Trilogia Aventuras 03: FAMS - A Aventura Continua
8 Capítulo 07: Fúria selvagem
Notas iniciais
CAPÍTULO 07
FÚRIA SELVAGEM:
A IDENTIDADE DO SUJEITO MISTERIOSO É REVELADA!
O rapaz misterioso permaneceu imóvel no teto do Centro de Convenções — bem acima de onde, agora, Luiz e o outro garoto se enfrentavam. Ele avaliava a situação com calma, seus olhos luminosos mirando e vendo através do teto, quando Luiz revelara sua forma de anjo caído, amedrontando o adversário. Mas a transformação de Luiz não o surpreendia o rapaz misterioso, nem pouco causava medo, já que não era a primeira vez que a via. Ele sabia que Luiz era forte, mas não invencível; havia coisas maiores para se preocupar — uma delas era Sauron, e o que ele faria em breve.
Antes de Luiz atacar o garoto, ele mirou o telhado mais uma vez — com certeza ciente de quem se encontrava ali. E o sujeito ficou aliviado por ter conseguido tempo para cumprir todas as missões anteriores, e chegar naquele local a tempo para realizar a próxima etapa. Mesmo com a imprevisível aparição de Ursula, que o enchera de perguntas, tão logo o reconhecera, ele não tinha se atrasado, na verdade ganhara um bônus, ao resumir sua história para a amiga e entregar-lhe os amuletos, para que ela recrutasse os cosplayers de Goku e Ichigo — que estavam dentro do Auditório Plutão —, para lutar contra Bruna, a líder dos Espectros. Após aquilo, ele atravessara o buraco que havia criado na barreira mágica que bloqueava todos os complexos do Centro de Convenções, e subiu no teto do prédio do Auditório Plutão e depois no prédio principal, sussurrando palavras de força para Natália, a cosplayer de Ravena, e para Anna, a garota fantasiada de Mutano — ajudando-as a vencer os dilemas que as faziam recuar diante dos espectros. Tudo tinha dado certo até ali, e ele ganhara um pouco de tempo para ver o desenrolar da luta de Kevin e Josiele contra Lucas Uchoa, e também a batalha do outro garoto, que enfrentava com dificuldade o poder terrível de Luiz.
“Vamos, Luiz! Você me quer? Então venha me pegar,” desejou ele, impaciente e ansioso. Por outro lado, Luiz sorria com desdém, ainda fitando o teto — vendo seu verdadeiro inimigo através dele. E depois se voltou para o garoto com os talismãs, fazendo uma carranca de desprezo ao ver que o adversário ativava novamente o poder dos talismãs ao máximo para o round final da batalha que ia começar agora, definindo quem dos dois seria o vencedor.
E o rapaz misterioso sabia quem ia vencer, quando fechou seus olhos com tristeza, e apenas continuou esperando até que aquela luta acabasse.
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Transformada em rinoceronte, Anna avançou contra Milena, que não recuou nem por um instante quando o chifre maior da frente lhe atingiu. No entanto, Milena não foi jogada a distância, ela se agarrou a ele e exerceu sua força tanto para evitar o impacto contra a parede mais próxima da sala dos stands de venda enquanto era arrastada, quanto para contra-atacar. Aos poucos a cavaleira foi empurrando o animal verde para trás, ajustando e aumentando sua força até que a criatura estivesse totalmente vencida.
Mas Anna persistia mesmo tendo grande desvantagem na área onde agora as duas se enfrentavam. Virar animais pequenos, como tigres e lobos, apesar de serem ágeis, não conseguiam causar danos relativamente grandes a cavaleira, que até agora sofrera apenas um arranhão fino das garras do tigre sobre a região da barriga desprotegida da armadura. O dano inicial deu um pouco de animação em Anna naquela hora, mas quando ela foi golpeada pelo punho da adversária na investida seguinte, deslocando o seu ombro esquerdo temporariamente, ela pressentiu que seria mais difícil que o normal, quando virou um lobo e depois um urso, até finalmente se dar conta de que sua batalha era uma questão de força, e não de velocidade, como pensava. Mesmo assim, até mesmo a força de um rinoceronte agora parecia não ser o bastante, sem contar que elas estavam lutando em um espaço meio estreito, e tentar mudar para animais ainda maiores poderia ser um grande problema.
Subitamente a força de Milena triplicou de um instante pro outro, erguendo-a no ar pelo chifre, antes de arremessá-la para longe, e a cosplayer bateu na lateral da parede branca da sala de games on-line, derrubando blocos de cimento e tijolos e diversos pôsteres da parede antes de cair no chão, transformada novamente na forma humana — agora quase inconsciente.
A cavaleira conseguira ajustar sua força e triplicá-la rapidamente para vencer o cabo de guerra, e agora se aproximava dela, pronta para matá-la definitivamente. No entanto, ela desviou seu curso repentinamente, e Anna não entendeu o porquê, até que ouviu gritos de medo, desespero vindos de dentro da sala de games on-line.
“Ah, não! As pessoas abrigadas!” concluiu, já fazendo força para se levantar e tentar salvar alguns dos poucos sobreviventes daquele massacre. “Vamos, se levanta! Vamos!” Ela gritava em sua mente, forçando seu corpo machucado e dolorido a se erguer. Mas aos poucos os gritos começavam a diminuir, e ela ainda estava parada ali, quase se colocando de joelhos, sua visão embaçada vendo quando, à distância, Josiele era golpeada pela espada de Lucas Uchoa e o tal Luiz, que todos odiavam, encarava o já amedrontado Renny, com decepção e raiva.
O tempo pareceu passar num piscar de olhos, quando finalmente ela conseguiu ficar de joelhos, vendo agora Luiz pairando no céu, transformando num anjo negro, e Kevin massacrando o agressor de Josiele. Todos estavam enfrentando batalhas difíceis, no entanto agora só ela podia salvar aquelas vidas dentro da sala, mas continuava machucada ali, sem forças.
— Droga, por que não pensei nisso antes? — sussurrou ela enquanto chegava a uma conclusão para o seu problema.
Transformando-se em um velociraptor, um dinossauro com 2 metros de comprimento, 0,5 metros de largura no quadril e 15 quilos, a cosplayer sentiu quando a habilidade regenerativa do animal pré-histórico começou a surtir um efeito drástico sobre si. Agora, novamente de pé, sobre as duas patas de três dedos largos com garras afiadas, ela se virou para encarar o buraco na parede aberto pelo impacto dela em sua forma de rinoceronte, onde tudo jazia silencioso, e saltou, entrando na sala repleta de computadores e... corpos mutilados.
Era tarde demais. Anna pôde ver os corpos espalhados pelo chão, as paredes, as cadeiras e as mesas cobertas de sangue, e a cavaleira posta do outro lado, averiguando os corpos inertes e desmembrados, para ter certeza que ninguém havia sobrevivido.
“Não!... Não!” Anna gritou em sua mente, vendo o quão lenta tinha sido até finalmente entrar ali. Milena não a matara antes, porque viu pelo buraco na parede que havia gente viva e escondida naquela sala, e como sua prioridade era assassinar o máximo de pessoas possíveis no evento, não perdeu seu tempo com uma mera cosplayer. Anna se odiou mais ainda ao chegar a essa conclusão, principalmente quando viu uma cabeça decapitada de alguém conhecido a 15 centímetros de onde estava. “Droga! Droga! DROGAAAA!” De repente, uma onda de fúria preencheu todos os sentidos da cosplayer, e quando isso se misturou aos instintos animais do velociraptor, tornou-a uma inimiga perigosa para a cavaleira.
Anna rugiu e avançou em alta velocidade. Segundos depois toda a sala explodiu, espalhando blocos de concreto por todos os lados, quando um tiranossauro de 6,5 metros de altura e 15 metros de comprimento surgiu, a mandíbula cheia de dentes se abrindo enquanto a fera liberava um novo berro colossal de fúria e um de seus olhos reptilianos fitava uma tragédia que se desenrolava ali perto.
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A onda de blocos de gelo afiados de Karen foi subitamente bloqueada por meras cinco estalagmites negras de gelo produzidas por Lucas Dixon, com apenas um aceno de mão. Ele permanecia quieto e estático, analisando-a por entre os espaços dos blocos de gelo negro e branco que lotavam o banheiro masculino, e Karen sentiu-se intimidada pelo olhar frio do espectro, mas não vacilou enquanto lutava para vencer a barreira simples dele, que já rachava. Se seu plano desse certo, ela o encurralaria ali e seria vitória certa, já que possuía a vantagem de estar do lado da entrada do banheiro, lhe garantindo um pouco mais de espaço e chance de fuga, caso a estratégia falhasse.
“Trick...” As estalagmites continuaram trincando, mais rapidamente e mais alto, e Lucas olhou para elas por um instante, possivelmente entendendo o que ela pretendia.
Karen aproveitou a mudança do olhar dele e levantou uma de suas mãos rapidamente, criando shurikens de gelo no ar, dezenas delas; arremessando os pequenos objetos pontiagudos de quatro pontas contra ele. Todavia...
Dezenas de estalactites e estalagmites de gelo negro brotaram de todos os lados e avançaram, bloqueando as shurikens e destruindo os blocos de gelo branco enquanto se projetavam.
— Merda! — xingou Karen, saindo as pressas do banheiro e batendo na parede do outro lado, sentindo seu braço direito queimar repentinamente.
Os blocos afiados cessaram o avanço, tão logo taparam toda a porta da entrada do banheiro, desabrochando do lado de fora como uma flor negra, enfeitadas com pedaços humanos cheio de chagas que estavam largados dentro do local, momentos antes — pedaços de pessoas mortas que até mesmo Karen ignorara quando arriscara todas as cartas no primeiro ataque.
— Ai, o que é isso? — Finalmente ela observou seu braço, vendo um pequeno arranhão reto, o sangue já coagulado e a pele ao redor já ficando meio roxa. E então entendeu que havia sido atingida pelo gelo negro, mesmo enquanto corria; ainda assim, ficou aliviada por ter sido rápida o bastante para evitar algo bem pior.
Karen sabia que sua ferida estava contaminada pela toxina do gelo negro, e torcia para que aquilo não fosse algo parasitário, que se espalhava por todo o corpo; porém ela sentia como se a queimação aumentasse lentamente, o que a preocupava enquanto avaliava a situação.
— Ele manipula o gelo tão bem quanto eu, mas o poder dele não é superior, exceto pelo atributo da contaminação que possui, que tenho que tomar cuidado — murmurou ela para si mesma, olhando o portão de ferro do lado esquerdo. — Se pelo menos eu pudesse sair daqui e lutar lá fora...
Longos minutos se passaram, e o gelo negro não se moveu no banheiro. Karen observou aquilo, sem entender o que o espectro estava tramando, mas torceu para que ele se demorasse um pouco mais, assim ela poderia continuar planejando o seu próximo passo, o que infelizmente exigia um local mais espaçoso, deixando o Centro de Convenções fora de cogitação, pois havia batalhas demais acontecendo ali. Mas o local estava selado pela magia de Luiz, e isso era um ponto negativo para ela.
De repente, o gelo negro começou a se mover e recuar para dentro, e Karen sabia que o inimigo logo surgiria. Ela deu uma última olhada no portão de ferro e depois voltou seu olhar para o outro lado, sabendo que teria de ser forçada a lutar perto dos outros...
— Meu Deus! — Karen botou as duas mãos sobre a boca, presenciando uma tragédia inesperada ali perto, e enquanto ela se distraía com o que via, passos começaram a soar de dentro do banheiro.
Então finalmente Lucas Dixon surgiu, agora com sua espada empunhada em uma das mãos, pronto para matá-la.
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Por algum motivo estranho, Luiz encarava o teto do Centro de Convenções como se tivesse encontrado um tesouro muito valioso, porém Renny agradeceu o momento de distração do adversário para pensar em como lidar com o poder máximo dele, que ainda não fora demonstrado; e a cada segundo que passava, sentia uma forte hesitação crescer dentro de si, pois nenhuma ideia surgia em sua mente. E quando Luiz voltou seu olhar para ele novamente — uma expressão de desprezo na cara —, Renny ativou os poderes dos talismãs e preparou sua defesa, tão logo viu o inimigo curvar seu corpo para investir.
“Ele não vai me pegar tão facilmente, porque eu...”
Subitamente, um impacto poderoso e veloz atingiu Renny enquanto seus olhos piscavam, e ele foi arremessado para trás, os ossos se partindo e se curando ao mesmo tempo.
“Buuum!” Outro impacto, agora por trás, mais músculos e ossos sendo destruídos por dentro, e Renny voou pelo hall do Centro de Convenções, caindo e explodindo sobre os restos dos entulhos da pequena gruta onde ele tinha arremessado Luiz antes.
Com o poder do cavalo ativado ao máximo e o talismã do tigre fazendo o equilíbrio espiritual de entre os demais, de modo que pudessem desempenhar seus papeis de maneira eficiente, Renny se levantou enquanto o corpo se curava. Ele vomitou sangue no chão, a dor consumindo-o por dentro e por fora, mas fez esforço para se levantar e novamente armar sua guarda. Sua visão embaçada olhou de relance para o adversário à distância, que novamente desapareça mais uma vez como um flash.
— Rum — resmungou Luiz, sua voz agora surgindo por trás dele. — Eu devia ter percebido desde o começo que você não era o verdadeiro.
Renny se virou, espantando com a tremenda velocidade que Luiz possuía agora. Quando encarou aqueles olhos demoníacos, ele buscou se afastar rapidamente com o poder do coelho, pressentindo o perigo de estar tão perto do inimigo, e depois atacou com o fogo do dragão, os raios do talismã do porco e a metamorfose animal do macaco, todos disparando ao mesmo tempo em carga total, mas Luiz não recuou. E Renny vislumbrou apenas um meio sorriso na boca dele, antes que os ataques atingissem o alvo, provocando uma série de explosões.
Fumaça se espalhou ao redor do ponto de impacto, e Renny aguardou por alguns segundos, antes de ver quantos danos o inimigo havia sofrido, pois ele sabia que aquilo com certeza não seria o bastante para matá-lo. De repente, grandes asas de penas negras surgiram parcialmente na fumaça, se movendo com uma graça exuberante e criando uma ventania que varreu toda a cortina negra que ocultava o vilão — ainda vivo, obviamente, e, para seu azar, sem nenhum ferimento.
Pela primeira vez em muito tempo, Renny sentira um intenso medo invadir sua alma, e seu instinto de sobrevivência agiu inconscientemente quando ele usou o poder da cobra para ficar invisível e o do galo para voar e fugir dali. Porém... um impacto o atingiu no estomago, depois outro no braço, e na perna, e um último contra as costas, lançando-o no chão. Renny não entendeu o que havia acontecido, mas sentiu algo escorrendo pela boca e pelo seu corpo, que estava ficando dormente por causa da dor; e após queda, ouviu também alguma coisa caindo, rolando, para longe dele, mas não sabia o que era, pois sua visão estava totalmente embaçada — e, por algum motivo que não compreendia, o talismã do cavalo não estava o curando.
Luiz aterrissou ao lado do corpo que convulsionava no chão, uma rajada de sangue saindo dos locais onde antes deveria haver um braço esquerdo e uma perna direita, que ele despedaçara momentos antes com golpes rápidos e silenciosos. Luiz se aproximou um pouco mais, vendo pelo menos sete talismãs soltos ao redor da cratera e do corpo, três estavam perto e outros quatro voaram a pelo menos três metros consideráveis para longe dele — e um destes era o talismã do cavalo. Luiz sorriu, vendo o lastimável corpo semiconsciente, somente vivo porque o talismã do cachorro ainda segurava com dificuldade a vida dentro do corpo moribundo.
— É, hora do golpe de misericórdia. — Luiz ergueu uma das mãos, produzindo uma espada negra de trevas de um metro e meio, que surgira de seus dedos com garras pontiagudas. Com um movimento rápido da lâmina, ele arrancou o cinturão com os talismãs restantes, lançando-os para longe.
Luiz deu uma última olhada rápida para o teto, torcendo para que o verdadeiro rival estivesse vendo o que ele iria fazer, e surgisse para impedi-lo. Mas ele não veio. Então Luiz olhou para a figura quase morta no chão, a espada erguida, pronta para abatê-lo.
— Adeuszinho, cópia falsificada.
De longe, por meros instantes enquanto lutavam, Eduarda, Elayne, Josiele, Kevin, Anna e Karen viram com horror e tristeza quando Luiz moveu sua espada em semicírculo, e a cabeça de Renny rolou para o lado, com os olhos abertos e o rosto triste.
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Depois que Josiele foi apunhalada, Kevin ficou furioso como nunca tinha ficado antes, e toda essa raiva inconscientemente se misturou ao seu poder, fazendo-o crescer milhões de vezes. Antes, quando ativara a magia que lhe permitia se transformar em Vegeta, ele só conseguia atingir o estágio de Super Sayajin, mas quando a fúria e o desejo de proteger sua amiga brotaram, ele avançou para a segunda transformação, e atacou sem pena.
Lucas Uchoa não viu a tempo quando Kevin surgiu em alta velocidade, desferindo um poderoso soco contra seu queixo, arremessando-o para o alto. Mas Kevin não parou aí... com sua nova e extrema velocidade, ele acompanhou o espectro e o ultrapassou, atingindo-o com um chute lateral; depois avançou outra vez, dando uma joelhada contra o peito do cavaleiro e uma cotovelada contra seu rosto, fazendo a tiara voar longe. Kevin deu mais alguns golpes poderosos que arremessaram Lucas Uchoa de um lado para o outro, como uma bolinha de pingue pongue; então finalizou sua investida, com um último chute contra as costas, que fez o inimigo afundar no chão de cimento novamente, sua armadura totalmente despedaçada.
Com a raiva amenizada e o cavaleiro negro em frangalhos, Kevin voou ao encontro de Josiele, totalmente preocupado com o estado de sua amiga, que ele tinha quase como uma irmã.
— Benny, você tá bem? A gente precisa estancar esse sangue e...
— Eu tô bem, Kevin — interrompeu Josiele, ainda dolorida, mas bem, graças a ação rápida do amigo. — Já iniciei os primeiros socorros usando alguns encantamentos de cura simples que conheço. Já contive o sangramento e o processo de regeneração interna já começou, mas vai demorar pelo menos meia hora até que eu fique totalmente recuperada.
— Ainda bem. — Ele sorriu, aliviado.
— Kevin, cuidado! — Josiele gritou de repente, quando viu milhares de raios acenderem dentro da nova cratera onde Lucas jazia.
Kevin se virou, vendo a dança frenética e descoordenada dos relâmpagos azuis e o inimigo se levantando, jogando os pedaços inúteis da armadura quebrada para o lado.
— Benny, fica aqui e descansa um pouco. Eu acho que dou conta dele sozinho, por enquanto.
A aura de Kevin se acendeu outra vez, e ele começou a voar na direção do espectro, que também fez o mesmo. Os dois encontraram seus olhares por um instante — Kevin sério e ainda irritado; e Lucas sem expressões —, e então se chocaram, começando uma dança violenta e frenética de socos e chutes.
Josiele acompanhava cada ação enquanto uma das mãos repousava sobre o local do ferimento, emanando uma luz verde, curando-a. Ela não sabia o que fazer, mas pressentiu que seu amigo ainda não era páreo para o espectro que o enfrentava. E enquanto ela permanecia quieta, se deu conta do que estava acontecendo ao redor, quando ouviu um estrondo à sua direita, perto da área do k-pop e dos games on-line, onde um dinossauro imenso surgia, lançando as paredes ao chão; e, logo atrás, do outro lado da área extensa, onde um demônio de asas decapitava alguém...
“Renny!!!” Josiele estremeceu, vendo a cabeça que rolou para o lado, mirando-a de longe com os olhos tristes.
Sem saber como agir ou em que pensar, ela apenas continuou olhando para a face desolada de seu amigo.
E então chorou.
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Tão logo a cabeça rolou para o lado, Luiz voltou a encarar o teto do local, esperando que a figura escondida do outro lado desse as caras; que o enfrentasse. Mas ele não se moveu, o que deixava Luiz ainda mais cético, irritado e impaciente.
— Vamos, por que não desce aqui e me encara?! Por que não vem vingar a morte do seu clone?! — Luiz basicamente implorava pela aparição do sujeito, e só foi se dar conta do obvio, momentos depois. — Ah, então é isso... — sussurrou ele, rindo com deboche. — É a barreira que lacrou todo o local que te impede de descer, não é? Coitadinho. Mas não se preocupe, eu vou dar um jeito nisso.
Luiz apontou dois dedos para o ponto central, que ficava entre as grades de ferro no alto, então disparou uma pequena bala de trevas condensadas. O projétil voou em alta velocidade e atingiu o telhado, revelando uma luz incandescente que se alastrou a mais ou menos dois metros, revelando um circulo mágico repleto de letras e símbolos desconhecidos, que apenas Luiz e Sauron conheciam com precisão.
Um instante depois, o símbolo se destruiu, desaparecendo, e com ele, toda a barreira mágica que lacrava e prendia as pessoas dentro do Centro de Convenções, desapareceu instantaneamente. Mas, outra coisa aconteceu subitamente no processo: uns três metros acima do chafariz seco que ficava no hall do Centro de Convenções, uma grande bolha rosada e de aparência liquida, com aproximadamente dois metros de altura e dois de comprimento, surgiu irradiando sua luz, chamando a atenção dos outros lutadores que estavam ao redor. Mas Luiz pareceu não se surpreender com o fato, pois continuou fitando o telhado, aguardando. Poucos segundos depois, um pequeno pedaço do telhado explodiu, e uma pessoa surgiu, caindo e aterrissando no chão com equilíbrio e graciosidade, o corpo agachado e a cabeça baixa.
— Finalmente você deu as caras... Renny! — Luiz sorriu, dando ênfase ao nome do rapaz, que ergueu sua cabeça, os olhos azuis reluzindo em um tom azul magnífico. — Me pergunto por que você me fez lutar com um clone, primeiro. Era uma forma de tentar me cansar? Ou de... avaliar minha forma de lutar?
Renny não disse nada por um instante, ignorando as palavras do inimigo enquanto olhava sem expressões para o corpo massacrado no chão, a cabeça solta pendendo ali perto.
“Aí está o centro das almas” pensou ele, agora fitando a bolha de energia rosada. “O núcleo de poder onde será criado o novo e mais poderoso Um Anel de Sauron.”
A chance que ele tanto aguardava havia surgido. Mas ele não poderia destruí-la agora, não com o inimigo tão perto. Primeiro ele precisava incapacitá-lo por uns instantes, mas precisava ser rápido, já que logo Sauron daria suas caras ali também.
De repente, garras surgiram em suas mãos e as presas cresceram consideravelmente na boca enquanto os olhos azuis aumentavam de tamanho e seu cenho se enrijecia, ganhando mais massa. Os cabelos castanhos ficaram meio espetados, e suas costeletas cresceram, tomando parte das bochechas. Ele olhou para Luiz com fúria, e sentenciou:
— Vamos cortar o papo furado, Luiz. Você queria me enfrentar, então aqui estou. Está na hora de acabar com isso de uma vez por todas! — Renny encarou Luiz com fúria e bradou um poderoso rugido animal, e enquanto sua voz vociferante ecoava pelo lugar, sua mente enviava uma última e decisiva mensagem telepática para todos os membros do Time Ren que lutavam.
Luiz ouviu o uivo monstruoso da fera em sua frente, e assim como no AFA, sentiu novamente um pequeno medo corroê-lo por dentro; mas, mesmo assim, não hesitou.
Descargas elétricas e fagulhas brilharam pelo corpo de Renny, acentuando suas feições selvagens, e assim que a mensagem telepática terminou e o rugido diminuiu, ele avançou, tão rápido e tão forte quanto Luiz jamais poderia imaginar em toda a sua vida.
A batalha entre os seres sobrenaturais começou!
Qual será a mensagem enviada para o Time Ren?
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