Treat me better [HIATUS]

2 Reencontros e decisões...


Notas iniciais
Oi gente... Então, é a terceira vez que tento postar esse capítulo... SÓ HOJE!! Meu computador não parava de reiniciar. O.o Bem, antes de tudo, eu atualizei até que rápido dessa vez, mas não esperem tanta frequência, okay? Não é sempre que a inspiração bate assim ♥ Enfim... Eu quero agradecer ao JPoseidon, que é uma das melhores pessoas que eu tive o prazer e a sorte de conhecer, por ter recomendado a fic em seu primeiríssimo capítulo, coisa que eu nem acreditei quando vi. KKK. Fiquei imensamente feliz em ver que ele gostou, pois esse garoto é uma grande inspiração na minha vida. Aliás, vale a pena darem uma conferida nas histórias dele, garanto que não irão se arrepender! Bem... Sobre esse capítulo: acabou ficando maior do que o planejado, mas gostei bastante do resultado e espero que vocês, leitores, também. É isso lindes. Boa leitura ♥ ♥

A casa de Oliver era uma construção impressionante, não somente pelo tamanho, mas por sua beleza de um modo geral. Quando comparada aos modestos lares de ambas as garotas, chegava a se equiparar a uma mansão. O garoto não se importava muito com isso, mesmo que, é claro, se apreciasse e se considerasse sortudo por muitos dos privilégios que ser “rico” – na verdade, apenas vivia em uma situação estável, que poderia vir a desandar em qualquer momento – trazia. O resto da família, no entanto, adorava o luxo. Seus pais inclusos. O que dificultava muito sua vida. Sua relação com eles se limitava a viver sob o mesmo teto e obedecê-los em relação a certas coisas, embora eles não impusessem praticamente regra alguma. Para muitos, toda essa liberdade poderia soar como o paraíso, mas para ele, era horrível. Sentia falta da presença deles, das conversas, dos abraços... Eles, no entanto, não pareciam se importar. Seu pai, o poderoso homem de negócios e sua mãe, a fiel acompanhante / corretora de imóveis de sucesso, priorizavam suas carreiras e queriam somente se manter pertencentes à elite social. Sabiam de sua orientação sexual e, nem por um segundo, pararam para lhe perguntar se alguém já o tinha perturbado por isso. Sequer imaginavam pelo que ele passava em St. Joseph... É claro que, na cabeça deles, ao lhe comprarem milhões de presentes, incluindo uma maldita BMW não requisitada, tudo ficaria bem. Que visão de mundo mais deturpada, não?

— Anderson? – Cassie o chamou, quando entraram. – Quando os convidados começam a chegar?

— Eu sei lá, devem demorar. – ele sorriu, dando de ombros.

— Você disse que a festa começaria às seis. – a garota atualmente ruiva apontou. – Já são cinco e meia e ninguém está aqui.

Bastou uma troca de olhares entre Oliver e Lauren para que, simultaneamente, caíssem na gargalhada.

— O que foi? Qual é a graça?

— A graça, Cassie, é que você definitivamente precisa aprender mais sobre festas. – respondeu Lauren, tentando prender o riso. – Em especial, sobre as do Ollie.

— É. Ninguém chega no horário, muito menos com antecedência. – disse ele, concordando. – Me surpreende que não saiba disso, achei que fosse uma das garotas populares do colégio.

— Em St. Mary, todas são certinhas, de famílias perfeitas. As festas são um tédio. – Lauren justificou pela amiga. – Mas relaxe, Cassie. Prometo não te deixar sozinha até se acostumar...

E Cassie sorriu, sem mostrar os dentes, fazendo com que o coração da loira palpitasse mais forte. Como alguém poderia ser assim, tão adorável?

— Ah, linda, não prometa algo que não pode cumprir. – aconselhou Oliver, se sentando entre as duas e exibindo um sorriso claramente malicioso. – Teremos uma convidada especial essa noite e você não vai querer deixa-la esperando.

— Como é? – Cassie perguntou, com certa irritação. – Se você pensa que a Lauren vai abandonar a melhor amiga dela por umazinha qualquer...

— Ele está mais do que certo. – uma quarta voz, conhecida pelos três, a interrompeu, com zombaria. – Exceto que eu não sou “umazinha qualquer”. Termo que eu considero problemático, vindo de alguém que se declara feminista.

Ao ouvi-la, os três se viraram de imediato. Cassie, a olhou com desprezo e indignação, Oliver sem surpresa alguma e uma expressão satisfeita e, por fim, Lauren, com os olhos brilhando e um sorriso que mal cabia em seu rosto. Lá estava ela, Fleur Anderson, em toda a glória. Os cabelos negros e longos, a pele bronzeada, os lábios cheios e convidativos, bem à frente – ou seria às costas? – deles, os encarando com divertimento, como se em sua mente se passassem as mais engraçadas reações que cada um poderia vir a ter.

— Fleur! – Lauren exclamou, surpreendida.

— Oi, linda. – citou a si mesma, nas mensagens de algumas horas atrás. – Eu disse que nos veríamos mais tarde.

— Não acredito que não me disse que viria... – “reclamou”, indo até a morena e a envolvendo em um abraço, que foi prontamente correspondido.

— Sabe como eu gosto de uma entrada épica. – Fleur brincou, piscando para ela quando se soltaram. – Oi priminho, oi... Ferrugem.

Oliver riu baixo e acenou para ela, enquanto Cassie não se conteve e demandou:

— O que está fazendo aqui? E quando é que volta pra Paris?

— É uma festa. O que acha que estou fazendo aqui? – retrucou. – E, bem, lamento informar, Cassandra, mas... Nunca. Eu voltei. De vez.

— Sério? – Lauren perguntou e ela assentiu.

— Ótimo... – Cassandra resmungou desdenhosa. – Como se já não fosse ruim o suficiente com ela há quilômetros de distância.

— Cassie! – Lauren repreendeu. Não que elas já não soubessem do desapreço mútuo que sentiam uma pela outra, mas era realmente desagradável vê-las brigar. As duas eram de suma importância em sua vida. Custava fazerem um esforço para, no mínimo, conviverem harmonicamente? – Enfim, Fleur... O que te trouxe de volta?

— O “amor da minha vida”. – brincou. – O povo francês não deu conta, precisei voltar para os seus braços, meu amor.

Lauren riu e Cassie revirou os olhos.

— É sério...

— Tudo bem, me desculpe. – riu junto da loira. – Eu não sei ao certo, acho que fiquei entediada sem meus dois melhores amigos por perto.

Oliver sorriu.

— Viu? Eu disse que ela não vive sem a gente!

Fleur revirou os olhos.

— Não fica se achando, Ollie. Esse papinho é só enrolação, o que eu quero mesmo é o beijo de boas-vindas que alguém me prometeu.

Lauren ruborizou.

— Sabe o que dizem, ‘né? – Fleur disse maliciosa e deu um passo à frente. – Promessa é dívida...

Os olhos negros a fitaram intensamente, esperando seu próximo movimento. E, contrariando as expectativas da amiga, Lauren sorriu sugestiva.

— E dívidas precisam ser pagas, certo?

Fleur arqueou uma sobrancelha, curiosa.

— ‘Tá falando sério?

— Quer descobrir? – a loira questionou.

— Por que não? – devolveu no mesmo tom e, por fim, elas riram.

Elas se conheciam há uns dois anos e, desde sempre, essas “brincadeiras” faziam parte da relação delas. Se as perguntassem, nenhuma negaria que se sentia atraída pela outra e, talvez, fosse essa a razão de Oliver as querer juntas. Contudo, algo as impedia de arriscar e sempre declaravam ser apenas amigas. E, de fato, eram. Nunca haviam se beijado, menos ainda feito mais, ainda que, às vezes, tivessem vontade. Conheciam e respeitavam seus limites, sempre sabendo a hora de parar...

— Um dia vocês irão querer se pegar. – Oliver afirmou convicto.

— Quem te garante que esse dia não é hoje, Ollie? – perguntou Fleur, seguindo a amiga e se sentando com ela no sofá, mas o mais longe de Cassie que lhe foi possível.

Mais uma vez, as risadas preencheram o ambiente. Dessa vez, Oliver riu com elas e Cassie foi a única a manter seu mal humor. Notando que isso, possivelmente, poderia fazer Lauren se manter afastada de sua prima pelo resto da noite, o garoto disse:

— Ei, Cassandra. Pode vir comigo um minutinho?

— Pra quê? – a ruiva franziu o cenho.

— Me ajudar a arrumar tudo. – respondeu a primeira coisa que veio à cabeça. – Vai ver você não é a única que acha que é pra chegar às seis.

— Tenho certeza que irão. – mordeu a isca, o seguindo até a cozinha.

Em questão de minutos, conseguiu que ela ficasse totalmente entretida com os preparativos e fez bom uso do metodismo da garota, que pareceu feliz em ajudar. Isso fez com que ele se sentisse um pouco culpado, até que um “assovio” vindo do seu celular mudou completamente suas prioridades:

[Niall]: Oi, podemos conversar?

Sua primeira reação foi tentar ignorá-lo, mas não conseguiu por muito tempo:

[Oliver]: O que você quer?

Não foi respondido de imediato. O outro começou a digitar e apagou inúmeras vezes, até que a mensagem veio, tirando completamente Oliver de sua zona de conforto:

[Niall]: Ollie, eu entendo que está bravo comigo. Você tem todo o direito de estar, eu agi como um completo babaca. Fui homofóbico e disse coisas com as quais nem eu mesmo concordo. Mas eu tenho medo. Nada daquilo veio realmente de mim, me dê uma chance de me explicar, por favor?

Aquilo baixou suas defesas e o fez pensar. Sim, tinha motivos para ignorá-lo para sempre, ou até mesmo para odiá-lo, mas... Todo mundo já fez um comentário homofóbico em algum ponto da vida, não é verdade? E se Niall estava disposto a vir se desculpar e admitir que só o tinha feito como forma de autodefesa, ele estaria sendo um tanto incompreensivo se não o escutasse...

[Oliver]: Por mim tudo bem.

[Niall]: Acho melhor resolvermos pessoalmente...

[Niall]: Prefere vir aqui, ou que eu vá aí?

[Oliver]: Eu vou aí. Tenho uma festa para dar e, daqui a pouco os convidados chegam.

[Niall]: Certo. Espero você, então.

Ferru... Cassie! – a chamou, se embolando entre o apelido e o nome. Precisava ser legal com ela, se pretendia pedir mais um favor. A garota se virou, murmurando um “sim?”. – Preciso que você e as meninas cuidem da festa por um tempo, eu tenho um, hm... Compromisso?

— Tudo bem. – ela anuiu, sorrindo simpática. Ela tinha um belo sorriso, ele pôde concluir. Seria esse o motivo de Lauren ser louca por ela? Quem sabe... Pouco importava. Continuava preferindo Fleur.

[Oliver]: Já chego aí.

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Ansiedade definia como Oliver estava se sentindo enquanto caminhava até a casa de Niall. Seus passos eram apressados, acompanhando a rapidez com que sua mente criava possibilidades para o que viria em seguida. Nesse ritmo, quase não percebeu o longo tempo levado para que estivesse em frente à porta da família Parker, tocando a campainha. Poucos segundos depois, a porta se abriu, revelando o belo garoto pelo qual, infelizmente, era loucamente apaixonado.

— Oi, Ollie. – Niall o cumprimentou, abrindo espaço para que entrasse e assim ele o fez. – Então...

— Seja breve, eu tenho uma festa pra dar. – interrompeu, sendo um pouco brusco. Não que não estivesse disposto a perdoá-lo, mas não facilitaria demais.

O mais baixo suspirou.

— Não tenho como ser breve. Preciso explicar algumas coisas, se quiser que você entenda o porquê de eu ter me comportado como um idiota.

— Só diga logo, Ni. – pediu, o acompanhando até a sala. Chegando lá, se sentaram no sofá. – Seus pais saíram?

— Sim... Estão completando bodas de prata e foram jantar para comemorar. – sorriu. – Bem... Por onde posso começar?

O momento o fez pensar sobre o dia em que se beijaram pela primeira vez...

“Oliver estava há mais de uma hora se arrumando para a visita de um colega de St. Joseph. Eram parceiros em um projeto de História, graças ao professor Micheal. Ou, quem sabe, poderia ser obra do destino... Não que ele acreditasse nessas bobagens, mas naquele caso específico, ele queria acreditar. Niall Parker era uma das pessoas mais bonitas que já havia conhecido e, nos últimos dias, estavam em um processo constante de aproximação. Entregar seu coração a ele parecia simplesmente... Certo.

Algum tempo considerável se passou desde que ele se considerou pronto e, então, ouviu a campainha tocar e desceu as escadas, indo do seu quarto até a porta. Ao abri-la, lá estava ele, o garoto lindo dos cabelos encaracolados, com um sorriso que mal cabia em seu rosto.

— Desculpe o atraso, meu pai precisava de ajuda com o computador.

— Entendo. – riu. Tecnicamente, não entendia de fato. Seu pai era um homem de negócios e, portando, sabia muito bem como usar a tecnologia, mas isso não vinha ao caso. – Está perdoado. Pode entrar...

— Seus pais saíram? – ele perguntou, quando já estavam sentados lado-a-lado no sofá da sala. Oliver apenas assentiu. A verdade era que eles quase nunca estavam em casa e ele não gostava de falar a respeito. – Isso é bom, porque eu meio que precisava conversar com você sobre uma coisa.

— Que coisa?

— Bem... – Niall o fitou. – Por onde posso começar?

— Do começo? – Oliver sugeriu, divertido, fazendo-o o relaxar um pouco. – Pode dizer.

— Você é gay, né? – a pergunta foi feita de forma direta, porém, os olhos de avelã já não focavam nele e sim no carpete.

— Não é óbvio? – um sorriso de lado foi oferecido, mas Niall estava ocupado demais preso em seu próprio constrangimento para notar. – Ei... – tocou-lhe o ombro, fazendo com que ele o olhasse de novo. – Por que pergunta?

— Eu sou hétero. – ele afirmou, estranhamente. Ollie pensou em questioná-lo sobre, mas nem precisou: – Mas... Eu meio que estou... Não sei como dizer...

— Curioso? – a sugestão foi confirmada por um aceno de cabeça. – Quer... Experimentar?

— Isso não me torna gay, né? – Niall perguntou e Ollie murmurou um “não”. – Então eu aceito.

Ele então se aproximou, devagar. Parecia incerto do que fazia e Oliver não queria pressioná-lo, portanto conformou-se em esperar ansiosamente que seus lábios se tocassem. Quando aconteceu, foi como se fogos de artifício explodissem dentro dele. Não era seu primeiro beijo, muito pelo contrário, já havia ficado com alguns garotos e até mesmo com uma menina antes de se descobrir, mas Niall era meio que especial.”

— Do começo? – a sugestão de Oliver foi feita com a intenção de que o outro se recordasse daquele dia incrível e pela reação sem graça de Niall, ele pressupôs que havia funcionado.

— Certo. – ele sorriu, minimamente. – É o seguinte: meus pais me cobram muito. Eu gosto de fazer parte do Grêmio, mas só entrei para agradá-los. Eles já não gostam da ideia de eu querer ser ator, acham que é idiotice e que estou desperdiçando meu tempo. Além de que meu pai uma vez me disse que isso não é coisa de “homem de verdade”. Nossa família é extremamente conservadora, não é à toa que eu estudo em um colégio particular cristão... Enfim... Se chegar aos ouvidos deles que eu amo um garoto, minha vida acaba. Serei expulso de casa com certeza. Por isso eu me afastei de você. Não queria que suspeitassem.

— Você disse... – Oliver murmurou baixinho, mais para si mesmo que para o cacheado, contudo, foi alto o suficiente para que fosse ouvido.

Niall riu, constrangido.

— Que eu te amo? É... Eu disse. Não tenho mais dúvidas disso há um tempo, Ollie.

Em vez de esclarecer, a afirmação só serviu para que Oliver ficasse ainda mais confuso.

— Então... Por que fez aquilo?

— Os caras do clube de teatro descobriram sobre nós há algum tempo. Não faço a menor ideia de como, mas posso te garantir que não tem sido nada fácil. Estão me pressionando para terminar tudo entre nós há dias... E, enquanto nos falávamos, alguns deles estavam por perto. – explicou. – Eles pararam em frente à porta quando você começou seu discurso sobre aceitação e só foram embora quando eu gritei todas as bobagens que me arrependo amargamente de ter dito. Eu não penso nada daquilo, Ollie. Sou perdidamente apaixonado por você. E lidar com esses sentimentos tem sido difícil pra mim, porque quando ficamos perto um do outro, a única coisa que quero fazer é esquecer todas as preocupações e apenas...

A frase nunca foi terminada. E nem precisou. Niall usou sua boca para fazer algo melhor do que falar: colocou a mão esquerda na nuca de Oliver e aproximou seus rostos, tomando-lhes os lábios. Este rodeou o pescoço do mais baixo e tratou de corresponder o beijo com toda a intensidade que a situação exigia. Exploraram a boca um do outro com paixão e, por um instante, realmente foi como se as inseguranças, o preconceito e qualquer outra adversidade entre os dois deixasse de existir.

— Senti tanta falta disso... – comentou Oliver, sem conseguir parar de sorrir, no momento em que o beijo foi finalizado. – E, só pra constar, eu também te amo.

Foi a vez de Niall esboçar um sorriso.

— O que isso significa pra nós, Ollie?

Oliver desviou o olhar, sentindo-se mal. Droga... Ele não poderia esperar para perguntar?

— Infelizmente, não pode significar nada. – foi sincero. – Você me conhecesse, sabe que eu...

— Sei da sua política de não namorar ninguém que esteja se escondendo, sim. – Niall disse triste. – Mas podemos ir devagar? Sabe, começarmos de novo. Como amigos, até estarmos prontos para ficarmos juntos...

— Me soa como uma ótima ideia. – Ollie voltou a sorrir.

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As batidas da música eletrônica ecoavam por todo o ambiente, tal como as vozes e risadas. A residência dos Anderson’s estava cheia e os convidados se sentiam livres para fazerem o que tivessem vontade. Dançavam, bebiam, jogavam jogos, pulavam na piscina e se beijavam, sem correrem o risco de serem julgados. Assim funcionavam as festas de Oliver: pessoas de várias etnias e diferentes expressões de gênero se reuniam para se divertirem, livres de preocupações. Com exceção das garotas – que, até então, ainda eram as encarregadas por impedir que tudo saísse do controle –, ninguém de St. Mary e St. Joseph estava presente. Na sala, Lauren fazia companhia para Cassie, que se sentia sozinha em um ambiente onde não conhecia ninguém. E, também, porque Fleur havia sumido há alguns minutos, com um garoto a acompanhando.

— Tem certeza de que eu não estou te atrapalhando? – Cassie perguntou, pela enésima vez.

— Tenho sim. – Lauren reafirmou. – Passar o tempo com você não me incomoda.

— Mas eu sinto como se estivesse te privando de se divertir. – insistiu. – Nós passamos tempo juntas todos os dias, não precisa deixar de aproveitar por minha causa.

Lauren sorriu, passando um dos braços pelos ombros da amiga e a abraçando, de lado. Como ela poderia atrapalhá-la, de qualquer maneira? Nada era melhor do que estar perto dela. Quando Cassie entenderia aquilo? Queria dizer: “qualquer coisa se torna divertida ao lado da pessoa que eu amo”, mas, obviamente, não pôde. Então, se limitou a decretar:

— Você não me atrapalha em nada, mas se está tão preocupada, venha dançar comigo!

Os olhos de Cassie ganharam um brilho especial e elas se levantaram, indo até a pista de dança improvisada em que a sala havia se transformado. Elas eram um tanto opostas em alguns aspectos e, ao começarem a dançar, tal fato foi evidenciado com um pouco mais de clareza. Lauren costumava ser a mais introvertida e quieta da relação, até conhecer Oliver e começar a sair, conhecer novas pessoas e explorar sua sexualidade. Atualmente, Cassie, mesmo sendo popular na escola, é que era a tímida. Pelo menos, quando se tratava de “se soltar” na frente dos outros. Enquanto a loira se movia livremente, ela estava um pouco travada, sem saber o que fazer e com medo de errar. Fato que não passou despercebido por Lauren.

— Está tudo bem? – quis saber. – Por que está tão retraída?

— Eu não sei dançar. – disse Cassie, sorrindo fraco. – Só aceitei porque você pediu.

— Todo mundo sabe dançar. – Lauren afirmou. – Não tem nenhum profissional, ou alguém para te avaliar aqui, Cass. Só... Limpe sua mente de preocupações.

Cassie suspirou e, em seguida, pareceu seguir as orientações da amiga, pois logo as duas dançavam em sintonia, como se fossem as únicas ali. E, para Lauren, elas eram. É claro, havia uma quantidade notável de lindas garotas naquela festa que, modéstia a parte, olhavam para ela. Algumas mais óbvias e outras mais discretas... Apesar disso, somente uma importava e era a que estava bem à sua frente, lhe oferecendo o sorriso encabulado mais fofo que já tinha visto. Queria tanto puxá-la delicadamente para si, beijá-la até perder o fôlego e dizer o quanto a amava, mas não podia. Por que ela precisava ser hétero e namorar aquele universitário idiota, que nem a merecia?

— Lauren? – ela a chamou, a olhando de forma engraçada.

— O que foi? – a loira ficou realmente curiosa com o que viria a seguir. Os olhos acinzentados estavam presos nela e, ainda que não quisesse se iludir, ela conseguia enxergar neles certa... Adoração?

— Nada. Eu só... – Cassie hesitou. – Eu só queria dizer que você está linda.

Um sorriso teimou em se apossar de seus lábios. Lauren sabia que não passava de um elogio comum, feito por sua melhor amiga, porém, não a impediu de se sentir especial. Queria tanto que houvesse algum significado mais profundo oculto ali, algo para se apegar... Seria demais sonhar com a possibilidade de que talvez, só talvez, algum dia a relação delas evoluiria para algo além da zona da amizade? Porque ela sabia que, sem dúvidas, ela a merecia muito mais do que Bryan Butler. Poderia fazê-la tão mais feliz do que o engomadinho metido a médico. Ele sempre fazia Cassie sofrer... Ela se sentia mal pela amiga, mas o que poderia fazer? Todas as vezes que tentava alertá-la, acabavam brigando.

— ‘Tá tudo bem? – Cassie perguntou, ao notar sua dispersão.

— Sim, sim, está. – riu. – Eu só me distraí.

— Não vai me elogiar de volta? – ela brincou e Lauren revirou os olhos.

— Você não precisa de elogios, sabe muito bem que sempre está maravilhosa. – respondeu e pigarreou em seguida, para disfarçar e tirar atenção do rubor que se espalhou por suas bochechas. – Bem... ‘Tá a fim de beber alguma coisa?

— Claro! – Cassie sorriu.

Juntas, elas seguiram até o quintal, onde ficava o barril de cerveja que alguns convidados haviam levado. Várias pessoas o rodeavam e levou algum tempo até que conseguissem pegar um corpo para cada uma. Quando foram voltar para dentro, algo chamou a atenção de Lauren: Fleur. Dentro da piscina, a morena ria com um garoto que aparentava ser um pouco mais velho, mas nada preocupante. No entanto, ainda assim, algo a incomodava. E o desconforto só aumentou quando os beijos começaram.

— Lauren, vamos logo... O que você está...? Oh... – Cassie parou de tentar puxá-la quando entendeu o que se passava. – Eu te avisei que ela não prestava!

— Nós não temos nada, Cass. – alegou, desviando sua atenção da cena nauseante. – Eu só... Achei estranho. Ele não é bem o tipo dela, sabe...

— Claro... – a ironia era óbvia. – Vem, esquece isso.

A seguiu, ao se lembrar de que o que é que Fleur fizesse com quem quer que fosse não lhe dizia respeito.

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Oliver voltava para casa, confuso. Ele não estava certo de que havia tomado a decisão certa, mas o que poderia fazer? Ele tinha um código: não namorar pessoas no armário. Isso limitava suas opções, no entanto, o ajudava a proteger seu coração. Estar com alguém em uma fase da vida tão contrária a sua seria algo complexo demais, principalmente porque ele era uma pessoa carinhosa, que gostava de demonstrar afeto pelas pessoas que lhe eram queridas. Se estivesse com Niall, teria que se controlar para não “fazê-lo parecer gay”, o que era oposto a tudo que procurava para si mesmo.

Ao chegar à sua residência, viu Lauren na porta, entregando três notas de vinte a um rapaz de vermelho, o qual ele não conseguiu ver o rosto de início e que, em seguida, entregou a ela três caixas de pizza. A garota agradeceu e o entregador se virou, se revelando para Ollie como o novato de St. Joseph. Sem pensar muito, o chamou:

— Ei, garoto da pizza!

— Hã... Oi? – o loiro o olhou. – Precisa de alguma coisa?

— Não, é só que... Hm, você estuda em St. Joseph, né? – Oliver questionou.

O entregador sorriu levemente, sem mostrar os dentes.

— Sim, estudo. Acabei de me transferir, na verdade. Por quê?

— Sei lá... – riu, constrangido. – Eu só te reconheci e... Não sei.

Oliver deu de ombros e o rapaz riu junto dele, parecendo achar divertida a situação.

— Você também estuda lá?

— Sim...

— Acho que te vejo amanhã então. – piscou. – A garota que me atendeu comentou que o amigo dela que ‘tá dando essa festa. É você?

— Sim, sou eu. – Ollie confirmou. – Como sabe?

— Eu sou um mutante. Leio mentes, como o professor Xavier. – ele afirmou, fingindo seriedade tão bem que, se não fosse absurdo, conseguiria fazê-lo acreditar. Por fim, ambos riram mais uma vez. – Falando sério agora... Eu também te reconheci. Os dois, na verdade. Vi você saindo da escola hoje, com ela e mais uma garota ruiva.

— Ah... Por um segundo achei que estivesse mesmo lidando com um X-Men. – disse, divertido.

— Shh... Ninguém pode saber da nossa existência. – o loiro entrou na brincadeira. – Bem, vou indo nessa, tenho um mundo para salvar. Parece uma festa e tanto, a sua.

— Não quer entrar? – Oliver perguntou impulsivamente, sem nem saber o motivo.

— Adoraria, mas não posso. – ele respondeu, com mais um sorriso simpático. – Tenho mais entregas e depois preciso voltar pra casa. Quem sabe em uma próxima oportunidade...

O não tão desconhecido então subiu em sua moto, colocou o capacete e partiu, deixando para trás um Oliver também sorridente e com um único arrependimento: não ter lhe perguntado o seu nome.

Ollie se voltou para a casa mais uma vez, quando a motocicleta sumiu de seu campo de visão, para se encontrar com uma Lauren com um sorriso malicioso.

— Acho que eu acabo de segurar uma semi-vela, hein?

Ele revirou os olhos.

— Não seja ridícula, eu nem o conheço. E nós só conversamos.

— Eu vi uma química. – ela deu de ombros. – Como foi com o Niall?

— Bem, eu acho... Nós decidimos manter só uma amizade por enquanto. – contou, enquanto entrava em casa, finalmente. – Sabe, por causa do meu código.

— Fala daquela coisa compreensível, mas meio idiota? – ela perguntou e ele assentiu, rindo.

Seguiram juntos até o quintal, onde ela pôs as pizzas sobre uma mesa e, no minuto seguinte, um monte de gente veio correndo pegar um pedaço.

— Como foi com a Fleur?

— Eu te disse pra esquecer esse ship idiota, Ollie. – ela respondeu mal-humorada. – Nós somos apenas amigas e eu amo a Cassie.

Hmmm, é mesmo? – a voz da morena se fez presente, fazendo-os olhar para trás. Ela se aproximava em um estado totalmente diferente de quando chegara: os cabelos negros desgrenhados, o batom borrado e o pescoço marcado por chupões. Lauren conteve sua vontade de fazer algum comentário desagradável e apenas trocou um olhar com Oliver, como se dissesse: “Viu por que eu não invisto?”. O garoto suspirou e voltou sua atenção à prima. – Acho fofa a sua devoção à Ferrugem. Uma pena ela ser hétero.

— Realmente. – a intenção da loira não era soar tão fria, mas assim acabou sendo. – Onde está aquele otário? Achei que não fosse se desgrudar dele pelo resto da noite...

Fleur a olhou, maliciosa.

— Ciúmes, linda?

— Por que eu teria? – Lauren não vacilou ao redarguir. – Não temos nada.

— Pois é. – disse Fleur, demonstrando alívio. – Ainda bem, né? Já é muito difícil pra você não me amar desse jeito, imagina se tivéssemos algo. Odiaria partir o seu coração.

— Seria mais provável eu partir o seu. – Lauren afirmou, após a raiva se esvair. Para ela, era impossível ficar brava com a amiga por muito tempo. A idiota a fazia sorrir, toda maldita vez. – Sei que é louca por mim.

— Verdade. – constatou, envolvendo os braços ao redor da cintura da loira e a abraçando por trás. – Meio impossível não ser, olha só esses olhos, essa boca...

Lauren, inevitavelmente, corou com o comentário. Sabia que estavam brincando, mas cedo ou tarde, em todas as provocações, uma hesitava primeiro e, dessa forma, o “ponto” da rodada ia para a outra.

— Me perdoa por te abandonar essa noite? – fez um biquinho adorável. – Eu não tive culpa. O Flint, Clint, ou sei lá qual é o nome, é muito gostoso.

Com essa “desculpa” Oliver e até mesmo Lauren acabaram gargalhando alto. Ela nunca tomaria jeito...

— Tudo bem, eu não estou mais chateada.

— Que bom! – ela exclamou, antes de beijá-la na bochecha. – Porque eu ainda quero meu beijo de boas-vindas...

Olhando-a, Lauren procurou por qualquer sinal de brincadeira, não encontrando nenhum. Oliver, em quem buscou uma “ajuda” silenciosa, também pareceu confuso. Ainda na dúvida, decidiu perguntar:

— É sério?

— Sim. – Fleur sorriu. – Pode ser só um selinho, só pra cumprir sua promessa.

— Uou, espera aí, isso está mesmo acontecendo? – Oliver questionou empolgadíssimo e a prima disse um “depende dela”, sem tirar os olhos de Lauren. – Ai meu Deus! Não creio! Esperem um pouco, porque eu preciso registrar o momento...

O garoto pôs a mão em um dos bolsos, sacando seu celular e apontando para elas a câmera traseira do aparelho. As duas riram com a ação dele e esperaram que ele fizesse a contagem regressiva do três ao um. Então, Lauren selou seus lábios com suavidade, deixando que permanecessem juntos por alguns segundos. Ela queria mais, é claro, quem não desejaria aproveitar uma oportunidade dessas para beijar Fleur Anderson, uma garota que, provavelmente, estava dentre as mais lindas de todo o mundo? Porém, não deixaria ir além de uma brincadeira. Com isso em mente, finalizou o contato, mas não sem antes devolver o beijo na bochecha que havia recebido.

— Minha lésbica interior acaba de gozar arco-íris! – Oliver disse, arrancando novas gargalhadas das garotas.

Os três continuaram conversando normalmente depois disso, pelo menos, até Cassie aparecer e arrastar Lauren para a pista de dança mais uma vez. Oliver pôde notar, pela expressão de Fleur, que ela não pareceu nada satisfeita com aquilo. Pelo visto, seria exatamente como no ano anterior: elas disputariam incessantemente a atenção da loira. Quanto a ele, bem, digamos que o garoto estava entusiasmado para ver no que daria.