Trigêmeos
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Thais pensava conhecer apenas duas faces de Daniel: o Daniel robô e o Daniel humano. O Daniel robô era o empresário extremamente profissional que só pensava em negócios. O Daniel humano era um homem solitário que tinha sonhos e planos de crescimento além da carreira profissional. Era gentil, educado e charmoso, além de inteligente.
Porém descobrira outro Daniel. Um sedutor que sempre tem um sorriso torto no rosto. Esse Daniel parecia sempre querer conquistá-la e era com esse Daniel que estava jantando. Não era um restaurante requintado que o Daniel robô a levaria, nem um romântico que o Daniel humano escolheria, mas um simples. Comida boa, ambiente agradável.
- Posso te perguntar uma coisa? _ Ele disse pondo a taça de vinho tinto na mesa.
- Pergunte.
- Você não está vendo esse jantar de forma profissional, está?
- Você deixou bem claro que não seria.
- Então posso considerar isso como um encontro?
- De forma alguma. _ Ela pretendia tirar aquele sorriso dos lábios dele, mas não conseguiu, ele esboçou um sorriso divertido. – Você me intriga. _ Admitiu.
Sabia lidar com as duas faces de Daniel. Aprendeu a lidar com elas durante os quase dois meses de convívio, mas aquela nova era diferente, parecia ser outra pessoa. Aos poucos percebeu que ele gostava de sinceridade, respostas diretas e sem inibição. Expor seus desejos e pensamentos era a melhor forma de conversar com ele.
- Até que ponto você está disposta a me explorar? _ Ele perguntou de uma forma tão pervertida que ela quase corou.
- Depende. Até que ponto você se deixa ser explorado?
- Você pode explorar o que você quiser. Só me diz aonde.
~OoO~
Thais só se deu conta do que estava acontecendo quando se viu sentada em uma cama queen size, que é o dobro de uma cama normal. Aquele não era o quarto dele, ao menos o que visitara inúmeras vezes. Já fazia um tempo que não ia a casa dele, mas não seria possível uma mudança tão radical.
Ele tinha ido atender um telefonema. Enquanto isso ela tirou os sapatos e soltou os cabelos. No quarto ao lado estavam os três irmãos. Enquanto Dante estava tranqüilo olhando o teto, e fumando — adquirira o vicio há cerca de dois anos -, Danilo e Daniel tentavam decidir quem iria primeiro.
- Eu a trouxe. _ Argumentou Danilo.
- Eu a encontrei. _ Finalizou Daniel indo para a porta.
- Você não vai falar nada? _ Danilo questiona Dante.
- Qual a diferença? Não importa a ordem, todos a teremos. _ Disse indiferente.
~OoO~
- Mudou de roupa? _ Thais se pôs de pé ao vê-lo na porta.
Ele esqueceu esse detalhe. Não estava vestido formalmente então ela podia pensar que ele apenas mudou de roupa. De qualquer forma não importava a roupa, iria tirá-la de qualquer jeito. Apagou a luz e se aproximou dela no breu.
Um leve gemido escapou de seus lábios quanto uma mão grande apoderou-se de sua cintura. Ele a puxou para mais perto e encostou seu corpo no dela. A outra pousou no pescoço e a trouxe para um beijo. As mãos delicadas tocaram seu peito e ele não conteve um suspiro.
Thais precisava saber com quem estava lidando, quais das facetas ele estava usando. Quando a mão dele, que estava em sua cintura, subiu calmamente por suas costas ela soube o que fazer. O Daniel que a levara para jantar não agiria com a calma que aquele a tocava.
Ela o imaginava feroz, faminto. Provavelmente a jogaria na cama e a despiria em um só movimento. Aquele que com toda a calma brincava com o fecho de seu vestido ela sabia quem era. Era o Daniel com quem convivera a maior parte do tempo. Não o robô, mas o humano.
Aquele Daniel, acreditava ela, preferiria ser dominado. Aguardaria uma tomada de atitude da parte dela, que se não viesse seria torturante para os dois. Provavelmente permaneceria naquela calma, embora o desejo estivesse ardendo e amostra em seus olhos.
Quando ele desceu o zíper o suficiente para um ombro ficar amostra ela viu a oportunidade. Virou-o de costa pra a cama e o empurrou levemente fazendo-o se sentar. Daniel a olhou surpreso, mas esboçou um sorriso tímido e aguardou quando Thais começou a descer o vestido. Quando a peça ficou sobre seus pés ela caminhou até ele.
~OoO~
Thais despertou quanto o calor do corpo de Daniel se afastou. Sentiu um segundo peso sobre a cama e de repente uma mão fria a tocou. O pequeno receio desapareceu quando abriu os olhos e encontrou um Daniel duro e com um sorriso torto acima de si.
O olhar de predador prendeu o seu. A excitação de quando se conquista algo que se quer há muito tempo sibilando nos olhos límpidos. Thais estava presa, ela era a caça, e estava adorando isso.
~OoO~
Uma boca sôfrega prendeu a sua, um gosto amargo de nicotina. O dono da boca, que se apoderou da sua, segurou fortemente em seu braço, pondo-a de quatro. Sendo acordada com tal brutalidade, assustou-se. Surpreendeu-se ainda mais ao ver o rosto de Daniel.
Uma mão a tocou intimamente, sem delicadeza, despertando o seu corpo apenas o suficiente para recebê-lo. Não reconhecia aquele toque, aquela pessoa. Uma exclamação aflita foi abafada pelo travesseiro quando ele tocou seu anel, ameaçando invadi-lo.
A imaginação fluindo na antecipação da dor do local virgem. Se ele a iniciasse com a brutalidade com que a tomava, com certeza, não esqueceria aquele dia, seria um trauma. Mas ele não o fez. Enroscou a mão nos cachos ruivos e a puxou para um beijo.
- Não farei.
Ele ofegou contra a boca dela e continuou os movimentos fortes contra ela. Tudo o que Thais viu, antes do corpo pesar e o cansaço imperar, foi um brilho estranho nos óculos sobre o criado mudo, ao lado da cama.
~OoO~
Thais abriu os olhos, o corpo doendo deliciosamente. Levantou da cama com todo o cuidado, sem fazer barulho. A cama estava vazia, mas podia ouvir o barulho do chuveiro. Abriu o armário que havia no quarto e pegou uma blusa, que ficou como um vestido, no meio das coxas.
Foi até o quarto onde costumava trabalhar com Daniel. Não se surpreendeu ao vê-lo dormindo ali. O dorso nu estava exposto, subindo e descendo no ritmo calmo da respiração. O celular dele tocou, despertando-o. Daniel passou a mão no aparelho, atendendo depois de ver o numero.
- O que houve? _ Sentou-se na cama apressadamente. – Como ela não está ai?! _ Olhou pra frente e a viu. – Está aqui. _ Desligou o telefone.
Antes de Daniel pensar em algo para dizer, Danilo já estava entrando no quarto. Daniel esperava que Dante viesse com ele, mas uma troca de olhar com o irmão informou que ele não viria. Provavelmente estava trancado em seu laboratório.
Daniel foi ao encontro do irmão. Não estavam preparados para aquilo, tinham planejado fazê-la se acostumar com os três antes de contar tudo. Naquela situação, seria bom se os três lhe explicassem tudo de uma vez, mas Dante parecia não se importar com isso.
Também não quis trocar de lugar com ele para conhecê-la melhor. Estavam preocupados com o irmão, mas tinham algo mais importante naquele momento: Thais, que aguardava o pronunciar deles.
Os dois discutiam em múrmuros, que ela entendia em parte. Atenta aos nomes descobriu o nome de quem a levou para jantar, o dono do sorriso torto, do olhar de predador: Danilo. O outro, o que usava óculos, ela supôs, se chamava Dante.
Pelo o que entendeu, estava trancado em seu laboratório e se recusava a sair apenas para explicar a ela o que estava acontecendo. Por algum motivo que desconhecia isso a entristeceu. Notara o descaso dele enquanto a tocava, lembrou-se que ele afastou-se dela na cama depois de atingirem o auge juntos.
Minutos depois se levantou e um corpo frio a abraçou. Ao menos dois deles haviam sido carinhosos, a sua maneira. Deus! O que ela estava pensando? Devia ser o cansaço. Claro que era. Thais caminhou até a cama e se deitou nela, despertando, assim, a atenção deles.
- Está frio. _ Se explicou quando os olhos curiosos pousaram sobre si.
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