ao marinheiro que estava chegando ou com a irmã.

— Você vai entender – disse enquanto se distanciava da caixa de onde roubaram os buffs e se aproximava do próprio Átila.

A porta se abriu.

Juno agarrou o irmão e o puxou para perto de si. Antes que ele pudesse esboçar qualquer tipo de reação ela colou seus lábios nos dele e logo passou a pedir passagem com a língua.

Átila finalmente entendeu o plano e retribuiu o beijo que irmã lhe dava. Era estranho, sim. Poxa, essa história de ser muito ligado à família não queria dizer que o jovem queria que segunda mulher que beijasse na vida fosse a própria irmã.

A única cena que o marinheiro viu foi a de um funcionário menor beijando uma prostituta. Estranhamente ele estava com o suas roupas. Enfim ele compreendeu.

“Todas as putas da região querem dar para o papai aqui” – pensou ele, enquanto analisava a cena sem interromper – “garoto esperto esse, fingindo que sou eu pra comer essa daí”.

Mesmo que admirasse a astúcia do rapaz que estava a sua frente, o marinheiro não podia deixa-lo sem uma punição. Roubar de um oficial com patente mais alta era um crime assim como utilizar das instalações da marinha para atos libidinosos. Claro que ele próprio já havia descumprido essas normas, mas isso não vinha ao caso. Ele iria aliviar para o rapaz.

— Oficial Zé, não é? – o marinheiro perguntou em um tom irônico. Ele mesmo era o Oficial Zé. — aproveitando o momento? – perguntou enquanto se aproximava do casal.

Ele não obteve resposta do garoto, por outro lado, ele só parou o beijo e olhou para o Oficial de verdade; aparentemente com medo. O silêncio esboçava bem o que o garoto provavelmente sentia.

Cinco segundos depois, quando o rapaz provavelmente diria algo ele foi interrompido por um bofetão forte no rosto. Forte o suficiente para arremessar o farsante no chão, o gemido que deu confirmou as expectativas do oficial de que havia sido doloroso, mas não podia acabar por aí. Com um pouco menos de força, golpeou a prostituta que estava do lado do mesmo, mas ela aguentou o suficiente para apenas cambalear.

— Você devia se envergonhar – disse diretamente para o garoto magrelo no chão – sua puta é mais forte do que você, rapaz.

Logo após ele foi até o chão, tirou o seu casaco do corpo do rapaz e colocou em si mesmo. Levantou-se e desferiu um chute forte no meio do peito do mesmo garoto.

Ele provavelmente havia ficado sem ar com o chute.

Foi uma boa lição, ele provavelmente não iria mais fingir ser o Oficial Zé.

O marinheiro olhou para o casaco, era um dos mais antigos. Ele o utilizava mesmo antes de subir sua patente. Sobre o peito esquerdo estava bordado seu antigo nome.

“Dadinho”.

Átila olhava para o oficial que olhava para o casaco roubado. Ele estava dolorido e atordoado com a surra que acabara de levar; era incrível como qualquer porrada, por mais que fosse leve, o derrubava.

Mas essa não foi leve, e o derrubou.

Mas não o matou. O plano deu certo.

Ele olhou pra Juno, que tampava o rosto escondendo a parte onde levara a bofetada. Provavelmente ficaria uma marca ali.

Átila sentiu ódio do homem que estava a sua frente, e sentiu vontade de mata-lo. Mas por mais que estivesse no ápice de sua coragem, qualquer ação dele poderia jogar o plano no lixo. Ele preferiu ficar quieto, esfriou a cabeça e disse fingindo estar apavorado:

— Des.. descu... Desculpa oficial, isso não vai acontecer mais.

— Você é esperto – o homem se voltou para ele, que ainda estava no chão – Mas não é tanto – E o chutou novamente, dessa vez na perna direita. Átila sentiu a dor atravessar toda a sua carne até chegar ao osso, para posteriormente se espalhar por toda a região da coxa. — Pega a sua puta e sai daqui agora.

— S.. Sim senhor! – O rapaz se levantou com dificuldade enquanto Juno colocava a mochila nas costas. Ela o ajudou a caminhar de uma forma carinhosa, o que causou estranhamento no marinheiro.

— Rapaz, ela é só uma puta. Não se apaixone. Existem várias outras por aí.

O ódio subiu aos olhos do rapaz, que provavelmente revidaria verbalmente se não fosse interrompido pela irmã, que disse friamente.

—Eu já disse isso a ele. Além do mais ele tem o pau pequeno.

O comentário causou uma crise de risos no oficial, que simplesmente abriu a porta para que os dois saíssem; ele nem notou o quão estranho era aquele moletom no chão do galpão.

Só não era mais estranho que aquelas caixas vazias.

—Pau pequeno é? – Átila perguntou, irritado. Os dois já corriam para seu esconderijo, já estavam a uma distância considerável do galpão onde foram pegos, já era possível diminuir um pouco a velocidade e conversar sobre o que havia acontecido – Que merda foi aquela que você fez Juno?

— Salvei nossas vidas.

— Precisava ter tirado a roupa e me beijado?

— Na verdade precisava sim

Átila ficou calado, ainda irritado. Ele não havia concordado completamente com os métodos da irmã. Claro que ela havia salvado a pele dos dois, mas foi estranho.

Muito estranho.

— Para de ser chato, você gostou – Juno disse dando uma piscadela para o irmão – Será que eu sou melhor que aquela menina eleita lá? Qual era o nome dela mesmo? Joana? Ana? Era algo assim.

— Cala a boca, Juno, você é doente da cabeça.

Ambos riram.

A raiva de Átila havia passado, analisando os fatos havia sido divertido enganar aquele cara, ele foi legal. Menos para sua perna, ela ainda doía, mesmo que o sorriso estivesse no rosto do rapaz.

Ele desacelerou um pouco, o suficiente para olhar para a mochila que a irmã carregava. O que estava ali dentro valia muito dinheiro, e além disso dava muito poder. Poder suficiente pra ele fazer o que quisesse. Mesmo que ele não soubesse especificamente o poder que o frasco concedia.

Eles podiam levar para um laboratório podre, de alguns continentais velhos que antigamente eram químicos, ou vender tudo no mercado negro.

Átila só sabia que não precisaria mais ser um golpista depois disso.

—Então, “senhorita Lannister”, vai fazer o que com isso?

Notas finais
Como todo mundo só pegou as ref da musica e do bambam, acho que ninguém pontuou D:Mas eu amo os comentários de vocês, sem brincadeira, responder é muito divertido e nos aproxima. Obrigadão, de coração, pra todo mundo que gasta seu tempo lendo isso e "falando" comigo. Isso me deixa bem feliz. Novamente, deixando a criatividade da leitora dona dos caras tomar o rumo da história, ela pode fazer qualquer coisa (inclusive nada[Salve seu Schneider]), desde tentar uma revolução foderosa até vazar de Atlântida. Me surpreenda Bom é isso, espero que tenham gostado, e desculpa pela demora ♥ Ps-Tava ruim pra mim ver com 1994 palavras, arredondei pra 2000 :D Ps2 - Esse desenho é meu xodó