Trinity

11 Carga pesada - Parte 1


Notas iniciais
Oi "Nossa que oi cara de pau, vc sumiu e fala assim?" É UHAUHSAUHAS Mas agora sério, me desculpem por ter sumido esses dias. Acontece que meu irmão veio passar uns dias na minha cidade, e ele mora meio que muito longe. Daí eu fiquei sem tempo pra nada, já que a gente sai muito de madrugada, e durante o dia eu ia na casa da antiga família da esposa dele, que fica em uma cidade aqui do lado (Rio Verde). De todo jeito, o cap ficou pequeno, mas ele serviu pra mim dar um sinal de vida. O próximo capítulo já vai ser a parte 2 e eu vou postar o mais rápido possível, ok? Eu não vou desistir da fic. Espero que gostem

O plano de Helena teria dado certo.

Todos os que estavam presos no caminhão iriam conseguir escapar sem nenhum arranhão, e muito provavelmente tudo isso, de baterem sua cabeça contra uma árvore e te capturarem, não passaria de um susto.

Mas não foi assim que aconteceu.

x-x-x

(ouçam isso nas narrações do Glenn, e sintam a referência preencher seu corpinho)

Glenn não entendeu o fato de sua barriga ter se recuperado.

Na verdade ele não entendeu muita coisa depois que foi atropelado. Por um momento achou que estava morto, já que sua cabeça “desligou”. Ele sabia que não tinha dormido, e tinha suas dúvidas sobre estar desmaiado. Acontece que não sentiu como se estivesse acordando.

Sentiu como se estivesse renascendo.

A última coisa que vira antes de acordar foram seus membros inferiores separados do tronco, mas agora eles estavam lá novamente, onde deveriam estar. Glenn considerou a ideia de todo o atropelamento não ter passado de um sonho.

Mas a mancha de sangue abaixo de si mostrava que alguma coisa realmente havia acontecido.

Glenn se levantou da poça de sangue, imaginando o que houve ali. Desde que se transformou havia notado que seus machucados saravam mais rápido, isso era “natural da sua mutação”. Seu próprio tio já havia explicado que seu fator de cura era acelerado, e que ele havia herdado isso de seu pai. Também tinha falado algo sobre seu pai ter se tornado viciado em alguma coisa, e que isso havia gerado a mudança no corpo dos dois, mas essa parte o garoto sapo não entendeu muito bem.

Pelo o que sabia, seu pai morreu pela mesma mutação, mas seu corpo se adaptou para recebê-la, por isso ele sobreviveu. A única família que lhe restou fora seu tio, mas ele sumiu no caminho para Telúria.

Pensando em seu tio, Glenn se lembrou de Helena, que foi a única pessoa que o acolheu depois de se perder. Ficou preocupado, afinal, ela disse que homens maus iriam para o porão. Então, rapidamente voltou o seu olhar para a vila. Ela parecia normal, não fosse por uma exceção.

No lugar da casa de Helena ele só conseguiu ver uma explosão.

E sangue.

x-x-x

— Mas que porra é essa?! – Exclamou Sky enquanto observava a casa destruída.

Dominic, ainda sem descer da moto, também parecia espantado, mas menos que Sky. A garota nunca havia visto uma explosão na vida. Ela conhecia bem aquela casa, havia entregado um bocado de recados para Helena e seus pais, mas agora estava destruída.

Aproximou-se um pouco, o pó levantado pela força da explosão ainda pairava no ar. Sky tapou a boca e nariz com a própria camiseta, tentando não respirar aquilo, e com a outra mão tapou os olhos. Colocou o pé onde imaginava ser a antiga cozinha da casa. Seu campo de visão estava prejudicado graças ao pó, então seguia sem enxergar muito a sua frente.

Então a garota olhou para baixo, com o objetivo de não tropeçar em qualquer coisa que estivesse em seu caminho. Logo que abaixou a cabeça deu um pulo para trás. Abaixo do assoalho de madeira ela viu a cena mais feia de toda sua vida.

Dezenas de partes de corpos humanos se misturavam em sangue.

Cabeças, braços, pernas e vísceras estavam esparramadas sobre chão de terra, a única parte da casa que Sky não conhecia estava tomada por uma poça sangrenta. A garota tinha certeza que aquilo era obra de seja-lá-quem dirigia aquele caminhão.

Afinal, a explosão partira dali, e Helena não tinha explosivos.

O intestino de Sky se embrulhou após a cena, ela perdeu o equilíbrio e caiu de joelhos no chão. Ela iria vomitar, mas levantou a cabeça e respirou fundo, até a ânsia de vômito passar.

Dominic provavelmente ouviu o barulho e perguntou alto:

— Sky? O que aconteceu aí?

Ela foi incapaz de responder. Olhou novamente para a poça de corpos abaixo de si; reconheceu alguns rostos, não reconheceu outros, alguns estavam destroçados ao ponto de toda a carne da face se separar do crânio.

A próxima observação da garota fez a ânsia de vômito voltar: Era possível distinguir corpos de adultos, velhos...

...e crianças.

Seja lá quem for que tivesse feito aquilo, havia matado crianças. Não era como na vila de Dominic, onde apenas colocaram fogo e capturaram a maioria das pessoas.

Eles haviam matado crianças.

Mataram os moradores sem oferecer nenhuma chance de defesa.

Sky se lembrou das histórias que ouvia de seu pai, em Atlântida, de como cidades inteiras eram destruídas na guerra. Enfim ela teve noção da veracidade daquelas histórias.

Ainda ajoelhada e com as pernas bambas, Sky ouviu Dominic chegar a seu lado, olhou pra cima e confirmou a presença do rapaz. Mas diferente dela, ele não conseguiu segurar seu estômago. Dominic vomitou sobre as entranhas abaixo de si.

Vômito se uniu ao sangue.

x-x-x-x-x-x-x

A carroceria daquele caminhão havia sido preparada para recebê-los. No piso haviam algumas argolas de metal. As cordas que prendiam a mão de todos os prisioneiros ali estavam fortemente amarradas a tais argolas.

Helena viu o quão pouco poderia se movimentar ali: a extensão máxima da corda era de aproximadamente quarenta centímetros, ou seja, não conseguiria se levantar. Além disso, um pulso estava amarrado ao outro, como em uma algema. Felizmente suas pernas não estavam amarradas a nada.

Os outros prisioneiros reclamavam entre si e para os guardas. Helena notou que as lamentações mais frequentes eram dores na coluna, já que sentar-se no piso duro era obrigatório, e dores no pulso, dizendo que as cordas machucavam e/ou estavam apertadas demais. Os guardas simplesmente ignoravam as queixas, e vez ou outra esmurravam um ou outro prisioneiro que era mais escandaloso nas reclamações.

Tais murros acalmavam os demais.

Desde que “acordou” de seu desmaio fingido, a mulher observava atentamente qualquer detalhe que pudesse ajudar a escapar dali. Desde as atitudes padrões dos guardas, até cada um dos prisioneiros que estavam com ela.

Helena viu quatro homens em sua vila, mas apenas dois estavam de guarda na carroceria. A mulher deduziu que os outros dois estavam na cabine do caminhão, conduzindo-o para seja lá aonde iriam.

O que havia batido a cabeça de Helena na parede não estava na carroceria. Todos estavam de capacete, mas era possível diferenciar ele dos outros três. Ele era muito maior. E sua roupa estava manchada com o sangue do rosto de Helena.

A cabeça dela já doía bem menos, mas ainda conseguia sentir as lascas de madeira dentro do seu ouvido. Elas incomodavam: a cada movimento da cabeça Helena sentia as feridas latejarem. Mas era suportável.

Pelo menos até escaparem dali.

Olhou para todos os prisioneiros. Não conhecia a maioria, mas alguns rostos eram familiares, uns cinco jovens da vila de Dominic.

Então percebeu que todos ali eram jovens. O formato dos rostos, corpos e o aspecto das peles denunciavam que Helena era a mais velha ali. Os outros prisioneiros estavam em uma idade entre quinze e vinte e cinco anos no máximo.

Uma das mais jovens que estavam ali era Leah, a irmã de Dominic. Helena já a vira algumas vezes, mas nunca chegaram a conversar, elas apenas se reconheciam. O cabelo da garota era azul, como o do irmão. Não era muito plausível que ambos tivessem aquela cor naturalmente, então Helena acreditou que os dois combinaram de tingir.

Fora isso Leah tinha um rosto bonito, lábios finos e rosados, e uma estatura mediana. A garota conversava com um rapaz a seu lado, com uma expressão de preocupação. Era completamente natural, considerando o ambiente e a situação em que estavam. Helena queria mudar isso.

Helena passou quinze minutos calada, pensando em um plano que pudesse tirá-los dali. Pensou na possibilidade de Dominic ir atrás da irmã, assim como pessoas de outros vilarejos buscarem os outros jovens prisioneiros. Provavelmente fariam isso, mas alcançá-los seria quase impossível, considerando que veículos eram extremamente raros de Telúria. Pelo que ela se lembrava de ouvir, apenas a capital tinha veículos, portanto, desconfiava que aquele caminhão fosse da capital.

E não era uma boa ideia seguir a pé ou a cavalo atrás de um caminhão provavelmente armado.

Helena se cansou de sua posição inicial: sentada no chão e com as pernas cruzadas. Enquanto descruzava suas pernas sentiu um objeto que pressionava sua cintura. Seu canivete. Todo o “teatro” que fez em sua vila provavelmente induziu os guardas a acreditarem que alguém desmaiado não oferecia nenhum risco real, por isso nem a revistaram.

“Ótimo” – pensou – “Já é um começo”.

As cordas que prendiam suas mãos aparentemente eram normais, seria fácil de cortá-las. Mas Helena não conseguiria fazer isso sozinha, já que os pulsos estavam amarrados. Além disso, qualquer movimentação que parecesse com um corte chamaria a atenção de um dos guardas.

A não ser que a atenção deles estivesse voltada para outra pessoa.

x-x-x

(voltem a musiquinha)

Glenn estava assustado.

Cada passo era cauteloso, afinal, ele estava no exterior da vila. As pessoas ali podiam machucar ele. Ele não queria ficar machucado.

Mas pelo que lhe parecia, ninguém estava ali para machucá-lo.

Quanto mais se aproximava da casa de Helena, mais nitidamente ele via o estrago que se formou ali. Então ele entendeu porque ela havia o mandado ir embora.

Em frente a casa recém destruída ele viu algo que não conhecia. Seria outro veículo? Era um objeto grande, mas menor do que aquele que havia passado por cima dele. Ele tinha dois círculos que se encostavam ao chão, e entre esses dois círculos existia uma parte de metal.

Aproximou-se um pouco mais e tocou o objeto. Ele estava quente devido ao sol. Glenn tirou a pata úmida rapidamente daquilo.

Logo que fez isso sentiu um impacto forte nas costas, que o fez cair no chão cascalhoso à sua frente. Sua pele rugosa foi arranhada pelas pequenas pedras que estavam no chão, Glenn sentiu sua pele arder enquanto suas costas doíam.

Sal, atropelamento, pancada e agora arranhões. Aquele dia não estava sendo fácil. Mas o garota sapo já havia vivido alguns dias piores.

Mesmo antes de levantar do chão para ver o que o havia atingido ele ouviu alguém dizer:

— Caralho Dominic, olha o tamanho desse sapo!

Glenn virou seu corpo, ficando de costas no chão. Nessa posição ele viu uma garota acima de si, ela tinha olhos puxados e segurava um pedaço de pau. Sua expressão demonstrava um pouco de medo e nojo para com ele, mas ainda assim ela não havia batido nele mais.

O que não significava que ela não iria fazer isso.

O primeiro instinto dele seria sair pulando para longe dali, se alimentar de alguma forma e continuar a viver. Mas ele não fez isso. Glenn precisava saber onde estava Helena, se aqueles homens eram maus ele tinha que ajudar de alguma forma.

O medo e a coragem disputava espaço em seu corpo de sapo. Olhou novamente para a garota acima de si, ela olhava para a casa como se procurasse por alguém, mas a expressão havia mudado. Ela não sentia mais nojo.

Aquilo o encorajou, e com muito esforço o garoto sapo conseguiu dizer:

— E..le..na — Sua voz era muito mais grossa do que seria a de qualquer garoto de sua idade, e soava como um coaxar.

Sky entendeu o que ele quis dizer, largou o porrete que segurava no chão e disse assustada, enquanto observava os arranhões do garoto se recuperarem a sua frente:

— É, nós também procuramos ela – voltou o seu olhar para ao que sobrou da casa e disse alto – Dominic! Acho que conseguimos ajuda

Notas finais
Então, é o capítulo 11, que vem depois do 10. Como não tem decisão nem nada eu gostaria de agradecer aqui hoje. É, só agradecer. Eu nunca imaginei que a minha primeira história ia ter uma aceitação tão legal por parte de vocês! Porra, 6 PESSOAS FAVORITARAM ISSO, é realmente muito foda pra mim ver que alguém lê o que eu escrevo, e pelos feedbacks, além de ler, gostam! De verdade, amo vocês. Um agradecimento especial a Aline, a Kyra e ao Kill Bill, já que todos indicaram pra amiguinhos e todos os amiguinhos também estão lendo. Amo vocês, até amanhã ou depois de amahã ♥