Notas iniciais
Oi, gente! Tudo bem com ocês? Espero que sim! Well, primeiramente, desculpem o tamanho do capítulo... Me empolguei, sacomé né? Segundamente, o capítulo é mais sobre Loki/Frigga/bracelete, mas também teremos algumas discretas revelações e diquinhas sobre a família da Olivia, afinal, vocês já repararam que ela só pensa na avó e em ninguém mais, certo? Pois é, pois é, pois é. Mistérios da meia noite... Terceiramente, claro que teremos bastante farpas entre Loki e Olivia e isso significa que apesar do momento delicado, teremos muiiiiiiiiita comédia também. Espero que gostem porque eu simplesmente amei escrever este capítulo e estou em um caso de amor eterno pela gif que coloquei nele. Ai que vontade de chorar... Oi? Enfim, boa leitura!

É difícil descrever o que estou sentindo neste momento, ao lado do Loki e diante de um espectro da falecida Rainha de Asgard, Frigga. Mas acho que posso resumir com a seguinte frase: Estou DESMAIADA. Chocada, na verdade. Só não sei se com a situação em si ou com o fato de ter visto certa emoção no olhar do gafanhoto. Talvez com tudo isso.

De qualquer forma, tenho que confessar uma coisa da qual eu não me orgulho. Estou com certa inveja do Loki e da relação que ele possuía com Frigga. Porque mesmo morta, de alguma forma, ela está aqui. Por ele, preocupada com ele, zelando por ele. Enquanto a minha mãe nunca pôde fazer algo assim por mim porque, ao contrário de Frigga, ela não tinha qualquer conhecimento em magia — ou tecnologia, que pode ser considerada a magia de Midgard — para permitir que eu tivesse uma experiência como a que o Loki está tendo agora.

Além disso, é impossível não me identificar um pouco com o gafanhoto asgardiano, já que assim como eu, ele não foi criado por sua mãe biológica. É impossível também não me lembrar da minha avó, que é para mim o que, com certeza, Frigga foi para o Loki: uma verdadeira mãe.

Por fim, é impossível não sentir saudade da minha avó. Eu queria tanto que ela estivesse aqui comigo. Mas, infelizmente, a Sra. Susan Mills só poderá vir me visitar no meu aniversário, daqui a quase dois meses, e em virtude do meu trabalho e desta missão maluca na qual me meti, eu não posso ir até o Texas visitá-la na fazenda onde cresci e na qual ela mora até hoje.

Sentindo um aperto em meu peito ao pensar na última vez em que vi a minha avó, sacudo a cabeça levemente e volto a olhar para Frigga e para Loki. De repente, começo a me sentir uma intrusa entre eles. Independente da Rainha de Asgard não estar aqui de verdade, está bem claro que este é um momento familiar, entre mãe e filho. Portanto, eu não devia estar aqui.

Então, pensando em dar alguma privacidade para o estrupício do Loki, e tentando fugir das lembranças e emoções que aquele momento estão despertando em mim, faço menção de me afastar. Porém, quando diminuo a pressão dos meus dedos sobre os símbolos do bracelete, a imagem de Frigga oscila.

Antes que eu respire, Loki aperta a sua mão livre contra a minha no bracelete e ordena de um jeito ríspido:

— Nem pense em tirar essa mão... Midgardiana daí, sua insolente.

Sim, ele me xingou mais uma vez e isso está mesmo virando um círculo vicioso.

Será que o Loki já assistiu Pica Pau alguma vez?

Seja como for, desta vez, eu não sinto o meu sangue ferver nas veias. Isso porque eu desconfio que o Deus da Trapaça só me xingou para disfarçar o quanto está mexido com aquela experiência. Ele quer mostrar que ainda é o Loki. Quer manter aquela barreira invisível que o cerca intacta. Não quer demonstrar qualquer sentimento mais puro, porque deve encarar isso como um sinal de fraqueza.

De certa forma, consigo entender a sua postura porque eu também não quero que ele perceba o quanto estou emocionada com o que estamos presenciando. Não que eu acredite realmente que o gafanhoto egoísta ao meu lado ia demonstrar qualquer interesse pelo o que estou sentindo neste momento, mas o fato é que eu também preciso manter a minha barreira intacta.

E sabe qual é a melhor forma de mascarar nossas emoções e fraquezas? Com sarcasmo. Quase sempre funciona. Fica a dica.

E é exatamente esta postura que assumo, quando lanço um sorriso amarelo para o Loki e retruco:

— Pedindo com jeitinho.

Em seguida, enquanto me obrigo a parar de pensar na minha conturbada história familiar, o espectro de Frigga recomeça:

— Meu filho, o que você está vendo agora só será mostrado uma única vez. Portanto, mantenha os símbolos que ativaram esta mensagem pressionados. Do contrário, ela se perderá para sempre.

Loki aumenta a pressão de sua mão sobre a minha e me fuzila com o olhar ao me fitar de soslaio. Não aguento a sua crítica velada e resmungo sem qualquer paciência:

— Tudo bem, já entendi. Eu quase estraguei tudo.

— Schhh. — ouço o infeliz dizer e, desta vez, meu sangue ferve. Já não gosto que me mandem calar a boca, o Loki fazendo isso então... Ô vontade de dar uns bons tapas na carinha dele agora mesmo.

Porém, devido à situação atípica que estamos vivendo, decido engolir a sua grosseria e me concentro no espectro de Frigga, que prossegue de uma forma calma:

— Loki, querido, não me odeie por conta deste bracelete. Você pode até não acreditar, mas eu o fiz pensando no seu próprio bem. Se você está o usando hoje é porque, mais uma vez, se deixou cegar pelo poder e pela ambição. Possivelmente, se tornou um perigo, uma ameaça. Não é minha culpa, de Odin ou do seu irmão que você esteja com este bracelete. É apenas sua. Suas escolhas e ações te levaram a isso. E eu só estou tentando te ajudar a passar por este momento, para que um dia, você possa se ver livre do bracelete e possa recomeçar a sua vida. Não encare isso como um castigo, Loki. Veja esta situação como uma segunda chance, porque é exatamente isso que ela é. A sua segunda chance. Portanto, não a desperdice, pois ela também é a última. — após uma breve pausa, Frigga anuncia: — Agora me ouça com muita atenção, meu filho querido, pois eu vou explicar como o bracelete funciona exatamente.

Graças ao fofíssimo do Thor, eu sei mais ou menos como aquela joia extravagante funciona, mas, me lembrando de que eu não posso deixar o Loki saber que o seu irmão gato veio me visitar e me incumbiu de uma certa missão, decido que fazer um teatrinho pode ser muito inteligente da minha parte.

Então, eu olho para a minha mão sobre o bracelete, sendo praticamente esmagada pela pata do gafanhoto, e brinco:

— É uma pena que a gente não possa anotar o que ela vai dizer, né?

— Schhh. — ele me corta imediatamente.

Mais uma vez, relevo a sua grosseria, respiro fundo e ouço a falecida Rainha de Asgard continuar:

— A primeira coisa sobre o bracelete, você já deve ter percebido. Com ele, você fica sem os seus poderes. Eu sei que você não ficará nem um pouco feliz com isso, mas acredite em mim, é necessário. — após um breve momento de silêncio, Frigga prossegue: — A segunda coisa importante é que este bracelete é a sua única proteção em Midgard, meu filho. Enquanto estiver com ele, você terá a aparência de um midgardiano. Mas, não abuse da sorte, você ainda pode ser reconhecido, caso se exponha demais. Principalmente, se tentar enganar algum midgardiano. Neste caso, ele poderá ver a sua real aparência.

Epa! Epa! Epa! Apesar das coisas que Frigga disse não explicarem por que eu consigo ver a aparência real do Loki, acabei de entender o motivo pelo o qual ele voltou a me procurar.

Querendo confirmar minha suspeita e aproveitando para debochar um pouco dele, eu o olho de canto e articulo:

— Foi isso o que aconteceu, não foi? Você foi embora do meu cafofo, todo magoadinho porque eu critiquei a sua fantasia ridícula de gafanhoto, então achou que podia se dar bem lá fora, tentou enganar um pobre coitado, tirar alguma vantagem, fazer uma gracinha, mas acabou descobrindo, da pior maneira, que não pode mais trapacear, né? — Loki não me olha de volta, mas percebo que acertei, já que sua expressão se fecha e ele comprime os lábios com força. — Quer saber? — anuncio e então me inclino na direção do seu ouvido e sussurro: — Bem feito.

Desta vez, ele se volta em minha direção e eu afasto o meu rosto imediatamente, incomodada com uma súbita proximidade entre nós.

— Eu já disse como a sua voz é irritantemente insuportável, midgardiana desprezível? — ele indaga, estreitando o seu olhar sobre mim como se quisesse torcer o meu pescocinho. Será que ele quer?

Não me abalo com isso e retruco com escárnio:

— Acho que não, mas vindo de você é um elogio. Então, muito obrigada.

Acho que, de alguma forma mágica, a mensagem de Frigga está programada para ser reproduzida apenas quando não houver ninguém falando por perto, porque quando eu e Loki paramos de trocar farpas, aquela diva asgardiana — sim, nem tive a honra de conhecer Frigga pessoalmente, mas já posso afirmar com todas as letrinhas do alfabeto que aquela mulher era uma diva — finalmente retoma:

— Eu acredito que, se está vendo e ouvindo esta mensagem, você já deve ter descoberto essas coisas. Mas a característica mais importante do bracelete, que diz como se libertar dele, eu tenho certeza que você ainda não descobriu. Por isso, eu vou te explicar.

Percebo que Loki fica tenso imediatamente. Tenso, ansioso e interessado no que o espectro de sua mãe tem a dizer. Afinal, com certeza, ele está louco para se livrar do bracelete e voltar a ser o velho e trapaceiro Loki.

Sabendo o que Frigga vai dizer, já que o top model asgardiano — lê-se Thor — me explicou aquela parte ontem, eu não resisto e tento jogar um balde de água fria nas esperanças do Loki:

— Se eu fosse você, não ficaria tão animado não. Essas coisas sempre tem uma pegadinha no meio.

Minha observação surte efeito imediatamente. Loki fecha a cara de novo. Desta vez, não só comprime, como morde o lábio inferior por um instante. Depois, ele se volta na minha direção com um olhar mortal e pergunta em tom ameaçador:

— Me diga, o que eu tenho que fazer para não ter o privilégio de ouvir o som da sua voz? Se eu pudesse, te jogaria pela janela agora mesmo.

Humm... Ser jogada pela janela! Seria uma oportunidade e tanto para o Homem de Ferro entrar em ação, não é? Confesso que estou louca para conhecer o gênio, bilionário, playboy e filantropo logo. E seria muito divertido dar uma voltinha pelo céu de Nova York, pegando uma carona com o meu futuro chefe.

Porém, se Tony Stark não estiver disponível para salvar o meu dia, o meu Vingador favorito — lê-se o tiozinho gato do Capitão América — bem que poderia estar lá embaixo, na calçada do meu prédio. Então, ele me seguraria em seus braços másculos antes que o meu corpinho se estatelasse na sarjeta e, em retribuição, eu lhe daria um beijo de cinema. Dias depois, nós nos casaríamos na praia de Acapulco, sob um céu estrelado e...

O olhar curioso de Loki na direção do leve sorriso que se forma nos meus lábios me faz voltar a realidade. Rapidamente, me recomponho e digo:

— Tudo bem, estressadinho. Não está mais aqui quem falou. Mas depois não diga que eu não te avisei, ok?

Loki não diz mais nada. Ao invés disso, volta seu olhar para Frigga, que diante do nosso silêncio, recomeça:

— Eu te conheço muito bem, meu filho. Talvez melhor do que qualquer um. Por isso, eu sei exatamente quais são os seus defeitos. Mas eu também sei que você tem as suas qualidades.

Controlo o riso, mas não as palavras que saem da minha boca:

— Qualidades? O gafanhoto? — o riso escapa e eu arremato: — A sua mãe era uma comédia. Que figura!

Loki respira fundo, mas não me olha nem diz nada. Decido me calar, já que, subitamente, fiquei mais interessada naquela mensagem surreal de Frigga.

— Qualidades que você faz questão de reprimir, de esconder. — ela diz.

Não aguento, não resisto, é mais forte do que eu e o provoco novamente:

— É... Devem estar bem escondidas mesmo. No fundo do âmago do seu ser interior, gafanhoto.

Mais uma vez, ele me ignora, permitindo que o espectro continue:

— Qualidades que você faz questão de abandonar em prol do caminho mais fácil e perigoso. O caminho que te levará à destruição, Loki. Eu não quero que você continue seguindo, levianamente, por este caminho. Por isso, você precisa se arrepender de certas escolhas e se tornar digno o suficiente para se libertar do bracelete, recuperando assim os seus poderes e o direito de voltar para Asgard.

— Humm... Eu não queria falar não, mas parece que alguém vai morrer com uma certa bijuteria no pulso. — deixo escapar e sinto, imediatamente, a mão do Loki pressionando a minha com mais força.

Prendo a respiração por um instante e disfarço uma careta de dor. Não vou dar esse gostinho a ele. Por isso, aos poucos, relaxo e tento não pensar no fato de que minha mão está começando a ficar dormente.

Na sequência, Frigga diz:

— Não se preocupe, meu filho, eu te conhecia muito bem. Eu não estou tentando te transformar em algo que você não é. Você não é um santo, Loki. Mas também não é um demônio.

O gafanhoto vai ter que me desculpar, mas eu preciso dizer:

— Há controvérsias... — quando ele finalmente me olha de soslaio, eu completo: — Sabe, eu acho que você ia se dar muito bem com os meus chefes. Se você for mesmo viver como um midgardiano de agora em diante, podia ficar com o meu emprego. O que você acha?

O Deus da Trapaça deve estar muito interessado mesmo na mensagem de sua mãe, já que mais uma vez, ele parece controlar a vontade de pular no meu pescocinho e se contenta apenas em apertar a minha mão, massacrando meus dedinhos que começam a gritar por socorro.

Em seguida, ele se volta para o espectro e escuta suas próximas palavras:

— Não existe uma fórmula exata para se libertar do bracelete, Loki. Mas eu posso dizer que isso está diretamente ligado ao arrependimento sincero, a deixar as suas qualidades ditarem as suas escolhas e a viver de uma forma mais digna. Você precisa mudar, Loki. Não completamente, mas pelo menos um pouco, em alguma coisa, em sua postura, em seu coração, de alguma forma. Eu tenho confiança de que você vai encontrar um caminho para alcançar essa mudança, meu filho.

Desta vez, não consigo fazer nenhuma piada, pois as palavras de Frigga me tocam profundamente. Sinto certa compaixão por ela. Tadinha, gente... Ela realmente acreditava que o Loki tem um lado bom.

Será que Frigga era maluca, amava o gafanhoto cegamente ou estava certa? O Loki tem um lado bom? E onde esse lado está que eu não estou vendo, minha Nossa Senhora?

Enquanto me pergunto essas coisas, ouço Frigga dizer suas últimas palavras:

— Eu te desejo boa sorte, meu filho. E saiba que... Enquanto eu vivi, você sempre esteve no meu coração. Agora, eu te peço que me deixe continuar vivendo no seu.

Me chamem de maluca, mas tenho a impressão de que quando Frigga gravou aquela mensagem, ela não soube exatamente como encerrá-la. Digo isso porque percebo que ela ficou emocionada — de uma forma contida, mas ainda assim, emocionada — e consigo até ver um certo brilho úmido em seus olhos, quando seus lábios se movem, mas ela não pronuncia mais palavra alguma.

Quando Loki diminui a pressão de sua mão sobre a minha, eu desperto deste pensamento, ignoro que meus dedos estão formigando e olho em sua direção. E me chamem de maluca de novo, mas, aparentemente, os olhos do gafanhoto asgardiano também estão brilhando de um jeito diferente, quando ele afasta a sua mão da minha, a estica e toca o espectro de Frigga suavemente.

Em silêncio, nós vemos a imagem dela se extinguir aos poucos, até desaparecer por completo da minha sala.

Algum tempo se passa até que eu finalmente me lembro de que agora não é mais necessário manter minha mão sobre o bracelete, afinal, a mensagem de Frigga chegou ao fim e não será reproduzida novamente. Ela deu o seu recado. O que o Loki vai fazer a respeito disso, eu não tenho ideia. Eu nem sei se ele compreendeu o que ela quis dizer com tudo aquilo. Eu nem sei se eu mesma compreendi.

Droga... Era melhor ter dado um jeito de anotar ou de gravar aquilo. Paciência, agora já foi.

Procuro me lembrar das palavras exatas de Frigga e também de tudo o que Thor me contou a respeito do bracelete.

Resumo da ópera: pelo o que eu entendi, o Loki não precisa virar a Madre Tereza de Calcutá, — ainda bem, não consigo imaginá-lo usando hábito — mas ele precisa mudar um pouquinho aquele jeito arrogante e trapaceiro de levar a vida.

Como eu vou ajudar um trapaceiro de carteirinha a mudar 1% que seja, eu não tenho ideia, mas, para minha surpresa, estou realmente disposta a tentar. Mesmo porque essa é a única forma de me livrar do gafanhoto. Eu tenho que ajudá-lo a se tornar alguém melhor, para que assim ele se liberte do bracelete, possa zarpar rapidinho para Asgard e me deixe em paz de uma vez. Fim da história! Happy end para Olivia Mills!

Ainda estou pensando em tudo isso, quando noto o olhar nada amigável do Loki sobre mim. Receosa, dou um passo para trás e questiono hesitante:

— Por que você está me olhando com essa cara de psicopata, gafanhoto?

Enquanto se aproxima, me fazendo dar mais um passo para trás, Loki responde de um jeito intimidador:

— Eu só estou curioso. Você não vai fazer mais uma das suas piadas? Não vai dizer "eu avisei que tinha uma pegadinha, não avisei?" Anda. O que você está esperando, midgardiana insuportável? Diga.

Loki continua se aproximando e, com isso, eu dou mais um passo para trás, me esquecendo completamente de que o sofá está bem atrás de mim. Caio sentada e não consigo evitar um sobressalto. Engulo em seco, quando Loki se senta, bem perto de mim, apoia um dos braços no sofá, bem atrás das minhas costas, e intima:

— E então?

Sabe, se o que o gafanhoto metido acabou de fazer não tivesse sido assustadoramente ameaçador, eu diria que isso foi assustadoramente sexy. Mas, como eu disse, foi assustadoramente ameaçador. Ponto final.

Não, eu não achei o Loki sexy. Nem por um milésimo de segundo, okay? Okay.

Pisco algumas vezes, enquanto me convenço disso e tento ordenar os meus pensamentos.

Bem, eu não posso dizer para o Loki que eu fiz aquelas piadinhas inocentes em parte para camuflar a minha emoção diante daquela situação. Não posso dizer que me lembrei da minha mãe e da minha avó. Não posso me expor, não posso me abrir.

Mas, isso não significa que eu não posso ser sincera de outra forma. Pensando assim, engulo o meu orgulho e digo:

— Eu sinto muito.

— O quê? — sua voz e sua expressão denunciam confusão e surpresa, quando ele se afasta um pouco e me encara fixamente.

Droga! Eu não acredito que estou pedindo desculpas para este sujeitinho insuportável e orgulhoso! Mas fazer o quê? Seria mais fácil discutir com o Loki e revidar suas ofensas até o fim dos tempos? Seria. Mas onde isso nos levaria além do fim dos tempos, é claro?

A verdade é que se eu quero mesmo ajudar o ET a voltar para casa, tenho que ceder um pouco. Só assim eu vou conseguir me concentrar naquela maldita missão. E discutir com o Loki atrapalha um bocado a minha concentração.

Além disso, eu sei que pisei mesmo na bola, atrapalhando um momento especial entre o espectro de Frigga e Loki. Foi muito infantil e egoísta da minha parte.

Reconhecendo isso, engulo o orgulho mais uma vez e articulo resignada:

— Isso mesmo que você ouviu. Eu sinto muito, eu não devia ter feito piada em um momento sério como esse. Foi mal.

Acho que, no fundo, o gafanhoto asgardiano estava esperando por uma discussão a la gato e rato, ou então que eu ficasse tremendo de medo dele e implorasse para ele não me machucar. Tão típico de nós dois.

Mas, desta vez, eu quero fazer diferente. Desta vez eu quero dar um passo real em relação àquela missão. E, por isso, arremato o meu pedido de desculpas:

— E eu sinto muito pela sua mãe também. O que aconteceu com ela exatamente?

Sua expressão se fecha como uma tarde chuvosa ao me ouvir dizer aquelas palavras. Imediatamente, percebo que pisei em um território proibido, que encontrei o ponto fraco do Loki, que aquele assunto o incomoda muito.

Tenho a impressão de ver certa culpa em seu olhar, quando ele retruca rispidamente:

— Não é da sua conta.

Em seguida, ele se levanta, caminha em círculos pela sala, depois para, olha na minha direção e questiona ainda mais confuso:

— O que você está tentando fazer, midgardiana insolente?

Minha voz sai mais baixa do que eu esperava, quando respondo:

— Apenas... Tentando te ajudar.

Ficamos nos encarando em silêncio depois disso, enquanto eu constato uma coisa surpreendente: eu e Loki temos muito em comum. Nós não conhecemos as nossas mães biológicas e, assim como ele, eu também carrego certa culpa dentro de mim. Primeiro por minha mãe ter morrido no meu parto e segundo...

Me mexo no sofá e enterro aquela segunda cota de culpa em um lugar remoto do meu cérebro. Não quero pensar nisso, não consigo, não aguento. Resolvo me concentrar apenas no gafanhoto e na minha missão. E então retomo:

— Você ouviu o que a sua mãe disse. Existe uma forma de você se livrar do bracelete. Então, ao invés de brigar, por que nós não nos concentramos nisso?

— Não importa o que... Ela disse. Não vai dar certo. — ele retruca, me deixando intrigada com a sua falta de fé em si mesmo. — Você quer me ajudar? Ótimo. Então me ajude a pensar em um plano B.

Com este pedido, eu não fico surpresa. Era óbvio que quando soubesse como o bracelete funciona, Loki ia querer trapacear de alguma forma. Isso parece ser tão típico dele... Não é a toa que ele é o Deus da Trapaça, não é?

O problema é que agora ele está sem os seus poderes e, portanto, impossibilitado de sair daquela situação de outra forma, que não seja como Frigga orientou.

Desta forma, eu argumento:

— Não existe plano B. Ela foi bem clara. E quanto mais cedo você aceitar isso, melhor.

Loki volta a caminhar pela sala, visivelmente inconformado e até um pouco transtornado com aquele impasse. Por um momento, me lembro de quando o encontrei no meio daquela tempestade e de como ele ficou andando feito barata tonta na frente do meu carro.

Me convenço de que já está mais do que na hora dele se conformar com aquilo e aceitar as condições de Frigga e do bracelete feito por ela.

Confesso que não será nada fácil ajudar o Loki, mesmo que ele queira. Só que se ele não quiser ser ajudado, fica impossível de prosseguir com a minha missão.

De repente, tenho um estalo. Uma ideia surge em minha cabeça e quase vejo uma lâmpada se acender ao lado da minha têmpora. Não é uma ideia fenomenal, mas definitivamente, é o próximo passo. O primeiro foi entender exatamente o funcionamento do bracelete, certo? Muito bem. Agora, com o segundo passo, eu tenho que entrar na mente perturbada do Loki.

Determinada a colocar isso em prática imediatamente, me levanto do sofá, chamando a atenção do Loki, que para a sua peregrinação pela minha sala e me encara de volta.

Tentando ver aquela situação na qual me meti de um jeito profissional, eu digo:

— Eu acho que vou precisar de um briefing ou... Algo assim.

Pela expressão do gafanhoto, tenho a impressão de que falei em grego com ele.

— Do que você está falando? — Loki indaga por fim.

Resolvo ser mais clara e explico melhor:

— Eu preciso saber toda a história. Não só o que aconteceu com a sua mãe, por que você veio parar aqui, quem te mandou para cá ou o que você fez em Asgard para as coisas tomarem esse rumo, mas tudo. Eu preciso saber tudo sobre você, desde o começo, desde que você se entende por gafanhoto.

Um longo momento de silêncio se passa até que Loki ri sem humor e retruca cheio de pompa:

— Você é muito pretensiosa se acha mesmo que eu, um deus, vou me abrir com você, uma midgardiana insignificante.

Bem, por mais que eu esteja disposta a ajudar o Loki e tenha até pedido desculpas para ele pelas minhas piadinhas, paciência tem limite. Já chega. Está na hora de fazer aquele gafanhoto acordar para a realidade de uma vez.

Pensando desta forma, me encho de coragem e retruco de um jeito ácido:

— E você será muito burro se não se abrir com a única pessoa que pode te ajudar neste momento. E caso não tenha percebido, você pode ser um deus em Asgard, mas aqui, queridinho, você não passa de um midgardiano desprezível também.

Opa! Acho que ele não gostou muito do que eu disse. Sinto uma pontinha de medo, quando seu olhar congelante paira sobre mim e me analisa minuciosamente.

Porém, mais determinada do que nunca, eu enfrento o medo e acrescento:

— Eu não posso te ajudar a consertar os seus erros, se não sei onde, como, quando e por que você começou a errar.

Tudo bem, o Thor até me contou o que o Loki aprontou em Asgard, e eu sei muito bem o que aquele tormento em forma de trapaceiro aprontou em Nova York, mas a verdade é que eu preciso ouvir a versão completa da história, saber todos os podres e barracos que rolaram naquela família asgardiana. E eu preciso ouvir a versão do Loki sobre tudo isso. Sem cortes.

— Quem disse que eu quero consertar os meus erros? Aliás, quem disse que foram erros? — ele insinua cheio de si, como se tivesse orgulho de cada deslize que cometeu.

Cansada daquele impasse, já que nós dois sabemos muito bem que ele não tem outra escolha, — afinal é mudar ou viver para sempre em Midgard naquelas circunstâncias — eu lhe dou as costas e caminho até a porta, dizendo com sarcasmo:

— Ótimo! Por que você não disse isso antes? Neste caso, boa sorte com o seu plano B. — abro a porta, me apoio nela, indico a saída com um meneio de cabeça, lhe lanço um sorriso amarelo e arremato: — A porta da rua é serventia da casa, chuchu. Passar bem e vai pela sombra.

Loki me encara novamente e desta vez não me arrisco a sequer me perguntar o que está se passando na sua cabeça.

Eu fui bem clara na boate e fui bem clara agora. Se ele quer a minha ajuda para sair daquela situação, terá que aceitar que as coisas não funcionam mais como ele quer. Loki está sem os seus poderes e sem escolha. Quando ele vai parar de fazer essas ceninhas e ser mais realista e colaborativo?

Paro de pensar nessas coisas, quando ele começa a caminhar lentamente na direção da porta, como se não tivesse pressa de chegar na saída ou como se ainda estivesse decidindo se iria mesmo passar por ela.

Durante todo o percurso, seus olhos frios e intimidadores estão fixos nos meus e a sua expressão é indecifrável.

Quando ele finalmente alcança a porta, seu olhar se volta para fora do meu apartamento. Na sequência, Loki dá mais um passo a frente e para no limite da soleira, com os braços atrás do corpo. Ele hesita e parece estar em um verdadeiro conflito interno.

Por fim, sua postura fica mais ereta e ele se volta na minha direção. Então, Loki ergue um pouco o queixo, me olha de um jeito superior — que não condiz com a sua atual situação — e fala:

— Eu odeio quando você me coloca contra a parede deste jeito. E essa é a segunda vez que você faz isso, midgardiana abusada.

Entendendo o que ele decidiu, eu rebato prontamente:

— Engraçado. Eu confesso que sinto certa satisfação quando você cede. — fingindo que me lembrei de algo, acrescento: — Ah! E essa é a segunda vez que você faz isso, só para constar.

Um leve sorriso de satisfação surge em meu rosto enquanto o encaro sem me intimidar, até que Loki me olha da cabeça aos pés brevemente e com desprezo, dá meia volta e caminha em direção ao centro da sala.

O observo até que ele para, gira nos calcanhares e encontra o meu olhar. Então, eu fecho a porta atrás de mim, cruzo os braços contra o peito, devolvo a grosseria, o medindo da cabeça aos pés também enquanto arqueio as sobrancelhas, e finalmente o incentivo a abrir o seu coraçãozinho asgardiano:

— Muito bem. Pode começar. Do começo.

Notas finais
Gostaram? Curtiram? Sim? Não? Maybe? Querem mais? Oi? Well, e agora, sociedade? Olivia chamou Lokito na chincha e agora ele terá que abrir o seu coraçãozinho para ela. Bem, adianto que eu não escrevi o gafanhoto contando tim tim por tim tim da sua vida porque achei que ficaria cansativo, nós já conhecemos a história do moçoilo e para dar mais dinamismo para a trama optei por começar o próximo capítulo com a Olivia já sabendo de tudo, ok? Bem, conforme a Frigga disse aí, o Loki não precisa virar um santo (e convenhamos, se ele virasse um santinho ia ser muito chato, não ia ser o Loki), maaaaaaaaas, o gafanhoto terá que mudar um tiquin sim. Será que ele vai conseguir? E como será isso? Bem, já no próximo capítulo, a Olivia começará a bolar um plano... Se o Loki vai gostar das ideias malucas da moçoila, isso eu já não sei kkkkkkkk Ah! Quando a Olivia se casar com o Capitão América, em uma praia de Acapulco, sob um céu estrelado... Sintam-se convidados! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Ah! Antes que eu esqueça, será que a Olivia achou o gafanhoto sexy? Achou ou não achou? Bjs, gente! Inté o próximo capítulo e não vão me deixar tristinha aqui, viu? Quero minhas reviews senão eu vou pegar uma carona com o Homem de Ferro e sumir do mapa... Brinks. Mas não deixem de comentar, pois saber o que ocês estão pensando me incentiva muiiiiiiiito a continuar. This is it!