Trigêmeos

9 Capítulo 9


Notas iniciais
Capitulo 9 de 50.

Dante deitou-se na cama, suspirando. Primeiro a desconfiança dos irmãos e agora ela estava chateada com ele por um motivo bobo. Ele a tinha deixado dormindo, na cama dele, para ir a sala conversar com os irmãos. Parecia um crime. Sempre faziam parecer um crime quando se tratava dele. Duvidava que ela tivesse a mesma reação negativa se fosse com um dos irmãos. Claro que não veria assim.

Thais passou silenciosamente, sem ser percebida, pelos gêmeos que encaravam o nada, sentados no sofá, presos em seus próprios pensamentos. Entrou em seu quarto e rumou ao banheiro. Ainda tinha o cheiro de Dante em seu corpo e, se quisesse pensar com clareza, precisava tirá-lo de si. Debaixo do chuveiro, depois de se ensaboar, fazer bastante espuma e impregnar o banheiro com o cheiro do sabonete, ela se pôs a pensar.

Danilo já tinha se casado. Não era um pecado, mas gostaria de ter descoberto de outra maneira. Sabia que ele contaria a ela, ele dissera que o faria. Parecia inseguro em contar e mal por não fazê-lo. Entendia-o. Não o julgaria quando o fizesse, mas iria enchê-lo de perguntas sobre a mulher, com certeza. Suspirou, desligando o chuveiro. Enrolou-se em uma toalha, esboçando um sorriso triste ao lembrar-se de Danilo dizendo que não queria perdê-la.

Eles tinham medo de perdê-la, eles se importavam com ela. Danilo e Daniel. Eram gentis, se preocupavam com sua opinião, queriam agradá-las, queriam tê-la com eles. Podia ariscar que houvesse mais do que desejo por ela, mas apenas eles dois. Talvez, e apenas talvez, os amasse. Não se importaria em dividir sua vida com os dois, em entregar seu coração a eles. Cuidariam bem dela, tinha certeza. Dante era seu problema.

Ele dissera que a queria, que se importava com ela, que não estivera com outra mulher e que não o faria, mas ele não demonstrava isso. Sempre indiferente, sempre frio, sempre a tratando com desdém. Roubava-a na madrugada, dizia que não queria dividir o momento com os irmãos. Talvez só não quisesse dividir a cama, como mencionara certa vez.

Seus toques sempre sem delicadeza, quase brutos, mas era o jeito dele. Certo? Nunca procurava o contato com ela depois de utilizar de seu corpo para saciar seus desejos. Era sempre ela que o fazia. Ele não parecia se importar com ela, com o que sentia. Não tomara a parte que dissera ser dele, e era algo importante. Pelo o que disseram, era algo muito importante que ele se recusava a fazer.

Não poderia se casar com nenhum deles enquanto ele não o fizesse. Era a ligação definitiva em relação ao que faziam, a loucura que faziam, e ele não queria. Não queria firmar uma ligação com ela. Talvez não a quisesse, como os irmãos, talvez esperasse que eles se cansassem dela e procurassem outra. Ele não a amava, apenas a desejava. Mesmo tendo se convencido que era isso o que os três sentiam por era, foi doloroso ter certeza.

Ele não a amava, um deles não a amava. Thais tinha temido entrar em algo tão insano, amar os três, amar apenas um, mas nunca pensou em ser amada pelos três ou não ser amada por um. Eles prometeram que seriam fieis, Dante dissera que seria fiel, apenas por não querer que ela estivesse com outro, mas dissera aos irmãos isso. Podia confiar nele? Se ele tocasse em outra mulher, faria o que o irmão pediu? Não a tocaria?

Thais se perguntava se poderia suportar uma vida assim, por Daniel e por Danilo. Perguntava-se como pudera se apaixonar por alguém como ele, como Dante. Que vida estava destinada a viver sendo amante dos três, amando os três e sendo amada apenas por dois?

~OoO~

- O que fazem aqui? _ Dante pareceu realmente surpreso ao passar pelos irmãos.

- Pensando na vida. E você? _ Danilo responde ao acaso.

- Thais não está com vocês?

- Ela não estava com você? _ Daniel o questiona inquisitivo.

- Quando cheguei ao quarto ela estava calçando chinelos para vir até vocês, disse que dormiria com você. _ Diz a Daniel.

- Eu não a vi passar. _ Diz Daniel se pondo de pé e caminhando para o seu quarto.

- Nem eu. _ Confirma Danilo.

Daniel entra em seu quarto, verifica a cama e o banheiro constatando que Thais não se encontra no cômodo. Faz o mesmo no quarto de Danilo e não a encontra. No quarto dela, entra devagar e, logo que avista a cama, a vê dormindo, então volta para a sala.

- Está no quarto dela, dormindo. _ Diz recostando-se no sofá.

- Aconteceu alguma coisa? _ Pergunta Danilo a Dante.

- Não. _ Deu de ombros.

~OoO~

A cama parecia tão grande agora que não tinha nenhum dos irmãos com ela. A sensação que tinha era de que faltava algo. Alguém na verdade. Faltava alguém ali para ela abraçar, para beijá-la e tocá-la. Para sussurrar coisas em seu ouvido, para observá-la dormir... E foi com esses pensamentos que ela pegara no sono, mas já era acordada.

Ela conhecia aquele toque. Aquela mão áspera que deslizava calma por sua coxa, aqueles lábios que traçavam um caminho por sua barriga até a curva de seus seios, ainda sem tirar a toalha. Manteve os olhos fechados, sorriu quando os beijos chegaram ao seu colo e a toalha começava a deixar seu corpo, lentamente.

- Daniel... _ Ela murmurou quando um beijo terno foi depositado em seu queixo e logo em seguida no canto de sua boca.

- Já não sabe distinguir entre nós?

Aquela voz, o sorriso torto que se formou em seus lábios, que agora beijavam seu pescoço, o tom zombeteiro baixo. Ah, sim, ela conhecia bem aquele corpo que se punha sobre o dela, duro e desejoso. O que ela não sabia era como aquela voz, carregada de cinismo e deboche, estava junto com aquele toque, calmo e gentil. Então abriu os olhos e o encarou.

- Dante? _ Ele beijou-lhe a ponta do nariz antes de deslizar um dedo por sobre a toalha, revelando aos poucos o corpo dela. – Estou sonhando. _ Ela concluiu.

Dante riu, divertindo-se com a confusão nos olhos dela. Desceu seus olhos pelo colo e pela pele que ia se expondo abaixo dele. Demorou mais tempo para retirar todo o pano de cima dela do que normalmente demorava em despir os dois. E a confusão nos olhos dela permanecia forte, talvez ela acreditasse mesmo que estivesse sonhando.

- Costuma sonhar comigo? _ Ele questionou, baixando a boca sobre os seios dela, mantendo seu olhar preso ao dela.

Ela gemeu, fechando os olhos com força. Era tão estranho e tão excitante imaginar Dante fazendo algo assim. Não sabia porque estava sonhando com isso, mas era ótimo. Senti-lo apreciando seu corpo, com calma e gentileza, como Daniel fazia. Suspirou, tentando controlar sua respiração, ou seu coração. Batia tão rápido que tinha certeza que ele podia ouvir.

- Não, não tenho o costume de sonhar com você, muito menos agindo como o Daniel.

- Abra os olhos. _ Ele exigiu, como Danilo costumava fazer. – Aprecie.

E novamente baixou a cabeça, dessa vez tomando o outro. E ela apreciou. Viu-o baixar a boca até seu bico intumescido, viu-o fechar os lábios ao redor dele, ouviu-se gemer. Depois de tomar seus seios na boca, de mordiscar os bicos, beijar toda a extensão do colo, ele desceu para a barriga, lentamente.

- Isso vai ser frustrante. _ Ela apoiou-se nos cotovelos, suspirando pesadamente, encarando-o.

- Não quer que eu faça? _ Ele soou ofendido, erguendo-se sobre ela e encarando-a.

- Quero, quero muito, e deve ser por isso que estou sonhando. _ Ele sorriu de canto. – Mas, quando eu acordar...

Notas finais
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