Trapped in Nightmares

12 Pontadas de dor.


Notas iniciais
Oiiii gente! bom, aqui estou novamente com outro capítulo *ÊÊÊÊÊÊÊÊÊ* Boa leitura

12

Não consegui controlar meu pesadelo, só mudei o estágio dele, não é possível. Uma mulher de branco entra na sala e diz:

— Finalmente você acordou. Sua mãe está desesperada. — O que ela vai fazer comigo? Quero gritar, perguntar onde estou, mas só consigo balbuciar:

— Eu... Eu morri?

— Não. Na verdade você quase morreu.

— Onde eu estou?

— No hospital.

— O que aconteceu comigo?

— Você quer realmente saber? — Ela pergunta um pouco preocupada.

— Vá em frente.

— Já faz uma semana que você está aqui. O que aconteceu foi que você teve uma discussão com a sua mãe, e foi dormir, um tempo depois sua mãe foi te ver e você estava inconsciente. Você levou uma descarga elétrica, não sabemos como ainda. — Ela limpa a garganta e faz um sinal com a sua mão direita dizendo que ainda não terminou de falar. — Quanto á sua mão, como se cortou?

— Eu... — Olho para as minhas mãos e o corte parece até uma pulseira, sinto um pouco de pânico ao lembrar de que eu senti o meu sangue escorrendo pelas minhas mãos. — Eu... não sei como... não sei como fiz isso....

— Posso chamar a sua mãe?

— Pode. — Hesito para responder, mas acho que assim vou conseguir fazê-la falar de Larry para mim. Não aguento mais isso.

A enfermeira sai e, depois de um tempo minha mãe aparece no quarto, dois segundos se passam e ela começa a chorar feito uma criança. Viro minha cabeça em direção ao lado oposto do dela com um pouco de força sentindo pontadas de dor, mas não queria olhar para seu rosto, então preferi sentir um pouco de dor.

— Eu... eu... — Ela perde o raciocínio, não tem forças para falar comigo, ela soluça e tenta me abraçar, mas fica com medo de se aproximar. — Jeanie, me desculpe. Eu te amo.

Não respondo, o meu silêncio é a melhor forma de fazê-la sofrer.

— Eu... eu sei... — Ela para de falar com receio. Tento me conter mas quebro o silêncio:

— Sabe do quê?

— Nada, me desculpe... não foi nada. — Ela gagueja.

Suspiro e solto apenas um ''hum''. Esta seria a hora em que ela falaria de Larry para mim? Será que ela começou e não teve mais coragem de terminar? Paro de pensar quando respiro um pouco mais forte e sinto uma pontada em minhas costelas, parecem estarem sendo perfuradas por milhares de agulhas. Solto um gemido e minha mãe se mexe rapidamente para me atender. Ela segura as minhas costelas querendo ajeitar minha posição diante da cama, a dor piora, as agulhas foram substituídas por pregos. Uma lágrima de dor escorre dos

meus olhos e ela pergunta:

— Doeu?

— Mas é claro que doeu! —Resmungo. Minha respiração torna-se ofegante, a agonia me faz suar, solto mais alguns gemidos. — Até quando você vai ficar calada?

— Já pedi para você parar com isso!

— Eu estou morrendo. — Isso faz com que ela pare de me responder. Ela fecha os olhos, respira fundo, conta até dez e diz:

— O Larry... Ah, o Larry... — Ela abre um sorriso e suspira. — O Larry foi o amor da minha vida durante três anos. Nós... nós éramos bem unidos, amávamos um ao outro. Até que se começaram as brigas, ele nem ligava para mim, chegava do trabalho e ia dormir, nunca mais tinha me chamado de linda. E então... Eu conheci Phillip, ah, ele era encantador.

— Então você traiu Larry com o Phillip?— Pergunto, querendo ir direto ao assunto.

— Só tivemos uma noite juntos, no Natal.

— E então, quem é o meu pai?

— Eu... eu... eu não...

— Eu sei que você sabe. — Ela sai do quarto chorando e eu fico irada. Eu tenho direito de saber quem é o meu pai.

Mais tarde, Katie, Oliver e Klaus chegam para a visita, eles conversam comigo, tentando esconder o desespero ao olhar para meus olhos roxos e fundos, minha palidez.

— Jeanie, você precisa de alguma coisa?— Kat pergunta antes de ir embora.

— Não, obrigada — lembro-me do livro azul. — Quero dizer, sim... eu preciso. Eu preciso que você traga um livro que está no meu quarto, se chama Pesadelos.

— Tudo bem, eu trago amanhã. — Ela e Oliver dão um beijo no meu rosto, já Klaus me beija, parece que faz cem anos que não nos beijamos.

— Parabéns.

— Pelo que? — Não entendo muito bem o que ele quer dizer com esse ''parabéns''.

— Meus parabéns por se meter em tanta confusão em tão pouco tempo. — Ele sorri, seus dentes brancos fazem-me sorrir também.

— Saudade do tempo em que eu não era perturbada. — Deixei escapar sem intenção essas palavras suspeitas.

— Perturbada? Pelo quê? — Ele pergunta confuso.

— Não...nada. — Gaguejo.

— Ultimamente você anda muito estranha, Jeanie.

— Não é nada, Klaus. Eu juro. — Minto, me sinto muito culpada, eu não mereço o Klaus, ele nunca mente para mim. Mas... mas não posso falar para ele, pode acontecer o pior, posso perdê-lo.

— Eu te amo. — Ele olha em meus olhos, ainda me sinto culpada por ter mentido para ele, mas me sinto mais culpada quando lembro do beijo de Dylan. Ele me beija tão suavemente, tão delicado, aquele momento parecia tão frágil, que qualquer coisinha poderia quebrá-lo e eu o perderia para sempre.

Pior do que mentir para Klaus, é vê-lo ir embora, queria que ele ficasse mais. Estou tão carente ultimamente com tudo que está acontecendo. Será que foi por isso que beijei Dylan? Quando o beijei não parecia eu que estava beijando-o, parecia outra pessoa, eu parecia estar sonhando, mas não estava.

Queria que esse beijo fosse apenas um sonho, ou melhor, um pesadelo passageiro, algo que acabasse quando eu resolvesse me beliscar. Que eu acordasse com os olhos inchados, as olheiras, e frio, com uma das meias faltando, suspirasse e depois sussurrasse em meio ás cobertas:

Acalme-se foi só um sonho (ou pesadelo).

Notas finais
Espero que tenham gostado, beijinhos de luz.