Trigêmeos
4 Capítulo 4
Notas iniciais
- Como isso aconteceu?! _ Dante questionou, exasperado, tentando manter o tom baixo.
Thais suspirou e se moveu na cama. Enquanto aguardava uma explicação acabou adormecendo. Afastou um pouco a coberta apenas o suficiente para fita-los. Eles se olharam, pareciam decidir quem falaria. Passado alguns instantes de silencio e tensão, Thais sentou na cama, ainda agarrada a coberta e recebeu a atenção dos três.
- Daniel, Danilo e Dante. _ Disse olhando na direção de cada um.
Os três se olharam perguntando um ao outro quem tinha dito isso a ela. Como nenhum deles havia feito isso ficaram confusos. Com exceção das roupas, e dos óculos de Dante, eles estavam idênticos, eram idênticos. Como ela poderia diferenciá-los?
- Como sabe? _ Dante pergunta incomodado.
- Vocês são bem diferentes. _ Era a primeira vez que alguém dizia isso aos três. – Não é difícil identificá-los. _ Deu de ombros.
- Ela é psicóloga. _ Daniel lembrou.
- Desde quando sabe? _ Danilo questionou, pela primeira vez, sério.
- Já havia notado as diferenças, mas ontem tive certeza de que não se tratava da mesma pessoa.
- ...
- ...
- ...
- Mas por que isso? Algum fetiche de dividir a mesma mulher?
- Não é isso. _ Daniel tentou explicar. – Acontece que...
~OoO~
- Então a mãe de vocês previu isso. _ Ela tentava assimilar as informações. – Vocês e eu. _ Começava a entender o que Julio dizia sobre a ex-mulher. – Vocês são loucos.
~OoO~
Haviam se passado seis meses desde que haviam sidos rejeitados. Sim, rejeitados. Depois de concluir seu trabalho na empresa ela voltara a faculdade de marketing, e sumira da vida deles. Não que eles estivessem sentindo falta, de forma alguma. Se ela não tinha sido capaz de aceitar os três era porque não era ela a mulher que procuravam. Certo?
A empresa estava reerguida graças a ela, e é claro que Daniel nunca admitiria isso. Ao contrario do que pensou seus irmãos não voltaram para suas vidas. Por algum motivo não quiseram sair daquela casa, algo os prendia ali. Uma lembrança, talvez.
Daniel voltou a casar-se com seu escritório, Danilo com seus processos e Dante com seu laboratório. Recorriam vez e outra a uma companhia feminina para aliviar a tensão. Não era a mesma coisa. Há cerca de uma hora os três estavam sentados confortáveis nos sofás da sala de visitas. Olhavam um para o outro, entediados. Cansados das próprias vidas.
Dante parecia uma chaminé, Danilo tinha uma taça de vinho na mão e Daniel o caderno de esboços do pai. Saltaram assustados quanto a campainha tocou retirando-os brutalmente de suas divagações melancólicas. O susto foi maior ao ver Thais adentrar o cômodo.
O que ela estava fazendo ali? Era o que ela queria saber. Estava louca, tão louca quanto eles. Louca por querê-los, louca de desejo. Precisou de muito tempo para perceber que não seria a mesma depois de experimentar dos três, de cogitar tê-los só para si e ser apenas deles.
Estava confusa, apreensiva. Tinha medo de se envolver naquela história doentia. Ser dos três, se submeter a eles, seres totalmente diferentes. E se eles fossem infiéis? E se acabasse se apaixonando pelos três? E pior, se fosse só por um? Como viveria naquela casa sendo amante deles?
Como a apresentariam? Como seria vista pela sociedade a qual pertencia e tinha um papel importante, assim como eles? Eram pessoas publicas. Como perguntaria isso a eles? Como diria que os queria quando ela mesma havia recusado a proposta deles. Uma proposta tão tentadora que só de lembrar já se sentia molhada.
- Estava aberta. _ Os três permaneceram parados e calados.
Thais se aproximou e se sentou em um dos sofás. Os três a olhavam. Dante apagou o cigarro no cinzeiro da mesinha de centro. Tirou outro maço do bolso e pôs uma vara na boca, acendendo-a com um isqueiro. E então voltou a olhá-la.
- Queria ouvir, a proposta, novamente. _ Cruzou as pernas demonstrando seu nervosismo.
- Ser nossa mulher. _ Daniel baixou o olhar para o caderno, passando uma folha e fingindo começar a ler.
- Nunca se negar a nós. _ Dante soltou uma fumaça branca enquanto falava.
- Nunca se entregar a outro. _ Danilo bebeu um pouco do vinho contido na taça.
- Vir morar nessa casa, conosco. _ Daniel voltou a falar, ainda fingindo lê.
- Ser mãe dos nossos filhos. _ Deu uma forte tragada.
- Casar com um de nós três. _ Sugou um pouco mais de vinho.
- Deixar-nos cuidar de você. _ Passou algumas folhas.
- Ouviremos tudo que nos disser. _ Soltou a fumaça antes de falar.
- E seremos fieis a você. _ Esvaziou a taça.
- Com certeza uma oferta tentadora. _ Suspirou não se dando conta de que tinha pensado alto.
- Que você recusou. _ Murmura Dante.
Thais encarou Dante. Dos três, ele era o que mais a irritava. A forma como a olhava, indiferente como se não significasse nada. O descaso do toque dele, quase com brutalidade. Ela se pôs de pé e deu as costas aos três, que se sobressaltaram devido ao movimento.
- Tudo bem. _ Começou a andar.
- Veio até aqui apenas para ouvir a proposta novamente?
Dante se recompôs rapidamente, olhando para o alto e soltando mais um pouco de fumaça branca. Thais se voltou a ele, que a olhou com a mesma expressão de desdém que ela tanto odiava, enquanto os outros pareciam tensos.
- Não, eu pretendia aceitar. _ Sorriu. – Mas me parece que você não mantém a proposta. Imagino que já tenha escolhido outra.
- Não há outra. _ Sentia os irmãos com os olhos cravados nele. – E se você aceitar, não haverá.
~OoO~
Havia pressa, não foi preciso mais de uma semana para tudo estar pronto, sua mudança completa. Seu carro estava na garagem, suas coisas em um dos quartos, já tinha até as chaves da casa.
Atendera a algumas exigências deles, como manter coisas dela nos quartos deles e coisas deles no quarto dela. Riu por ter que comprar mais três vidros de seu sabonete líquido para por nos quartos deles, e por ter que manter algumas peças de roupas nos armários deles, assim como deles, em seu próprio guarda-roupa.
Eles perguntaram se ela teria alguma exigência, mas ela não o fez. Disse que o tempo a ajudaria a criar. Mas já tinha uma idéia, como, por exemplo, dar fim ao maldito cigarro que Dante sempre tinha entre os dedos.
Era noite, os quatro jantavam. Uma certa tensão pairava no ar. Era o primeiro dia de Thais ali e ela não sabia bem como agir com os três. Eles evitaram contato muito intimo com ela na semana que se seguiu após aceitar a proposta. O motivo era que eles não queriam assustá-la.
Ela já havia se surpreendido demais com a proposta, por não terem conseguido introduzir a idéia a ela com calma. Agora, pelo menos, tentariam deixá-la se acostumar a vida com eles, antes de expor seus desejos. Deixariam que ela decidisse, que se adaptar-se, até que pudessem exigir o corpo dela para saciarem seus próprios corpos da luxuria que os consumia.
A conversa fluía entre Daniel e Danilo. Falavam sobre as mudanças que fariam na casa, a necessidade de novos cômodos e de reformar outros. Dante olhava Thais sem nenhuma reserva. Ela, por sua vez, comia em meio a muitos pensamentos, mas atenta a conversa e ciente do olhar de puro desejo que Dante mantinha preso sobre ela.
- Temos que aumentar o laboratório.
- Podemos tirar a piscina.
- Não, a piscina não. Por que não diminuímos a cozinha?
- Não mexam na cozinha. _ Thais falou quase inconscientemente.
- Amanhã chamarei o Marco para ver o que podemos fazer.
- O novo marido da Pilar? Você o conhece?
- Quem é Pilar? _ Thais encarou Danilo.
- Com quem você dormirá essa noite?
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