Trigêmeos
27 Capítulo 27
Notas iniciais
- Bom dia, pequena índia.
Thais observou Daniel afagar os cabelos da menina como se ela fosse uma criança. Ela agia como uma; e o tratamento dos gêmeos não a incomodava. Não acreditaria se outra pessoa tivesse lhe dito, a jovem não tinha completado seus 16 anos. Esses jovens precoces, resmungou em pensamento. Quando tinha dito a ela que era a mulher dos donos, a menina tinha pulado em seus braços, cumprimentando-a com uma alegria infantil. Rose se desculpou pela brincadeira da jovem, dizendo que ela a admirava e queria ser como Thais um dia. Viu como Daniel e Danilo sorriam para ela, como se observassem uma criança animada com seu novo brinquedo. Não pareciam notar o corpo muito bem formado e exposto. Ela própria já tinha dificuldade de notá-lo quando a menina a olhava com os olhos brilhantes e seu sorriso infantil. Estava sendo adotada pelos gêmeos, até Dante, ela estava pouco a pouco conquistando. Sorriu quando a jovem se aproximou, despedindo-se dela. Daniel a deixaria na escola a caminho do trabalho.
Rose tinha proposto se mudar para a casa. Tinha dito que seria mais fácil cuidar das novas necessidades se estivesse ali sempre. E, oh, ela estava animada com a futura chegada de crianças. Esse tinha sido o fator decisivo para a aceitação. Thais não sabia o que faria sobre isso, filhos era algo que não queria em seu futuro, não próximo e talvez nunca. Sabia que havia um longo caminho a percorrer com eles, para fazê-los entender e aceitar isso. Adoção era uma boa solução, pensou. Já até tinham uma, Agda, a pequena índia.
Era a sobrinha, e único parente vivo, de Rose. Ambas morariam ali, ela poderia suprir a necessidade deles em relação à paternidade. Já tinham conversado com ela sobre mudar a menina de escola, para uma mais próxima da casa, e pagar como parte dos benefícios de Rose. Estavam sempre dando presentes a ela, Thais mesmo tinha quase renovado todo o guarda-roupa da menina com roupas mais condizentes com sua idade.
Não precisava se preocupar com filhos agora, mas tinha outra coisa que a mantinha com uma quase continua dor de cabeça. Casamento. Observou aos irmãos, vinha observando-os muito. Danilo não se importava muito com o casamento, para ele não era realmente uma grande coisa. Acreditava nisso, conhecia-o. Dante não ligava muito sobre com quem se casaria, mas o casamento era importante para ele. Uma necessidade. Já Daniel, bem, ele estava uma pilha de nervos. Via em seus olhos a expectativa, o temor. Não sabia o que fazer. Como diabos podia escolher entre eles? Não queria magoá-los, ao escolher um e não o outro ou não escolhendo a nenhum deles. Por que ofereceram a ela a oportunidade de ter os três, quando teria que escolher apenas um? Não fazia qualquer sentido para ela.
- Vejo fumaça ao seu redor. _ Brinca Danilo. – O que foi? O que está te mantendo tão concentrada?
- Não é nada. _ Sorri para ele.
- Então responda a pergunta que lhe fiz. _ Diz Daniel, ganhando a atenção dela.
- Eu não ouvi. _ Desculpa-se.
- Está aérea, Thais. _ Dante diz sério. – O que houve?
- Não é nada. _ Repetiu. – Só estou pensando no trabalho que terei abrindo meu consultório. _ Mentiu. – Quero que tudo fique perfeito.
- Seus olhos tremem quando você mente. _ Resmunga Dante.
- Não é verdade. _ Nega em um ofego.
- Não, não é. _ Admite. – Mas você está mentindo de qualquer forma.
- Eu... _ Suspira. – Só estava pensando sobre o casamento.
- Você já tomou uma decisão? _ Pergunta Daniel, ocultando mal sua ansiedade. – Não precisa se apressar, temos tempo para isso.
- Eu não sei se posso fazer isso, Dan. _ Diz sem olhá-los. – Eu sinto como se só pudesse ficar com um de vocês, e, ao escolher, estarei perdendo os outros. _ Diz com voz embargada. – E eu não consigo pensar em estar longe de qualquer um de vocês.
- Já explicamos a você, eu não sei mais o que podemos dizer para que não se sinta assim. _ Diz Daniel, frustrado.
- Eu entendi, Daniel, mas isso não muda como eu me sinto. _ Diz levantando-se da mesa e saindo.
- Você está uma pilha, irmão, isso deve estar preocupando-a. _ Diz Danilo.
- Por que não mudamos isso? _ Sugere Dante.
- Isso o que? _ Questiona Daniel. – O casamento? Já discutimos...
- Não, o casamento não. _ Interrompe-o. – Por que nós não escolhemos? Seria mais fácil para ela se decidíssemos entre nós.
- Ter que escolher está consumindo-a. _ Concordou Danilo.
- Mas, e nossa proposta?
- Não acho que ela iria se opor. _ Danilo da de ombros. – Eu já fui casado, eu não faço questão de ser escolhido.
- Temos que pensar em outras coisas se formos decidir entre nós. _ Começa Dante. – Questões como herança, caso algo aconteça a um de nós. Assim como a situação de nossos filhos.
- Thais é minha herdeira. _ Diz Daniel.
- De todos nós, foi uma das primeiras coisas que fiz. Se algo acontecer a qualquer de nós, Thais é herdeira, assim como qualquer criança que tenha. _ Explica Danilo. – Como a empresa foi herança de nossos pais, ela terá 50% ao se casar com um de nós e os outros 50% ficaria com os herdeiros diretos. Nós ou nossos filhos, no caso de nenhum de nós estarmos vivo.
- Não discutimos com ela a situação da partilha de bens. _ Notou Dante.
- Ela já estava pirando só com o casamento. _ Murmura Daniel. – Ela não vai aceitar comunhão de bens, não facilmente, pelo menos.
- Não é algo que vamos abrir mão, no entanto. _ Diz Danilo, recebendo acenos de concordância dos irmãos. – Por que ela é tão teimosa?
- Ela só não quer depender de nós, posso entendê-la. _ Diz Dante.
- Não queremos que dependa de nós, só... _ Começa Danilo.
- Só queremos que dependa de nós. _ Ri Daniel. – Queremos que precise de nós, admita isso. Eu faço.
- Você tem razão, mas só porque é muito independente. _ Se defende.
- Gosto de sentir que sou importante em algum nível. _ Admite Daniel. – Eu não a deixaria levantar e serviria todas as refeições na cama, se eu não soubesse como ela iria reagir a isso.
- Oh, sim, ela lhe arrancaria as bolas. _ Ri.
- Será que podemos voltar ao assunto que tratávamos? _ Rosna Dante.
- O que, irmão? Não gosta de admitir que daria um braço para ela se mostrar um pouco mais dependente de você? _ Implica Daniel. – Não vamos ser hipócritas, todos nós faríamos isso.
- Não é isso que estamos discutindo. _ Diz em outro rosnado. – Eu também não me importo sobre o escolhido, desde que ela esteja casada e levando nosso nome.
- Mas você gostaria de ser o escolhido? _ Questiona Danilo.
- Eu estaria bem com isso. _ Diz com um encolher de ombros, despreocupado. – Assim como também estaria ao não ser escolhido.
- O que? _ Diz Daniel quando os irmãos o encaram.
- O que você tem a dizer sobre o casamento? _ Pergunta Danilo.
- Eu gostaria de me casar com ela, mas estaria bem apenas com ela levando meu nome, mesmo sem ser eu o escolhido.
- É importante para você, não é? _ Questiona Danilo, quase em uma afirmação.
- Sim, é. _ Admite. – Mas quero que ela escolha, eu me sentiria melhor assim do que me impondo a ela.
- Eu entendo. _ Dante diz olhando ao irmão com temor. – Mas, e se ela não o escolher?
- Aceitarei a decisão dela. _ Dá de ombros, com fingida indiferença. – Cabe a ela essa decisão.
Notas finais
Trigemeos 2 ja esta sendo trabalhado e ja tem 10 capitulos prontos. Assim que conclui essa historia eu posto.
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