Trapped
2 I'm a Free Human Being
Notas iniciais

Não sou nenhum pássaro; e nenhuma rede me captura: sou um ser humano livre com uma vontade independente.
BRÖNTE, Charlotte; Obra, Jane Eyre
Ainda não amanheceu, o céu ainda estava estrelado como estivera toda madrugada. Estava sentada em minha cama acabando de calçar a bota esquerda. Me pus diante ao espelho. Blusa de colarinho branca uma calça de couro justa (que acabei conseguindo trocar no Nigrum, o “Mercado Negro”), e as botas escuras. Prendi o meu cabelo em um nó e abri a janela. Tinha ainda uma leve brisa da noite chuvosa anterior. Coloquei as duas pernas para fora e fiquei sentada na mureta. Era um clima estranho, não era quente ou frio. Ainda podia-se ver alguns resquícios de neve escorrendo pelas folhas das árvores. Olhou para trás para checar o relógio do lado oposto pendurado na parede. Onde ele estava? Raramente se atrasava, não era algo que costumava esquecer. Logo quando pensado o som de leves trotes foram ecoados. O farfalhar da grama molhada era tom comum que parecia uma melodia.
– Ei, psiu! Vem logo.
Abaixei o olhar para ele. Estava com seu traje, mais simples claro, camponeses não podiam ter roupas tão robustas. Precisavam ser leves para o trabalho braçal, mas era uma lei de costume. Um hábito. Nem se lembrava da época antes do de agora.
– Estou indo.
Me virei de modo que ficasse para frente da janela e fora do quarto. Encaixei meus pés nas raízes das plantas que escalavam as paredes de casa e desci.
– Desculpe a demora, Chevalier estava meio agitado hoje, acho que é por causa do começo da primavera.
– Não pode culpar o Chevy, ele deve estar louco para correr. – indaguei.
– Não tanto quanto você para cavalgar, imagino. – disse abrindo um sorriso desafiador.
Seu cabelo loiro estava bagunçado, parecia que tinha acordado e saído logo em seguida. Ele estava contra a luz das estrelas fazendo seus olhos parecerem negros e penetrantes. Lembro quando tinhamos 7 anos e costumávamos correr ao redor do Lago. Sempre diziam-nos que íamos escorregar cair na água e nos afogar. Claro que não ligávamos para isso, só queriam que a gente não atrapalhasse o seu serviço das Caperes (moças que traziam a água do Lago para a Província). Não sabía porque fazíamos isso, porque quebrávamos pequenas regras. Como não sabía porque acordava bem cedo para cavalgar proibidamente, se sabia que podia cavalgar de dia. Talvez seja pelo silêncio, o vazio das ruas e campos, mas principalmente porque podía cavalgar ao seu lado sem que nos lançassem um olhar desaprovador.
– A única diferença, Phil, é que eu estou sempre louca para cavalgar. – falei retribuindo o sorriso.
Chevalier, meu cavalo que ganhei aos 6 anos estava ao lado do meu melhor amigo, que segurava sua rédea com uma mão, montado em seu próprio cavalo. Subi na cela facilmente, também fazia isso desde… Sempre?
– Norah e Ami encontraram a gente lá? – perguntei.
– Norah disse que iria, já Ami…
– Ele disse que “teria compromisso”?
– Pior, falou que “tentaria” – disse no meio de uma risada.
Ami. Era o melhor, e até onde eu sabía mais confiável, amigo de Phillip. Era normal ele furar os nossos encontros, e quando ia ficava indagando sobre o lugar escolhido “Devíamos ir para o Alvoredo ou o Lago! Seria muito mais divertido…”. Claramente o “divertido” era assimilado ao “perigoso” e “proíbido”, apesar de sempre morder o lábio quando ele sugeria, no fundo eu sabia que não podíamos. Nos últimos 3 anos a água do lado tinha diminuido, não caía tanta abundância da Cachoeira. Desde então, o acesso as margens só podía ser visitado pelas Caperes, que só eram permitidas a ida para recolher da água, como parte de seu trabalho. Já o Alvoredo só era visitado pelos Caçadores ou Cavaleiros, em busca de comida ou criminosos. Sendo assim uns dos únicos lugares restantes para lazer seria ou a Biblioteca da Província, ou os bares que era praticamente habitado por bêbados ou mulheres desvalorizadas pelo Conselho (quando nós, mulheres, cometíamos alguma inflação são retirados todos os nossos bens e era nos dado um miserável pedaço de terra, como não podíamos trabalhar nos campos nós nos entregávamos a noite para conseguir algum dinheiro e sobreviver), ou a Colina, a opção de sempre.
Naquele começo de manhã ao chegar ao topo do monte pude ver a silhueta de uma garota, que reconheceria de longe. Ao ouvir os trotes Norah virou o rosto para nós, estava sozinha, Ami tinha desistido.
– Finalmente, achava que não viríam mais!
– Desculpe a demora, mas o cavalo de alguém deu uma de mal-criado hoje. – Phil disse inclinando a cabeça na minha direção.
Dei um leve tapa em seu ombro.
– Não ouse chamá-lo de mal-criado!
– Você parece amá-lo mais do que seus amigos. – brincou ele.
– Por quê? Ciúmes?
– Ahn… Deixa eu pensar… Espera, acho que estou sentindo alguma coisa... Ah, não, não é nada mesmo.
Revirei os olhos e desci de Chevy, ignorando a sua tentativa de me irritar.
– Deus! Parem vocês dois, o dia mal começou! – reclamou Norah.
Me virei para o Leste. O céu estava Rosado, meio alaranjado, mas o Sol ainda se recusava a sair. Me sentei na grama, acompanhando minha amiga, e estiquei os pés. Deixei a minha cabeça cair para trás, o nó-coque já tinha se desmanchado a um tempo, fazendo a brisa mover o meu cabelo como se fossem folhas presas nas árvores do fim de outono. Logo o Phil já tinha se juntado a nós. Estávamos nós três sentados na grama molhada da neve derretida assistindo o amanhecer do ínicio de primavera. Fazíamos isso todos os inícios de estações, embora eu cavalgasse cedo sempre que podía. Quando Phillip podía me acompanhar levava Chevy até minha casa onde descia pela janela, e quando não podía eu ía ao meu celeiro, que era perto de sua casa e buscava meu cavalo eu mesma. Eu podía fazer isso sempre, mas ele insistia, sempre querendo se mostrar cavalheiro, embora não duvidasse de seu caráter.
– Como vai a Ellen? – Phil perguntou-me.
– Bem, acho, não a vejo muito. Provavelmente está como sempre.
– Ou seja, insuportável. – Norah completou.
Phillip lançou um olhar reprovador para ela. Não gostava quando alguém criticava Ellen. De todas as meninas do Valle ele tinha que escolher minha prima. Que era uma falsa, metida e mimada. Admito que invejo seu charme e o encanto que ela tem sobre os homens, mesmo assim consegue fingir que uma dama, pura e delicada. Eu a odiava. Bem, não a odiava, mas sentia bastante raiva dela. Além disso toda vez que Phil falava dela sentia um aperto no coração. Sabia que ela nunca gostaria dele, ela era especificamente interessada em filhos de Senhores ricos e charmosos, como se fosse um príncipe. Ah, mas o príncipe só se casava com uma filha de Senhor se ele negasse todas as outras princesas das Províncias (incluindo a Capital) e em raros casos princesas de outros Valles. Ou seja, quase nunca acontecia.
– Chega de Ellinútil, vamos falar do que realmente interessa. – demandou Noah.
– Tipo? – indagou Phil.
– Tipo o lindo e maravilhoso Nicholas.
– Ele é um príncipe de 3a sucessão, por que ele?
– É príncipe do mesmo jeito, e tão simpático…
– Você quer dizer aparenta.
– Nem todos os da Realeza são maus, Phillip.
– Pra mim é tudo igual. – disse virando o rosto.
Nunca falávamos sobre isso, mas sabíamos que nenhum de nós concordava com a estrutura da sociedade, e , obviamente, a culpa é da realeza que a impôs.
– Gente que clima tenso! Nós não poderíamos apenas assistir o nascer do Sol de primavera sem brigas? – tentei suavizar o clima.
– Olha quem fala! Estava brigando com o Phillip á 5 minutos atrás!
– Hum… Então acho que o Phil é o problema…
– Claro! Sou sempre eu, né? – disse ironicamente num tom mais relaxado.
– Não quis dizer isso, na verdade quis dar a entender que há algum problema te incomodando.
– Que poderia ser…?
– Não sei. – levantei as mãos para o alto, num ato de indiferença – Ahn, problema com os pais, infligiu gravemente alguma regra, as colheitas então morrendo, eu sei lá!
Ele virou seu rosto, que ria, de mim para o Sol que já estava na metade. Balançou a cabeça como se não acreditasse em algo.
– Você é incrível, sabia? Mesmo com o Dia do Encontro da sua irmã parece se preocupar mais comigo do que consigo mesma.
Senti um leve rubor nas minhas bochechas. No entanto, Noah ignorou o comentário e apenas virou para mim surpresa.
– O Dia do Encontro da Myra é hoje?!
– Sim… O que é um saco, já que todos da família devem comparecer.
– Pense, pelo menos você vai aturar isso com o Nathan.
– Isso se ele não ficar reclamando da baboseira do encontro o dia inteiro.
– Não, quero te enganar Karen, mas acho que isso é bem provável. – interveio Phil colocando sua mão sobre meu ombro.
Depois do Sol nascer completamente e o céu parecer mais vermelho e laranja do que rosa e amarelo, cavalgamos de volta para nossas casas. Me despedi apressadamente, não podia me atrasar para o encontro caso queira que Myra não me mate. Deixei Chevy no celeiro e voltei correndo para casa. Algumas pessoas paravam o que elas estavam fazendo e viravam o rosto para mim. Deviam estar se perguntando “O quê uma dama como ela estava fazendo, correndo com roupas de equitação, no início da manhã?”. Não olho de volta, ninguém precisa saber o quão desesperada estou para chegar em casa a tempo. Ninguém nunca está. É sempre assim, temos curiosidade, mas não o bastante para nos desviar da nossa rotina, fazendo nossas vidas excessivamente tediantes.
Ao chegar escalei rapidamente a videira que dava a janela do meu quarto e deitei na minha cama cobrindo-me inteira dom o cobertor. Nesse instante ouço uma batida na porta. Lentamente se abre uma frecha.
– Karine? Está acordada?
– Mãe…? – arrastei a voz e pisquei os olhos fingindo de acabado de acordar.
– Levante-se querida, esqueceu que hoje é um dia importante para sua irmã?
Não, não tinha como esquecer. Myra passou o ultimo mês inteiro falando de como seria o Dia do Encontro.
– Já estou indo. – disse apenas.
– Apenas não se atrase.
Antes de fechar a porta ela a abriu totalmente e encarou a janela.
– Por quê dormiu de janela aberta?
– Estava calor.
– E e estava com o cobertor, porque…?
– Depois fiquei com frio, fiquei com preguiça de levantar.
Não era tão difícil mentir para minha mãe em relação as minhas saídas de madrugada, fazia sempre.
– Entendo…
Ainda com uma expressão de dúvida minha mãe saiu do quarto e me deixou. Joguei a cabeça no travesseiro. Odiava os eventos que tinham, a não ser o Natal, que eu podia visitar o Phil com a desculpa de estar ajudando a arrumar a casa com o tal “espírito natalino”. Levei as mãos ao rosto. Minha irmã tinha o Dia do Encontro hoje, para mim só falta 3 anos. 3 anos de liberdade! Sabia que no meu dia eu ía aparecer olhando em volta em busca de algo interessante, como árvores ou plantas raras, aperitivos inigualáveis e traria um livro escondido comigo para que eu possa me esconder e ler. Se bem que não era má idéia… Agaixei debaixo da cama onde guardava meus livros secretos. Escolhi um e separei em cima da mesa. Eu o levaria hoje.
***
Levantava a bainha do meu vestido para não arrastar na lama, apesar de gostar da primavera, no início dela era quase impossível caminhar pelas ruas sem sujar os vestidos longos como aquele que eu era obrigada a usar. “Mas mãe, o encontro é da Myra, por que eu tenho que usar esse troço?”, “Por Deus Karina! Vamos conhecer o futuro marido de sua irmã, temos de que estar apresentáveis!”. Como se um vestido normal sem babados, aquele espartilho que estava me matando, ou sem aquele tecido grosso, não me fizesse ‘apresentável’. A carruagem estava já esperando fora da minha casa. Nunca tinha visto uma antes. Parei um Segundo para admirar o entalhamento feito na madeira e o metal dourado entralaçado em um desenho de uma planta envolvendo o meio de transporte. Apenas usávamos carruagem em ocasiões especiais, como o Dia do Encontro e o Dia do Tratado (casamento). Nathan ficou tão admirado como eu quando entrou por sua porta.
– Uau! Que massa! Vou comprar um desses quando tiver 21 anos!
– Isso se você conseguir bastante dinheiro, rapaz. – advertiu meu pai.
– Relaxa pai, vou ser tão bom com negócios quanto você.
Virei o rosto e dei um sorriso escondido. Ele pensava tão alto… Não era possível ter uma carruagem como aquela a não ser que você fosse da Realeza. Myra riu.
– Nathan, você só terá uma carruagem assim se eu ou você nos casarmos com um príncipe, no seu caso, princesa.
Nath fez uma careta.
– Não quero me casar com uma princesa, são muito mimadas.
– Você vai ter bastante tempo para pensar sobre isso.
– Além do mais, se Myra não se casar com um príncipe, Karine pode.
Dei um meio sorriso forçado. Era o sonho de qualquer garota, casar com um príncipe e ter uma vida de luxo. O que é ridículo, já que você terá que obedecer ao seu marido sempre, além de você também cuidar da administração da Província. Eu não teria tempo para cavalgar, ou poder encontrar com Phil, Ami, e até Noah, mesmo ela sendo filha de Senhor. Era uma carruagem larga, considerando maioria, minha mãe e pai estavam sentados na frente de seus três filhos. Abaixei os olhos e pude ver suas mãos se entrelaçando. Eu queria algo assim, algo de verdade, mesmo sendo muito raro. Soltei um suspiro e voltei para a janela. Pessoas viravam seus olhares para mim de novo. Só que dessa vez não estavam pensando numa louca correndo.
***
O salão estava lotado, mesmo sendo enorme. Havia 20 Dias do Encontro por ano (variando entre 2 ou 1 vez por mês), as 4 províncias eram misturadas e divididas em vinte grupos. Devia haver aproximadamente 200 mil pessoas naquele dia, o que é aceitável já que só o castelo em si tinha 70.000m2. Podia-se ver várias damas e jovens bem vestidos rondando na sala. Meus pais e Myra já tinham se afastado, tinha apenas a companhia de Nathan para me confortar. Estávamos sentados num banco acochoado sem encosto passando os olhares sobre as pessoas presentes. Meu irmão estava com os braços cruzados e com uma expressão de como estivésse ouvindo as histórias educativas que nosso pai as vezes falava.
– Quanto tempo ainda vai demorar? – indagou.
Não precisava de um relógio para saber que o evento ainda estava no começo.
– Não muito… Quero dizer, algumas horas...
– Que droga, queria estar em casa para poder sair com o Leon e Peter…
– Você não desgruda desses gêmeos Marshall.
– Não vejo problema, você também é amiga do irmão deles.
– Mas o Phillip não é tão encrenqueiro quanto eles.
– Não tenho culpa que me divirto com eles.
Me deixei sorrir um pouco. Nathan era alto, se o visse poderia jurar que tinha 14 ou 15 anos, e não 12. Ajeitei o meu vestido de modo que eu não amassasse tanto o livro escondido no meu vestido.
– O quê você trouxe?
Me inclinei para perto de seu ouvido e sussurrei.
– Um livro.
Seus olhos brilharam.
– Qual?
– Jane Eyre, de Charlotte Brontë.
Ele fez uma careta.
– Romance?
– Um dos clássicos.
– Ah, esquece.
Ele passou os olhos pelo salão.
– Olhe, na sua direita. Tem um corredor largo que dá para a entrada de onde a gente veio. Quando chegamos eu vi uma escada que levava uma sala, não tinha ninguém por perto, deve estar deserta.
Olhei para o corredor citado.
– Você não se importa de ficar sozinho?
– Nem tanto, ficaria mais se eu não soubesse onde tem comida. Quem sabe eu ainda encontro mamãe e papai.
– Ok, mas não saia do castelo ouviu?
– Sim, senhorita.
Me levantei, mas antes de ir me virei para Nathan.
– Obrigada – sussurrei tão baixo que ele entendeu mais pela leitura dos lábios d que pelo som.
Em resposta ele apenas acenou com a cabeça e sorriu.
Fui em direção ao corredor passando pela multidão, mesmo as conversas tendo um tom baixo e respeitoso a música tocada de fundo ao vivo era quase inaudível. Ao chegar a escada esperei não ter ninguém passaando no corredor para não me ver subindo. Ao chegar no andar de cima encontrei uma porta aberta com uma sala vazia e escura. Procurei a tomada e a liguei. Era uma sala pequena e reconfortante com apenas um sofá de três lugares, com um lutre perto dele, e uma lareira apagada. Me virei para encostar a porta e logo me acomodei. Abri a primeira página e comecei a ler.
Toda a tirania violenta do John Reed, toda a indiferença orgulhosa de suas irmãs, toda a aversão de sua mãe, toda a parcialidade dos empregados, apareceu na minha mente preocupada como um depósito escuro em um túrbido bem. Porque eu sempre sofria, sempre intimidada, sempre acusada, para sempre condenada? Por quê nunca posso agradar? Porque é inútil tentar ganhar um favor de alguém? Eliza, que foi cabeçuda e egoísta, respeitou-se. Georgiana, que tinha um temperamento estragado, uma malevolência muito picante, uma carruagem capciosa e insolente, satisfez-se universalmente. A sua beleza, as suas faces rosadas e cachos de ouro, pareceu dar o prazer a todos que olharam para ela, e comprar a indenização por cada falta. John ninguém frustrou, muito menos punido; embora torcesse os pescoços dos pombos, matasse os pequenos pintinhos da ervilha, estabelecesse os cães nas ovelhas, tirasse as videiras de estufa para plantas do seu fruto e quebrasse os botões das plantas seletadas no conservatório: chamou sua mãe ‘velha menina’, também; às vezes a mal-tartava por sua pele escura, semelhante á sua própria; sem rodeios desprezava seus desejos; frequentemente rasgava e estragava o seu traje de seda; e e ele ainda ‘o seu próprio querido’. Atrevi-me a não sentir culpa: esforcei-me por cumprir cada dever; e denominei-me desobediente e aborrecido, taciturno e esgueirei-me, da manhã ao meio-dia, e do meio-dia à noite. (Jane Eyre, p.20)
– Posso ajudar?
Sobressaltei no sofá. Eu ia lendo e me perdia no tempo. Não poderia ter ficado por tanto tempo naquela sala. Encarei envergonhada a figura que se estendia na porta, agora aberta. Estava com um traje elegante todo robustado com botões de ouro e tecido de roupa carríssimo. Levantei o olhar para seu rosto. Segurei a respiração. Tinha cabelo castanho nem tão claro ou escuro, seus olhos pareciam amarelos, no entanto eram, provavelmente, castanhos. Tinha um bom porte físico e linhas faciais bem marcadas. Se Norah não ficasse falando sobre ele todo dia a toda hora, de como ele era lindo e adorável, eu não o reconheceria.
– S-Sr. Hodiah Rey? – perguntei assustada tentando me levantar e seconder o livro desajeitadamente.
Ele apenas riu e me encarou novamente.
– Por obséquio, estamos numa festa, tenha o prazer de me chamar de Nicholas.
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