Trilogia Aventuras 03: FAMS - A Aventura Continua

9 Capítulo 08: "Salvem o futuro" - Parte 01


Notas iniciais
Capítulo na sexta, como prometido. Galera, hoje iniciamos o novo arco da história, e já deixo o aviso que ultrapassamos a metade da história, portanto, ficando bem próximos do final. Leiam o capítulo de hoje e lembrem-se de favoritá-lo.

CAPÍTULO 08

“SALVEM O FUTURO!”

PARTE 01

Natália havia acabado de desferir um soco contra Edmar — usando um das projeções telecinéticas de suas garras de luz negra —, quando sua mente foi invadida novamente pela voz do sujeito misterioso que lhe ajudara algum tempo atrás. Entretanto, desta vez havia algo de diferente na mensagem, pois o rosto dele era visível na mente dela, como se uma televisão tivesse sido ligada dentro de sua cabeça. Foi assim que ela se deu conta de quem era a misteriosa pessoa, e ficou chocada ao descobrir que se tratava de Renny, ou um segundo Renny — o que era confuso.

Pelas imagens telepáticas que ele lhe enviara, ela pôde ver o hall do outro bloco do Centro de Convenções, onde Josiele, Kevin e muitos outros que ela não tinha noção, travavam suas próprias batalhas com dificuldade. E Luiz estava ali também, transformado num demônio de asas com penas negras, encarando o adversário. Ao lado de Renny, havia um corpo decapitado no chão — um que ela conhecia muito bem.

Mesmo atenta às imagens que recebia dentro de sua mente, a cosplayer não baixou a guarda, pois Edmar, o espectro das chamas negras — ou chamas da morte, como ela preferia chamar — ainda estava ali, vivo. Concentrando seu olhar por um instante no cavaleiro, que se chocara com a pilha de poltronas queimadas próxima a parede esquerda, na metade do caminho até o púlpito, Natália percebeu que o tempo girava em câmera lenta, entendendo que não precisava se preocupar com o inimigo por enquanto; quando subitamente as imagens mudaram mais uma vez, agora para uma cena estranha, de um mundo destruído, e a voz do novo e misterioso sujeito com o mesmo rosto de Renny começou a falar.

A mensagem durou cerca de cinco minutos e foi resumida, mas direto ao ponto, e, em questão de instantes, o tempo começou a fluir novamente ao seu redor. Mas ela ainda não sabia se estava preparada para continuar a difícil luta que travava com o cavaleiro ali perto, pois estava muito assustada com tudo que descobrira: o garoto de cabelos platinados que ela achava ser o Renny, líder do Time Ren, era na verdade um clone do original, criado algum tempo após o AFA por uma mulher chamada Galadriel (um nome um tanto estranho, mas familiar) para substituí-lo enquanto ele viajava repetidas vezes no tempo, para analisar o futuro terrível que a humanidade teria após o aparecimento de Luiz e seu amigo (Sauron) no FAMS de 2017, onde o Time Ren seria derrotado e o Grande Ritual, que os vilões almejavam tanto, seria concluído. Com aquele novo poder maligno, um exército das trevas seria criado e todo o planeta, por mais que tentasse retaliar, seria tomado e escravizado pelas forças das trevas.

Por um instante Natália pensou em sua própria família, em seus amigos e em sua vida... tudo, tudo mesmo seria destruído, caso ela e os demais membros do Time Ren não se empenhassem com todas as forças em mudar aquela realidade; porém, o futuro parecia que já estava determinado, e mesmo que todos se esforçassem, a tragédia seria inevitável — o que a fez ranger os dentes de frustração.

No entanto, havia uma pequena porcentagem de chances de o futuro ser mudado, graças às ações daquele Renny de cabelos castanho-escuros e olhos brilhantes, salvando Ursula de ter sido assassinada por Bruna, enviando mensagens telepáticas com conselhos para quem ainda hesitava nas batalhas; e agora, quando ele se revelara para Luiz, fazendo o idiota destruir a própria barreira que confinava todos os membros do Time Ren dentro do Centro de Convenções, além de revelar a energia das almas das pessoas assassinadas que seria utilizada no ritual maligno.

Edmar se moveu, de repente. Agora que o tempo corria normalmente, o espectro estava de novo ativo, e se erguia, inflamando suas chamas negras pela armadura em seu corpo, terminando de queimar as poltronas à sua volta. Ele encarou Natália com seus olhos vermelhos, sem demonstrar nenhum sentimento, e saltou contra ela, as chamas o seguindo enquanto ele erguia a espada, movendo-a no meio do ar em semicírculo e projetando uma meia lua de fogo negro que seguiu rumo à adversária.

Natalia não temeu a investida do espectro, quando se esquivou rapidamente para a direita, um segundo antes da explosão das chamas explodirem contra o piso; em seguida, com o inimigo ainda no ar — em movimento — ela avançou, voando e disparando raios telecinéticos contra ele, mas o guerreiro os cortava com a espada enquanto aterrissava no chão, inabalado.

Encarando o inimigo do alto, Natália pensou uma última vez nas pequenas chances de vitória que o verdadeiro Renny havia criado para a equipe, e ela torcia que fosse o bastante para salvar o mundo... “Salvem o futuro!” foram essas as últimas palavras que ele disse quando a mensagem terminou. Sim, definitivamente ela salvaria, assim como todos os outros membros do Time Ren também o fariam, pois não era apenas a sua vida que estava em jogo, era a de todas as pessoas do mundo.

De súbito, Natália notou que as chamas negras de Edmar estavam aos poucos tomando conta de toda a área do Auditório Plutão, desde as poltronas e os corpos assassinados, até o próprio chão, as paredes e o teto. O espectro permanecia imóvel, a espada erguida, fazendo as chamas se espalharem por todo o ambiente. Com um meio sorriso, a cosplayer entendeu que o inimigo finalmente havia começado a lutar a sério, mas ela não sabia se era devido à mensagem telepática que ela havia recebido (se é que ele tinha notado algo acontecendo), ou se estava apenas testando ela esse tempo todo com ataques previsíveis e fracos.

Aos poucos a cosplayer de Ravena ficava cada vez mais encurralada pelas chamas negras que se estendiam pelo ambiente, consumindo tudo com seu calor infernal. E mesmo que as chamas queimassem as coisas, e nenhuma fumaça subisse das cinzas, definitivamente ela percebeu que estava ficando meio difícil se respirar ali dentro, pois o ar condicionado do local havia sido destruído e as chamas eram tão quentes quanto o fogo comum. Todavia, Natália não ficou hesitante, nem ao menos com medo de perder aquela luta.

— Você quer conhecer a força máxima dos meus poderes, Edmar? — desafiou ela, cobrindo o rosto com o capuz da capa azul enquanto as chamas se aproximavam cada vez mais. — Então se prepare para engolir os próprios dentes...

De repente, uma nova e concentrada explosão de escuridão emergiu, mas não das chamas negras, e sim dos poderes da cosplayer. Os raios negros emanaram de suas mãos em uma explosão de fúria, afastando e apagando o fogo enquanto sua pele se tornava avermelhada e, na face oculta pelo capuz, surgiam quatro olhos vermelho-luminosos: Natália havia entrado no Modo Demoníaco, transformação parcial que concedia mais força as habilidades da personagem Ravena.

“Salvem o futuro!” A voz de Renny ecoou mais uma vez em seus ouvidos, quando ela avançou contra o cavaleiro — um rugido distorcido emanando de sua garganta, devido à transformação —, e sabia que não poderia falhar, nem que isso dependesse de sua própria vida.

Quando os raios e as chamas se chocaram, uma onda de escuridão cobriu o local, detonando as paredes e jogando o teto a baixo.

☯ ☯ ☯

Quando a mensagem chegara aos dois cosplayers que enfrentavam Bruna Timbó, a batalha já tinha avançado bastante e ainda era muito difícil equilibrar as coisas, pois a mulher era poderosa, além de cruel, e os surpreendera com muitas coisas...

Tão logo os dois cosplayers haviam saído do prédio do Auditório Plutão, dando de cara com a insana e irritada cavaleira, que os encarou, pronta para atacá-los, viram como ela parecia ser diferente de Marcelo, tanto no formato da armadura que trajava, quanto na arma que empunhava: um grande cetro de dois metros com uma lâmina curvada na parte superior, lembrando muito a foice usada pela Morte para abater suas vitimas. No entanto, o mais estranho e chamativo era que, diferente de Marcelo, a cavaleira podia exteriorizar emoções (por mais diabólicas que fossem), e essa capacidade era o que mais aterrorizava os dois. Ela era uma sociopata!

Sociopatas são conhecidos muito por suas súbitas explosões de humor repentinas, que podem se alterar drasticamente em frações de segundo, e quando a nova onda de alegria e vontade de estripar seres humanos tomou novamente os pensamentos da cavaleira, ela esqueceu totalmente do motivo que a deixara tão irritada momentos antes, quando viu aqueles dois pobres e tolos cosplayers em sua frente. Ela sentiu a necessidade incontrolável de brincar com eles, de fazê-los seus objetos de prazer, e não perdeu tempo, ao apontar sua foice para eles, levitando-os no ar. Uma vez que sua poderosa telecinese estava ativa, não havia nada que suas presas podiam fazer, nenhum esforço os libertaria enquanto a cavaleira saboreava os gemidos de dor que elas emitiam quando eram mutiladas lenta e prazerosamente.

Naquele momento, o pânico dos dois rapazes se tornou aparente, quando seus corpos levitaram pelo menos meio metro de distância do chão, seus braços e pernas imobilizados pelo magnetismo exercido pela cavaleira. Por um instante, o cosplayer de Goku, Ivanildo, tocou a região da faixa azul, onde havia guardado o objeto que, supostamente, concederia a ele e ao seu colega ao lado, os poderes do personagem que estava fantasiado; porém, para seu azar, nada acontecia. Ele não sabia como ativar o objeto — se é que isso era possível.

Aos poucos, Bruna havia se aproximado deles, dando passadas lentas enquanto admirava o olhar amedrontado dos dois — ou de pelo menos um deles, já que o outro escondia seu rosto debaixo de uma máscara. Ela viu o esforço que ambos faziam na tentativa de se livrar de sua telecinese, mas o estranho de tudo é que eles não gritavam por socorro ou misericórdia, e, além disso, olhavam freneticamente para baixo, para um ponto especifico de suas roupas, como que buscando algo importante. Aquilo era curioso, mas ela não ligou, agora parada bem na frente deles, seu sorriso ainda mais largo — pronta para começar o joguinho.

Ivanildo ficou amedrontado ao ver, naquela hora, a lâmina da foice seguir direto para os dedos da mão onde ele tocava o amuleto escondido. Ela com certeza planejava arrancar seus dedos fora — ou talvez a mão inteira — com aquela coisa afiada, e ele não sabia mais o que fazer. A garota que o entregara o tal objeto mágico havia mentido, só podia ser isso, e agora ele ia perder os membros do corpo — e em breve a própria vida — por acreditar nela. Ele estava prestes a gritar, prestes a chorar também, quando a lâmina ficou a um centímetro de distância de seus dedos. Era o fim...

— Aaahhhh! — De repente, o outro cosplayer ao lado do garoto deu um grito abafado e gorgolejante. Tanto Ivanildo, quanto a cavaleira se viraram para ver o que estava acontecendo com ele, e ambos arregalaram os olhos quando raios negro-avermelhados emanaram ao redor da espada que ele empunhava com firmeza nas mãos, se libertando da telecinese e voando para trás, sua voz bradando o nome do principal ataque de Ichigo, o personagem que ele estava fantasiado: — Getsuga Tenchou!

Um feixe de energia saiu da lâmina negra e comprida, depois do rapaz balançar a espada, e os raios seguiram de encontro à cavaleira, que projetou um escudo telecinético ao seu redor enquanto o ataque de energia a arrastava para trás.

Tão logo ela tomou distância, empurrada pelos raios escuros, D-Noidis Rodrigues — como era conhecido o cosplayer de Ichigo — viu quando o colega se libertara da telecinese e caia de joelhos no chão, o rosto pálido e assustado.

— Você tá bem, chapa? — perguntou ele, temendo que o rapaz entrasse em choque devido à situação difícil que havia passado. Mas subitamente notou algo de diferente, não era apenas medo que havia em seu rosto, era... surpresa.

— Então é verdade mesmo! Agora eu entendo, isso é incrível! Mas... é dolorido também.

D-Noidis viu quando Ivanildo se levantou do chão, e o vento ao redor dele ficou denso. Ele percebeu que a peruca que o rapaz usava havia se transformado em cabelo de verdade e grudara em sua cabeça, assim como acontecera consigo, e a aureola no topo da cabeça agora era de verdade também. Ivanildo havia conseguido ativar a mágica do amuleto e ganhado as habilidades do personagem — por um tris. Mas também, infelizmente, ele havia adquirido os danos que o personagem exibia, pois o rapaz não estava fantasiado de qualquer versão do Goku — ele fazia a versão pós-morte do personagem. E pra piorar, além de estar literalmente morto, ele também estava todo machucado — e isso também fazia parte do figurino que ele tinha preparado.

Enquanto os poderes surgiam no corpo do cosplayer naquele momento, os raios que empurravam Bruna haviam cessado, e agora ela estava parada abaixo da entrada do outro prédio do Centro de Convenções, onde Kevin, Josiele, o clone de Renny e outros lutavam. De longe, ela olhou para os dois cosplayers com cuidado, percebendo a drástica mudança que eles haviam sofrido, tanto em aparência quanto em poder. Os dois não eram mais simples humanos, como ela gostaria, e torturá-los agora seria meio difícil. Entretanto, ainda assim não deixava de ser algo divertido, já que ela havia arranjado um meio de testar seu poder, e adoraria travar uma batalha contra eles.

Bruna sorriu, pensando no novo jogo que iria começar enquanto se aproximava lentamente dos rapazes, avaliando-os: o sujeito de cabelos espetados, laranja-vivo, escondia seu rosto numa máscara branca com detalhes vermelhos do lado esquerdo, uma luz amarelada se destacando em seus olhos de escleras negras, e pra completar o visual assustador, vestia um kimono preto, cujos contornos inferiores tinham longos picotes; já o outro cosplayer, de cabelos negros, cheio de ondas espetadas, trajava um keikogi laranja rasgado e sujo de sangue, com uma blusa azul por dentro, meio visível, além de uma faixa sobre a região da cintura e protetores nos pulsos. Ambos exibiam figurinos peculiares, mas magníficos, e pareciam ser adversários poderosos, apesar do sujeito de roupa rasgada estar cheio de machucados sobre o corpo.

Quase que de imediato, os dois viram a vilã se aproximar e subitamente ficaram tensos, preparando-se para o provável combate. Ivanildo, apesar da dor que sentia, fez esforço para ficar de pé, fazendo uma posição de luta simples, com as duas pernas separadas e os dois punhos firmados na frente de seu rosto; já D-Noidis, apenas empunhou sua espada e falou para o amigo:

— Eu vou atacar primeiro, viu? Vou tentar bloquear a foice dela, daí você ataca também.

Ivanildo assentiu, ciente de que a arma da inimiga era, no momento, o maior problema, além dos ferimentos dele mesmo, é claro. E ambos observaram quando a cavaleira parou de repente, sua boca se movendo:

— É bom que vocês lutem com seu poder máximo. Não quero que morram tão rápido. Entenderam?

Os dois se encararam por um instante, surpresos.

Bruna Timbó, a líder dos espectros, também podia falar!

E as surpresas estavam apenas começando...

Sem esperar que eles dissessem alguma coisa, a cavaleira foi a primeira a avançar, disparando em alta velocidade contra eles com a foice erguida. D-Noidis só teve tempo de se defender com a espada, quando a foice desceu, batendo no metal negro de sua arma e o lançando com força para trás.

Bruna sorriu, e moveu sua foice mais uma vez, agora atacando Ivanildo, mas ele conseguiu desviar por muito pouco, ouvindo o zunindo da lâmina cortando o vento enquanto passava a centímetro de sua cabeça. Ele se afastou um pouco, sentindo seu corpo se acostumando lentamente com os ferimentos, e projetou uma esfera azul de energia em uma das mãos, disparando-a contra a cavaleira, tão logo ela avançou novamente com a foice. A esfera voou de sua mão como um flash veloz e destrutivo, mas se partiu em duas quando a foice a cortou, e duas pequenas explosões iluminaram as laterais da cavaleira, deixando seus traços insanos ainda mais assustadores enquanto ela ainda avançava para estripá-lo. Bruna já estava bem perto, e Ivanildo sabia que não havia mais chances de projetar um novo ataque, pois a arma já descia contra ele...

“Tâââ...!” O metal zuniu quando Ivanildo segurou a arma afiada usando suas duas mãos, mas o metal frio era escorregadio e a cavaleira era muito forte. Aos poucos a ponta afiada descia, e o rapaz não conseguia tirar os olhos da ameaça mortal.

De súbito, Bruna recuou, girando seu corpo, quando D-Noidis surgiu com sua espada, investindo contra ela. A Foice da Morte e a Zangetsu de Ichigo se encontraram e começaram uma dança frenética, lançando faíscas e sons estridentes por todo o espaço apertado. Vendo os ataques violentos em alta velocidade, Ivanildo ficou ciente de uma coisa: sua força e velocidade atual, por maiores que houvessem crescido naquele momento, ainda não eram o bastante para vencer a inimiga. Mas ele sabia como mudar essa situação, ao se concentrar com muito esforço e puxar lá do fundo de seu espírito, um verdadeiro manancial de energia. Quando essa energia irrompeu para fora, fazendo seus músculos crescerem consideravelmente, as veias saltitando; ele urrou, e uma aura dourado o envolveu por completo, fazendo seus cabelos ficarem dourados e espetados e os olhos esverdeados. Com o corpo preenchido por uma nova e estranhamente familiar energia, ele visualizou a dança de espadas acontecendo e avançou.

Bruna ficara basicamente encurralada contra uma das estruturas de madeira que cercavam o corredor como um muro, quando o segundo guerreiro a atacou, e uma nova dança, ainda mais desorganizada, começou: de um lado, o garoto com a espada longa, desferia ataques velozes, que ela ainda conseguia interceptar; do outro, o guerreiro dourado tentava atacá-la com seus punhos e pernas, mas ela se esquivava dos golpes ou os bloqueava com a foice. No entanto, mesmo sendo a líder dos espectros, Bruna ainda era humana e possuía limites, então não demorou muito quando a exaustão começou a surgir, deixando seus movimentos mais lentos e sua defesa mais fraca, no momento em que a espada afiada do mascarado cruzou seu ombro esquerdo e desceu até o lado direito da cintura, arrancando um pedaço da armadura negra e abrindo um corte fino e dolorido em seu corpo. Ela gemeu com a dor, batendo as costas contra o pequeno muro de madeira e deixando a foice cair, então o pé do outro rapaz surgiu em seu campo de visão e bateu com força na lateral de seu rosto, arrancando a tiara em formato de leão e lançando a vilã perto da entrada do prédio do Auditório Plutão.

Machucada e exausta, Bruna cerrou os dentes, irritada por ter permitido que duas míseras pessoas lhe machucassem tão vergonhosamente daquela maneira. Mas ela estava ciente também de que aquilo havia acontecido por causa de sua imprudência, e não voltaria a permitir que fosse feita de palhaça. Assim que viu os dois cosplayers avançando em alta velocidade em sua direção, ela arregalou os olhos, e uma onda de impacto telecinético se projetou ao redor de seu corpo, arrastando os dois adversários para longe.

Pedras voaram e uma névoa de poeira se formou quando a líder dos espectros se levantou e usou sua telecinese para chamar a foice até ela. Tão logo a arma aterrissou em uma das mãos, ela sorriu, encarando os dois guerreiros, pronta para virar o jogo.

Ivanildo e D-Noidis se levantaram, levemente machucados, e olharam com novo espanto para a inimiga, que não parava de surpreendê-los. E foi nesse momento que o mundo ao redor deles parou e a mensagem telepática do verdadeiro Renny invadiu suas mentes, mostrando cenas do presente e do futuro. Quando tudo voltou ao normal, os dois se encararam por um instante, assentindo um para o outro ao entender que não havia mais tempo a perder com ceticismos, medos ou incertezas.

“Salvem o futuro!” A pequena frase de efeito no final da mensagem fora mais do que suficiente para convencê-los do que deveriam fazer, dando-lhes uma nova e mais profunda motivação para lutar.

Bruna notou que algo havia mudado no semblante dos inimigos, mas ela não sabia o que tinha os deixado daquele jeito — só sabia que aquilo não era hesitação por causa dela. Mesmo assim, ela procurou não se importar e avançou contra os dois — o solo sob seus pés se esmigalhando com a pressão telecinética que a envolvia como uma aura dourada —, mas de imediato os dois rapazes desviaram do ataque, saltando no ar. Bruna os viu parados muito acima de onde a barreira que lacrava o Centro de Convenções deveria estar, e desta vez foi ela que ficou surpresa, quando percebeu que a muralha de energia havia desaparecido misteriosamente.

Com mais espaço e liberdade para lutar em carga total, os dois cosplayers encararam a inimiga surpresa logo abaixo, antes de liberar seus poderes ocultos máximos para a batalha. D-Noidis se concentrou, buscando sua essência hollow interior enquanto equilibrava-a com os poderes de sua zanpakutou Zangetsu, então a máscara hollow em seu rosto tornou-se quase totalmente branca, com apenas uma linha vermelha passando do topo até o fim da máscara, enquanto raios preto-avermelhados dançaram ao redor de seu corpo com o súbito aumento de poder. Já Ivanildo, mesmo machucado, superou os limites corporais ao dar um grande e longo grito, fazendo o corpo vibrar à medida que puxava seu ki ao limite; e como resultado, sua aparência física mudou drasticamente, com os cabelos dourados mais leves, crescidos até a cintura, os músculos do corpo mais rígidos e visíveis e a sobrancelha totalmente ausente, dando ênfase ao supercílio exagerado.

Vendo o novo aumento de energia dos adversários, Bruna hesitou, sabendo que o segundo estágio do contrato não seria o bastante para vencê-los. Como a líder dos espectros, Bruna sabia de muitas coisas a respeito de si e dos demais cavaleiros, como os chamados “Contratos”, nome atribuído por Sauron aos níveis de poder que os Espectros do Anel poderiam liberar para ficarem mais fortes. O primeiro Contrato era chamado de Contrato do Anel, e este era o que obrigava os cavaleiros a lutarem do lado do mal, ganhando força, velocidade e resistência superiores, além de uma estilosa armadura de combate e dons especiais únicos; o segundo era chamado de Contrato da Alma, onde os espectros ganhavam um aumento exponencial de energia, fortalecendo seus dons especiais pelo menos duas vezes mais. Era este o Contrato que Bbruna usava agora, claramente identificável pela aura dourada que a envolvia. Todavia, ainda não era o limite dela...

Como era a líder, o Contrato do Anel que a obrigara a lutar do lado do mal era diferente dos que os demais espectros possuíam, e isso era claro pelas habilidades únicas que ela possuíam de pensar racionalmente, falar e exprimir emoções. Mas a maior vantagem que ela possuía era o terceiro Contrato — que provava sua superioridade entre os demais espectros —; e ela não perdeu tempo, ao ativá-lo para lutar contra os guerreiros, pois somente assim sairia vitoriosa.

De imediato, a energia da cavaleira se expandiu através da aura, e relâmpagos sibilaram ao seu redor, enquanto o resto da armadura negra — que se quebrava em estilhaços — e uma nuvem de poeira se misturavam ao brilho incandescente de energia que transmutava a aparência física da vilã. Ivanildo e D-Noidis observaram aquilo, espantados, sentindo o crescente aumento de poder dela modificar a paisagem externa do céu, que começou a escurecer com as nuvens negras, cobrindo o sol quase que totalmente num raio de sete quilômetros. De repente, um grito animal, espantosamente diabólico, emergiu da nuvem de poeira onde a inimiga estava, e então a luz dourada sumiu, os ventos se acalmaram levemente e um flash veloz saltou do chão, parando no meio do ar e encarando os dois guerreiros com olhos dourados de serpente em meio a escleras avermelhadas. Finalmente Bruna havia ativado o terceiro Contrato, intitulado Contrato de Satã, onde todas as suas habilidades físicas e mágicas quadruplicavam exponencialmente e novas habilidades especiais podiam ser utilizadas.

A criatura mexeu sua boca reptiliana, revelando dentes pontiagudos e uma língua grossa e pontuda, então ela olhou para os adversários, vendo que estavam totalmente horrorizados com a aparência dela; cujo corpo estava coberto por grossas escamas douradas, garras grossas e afiadas de sete centímetros despontando das mãos e dos pés e uma cauda longa balançando atrás de si.

— Perfeito! — sibilou Bruna com sua voz demoníaca, maravilhada, enquanto se analisava brevemente; depois ela se voltou para os dois combatentes, sorrindo, e perguntou: — Muito bem... Onde nós havíamos parado mesmo?

Um demônio se revela para os guerreiros!

Que novas surpresas revelará a líder dos espectros?

Notas finais
Semana que vem continuaremos o arco, e o capítulo será postado na Quinta Feira. Lembrem-se de deixar seus comentários sobre a história, após a leitura, e favoritem a fanfic.