Notas iniciais
Oi, people!!! Antes de mais nada, quero agradecer imensamente as duas midgardianas ungidas que recomendaram Trapaças do Destino e me deixaram com os olhinhos de noite serena marejados: Gaby Di Ângelo e Alana Lysander. Meninas, muiiiiiiiiiiiiiiiiiiiito obrigada!!!! Não só pelas recomendações em si, mas pela confiança e pelo carinho com o meu devaneio lokiano. Fiquei tão tão tão feliz quando li o que vocês escreveram que falei para uma amiga minha "Eu vou chorar." eheheheh Well, dedico o capítulo de hoje a vocês duas, okay? E muiiiiiiiiiiiiito obrigada a todos que estão acompanhando, favoritando, comentando a fic e mandando MP! Vocês me inspiram a continuar devaneando. Saibam disso! Well, o capítulo de hoje ia ter outro título, mas eu achei que ia entregar a reação da Olivia quando conhecer o Cap Cat, então decidi colocar uma questão no ar. Será que Steve Rogers é o par perfeito de Olivia Mills? Let's find out, people!

— Já chegou? — é o que pergunto com uma ansiedade palpável e crescente, enquanto a Viúva Negra dirige o meu possante por uma avenida movimentada de Manhattan.

Depois de soltar um leve suspiro — talvez de irritação, pois já perdi as contas de quantas vezes a importunei com esta pergunta — a ruiva responde laconicamente:

— Ainda não, Olivia.

Sorrio levemente para ela, enquanto balanço a cabeça para cima e para baixo repetidas vezes, como uma criança levada, cuja mãe acabou de avisar que doces só depois do jantar.

Em seguida, me ajeito melhor no banco do passageiro e observo o mar de táxis amarelinhos e outros veículos pela janela ao meu lado, além de incontáveis pessoas caminhando apressadas pelas calçadas, entrando e saindo constantemente de lojas, hotéis, bares, restaurantes e outros estabelecimentos.

Sem conseguir conter a minha ansiedade, me volto na direção da Viúva Negra mais uma vez e pergunto:

— E agora? Já chegou?

Natasha respira fundo e me repreende:

— Olivia...

— Desculpe! Mas é que eu estou muito ansiosa com esse lance de conhecer a minha alma gêmea. — me justifico, roendo as unhas. E, ao perceber certa confusão no semblante dela, eu esclareço: — Digo... O Capitão América. Que é, sem sombra de dúvida, a tampa da minha panela.

Um sorriso se forma no rosto perfeito de Natasha Romanoff e ela relaxa consideravelmente. Na sequência, me questiona:

— Você acredita mesmo nisso?

— Claro! — respondo sem pestanejar, mas por algum motivo, sinto que não estou sendo completamente sincera comigo. O que é particularmente estranho, já que até pouco tempo, isso era uma verdade absoluta para mim. — Aquele velhote sarado é o meu par perfeito, eu tenho certeza. — completo, tentando convencer não só a Viúva Negra, mas a mim mesma também.

Natasha fica em silêncio, provavelmente avaliando o que eu disse e, algum tempo depois, recomeça cautelosa:

— Olha, não me entenda mal, Olivia, mas eu preciso te lembrar que isso não é um encontro romântico. O Steve é muito tímido e reservado em alguns assuntos, então, por favor, pegue leve com ele. Se, no futuro, vocês dois derem certo, que bom, mas hoje vai com calma ou você pode acabar assustando o Steve.

Eu poderia ficar chateada com o conselho da Viúva Negra, mas ao invés disso, eu me comprometo:

— Não se preocupe, eu vou me comportar.

Eu vou me comportar! Eu vou me comportar! Eu vou me comportar!

É o que repito mentalmente para mim mesma, embora no fundo, eu não tenha a menor ideia de como vou reagir quando estiver diante daquele ser lindo, loiro, forte, gostoso e patriota.

Aliás, só de pensar no meu futuro marido, sinto uma onda de euforia e um calor libertino me dominarem. Minhas bochechas queimam, minhas mãos começam a suar, minha garganta fica seca...

Ai minha Nossa Senhora Protetora dos Vingadores! Eu não vou conseguir me comportar... Socorro! Eu vou ser presa por assédio sexual, isso sim!

Ainda estou me imaginando diante de um júri chocado, no dia do meu provável julgamento por ter atacado sexualmente o Capitão América, quando Natasha se aproxima de uma propriedade. De um enorme prédio, na verdade. Ou melhor, de uma... Imponente torre com um letreiro todo iluminado no topo, onde lê-se... STARK!!!

— Mama Mia! — exclamo enquanto arregalo os olhos até o limite. Meu queixo cai e eu fico assim boquiaberta e com a cara colada na janelinha, até que finalmente absorvo o que está bem diante dos meus olhinhos de noite serena. Mesmo assim, tudo o que consigo dizer na sequência é: — Mama... Mia...

Até hoje, eu só tinha visto este lugar em alguns sites e à distancia, nas poucas vezes em que estive de passagem por Manhattan. É bem diferente do que estou vivenciando agora.

Prendo a respiração, quando Natasha acessa uma rampa que eu não tenho ideia de onde surgiu e começa a descer em direção à um enorme portão totalmente vedado, que não nos permite ver nada do interior do lugar.

Ai quanto mistério! Ai que lugar divo! Me sinto como a Alice prestes a descobrir o País das Maravilhas! Não acredito que estou prestes a entrar na toca do coelho! Digo... Na toca do Homem de Ferro!

De repente, Natasha para o meu carrinho bem diante do enorme portão, abre a janela, se inclina um pouco na direção de uma espécie de mini computador, acoplado à parede, e diz:

— J.A.R.V.I.S., avise ao Stark que nós chegamos.

— Boa noite, Srta. Romanoff e Srta. Mills. Um momento, por favor. — uma voz masculina e bem simpática responde do outro lado e, automaticamente, eu deduzo que é o tal porteiro chamado... Javier? Foi isso o que a diva da Viúva Negra disse? Será que o tal Javier é espanhol? Acho que não, já que ele não tem um pingo de sotaque que denuncie isso.

— Como ele sabe o meu nome? — pergunto para Natasha, mas logo concluo que Tony Gênio Bilionário Playboy Filantropo Stark deve ter mencionado este detalhe para o seu funcionário, avisado que eu estava a caminho, algo assim.

A Viúva Negra não consegue confirmar a minha teoria, já que assim que ela abre a boca para responder minha pergunta, o porteiro volta a se manifestar:

— Sejam bem vindas. O Sr. Stark e os outros as aguardam na sala principal.

— Outros? — repito confusa, já que até então, eu só estava esperando encontrar o Homem de Ferro e o meu futuro marido aqui. No entanto, logo me lembro de que Natasha está bem ao meu lado, Clint logo estará a caminho e isso significa que... — Mama Mia! Por acaso isso é uma convenção de super heróis e ninguém me avisou nada?! — indago empolgada com a ideia de ver todos os Vingadores juntinhos.

— Eu diria que está mais para uma reunião entre amigos. — Romanoff me corrige de um jeito calmo, quase acolhedor, enquanto um ruído mecânico indica que o portão está se abrindo. — Nós não somos os Vingadores o tempo todo, Olivia. Lembre-se disso esta noite, tudo bem? Desligue-se da sua missão também, lembre-se de que você pode contar conosco, esqueça o Loki por enquanto e relaxe um pouco.

— Quem é Loki? — eu brinco aos risos, deixando claro que acatei o seu pedido imediatamente, embora no fundo, algo no jeito que Natasha disse essas coisas tenha me deixado... Intrigada.

Por um momento, ela fez eu me lembrar da minha terapeuta. Aquela bruxa má do Oeste!

Sinto que Natasha está sendo amigável demais comigo. Como aquela bruaca costumava ser! Sinto como se... Tivesse caroço nesse angu, como minha avó costuma dizer.

Mas, apesar desta sensação desagradável de que talvez a Viúva Negra não esteja sendo 100% sincera comigo, me convenço de que estou apenas sendo paranoica e imaginando coisas. E se eu não quiser estragar esta noite, tenho que deixar essa desconfiança de lado imediatamente. É isso.

Natasha não está me escondendo nada, não está querendo nada, apenas que eu me divirta um pouco. Eu devia me estapear por duvidar, por um reles instante, da sua amizade sincera. Eu sou um ser humano horrível!

É nisso que estou pensando, quando a ruiva volta a dirigir e o meu possante cruza a entrada.

Então, enterrando aquela sensação estranha em minha mente de uma vez por todas, eu sorrio empolgada e brinco novamente:

— Klift Kloft Still, a porta se abriu!

Tenho a impressão de que só eu entendi a brincadeira, mas tudo bem. Isso perde a importância à medida que Natasha segue dirigindo e os meus olhos curiosos e deslumbrados exploram cada centímetro daquele verdadeiro mundo dentro de Manhattan!

XXX

Sou incapaz de descrever este paraíso arquitetônico e a sensação que ele desperta em mim, mas quando eu e Natasha saímos de um elevador e adentramos uma espécie de hall que deve ser do tamanho do Central Park, eu digo maravilhada:

— Olivia está DESMAIADA...

Damos alguns passos a frente, mas paro ao lado da Viúva Negra quando ela detém o passo, pega o celular no bolso e atende uma ligação de um jeito um tanto formal:

— Romanoff. — após uma breve pausa, deduzo que a ruiva não tinha visto quem era antes de atender. Isso porque a sua voz se suaviza consideravelmente, quando ela recomeça: — Oi, Clint. — tenho que conter o impulso de suspirar e fazer um coraçãozinho com as minhas mãos diante desta cena. — Novidades? — ela questiona, retomando a postura séria. Talvez por ter percebido que estou com minhas parabólicas sintonizadas na conversa dela com o seu boy magia. — Ótimo. Eu aviso. Sim, nós já estamos aqui. OK, eu estou te esperando. — de repente, ela fica em silêncio e eu noto que suas bochechas ficaram ligeiramente vermelhas. Então, Natasha desvia o seu olhar do meu e encerra baixinho: — Eu também.

Ai! Acho que vou vomitar um arco-íris todinho neste exato momento. Que casal mais fofo, fofo, fofo!

— Ai ai... Você não acha que o amor é lindo, amiga? — eu a provoco, só para vê-la ficar um pouco mais ruborizada.

Minha estratégia funciona, mas a Viúva Negra se recompõe rapidamente. E antes que eu faça mais algum comentário constrangedor, ela pigarreia e relata seriamente:

— O Loki já voltou para o seu apartamento e o Clint está a caminho daqui.

Tenho que controlar um impulso insano de perguntar se o gafanhoto está bem, se chegou inteiro no meu cafofo, se parece triste ou algo assim. Não sei por que, mas estou preocupada com ele. Só um pouquinho. Quase nada.

Me lembro da nossa estranha conversa mais cedo e essa sensação se intensifica. De repente, me sinto meio culpada por estar aqui, prestes a conhecer o homem dos meus sonhos e a me divertir com os meus mais novos amigos, enquanto o Deus da Trapaça está lá no meu cafofo, sozinho, provavelmente se perguntando onde foi que eu me meti.

Será que ele está preocupado comigo também? Só um pouquinho pelo menos?

Droga... Eu devia ter deixado um bilhete, dizendo que saí com alguns amigos.

Epa! Por que eu estou pensando nessas coisas mesmo? Desde quando eu devo satisfações da minha vida para aquele traste asgardiano?

Eu devia me desligar da minha missão e me divertir, isso sim! É isso o que tenho que fazer. Parar de pensar no Loki e me divertir.

— Olivia? — a voz de Natasha me desperta dos meus devaneios e eu a fito imediatamente. — Vamos? — ela indica uma enorme porta dupla a poucos metros de nós e eu assinto com um meneio de cabeça, antes de seguí-la com um sorriso no rosto, decidida a relaxar e me desligar da minha missão, conforme ela me aconselhou. É isso o que faço.

A porta se abre, como se tivesse algum tipo de sensor, e a música Happy, do Pharrell Williams, invade os meus ouvidos, enquanto meus olhos são atraídos imediatamente para uma cena muito engraçada. Tony Stark — o Homem de Ferro!!! — está com parte da sua armadura, exceto o capacete, segurando uma bebida em uma das mãos enquanto dança, distraidamente, de um jeito desengonçado e meio... Mecânico, diante de um Thor lindo e de um Bruce fofo, que se entreolham intrigados com a desenvoltura do anfitrião.

— Oh Deus! Eu amo esta música! — Stark diz, ainda sem notar a minha presença e a de Natasha, que permanece imóvel como eu. Provavelmente, segurando o riso, como eu. — O que você me diz, Verdão? Aposto que essa música te ajuda a relaxar, não? A manter calma? — Tony pergunta para Bruce, depois de dar um leve tapa no braço dele, que se encolhe um pouco devido ao sobressalto. — E você, Barbie? — agora Tony se dirige ao top model asgardiano, talvez pensando em fazer algum comentário sobre a música, mas subitamente algo parece chamar a sua atenção e ele questiona: — Céus... Quando você vai parar de usar as cortinas do seu palácio, hein?

O riso escapa da minha garganta quando entendo que o Homem de Ferro está se referindo a capa vermelha e super diva que faz parte da fantasia do Thor. E então, finalmente, o trio nota a minha presença e a de Natasha.

— Adestradora de Rena! Dona Aranha! — Tony Gato Stark nos cumprimenta empolgado, enquanto caminha em nossa direção.

Ainda estou assimilando os apelidos e chegando a conclusão de que não gostei nem um pouco do meu, quando ele se posiciona entre nós duas e apoia um braço em cada uma de nós, o que quase me leva ao chão, devido ao peso da sua armadura.

— Stark. — Natasha o cumprimenta seca e revira os olhos, talvez por ainda não ter se acostumado com o seu apelido. — Que bom que você está se divertindo. — ela completa, arqueando uma sobrancelha enquanto o observa atentamente, talvez se lembrando da sua dancinha desengonçada de momentos antes.

— Diversão é o meu sobrenome, agente Romanoff. — ele brinca com um entusiasmo contagiante e, em seguida, se dirige a mim: — Ah! Você queria que eu fizesse um teste para te contratar, lembra? — antes que eu sequer assimile a pergunta, ele anuncia: — Muito bem, eu pensei melhor, percebi que você tem razão, então... Bem vinda ao teste! — meu queixo cai e uma onda de pânico e surpresa toma conta de mim. Teste? Não era isso que eu estava esperando. Mama Mia! No que foi que eu me meti? — É brincadeira, bobinha. — Tony esclarece na sequência, rindo de mim, enquanto nos guia ao centro da enorme e sofisticada sala. — Mas você precisava ver a sua cara... Hilária.

Sinto um alívio profundo e me convenço de que não importa se ele será o meu chefe em algumas semanas, Tony merece um cutucão entre as costelas por ter me assustado deste jeito. E é o que faço.

— Ai! — grito ao esmagar meus dedos em sua armadura e, logo depois, dou risada de mim mesma, enquanto sacudo a mão compulsivamente. Antes que alguém pergunte se está tudo bem, eu me desvencilho do Homem de Ferro e me jogo nos braços de Thor, dizendo: — Deus do Trovão! Sempre bonitão e com esse cabelo impecável, hein, meu filho?

— Olá, Olivia. — ele me cumprimenta enquanto retribuiu o meu abraço. — Como você está?

— Por acaso é uma pergunta retórica? — eu rebato, me afastando um pouco e o fitando naqueles lindos olhinhos azuis. — A rádio patroa não te conta tudo o que se passa na minha desprezível vida?

— Rádio patroa? — Tony repete confuso, mas quando entende o apelido, dá um tapinha no meu ombro, que quase me leva ao chão de novo, e elogia: — Você é das minhas, garota!

Em seguida, ele se afasta, caminhando na direção de uma espécie de bar, onde vários copos, decanters e diversas bebidas dividem espaço entre o balcão e as prateleiras atrás dele. E enquanto Tony serve uma das bebidas em dois copos, Thor finalmente responde a minha pergunta:

— Não importa o que o Heimdall me conta, eu gosto de saber como você está por você mesma, Olivia.

Fofo, fofo, fofo!

— Eu estou ótima, obrigada. E muito feliz por estar aqui com vocês. — respondo sorridente, antes de me voltar para Bruce e abraçá-lo também. — Aliás, como eu não estaria feliz diante de presenças tão ilustres e fofas? — completo, enquanto sou abraçada de volta de um jeito gentil.

— Nós que ficamos felizes em ter você aqui conosco, Olivia. — Bruce retribui.

Fofo, fofo, fofo ao cubo!

— Diga isso mais uma vez, e eu vou apertar as suas bochechas de novo. — o ameaço, rindo ao me lembrar de quando fiz aquilo.

— Você apertou as bochechas do Verdão? — Tony indaga com certa incredulidade, enquanto se aproxima de nós.

Não consigo responder porque, na sequência, ele entrega uma bebida para mim e outra para Natasha, e isso me desconcentra um pouco, pois eu estou com muita sede e essa oferta veio muito a calhar.

Sou daquele tipo de pessoa que bebe primeiro e pergunta o que é depois. Portanto, sem pensar duas vezes, viro o copo e engulo a bebida de uma vez.

Resultado? Minha garganta queima, meu rosto fica vermelho, meus olhos marejados e eu começo a tossir compulsivamente, enquanto Natasha não parece ter grandes problemas com o elevado nível de álcool daquela coisa que acabamos de beber.

— Você está bem? — Bruce pergunta preocupado, colocando a mão nas minhas costas.

— Nossa Senhora! O que diabos é isso? Gasolina? Álcool etílico puro? Lavas do vulcão Etna? Ácido sulfúrico? — questiono entre uma tosse e outra, enquanto alguém tira o copo da minha mão.

— Whisky. — Tony responde, enquanto Bruce gentilmente me concede um pouco da água que ele estava segurando até então. — Não se preocupe, o Capicolé foi buscar uma bebida de mulherzinha. Eu tenho certeza que ele não vai se importar de dividir com você.

Termino de beber os generosos goles da abençoada, cristalina e refrescante água e estou pronta para perguntar de quem Stark está falando, quando ouço uma voz firme, máscula e suave ao mesmo tempo de alguém que diz:

— Eu ouvi isso, Homem de Lata.

Todos se movem um pouco, seguindo o som da tal voz, inclusive eu, até que... Ele surge. O seu, o meu, o nosso Capitão Velhote Sarado Gato América! Em carne, osso, sexy appeal e muito, eu disse muito, borogodó...

Ele vem, todo divo, adentrando o ambiente aos poucos, caminhando pela sala sem qualquer pressa, desfilando toda a sua belezura em nossa direção, lindamente distraído e segurando uma garrafa de alguma coisa que, no momento, eu não estou nem um pouco interessada em saber o que contém.

Meus olhos o devoram, meus lábios o desejam, minha pulsação acelera drasticamente, a emoção me domina. Engulo em seco e estou prestes a ter um enfarto fulminante do miocárdio, quando o sonho de consumo de dez em cada dez mulheres ergue o seu olhar na direção do meu e apressa o passo ao me ver.

Acho que vou morrer... Não, não, não! Eu tenho que ser forte!

Pela sua expressão, deduzo que o velhote bonitão não tinha entendido que era sobre mim que Tony também estava falando segundos antes. E por falar no Homem de Ferro, como ele teve a pachorra de insinuar que aquele deus que exala testosterona por todos os poros é uma mulherzinha? Quando o assunto é bebida, pelo o que entendi, mas mesmo assim... Um tremendo absurdo! Mesmo que seja só mais uma de suas brincadeirinhas, isso não se faz.

Se eu não estivesse tão CHOCADA com o que está bem diante dos meus olhos arregalados, eu bateria em Tony Stark agora mesmo por tal infâmia, sem me importar em machucar minhas mãos na sua lataria.

— Olá, Srta. Mills. — a voz doce do Capitão América me desperta, me arrepia, entra nos meus ouvidos como uma música sensual e eu pisco algumas vezes, quando ele para bem diante de mim e me estende a sua mão, dizendo com um leve e irresistível sorriso naquele rostinho lindo: — É um prazer finalmente conhecê-la. Na verdade, eu ouvi falar tanto de você, que é como se já te conhecesse. Steve Rogers.

Como se eu estivesse no piloto automático, olho para aquela mãozinha linda na minha frente e a seguro. A aperto. A balanço sutilmente. Me recuso a soltá-la. Ao invés disso, trago-a para perto de mim e, enquanto a examino minuciosamente, murmuro admirada:

— Que dedinhos mais perfeitos. Que mãozinha mais linda.

— Olivia... — ouço Bruce chamar a minha atenção cautelosamente.

Mas, incapaz de desviar a minha atenção do Capitão Perfeição América, continuo o examinando. Para isso, solto a sua mão com cuidado e apalpo o seu braço, enquanto digo:

— Que braço mais perfeito e... Forte... Que músculos... Perfeitos... Que calor...

— Srta. Mills... — Steve me chama, visivelmente sem graça, e eu o encaro imediatamente.

— Que rosto mais perfeito! — exclamo, me aproximando abruptamente dele. Logo, começo a acariciar o seu rosto com devoção e certa incredulidade, enquanto continuo o exame: — Que olhos perfeitos, que sobrancelhas perfeitas... Que queixo... Perfeito... Que boca... Ai meu Deus, você é muito perfeito! E... Lindo!

— Olivia. — desta vez é a Viúva Negra que me repreende. — Você se lembra do que eu falei lá fora? — ela pergunta, mas eu não consigo olhar em sua direção, simplesmente não consigo.

Mas, me lembro muito bem do que ela disse antes de entrarmos sim. Natasha me pediu para não assustar Steve, como certamente estou fazendo agora. E eu prometi que iria me comportar, como certamente não estou fazendo agora. Como certamente não vou conseguir me comportar de jeito nenhum.

Ai meu Deus... Eu não vou conseguir me comportar. Socorro! Uma ideia irresistível surge em minha mente e eu sinto que preciso, urgentemente, colocá-la em prática. Socorro!!! Tomo minha decisão. Vou colocá-la em prática agora mesmo... Socorro...

— Com licença. — digo a Steve, antes de ficar nas pontas dos pés, segurar no colarinho de sua camisa, fechar os meus olhinhos de noite serena e pressionar os meus lábios naquela boquinha linda com ímpeto e luxúria.

Sinto que o peguei de surpresa, mas, mesmo assim, o Capitão América não tenta me afastar. Das duas uma, ou ele está completamente chocado e, por isso, não consegue reagir, ou está gostando de toda a minha atitude feminina. Acredito que seja a segunda opção, óbvio, e sendo assim, envolvo a sua nuca e pressiono a minha boca na dele com mais força.

— Será que desta vez ele desencalha? — ouço Tony perguntar. — Será que eu devo colocar uma música mais romântica para eles?

Subitamente, percebo que tem alguma coisa errada. E, imediatamente, me afasto um pouco, só um pouco, daquele pecado em forma de homem, abro os meus olhos e murmuro confusa:

— Os sinos... Cadê os sinos?

— Que sinos? — Steve rebate zonzo e com o rosto ligeiramente vermelho.

Ai que fofo! Ele está envergonhado! Tem coisa mais linda no universo do que um homem daquele tamanho todo ficar constrangido assim por causa de um beijo?

Das duas uma, ou ele está envergonhado, porque eu o peguei de surpresa diante dos seus companheiros e ele não sabe como agir, ou... Ele gostou do que eu fiz e quer mais, porém não tem coragem de tomar a atitude. Claro que é a segunda alternativa. Eu não tenho dúvida!

E, ao pensar desta forma, eu me encho de coragem novamente e o beijo mais uma vez, esperando sentir e ouvir o que tanto anseio. As borboletas no estômago e os sinos nos meus ouvidos.

Porém, novamente, a única coisa que sinto é que tem alguma coisa errada. É como se eu estivesse beijando uma verdadeira estátua, já que Steve reluta em corresponder o meu beijo. E o estranho é que eu mesma não consigo me impor. Na verdade, não tenho vontade de ousar, de explorar os seus lábios tão macios. Não consigo sentir o que eu deveria estar sentindo neste momento. Não consigo ouvir os sinos, não sinto as borboletas fazendo festa no meu estômago. Não sinto... Nada.

Por tudo isso, me afasto mais uma vez e, alterando-me consideravelmente, questiono:

— Cadê os sinos? Eu não ouço os sinos! Minha avó me disse que eu tenho que ouvir os sinos! E as borboletas? Cadê essas danadas? Eu quero os sinos! E as borboletas!

Disposta a arriscar mais uma tentativa, faço menção de me reaproximar de Steve, mas então, ele dá um passo para trás e segura gentilmente nos meus punhos, antes de pedir de um jeito delicado e um tanto apavorado:

— Srta. Mills, por favor, não faça isso. Não me leve a mal, mas... Apenas não faça.

Eu deveria ficar chateada com a sua rejeição, mas não estou. Por que não estou? Eu devia estar. Eu tenho que estar! Mas não estou...

Eu devia ter me apaixonado perdidamente por Steve Rogers esta noite, mas isso não aconteceu... Por quê? O que tem de errado comigo? Ele é perfeito, lindo por dentro e por fora, altruísta, um grande herói, um grande homem, ele é... O Capitão América, caramba! Sonho de consumo de dez em cada dez mulheres. Meu sonho de consumo também! Mas então... Por que eu não o quero? Será que em algum momento eu o quis de verdade? Ou estou apenas me enganando? Por que eu estou me enganando? O que está acontecendo comigo?

— Eu não entendo... Você deveria ser o meu par perfeito. — murmuro frustrada.

Steve estreita o seu olhar sobre mim, com certo carinho, eu diria. O que mostra como ele é mesmo um homem nobre. Ele poderia simplesmente me dar as costas e não me dirigir a palavra nunca mais, mas ao invés disso, parece compadecido, quando diz:

— Aparentemente... Eu não sou, Srta. Mills. Eu sinto muito.

Ele não é. Steve Rogers não é a minha alma gêmea, a tampa da minha panela, meu par perfeito. Nós não vamos nos casar em Acapulco sob um céu estrelado... Eu não ouvi os sinos. Não senti as borboletas... Eu não sou o par perfeito do Capitão América. E ele, definitivamente, não é o meu.

Finalmente me convenço disso e, quando Steve solta os meus punhos com cuidado e continua me encarando solidário, eu dou um passo para trás envergonhada.

Começo a sentir o meu rosto ruborizando. O arrependimento me consome junto com a vergonha. Eu já fiz muita bobagem nesta vida, mas isso, definitivamente, merece o Oscar de Bobagem do Ano. Da década! Da minha vida inteira! O que foi que eu fiz? Eu ataquei um homem! Eu sou um ser humano horrível!

Olho para os outros heróis ali, esperando algum olhar acolhedor ou que eles iniciem uma conversa qualquer para desviar o foco da gafe que cometi, mas eles parecem tão constrangidos quanto eu. Até mesmo o Homem de Ferro não parece ter planos de fazer uma das suas piadinhas.

Diante do meu olhar repleto de vergonha, Natasha, Thor e Tony tentam disfarçar e rapidamente dão alguns goles em suas bebidas. Bruce é o único que não faz isso, porque eu acabei com a água do bichinho. Eu sou mesmo um ser humano horrível... Ataquei o Capitão América e deixei o Hulk sem água...

Ainda estou pensando nos meus pecados imperdoáveis e em como seria bom se um buraco se abrisse bem embaixo dos meus pés, quando a mesma porta, por onde eu e Romanoff entramos antes, se abre e Clint adentra a sala dizendo empolgado:

— Boa noite, pessoal... — ao ver nossas expressões de paisagem, ele detém o passo e pergunta intrigado: — O que foi que eu perdi? — ninguém parece ter coragem de contar sobre o meu ataque de piriguetismo, apenas bebem mais um pouco, se entreolham e depois olham para mim e para Steve. — Pessoal? — Clint insiste ainda mais curioso, mas como ninguém se manifesta, ele olha para a Viúva Negra e arrisca: — Amor?

Por um momento, me sinto um pouco melhor, já que agora é a ruiva que fica com o seu rosto ligeiramente vermelho.

Mas o meu alívio dura pouco, já que Natasha se recompõe rapidamente, se afasta do grupo e caminha até o seu boy magia dizendo:

— Vamos dar uma volta, amor.

— Mas eu acabei de chegar, minha vida. — ele protesta, mas é praticamente arrastado pela Viúva Negra e, sem escolha, passa com ela pela porta e os dois desaparecerem do nosso alcance de visão.

Ainda muito envergonhada pelo o que fiz, eu abaixo a cabeça, como Shrek deprimido no pântano, e antes de me afastar, anuncio:

— Acho que eu vou dar uma volta também.

Começo a me arrastar na direção da porta, me sentindo o mosquito do cocô do cavalo do bandido, quando sinto uma presença atrás de mim. Ouço passos, uma respiração ritmada e sei que algum dos heróis está me seguindo.

Estou apostando que é a coisa fofa do Bruce, quando olho para trás e me deparo com o meu ex-futuro marido, me seguindo com passos firmes e decididos.

— Eu vou com você. — Steve avisa, me deixando ainda mais surpresa e boquiaberta. — Nós podemos beber isso até você se sentir melhor. — propõe, me mostrando a garrafa que trouxe momentos antes. — Só não me beije de novo. — pede de um jeito descontraído e eu sorrio automaticamente, me sentindo melhor, já que Steve está levando o que eu fiz na esportiva e me dando uma segunda chance.

Não uma segunda chance para eu pirar novamente com essa história de par perfeito, mas uma chance para recomeçar do zero, como se aquele beijo nunca tivesse acontecido. Uma segunda chance para nós nos tornarmos amigos.

No fim, o danadinho do Bruce estava certo. Eu sou totalmente capaz de me contentar com uma amizade sincera com o Capitão América. Na verdade, me dou conta de que isso é tudo o que eu mais quero neste momento.

Sendo assim, logo que cruzamos a porta, eu pergunto:

— Qual é a sua cor favorita?

Mesmo confuso com o meu súbito interesse nisso, Steve responde de um jeito firme:

— Azul.

— Eu sabia... — digo com um sorriso, pensando no seu uniforme predominantemente azul.

— E a sua? — ele rebate.

— Preto. — respondo sem pestanejar, antes de virarmos no corredor seguinte. — Ah! E me chame de Olivia. — oriento.

Notas finais
Só para constar, o capítulo ia se chamar Ataque de Piriguetismo kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk E sim, meu povo e minha pova, Olivia Mills teve a pachorra de atacar o Cap Cat e lhe roubar umas bitoquinhas! Quem nunca, né? OMG ninguém acertou qual seria a reação da moçoila, mas gente... É do Capitão América que estamos falando! Vocês acharam que ela ia perder essa oportunidade? kkkkkkkkkkkkkkkkkkk Chocados? Com vergonha alheia? Well, o importante é que apesar do papelão/mico/assédio sexual, Steve, como o ser fofo, fofo, fofo que é, relevou o que a Olivia fez e tudo indica que os dois vão começar uma amizade sincera. Para quem queria um triângulo amoroso, não fiquem tristes, digamos que mesmo não rolando nadinha entre Steve e Olivia, alguém vai ficar com ciúme dos dois mesmo assim. Mas isso futuramente... Sobre ouvir os sinos e sentir as borboletas no estômago, vou dar uma dica de com quem a Olivia vai sentir tudo isso. Lá vai! Atenção que a dica é muito difícil: http://177.103.223.197/webigreja/images/noticiasimg/gafanhoto.jpg kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Well, por falar nisso, sei que tem muita gente que está negoçada para ver Lokivia dando o seu primeiro beijo. E acreditem, eu também estou. Mas, um tiquin de paciência com a minha pessoa porque ainda tem muitas coisinhas para acontecer até lá. Posso dizer que vai valer a pena esperar, okay? Será O BEIJO e nada de bitoquinha kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk E até lá, teremos muito climinha instigante entre Lokivia, okay? Só para deixar vocês com mais vontade de ver esses dois se agarrando loucamente. Oi? Ah! Gostaram de todos os Vings juntinhos??? E da participação do Javier? Digo, do J.A.R.V.I.S.? Será que um dia a Olivia vai entender que ele não é uma pessoa? kkkkkk Well, contem me tudinho nas reviews, hein? Bjs!!! Inté semana que vem!!! PS: Happy é uma musiqueta bem negoçadinha. Me gusta mucho!