Trapped in Nightmares
11 Quero morrer logo.
Notas iniciais
11
Ando por entre um corredor cinza, minhas mãos estão presas á algum metal, mais precisamente uma algema. Duas mulheres me seguram. Minha roupa é larga, da cor laranja fluorescente. Passo por celas e as mulheres gritam indignadas com algo que está acontecendo. Estou em uma prisão. O corredor parece nunca acabar. Tento me libertar da algema mas apenas sinto o sangue do ferimento causado pela mesma.
As mulheres apertam mais o meu braço. O corredor acaba. Paramos em frente de uma porta de metal, elas pegam uma venda preta e tampam meus olhos. Tudo está tão escuro. Elas me guiam com dificuldade pela sala. Nossos passos ecoam pelo espaço. Ouço alguns sons aleatórios de respiração que devem ser certamente das policiais.
Continuam me guiando até eu bater a perna em um objeto duro, uma delas solta alguns palavrões antes de me fazer sentar no mesmo objeto duro, que, depois de um tempo descobri que era uma cadeira de metal. Meu corpo estremece e, em seguida arrepia com o frio do metal. Elas prendem meus braços, pernas e tronco pela cadeira. Depois, tiram minha venda. Uma traz um balde preto com água, retira do balde uma esponja amarela encharcada, a outra faz a mesma coisa. Elas entram em ação, molhando primeiro os meus braços, estou batendo meus dentes de frio. Seguem para meu pescoço e meu rosto, derrubando um pouco de água em meus olhos, solto um gemido quando eles começam a arder.
Elas continuam me molhando, não faço a menor idéia do que aquilo significa. Estou impedida de pensar, o frio me faz ficar quase inconsciente. Escuto algumas vozes, mas estou sem forças de olhar, parece que faz dias que eu não como nem bebo, pareço estar morrendo de fome e desnutrição.
Uma das policiais murmura:
— É uma pena, ela é tão nova.
— Tem que pagar por isso! — A outra responde friamente, olha para mim e solta uma risada.
— Está na hora. — Uma terceira voz anuncia. Ouço um grito de desespero implorando para parar. — Não seja ridícula, poupe-nos!
A pessoa ainda grita, mas ninguém dá importância. Ouço uns ruídos forte, uma das mulheres está com alguns objetos que não consigo identificar. Elas apenas prendem isso na cadeira. Estou tremendo, mas ninguém parece se importar.
A policial grossa puxa uma alavanca e sinto meu corpo queimar, dor. Muita dor. Não consigo pensar, a dor é tão forte. Meu corpo está tremendo com o que estou sentindo. É uma descarga elétrica, estão me dando choque. Quero gritar, quero morrer logo, mas devem deixar que as correntes sejam fracas para eu morrer agonizante e lentamente. O processo é moroso, meu corpo está moribundo.
Rapidamente, procuro por uma solução, não sei se é possível mas sinto uma lágrima escorrendo dos meus olhos. Em minha mente se passa um filme, Jeena traindo Larry, minha vida na Filadélfia, meu primeiro beijo com Klaus no farol. Agora entendo como é aquele filme que se passa em nossa cabeça quando se está prestes a morrer.
As confusões mentais começaram, tento me manter concentrada em lembrar das palavras de M. Hermann ''podemos mudar o destino dos nossos sonhos'' Dor, muita dor.
''Mantenha-se a calma.'' Como ficar calma se estou morrendo? Minha dor é enorme, não consigo mais respirar, não sei como estou viva.
''EU QUERO! EU POSSO!'' Será que eu quero? Será que não seria mais fácil se eu morresse agora? Por favor, me mate! Apenas escuto a risada de alguém.
''Não se intimide com nada que estiver ao seu redor'' Essa é a última frase da qual consigo me lembrar. Fecho meus punhos com toda a força que eu consigo. Meu Deus! Não estou aguentando, a dor é enorme, não posso morrer ainda? Como é tão lento!
''EU QUERO! EU POSSO!'' A frase é entoada repetidamente na minha mente, não consigo gritar, falar nem espernear, mas ainda consigo pensar. ''EU QUERO! EU POSSO!'' Vou morrer. ''EU QUERO! EU POSSO!''Vou conseguir. Minhas confusões pioram e a dor também. ''EU QUERO! EU POSSO!'' com o resto da minha força adiciono mais duas palavras á frase: 'EU QUERO! EU POSSO!... EU CONSIGO!'' Assim que termino de gritar as duas últimas palavras em meu pensamento a dor cessa, antes de cair, vejo as lágrimas jorrarem dos olhos da minha mãe. Caio da cadeira elétrica em um quarto branco. Estaria eu morta? Minha vontade é estar morta. Sem o ar da vida, com os batimentos cadíacos cessando, o corpo esfriando e empalidecendo, mas não, meus sangue corre incessante pelas minhas artérias e veias. Não morri.
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