Trapped

3 Waving Our Lives Away


Notas iniciais
Heyy lindasss, finalmente férias :)))))))))))) Mt felicidade para uma pessoa só Apesar de eu viajar vou tentar continuar a escrever, espero que gostem bjokss (fico um pouquinho grande, maus)

And the tears come streaming down your face
When you lose something you can't replace
When you love someone but it goes to waste
could it be worse?

Fix You — Coldplay

– Por obséquio, estamos numa festa, tenha o prazer de me chamar de Nicholas.

Pisquei atônita. Eu apenas o via em propagandas da Realeza, mas de perto, ao vivo, sem a produção, ele parecia apenas um garoto normal bem-vestido. Seu olhar duvidoso ainda passeava pelo meu rosto tentando descobrir o quê diabos eu estava fazendo ali.

– Ahn...

– A senhorita necessita de alguma ajuda?

Meu Deus, o quê eu ia fazer? Pior que ser encontrado pelos outros convidados, ou até mesmo pelos guardas, é ser encontrada por alguém da Realeza. Será que ele tinha me visto lendo? Se sim, provavelmente vai perguntar que tipo de livro estou carregando. Romances policiais, ou livros que contem psicopata ou assassino como narrador, ou crimes hediondos tais como incesto, suicídio, homicídio, estupro ou extrema violência foram totalmente proibidos, pois acreditam que podem influenciar as pessoas. Um lei sem-sentido algum, já que não nos disseram o que poderíamos ou não considerar inapropriado. Assim que percebi que não tinha o respondido voltei a realidade.

– Oh não, obrigada. Eu já estava de saída majestade, perdoe-me.
O príncipe virou ligeiramente a cabeça como se procurasse alguém atrás de mim.

– O que tanto esconde, minha cara?

Ele falava como se ele tivesse 20 e eu 10, isso já estava me irritando. Franzi a testa levemente. Não tinha como escapar. Mentir só pioraria as coisas.

– Um livro.

– Um livro?

– Sim, senhor.

– E qual seria o título dele?

Mordi o lábio inferior, lá vinha o sermão...

– Jane Eyre.

Ele arregalou os olhos, porém por um curto tempo. Se não estivesse assustada e ansiosa pela sua reação, não teria percebido.

– Charlotte Brontë, é raro jovens moças, como a senhorita, lerem clássicos.

– O senhor... Não vai me punir?

– Te punir? — disse tornando sua expressão confusa.

– Não, claramente. Você está apenas lendo um bom livro, não é motivo para punição.

Soltei o ar que estava segurando.

– No entanto, acredito que seria melhor se não ficasse mais nesta sala. Não gostaria de se encontrar com alguém que não tenha a mesma opinião que a minha a respeito disso.

– Oh, claro majestade. — fiz uma reverência desajeitada e fui em direção a saída.

Nicholas segurou a porta para eu sair. Agradeci com um sorriso e fui em direção as escadas.

Desci rapidamente envergonhada. Algumas pessoas vivem um vida inteira sem conhecer (pessoalmente) algum membro da Realeza. Agora eu, que tive a oportunidade, me comportei como uma menina tola. Eu fiquei sem reação, era como se eu estivesse coberta de cera derretida um minuto e logo depois seca, com eu dentro petrificada.

Voltei ao salão avaliando rapidamente os convidados em busca do Nathan. Pedi licença diversas vezes em busca de passagem, era impressão a minha ou nesses 30 minutos a o número de pessoas tinham dobrado? Era como se todos os convidados (literalmente) estivessem dentro do castelo (já que alguns gostavam de sair e ficavam nos jardins). De repente os músicos pararam de tocar, os murmúrios caíram num silêncio mortal, todos os rostos de homens, mulheres e crianças estavam voltadas para uma parte da sala. Ao seguir o olhar entendi o porque da mudança inesperada. No andar de cima onde apenas tinha uma grade se encontrava um velho e arrumado homem, com vestimentas que não se poderia nem sonhar, de tantos detalhes e perfeição. Lá estava o nosso querido, mas nem tanto, rei. Iria renunciar o seu trono naquele mesmo ano para seu filho mais velho, Edward.

– Jovens damas e cavalheiros, sejam bem vindos ao meu adorável lar. Estou graciosamente feliz pela presença de todos aqui neste dia especial.

Depois da estrada de sempre o Rei começou a falar do evento Dia do Encontro, o propósito, ai vem propaganda, propaganda, propaganda, blá, blá, blá. Não que eu despreze o evento (na verdade torna mais fácil na procura da 'A pessoa'). Fui desviando devagar entre os convidados ainda em busca do meu irmão. Fui em direção do lugar em que ele primeiro iria, a mesa do Banquete. Como conheço muito o meu irmão caçula, eu estava certa. Entre os doces orientais e os cupcakes ele estava discutindo com um homem (aproximadamente uns 20, 23 anos), e parecia irritado. Respirei fundo imaginando no que ele tinha se metido, me aproximei dos dois.

– Isso não é justo! Eu sou convidado, eu tenho todo o direito! — disse Nathan sussurrando na tentativa de não atrapalhar o discurso do Rei.

– Sim você tem, mas no entanto, você já comeu quase o prato inteiro de scones. Não deveria comer tanto, há outros convidados que também gostam desse doce.

– Hah! Também pegaram os meus cookies de chocolate, não sobrou nada!

– Nesta mesa nada é seu, e sim de todos!

Nesta última fala a música começou a voltar me virei em busca do que tinha acontecido no discurso o qual ignorei. As damas e cavalheiros cochichavam nos cantos separados e alguns conversavam entre si, contudo rapidamente, logo os casais acabavam indo para o centro do salão e... Dançavam. Era a hora da dança! Eu sempre quis ver com quem a Myra ia dançar e como (provavelmente com graça, como sempre). No entanto não podia deixar Nathan. Me aproximei em busca de terminar a discussão.

– Mas seu filho de uma... — começou o meu irmão.

– Nathan! — o adverti.

Seus olhos de viraram para mim.

– Maninha, olá! Conseguiu "descansar"?

– Sim "maninho", consegui, agora vamos, pare de incomodar este cavalheiro.

– Mas eu quero scones!

– Você deveria escutar sua irmãzinha. — interveio o homem com um canto dos lábios superior.

O encarei mortalmente, odiava quando tratavam Nathan e eu como idiotas que não entendiam nada. Nisso um ar de competitividade crescendo dentro de mim.

– Ah Nathan, a propósito — disse pegando um dos scones — eles estão realmente deliciosos! Talvez mais tarde quando não tiver um "guarda" nós podemos levar alguns para casa.

O homem ao meu lado me olhou incrédulo.

– Alguns? — suspirou meu irmão, tentando não sorrir.

Abri um largo sorriso, o que provocou mais raiva no homem.

– Muuiitos. — respondi, finalmente.

– Escuta aqui sua... — alarmou quase explodindo.

Ele segurara meu braço fortemente, como se isso adiantasse algo. Contudo não consegui esconder uma careta de dor, não estava esperando por aquilo.

– Sr. Sanders.

Me virei espantada, não achei que alguém estivesse escutando nossa conversa.

– M-Majestade?

– Há algum problema? — disse o mesmo jovem que me flagrou lendo na sala escondida.

– N-Não, quero dizer... Sim tem.

– Esse cara não quer me deixar comer scones! Estou morrendo de fome, eu tenho o direito como qualquer outro convidado!

– Isso é verdade Sanders?

– Oh majestade, mas ele estava acabando com o estoque não se pode deixar que ladrõezinhos se aproveitem num grandioso evento como esse.
Nicholas apenas deu uma gargalhada descontraída. Não conseguia distinguir se ele estava ironizando a cena ou se divertindo com ela.

– Bobagem senhor, é apenas uma criança com metabolismo rápido. Não precisa se preocupar tanto, porém aprecio sua atenção ao evento. — seus olhos rolaram e se fixaram para a mão do homem (Sr.Sanders) ainda firme envolto no meu braço — E se não se importar agradeceria se soltasse a jovem, que aparentemente não está envolvida. — sua voz tinha deixado de tom divertido para um mais sério.

– Oh, perdoe-me majestade. — disse alertado como se tivesse esquecido que ainda me segurava e me soltou.
Logo ele fez uma breve reverência e saiu incomodado. Meu irmão com um sorriso triunfante se virou para o príncipe.

– Valeu, ahn...

– Nicholas.

– Valeu, Nicholas!

Olhei espantada para Nathan. Ele ainda não tinha percebido quem ele era? O príncipe, porém, apenas abriu um belo sorriso.

– Foi um prazer ajudá-lo, caro jovem.

Rapidamente ele virou os olhos para o meio da multidão. Abri a boca para avisar Nathan com quem ele conversara, mas logo fechei. Nicholas parecia bem entretido com a cena. Meu irmão rapidamente puxou a saia do meu vestido.

– Ei Ka, aquela não é a My?

Olhei para o local onde seu olhar estava direcionado. No meio de um monte de casais pude ver Myra com seu lindo vestido de seda azul claro dançando com um homem de cabelos negros, extremamente familiar, mas não conseguia lembrar de seu nome ou quem ele era. Meu irmão apenas fez uma cara de nojo e desaprovação ao casal.

– Ah, achei mamãe e papai! — exclamou soltando o pedaço que segurava do meu vestimento.

Eu estava tão surpresa que não olhei para onde Nathan tinha ido. Passei os olhos pela sala milésimas vezes em busca de achá-lo. Ouço uma leve risada.

– Perdeu seu irmão?

Me viro para o príncipe, que tinha esquecido de sua presença por míseros minutos.

– Temo que sim... — disse ainda frustada, procurando por Nathan.

– Suponho que a atração por problemas é hereditário.

Virei o rosto para o príncipe.

– Perdão?

– Há apenas um momento atrás encontro a senhorita em um local isolado lendo um livro que provavelmente seria repreendido, logo depois encontro com seu irmão no qual entrou numa discussão por ___.

Levantei um canto da minha boca, dando um sorriso envergonhado.

– Acredito que está acostumado a pessoas que seguem as regras e escolhem o mais fácil e confortável, "Mas eu não quero conforto. Quero Deus, quero a poesia, quero o autêntico perigo, quero a liberdade, quero a bondade, quero o pecado".

Se virou e lançou-me um olhar divertido.

– Você decora todas as citações dos livros que leu?

– Apenas as que eu gosto, ou seja muitas.

– Muito bem, será que por acaso a senhorita Amante de Livros gostaria de dançar?

Enrubesci. Ele tinha acabado de convidar para dançar.

– E-Eu achava que a dança era apenas para os pares.

– E é, mas a senhorita não acabou de dizer que quer o perigo, o pecado, o que contradiz as leis?

– Ahn, bem... — comecei em dúvida.

Olhei por cima de seu ombro em mais uma tentativa de achar Nathan.

– Seu irmão ficará bem, e além do mais aposto que ele voltará. Nesse caso, acredito que seria muito melhor esperar se divertindo do que parado apenas encarando os convidados.

Olhei para seus olhos. Realmente eram marrons, mas não eram. Parecia um mel refletido com a luz do sol que acabará de nascer, e mesmo assim tinham um tom de divertimento e ansiedade. Como se por debaixo daquele pesado traje real estivesse apenas um garoto levado na adolescência.

– Neste caso aceito o pedido com apenas uma condição.

– E qual seria? — disse arqueando uma de suas sobrancelhas.

– Que o senhor não me chame de "senhorita".

Ele deu uma leve risada e voltou a encarar os meus olhos.- E como a deveria chamar?

– Karine.

– Muito prazer, madame Karine. Me concederia esta dança?

– É claro, majestade.

– Nicholas, se não se importar.

– Oh claro que não majes- Nicholas.

Ele abriu um sorriso e estendeu o cotovelo. Encaixei minha mão na dobra de seu braço e fomos normalmente ao centro do salão junto com os outros Pares que dançavam. Como se não importássemos de estar quebrando as regras num Dia do Encontro.

Apenas quando ele pôs a mão em minha cintura e com a outra segurou minha mão eu me lembrei. Eu não sabia dançar. Bem, não tão graciosamente, a única vez que dancei valsa foi com Nathan quando ele estava curioso e eu o "ensinei" com o quê eu achava que era. Todos sabiam que era uma dança simples de casal trocando passos entre 2 e 1, mas, obviamente, um príncipe saberia dançar com muita mais disciplina. Conforme dançávamos eu olhava rapidamente para nossos pés, apenas para ter certeza de que eu não pagasse o maior mico de pisar em seu pé.

– Senhor-, quero dizer, Karine?

– Ahn, sim? — disse no meio dos devaneios que estava concentrada.

– Você parece um pouco... Distante.

– Perdão, é que eu não sei dançar muito bem, não quero cometer nenhum erro. — senti meu rosto queimar.

– No entanto está indo muito bem.

– É... Indo bem como uma cabra.

– Cabra? Por quê uma cabra? — perguntou rindo.

– Ah eu sei lá, é o único animal desajeitado que eu tinha em mente.

Ele se aproximou da minha orelha e sussurrou como uma brisa, seguida por uma leve risada, fazendo os pelos de minha nuca irisarem.

– Bem, então posso te assegurar que você dança bem melhor que uma cabra, Karine.

Estava começando a suar frio e um barulho dentro de mim, como um tambor, começou a aumentar seu volume. Esperava que Nicholas não percebesse.

Depois ninguém nada disse, pelo menos o silêncio constrangedor era completado pela música de valsa. Eu estava consciente de que estávamos dançando por mais tempo do que devíamos, porém como nenhum protesto ou manifestação de sua parte ocorreu, achei melhor não comentar. Por cima de seu ombro pude ver um vulto se aproximando. Primeiramente achara que era apenas impressão a minha, mas conforme a gente movia os pés seguindo o ritmo da música lenta, percebi que cada vez mais próxima da gente essa "sombra" estava. Olhei para Nicholas e falei num tom baixo.

– Acabei de ver um vulto vindo na nossa direção, devo me preocupar?

– Hum... — ainda dançando ele inverteu nossas posições. — Não, não há o que temer. — disse com um sorriso disfarçado, porém perigoso.

De quem será que ele estava falando? Na tentativa de olhar para aquele falado, me deparei com ele bem atrás de mim. Assustada parei de dançar, me soltei do Nicholas e pus-me numa posição ereta e de etiqueta.

– Majestade. — disse numa reverência.

– Oh, quer dizer que apesar de quebrar regras na frente da Realeza, a senhorita sabe nos cumprimentar? Comovente. — ironizou o príncipe Harold, segundos mais velho que Nicholas.

– Harry, Harry, Harry... — começou seu irmão — Por que sempre tão ranzinza?

– Não sou, "Nick", apenas estou cuidando para que as regras não sejam violadas.

– Ah, vai irmão, estávamos apenas dançando.

– No evento errado, pelo visto.

– Por que não vai se estressar com outras coisas, como por exemplo a sua indignação de que nunca herdará o trono?

Por um momento ambos ficaram calados encarando-se de um modo desafiador. A tensão era tanta que parecia me empurrar para fora da discussão.

– Perdoem-me majestades pelo incomodo, — disse com uma voz quase inaudível — vou retirar-me ra-

– Não Karine, fique por obséquio. — pediu segurando-me pelo braço gentilmente e logo virando-se para seu irmão e o advertindo-o — O príncipe Harold não tinha a intenção de interver, não é mesmo?

– Claro que não, "príncipe Nicholas", eu é que peço perdão. — disse ainda lançando um olhar mortal de volta.

Logo depois Harold foi se afastando e sumindo na multidão de casais.

– Ai meu Deus, ai meu Deus, o que foi que eu fiz? — amaldiçoei-me mentalmente.

– Aplaque-se senhori-Karine, nada de mal ira-lhe acontecer, foi apenas meu irmão com um coração que transborda rancor.

– Mas eu não deveria estar dançando hoje, ainda mais dentro do castelo no centro do salão!

O que meus pais pensariam de mim? O que a Realeza pensaria de mim? O que todos pensariam?!

– Desculpe-me Nicholas, eu não- , quero dizer, obrigada mas- , ah foi um prazer, adeus. — estava tão envergonhada que nem percebera o que dissera e se o que disse fazia algum sentido.

Apenas segurei a saia do meu vestido e sai correndo pelo salão. Não queria todos aqueles olhares para mim, tinha ido longe demais. Corri na busca de alguma saída para os jardins. Ao sair para o ar livre encostei meu corpo na parede de fora e fechei os olhos. O que pensara que estava fazendo? Provavelmente o príncipe estava apenas me testando, e eu fracassei. Myra deveria estar com tanta vergonha de mim que não acredito que volte a olhar no meu rosto por pelo menos uns 6 meses. Nathan por outro lado, deve ter achado divertido, mas minha mãe o repreenderia. Meus pais... Talvez nem deixassem eu dormir em casa hoje. Quem sabe eu possa dormir na casa de Phil... Era humilde, mas acolhedora, poderia até dormir no celeiro, tinha uma cela vazia, eu poderia pegar o feno se reserva e fazer um colchão... Decidida de que eu tinha algumas soluções, resolvi voltar para dentro e ficar com minha família (ainda tinha o meu irmão para me apoiar).

Contudo, como se o dia não pudesse ficar mais estranho. Encontrei meus pais falando com o príncipe regente, claro, se for para encontrar os príncipes que encontre todos de uma vez! Ao lado deles estava Myra e Nathan. Me aproximei devagar e um pouco (muito) envergonhada. Acenei timidamente como cumprimento para meus pais, os quais surpreendentemente me responderam com sorrisos e sinais para me aproximar. Será que eles não me viram e me humilhando na frente de todos?

– Olha quem está ali! Venha querida. — chamou minha mãe.

Ao me aproximar deles percebi o quão Myra parecia feliz e Nathan entediado, por um momento eu achei que eu poderia ter escapado, mas não baixei a guarda até ter certeza.

– Ka, este é o príncipe Edward. — apresentou Myra para mim.

– Prazer conhecê-lo, majestade.

– Prazer igualmente, senhorita Hollis. — o príncipe virou-se para meus pais — Que belos filhos o casal tem.

– Agradeço senhor. — respondeu meu pai.

– Gostaria de poder vê-los novamente, caso não seja de nenhum incômodo para a senhorita Myra e sua família, claro.

Os olhos da minha irmã estavam brilhando como holofotes e e um sorriso tão grande que eu suspeitava que se ela ficasse assim por muito tempo, ela não iria conseguir tirá-lo.

– Claro que não majestade, de forma alguma. — ela respondeu rapidamente.

– Querida Myra, já disse que pode me chamar de Edward.

Pronto. Nisso estava vendo minha irmã caindo aos seus pés. Só alguém da Realeza para fazer a dura e madura Myra se desmoronar daquele jeito.

– Ei Ed! Você por acaso viu o nosso... — perguntou Nicholas surgindo detrás de Edward — Oh, desculpe-me, não tinha visto que estava acompanhado. Boa tarde, perdoe-me Sr?

– Hollis. — respondeu meu pai.

– Perdoe-me Sr. e Sra. Hollis, prazer sou Nicholas. — disse cumprimentando meus pais — E esses devem ser seus filh-

Nicholas parou no meio da frase quando viu meu irmão e eu. Ao seus olhos pararem em mim ele abriu um grande sorriso. Então eu, sem saber o que diabos fazer, apenas abri um singelo sorriso.

– Hey Nicholas! Tudo bem?

Todos se viraram para aquele que tinha dito a frase, ou seja, meu irmão. Meus pais ficaram horrorizados, minha irmã estava quase desmaiando, Edward estava surpreso enquanto eu tentava, sem sucesso, um jeito de esconder o quão envergonhada estava. Acho que devia ter falado para ele quando tive a oportunidade. No entanto Nicholas apenas sorriu e respondeu.

– Oi pequeno jovem, como vai? Conseguiu os seus tão desejados scones?

– Na verdade eu estava esperando eles voltarem, acho que aquele homem intrometido pediu para os garçons os tirarem da mesa.

–Hum, verdade? Verei o que poderei fazer depois.

Todos olhavam um pouco impressionados para cena, menos eu claro, que entendia a situação. Só queria que as vezes meu irmão fosse um pouco mais discreto.

– V-Você conhece o príncipe Nicholas, Nathan? — perguntou minha irmã ainda um pouco atônita.

– Príncipe?

Meu pequeno irmão demorou para ligar algumas coisas.

– Ah... Então é por isso que você se veste assim e fala difícil?

– Nathan, que tal a gente ver se o seu doce chegou em? — disse tentando afastá-lo da conversa desesperadamente.

– Mas eu e o Nicholas --

Puxei-o contra sua vontade para mesa dos doces.

– Qual é o seu problema? — perguntei.

– Nem sabia que tinha algum problema!

– Não se pode falar tão informalmente na frente de membros da Realeza.

– Sério? Que besta, além do mais, ele não parecia se importar nem um pouco.

– Ele apenas estava sendo educado.

– Não falar o que pensa é ser educado?

– Dependendo do que está pensando, sim! — me aborreci.

Virei para pegar um scone para meu irmão e depois entreguei-o para ele.

– Você está muito chata hoje, sabia? Nem sei como o Nicholas te aguentou por um segundo.

– Oi? — indaguei.

– Sorry, mas você acha que eu sou burro o suficiente para acreditar que você perderia a chance de ficar conversando com um príncipe?

Pisquei atônita para meu irmão.

– Você acha que sou tão oferecida assim?

– Não disse que era, além do mais, se concordasse, acreditaria que a My está sendo oferecida também.

Que @#*&^ tinha naquele bolinho doce?!

– Quer saber? É melhor você ficar quietinho pelo resto do dia senão vai passa um mês sem sair de casa!

– Ui, que meda de você. — disse indo na direção dos nossos pais.

Que peste! Que vontade de estrangular aquele maldito tampinha! Me virei para a saída até os jardins. Chega, já estava cansada, até aquela baboseira de evento acabar eu me perderia lá fora.

***

O Sol já começava a se por os convidados começavam a entrar nas carruagens que os deixariam em casa. Eu estava na fila com a minha família tentando evitar olhar para Nathan que realmente tinha me tirado do sério. Estava olhando em volta quando meus olhos param num suspeito na porta do palácio me encarando. Nicholas. Seu olhar estava tão distante e seus olhos estavam amarelos como os de um lobo solitário. Eu tinha-o tratado muito mal. Ele não me punira pelo livro, tirara meu irmão de uma confusão, convidou-me para dançar, me defendera de seu irmão e tratara o Nathan com a maior paciência e carisma. Já eu, agi como uma criança, não soube dançar (e acredito ter pisado algumas vezes em seus pés), tremi de medo da rejeição de todos, ao invés de perceber a exceção que ele estava abrindo para mim e o deixei 2 vezes, uma vez sozinho e a outra com minha família. Que ótima primeira impressão, Karine! Agora ele pode ter certeza que você é uma idiota. A gente ainda estava trocando olhares quando seu irmão-gêmeo (mas não idêntico), Harold, falou algo em seu ouvido e ambos entraram no castelo. Não o vi mais desde que entrei na carruagem.

***

– Eai?! Como foi? — perguntou Norah.

– É... Foi chato. -respondi.

Nós tínhamos acabado de sair da escola e estávamos caminhando para a praça para encontrar o Phil e Ami.

– Ah duvido, você que é muito exigente.

– Bem acho que não posso discordar.

– Mas fala, encontrou algum príncipe?

Me calei. A imagem dos três me vieram a cabeça, mas principalmente de Nicholas, e o último olhar que me dera na saída.

– Ka?

Permaneci calada e apressei o passo para a Praça que já estava perto.

– Karine! — ela me segurou com um sorriso curioso.

– Bem... Talvez eu tenha...

– AIMEUDEUS!!! QUAL DOS TRÊS FOI? E ELE ERA BONITO? TÃO QUANTO NAS PROPAGANDAS? POR QUE VOCÊ NÃO ME CONTOU ANTES?!

– Não é algo tão importante assim..

– É óbvio que é!

Tínhamos chegado no centro onde tinha uma fonte gigante, onde as pessoas costumam sentar, principalmente Phil e Ami. Eles estavam lá conversando quando a Norah chegou correndo e quase pulou neles dois.

– Que isso Norah?! Enlouqueceu?! — exclamou Ami.

– Cala boca ruivo idiota, a Ka tem uma notícia para gente.- disse se ajeitando na borda da fonte com eles.

– Sério? E é recente? — perguntou ansioso Phil.

– Que nada! Eu tive que tirar dela, nem ia nos contar.

– Pô Ka, assim você magoa a gente. — fingiu meu melhor amigo estar magoado.

– Gente como vocês são exagerados! Não é nada!

– Desembucha mulher! — indagou Norah.

Respirei fundo tentando conter minha paciência.

– Ok, no Dia do Encontro da minha irmã, que foi um saco, eu encontrei -

– Um príncipe, ok isso já sei. — interrompeu a minha amiga idiota.

– Sério? Tipo de verdade? Qual? — entusiasmou-se Ami.

Phil ficou calado, ele não gostava de nada ligado a Realeza, principalmente quando é o assunto principal.

– Ahn... Foi o Nicholas --

– AH!! — gritou Norah.

– --primeiro... — terminei a frase.

Ami e Norah me encararam boquiabertos, enquanto eu tinha a sensação de que Phil ia ter um infarte.

– DIGA.LOGO. — implorou os dois abobados.

– Depois o Harold e por fim o Edward.

– Pelo Santo sagrado! Você conheceu todos eles! — o ruivo parecia querer me chacoalhar de tanto entusiasmo.

– E como você se atreve a dizer que foi um tédio?! — Norah perguntou sem entender.

– Bem, nem todos eles foram uma simpatia de pessoa. — fiz uma careta lembrando da intervenção de Harold.

– Conte tudo, e você não sai daqui sem acabar! — ela me puxou para sentar com eles.

Falei desde o meu fracasso em ler escondido até a parte que fui embora, porém não falei sobre a dança e como fiquei com medo de me virem, também não falei que o Nicholas interveio e veio falar com a minha família e nem de tê-lo visto na saída, e claro, falei tudo brevemente, sem muitos detalhes. O Sol estava acabando de se por e precisávamos voltar pra nossas casas. Me despedi de Norah que ficava do lado oposto em relação a praça e fui caminhando com os dois. No caminho Ami tentava me perguntar mais, mas eu sempre vinha com uma desculpa ou não respondia exatamente sua pergunta. Como sua casa veio primeiro ele se despediu de Phil e eu e se foi. Logo já estava escuro e só tinha eu e o Phil. Ele esteve calado desde quando comecei a falar na praça até aquele momento, tiro exceções como "Uhum", balanços de cabeça concordando e discordando e sorrisos falsos. Até o momento em que ele falou.

– O Ami e a Norah são bem animados não é mesmo?

Eu ri da situação.

– Que foi?

– Nada, eu só não imaginava que você falaria isso.

– A resposta é muito óbvia não é? — perguntou rindo também, mas logo voltou a ficar sério.

Já cansada desse silêncio perguntei.

– O que foi?

– Ahn, nada acho.

– Por que está tão estranho? Tão distante?

Ele virou o rosto para frente.

– Você sabe por que.

– Você sempre teve raiva da Realeza, mas por que você está tão soturno? Você nunca esteve assim antes.

Ele soltou um suspiro que apareceu como fumaça no ar, pois apesar de ser Primavera, ainda estava no começo, e as noites ainda eram frias.

– Você lembra daquela história que Matt costumava contar para a gente? Aquela do Pardal e a Tenca?

Matthew era o irmão mais velho de Phil, e quando criança ele costumava contar histórias para a gente que no fundo tinham uma moral, mas que não percebíamos, e principalmente essa história ele contava mais para a gente. Era um enredo tão fictício e infantil e eu não percebera o que no fundo ele podia dizer. Era sobre um Pardal e uma Tenca que eram amigos desde pequenos, mas quando o Pardal precisou sair do ninho ele começou a viver por si só e por isso os amigos começaram a se ver mais. Só que no frio ele teve que se mudar porque não aguentava, deixando a Tenca para trás, na volta quando o frio passou ele não encontrou mais seu amigo e ambos tiveram que seguir suas vidas porque eram muito diferentes para viverem juntos.

– Lembro. — respondi meio receosa do que vinha depois.

– Por mais estranho e engraçado isso soe, acho que sou a Tenca.

Ri rapidamente e perguntei.

– Por que?

– Porque eu sinto que o Pardal está indo, sinto que você está indo, mas não é culpa sua. Você irá porque você é o que é.

– Phil! Do que você está falando?! Você mesmo vê que meus pais são amigos do seu.

– E de quanto em quanto tempo eles se encontram? 6 em 6 meses?

– A gente não precisa ser que nem eles, e a gente não é.

– Esse não é o problema Karine. O problema é que eu sou camponês e sempre vou ser, você irá crescer se casar, e tornar-se uma Senhora de Terras ou até-

Calou-se, provavelmente percebera que estava indo longe demais. Já não estávamos muito longe de sua casa.

– Ou o quê Phil?

Ele não me respondeu apenas virou o rosto.

– Não ouse me ignorar Phillip! Apenas diga!

– Uma rainha ok?!

Ele falou com tanta raiva que eu me assustei.

– Você pode ser casar com algum daqueles inúteis e mesmo que não seja com um sucessor você será da Realeza. Você já está até agindo como uma, exigindo suas ordens.

– E você me odiará por eu ser o que serei? — eu sentia meu coração quebrar em mim pedaços, ele, um amigo de infância, desistir de mim por eu apenas virar da Realeza? Eu nem sei se eu realmente um dia virarei!

– Não. Esse é o problema. — ele olhou pra o chão sentindo-se sem saída. — Eu não conseguiria te odiar, não conseguiria te odiar nem um pouquinho sequer. E eu não iria odiar alguém, mesmo sendo apenas você, da "camada social" que matou minha mãe.

Prendi a respiração. Nunca falávamos da mãe de Phil por sua morte ser misteriosa e trágica. Lembro que ele ficou trancado em seu quarto por 1 mês sem falar com ninguém apenas saindo para trabalhar e comer (que nem isso ele realmente fazia).

– Phil...

– Boa noite, Karine.

Foi a última coisa que ele disse antes de se virar e ir para sua casa. Eu fiquei lá paralisada encarando aquele humilde lar me sentindo pior do que jamais estive. O vento frio congelava a minha face e as pontas dos meus dedos, mas eu quase não sentia. O medo de algum dia perdê-lo estava me consumindo por dentro.

Notas finais
E ai?? O que acharam?? Reviews pls, e vejo minhas queridas n prox cap ;***