Trigêmeos
22 Capítulo 22
Notas iniciais
- Bom dia.
Thais entrou muito sorridente na cozinha, recebendo sorrisos igualmente felizes dos três irmãos. Se via deslumbrante com pouco mais que 12 semanas de gravidez. O ventre já demonstrava seus traços arredondados, seu rosto iluminado demonstrava a alegria que sentia.
- Parece bem hoje. _ Comenta Danilo recebendo um beijo dela.
- Sim, nada de enjoos hoje. _ Beija Daniel.
- Que bom. _ Daniel lhe acaricia o ventre.
- Vai sair? _ Diz Dante depois de beija-la.
- Uma amiga me ligou pedindo minha ajuda.
- Que tipo de ajuda? _ Dante franze a testa.
- Não seja chato Dante. _ Vai para o seu lugar a mesa. – É um trabalho simples, sem nenhum esforço e ela precisa da minha ajuda.
- Você não esta bem para trabalhar. _ Diz Dante recebendo um olhar fulminante de Thais.
- Eu estou ótima.
- Não é bom que dirija. _ Diz Daniel com uma expressão preocupada.
- Vou de taxi.
- Thais... _ Dante começa tamborilando os dedos em seu copo.
- Não Dante. _ Thais pega a jarra de suco. – Se vocês não me deixarem ir trabalhar terei que arrumar outra ocupação e será não deixa-los ir trabalhar. Terão que permanecer aqui me ocupando. _ Os três gemem.
- Só tenha cuidado. _ Diz Daniel depois que Dante se limitou a um resmungo. – Só estamos preocupados por você e pela criança.
- Claro, claro, pela criança. _ Revira os olhos.
- Thais. _ Daniel a repreende. – Estamos preocupados por você também.
- Eu sei. _ Suspira. – Eu estou bem, só quero fazer alguma coisa além de pensar nessa criança, esta bem?
- Não vamos nos opor. _ Diz Dante olhando discretamente para Daniel. – Mas mantenha-nos informados ou enlouqueceremos.
- Sim, sim. _ Revira os olhos mais uma vez. – Ligarei de tempo em tempo dizendo que estou bem.
- Dizendo como esta. _ Corrige Dante. – Se não estiver bem dirá que não está bem e iremos busca-la. De acordo?
- De acordo, papai. _ Debocha ela.
- Essa nossa mulher esta precisando de um corretivo.
- Eu bem que quero, mas vocês estão moles só porque estou gravida.
- Moles? _ Dante ri divertido.
- Ouviu essa, Danilo? Thais disse que estamos moles com ela.
- É? _ Responde Danilo aéreo.
- Danilo, esta tudo bem? _ Pergunta Thais.
- Sim. _ Responde ele. – Só estou preocupado com um caso, nada demais. _ Se levanta. – Nos vemos mais tarde. _ A beija e sai.
- Estou preocupada com ele. _ Diz Thais quando Danilo sai. – Faz alguns dias que esta assim, distante.
- Não precisa se preocupar. _ Daniel também se levanta para sair. – Como ele disse, deve ser só algo do trabalho. _ A beija. – Logo passa. _ Sai.
~OoO~
- Thais, que bom que você veio. _ A abraça. – Assim que meu chefe sugeriu uma psicóloga eu só pude pensar em você. Sinto muito esta atrapalhando seu descanso.
- Que isso Ana, é um prazer. _ Sorri. – Sabe como gosto do meu trabalho. Só estava descansando mesmo por insistência do papai. _ Diz acariciando a barriga.
- Imagino. _ Ri. – Eu vou chamar meu chefe para conhecê-la, mas tenho certeza que ele vai aceitar sua ajuda, estamos meio desesperados. _ Ri sem jeito.
- Tudo bem Ana. Eu vou me sentar aqui. _ Senta em um dos sofás da sala de visitas. – Quando ele vier eu me resolvo com ele, não se preocupe.
- Certo. _ Vai até a porta. – Obrigada por ter vindo. _ Sorri antes de sair.
~OoO~
Thais se levantou quando Danilo transpassou a porta sendo seguido por Ana. Não podia acreditar que a tinha seguido. Seria um verdadeiro absurdo, uma total falta de confiança nela. Danilo, meio fora do mundo, caminhou até Thais e a beijou, meio no automático. Depois sentou-se no sofá e encarou uma Ana muito surpresa.
- Diga para a sua amiga entrar.
- Eu sou a amiga dela, Danilo. _ Diz Thais pondo uma mão na cintura.
- Vocês... _ Ana apontou de um a outro.
- Você é a psicóloga? _ Danilo pareceu acordar e se levantou rapidamente. – Não, você não vai se envolver nisso.
- Mas Danilo, ela é a melhor...
- Eu sei. _ Diz massageando a testa. – Mas eu não a quero nisso.
- Me desculpe, eu não sabia que... _ Ana começa a se desculpar.
- Você não tem culpa Ana. _ Thais diz para ela sorrindo, depois se vira para Danilo seria. – Eu não acredito que você precisava de uma psicóloga e não me chamou.
- Eu não quero você nisso. _ Ele diz pausadamente.
- Agora eu estou nisso. _ Diz do mesmo jeito.
- Não. _ Franze a testa. – Não Thais, Não.
- Por que não Danilo?
- É muito perigoso Thais. São pessoas perigosas. _ Diz negando com a cabeça. – E por Deus, você está gravida!
- Então é porque eu estou gravida?
- Não. _ Suspira. – É porque podem usar isso contra mim. Aqui eu não tenho mulher ou filhos, nada de família ou amigos.
- É verdade. _ Diz Ana.
- Se ponha no meu lugar. Como acha que me sentiria? Sabendo que estou pondo-os em perigo. E pior, se lhe fizessem mal, eu nunca me perdoaria Thais.
- Um pouco tarde, você não acha? Eu já estou aqui, quem quer que vocês temam já me viu. Meu rosto esta nos jornais, qualquer pessoa que passe por uma banca sabe que sou uma psicóloga.
Danilo permaneceu muito calado, muito quieto. O peito de Thais se espremeu em silenciosa espera. O silencio permaneceu. Danilo simplesmente passou por Thais e saiu, batendo a porta com força. Thais se voltou para Ana e passou a encarar a porta fechada, junto com ela.
Danilo seguiu para a sua sala, furioso consigo mesmo, com o mundo. Odiando a si mesmo e a qualquer pessoa que pudesse ferir a Thais. Clamou aos céus e a todos os deuses para que a protegesse da vida dele, de tudo o que o cercava. Estremeceu pensando no que estava a volta dele e que poderia agora atingir a Thais. Sentou-se em sua cadeira, detrás de sua mesa, sabendo que estava muito perto do desespero e precisava falar com alguém, com seus irmãos.
- Daniel? _ Ele diz assim que alguém atende a conferencia que iniciara.
- Dante. _ Reponde seu irmão. – Aconteceu alguma coisa?
- Thais esta aqui. _ Dante e Daniel xingam em uma única voz.
- Não me diga que esse era o trabalho. _ Diz Daniel em uma voz implorativa.
- Eu não sabia. _ Diz Danilo culpado. – Ana a chamou, não sabia que se conheciam.
- Irei busca-la agora. _ Diz Dante. – Não a quero nisso Danilo.
- Eu tampouco. _ Se defende. – Mas é tarde agora. Se estavam vigiando o escritório, já a viram, e se aparecerem aqui, saberão que Thais é importante.
- Isso é um desastre. _ Diz Daniel depois de mais uma sequencia de xingamentos. – Devíamos tê-la obrigado a ficar em casa.
- Nos odiaria, sabe disso.
- Mas estaria segura. _ Rebate Daniel.
- Não adianta pensar no que poderíamos ter feito, é tarde para isso. _ Diz Danilo consternado. – Não tenho outra opção que seguir com o caso, com ela.
- Não! _ Disseram os dois irmãos juntos.
- É muito perigoso.
- Ela já esta metida nisso Dante. Não tem jeito. É melhor agir como se ela fosse só uma psicóloga contrata para auxiliar no caso.
- E como fará? Acha que não os seguirão a ambos? Que não tem um espião no escritório para ver a interação de vocês? Não há como fingir que ela não é nada para você Danilo! Está escrito em sua testa, em nossas testas!
- Dante tem razão, Danilo. Estará sempre preocupado por ela, verão em sua expressão.
- Ainda sou um advogado irmãos. Um muito bom no que faz. Sei manter o decoro e uma postura profissional quando é necessário.
- Quero ver você manter uma postura profissional quando ela estiver se sentindo mal ou precisar interromper algo por causa da gravidez. Irá dizer-lhe que precisa continuar ou vai manda-la vir para casa descansar, Danilo?
- Partir-me-ei, mas lhe direi para continuar. Sabem que farei e por isso se preocupam, mas não há outra opção para nós. _ Suspira cansado. – Preciso que estejam comigo.
- Esta pondo tudo o que nos é importante em perigo, Danilo. _ Começa Daniel depois de alguns minutos de silencio. – Cuide-a bem. Garanta-lhe o máximo de segurança que puder.
- Se algo lhe acontecer... Se algo lhes acontecer... _ Se corrige.
- Que nada lhes aconteça, Dante. _ Diz Danilo. – Porque se algo acontecer, eu mesmo me tiro a vida.
~OoO~
- Você entendeu Thais?
- Eu entendi. _ Suspira cansadamente. – Já entendi. Podemos começar?
Danilo assentiu, caminhando para a porta. Tinha a chamado para uma conversa séria. Obvio que não o tinha feito em seu escritório, não era tolo. Tinha-o feito na sala mais segura, o cubículo onde instalara uma minúscula cozinha. Ali tinha absoluta certeza de que ninguém desconfiaria de nada. Tinha a alertada de tudo. Da postura profissional, de fingir que não se conheciam e que não tinham qualquer relação fora dali. Falara sobre a comida, não deveria comer nada que ele não tivesse dado pessoalmente, e deveria comer e beber tudo até o fim, no momento em que a comida ou a bebida abandonasse suas mãos, não deveria tocá-las mais.
Iriam para casa por caminhos diferentes. Thais seria levada por um dos seguranças, aquele em que mais confiava. Ele a deixaria em uma das casas do condomínio, onde seguiria com o carro de Danilo para casa.
Thais aceitara bem as informações e montara uma postura profissional muito convincente. Caminhara elegantemente ao lado dele, detendo-se onde ele indicara. Entraram em uma sala escura, onde mais duas pessoas se encontravam encarando uma tela de vidro. Do outro lado da tela, um homem baixo e careca, um pouco corcunda, estava sentado frente a outro homem, muito bem arrumado. O homem engravatado apenas assentia enquanto o bem mais baixo gesticulava e falava sem parar.
Danilo indicou que se aproximasse mais. O silencio da sala era quase fúnebre, todos compenetrados no que o homem dizia. Thais observou ao homem, ignorando a voz nervosa que saia pelo alto-falante. Danilo permaneceu todo o tempo ao lado dela. Quando o homem finalizou sua historia, todos os presentes saíram, deixando Thais e Danilo a sós. Danilo a olhou, mas Thais permaneceu encarando o homem baixo que bebia um copo d’água nervosamente.
- Ele diz a verdade Danilo.
- Acaso ouviu o que ele disse? _ Danilo encara o homem. – Sua historia é absurda, sem qualquer sentido.
- Mas é a verdade.
- Ele não tem provas ou qualquer testemunha. Tudo aponta para o contrario do que ele diz. E esta uma pilha de nervos.
- Viu como contou a historia? _ Perguntou ainda sem olha-lo. – A forma como falava e gesticulava? _ Imitou os gestos nervosos. – Ele estava narrando um fato, não contando uma historinha. Ele não inventou nada do que disse. _ O encara. – Ele diz a verdade. _ Repete.
- Tudo bem. _ Danilo assente. – Só tem que provar isso diante do júri.
- Esse é o seu trabalho, não o meu. _ Diz com um sorriso.
~OoO~
- Cara, não acredito!
- Acredite. _ Responde Danilo.
- Não. Serio mesmo? Sua mulher é a psicóloga?
- Não ri Ricardo. _ Danilo massageia a testa.
- Cara, essa é a pior coisa que podia te acontecer. O que ela disse?
- Que o infeliz diz a verdade.
- É claro que ele diz a verdade, já sabíamos disso. Ele só não tem como provar. _ Diz Ricardo. – Sabe que isso vai ser um problema, não é?
- Que outro problema além de ter minha mulher metida nisso tudo?
- Exatamente o de ter sua mulher metida nisso tudo.
- O que quer dizer?
- Para os de fora, a lei é justa. Aqui, a lei é justa para quem tem provas ou dinheiro para criar provas. Thais não vai aceitar isso porque ela tem a mente dos de fora. Ela ainda não tem em mente que a verdade é aquilo que você pode provar.
- Não acho que Thais causará problemas quanto a isso. _ Diz incerto.
- Já disse a ela que irão contra o infeliz que diz a verdade?
~OoO~
Thais se moveu mais uma vez na grande cama. Seu corpo roçou o bem maior de Danilo que suspirou. Voltando a ficar quieta do seu lado da cama, Thais encarava a escuridão. Algo no peito dela doía, seu estomago se revirava em protesto e sentia-se mal, doente. Aquilo nada tinha que ver com a gravidez e seus, quase constantes, mal estares. Aquilo era sua consciência protestando.
Como Danilo podia ser tão frio, tão indiferente ao destino daquele pobre homem? Como podia participar de sua ruína, sabendo que não era culpado? Estava deitada ao lado desse homem. Um homem capaz de ignorar todos os conceitos de moral, de seguir uma linha suja por dinheiro. Deus! Do que mais Danilo seria capaz? Feri-la-ia algum dia? Se acaso se separassem, tomaria dela a criança que carregava agora no ventre, que sofria com esse peso e sofreria por mais alguns meses? Thais estremeceu com o pensamento.
Sentia verdadeira dor. Algo no fundo de seu ser se apertava em protesto, agonia e dor. Algo clamava que levantasse sua voz e fizesse ouvir sua opinião, mas temia. Temia ao homem que agora estava tão afastado de seu corpo quando a cama de casal permitia. Sentiu-se fria, suja, por ter sido tão tola, inconsciente de quem era a pessoa que muitas vezes permitiu tocá-la intimamente. Que se permitiu apaixonar-se. Amava aquele homem, o mesmo homem que condenava um ser inocente, culpado de estar no lugar errado, na hora errada e de ter procurado o diabo para defendê-lo perante deus.
Sentiu a bílis em sua garganta. A vontade torpe de se despoluir pela boca. Mas não havia nada o que por para fora – e nem para dentro! Não queria alimentar a nada que vivia dentro dela. Punha-a doente. Sentia-se apavorada e desejava estar suando. Desejava que o suor levasse tudo de ruim que a fazia sentir débil, indefesa, impossibilitada de defender ao homem que mais necessitava ajuda. Defende-lo do homem que amava, que pretendia destruí-lo.
Lamentou-se em um gemido baixo, mas suficiente para chamar a atenção de Danilo que permanecia acordado, consciente da inquietação do corpo feminino que, mesmo distante, lhe transmitia calor. Tinha-lhe quase obrigado a dormir com ele. Depois que os irmãos a sufocaram com abraços, a evidente preocupação em suas expressões, tinha-a tomado deles, mantendo-a junto a ele. Não a tocara, deus, havia pavor em seus olhos, decepção e uma pontada de repugnância. Feria-o, matava-o por dentro. Sentia-se destroçado diante de seu olhar, mas mantivera sua face inexpressiva, fria, e a obrigara a dividir a cama com ele.
Necessitava só senti-la perto, o calor de seu corpo, seu perfume. Desejava que o abraçasse, que o tocasse com amor, mas contentou-se apenas em tê-la, em ela ainda se dignar a olhá-lo. Sequer se atreveu a abraçá-la. Tinha medo que o rechaçasse, e seu rechaço seria seu fim. Ricardo tinha tido razão. Thais enfurecera-se quando soube que não defenderiam ao homem que ela tão irremediavelmente julgava dizer a verdade. Não houve briga, sequer uma frase em defesa, em desacordo da decisão tomada. Não, ela não dissera nada. Seus olhos o fizeram, dispensando completamente as palavras.
Lá no fundo das íris profundamente verdes que o encaravam quando a informação lhe foi passada, nadava a forte decepção que sentiu por ele, pela atitude que estava tomando, a raiva e a tristeza. Logo depois um medo surgiu quando se deu conta que era isso o que ele fazia para viver: destruía vidas. Talvez não tenha sido consciente, mas Danilo notou o movimento nervoso, a posição protetora que tinha, desde que descobriram que estava grávida, os dedos que se moviam em círculos sobre o ventre que quase não se fazia notar.
Danilo sentiu o estremecimento de seu corpo, suspeitando a linha de pensamentos que tinha. Sua respiração era forçadamente lenda, seu corpo estava imóvel demais para alguém que dormia e estava tensa. Via seu corpo rígido, aguardando um ataque. Tinha uma mão sobre o ventre, protetora, temerosa. Danilo suspirou mais uma vez e se moveu na cama. Aproximou-se dela, seu corpo pronto na necessidade de defender-se, a ela e a sua criança. Ignorou isso, o fato dela o ver como uma ameaça para seu próprio filho, e a abraçou. Acariciou-lhe o braço ternamente, desejando que se amolecesse e se aconchegasse nele, mas isso não aconteceu.
- Por quê? _ Ela murmurou a pergunta, aparentemente sem contexto.
- É assim que as coisas funcionam. _ Respondeu Danilo, sua voz fraca, sentida.
- Mas ele diz a verdade. _ Choraminga ela. – Diz a verdade Danilo, sabe disso.
- Eu sei, meu amor, mas eu não posso fazer nada quanto a isso. Não há provas, sequer testemunhas.
O silencio retornou. Thais voltou a estar calada, quieta, aparentemente aceitando o que tinha lhe dito. Sabia que não era assim, sabia que jamais aceitaria. Aceitara apenas o fato de que não o faria mudar de idéia. E de que estava dormindo ao lado de um monstro.
~OoO~
- Alô? _ Murmura uma voz sonolenta ao telefone. – Danilo, é você? Sabe que horas são?
- Sim, eu sei. _ Diz Danilo ao telefone.
- Aconteceu alguma coisa para você estar me ligando a essa hora? É bom que tenha acontecido. _ Resmunga.
- Quero que você assuma o caso do parapeito.
- Por quê? _ Diz Ricardo mais desperto.
- Você estava certo. _ Encara Thais que dormia. – Thais não aceitou bem e não quero levar esse peso comigo.
- Eu lhe disse. _ Ri. – Ela não gostou de saber que você já deixou de ouvir sua consciência, não é? Está tão distante que esta de enlouquecendo, certo?
- Você vai pegar ou não? _ Diz aborrecido.
- Vou, é claro. _ Fica em silencio. – Por que não descansa um pouco Danilo?
- Descansar? Por quê?
- Você não é mais o garanhão solteiro cheio de disposição, cara. Você tem uma família agora, mulher e, em breve, filho. _ Se detém. – Esta na hora de você se estabilizar, parar de correr risco.
- Quer que eu abandone minha área?
- Você me disse uma vez que não se importava em correr risco porque não tinha ninguém te esperando em casa.
- Tem razão. _ Acaricia o rosto de Thais. – Minha área vai ficar descoberta.
- Eu vou assumir sua área, até que eu consiga uma mulher para mim também. _ Ri. – Você já fez sua vida cara, é hora de aproveitá-la.
- Lembra do Benni?
- Quando o trabalho põe em perigo aqueles que amam... _ Diz filosoficamente. – É hora de cair fora.
- Chegou a minha hora.
~OoO~
Quando Thais acordou, sabia que estava sendo observada. Quando abriu os olhos, confirmou isso, pois encontrou dois ônix olhando-a, muito próximos. Suspirou se afastando para o outro lado da cama. Foi detida, no entanto. Quando Danilo a pegou e a puxou, esforçou-se para não gritar, mas não pode deter o estremecimento de medo que transpassou seu corpo. Danilo a abraçou com força, seu rosto escondido em seus cabelos.
- Você não pode deixar de me amar. _ A voz dele soou tão débil, tão ferida, tão desprovida de ameaça, que a fez relaxar. – Você ainda me ama, não é? Preciso que você me ame.
- Dan... _ Diz em um murmúrio, ficando sem ar com o forte abraço. – Preciso respirar.
- Desculpe. _ Afrouxa o aperto. – Você me ama?
- É claro que eu te amo. _ Respondeu tomando ar.
- Então você não vai se importar de ficar mais tempo comigo?
- Não, não vou me importar. _ Diz pensando que ele se referia a trabalharem juntos. – Agora pode me soltar? Chegaremos atrasados.
- Não temos nenhum compromisso agora. _ Beija seu pescoço. – Vamos aproveitar um pouco a manhã. _ Sorri contra sua orelha, mordiscando-a.
- Acaso esqueceu que tem um trabalho? _ Diz quase em um gemido.
- Não, não esqueci. _ A vira de frente pra ele. – Deixei o caso. _ Thais pisca surpresa, mas permanece calada. – Ricardo vai assumir. _ Continua. – Concluímos que tenho trabalhado demais e preciso de férias.
Thais subitamente lhe abraçou, subindo por cima dele, apertando seu pescoço entre seus braços. Danilo retribuiu o abraço sorridente, alegre com a alegria dela. O aperto em seu pescoço começou a sufocá-lo e se viu obrigado a fazê-la soltar seu pescoço, mas a manteve em seus braços. Quando o encarou, sorria amplamente.
- Obrigada. _ Diz olhando para as mãos que descansavam no peito dele. – Sei que fez isso por minha causa. _ Volta a olhá-lo. – Eu não conseguiria viver com isso.
- Eu sei. _ Deposita um beijo em seus lábios. – E eu não conseguiria viver sem você.
~OoO~
- Eu sempre achei que isso não combinava com você.
- Na época do colégio você queria fazer geologia.
- Geografia. _ Danilo corrige Dante. – Mas eu gosto do que eu faço. Não me arrependo da minha escolha.
- Um pouco cedo para uma aposentadoria.
- Você vai se aposentar? _ Pergunta Thais se sentando a mesa.
- Não. _ Ri. – Só vou sair da área criminal.
- E o que fará agora?
- Vou ajudar o Daniel na empresa. _ Diz encarando o próprio prato.
- Você esta bem com isso? _ O encara. – Não precisa sair por minha causa. _ Olha para o copo que tinha nas mãos. – Estive bem até agora sem saber, posso continuar sem saber.
- Nós dois sabemos que você não pode. _ Thais suspira envergonhada. – Mas não é só por isso que vou sair. Não quero mais correr risco. Tenho coisas muito importantes que não quero perder. _ Toca-lhe o braço. – Tenho uma mulher para cuidar. _ Sorri.
- Uma que da muito trabalho. _ Diz Daniel divertido. – Muito trabalho.
- Em breve também terei um filho para ensinar a ser um excelente advogado, como o pai.
- Pode esquecer. Meu filho não vai ser advogado, vai ser médico. _ Diz Dante. – Neurologista.
- Espera. _ Diz Daniel. – Alguém tem que cuidar da empresa da família.
- Não liga, meu amor. _ Thais diz acariciando o ventre. – Você vai ser uma menina linda, uma modelo muito famosa e muito procurada pelos meninos. _ Dante e Daniel gemem. – Que vai enlouquecer os seus pais. _ Sorri encarando Danilo. – Todos eles.
~OoO~
- Thais, sente-se aqui.
Dante acomodou Thais no sofá, acariciando seu braço nervosamente. Thais o olhou e depois para Daniel que estava igualmente aflito ao seu lado. Viu como Daniel passou a mão no cabelo, jogando-os para trás em um gesto nervoso, coisa que só fazia quando o assunto era muito serio. Thais estremeceu em aflição.
- Preciso que fique calma e ouça o que tenho para dizer. _ Continuou Dante, depois que a deixou sentada.
- O que aconteceu? _ Thais perguntou temerosa.
- Fique calma.
- Não me peça pra ficar calma que fico mais nervosa Dante. _ Thais tentou se levantar, mas Daniel a impediu. – O que aconteceu? Onde está Danilo?
- Ele foi abordado na rua. _ Começa Daniel. – O cercaram no caminho de volta do supermercado. _ Respira. – O escritório dele assumiu um caso de assassinato envolvendo um político, ainda não foi divulgado que ele saiu, pensaram que ele era o responsável pelo caso e foram atrás dele.
- Oh meu deus. _ Thais leva a mão a boca em um soluço.
- Ele esta no hospital, levou um tiro...
- Quero vê-lo. _ Se levantou, mesmo com a mão de Daniel a mantendo sentada.
Thais levou uma mão a barriga sentindo uma pontada de dor. Fechou os olhos por um instante, buscando forças para ignorá-la. Se eles soubessem da dor, não a deixariam ir até Danilo e precisa estar com ele.
- Ele esta bem. _ Dante a pega pelo braço, sustentando-a e caminhando até a porta. – Foi só de raspão.
- Não fique nervosa Thais, fará mal a criança. _ Daniel se põe do outro lado, sustentando-a também, quase a carregavam.
Faria mal a criança? E Danilo? Estava mal, ferido, em um hospital. Como não estaria nervosa? Como podia importa-se com qualquer outra pessoa que não com Danilo? A criança pensava como ela, pôs seu ventre doía. Pontadas de dor lhe sacudiam. Os Irmãos pensavam que era o desespero por Danilo, e deveria ser, mas não vindo dela.
Seu bebe queria esta perto do pai, assim como ela. Seu bebe temia por Danilo. Sentiu como seu coração se amolecia com esse conhecimento. Como se apaixonava por aquele ser que crescia dentro dela. Compartilhavam o mesmo interesse, amavam as mesmas pessoas.
- A criança esta bem. _ Garantiu-lhes com a voz falhada. – Esta querendo ver a seu pai.
~OoO~
- Não precisavam tê-la trago aqui. _ Dia Danilo abraçado a Thais.
- Como se pudéssemos contar a ela e simplesmente deixá-la em casa. _ Diz Dante. – Não sabe como é nossa mulher.
- Calma, amor, pare de chorar. _ Acaricia-lhe o cabelo. – Estou bem.
- Fiquei preocupada. _ Se afasta um pouco tocando o ventre que latejava.
- Esta sentindo alguma coisa? _ Pergunta Daniel.
- Não. _ Diz rapidamente, com medo de que lhe afastassem de Danilo.
- Sente-se. _ Ordena Dante, já levando-a a poltrona que havia no quarto.
- Já vamos para casa. _ Diz Danilo tentando acalmá-la, vendo a expressão quase desesperada que tinha no rosto.
- Sim. _ Acaricia o ventre, tentando aliviar a dor. – Tudo vai ficar bem.
Notas finais
Não se preocupem. Logo capitulos melhores.
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