Tratado De Sangue
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Ajuda especial de Nahuel MDJ, e Barbara Mello que enche meu saco pra q eu escreva!
Sentia o cheiro da carne queimada no ar. Provavelmente Charles passou por ali e queimou os corpos para que fossem perdidos. Mas que grande idiota! Corpos não viravam cinzas como papel e logo outros descobririam. Pulei da árvore e quando toquei no chão ouvi um baque surdo.
Olhei bem a minha volta. Não havia ninguém. Cheguei perto do corpo ainda em chamas. Esse otário conseguiu sugar a vida de três humanos azarados e eu ficava nesse jejum dos infernos porque ele pediu. Peguei os corpos ainda em chamas, perguntando-me porque diabos eu estava ajudando esse imprestável e joguei num riacho mais próximo, acho que isso daria conta, ou pelo menos seria mais difícil de achar. Olhei a queimadura nos meus braços e ombros se curando e voltei para a pequena clareira em que Charles fez a bagunça e procurei pelo seu cheiro.
Achei e escalei com facilidade a árvore mais alta. Já bastava, agora quem eu achasse primeiro seria minha vítima. Ou um humano miserável, ou o Charles. Um som gutural saiu da minha garganta e minha raiva preencheu meu corpo, aquele idiota pagaria pelo que fez comigo. Pulei os galhos com rapidez até chegar a um local civilizado, longe da pequena floresta. Desci da árvore e bati minhas calças e minha blusa decotada para que saísse um pouco da sujeira e andei até uma lanchonete. Resolvi que seria melhor não fazer uma chacina, apenas observar e esperar algum idiota cair literalmente nas minhas garras. Eu até poderia influenciar eles mas assim seria menos diertido.
Entrei e um sino tocou, ninguém fez questão de me olhar. Sentei no balcão e um homem não muito velho veio me atender com má vontade.
— Posso ajudar. — ele disse e senti seu mau-hálito.
— Não. — eu disse e virei meu rosto vasculhando a lanchonete fedida, talvez eu encontrasse minha vítima logo.
O homem deve ter achado que eu esperava alguém e deixou-me em paz, sorte a dele.
Um garotinho moreno olhou-me e fez cara de choro, eu odeio choro principalmente por nada, ele teve sorte pois eu queria um adulto onde havia mais sangue quente correndo no corpo. Minha boca se encheu d’água e desviei os olhos do menino petulante e encontrei um par de olhos claros me olhando com desejo num canto da lanchonete.
Empinei meu quadril e pisquei para ele. Seria esse otário, ele me lembrava Charles então seria muito fácil. Ele se surpreendeu com meu gesto mas logo deu um sorriso sedutor, talvez se eu estivesse bêbada e fosse humana eu até gostaria. Ele era bonito, parecia que ficaria melhor no escuro, onde era meu lugar. Cruzei minhas pernas e me inclinei no balcão dando as costas a ele, brinquei com um cardápio ali em cima e esperei. Ele se sentou ao meu lado se inclinando, ele cheirava a álcool.
— Hey gatinha. — ele passou a mão nos meus ombros nus, tentando fazer algum tipo de carinho.
Olhei para ele e sorri. Babaca, você logo estaria debaixo das minhas presas que já incomodavam na minha boca.
— Olá. — eu disse fazendo uma voz melosa.
— Quer algo? — ele ofereceu abrindo mais o sorriso quando acho que eu caía em seu jogo barato.
— Na verdade, sim. — eu disse e fiz biquinho, ele quase se derreteu. — Eu esperava que alguém me ajudasse, eu perdi meu gato, tenho quase certeza que ele subiu em alguma dessas árvores. Preciso voltar logo, mas não posso deixá-lo aqui sozinho nessa floresta perigosa. — pisquei algumas vezes.
— Eu acho que posso ajudar. — ele sorriu novamente, a malicia em seus olhos fez minha raiva borbulhar e eu fiz questão de coninuar.
— Muito obrigada! — o abracei, ele passo levemente a mão em minha bunda quando foi me abraçar de volta.
Esse babaca estava mesmo no papo! E nem demorei, talvez eu me satisfizesse com ele e ainda pegava aquele menininho só por chorar a toa, ele veria o bicho papão, eu ri.
Andei até a porta rebolando mais do que necessário, ninguém prestava atenção, a não ser um velhinho que me olhava e balançava a cabeça.
Atravessei a estrada deserta e cheguei à margem da floresta de onde eu saí, virei e dei de cara com o homem de olhos claros, ele se aproximou demais de mim.
— Onde ele está? — perguntou e andou até que minhas costas batessem num árvore.
Suas mãos foram para meu corpo, acho que procurando meu “gato”, eu o deixei por uns segundos e logo as afastei de mim fingindo vergonha. Ele me agarrou e me beijou, senti o gosto de álcool em minha boca e mordi seus lábios com força, seu sangue sujo escorreu para minha boca.
— Ai! — ele disse e logo seus olhos ficaram famintos, ele me levou para mais dentro da floresta. — Você quer brincar né?
Ele voltou a me beijar, desta vez eu mordi sua língua e deixei minhas presas saírem, senti o alívio imediato. Ele se afastou e me olhou, quando percebeu o que estava olhando ficou paralisado. Eu sabia o que ele via, uma menina com cabelos ruivos, com pele branca, os olhos num negro total e a boca preta com dentes longos e afiados.
Cravei meus dentes em seu pescoço para enfraquecê-lo, meu veneno se espalhou rápido pelo seu corpo enquanto sugava seu sangue e cortava sua pele com minhas unhas em forma de garra. Larguei seu pescoço e fiz um corte raso embaixo de sua garganta, lambi tudo com sede de sangue. Mordi seu pulso e suguei por alguns segundos saboreando, soltei e voltei para o outro lado do pescoço terminando assim com sua vida. Eu poderia ter poupado a dor daquele infeliz, mas assim era mais prazeroso para mim.
Limpei minha boca com as costas da mão e bati novamente minha calça, eu precisava de roupas novas. Terminei mutilando o corpo todo o deixando quase irreconhecível e o larguei na beira da estrada um pouco mais distante da lanchonete.
Subi na árvore e voltei a minha busca por Charles, eu precisava achá-lo antes que algum outro vampiro o fizesse.
A hora de Charles estava próxima.
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