Trigêmeos
21 Capítulo 21
Notas iniciais
Depois de muito tentar reescrever os ultimos capitulos, resolvi segui com a historia. Vou pegar a linha de novo e os capitulos vão voltar a ficar bons. ^^
Thais abriu a porta do quarto de Dante quase sorrateiramente, caminhou em silencio até a cama onde ele encarava o teto, permaneceu parada aguardando um sinal para que pudesse se aproximar.
Dante desceu seu olhar para ela. Estava linda, os cabelos soltos sobre os ombros, uma larga blusa cinza cobrindo pouco do corpo, a expressão doce de seu rosto. Vinha evitando-a descaradamente na cama. Quanto tempo fazia que não a tocava? Mais do que gostaria, suficiente para mantê-lo acordado a noite e enrijecer seu membro apenas por olha-la.
Estava gravida, uma gravidez frágil. Era o que repedia para si mesmo. Ele não era gentil, não sabia ser gentil, menos ainda durante o sexo. E por mais que sua mente cientifica soubesse que o sexo não prejudicaria a criança de nenhum jeito, que era até recomendando para facilitar o parto, algo dentro dele tremia de pavor ante a ideia de toca-la, com um estranho medo de feri-la.
Obvio que Thais era alheia a esse medo, provavelmente achava que não a queria mais, ou qualquer coisa do tipo, e a tinha deixado pensar assim. Mas, pelo visto, estava pouco disposta a aceitar a recusa.
Aguardar não tinha surtido efeito e ele permaneceu apenas encarando-a sem dizer nada. Com o ditado “quem cala consente” em mente, subiu na cama. Sentou-se sobre os joelhos e aguardou mais uma vez.
Thais tinha sido inconsciente, mas Dante notara os movimentos que fazia com os dedos, movimentos circulares sobre o ventre sem sinal de gravidez, uma postura quase protetora ante ao que quer que Dante fosse fazer.
Dante sentou na cama, ainda olhando-a. Ela tinha acendido a luz então sabia que ele estaria acordado, e, claro, com a iluminação via claramente que estava excitado. Só queria pensar em uma desculpa para manda-la de volta ao seu quarto, ou para que fosse ao quarto dos irmãos. Perguntava-se porque não tinha ido para eles em primeiro lugar. Desejavam-na ardentemente, um desejo muito forte que veio com o conhecimento da gravidez. E, o mais importante, sabiam ser gentis, sabiam ama-la com delicadeza, carinho e cuidado. Ele não sabia isso.
- Devia estar dormindo. _ Dante se viu obrigado a iniciar um dialogo antes que ela resolvesse dar o próximo passo por si só. – Já é muito tarde.
- Sim, é tarde.
Dante quase gemeu aflito, desesperado. Ela não estava disposta, nem um pouco disposta, a sair dali. Não, ela não queria ir ao quarto de seus irmãos, Thais queria a ele, e deveria sentir-se imensamente satisfeito com isso, mas apavorava-o enormemente. Conseguiria ficar alguns, bons 9, meses sem toca-la? Poderia aguentar? Ver seus irmãos toca-la e não poder fazer o mesmo? Enlouqueceria, certamente. E Thais jamais permitiria, sabia-o.
Dante se levantou da cama e rumou para a porta. Pensou que lhe chamaria, mas permaneceu calada. Sentia seu olhar em suas costas, marcando-o. Apagou a luz, suspirando pesadamente.
~OoO~
Thais acordou levemente com som de vozes em uma baixa discussão. Abriu os olhos, ainda estava escuro, mas sabia que já amanhecia. Permaneceu imóvel, sem querer que os irmãos soubessem que a tinham acordado, nem que parecem de falar e não pudesse saber o motivo da discussão.
- Eu sei que hoje é o meu dia de ficar com ela, mas não posso dizer ao juiz que não posso comparecer quando ele convocou.
- Eu entendo irmão. _ Diz Daniel. – Mas também não posso parar a minha vida toda porque ela não pode ficar sozinha.
- Você tinha dito que o efeito do remédio logo pararia. _ Diz Danilo a Dante. – Quando é esse logo? Não da pra ficar como esta.
- Eu preciso trabalhar. _ Diz Daniel. – Precisamos trabalhar.
- Já devia ter passado. _ Diz Dante. – Já deve estar no fim.
- Esse fim não chega nunca. _ Reclama Danilo.
- Eu fico aqui hoje, trabalho no laboratório, e ela me liga quando precisar de mim.
Thais se encolheu na cama sentindo-se repentinamente mal. Estava atrapalhando a vida deles. Não era culpa dela, era culpa do remédio que era obrigada a tomar, mesmo que já tivesse parado e o efeito não. Talvez o efeito já estivesse passado e ela insistia. Conforme orientação de Dante, não devia esperar que o desejo crescesse, devia chamar a um deles assim que se sentisse desejosa, por menor que fosse a faísca que sentisse. Era justo o que vinha fazendo.
Poderia aguentar. Pensou ela. Sim, claro. Não tinha tentado nenhuma vez. Aguardaria o retorno deles, a noite. Manter-se-ia em seu quarto, ocuparia sua mente, até que retornassem e pudessem cuidar dela. Não mais atrapalhá-los-ia.
~OoO~
- Como esta Thais? _ Perguntou Danilo assim que Dante atendeu ao telefone. – Estou indo já.
- Deve estar com Daniel, não me ligou.
- O efeito já deve estar passando, para ele ter aguentado sozinho sem pedir ajuda. _ Ri.
- Como esta ela? _ Dante perguntou ao por Daniel na conversa.
- Não sei. Não foi você que ficou com ela?
- Você não voltou para casa? _ Pergunta Dante preocupado. – Thais não me chamou.
- Acabo de sair da reunião, estou indo para casa agora. _ Diz Daniel. – Danilo?
- Também terminei agora.
- Pode ser que o efeito já tenha passado. _ Dante diz temeroso, caminhando apressadamente rumo ao quarto dela. – Talvez por isso não tenha me chamado. _ Abriu a porta do quarto dela e correu para a cama.
- O que houve? _ Daniel e Danilo questionaram juntos quando Dante praguejou em alto tom.
- Venham para cá agora! _ Abre uma das gavetas da cômoda. – Rápido. _ Desligou o telefone.
Doía, Deus! Doía muito! Todo o seu corpo estava úmido de suor, agonizava. Algo em seu interior se apertava em uma dor latente, já mal era capaz de manter-se de olhos abertos, sua pele ardia no contato com o lençol da cama. Ouviu outra voz em meio aos seus próprios gemidos. Era Dante.
Dante xingava e perguntava porque não tinha lhe chamado. Queria lhe dizer, mas não encontrava sua voz. Queria explicar, dizer que não mais iria atrapalha-los, que poderia esperar o fim do dia, espera que retornasse.
E por Gah que fosse o final do dia porque já não aguentava mais.
- Dói. _ Choramingou quando ele se aproximou.
- Sei disso. _ Destacou um comprimido da cartela. – Abra. _ Pôs um comprimido sobre os lábios dela. – Deixe debaixo da língua.
Precisava medir a pressão dela, precisava fazer muitas coisas com ela. Provas para garantir que estava bem, ela e seu filho. A gravidez estava muito no inicio, o feto muito novo e frágil. A pressão pelo efeito do remédio podia causar um aborto espontâneo.
Pegou-a no colo e a carregou para o banheiro. Seu peito apertava a cada choramingo dela. A depositou de pé no box, apoiando-a na parede e a sustentando. Desajeitadamente retirou suas roupas depois que ligou o chuveiro sobre eles. A agua fria estalou em suas costas e Thais gemeu, um gemido de alivio. Os olhos dela finalmente se abriram para olha-lo.
- Ruim. _ Disse-lhe ela.
- Sim. _ Aquele remédio realmente tinha um gosto tenebroso. – Mas mantenha-o abaixo da língua. _ Ela assentiu.
Dante molhou os cabelos dela, tirando pouco a pouco a roupa molhada, ainda servindo de apoio para ela. Thais permaneceu muito quieta, muito calada. Danilo foi o primeiro a chegar e ajudou a leva-la de volta para o quarto. A secou enquanto Dante se secava e trocava as roupas que molhara.
Thais se sentia melhor, respirava com mais facilidade, sua pele já não queimava, mas permanecia sensível. Danilo ficou encarando-a quando Dante saiu em busca dos equipamentos que precisava. Fez alguns testes nela, sombriamente calado e de cenho franzido.
Daniel chegou e praticamente invadiu o quarto. Tinha uma expressão aflita, mas manteve-se calado como todos no cômodo.
Quando Dante terminou, ele se sentou pesadamente sobre a cama e olhou para os irmãos que o encaravam de pé e de braços cruzados. O alivio que viram em sua expressão os fez sentar-se também, mas no sofá que havia no quarto.
- Está bem agora. _ Diz Dante.
- E a criança? _ Pergunta Daniel, sua voz grossa de preocupação.
- Disse-nos que se não fosse atendida rapidamente, poderia sofrer um aborto. _ Danilo diz com uma expressão quase torturada.
- Estão bem. _ Completa vendo os dois suspirarem aliviados.
- Sinto muito.
Thais chamou-lhes a atenção se encolhendo na cama como uma bola. Estava enrolada em uma toalha grossa, os cabelos úmidos espalhados ao redor de seu corpo. Estava de costas para eles. Não queria olhá-los, tinha medo do que veria. Só queria que tudo voltasse a ser como antes.
Por que tinha aceitado isso? Se perguntou ela chorosa. Estava causando problemas e preocupação para eles. Não era mais capaz de manter-se sozinha? O que tinha se tornado? Só estava gravida! Isso não era normal.
- Por que não me chamou? _ A voz de Dante foi dura. – Poderia ter... _ Se detém ao ouvir um soluço. – Esta chorando? _ Os irmãos se aproximam dela.
- Sinto muito. _ Repete.
- Não chore. _ Dante lhe acaricia o braço, sua voz ainda repreensiva.
- O pior já passou. _ Daniel disse de um lado da cama, acariciando sua coxa ternamente.
- Sim. _ Concorda Danilo, retirando os cabelos de seu rosto. – Não tem porque chorar.
- Eu... _ Soluça. – Ouvi vocês conversando hoje de manhã. _ Se detém quando os três praguejam em uma só voz.
- Thais... _ Começa Daniel buscando palavras para se explicar.
- Eu não quero atrapalhar vocês. _ Ela diz primeiro. – Eu achei que poderia aguentar. _ Se afasta deles, sentando-se na cama e abraçando os joelhos.
- O erro foi meu. _ Os dois irmãos olharam-no. – Deveria ter lhe avisado do perigo, das consequências. _ Diz Dante.
- Quando isso vai passar? _ O encara.
- Eu não sei. _ Balança a cabeça, repentinamente cansado. – Já deveria ter passado. _ Estende o braço para abraça-la. – Vai ficar tudo bem, vou descobri o que esta acontecendo.
Thais o abraçou de volta com força. Sentia-se muito frágil, muito temerosa. Necessitava a segurança que os braços dele ofereciam. Logo em seguida sentiu Daniel e Danilo se juntarem a Dante e a abraçarem também.
Ela devia estar feliz, pensou. Não, não estava feliz. Sentia-se débil e não podia deixar de culpar a criança. Que tipo de mãe era? Deveria estar pensando no futuro da criança, em comprar roupas e mima-la, mas só conseguia pensar em se livrar dela, em que ela saísse de seu interior e desse fim a bagunça que, mesmo no inicio de vida, fazia com seu corpo.
Os irmãos teriam vergonha dela se soubessem que renegava ao filho deles ainda no ventre. Odiá-la-iam por causa dessa criança. Mas como poderia não se sentir assim? Agora mesmo tinha estado agonizando, sentindo uma dor inexplicável dentro do próprio corpo, sem saber o que fazer para amenizar. Agora mesmo tinha sido repreendida por pôr a criança em risco com sua estupida tentativa de não atrapalhar a vida deles.
Quem se preocupara por sua dor? Não, preocuparam-se pela criança. E agora que se encontrava na segurança do consolo dos três, mais uma vez a criança se intrometia. Lá estava aquela sensação estranha em seu corpo, de novo.
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