Trinity

12 Carga pesada - Parte 2


Notas iniciais
Nas notas finais tem muita enrolação, aqui vai ser pouco. Demorei um dia a mais por causa do meu irmão mesmo, a gente saiu nesses dois dias, basicamente escrevi tudo hoje. Desculpas por isso, e espero que gostem

Helena estava nervosa com relação ao plano. Ela estava confiante que conseguiriam fugir dali, mas ainda assim se sentia receosa, algumas partes do plano envolviam embate direto contra os guardas, e isso a preocupava. O objetivo inicial seria tomar posse do caminhão em segurança, sem que nenhum prisioneiro se machucasse, e nesse quesito sua confiança era menor.

Ela teria de agir rápido e ser discreta. Com toda a certeza a movimentação chamaria a atenção dos vigias, que se escoravam sobre a porta do caminhão. Além disso, ela teria que ser ágil e furtiva o suficiente para conseguir alcançar a cabine e tomar posse do veículo.

Ela poderia apenas deixar os guardas sobre o deserto e acelerar para sua liberdade junto com os outros prisioneiros. Não fosse pelo detalhe de que ninguém ali sabia dirigir.

A caçamba estava abafada o suficiente para que o suor escorresse pelo rosto, mesmo sem se movimentar.

A possibilidade de haver um guarda disfarçado entre eles, se passando por prisioneiro e esperando para denunciar fugitivos em potencial, chamou a atenção de Helena. Ela não poderia confiar em qualquer pessoa. Nesse momento percebeu que não conhecia quase ninguém ali, só a irmã de Dominic.

Ela iria ajudar.

Leah estava próxima de Helena, e foi relativamente fácil convencê-la a participar do motim, provavelmente já pensava em fugir dali. A mulher explicou que tinha um canivete preso a cintura, e que seria fácil de pegá-lo e soltar as cordas, mas que precisariam chamar a atenção antes.

A garota sugeriu a possibilidade de Brutus, outro jovem da vila de Dominic, ajudá-las. Disse que mesmo antes de capturarem Helena, já haviam conversado sobre a possibilidade de escapar dali. Helena reparou na estrutura física do rapaz para quem Helena apontava discretamente, e se assustou. Brutus chamava a atenção, ele era enorme. Não era apenas alto e magro, como todos os outros jovens presos.

A mulher se sentiu um pouco mal por categorizar assim, mas não existia outra definição: ele era gordo. O rapaz provavelmente tinha um pouco mais de dois metros, e passava com facilidade dos cento e cinquenta quilos. A composição da sua massa ia além dos músculos: tinha um bom índice de gordura ali. Apesar disso, Helena tinha certeza que nunca havia visto alguém tão forte fisicamente quanto ele.

Apesar de o biótipo ser estranho para aquele lugar, e consequentemente ameaçador, Brutus tinha um sorriso simpático em seu rosto. Ainda que estivesse preso contra a sua vontade ele parecia enxergar algum lado bom naquilo, Helena só não conseguia entender como.

Mesmo que estivesse desconfiada, deixou que Leah contasse seu plano pra ele, discretamente. Observou os dois enquanto conversavam, e de tempos em tempos recebia olhares de volta.

Helena não resistiu em apelidá-lo carinhosamente de gordinho. Durante a conversa dele com Leah ela percebeu algumas mudanças bruscas em sua expressão facial. Primeiro ele ficou assustado, depois passou a assentir com as afirmações da garota. Ao fim da conversa seu olhar passou a apresentar uma confiança, mas ainda assim parecia receoso. Era difícil definir.

Até o momento nenhum dos guardas havia percebido nenhuma mudança. Era algo comum os prisioneiros conversarem baixo entre si, e esse tipo de atitude não era reprimida. Helena era a mais próxima dos guardas, a cerca de dois metros. Eles estavam em pé, lado a lado, em frente à porta que dava ao exterior do caminhão. Cerca de dois metros a frente deles, estava Helena, com Leah a seu lado e Brutus um pouco atrás.

Enfim, o plano havia começado.

Helena fingiu cansaço, o suficiente para que seu corpo se curvasse para os guardas, deixando a sua cintura o mais próxima possível de Leah. Logo que sentiu a ausência do canivete ela levantou seu corpo, ainda que tivesse que se manter sentada por causa das cordas. Ela precisava distrair os vigias para que Leah pudesse soltar Brutus.

Com cansaço fingido, Helena disse em voz alta, na intenção de puxar a atenção de todos para si:

Oi! Guardinhas! – ambos voltaram seu olhar para ela, assim como boa parte do caminhão. Caso houvesse algum infiltrado nomeio dos prisioneiros, ele também iria se voltar para ela, assim Leah não teria nenhum problema – Eu sinto dizer pra vocês, mas eu preciso ir ao banheiro!

Helena recebeu um olhar de repressão de ambos, mas mesmo assim não disseram nada. Os outros prisioneiros, por outro lado, resmungaram frases como “eu também”, ou “para onde vamos?!”.

Isso atiçou os guardas, que pediram silêncio imediatamente, ou então iriam machucar alguém. Os resmungos cessaram exatamente no momento em que Helena sentiu um pé cutucar suas costas. Leah e Brutus se soltaram.

Helena se voltou para Leah, ficando de costas para os guardas. Ouviu a garota sussurrar enquanto cortava as cordas que amarravam seus pulsos.

Mentir sobre o banheiro foi genial, muita gente aqui está nessa situação.

Depois que as mãos foram desamarradas ela sussurrou de volta, com o suor escorrendo sobre seu rosto bonito:

— Eu não estava mentindo.

Dito isso Helena não conseguiu segurar um peido.

É, um peido.

É um peidinho de nada” — pensou “nem fez barulho, ninguém vai notar”.

Notaram.

O mau cheiro logo tomou conta do ambiente fechado. Os outros prisioneiros resmungaram, o calor parecia fazer com que o fedor se intensificasse. Chegou aos guardas e eles olharam diretamente para Helena, afinal, ela era a primeira pessoa que havia reivindicado o direito de ir ao banheiro. Ela disfarçou as cordas cortadas escondendo as mãos atrás de suas costas e fazendo um rosto de desespero.

— O que eu poderia fazer, senhores? – Ela disse, ironicamente e com medo na voz. O plano era desamarrar pelo menos metade das pessoas que estavam ali antes de começar um tumulto, e em meio ao tumulto eles tomariam o caminhão. O peido havia estragado isso. – Eu disse que precisava ir ao banheiro.

Um dos vigias, provavelmente o que menos tinha senso de humor, olhou para ela. Helena pode ver, sobre o vidro fumê do capacete, um rosto raivoso. Ela se lembrou dos nomes que ouviu quando apanhou pela primeira vez, João e Pedrinho.

Aquele era o Pedrinho, ela tinha certeza. Quanto ao outro vigia, ela não fazia ideia do nome.

Helena tinha total certeza de que iria apanhar novamente. Pedrinho seguiu em sua direção enquanto puxava um cassetete de sua vestimenta branca. Não fosse por Brutus ela iria ter sérios problemas ali.

O rapaz levantou-se muito mais rápido do que seria esperado para seu corpo. Ambos os guardas ficaram surpresos com a ação, Helena só não sabia definir se o motivo era a velocidade ou o fato de ele não estar amarrado.

Pedrinho parou de andar, e antes mesmo que pudesse ter alguma reação, o rapaz passou por ele, ignorando-o. Observou o guarda que ainda estava na porta da caçamba, e pulou sobre ele como um jogador de futebol americano faria, gritando:

Pelo direito de cagar!

O impacto e a força foram tão grandes que logo que colidiram com a porta, ela se abriu, fazendo com que os dois caíssem sobre a terra seca e amarelada.

A uma velocidade de aproximadamente cem quilômetros por hora.

Tanto a cabeça de Brutus quanto a cabeça do guarda se chocaram contra o chão. O rapaz estava sem capacete, e a velocidade e a inércia fizeram com que o atrito fosse mais intenso.

Helena não teve certeza, mas não viu nenhum dos dois, rapaz ou guarda, se mover depois que caíram.

X-x-x

Dominic estava indo rápido demais, sabia que qualquer deslize com a moto naquela velocidade significaria a morte dos três que estavam em cima dela. Seria humanamente impossível carregar três adultos em apenas uma moto, mas aquele sapo-boy ainda era relativamente pequeno, como se fosse uma criança.

Além disso, Sky não ficava muito para trás. Seu corpo era pequeno e magro, o que fazia ela ocupar um espaço bem menor do que qualquer garota da sua idade ocuparia. Ela segurava com força o corpo de Dominic, de qualquer outra forma seria fácil cair dali. Glenn cruzou seus braços pegajosos sobre a barriga da garota com o mesmo objetivo: ficar em cima do veículo. De início Sky achou extremamente nojento, mas depois se acostumou.

Em altas velocidades e sem capacetes ou mesmo qualquer tipo de roupa apropriada. O clima natural dali era quente, e provavelmente a temperatura ambiente não era inferior a 37°C, mas todos estavam com frio.

O vento esfriava rapidamente a transpiração natural dos seus corpos, fazendo com que a sensação térmica abaixasse. Isso era ainda mais prejudicial à Glenn, considerando que sua pele é naturalmente úmida. Ele deveria estar sofrendo, mas não foi ele que Reclamou.

Foi Sky. A dificuldade de falar era visível. Sempre que abria a boca o ar esntrava, e ela não conseguia falar. Até o momento que escondeu o rosto atrás do corpo de Dominic, se escondendo do vento, e disse ainda com dificuldade:

— Vai mais devagar, Porra! Tem um sapo tremendo aqui atrás de mim! Eu vou colocar esse sapo para tremer atrás de voc...

Ela não conseguiu terminar a frase. Foi interrompida pela visão de um corpo no chão.

Dominic freou a moto bruscamente até parar completamente ao lado do corpo, o que gerou xingamentos por parte de Sky, que teve que segurar seu corpo para não ser arremessada.

Ele voltou os olhos paro o chão e percebeu que o corpo era de um rapaz grande; lembrava um garoto gentil da sua vila. Quando olhou para o rosto teve a confirmação: era Brutus. Seu rosto estava desfigurado, as marcas e o rastro de sangue no chão denunciavam que ele fora esfolado. O sangue ainda estava quente, e começava a se coagular sobre a pouca pele e carne que ainda restavam na face.

Dominic imaginou o que poderia ter feito aquilo, e buscou qualquer pista que apontasse a causa da morte do rapaz. Apesar do nome, Brutus era uma ótima pessoa, mesmo que ele fosse muito mais amigo de Leah do que seu.

O asfalto estava apenas manchado de sangue, mas cerca de trezentos metros a frente existia algo que o interessava mais que o gordinho morto no chão. As marcas de pneu sobre o chão apontavam para uma preada brusca. No fim das marcas se encontrava um caminhão parado, com as portas da caçamba abertas. Ao que parece estava acontecendo alguma confusão ali, mas era impossível distinguir daquela distância.

Dominic voltou seus olhos para seus companheiros. Sky já parecia perceber o que ele queria dizer antes mesmo que ele pudesse abrir a boca, o que poupou as palavras do rapaz. Glenn não o entenderia, além disso, ele parecia receoso.

Ele estava com medo.

Dominic tinha plena certeza de que a irmã estava naquele caminhão. Ele teria corrido diretamente para lá tentar ajudá-la se Sky não tivesse segurado seu braço.

—Você está louco, amigo? – ela o repreendia com as palavras e com o olhar – Não é muito esperto correr pela estrada. Assim como nós podemos ver eles de longe, eles também podem te ver de lá. Eu também tenho amigos lá, mas olha – apontou para uma mata fechada que estava ao lado do caminhão parado – a gente pode ir por ali, se isso for uma armadilha vai ser mais difícil de eles pegarem a gente.

Dominic não acreditava que matariam um dos jovens mais fortes e gentis da sua vila para uma simples armadilha, mas decidiu seguir o conselho de Sky.

x-x-x

A floresta era suja e fétida, e se tornava um tanto quanto mais incômoda com a respiração pesada de Dominic, ele estava muito impaciente para aquele local fechado.

Era fácil para Sky passar por entre as árvores, o espaço entre elas era relativamente grande. Ainda assim o homem de cabelos azuis teimava em esbarrar em cada árvore que via, fazendo muito barulho. “Ainda bem que escolhi passar por aqui apenas para não sermos vistos” pensou Sky “se o objetivo fosse silêncio Dominic já teria estragado tudo mesmo”

Chegaram a margem da mata em segurança. Ela ficava a cinco metros da rodovia de onde o caminhão estava. Como aquele era um lugar inabitado e no meio do nada, ninguém esperava que alguém saísse dali, por isso não se deram ao trabalho de observar aquelas árvores sequer uma vez.

Sky observou o que estava acontecendo ali. Três dos quatro homens de branco que ela havia visto na invasão à vila de Dominic estavam ali. Um, deles estava tentando estancar um sangramento na barriga. Ele pressionava uma espécie de corte com as mãos e com força, manchando-as com o sangue que teimava a escorrer. Ele estava sem capacete, e para Sky era relativamente bonito. Sua expressão demonstrava dor e desespero.

Os outros dois estavam armados.

Um deles estava de pé, de frente a um grupo de joelhos. Apontava um fuzil para eles, como se ameaçasse atirar a qualquer movimento que fizessem.

O outro estava de frente a Leah, a irmã de Dominic, com uma pistola em mãos. Ele estava discursando algo. Todo o ambiente estava silencioso, só ele falava. Sky conseguiu ouvir:

— Nossa missão era apenas capturar vocês e levá-los em segurança para o exército, apenas isso. Era simples, não precisaríamos machucar ninguém. Já fizemos isso centenas de vezes sem haver nenhum problema. Mas ela – ele apontou para uma mulher no grupo que estava de joelhos, Sky reconheceu Helena – começou a ir contra o nosso padrão. Por algum motivo ela mentiu que era a única moradora na vila, forçando-nos a matar todos os outros.

Ouvindo isso Helena gritou e tentou se levantar, foi interrompida por uma forte coronhada do outro guarda, que a fez cair no chão.

O que falava apenas a observou e continuou:

— E pelo visto ela encontrou ajuda – voltou seus olhos para a garota de cabelos azuis a sua frente, apostando sua arma diretamente para a cabeça dela.

Sky virou-se para Dominic, para ver a reação do homem diante da situação. Ficou pouco surpreendida em ver que ele já não estava mais lá, ele correu para tentar salvar a irmã.

— Desculpe-me, querida. Eu sei que você nem estava muito envolvida nisso, mas nós pagamos por erros que não são nossos. – e atirou.

Leah caiu de joelhos no chão, a bala cravou-se em seu crânio com delicadeza, de forma com que o buraco em sua cabeça fosse exatamente do tamanho do projétil. O sangue escorria por sua testa.

Dominic pareceu possesso de raiva, e antes mesmo que o guarda pudesse perceber ele já havia sido desarmado e tomado um tiro na cabeça.

Já no primeiro estrondo ele já estava morto, mas Dominic descarregou todos os projéteis do revolver de seis tiros na cabeça do homem de branco.

O outro, que era João, se distraiu com o som dos tiros e se assustou quando viu seu companheiro morto no chão. Todos os que estavam ajoelhados aproveitaram essa brecha para desarmá-lo, mas diferente de Dominic eles não atiraram.

Eles espancaram João até a morte.

Bateram sua cabeça contra o chão, urrando como animais, enquanto o homem gritava frases como ”Me soltem”, “Eu fui convocado para essa missão”, “Por favor não me matem, minha família” e “Eu nunca quis fazer isso”.

Depois de um tempo ele não conseguia mais gritar. Mas a vida só saiu de seu corpo quando empalaram-no com seu próprio cassetete.

Sky ainda observava tudo, assustada. Mas ela conseguia entender a selvageria daqueles prisioneiros.

Glenn chegou de mansinho a seu lado, o que a assustou um pouco, e se esforçou para dizer, baixinho:

— O homem é mau.

Ela não conseguiu distinguir se o garoto sapo falava do homem que morreu em sua frente ou da própria humanidade.

Notas finais
É bem provável que tenha alguns erros de revisão, qualquer coisa me apontem. Hey, obrigado por acompanhar até aqui. Temos uma notícia meio triste: A frequência de postagem vai diminuir para uma vez na semana. Acontece que minhas aulas começam amanhã, então eu já vou começar a estudar pra caralho de novo né. Eu só não vou deixar de escrever porque é um passatempo que estimula minha imaginação e argumentação, além disso eu tenho um contato direto com as pessoas maravilhosas que são vocês. To tão focado que exclui wpp, destivei o facebook e vou parar com o snap. A única coisa que vai restar é o Nyah e minha segunda conta do instagram, que se quiserem me seguir é só perguntar. Geralmente eu posto uns bagulho motivacional e foto minha pelado, já que é bem private mesmo. De toda forma vamos pras decisões, que tem que ser por MP. —Helena é a lider, ela tem que decidir o que vai fazer. O homem que tava sangrando ainda não morreu, você pode tentar salvar ele (suponhamos que você conhece um cara) ou terminar de matar. Lembrando que ele pode ser ou não importante. Você tem que decidir como liderará o grupo. Quer descobrir quem fez isso, por quê, e blá blá blá ou só quer continuar fugindo? O que vai fazer com o caminhão? — Dominic e Sky tem que decidir se vão seguir Helena ou não. Querem palpitar no que ela deve fazer? ?Se não forem com ela vão fazer o que? Aliás, quando eu mandei escolher L ou D, era pra você decidir quem morria. L ganhou. D era o Dante, que agora tá vivão. Vou fazer isso sempre, mas mudando o método. As aulas voltam daqui sete horas e meio então vamos deixar a playlist da vida até o enem, ouçam se quiserem se sentir igual eu. https://www.youtube.com/watch?v=gH476CxJxfg https://www.youtube.com/watch?v=4zLfCnGVeL4 https://www.youtube.com/watch?v=ijZRCIrTgQc To bem triste Até