Tratado De Sangue
5 Capítulo 4 - Parte II
Notas iniciais
Enrosquei-me nele e passei a mão pelo seu tórax até a barriga, ele gemeu. Fiz um gesto para que ele esperasse, peguei a criança jogada no chão e espremi sua cabeça com uma mão nos sujando. Gargalhei e agarrei a cabeça de Charles, o beijei e mordi, sangue rolava em nossas bocas e a nossa volta.
Charles me suspendeu e arrancou minha blusa, jogou-me contra parede e mordiscou a lateral de meu pescoço enquanto sua mão deslizava pelo meu corpo. Gemi contra seu pescoço e o mordi quando arrancou meus jeans e me levava sem soltar-me de seu pescoço até o quarto dos pais. Desci de seu colo e pisei na cabeça de seu pai com força, rimos e o joguei na cama coberta de sangue.
Montei nele e antes que pudesse fazer algo mais escutei um barulho, parei completamente, procurei por algum cheiro, mas nada vinha as minhas narinas. Charles percebeu e ficou quieto ouvindo também, algo se aproximava da velha cabana. Levantei e corri silenciosamente até a janela sem me importar com a falta de roupas. O barulho parecia com batimentos cardíacos humanos, mas com um toque diferente, batia mais lesadamente, e o cheiro não vinha, seja lá quem estivesse ali, fazia o mínimo de ruído.
Pulei a janela e aterrissei suavemente, esperei antes de correr até o barulho. Charles emanava raiva por trás de mim, quando olhei para ele na janela parecia preocupado, mas não exatamente comigo, foi quando senti uma flecha atravessar meu peito, rugi de dor e arranquei aquilo enquanto corria ferozmente em direção ao barulho sem cheiro.
Bati de frente com o humano esquisito e ele enfiou uma adaga estranha no meu coração, perto da ferida da flecha, e abriu meu peito. Dei um murro na cara dele e seu sangue espirrou em mim. Minha ferida ardia, um tipo de dor que nunca senti em toda minha vida humana ou vampira. Arranquei aquela adaga amaldiçoada e voei no estranho humano. Eu tentei acertar-lhe vários socos, mas ele era habilidoso conseguiu desviar de todos os meus golpes com facilidade. Ele pegou meu punho e torceu de forma quebrasse meu osso deixando uma fratura exposta. Ele girou e chutou meu estômago de forma que eu voasse em uma árvore e acertasse outra adaga em meu peito. Senti aquela dor insuportável novamente. Que tipo de arma era aquela? Tirei-a da minha carne e joguei de volta. Não era tão boa naquilo como o homem então acabei errando. Ele se aproximou com velocidade e eu aproveitei isso e soquei no queixo com tanta força que quase o decepei. Minha mão quebrada também foi arrancada, nosso sangue se misturou na floresta. O derrubei no chão enquanto eu arrancava seus pedaços com os dentes. Charles apareceu atrás de mim e enquanto eu o mutilava lembrei-me de um passado recente e então soube o que era aquele humano que nos atacou. Assim que acabei com a adaga a joguei para Charles que a segurou com nojo.
— Mas que diabos Charles! — eu disse com raiva enquanto chutava e esmurrava o cadáver jogado em um estranho ângulo no chão para ter certeza de sua morte.
— O que foi criatura? — ele perguntou se aproximando do meu saco de pancada.
— Porque não fez nada?! Só observou. Você por algum acaso quer me matar?! — O chutei na cara.
Ele pareceu tenso. Levantou e abraçou-me.
— Jamais! Apenas me assustei, mas fiquei de longe observando esta estranha raça. — o empurrei e o soquei no estômago.
— Deixa de ser marica! Não é óbvio? É um híbrido. Mas não faço ideia do porque resolveu se meter comigo. — rosnei para o cadáver.
— Eu não sabia que híbridos existiam. — Charles se aproximou do corpo mutilado.
— Existem, é uma raça nojenta. — fiz careta. — Certos vampiros adoram brincar com humanos, e as vezes, deixam uma marca, uma gravidez indesejada, a humana fica tão apaixonada que decide ter o monstrinho. Acontece que ela não vive muito. — sentei-me no chão e observei Charles queimar o corpo.
— O que acontece que as mães não vivem muito? — ele perguntou com ar preocupado.
— Os filhos precisão se alimentar, de sangue óbvio. E a infeliz da mãe sempre é a primeira. Depois podem até viver sem o sangue, mas é difícil. — peguei um pequeno galho seco e fiz símbolos no chão.
— Então, eles são como nós — não me pareceu uma pergunta. Ele se sentou do meu lado e ficamos observando o fogo lamber o corpo e algumas folhas que estavam no caminho.
— Não — eu disse depois de um tempo. — Nunca me deparei com um, mas pelo que vimos, ele não parece conosco. Soube disso tudo por Kevin, pelo menos pra isso ele serviu antes de morrer. — cerrei meus dentes.
Observamos o fogo consumir uma pequena árvore, sentados em silêncio. A única coisa que conseguia imaginar era que ele achava que fôssemos uma ameaça, não haveria motivo melhor do que este. Olhei pelo cantos dos olhos para Charles e ele estava imerso em pensamentos tanto quanto eu, o que será que ele pensava nesse instante? Daria meu sangue para saber. Meu instinto selvagem gritou algo para mim, mas não entendia por que estava em alerta então ignorei.
Levantei-me e joguei o graveto no fogo.
— Vou até a cidade, preciso descobrir algo sobre o próximo da lista. — disse ainda virada de costas.
— Vou com você — Charles se levantou para me acompanhar, mas eu me virei e apoiei minha mão em seu peito nu.
— Não. — suspirei. — Vou sozinha. Preciso ficar um pouco sozinha. Arrume esta bagunça e me espere. — ele me abraçou.
— Volte logo então. — sussurrou em meu ouvido enquanto subia e descia a mão em minhas costas nuas.
Deixei-o deslizar a mão pelo meu corpo, não era ruim e até me excitava, gemi perto de seu ouvido e me afastei.
— Okay. — disse e corri para a cabana, recolhi minhas roupas e corri em direção à cidade.
Coloquei minha roupa enquanto corria desviando das grandes árvores velhas da floresta. O cheiro de terra molhada me acalmava de certa forma, mas eu podia sentir o fraco cheiro de sangue que vinha das minhas roupas, o cheiro das árvores.
Cheguei a uma clareira onde um urso se assustou com minha passagem, mas deixou-me em paz. Eu já estava perto da civilização como eles chamavam.
Parei numa estrada de barro deserta, andei até as casas iluminadas me escondendo pelos becos. Humanos passavam a todo o momento, alguns segurando uma versão mini de si mesmos, outros vendendo mercadorias velhas e usadas, alguns carregando uma tonelada de bolsas, mas todos tão apressados que não paravam para olhar no escuro dos becos onde eu me encontrava. Andei por ali sem precisar me preocupar muito.
Procurava algum vampiro espreitando por ali, ou pelo menos alguma mulher desgarrada para que eu pudesse trocar minhas roupas quando ouvi gritos ecoando de uma casa decadente e mais afastada do centro da muvuca.
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