Trigêmeos

28 Capítulo 28


Notas iniciais
Capitulo 28 de 50.

- Posso entrar? _ Pergunta Danilo, abrindo a porta do quarto.

- Eu prefiro estar sozinha agora. _ Responde, sem se mover.

- Tudo bem, eu respeito isso. _ Diz assentindo.

- Mas eu não. _ Dante passa pelo irmão e entra no quarto.

- Diga-me uma novidade. _ Resmunga, revirando os olhos e sentando na cama. – O que foi?

- Precisamos conversar sobre o casamento. _ Diz Danilo, cautelosamente, fechando e trancando a porta. – Sabemos que está sendo difícil para você.

- Pensamos em algo para ajudá-la a escolher, sem pressão. _ Lhe entrega um pote. – Seis têm nomes escritos e três estão em branco.

- Sorteio? _ Questionou, pegando um papel de dentro do pote. – Isso desencaminha a ideia original da escolha. _ Desdobra o papel. – Daniel? _ Os encara. – Eu posso tentar de novo?

- Não quer se casar com o Daniel? _ Pergunta Danilo, preocupado.

- Não é isso, só um palpite. _ Tenta alcançar o pote. – Acho que tirarei o Daniel novamente. _ Danilo suspira. – Ele jamais perderia esse sorteio, se tivesse concordado com isso. E ele não concordaria.

- É importante para ele, Thais. _ Explica Danilo.

- Sim, então vocês decidiram forjar um sorteio. _ Os encara severamente, ignorando que Dante sequer a olhava enquanto desdobrava os papéis. – Não podiam só vir e me falar? Acham que não sei a importância da minha decisão? Por que acham que estou tão preocupada?

- Não é isso, sabemos que entende a importância. _ Danilo se apressa em dizer. – Só queríamos ajudá-la, diminuir suas preocupações e tornar a decisão mais fácil.

- Não é o que parece para mim. Parece que me consideraram tola e...

- Vamos Danilo. _ Dante se põe de pé, puxando o irmão pelo braço, interrompendo Thais. – Não fará bem nenhum conversar com ela agora.

Thais os viu partir sem dizer nada ou os impedir. Dante era tão completamente inepto socialmente. Quem interrompe uma pessoa e sai durante uma conversa? Dante, só ele para deixá-la falando sozinha como se fosse louca. Ele a deixava louca! Como agiria se fossem casados? Faria o mesmo com outras pessoas ou com ela na frente de outras pessoas? Esse era um medo que não queria admitir que teria, mas teria. Medo de apresentar seu marido, de sair com ele para eventos sociais. Dante não era para isso. Ele é o tipo silencioso e observador, não o extrovertido – esse era Danilo – ou simpático – esse era Daniel – ou descontraído. Ele fazia o tipo lobo mau, que se esconde na floresta, mas ataca na casa da vovó. O problema era que ela não poderia ficar trancada na casa da vovó o tempo inteiro. Ela tinha que voltar para casa, tinha que conseguir mais doces.

Suspirando, observou os papéis que Dante desdobrara e deixara cuidadosamente sobre a cama. Pegou os três pedaços em branco, fazendo bolinhas entre os dedos e jogando longe. Imaginou Dante de noivo, isso sim, seria algo engraçado. Vê-lo cumprimentar todas as pessoas convidadas para o casamento, sorri e receber os ditos de felicidades. Não, Dante não se encaixava nessa imagem, chegava a ser engraçado, absurdo, tentar imaginar. Deus a ajudasse, estava divagando. Tinha que tomar a decisão mais difícil de sua vida e simplesmente não conseguia.

Depois de lançar os três papeis, voltou-se para os outros. Quase engoliu a própria língua ao ver três papéis com o nome de Dante, três com Danilo e dois com Daniel. Dante não mentira. O sorteio tinha sido real.

~OoO~

- Dan... _ Gemeu.

Não sabia quem estava tocando-a e não se importava. Estava bom, muito bom. Mãos e boca acariciavam sua pele, despertando-a, causando deliciosos arrepios em todo seu corpo. Estava de bruços e toques carinhosos, calmos, percorriam-na de cima a baixo. Uma mão tocava a parte inferior de seu corpo, subindo e descendo, tocando até o interior de suas coxas, mas sem tocar a parte que estava começando a querer desesperadamente que tocasse. Uma boca beijava e mordiscava suas costas e a outra mão contornava a lateral de seu corpo. Não se deu ao trabalho de virar, de ver quem a tocava. Sabia como seria o rosto, sabia como era o corpo que se punha sem peso sobre o dela.

Os beijos alcançaram sua nuca, seus cabelos foram afastados com cuidado, suas pernas separadas sem esforço. Dedos roçaram sua intimidade muito levemente causando nela um gemido de súplica. Um riso foi abafado pela sensível pele de sua nuca, causando mais arrepios. Os beijos alcançaram a lateral de seu pescoço até seu ombro. Sentia a ereção contra sua perna e provocou-a, porque estava sendo deliciosamente provocada também. O riso voltou baixo, contido contra o seu ombro.

Uma mão grande tapou seus olhos e então foi lambida, pescoço e queixo. Sua orelha mordiscada entre risos. A mão se afastou devagar, estava pronta para encarar seu atacante vespertino, que lascivamente interrompia seu sono da tarde, mas a mão retornou. Assentiu, compreendendo que seu amante queria permanecer oculto. Então a mão se retirou, rumo a outros afazeres. Manteve seus olhos fechados, disposta a brincar um pouco. Foi virada sem pressa, e sem perder contato com o corpo maior que roçava sua excitação contra o dela. Estava tão nu quanto ela, o contato de pele com pele, a dela lisa e a dele áspera de pelos, enlouquecia-a ainda mais.

Seu colo foi beijado, mordido, seus seios afagados, dedilhados, sua barriga lambida. Suas pernas foram erguidas e abertas sem pudor. Sentia-se um pouco envergonhada, sabia que tinha marcas no corpo, que ainda estava avermelhada, pois Dante a tinha tomado duas vezes aquela noite, inclusive deliciara-se reafirmando sua parte, e mais uma vez pela manhã. Não sabia como era para eles dividir, mas não devia ser agradável ver sinais de atividade sexual que não foram feitas por eles mesmos, saber que tinha sido satisfeita por outro, e tinha sido, muito satisfeita, seu corpo reluzia sua satisfação. Não sabia bem como eles lidavam com o compartilhamento.

Seu amante não tinha problemas com isso, a língua que a torturava, sem se preocupar com a vermelhidão de sua entrada muito bem usada, era prova disso. Contorceu-se sobre o forte agarre em suas pernas, mantendo os olhos fechados, bem apertados. Agarrou o lençol da cama com uma mão e levou o outro braço a boca, para mordê-lo e se conter. Ergueu seu corpo para acompanhar a boca perversa que, além de brincar com seu prazer, ria, lançando-a a um lugar bem conhecido, fazendo-a choramingar de excitação. Só precisava de um pouco mais, só um pouco. Tentou fechar suas pernas, mas foi em vão, ele era mais forte. Deixou o lençol de lado, agarrou os cabelos dele e ele riu de seu desespero. Não entendia porque ele se mantinha a milímetros do local que sabia que a faria explodir. Thais tinha certeza de que ele sabia. Mas não ia implorar, implorar não.

- Dan... _ Ofegou, um ofego desesperado, não suplicante.

Sentia o corpo quente e úmido de suor, um desejo crescente de castigar seu atacante, mas uma felicidade sem explicação. Deixou de lado sua contenção, que os vizinhos a ouvissem, ergueu o corpo e aumentou o agarre nos cabelos masculinos. Guiou-o sem escolha ao local que ele vinha cruelmente evitando. Obrigou-o a satisfazê-la como queria. Tinha consciência dos estremecimentos de seu corpo a cada movimento da língua travessa, da agonia que assolava seus músculos, da larva que seu sangue se tornava e do imenso prazer que ia além dela. Não pode evitar, tentou, mas não pode evitar o grito, nem as travesseiradas que desferiu depois de conseguir respirar novamente.

Encarou o sorriso satisfeito, presunçoso, o olhar predatório, ainda ofegante. Ainda sentindo os efeitos do que lhe fizera. O suor escorrendo por seu rosto, gotas brilhantes que percorriam seus seios sem pudor, que acendiam seu corpo para posse, como um sinal de que era seu porto, um farol guiando-o a atracar nela, sobre ela, com ela.

Acariciou o rosto dele, aproximando-o mais. Beijou-o, fugindo de sua boca, embora ele a buscasse. Uma pequena vingança da tortura que sofrera. Ofereceu seu pescoço como consolo e requereu o peso dele sobre o dela. Com as pernas enlaçou-o, prendeu-o junto ao seu corpo. Ele a olhou, seus olhos escuros com um brilho singular. Transpirava paixão, seu corpo pregava desejo, seus toques carinho, mas seu olhar denunciava tudo. Amor incomensurável.

- Devo pedir perdão agora que está distraída?

- Melhor não. _ Diz rindo. – Estou muito distraída para responder.

Ele gargalhou, beijando-a em seguida, pegando-a desprotegida. Bateu nele sem força e quase que sem conseguir pensar também. Sentiu habilidosos dedos a tocando enquanto ele a olhava, como se visse além dela. Além do suor que cobria sua fronte. Além do sorriso convidativo. Além da felicidade que iluminava seus olhos. Ele sorria também, a felicidade estava nele também, via. Sua boca sustentava um sorriso pecaminoso enquanto se unia a ela, mas seus olhos brilhavam com a mesma alegria dos dela. Pura insanidade.

Ele a olhava, sorrindo, imóvel sobre e dentro dela. Mas seu corpo não concordava, pulsava no mesmo ritmo que o dela se alarmava pelo dele. Imóveis se olhavam, ofegantes, suados. Completamente apaixonados.

Notas finais
Gostou?