Notas iniciais
Oi, sociedade midgardiana! Tudo bem com ocês? Espero que siiiiiiiim!!! Seguinte, tô chegando aqui na humildade com mais um capítulo que ameiiiiiiiiiiii escrever e quero dedicá-lo a minha mishamiga e parceira de National Anthem, Miss Queen, pela divônica recomendação que me deixou DESMAIADA! Eu amei, muchacha! Muito obrigada por todas as suas palavretas meigas! Obrigada mesmo do fundo do meu coração! Que Odin te ilumine sempre, viu? Quero agradecer também a todos que comentaram o capítulo anterior e aqueles que leram e não comentaram, mas que mesmo assim me deixaram muito happy com tantas visualizações, obrigada mesmo!!! Estou muito negoçada com o alcance da fic. Eu não esperava, por isso demorei séculos para começar a escrever, então só queria agradecer mesmo, ok? Prosseguindo, o título do capítulo é uma expressão que a Olivia vai usar bastante na história kkkkkkkk Nos mais inimagináveis momentos. O primeiro deles, vocês vão descobrir já já. Eu só ia postar amanhã, mas sacomé né? Não resisti. Me julguem. Espero que gostem! Lá vai o disco voador.....

Dançar nos alegra, nos revigora, refrigera nossas almas, acelera nossos corações e aquece nossos corpos. Dançar nos faz esquecer dos nossos problemas, das nossas preocupações, angústias, dos nossos medos, traumas e fantasmas. Dançar nos liberta do mundo e de nós mesmos. Dançar nos faz completamente livres, ao mesmo tempo em que pode nos conectar a outras pessoas e experiências.

É assim que eu estou me sentindo neste momento, enquanto danço ao lado de Amy, Josh e uma série de desconhecidos muito animados: viva, livre e conectada. Ou quase isso.

Confesso que uma parte de mim ainda está pensando no gafanhoto asgardiano e em como a minha vida se complicou nos últimos dias. Mas sei que tenho que relaxar. Por isso continuo dançando.

Chegamos na boate Inferno há cerca de uma hora e desde então só paramos de dançar para tomar alguns shots de tequila e conversar um pouco. Bem, se é que pode-se chamar de conversa a Amy me dizendo que eu estou um arraso e o Josh falando que nós duas estamos, e que deste jeito não vai sobrar nenhum gatinho para ele.

Em dado momento, só consigo rir das coisas que meus amigos me dizem entre uma música e outra. Até tento dizer algo em retribuição, mas tenho a impressão de que não estou conseguindo me expressar direito. Talvez seja a tequila me fazendo falar meio enrolado. Talvez eu deva pegar mais leve, afinal não quero acordar com uma baita ressaca amanhã.

Se bem que... Amanhã é outro dia, não é mesmo? E domingo!

Pensando nisso, resolvo tomar mais uma tequila e depois volto para a pista, ainda sentindo o gosto do sal e do limão em minha língua, um calor intenso no estômago e uma sensação engraçada reverberando pelo meu corpo. É, definitivamente, eu devo estar bem chapada.

Tento não pensar que o Bruce está por perto, assim como os outros Vingadores. Tento não pensar no tal Heimdall me vigiando diretamente de Asgard. Tento não pensar que todos eles, neste exato momento, podem estar me vendo ligeiramente bêbada e dançando loucamente como se o mundo fosse acabar a qualquer momento.

Bem, quem sabe o mundo acabe a qualquer momento mesmo? Afinal, o Loki está na área e, na minha humilde e desprezível opinião midgardiana, aquele sujeitinho é uma bomba relógio prestes a explodir.

O fofíssimo do Thor pode ter tirado tudo do Loki, obrigando a ovelha negra da família a usar aquele bracelete esquisito, mas não tirou a astúcia dele nem mudou quem ele é em sua essência. O Loki continua sendo o Loki. Um deus asgardiano prepotente e megalomaníaco que quis dominar a Terra e quase destruiu Nova York enquanto tentava fazer isso.

Resumindo, tudo o que sei neste momento é que não confio nem um pouco naquele gafanhoto. Vou tentar ajudá-lo, conforme prometi ao Thor, mas não estou fazendo isso pelo Loki. Disso eu tenho certeza.

Quando o DJ coloca Break the Ice, da Britney Spears, para tocar, eu afasto esses pensamentos, deixo a empolgação tomar conta de mim, me desligo do mundo e vibro com os meus amigos, sentindo uma onda de energia me inundar pela milésima vez nesta noite.

Me julguem, mas eu fui uma adolescente fã de carteirinha da Britney. Fã do tipo que sabia toda a coreografia de Oops... I did it again, e que dançava exaustivamente em frente ao espelho quase todos os dias.

Minha avó até me deu um CD da Britney em um dos meus aniversários. Sim, porque houve uma época em que os seres humanos compravam CDs, pasmem. Mas então eu fui crescendo, a Britney foi enlouquecendo, o mundo foi mudando, e aquela fã que eu era ficou para trás.

No entanto, isso não me impede de vibrar até hoje quando ouço uma música dela. E tenho que dizer que esta, em específico, é uma das minhas favoritas da nova — já nem tão nova assim — fase da cantora. Acho que é porque é uma música mais adulta que faz eu me sentir poderosa e sexy enquanto danço. Não que eu seja isso, mas me sinto assim. E essa sensação é muito boa.

Por falar em sensação boa, finalmente relaxo completamente ao lado dos meus amigos e me entrego a este momento de pura diversão. Mas, como meus momentos de alegria geralmente duram pouco, logo algo chama a minha atenção no meio de todas aquelas pessoas concentradas ali. Detenho o próximo passo da minha performance mediana e esbarro acidentalmente em Amy, que resmunga algo inaudível, mas continua dançando.

Pensando que estou tendo uma alucinação, talvez por causa da tequila, forço o meu olhar na direção de um ponto específico da pista. E eu queria muito que fosse apenas efeito do álcool, mas infelizmente, o que eu estou vendo é real. Quem eu estou vendo é real.

— Mama Mia! — eu exclamo ao reconhecer o Loki a alguns metros de onde eu estou.

Ele me encara de um jeito indecifrável e eu engulo em seco, vendo toda a felicidade que eu estava sentindo até meio minuto atrás se esvair rapidamente, dando lugar a tensão, a surpresa e a certo medo.

Eu sabia que o Loki ia voltar mais cedo ou mais tarde. Porém, só agora percebo que eu não estou pronta para encará-lo de novo. Talvez eu nunca esteja.

— Bota Mama Mia nisso! — Amy praticamente grita no meu ouvido e eu olho para ela confusa. — Que gato!

Fico ainda mais confusa ao constatar que ela está olhando para a mesma direção que eu e — pasmem — se referindo ao Loki.

Gato? O Loki? Acho que se eu não estivesse tão apavorada, teria rido disso.

Sim, eu estou apavorada. Nem tanto por medo dele, mas sim daquela situação, já que o asgardiano está vestido com sua característica e ridícula fantasia esverdeada e está em um lugar público, em Nova York, correndo o risco de ser reconhecido a qualquer momento por alguém com uma memória melhor do que a minha.

Não, eu não estou preocupada com aquele estrupício. Estou preocupada com a confusão que ele pode desencadear se for reconhecido.

Josh percebe que eu e a Amy paramos de dançar e logo entende o motivo. Para meu desespero, ele solta a máxima:

— Humm... O gato não para de olhar para você, Liv. Vai lá! Aproveita! Se joga!

Meu Deus! O que aconteceu com os meus amigos? Será que eles estão vendo o mesmo que eu? Ou será que a tequila está fazendo os dois verem alguém totalmente diferente no lugar do Loki?

— Não é um gato, é um gafanhoto. — é tudo o que eu consigo dizer, já que o meu cérebro está entrando em pane. E desta vez, não vou culpar a tequila. Nem as estrelas. A culpa é do Loki mesmo.

Josh lança um olhar repreensivo na minha direção e me diz:

— E lá vai você colocar defeito no bofe antes mesmo de conhecê-lo. Depois reclama que não tem ninguém para aquecer os seus pés nas noites frias de inverno.

Abro a boca para protestar, mas a fecho antes disso, constatando que o Josh tem razão. Eu reclamo da solidão mesmo — exatamente com as palavras que ele usou — e, no entanto, vivo colocando defeito em quem se aproxima de mim. Por que será que eu sou assim?

Não importa. O que importa é que eu estou irritada. Irritada com o fato dos meus melhores amigos estarem tentando me jogar para cima do vilão da história. E, por isso, estreito o olhar na direção dos dois e articulo:

— Acredite, eu não preciso colocar defeito naquele gafanhoto. Ele já faz isso sozinho. — mas, diante das expressões confusas de Amy e Josh, eu indago: — Qual é? Vocês não estão o reconhecendo?

Os dois voltam a observar Loki à distância. Em seguida, Amy se manifesta:

— Tudo o que eu estou vendo é um cara muito gato olhando para você, Liv.

— Gato e ainda por cima bem vestido. — acrescenta Josh, medindo Loki minuciosamente. — Será que aquele terno é Armani? Aposto que sim. — ele acrescenta para meu desespero.

Gato? Bem vestido? Armani?

Definitivamente, tem alguma coisa muito errada com os meus amigos. Não só com eles, mas com as demais pessoas na boate porque, aparentemente, elas não estão dando a mínima para aquele asgardiano vestido a la asgardiano, parado no meio da pista.

Engulo em seco ao imaginar que talvez o Loki tenha recuperado os seus poderes e esteja criando algum tipo de ilusão ali. Porém, ao reconhecer o bracelete em seu pulso, descarto esta possibilidade imediatamente.

Mas, tem que ter outra explicação e, infelizmente, só tem um jeito de descobrir: eu tenho que fazer contato com aquela coisa.

Fico tão tensa que o efeito do álcool se perde no meu corpo e meus sentidos ficam em alerta. Então respiro fundo, tomando coragem, e finalmente digo:

— Tudo bem, eu vou lá falar com o... Gato.

— É assim que se fala! — Amy vibra e fica tão feliz por mim, que dá um empurrão no meu ombro que quase me leva ao chão.

Por sorte, Josh me ajuda a me reequilibrar. Em seguida, ele passa as mãos rapidamente pelos meus cabelos, talvez numa tentativa de me deixar fatal, e me incentiva:

— Boa sorte, gata.

Arqueio as sobrancelhas e, enquanto me afasto, murmuro baixinho:

— Ah... Eu vou precisar mesmo.

Enquanto caminho na direção daquele tormento em forma de deus trapaceiro, olho tudo em volta. Já percebi que o Bruce é bem discreto e cuidadoso, mas tudo o que eu queria agora era reconhecê-lo em um daqueles rostos que me cercam. Sei que ele está aqui, afinal eu lhe dei o endereço, mas infelizmente não o vejo em parte alguma.

Procuro relaxar. Sinta medo e o enfrente. Ouço a voz da minha avó em minha mente e me encho de confiança.

Por fim, paro diante do abusado e, sem lhe dar qualquer chance de ser o primeiro a falar, despejo:

— Se essa é uma tentativa de ser reconhecido pelo ataque a Nova York e, provavelmente, ser linchado por isso, parabéns, você está no caminho certo, Loki, de Asgard! — ele me encara com uma confusão palpável e, sem me importar, eu prossigo indignada: — Você enlouqueceu? Aparecer em um lugar público assim e vestido desse jeito chamativo? Só está faltando o capacete de chifres para o look ficar perfeito.

A sua expressão denuncia mais confusão e eu penso que Loki está assimilando o fato de que agora eu sei quem ele é, que eu me lembrei de tudo. Mas então, para minha surpresa, o que ele diz na sequência é:

— Espera... Você está me vendo?

Engraçadinho... Sonso...

— Claro, nunca te disseram que carne de burro não é transparente? — eu não devia confrontá-lo desta forma, mas sou adepta do lema "perguntas idiotas, respostas cretinas" e, por isso, não resisto e rebato com escárnio.

O álcool ainda está em algum lugar da minha mente e, de alguma forma, me dá coragem para dizer certas coisas também, sem me importar com as consequências naquele momento.

Além disso, eu tenho o Hulk — será que um dia eu vou poder dizer isso em alto e bom tom para o imbecil do Loki? — e embora eu não esteja o vendo neste momento, tenho certeza de que ele está por perto, pronto para defender a minha honra, se for necessário. Me defender apenas... Esqueçam a parte da honra.

Para minha surpresa, Loki não protesta pelo o que eu disse, não me xinga, não tenta me humilhar, não me lança um olhar mortal, não coloca o meu nome na boca de um sapo, nadinha. Ao invés disso, ele continua intrigado e recomeça:

— O que eu quis dizer é se você está me vendo como eu realmente sou ou se está vendo... — ele hesita, inexplicavelmente sem graça, desvia do meu olhar, e termina com dificuldade: — um midgardiano relativamente parecido comigo.

O que foi que essa criatura disse? Não consigo processar isso, não sei se entendi direito. O quê?!

Percebendo que agora sou eu que estou confusa, ele resume a pergunta sem qualquer paciência:

— O que você está vendo, midgardiana tola?

Toda vez que o Loki me chama de midgardiana e acrescenta um adjetivo meigo no final sinto o meu sangue ferver nas veias. E é neste embalo que eu coloco as mãos na minha cintura, o meço da cabeça aos pés, depois o encaro e respondo:

— Um gafanhoto metido que eu quase atropelei esses dias. Por quê?

Para minha surpresa, — de novo — ele não se irrita com o que eu disse. Ao invés disso, pensa um pouco, examina o bracelete por um instante e depois diz quase para si mesmo:

— Isso não faz sentido... Você não deveria estar me vendo do jeito que está me vendo.

Okay. Então realmente tem alguma coisa errada acontecendo aqui. E eu preciso, urgentemente, entender o que é.

Penso em aprofundar o assunto, em perguntar qualquer coisa, mas então a música fica mais alta de repente e pessoas começam a dançar bem perto de nós. Mais uma vez e surpreendentemente, sem repararem naquela figura pitoresca na minha frente.

Pior, elas estão praticamente me empurrando na direção daquele traste. Tento me esquivar daquela proximidade como posso, mas está ficando cada vez mais difícil. E constrangedor. Tenho que fazer alguma coisa, contornar essa situação, acabar com isso! Evito o contato visual com o gafanhoto e finalmente encontro uma solução. Tão óbvia que tenho vontade de me estapear.

Então, sem pensar duas vezes e aproveitando a proximidade forçada, eu seguro na mão do Loki — mesmo sabendo que ele não gosta que eu, uma reles midgardiana, toque em sua pele sedosa, macia e tonificada — e praticamente o arrasto na direção de um canto da boate.

O lugar é menos barulhento e está relativamente vazio. Assim que chegamos ali, eu solto a mão dele, cruzo os braços contra o peito e intimo:

— Explica essa história direito, gafanhoto.

Loki simplesmente ignora o que eu acabei de falar. Por que eu não estou surpresa? Na sequência, ele olha para a mão que eu segurei e depois me encara visivelmente insatisfeito. Por que eu não estou surpresa?

Mas, talvez percebendo que ser hostil comigo não é a prioridade neste momento, ele se recompõe, mostra o bracelete em seu pulso e finalmente se pronuncia:

— Eu descobri uma coisa sobre isso. — ouço atentamente o que ele revela logo depois: — Este bracelete, infelizmente, foi feito para inibir os meus poderes, mas ao mesmo tempo, possui certa... Magia.

— Defina magia. — eu sei que ele ia explicar de qualquer jeito, mas a curiosidade me domina e eu tenho que incentivá-lo.

Após um breve momento em silêncio e com uma expressão que eu não consigo decifrar direito, — mas juro que quase vi algum sentimento mais ou menos puro em seu olhar — ele responde:

— Eu acredito que... A pessoa que fez esta jóia estava preocupada... Comigo e queria evitar que eu fosse reconhecido em Midgard. Por isso, a magia contida nesta peça permite que eu fique... — ele hesita, inexplicavelmente sem graça pela segunda vez naquela noite, mas então diz rapidamente: — Permite que eu fique parecido com as pessoas deste Reino, dificultando assim que eu seja reconhecido por vocês.

Não tenho certeza se estou entendendo, até que ele conclui:

— Ainda sou eu, mas um pouco diferente. Cabelo diferente, roupas diferentes, essas coisas.

Finalmente entendo o que Loki está me dizendo. E, inevitavelmente, sinto uma vontade irresistível de rir. Tenho que fazer um grande esforço e pensar em algo bem triste para conseguir me controlar e perguntar:

— Então você está me dizendo que este bracelete cria, através de magia, uma versão midgardiana desprezível de você?

Ai que vontade de rir! Socorro!

Ele me fuzila com o olhar e responde nada satisfeito:

— Algo assim.

Fico em silêncio, assimilando tudo o que eu ouvi. Definitivamente, isso explica porque ninguém ali está dando a mínima para o deus asgardiano. Porém, algo naquela história continua não fazendo sentido. Uma pergunta martela em minha mente à medida que tento explicar aquilo para mim mesma, mas, como não consigo, pergunto:

— Mas então como eu estou te vendo exatamente como você é?

— É uma ótima pergunta. — ele admite tão confuso quanto eu. — Alguma sugestão? — indaga impaciente, abrindo um pouco os braços.

O meço novamente e chego a forçar o meu olhar, pensando que assim vou enxergar o Loki midgardiano — ai que vontade de rir! — mas, como continuo vendo exatamente o Deus da Trapaça que quase atropelei há dois dias, eu sugiro:

— Talvez esse bracelete esteja com algum defeito. Talvez ele não seja made in Asgard, e sim made in China.

Loki franze o cenho e indaga ainda mais confuso:

— Como assim?

A surpresa e a indignação tomam conta de mim e eu questiono:

— Como você cogitou nos dominar um dia, se nem ao menos entende nossos costumes, nossas referências e nossas piadas?

Ao invés de responder a minha pergunta, o Deus da Trapaça me lança um sorriso displicente, estreita o olhar sobre mim, fazendo cada célula do meu corpo começar a congelar de medo, e diz o que eu estava esperando desde o começo daquela conversa:

— Então agora você sabe quem eu sou, não é? Que bom. — engulo em seco e ele acrescenta curioso: — Me diga, como você se lembrou?

Tentando controlar a tensão que domina meu corpo pouco a pouco, eu respondo o mais natural que consigo:

— Bem, eu não sei se em Asgard, vocês tem algo assim, mas aqui em Midgard existe uma coisa chamada Google. E o estrago que você fez por aqui teve uma repercussão e tanto. Então, foi bem fácil de juntar as peças e lembrar de tudo.

Ele continua me encarando, talvez intrigado por eu ter esquecido o ataque de Nova York, para começo de conversa. Mas, meu esquecimento teve um explicação. Juro que teve. Só não gosto de pensar nisso e torço para o Loki não aprofundar o assunto.

Ele parece ouvir minha prece silenciosa, já que pergunta algo diferente:

— E você não está com medo de mim?

Engulo em seco e sinto um arrepio percorrer o meu corpo. Sim, eu estou com medo do Loki, afinal ele é o Loki. Mas, me lembrando de que os Vingadores estão por perto, e sem querer dar o braço a torcer e deixar que aquele deus trapaceiro se vanglorie do meu medo, eu me encho de coragem, de orgulho e minto com certo desdém:

— Eu não. Por que eu teria medo de você?

Um sorriso torto surge no canto dos seus lábios e, para minha surpresa, Loki aproxima sua mão do meu rosto, fazendo um alerta se acender dentro de mim. Seus dedos tocam suavemente minha bochecha, meu queixo e descem em direção ao meu pescoço. O alerta se intensifica.

— Talvez porque eu desprezo a sua raça e porque nada me daria mais prazer do que massacrar um de vocês para demonstrar esse desprezo. — ele responde de um jeito ameaçador que me faz estremecer involuntariamente, afinal, mesmo sem os seus poderes, ele ainda pode me machucar do jeito convencional. — E claro, porque eu não queria estar aqui. Não nessas condições, pelo menos. E isso tem me deixado... Entediado, estressado, irritado...

Cadê o Bruce? Sinto que estou em perigo! Ele não está vendo isso?!

Espera... E se ele não está vendo o Loki que eu estou vendo? E se devido às luzes piscantes concentradas naquele canto da boate, ele não estiver reconhecendo a versão midgardiana do Deus da Trapaça? E se o Bruce estiver pensando que eu estou flertando com um desconhecido qualquer?

Sinto a pressão dos dedos do Loki no meu pescocinho. Okay, o Bruce não está vendo isso? Ninguém está vendo? O Heimdall não está vendo tudo? O que ele está esperando para mandar o Thor ao meu socorro?

Tento me acalmar e uma possibilidade surge em minha mente. Heimdall, Thor, Bruce e os outros Vingadores devem estar vendo aquilo, e já que estiveram frente a frente com o Loki durante o ataque a Nova York, são totalmente capazes de reconhecê-lo. Mas, talvez eles estejam esperando eu reagir de alguma forma. Afinal, a minha missão está apenas começando e se qualquer um deles interferir agora, ela terminará em um completo fiasco.

Me convenço disso e relaxo mais um pouco. Eles acreditam que eu posso lidar com essa situação sozinha, eles me acham corajosa e, por isso, não interferiram ainda. Mas se Loki passar dos limites, tenho certeza que algum Vingador virá me socorrer e fará picadinho deste troglodita.

Sinto os dedos do Loki se estreitando em meu pescoço, enquanto ele me encara intrigado, talvez também esperando uma reação de minha parte. E então eu comprovo a minha teoria sobre a interferência dos Vingadores. Isso porque avisto, a alguns metros de nós, por sobre o ombro do Loki, uma cabeleira ruiva se movendo no ar à medida que uma mulher se aproxima.

Ela caminha com passos firmes e ao mesmo tempo há uma sensualidade palpável em seu andar. A reconheço imediatamente e fico embasbacada. Será que um dia eu vou ser tão diva quanto a... Viúva Negra?

Apesar da cara de poucos amigos, o seu rosto é lindo. Ela é linda, aliás. E potencialmente perigosa para o Loki naquele momento.

O Loki! Ai meu Deus! Me esqueci completamente dele e de que o infeliz ainda está com aquela mão gelada no meu pescocinho frágil! Preciso agir rápido, antes que eu estrague tudo e decepcione não só a coisa fofa do Thor, mas todos os Vingadores de uma só vez.

Pensando nisso, me deixo levar por um impulso, arranco a mão do Loki do meu pescoço e grito com ele:

— Pode parar com essa palhaçada!

Ele parece surpreso com a minha brusca reação, mas eu não ligo. Ao invés disso, olho por sobre o ombro dele de novo e vejo a Viúva Negra se afastar de forma sorrateira, se misturando entre as pessoas ali. Ela olha para mim por um breve instante e depois se volta para um homem na pista.

Meu coração acelera. Tenho quase certeza que o homem diante dela é o Gavião Arqueiro. Ela ri enquanto o abraça e diz algo em seu ouvido, provavelmente apenas para disfarçar o que ela quase fez, mas mesmo assim, consigo perceber certa intimidade entre eles. É o Gavião Arqueiro, eu tenho certeza!

— Como é? — a voz insuportável do Loki faz eu voltar a minha atenção para ele, antes que o dito cujo perceba que eu fiquei um pouco distraída e até emocionada ao ver aquele casal fofo juntinho.

— Isso mesmo que você ouviu, gafanhoto. — eu digo firme, me enchendo de coragem mais uma vez. Bendita tequila e benditos Vingadores! Me sinto a pessoa mais corajosa de Midgard! — Quem você quer enganar? Eu sei que você não tem a mínima intenção de me machucar. — na verdade, eu não tenho certeza disso, mas preciso que Loki acredite que eu estou confiante e que não tenho mais medo dele. Isso vai desarmá-lo.

— Ah... Eu não tenho a mínima intenção? — ele indaga em tom de dúvida, me fazendo engolir em seco e perder toda aquela coragem por um instante. — E o que te faz pensar isso, sua midgardiana insolente? — ele questiona de um jeito frio e ameaçador.

Meu sangue ferve nas veias diante daquele xingamento e isso me dá coragem para responder com uma firmeza que me deixa surpresa:

— Porque se você quisesse me machucar, já teria feito isso há muito tempo. Porque, aparentemente, eu sou a única que pode ver a sua verdadeira face e a sua fantasia ridícula de cosplay de gafanhoto. Talvez porque isso seja um sinal de que eu sou a única que pode te ajudar, a única em quem você pode confiar neste momento. Talvez porque você pediu a minha ajuda, para começo de conversa. Talvez porque você me seguiu até aqui e, me corrija se eu estiver errada, mas algo me diz que você fez isso porque ainda quer a minha ajuda. — paro um pouco para recuperar o fôlego e, por fim, intimo: — Então, se eu estiver certa, venha comigo. Mas, se eu estiver errada... Até nunca mais, Loki, de Asgard.

Faço uma reverência pela segunda vez desde que tive a infelicidade de conhecê-lo. Mas, desta vez, tenho consciência de quem ele é e de que usurpou o trono de Asgard, — conforme o fofo do Thor me contou — e por isso tal gesto tem um gostinho a mais, quase como um protesto silencioso, como se eu lhe dissesse “Eu sei o que você fez, seu trapaceiro desalmado!"

Em seguida, lhe dou as costas e sigo na direção da saída da boate Inferno. Nunca o nome do lugar foi tão propício...

Começo a descer uma escada, mas tenho a impressão de que não estou enxergando os degraus muito bem. Não vou colocar a culpa na tequila. O que acontece é que eu estou muito nervosa. Nervosa porque fui rude com o Loki, nervosa porque gostei da sensação de estar no controle de novo e nervosa porque tenho medo de como ele vai reagir agora.

Mas o que eu deveria fazer? O Loki está em desvantagem aqui e, no entanto, continua com toda aquela pose, como se fosse o rei da cocada preta! Ele precisa de mim, goste ou não, e não o contrário! Então se ele ainda quiser a minha ajuda, vai ter que ser do meu jeito e não do jeito dele!

Espero realmente que o Loki entenda tudo isso ou então que me deixe em paz, afinal, se ele desistir, a culpa não será minha, certo? Eu fiz o possível, eu dei o ultimato, agora é com ele. É pegar ou largar.

Ainda estou pensando nisso, quando chego no último degrau e olho para trás. Uma parte de mim se alegra quando eu percebo que o Loki não veio atrás de mim.

Ufa! Me livrei do mala sem alça!

Mas, minha alegria dura pouco, já que na sequência, o deus trapaceiro sai da boate e aparece no topo da escada. Seu olhar se detém em mim. Ele me encara por um bom tempo e de um jeito indecifrável. Não tenho ideia do que está se passando na sua cabeça, até que finalmente o gafanhoto começa a descer os degraus, enquanto sustenta o meu olhar. Em seguida, ele passa por mim e eu meio que prendo a respiração.

Por fim, Loki para no limite da boate com a calçada, olha para trás e indaga com sua petulância característica:

— Você vem ou não, midgardiana insolente?

Desgraçado! Ele me xingou de novo! Ele me paga! Agora é uma questão de honra! Eu vou dobrar esse serzinho petulante, eu vou torná-lo digno, eu vou ajudá-lo a se livrar daquele bracelete e a voltar para Asgard custe o que custar! Ou eu não me chamo Olivia Mills!

Decidida e cheia de coragem, não hesito mais nenhum segundo. Fecho a cara e sigo o gafanhoto.

Notas finais
Antes de mais nada, sim, a versão midgardiana do Lokito é o Tom Hiddleston kkkkkkkkkkkkkkkk E, obviamente, existe uma explicação para a Olivia ser a única em Midgard que consegue ver o gafanhoto como ele realmente é. Mas, isso é assunto para o futuro do pretérito indicativo. Oi? Preciso dizer que eu amei e me diverti horrores escrevendo este reencontro? Preciso dizer que vem mais comédia no próximo capítulo? Ahahahahah aguarde e rirão! Well, pequena ressalvinha aqui: Britney Spears pode não ser uma cantora felomenal em termos de voz, mas ela tem umas musiquetas bem legais sim e eu amo Break the Ice. E eu acho que deu um ar sexy e emblemático para o reencontro, afinal o Lokito é um Gigante de Gelo, né? Oi? E a Olivia está aqui para quebrar este gelo todinho. Cuma? Well, gostaram dos amigos da Liv? Gostaram do reencontro? Da conversa super amigável com o gafanhoto? Das participações bem singelas da Viúva Negra e do Gavião Arqueiro? Não se preocupem porque eles vão voltar futuramente e farão participações maiores. E não se preocupem com o Bruce, ele estava por perto sim e em breve explicará para a Olivia onde exatamente era esse perto. Sobre o próximo capítulo, teremos mais comédia (of course) com Loki e Olivia voltando para o cafofo da moçoila, poderemos ter um certo climinha instigante entre os dois (ou não), teremos bastante provocações e uma surpresa no final que vai deixar não só o pseudo casal, mas todos vocês de queixo caído (ou não). Sim, eu estou fazendo mistério para atiçar vocês kkkkkkkkk Mas, modéstia à parte, o capítulo 6 ficou bem instigante, viu? Aguardem e verão! Bem, por enquanto é só! Agora é com vocês! Reviews?