Trigêmeos

23 Capítulo 23


Notas iniciais
Capitulo 23 de 50.
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LEIAM NOVAMENTE O FINAL DO ULTIMO CAPITULO!
ACRESCENTEI CENAS NELE!

– Como ela esta? _ Dante sussurra a pergunta aos irmãos.


– Não nos responde. _ Responde Daniel com a voz embargada. – Permanece calada apenas nos olhando.


– Não suporto esse olhar vazio que não a abandona, Dante. _ Diz Danilo com visível dor.


Dante encarou Thais da ponta do quarto, onde estava com os irmãos, parecia tão vulnerável, pálida e sofrida. Parecia uma casca vazia, carecida de vida. A dor estava em cada traço de seu lindo rosto e isso o fazia sentir como o pior dos homens. Tinha lhe feito isso, tinha lhe transformado em um ser sem vida, tinha lhe proporcionado a pior dor que uma mãe pode sofrer: a perda de um filho.

Tinha, inclusive, presenciado tudo, incapaz de impedir a sequencia de acontecimentos. Viu sua expressão temerosa quando a dor foi muita para suportar, o desespero de quando começou a sangrar, a dor quando soube que a criança tinha morrido e então a total falta de expressão – de vida – depois do parto. Sofrera as dores do parto, dando a luz ao seu filho morto.


O sangue do feto era diferente do dela, embora compatível. Por ser compatível, não houve sinais sérios de complicação da gravidez, mas o corpo de Thais rechaçara a criança como um intruso, não reconhecendo o corpo que crescia em seu ventre. Thais não pudera manter a gravidez tempo suficiente para um mínimo de formação que pudesse manter a criança em uma incubadora. Morrera ainda dentro dela.

Planejara tudo tão bem, tão detalhadamente. Tinha visto cada possibilidade, os problemas possíveis em uma gravidez normal. Mas as probabilidades de ela ter qualquer dessas complicações eram tão pequenas. Era um infeliz. Sua mulher dera a luz a seu filho morto, morto por incapacidade dele, e ela o odiaria. Nunca mais lhe permitiria sequer olhá-la, nem seria capaz de fazê-lo. Envergonhava-se de si mesmo.


Finalmente o corpo dela se recuperara do esforço, tanto de atacar a criança quando de retira-la, e poderiam levá-la para casa. Não tinha lhe visitado, não tinha sequer se aproximado dela nesse período em que se recuperava. Tinha medo, medo do que veria em seu rosto quando o olhasse, medo de que sentisse o mesmo ódio, a mesma repugnância que sentia por si mesmo. Mas não poderia evitá-la por toda vida, nem queria ou seria capaz.

Era hora de levá-la, cuidá-la e implorar a ela que o perdoasse, que o permitisse ainda amá-la. Não esperava nada, nem se sentia merecedor de perdão, mas estaria mais que satisfeito se o permitisse viver com ela ao lado dos irmãos, apenas observá-la e amá-la silenciosamente. Morreria se lhe mandasse para longe, mas merecia que o fizesse. Merecia que fizesse pior.


~OoO~


Thais encarava o teto quando Danilo entrou em seu quarto. Desviou seus olhos para ele e este se aproximou mais. Sentou na cama, tocando-a com dedos gelados. Esforçou-se para sorrir e sorriu, apenas uma amostra de dentes, algo sem luz, sem vida. Sentia-se inútil, realmente inútil, ferida. Era incapaz de reter a uma criança, de lhe dar sustento tempo o suficiente para crescer, fora o que disse o medico. Sentiu que seus olhos ardiam, querendo produzir lagrimas, mas reteve-as. Não podia chorar mais, não queria, fazia-a sentir-se como lixo, incapaz.

Danilo se deitou ao lado dela, abraçando-a. Devolveu o abraço mais para consolar a ele. Não estava emudecida pela perda da criança, estava triste, isso era certo, mas seu desolo não era a perda. Sentia-se quase aliviada sem o peso e os mal-estares, e isso fazia com que se sentisse culpada. O que a fazia sentir-se pior, era a decepção que causara, a Dante principalmente.


Thais sentiu pequenas gotas umedecer sua pele nua, justo onde Danilo recostava seu rosto. Acariciou-lhe os cabelos gentilmente impedindo-se de chorar também, queria-o, mas não o faria.

Permitiu-se divagar longinquamente, tentando encontrar forças para lhe falar que tudo estava bem. Não estava. Sabia que Dante nunca a perdoaria, não era capaz sequer de olha-la. Não tinha se aproximado dela, falado ou sequer olhado para ela. Tinha acabado com a obra de toda a sua vida, incapaz de reter a uma criança em seu ventre, coisa que qualquer outra mulher seria capaz de fazer.


– Esta tudo bem.


Disse roucamente para não gritar em desespero. Nada estava bem, nada estaria bem, nunca mais. Sentiu como Danilo estremeceu diante do som de sua voz, como soluçou com força abraçando-a mais forte, quase sufocando-a em seu aperto. A porta do quarto abriu e Thais viu Daniel entrar com passos lentos, quase temerosos. Forçou mais uma vez seu sorriso, animando-o a se aproximar mais. Daniel tomou o outro lado da cama, abraçando-a quando Danilo a liberou.


– Ela disse que esta tudo bem, Daniel. _ Diz Danilo roucamente, seu rosto úmido e seus olhos vermelhos. – Ela disse. _ Ressaltou.


– Eu vou ficar bem. _ Tocou Daniel, deslizando os dedos por seu rosto. – Vou ficar bem, de verdade. _ Selou seus lábios nos dele.


– É tão bom ouvir sua voz. _ Daniel lhe sorriu, seu olhos brilhando úmidos. – Estávamos enlouquecendo com seu silencio.


– Precisava de um tempo e queria voltar pra casa. _ Explicou-se. – Já tive meu tempo e estou em casa, quero retomar minha vida agora. _ Diz com fingida determinação.


– Tive medo que se afastasse de nós. _ Admite Danilo, beijando seu rosto. – Que fosse embora como fez antes, mas não voltasse.


– Um pouco tarde para quererem se livrar de mim, meninos. _ Ela diz em uma triste tentativa de humor. – Não quero me afastar de vocês. _ Sua voz não soou divertida, soou sentida, frágil, temerosa.


– Não deixaríamos que se fosse. _ Garante Daniel. – Estávamos planejando amarrá-la a cama.


– Daniel. _ Diz com um indicio de sorriso em seus lábios.


– Diz a serio. _ Diz Danilo. – Realmente o sugeriu.


– Sugeriu que me amarrasse a cama, Daniel? _ Ela perguntou encarando-o.


– Estava decidido a não perdê-la. _ Encolheu os ombros casualmente. – Me pareceu uma saída bastante satisfatória.


– Satisfatória? _ Ri com humor. – Ai, Daniel, só você.


– Só eu não. _ Se defende. – Danilo também achou uma boa idéia. _ Acusa.


– Verdade? _ Thais diz encarando-o.


– Eu não estava em meu juízo perfeito. _ Diz com um sorriso travesso. – Mas a idéia ainda me parece boa.


– Viu? _ Daniel ri.


– Eu concordo com vocês, a idéia é boa. _ Diz Thais travessa.


– É? _ Danilo ergue uma sobrancelha.


– Sim, me parece ótimo tê-los amarrado a cama.


~OoO~


Thais abriu os olhos sabendo que encontraria um par de olhos negros a olhando, só não imaginava que o dono dos olhos fosse Dante. Estava em seu quarto precariamente iluminado, observando-a enquanto dormia. Não encarava seu rosto, por isso não notou que o olhava imediatamente, mas assim que o fez, rumou para fora do quarto, quase apressadamente.


– Dante.


Thais chamou fazendo-o se deter em seu trajeto para a porta. Seu corpo todo gelou, ficou tenso. Vinha evitando esse encontro, a hora em que ela lhe diria para sumir de sua vida, em que lhe acusaria e o olharia com ódio. Forçou o ar a abandonar seus pulmões porque tinha que respirar. Virou-se, evitando seu olhar, encarando o pé da cama.


– Só vim ver se estava bem. _ Diz já se virando para seguir seu caminho.


Sabia-o. Não estava bem o suficiente para sair e voltar a sua rotina, nem física nem psicologicamente. Prometera a Danilo e a Daniel que ficaria mais alguns dias de repouso antes de tentar uma saída. A verdade era que não estava preparada para ver a pena no rosto dos outros, o conhecimento de sua incapacidade. Sabia que de tempo em tempo algum deles vinha olha-la. Não fazia muito mais que dormir, mas sentia os olhares vigilantes, temerosos, quase como se esperassem encontra-la em pedaços. Sentia-se em pedaços, no entanto.

Daniel e Danilo dormiam com ela, comiam com ela e até a observavam durante o banho. Todo o tempo que dispunham, estavam com ela, incapazes de se afastarem. Via em seus olhos a tristeza, a dor, todo dia pela manhã, quando saiam juntos para trabalhar. Não sabia o que fazer para aliviar a seus medos, seus receios, não quando ela mesma se sentia dolorida.


– Me desculpe.


Thais murmurou, inconsciente de seus olhos inundados com profunda pena. A voz embargada o fez virar-se e a olhar, seus olhos úmidos e sofridos. Piscou, recobrando o que acabara de dizer. Tinha se desculpado com ele? Por quê? Certamente tinha ouvido errado.

Thais presenciou a confusão tomar todo o rosto que a encarava, quase severo. Provavelmente a achava tola por pensar que a perdoaria, nunca a perdoaria, sabia-o. Ela tampouco poderia perdoar a si mesma por ter destruído a obra de sua vida, ter causado tanta dor a ele, a eles.


– O que? _ Conseguiu dizer, ainda que baixo.


Total descrença banhava sua voz e fora dura, repreensiva. Thais soluçou, aflita. Sabia que não a perdoaria, que nunca mais a querê-la-ia, mas precisava mostrar-lhe que estava de igual ferida. Fez o que pode para afastar as lagrimas que escorriam sem controle por seu rosto, precisava ao menos olha-lo e com as lagrimas o via embaçado e distorcido, quase irreal.


– Eu não queria acabar com sua pesquisa, eu sinto muito não ter sido capaz de...


– O que? _ Repetiu incrédulo.


Certamente que tinha ouvido errado, absolutamente. Sentia por sua pesquisa? Por não ter sido capaz de manter a criança? Culpava-se ao invés de culpar a ele? Ela o fazia. Soube encarando os verdes umedecidos, doloridos.

Que deus tivesse piedade de sua alma, pois estava feliz com isso. Era uma tola, e ele deveria ter sabido que se culparia. Tinha se afastado dela, e ela provavelmente achava que a odiava agora. Era um infeliz, mas não podia deixar de se sentir esperançado. Ainda havia a possibilidade de tê-la, se ela não o odiava tanto quanto o fazia ele por si mesmo.


– Por que esta se desculpando? _ Diz deslizando uma mão nervosa por seus cabelos. – Eu sou o culpado aqui, eu lhe fiz mal. _ Confessou de olhos fechados, ainda temeroso. – Fui eu quem te fiz engravidar, quem não cuidou dos problemas que poderia ter e te fez sofrer a perda.


Ouviu seu ofego e seu coração deu um salto. O soluço que veio a seguir o fez estremecer. Odiá-lo-ia agora? Agora que pensava com mais clareza e lhe tinha mostrado quem era o verdadeiro culpado? Aguardou tenso, aflito, que lhe dissesse qualquer coisa. Qualquer palavra ou frase, que lhe expulsasse, do quarto e de sua vida, mas o silencio permaneceu, quase fúnebre.


– Por que esta se desculpando? _ Inquiriu, incapaz de se impedir de perguntar novamente. – Por quê? _ Sua voz tremeu. – Devia me odiar, apenas me odiar.


Dante se viu chorando, realmente chorava. Ela precisava odiá-lo, precisa gritar com ele, preferia que o fizesse. Podia lidar com seu ódio, com sua cólera, com seu desprezo, mas não com o seu silencio. Provavelmente não tinha passado mais do que poucos minutos em silencio, mas já se encontrava enlouquecendo. Não suportaria seu silencio, não sobreviveria a ele.

Antes que se dobrasse diante dela, antes que implorasse que lhe dissesse qualquer coisa, qualquer coisa, virou-se para a porta. Necessitava seus irmãos, não podia enfrentar a isso sozinho, não era capaz. Seus irmãos tinham passado por isso, tinham-na visto atravessar o silencio, tinham aguardado que se recuperasse, tinham conversado com ela sem obter resposta, tinham feito com que se reerguesse e voltasse a lhe dar o prazer de ouvir sua voz. E ele tinha estragado tudo, de novo.


– Não me odeia.


Fora apenas um murmúrio, quase um sussurrar, mas ouvira-o. Virou-se novamente para ela, temendo que tivesse sido apenas sua imaginação. Ela o encarava, diretamente a seus olhos. Caminhou até ela, sentando-se próximo a ela, aguardando que falasse novamente. Queria estar olhando esta vez, ver seus lábios se moverem para ter certeza que era ela e não sua mente lhe pregando uma peça.


– Por que não me odeia? _ Ela perguntou, vendo Dante erguer uma mão e tocar sua boca. – Acabei com sua experiência. _ Sussurrou contra os dedos dele que acariciavam seus lábios. – Tudo o que fez durante toda a vida, destruí-o.


Dante lhe olhou, deixando de encarar e acariciar seus lábios com reverencia. Balançou a cabeça, descrente do que ouvia. Essa era Thais, e estava feliz por reconhecê-lo. Abraçou-a, puxando-a para seus braços, incapaz de se conter. Beijou seu ombro, depois seu queixo e sua boca. Um beijo salgado, úmido, sentimental.


– É tão tola. _ Murmurou contra sua boca. – Fiz-te sofrer terrivelmente e esta preocupada por meu trabalho. Fui incapaz de olha-la, temendo a forma como me olharia. Pensei que me mandaria para longe de você e eu não suportaria isso.


– Pensei que estava me evitando porque me odiava.


– Sei que pensou isso, agora sei. _ Acariciou seus cabelos, fazendo-a olha-lo. – Me desculpe, deveria tê-lo sabido antes, teria evitado que sofresse mais do que já lhe fiz sofrer.


– Não me odeia? _ Perguntou, só para garantir.


– Amo-te. _ Respondeu. – Odeio a mim mesmo pelo que te fiz.


– Tive medo que não me quisesse mais. _ Confessou abraçando-o. – Eu estou bem, Dante, de verdade.


– Jamais lhe deixaria ir. _ Garantiu. – Inclusive, estivemos conversando sobre mantê-la a força, caso pensasse em ir.


– Eu soube. _ Ri contra seu pescoço. – Queriam me amarrar a cama.


– Meus irmãos o queriam, eu pretendia tranca-la em meu laboratório. _ Disse divertido. – Estaria mais cômoda lá, com mais espaço.


– Oh, obrigada, muito considerado da sua parte.


– Por nada. _ Lhe sorri, depositando um beijo em seu nariz. – Obrigado. _ Respira com alivio. – Por me ainda me permitir fazer parte de sua vida.


– É minha vida, Dante. _ Responde Thais com um sorriso. – Vocês o são.



Notas finais
Eu sei que vocês querem me matar! xD
Era preciso!
Eu estava perdendo o rumo da historia e os capitulos não estava bons.
Para retomar as coisas precisei seguir o rumo que ja estava planejado para ela, e isso significava que Thais tinha que perder a criança.
Mas mantenham a calma, os proximos capitulos serão mais felizes. E a perda da criança será compensada, prometo. ^^
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