Notas iniciais
Coelinho da Páscoa, o que trazes pra mim? Um devaneio lokiano bem meigo assim... Oi? Hein? Cuma? Ãn? Xapralá! Oiiiieeessss, gente!!! Antes de mais nada, Feliz Páscoa para ocês! Prosseguindo, pelo título do capítulo, vocês já perceberam que será bem romântico, né? kkkkkk Não, eu não estou sendo irônica. De uma forma bem discreta, acho sim que este capítulo é um tiquin... Lokivia. Oi? Eca! Eca! Eca! Leiam com seus próprios olhinhos de noite serena e entendam por que. Ah! No capítulo de hoje vamos entender a paixão da Olivia por algodão doce, ok? E preparem-se para a surpresinha final... Boa leitura!

Eu e o energúmeno que atende pelo nome de Loki estamos dentro de um táxi, seguindo pela Quinta Avenida em direção ao meu apartamento do outro lado da cidade, enquanto o silêncio dentro do veículo se torna aterrador a cada instante.

Desde que saímos da boate Inferno, não trocamos uma palavra sequer e, honestamente, eu não sei se comemoro, — afinal são abençoados minutos sem ouvir a voz irritante deste ser — ou se encaro isso como um péssimo sinal.

A questão é que eu consigo lidar com um gafanhoto falante e que me xinga a cada frase que pronuncia, mas o Loki calado é extremamente... Desconfortável.

Por falar em desconfortável, toda essa situação está me incomodando bastante, afinal eu estou no banco de trás de um táxi, ao lado de um ser desprezível, cuja língua afiada parece ter sido devorada por um gato, enquanto o taxista continua dirigindo tranquilamente sem saber que um dos seus passageiros é um deus asgardiano que quase destruiu Nova York, há alguns anos.

E por falar nisso, não consigo parar de pensar que o taxista não está enxergando o Loki como ele realmente é. E isso me intriga muito.

Espera um pouquinho aí... Será mesmo que o taxista não está vendo o Loki como ele é de verdade? Ou será que ele não está ligando os trajes extravagantes a pessoa? Será que assim como eu pensei no começo, o taxista está convencido de que o Loki é só um cosplay de um personagem desconhecido?

Infelizmente, quando eu e o dito cujo entramos no veículo, dez minutos antes, não reparei na reação do taxista. Porém estou convencida de que alguém mais em Nova York, — uma reles alminha viva que seja — tem que estar vendo o mesmo que eu. Eu não posso ser a única que enxerga o Loki do jeitinho meigo e cativante que ele é. Por que eu seria a única?

É ao me perguntar isso que tomo uma decisão. Então, sem pensar duas vezes, me inclino para frente, posicionando minha cabeça entre o banco do taxista e o do passageiro, e começo:

— Com licença.

— Pois não, senhorita? — indaga o taxista, me olhando rapidamente pelo retrovisor.

Quando vou dar seguimento ao meu plano, a voz do gafanhoto me atrapalha:

— O que você está fazendo?

Nossa! Ele fala! Que surpresa!

Respiro fundo e decido simplesmente ignorar o Loki. Em seguida, pergunto ao taxista:

— Será que eu posso te pedir uma coisa? — antes que ele responda, eu despejo: — O senhor poderia descrever o sujeito que está comigo?

Pelo retrovisor eu vejo o taxista franzir o cenho, com certeza achando o meu pedido no mínimo estranho, e vejo Loki revirar os olhos, com certeza achando aquilo totalmente desnecessário.

Ainda bem que eu não perguntei a opinião desta criaturinha fofa, não é?

Disposta a ir até o fim, eu me concentro apenas no taxista e invento uma desculpa:

— Sabe o que é? É que eu bebi demais e agora não tenho mais certeza se ele é mesmo o meu tipo. Então, será que o senhor poderia, por obséquio, descrevê-lo para mim? Assim eu posso me decidir, se devo levá-lo para o meu cafofo ou largá-lo na sarjeta mesmo.

Acho que deixei o taxista ainda mais confuso. E assustado. Tenho que admitir que não posso tirar a razão dele. Eu mesma estou assustada com o que eu falei. Aliás, de onde foi que eu tirei aquela desculpa chula? Cruzes!

Paciência. Foi a única coisa que eu consegui pensar no momento e o importante é que funcione. E acredito que está funcionando, já que o taxista dá uma boa olhada para o Loki pelo retrovisor.

Logo depois, o taxista diz um tanto hesitante:

— Ãn... Ele aparenta ter uns trinta e poucos anos. É branco, alto, magro...

Não sei exatamente qual é a idade do Loki, mas ele aparenta aquilo mesmo. Ele é branco e alto, com certeza, mas não resisto e tenho que perguntar:

— Magro do tipo desnutrido ou magro do tipo em forma?

O taxista fica visivelmente sem graça e eu me pergunto qual é a dificuldade de vocês, homens, em descreverem outro homem? Não tem segredo e nem coloca vossas masculinidades em jogo. Não se preocupem, vocês continuam sendo homens.

— Do tipo em forma. — ele finalmente diz, ainda sem graça.

— E os cabelos? Como eles são? — indago na sequência, esperando que ele diga que as madeixas do gafanhoto são bem escuras e relativamente compridas.

Porém, ao invés disso, o taxista descreve sem hesitar:

— Curtos e castanhos. Castanho claro, eu acho.

Intrigada, decido perguntar o mais importante:

— E como ele está vestido?

O taxista dá mais uma olhada para o Loki e depois responde:

— Calça preta, terno também preto, camisa branca por baixo...

Estou chocada! Por um momento, cheguei a pensar que Loki estava mentindo para mim, inventando toda aquela história de versão midgardiana e que todo mundo naquela boate tinha ficado maluco. Mas, pelo visto, me enganei feio.

Antes de despencar no banco, dou um tapinha no ombro do taxista e agradeço:

— Obrigada.

Pela minha visão periférica, percebo que Loki está olhando para mim, mas não o olho de volta. Estou pensativa demais para conseguir encará-lo neste momento.

— Satisfeita? Você acredita em mim agora? — o asgardiano pergunta de um jeito ácido.

Isso me desperta dos meus pensamentos e faz uma pergunta sair quase involuntariamente da minha boca:

— Qual é o meu problema?

Loki continua olhando para mim e finalmente o encaro de volta. Tenho a impressão de que ele está se perguntando a mesma coisa e que isso o intriga tanto quanto eu. Afinal, por que eu consigo vê-lo como ele é e as outras pessoas não? O que tem de errado comigo? Qual é o meu problema?

Em dado momento, Loki desvia do meu olhar, talvez convencido de que não vai encontrar uma explicação apenas me encarando, e para minha surpresa — só que não — me provoca:

— Bem, com certeza, eu poderia fazer uma lista.

Fecho a cara imediatamente, cruzo os braços e olho para a frente. Percebo que o taxista está olhando para nós e então eu me lembro que dei a entender que eu e o Loki nos conhecemos esta noite, que rolou um clima e que agora estamos indo para um lugar mais reservado.

Eca!

Dada as poucas palavras que troquei com Loki até agora e o fato de estarmos bem distantes um do outro no banco de trás, o taxista não deve estar entendendo bulhufas.

Queria poder explicar o que realmente está acontecendo e quem é aquele sujeitinho abusado ao meu lado, mas simplesmente não posso. Por isso, fico calada o resto da viagem.

Cinco minutos depois, o táxi finalmente para em frente ao meu prédio. Loki, como é um poço de educação e cavalheirismo, sai primeiro e caminha até a entrada, sem nem ao menos abrir a porta para mim ou pelo menos me esperar.

Respiro fundo, tiro algum dinheiro da carteira em minha bolsa e pago a corrida. Quando estou abrindo a porta do veículo, o taxista diz:

— Ei, senhorita. — eu me detenho e ele me aconselha visivelmente sem graça: — Desculpe, eu não tenho nada a ver com a sua vida, mas... Talvez você não devesse ter bebido tanto. — fico sem reação e ele completa: — Tem certeza que você pode confiar naquele sujeito?

Eu devia ficar com raiva daquele taxista intrometido, mas tenho que admitir que ele tem razão em dizer essas coisas. Além disso, ele parece mesmo preocupado com o meu bem estar.

Fico me perguntando quantos casais ele deve transportar em uma noite de sábado como aquela, o que deve ouvir e presenciar. Conversinhas ao pé do ouvido? Risos? Alguma troca de carícias?

Isso explica por que ele está me aconselhando a não beber e perguntando se eu confio no Loki. Nós dois, definitivamente, não estamos convencendo como casal.

Bem, não posso explicar para o taxista que eu e o gafanhoto não somos isso — e, honestamente, não acho que eu tenha que explicar qualquer coisa para um desconhecido — mas, sobre saber se eu posso confiar no Loki ou não, decido responder:

— Eu ainda não sei. — antes de sair do táxi, encerro: — Obrigada pela corrida.

XXX

Acho que só tem uma coisa mais embaraçosa do que chegar bêbada em casa e não conseguir encontrar o buraco da fechadura. Chegar bêbada em casa, não conseguir encontrar o buraco da fechadura, com Loki ao meu lado.

O pior é que eu tenho a impressão de que ele está se divertindo internamente, enquanto assiste as minhas inúmeras e infrutíferas tentativas de abrir o diacho da porta.

Mas, em dado momento, o infeliz finalmente parece se cansar de assistir a minha desgraça, estende a mão na minha direção e diz com escárnio:

— Me deixe te ajudar, midgardiana bêbada.

O fuzilo com o olhar, mas lhe entrego a chave e me afasto um pouco da porta, enquanto protesto:

— Eu não estou bêbada, eu estou alegre. Ou melhor, eu estava até você aparecer e estragar a minha noite, é claro.

— Ah... Eu também estou muito feliz com o nosso reencontro, midgardiana... Alegre. — ele rebate ironicamente, abrindo a porta.

Obviamente, ele entra primeiro e eu na sequência, depois de pegar a chave que o dito cujo deixou na fechadura. Tranco a porta e acendo a luz da sala. Tudo parece girar e constato que o gafanhoto tem razão quando diz que eu estou bêbada. Eu não devia ter me esbaldado na tequila daquele jeito. Já estou prevendo uma ressaca histórica.

Apesar de saber que eu e Loki temos que conversar, neste momento tudo o que eu quero é um bom banho e a minha cama. Por isso, caminho com dificuldade em direção ao meu quarto, passando por ele sem dizer nada.

— Nós precisamos conversar sobre aquele assunto. — eu o ouço dizer quando cruzo a porta do meu quarto e acendo a luz.

— Amanhã. — resmungo, enquanto me apoio na porta e me livro das sandálias.

Tenho a impressão de que levo mais tempo do que o esperado para realizar tal tarefa e, com certeza, Loki deve estar se divertindo com a minha desgraça mais uma vez.

Sem me importar com isso e pensando no banho relaxante que me aguarda, pego o primeiro pijama que encontro no guarda-roupa, sigo até o banheiro do meu quarto, entro e fecho a porta.

XXX

Tenho a impressão de que demorei demais no banho e quase certeza de que cochilei em alguns momentos, mas, por fim, consigo sair do banheiro.

— Mama Mia! — exclamo, detendo o passo ao ver o gafanhoto abusado deitado na minha cama, com os braços flexionados atrás da cabeça e fitando um ponto qualquer do teto. — Pode ir levantando esse traseiro asgardiano daí! — ordeno, sentindo o meu sangue ferver.

Então ele olha na minha direção e retruca:

— Eu não vou dormir no sofá.

Eu não vou dormir no sofá. — repito suas palavras, deixando claro que aquilo não está em negociação.

Após um instante em silêncio, ele retruca mais uma vez:

— Eu pensei que vocês, midgardianos, fossem mais cordiais com suas visitas.

— Você não é uma visita, Loki, você é um encosto. — esclareço e, em seguida, intimo: — Portanto, saia da minha desprezível cama midgardiana que não chega aos pés das camas de Asgard agora mesmo ou... Aguente as consequências.

Acho que aticei a sua curiosidade, pois o deus trapaceiro permanece no mesmo lugar, me encarando de um jeito firme. Com certeza, ele deve gostar de um bom desafio ou então está duvidando da minha ameaça.

— Tudo bem, eu avisei. — digo, arqueando uma sobrancelha, enquanto me aproximo.

Vejo confusão e certo pânico em seu olhar, quando ele deduz o que eu estou prestes a fazer. E o que eu faço é isso: puxo o edredom que cobre a minha cama de solteiro, fazendo Loki se sentar imediatamente, visivelmente surpreso e insatisfeito, depois me deito como uma diva, me cubro e lhe dou um generoso empurrão para tirá-lo de vez do meu território.

Com isso, Loki se desequilibra. Mas, antes que despenque no chão como uma fruta madura, ele se recompõe e se coloca de pé com destreza, mantendo a postura extremamente ereta e exalando o seu ar de superioridade característico, mas completamente infundado naquela situação, afinal, eu o venci.

Preciso dizer que ele está me olhando com uma cara de psicopata neste exato momento? Pois é. Acho que ele não gostou muito do que eu fiz. Que bom que eu não me importo nem um pouco com isso.

Aliás, desde a nossa conversa decisiva na boate, estou me sentindo mais segura em relação ao gafanhoto asgardiano. Agora eu realmente acredito que o Loki precisa mesmo de mim e que me machucar não faz o menor sentido. Mas, se por acaso ele mudar de ideia em algum momento, eu sei que os Vingadores estarão por perto, prontos para garantirem a integridade do meu corpinho.

Ainda estou pensando nisso, quando meço Loki da cabeça aos pés e questiono:

— Você não vai tirar essa roupa?

Acho que não me expressei direito porque vejo certa malícia em seu olhar, que se estreita sobre mim, quando o infeliz indaga com um sorriso torto e cínico:

— Eu pensei que você tivesse me mandado dormir no sofá.

Eca! Esse gafanhoto saliente insinuou mesmo o que eu estou pensando que ele insinuou? Cruzes! Mas espera um pouquinho aí... Por que eu estou sentindo o meu rosto ruborizar subitamente?

Ah, que bom! O desgraçado conseguiu me deixar sem graça. Legal! Preciso contornar a situação rapidamente, antes que ele se vanglorie do meu constrangimento ou diga mais uma gracinha indevida para piorar a minha situação.

— O que eu quis dizer é se você não quer colocar uma roupa mais confortável para dormir no sofá. — esclareço e, em seguida, o provoco: — Eu tenho um pijama do Pateta que fica muito grande em mim. Tanto que eu nunca usei. Mas em você, eu tenho certeza que vai cair como uma luva. Vai ficar perfeito!

Para meu desespero, aquela coisa continua me encarando e eu tenho certeza que notou como eu estou vermelha. Procuro esquecer o que ele disse e rezo para que eu esteja voltando a minha cor normal. Não tenho certeza se estou.

Sei muito bem que o Loki não está dando em cima de mim, ele só está procurando mais uma forma de me humilhar, de tripudiar sobre mim, já que este parece ser o seu passatempo favorito desde que ele veio parar na Terra. Aliás, talvez este seja o seu único passatempo desde então. Me azucrinar!

Pensando nisso e me convencendo de que eu só fiquei vermelha porque a tequila ainda está mantendo o meu corpo quente, me obrigo a esquecer o que ele disse, me acomodo melhor na cama, fecho os olhos e encerro da forma mais natural que consigo:

— Boa noite, gafanhoto. Apague a luz e feche a porta quando sair.

Longos segundos se passam e eu não ouço o barulho dos seus passos, nem uma vibração no ar que denuncie qualquer movimento seu, nadinha.

Decido que vou permanecer imóvel e com os olhos bem fechados. Começo a me sentir desconfortável. Droga, o que aquele mequetrefe está esperando para zarpar do meu quarto? Um beijinho de boa noite? Eca!

Acho que fiz uma careta involuntária ao pensar nisso e ele deve ter pensado que eu estou quase dormindo, porque finalmente ouço seus passos em direção à porta. Ouço o ranger da madeira em seguida, mas não ouço a porta sendo fechada.

— Boa noite, midgardiana tola. — Loki diz, mas eu não respondo.

Finalmente a luz é apagada e a porta é fechada. Espero alguns segundos e abro apenas um olho. Confirmo que estou mesmo sozinha e relaxo completamente. Fecho o olho, respiro fundo e deixo o sono me dominar enquanto o quarto parece girar a minha volta. Maldita tequila...

No dia seguinte

Estou sonhando com algodão doce, mas desta vez não são nuvens e sim uma enorme, vasta e suculenta plantação de algodão doce que se estende além no horizonte, de tal forma que meus olhos não conseguem ver onde aquele paraíso começa e onde termina.

Estou caminhando por entre os pés de algodão doce de todas as cores possíveis — que loucura! — e inevitavelmente me lembro por que gosto tanto desta guloseima.

Resumindo, podem colocar a culpa na minha avó. Foi ela que me apresentou ao meu doce favorito, quando eu era criança e ela organizou uma festa de aniversário para mim. E eu gostei tanto que, nos aniversários seguintes, ela sempre encomendava uma quantidade generosa da guloseima.

Quando eu cresci, me mudei para Nova York e aquelas festas ficaram para trás, minha avó passou a me visitar nos meus aniversários. E, em todas as vezes que cruzou a porta do meu apartamento, ela estava segurando um algodão doce especialmente para mim, além de um pijama novo de presente.

Por isso eu tenho sonhado tanto com algodão doce ultimamente. Estou relativamente perto de completar vinte e cinco anos e, portanto, contando os dias para receber uma visita bem especial, trazendo algo bem especial também. Só espero que até lá a situação do Loki esteja resolvida, afinal não tenho como explicar aquela loucura toda para a minha avó.

De repente, um ruído chama a minha atenção e eu paro de pensar nela. Olho na direção do horizonte e avisto uma espécie de nuvem se aproximando. Entro em pânico quando percebo que não se trata de uma nuvem qualquer, mas sim de uma ameaçadora nuvem de gafanhotos.

— Minha plantação! — exclamo aflita, olhando tudo em volta e prevendo a destruição completa daquele paraíso açucarado.

Os gafanhotos se aproximam, se espalham, atacam meus pés de algodão doce sem piedade. Malditos gafanhotos! Maldito Loki!

Acordo assustada e me sento na cama automaticamente. Respiro ofegante por alguns instantes, enquanto entendo uma coisa elementar. Eu estou preocupada com o Loki. Não com ele em si, mas com a confusão que minha vida pode virar, enquanto eu não resolver aquela situação definitivamente.

Sendo assim, me convenço de que não posso mais adiar aquilo. Eu, Olivia Mills, tenho que ajudar o Loki a se tornar um pouquinho menos insuportável e um pouquinho mais digno. Só assim, ele terá alguma chance de voltar para Asgard, a minha vida voltará ao normal e eu vou poder sonhar com algodão doce em paz.

O único problema é que eu não tenho ideia de como ajudar aquele traste. Eu nem sei se ele quer mesmo ser ajudado. Será que o Loki pelo menos sabe como funciona aquele bracelete esquisito?

É isso! O bracelete! Ainda não é um plano, mas é um bom ponto de partida para a minha missão, certo?

O fofo do Thor me disse que aquela joia bloqueia os poderes do Deus da Trapaça, e este descobriu que aquela coisa possui certa magia. Então, e se aquele bracelete for a chave de tudo? E se tiver algo sobre ele que pode ajudar o gafanhoto a encontrar o caminho para a dignidade?

É isso! Eu tenho que começar pelo bracelete e, para isso, eu preciso entender direitinho como ele funciona.

Pensando desta forma e agradecendo a Deus pela minha ressaca não estar tão atordoante quanto eu tinha imaginado, levanto da cama animada e me dirijo ao banheiro. Depois de escovar os dentes e jogar uma água no meu rosto, volto para o quarto, pego meu celular na minha bolsa e caminho em direção à porta. Vejo que tem uma mensagem do Josh, perguntando sobre o gato que eu conheci na boate.

A ideia de começar o dia, mentindo para o meu melhor amigo, me desanima um pouco. Por isso, decido que só vou responder aquela mensagem mais tarde. Para todos os efeitos, eu ainda estou na cama, curtindo uma ressaca infernal.

Chego na sala e detenho o passo ao ver Loki esparramado no sofá. Levo a mão à boca, contendo um riso que quer escapar da minha garganta. E então eu tenho uma ideia maquiavélica. E eu sei que não devia colocá-la em prática, mas não resisto e aciono a câmera do celular rapidamente.

Uma foto do Loki daquele jeito pode ser muito útil futuramente. Eu posso chantageá-lo de alguma forma, se ele continuar se comportando como o troglodita que é.

As pessoas aqui em Midgard podem até não ver o Loki que eu vejo, mas com certeza, uma foto vai registrar a realidade. Afinal, imagens não mentem. Exceto, as que tem Photoshop.

Então, tiro a foto e sinto o meu coração dar um salto, quando Loki se mexe um pouco. Rapidamente, coloco o celular em uma estante, caminho até a janela e depois abro as cortinas, dizendo entusiasmada:

— Bom dia, flor do dia! É hora de acordar, coisa fofa! Hoje é domingo, dia lindo! Então, mãos a obra! Vamos começar de fato a missão Como chutar o traseiro do Loki de volta para Asgard!

A luz do Sol ilumina toda a minha sala e me viro, ainda contendo a vontade de rir, quando dou de cara com o Loki, arregalo os olhos, levo a mão ao coração e exclamo assustada:

— Mama Mia! Que susto! Por acaso, você quer me matar? — ele estreita o seu olhar sobre mim e eu dispenso rapidamente: — Não responda!

Depois de me observar por um instante, o gafanhoto metido pondera:

— Você parece muito bem para quem estava tão alegre ontem à noite, midgardiana.

— E você parece muito bem para alguém que dormiu no sofá, asgardiano. — rebato com ironia e, em seguida, o provoco: — Me diga, por acaso você não está sentindo dores pelo corpo, está?

Depois de me fuzilar com o olhar, Loki responde orgulhoso:

— Eu estou ótimo. Obrigado pela preocupação.

Tento não rir quando ele segue na direção do sofá e eu percebo que o seu caminhar está meio torto. Pobrezinho... Chego a sentir certa compaixão por ele por um instante, mas logo passa.

Depois que se senta, Loki olha para mim e questiona:

— Posso saber por que você está tão bem humorada?

Ignoro o fato de que o meu bom humor o incomoda e, enquanto me aproximo, respondo:

— Claro. É que eu tive uma ideia para te ajudar a voltar para Asgard. — vejo um interesse palpável surgir em seu semblante e acho melhor fazer uma ressalva: — Bem, pelo menos pode ser um começo.

— Eu estou ouvindo. — Loki me incentiva a dizer seja lá o que for que eu tenho em mente.

Então, sento-me ao seu lado e, automaticamente, ele se afasta um pouco. Como se eu estivesse diante de uma criança birrenta, digo firmemente:

— Olha, eu sei que você não gosta que eu encoste na sua pele alva e sedosa, mas se você quer mesmo a minha ajuda, vai ter que abrir uma exceção. — não espero ele retrucar. Ao invés disso, puxo a sua mão direita, aquela onde o bracelete se encontra, a coloco sobre o meu colo e só depois digo: — Com licença.

Loki tenta puxar a mão de volta, mas eu a seguro com mais força e começo a examinar aquele estranho bracelete. A peça é dourada — acho que os asgardianos gostam de coisas douradas — tem aproximadamente quinze centímetros — sim, é um senhor bracelete! — e tem uns símbolos incrustados que eu nunca vi na minha vida, mas que são bem bonitinhos.

O mais maluco de tudo é que a peça não tem um ponto de ligação, um fecho, nada. É como se tivesse sido moldada diretamente no pulso do gafanhoto. Mas, já que estamos falando de um bracelete asgardiano que bloqueia os poderes do Deus da Trapaça e, ao mesmo tempo, possui magia suficiente para criar uma versão midgardiana dele, aposto que foi também através de magia que a peça se fechou em volta do seu pulso.

— Eu preciso entender esta coisa… — murmuro, enquanto meus dedos percorrem um símbolo por vez, tentando entender a sua lógica.

— Com este cérebro midgardiano limitado, eu duvido que você consiga. — Loki me agride com suas palavras doces, mas eu não ligo. Estou distraída demais observando aqueles símbolos, passando as pontas dos meus dedos por eles até que... Algo, no mínimo surpreendente, acontece.

Ao tocar uma sequência de determinados símbolos, uma luz rosada emana do bracelete e ilumina toda a minha sala. Vejo flashes do que acredito ser Asgard e tenho que dizer, aquele lugar é lindo! Melhor que a Disney!

Na sequência, eu e Loki nos levantamos ao mesmo tempo e observamos, sem entender bulhufas, a luz se concentrando em um ponto específico, bem diante de nós, e se transformando em outra coisa.

Ainda estou segurando o pulso do Loki, e tremendo consideravelmente, quando a imagem de uma mulher se materializa diante de nós. Ela tem uma beleza clássica e que, por algum motivo, me faz lembrar do Thor. Seus cabelos são loiros e ligeiramente enrolados. Uma parte está presa de um jeito elegante no topo de sua cabeça, enquanto outra parte cai suavemente por seus ombros. Sua expressão transmite serenidade e, ao mesmo tempo, força. Pelas suas roupas, deduzo que ela é de Asgard.

No entanto, apesar do que está bem diante dos meus olhos, eu não tenho certeza se a mulher misteriosa é mesmo real. Sua imagem parece um pouco opaca, como se fosse apenas uma reprodução, algo assim.

Real ou não, ela começa a falar:

— Loki querido, se você estiver vendo e ouvindo isto é porque, infelizmente, eu estou morta e o seu irmão, Thor, se viu obrigado a fazer algo que eu adiei por muito tempo. — após uma breve pausa, ela pede: — Por favor, meu filho, me ouça com atenção.

Olho na direção do gafanhoto asgardiano, esperando que ele me explique como nós podemos estar diante da falecida Frigga, mas desisto de perguntar qualquer coisa quando vejo algo em seu semblante.

Me chamem de maluca, mas no meio de todo aquele ar petulante e orgulhoso do Deus da Trapaça, eu consigo distinguir algo diferente. Eu vejo afeto e nostalgia nos olhos que até então me pareciam tão frios.

Assim, entendo imediatamente que o Loki pode até detestar o seu pai adotivo — o Pai de Todos e Rei de Asgard, Odin — e viver em pé de guerra com o fofo do Thor, mas por aquela mulher, por Frigga, ele sentia algo puro e verdadeiro.

Sei que se eu perguntar, ele vai negar imediatamente, mas será em vão, pois neste momento eu tenho certeza de uma coisa: Loki considerava Frigga sua mãe de verdade. Mais do que isso, ele a amava.

O Loki é capaz de amar. Estou chocada!

Notas finais
E aí??? Gostaram?? Curtiram??? Mais ou menos??? Siiiiiiiiiim, Dona Frigga... Ou melhor, um espectro mágico dela está na área e no próximo capítulo vamos entender tudinho sobre o bracelete. Eu simplesmente adoro a relação entre Loki e Frigga. Acho que por mais que o Loki não valha nada, dela ele gostava de verdade mesmo. Isso ficou visível em Thor - O mundo sombrio. Por mais que o gafanhoto tenha disfarçado (e eu adoro essa incapacidade dele de demonstrar sentimentos), ele ficou muito abalado quando a Frigga empacotou. Tanto que ajudou o Thor naquele plano de vingança. Well, mas falando sobre este capítulo, eu ameiiiiiiii escrever e me chamem de maluca, mas eu acho que rolou um climinha entre Lokivia, não? Oi? Well, antes de me despedir de ocês, quero compartilhar um vídeo aqui que é a minha trilha sonora para lavar roupa e fazer faxina também. Fica a dica: https://www.youtube.com/watch?v=UEJSmhwnc7M kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Reviews? Bjs!!!