Trapaças do Destino

10 Chocolate e Cafézinho


Notas iniciais
Eu estou cada vez mais criativa para os títulos, né não? kkkkkkkkkkkkkkk Oi, gente!!! Estou chegando!!! E OMGOOOOOOOD Obrigada Natália Romanova e Bells W pelas recomendações LINDAS!!!! Quando eu entrei na minha continha aqui e vi que meu devaneio tinha ganhado dois presentes, fiquei tão happy e ao mesmo tempo sem acreditar e ao mesmo tempo mais happy kkkkkkkkkk Ai, meninas, vocês fizeram meu dia e minha semana com tais presentes. Obrigada!!! Dedico este capítulo para as duas, okay? Well, prosseguindo aqui, eu assisti Vings 2, maaaaaaas, não vou comentar nada aqui porque vai que alguém ainda vai assistir e eu fico dando spoilers, né? Maaaaas, eu amei! Maravilhoso, sensacional, tenso, sombrio, instigante, engraçado, ação e adrenalina escorrendo pela tela, tudo lindo e maravilhoso! Exceto por uma parte lá... Que eu não curti... Quem assistiu, deve saber do que eu estou falando, e quem não assistiu, provavelmente saberá também. Prosseguindo, hoje não vou me estender nas notinhas iniciais, maaas, saibam que eu amei escrever este capítulo e espero que vocês gostem também! Lá vai!

Uma coisa que aprendi nesses poucos dias de convivência com o traste do Loki é que com ele nada funciona de primeira. Eu sempre tenho que insistir e argumentar — no mínimo, duas vezes — acerca de algo que ele se recusa a entender ou fazer, para que enfim ele compreenda que não tem outra escolha e faça o que é necessário. Foi assim quando eu insisti para que ele me contasse toda a sua vida e foi assim com a... Louça.

Finalmente, depois de muita insistência e argumentação, o gafanhoto asgardiano entendeu que se quiser mesmo se libertar do bracelete algum dia, ele terá que seguir à risca tudo o que eu disser.

Bem, pelo menos, em relação à louça, o Deus da Trapaça parece ter entendido isso. Mas, sobre as roupas que eu comprei — inclusive sobre as cuecas maneiras que eu ainda fui gentilmente trocar na loja — Loki ainda não se manifestou. Estou esperando até agora que ele demonstre um pouquinho que seja de gratidão e me agradeça pelo meu gesto.

Mas, como estou me deliciando muito com a imagem daquele ser petulante lavando a minha louça com suas mãos caracteristicamente delicadas e que, provavelmente, nunca tinham tocado em um detergente na vida, resolvo não insistir para que ele me agradeça pelas roupas. Pelo menos, por ora.

Quando Loki finalmente termina de lavar a louça, sua expressão não é nem de longe a mais amigável. Ele, que me ignorou o tempo todo enquanto realizava tal tarefa, finalmente se vira na minha direção e me lança um olhar bem... Mortal.

Em outros tempos, eu estaria tremendo nas bases neste exato momento, mas agora tudo o que sinto é uma irresistível vontade de rir da cara de limão azedo do gafanhoto.

Porém, resolvo ser profissional, me contenho, faço um tremendo esforço para não rolar de rir no chão da cozinha mesmo e pergunto do jeito mais sério que consigo:

— E então? Como você está se sentindo?

Loki comprime os lábios e me fuzila com um olhar ainda mais raivoso e intimidante, antes de responder de um jeito seco:

— Humilhado, entediado, infeliz e revoltado.

Permito esboçar um leve sorriso ao ouvir isso. Em seguida, coloco a minha mão no seu ombro e replico:

— Bem, eu não posso dizer que não te entendo. Lavar louça, geralmente, faz a gente se sentir assim mesmo.

Quando o deus asgardiano olha na direção da minha mão em seu ombro, eu me dou conta do que fiz sem perceber e a afasto imediatamente dali.

Inexplicavelmente sem graça por ter tocado nele, eu limpo a garganta e recomeço:

— Mas você não está se sentindo uma criatura um pouco melhor por ter sido útil, lavando a louça para mim? Por ter feito uma boa ação, me ajudado, sido generoso e prestativo?

Sua resposta vem seca, curta e direta:

— Não.

Depois de absorver isso, eu resolvo insistir:

— Nem um pouquinho melhor? Mais puro ou quem sabe... Digno?

— Não. — Loki repete com uma expressão antipática. E depois de indicar o bracelete, ele completa com um resmungo: — E esta coisa nem se mexeu. Honestamente, eu não acho que o seu plano genial está funcionando, midgardiana imprestável.

É com certa surpresa que percebo que os xingamentos do deus trapaceiro não me abalam mais, muito menos fazem o meu sangue ferver.

Na verdade, depois da sensação estranha de ouvir aquele ser dizendo o meu nome com todas as letras, eu aceito que o gafanhoto me chame de qualquer coisa. Menos de Olivia.

Sendo assim, penso no que Loki disse há pouco e encontro uma explicação para o bracelete continuar no mesmo lugar:

— Você quase destruiu Nova York com aquele maldito exército de aliens, deixou o seu irmão sofrendo por pensar que você estava morto, entre outras maldades. Não vai ser lavando meia dúzia de copos, alguns talheres, uns dez pratos e umas cinco panelas que você vai se livrar do bracelete. Você tem que se tornar digno, gafanhoto. E para isso, precisa fazer as coisas de coração, sem esperar nada em troca e, de preferência, com um largo sorriso no rosto para que o universo veja como você está feliz praticando o bem.

Loki leva alguns instantes para assimilar meus argumentos e então rebate:

— Quer dizer que além de lavar a louça, eu tenho que ficar feliz com isso? Ficar feliz por ser humilhado por uma midgardiana insolente e desprezível como você?

— Ei! Quem disse que eu estou tentando te humilhar? — protesto indignada, colocando as mãos na minha cintura e encarando o Deus da Trapaça de um jeito firme. Mas então, quando o olhar dele se estreita sobre mim, eu comprimo os lábios por um instante e então admito: — Tudo bem, eu estou tentando te humilhar. Mas só um pouquinho. Muito pouco perto do que você realmente merece. — depois que ele estreita o seu olhar sobre mim mais uma vez, eu respiro fundo e decido recomeçar pacientemente: — Certo, vamos tentar outra coisa. Por que você não pratica um pouco de gratidão e me agradece pelas roupas que eu te dei mais cedo?

— Eu já disse. Porque eu não pedi nada daquilo. E também porque eu detestei todas aquelas coisas. Você tem um péssimo gosto, midgardiana. — ele retruca de um jeito... Insuportável.

Respiro fundo, contendo certa irritação, e me convenço de que Loki só está dizendo tudo aquilo para se defender. E o ataque é a sua forma favorita de defesa.

Além disso, eu confio plenamente no meu bom gosto. Isso porque Josh já me disse várias vezes que eu tenho um ótimo, refinado e impecável gosto para roupas. E quando o seu melhor amigo — gay — lhe diz algo assim, é porque é a mais pura e inquestionável verdade.

Sendo assim, meço o gafanhoto da cabeça aos pés, examinando atentamente aquela roupa ridícula, cafona e esverdeada que ele parece amar desfilar por aí, e retruco:

— Você quer mesmo discutir bom gosto, chuchu?

Entendendo o que eu quero dizer, Loki me fuzila com o olhar mais uma vez. Como resposta, eu simplesmente lhe dou as costas e abro a geladeira.

Enquanto procuro alguma coisinha para beliscar, decido recomeçar aquela conversa pela milésima vez:

— Olha, eu sei que pode não parecer, mas enquanto eu te humilho, eu também estou tentando te ajudar. Eu quero que você vá embora, asgardiano insuportável e, para isso, eu preciso que você se livre do bracelete. Mas, para que eu consiga te ajudar, você precisa deixar que eu faça isso. Como? É uma ótima pergunta. A resposta? Bem, colocando o seu orgulho de lado, prestando atenção no que eu falo, tentando executar direitinho cada tarefa que eu disser, procurando aprender a lição por trás de cada exercício e...

Me distraio ao ver um chocolate esquecido em uma prateleira, o pego e o abraço como se fosse uma barra de ouro, fecho a porta da geladeira e me viro na direção do Loki, pensando em concluir meu raciocínio. Mas, para minha surpresa, percebo que estou sozinha na cozinha.

— Macacos me mordam! — resmungo indignada enquanto caminho até a sala com passos firmes. Logo encontro o gafanhoto mal educado sentado no sofá, folheando uma revista qualquer e com um ar petulante. — Eu não gosto que me deixem falando sozinha. — digo entredentes.

— Então você não deveria falar tanto, muito menos coisas tão inúteis e muito menos de um jeito tão... Irritante. — ele retruca sem olhar para mim.

Respiro fundo, fecho os olhos e conto mentalmente até dez, enquanto me lembro da minha missão: cumprir o que prometi ao top model asgardiano e ajudar o traste do gafanhoto. Custe o que custar.

Pensando nisso, me acalmo, abro os olhos, me aproximo, sento na mesinha de centro, de frente para o sofá onde Loki se encontra e, delicadamente, retiro a revista de suas mãos enquanto digo:

— Com licença. — quando ele ergue o seu olhar nada satisfeito na minha direção, eu anuncio: — Último exercício do dia. Supondo que você pudesse voltar para Asgard e encontrar o Thor neste exato momento, o que você faria quando chegasse lá e se visse diante dele?

Sei que estou sendo ingênua, mas realmente espero que o estrupício do Loki faça um exame de consciência, demonstre algum tipo de arrependimento pelos seus erros e responda que iria se desculpar com o irmão. Mas, ao invés disso, o que ele diz é:

— Eu o mataria.

Me chamem de maluca e ingênua, mas eu acredito que, lá no fundo, Loki não está falando sério. Penso isso porque sei que ele está com raiva da coisa fofa do Thor, por ter sido banido para este Reino atrasado, sei que ele sempre se sentiu preterido em relação ao Deus do Trovão, sei que a sua melhor defesa é o ataque e sei que, por tudo isso, a sua primeira reação é dizer algo agressivo como aquilo.

No entanto, apesar de acreditar que o gafanhoto só disse aquilo da boca para fora, uma parte de mim se entristece, pois percebo que Loki vai me dar muito trabalho. Muito mesmo. Tipo, os Doze Trabalhos de Hércules multiplicado por infinito.

Sendo assim, não me resta outra escolha neste momento a não ser encerrar a minha missão por ora. E por isso digo:

— Por hoje é só, gafanhoto. — um tanto desanimada e distraída, dou um generosa mordida no chocolate e, inexplicavelmente, sinto o meu rosto ruborizar quando percebo que Loki está me observando atentamente. Engulo o chocolate constrangida, mas acabo vendo uma oportunidade e tanto para lhe ensinar uma última lição e, por isso, indago: — O que foi? Por acaso você quer um pedacinho?

— Por acaso você vai me obrigar a implorar por isso? — ele rebate.

Não consigo conter um leve sorriso diante daquele ser tão orgulhoso e, em seguida, respondo:

— Implorar não, gafanhoto. Tudo o que você precisa fazer é dizer as duas palavrinhas mágicas. Por favor.

Loki sorri com escárnio, deixando bem claro que não vai dizer as tais palavrinhas. E não posso negar que uma parte de mim fica muito feliz por isso, afinal vai sobrar mais chocolate para mim, não é mesmo?

Sendo assim, dou de ombros e estou prestes a dar mais uma mordida naquela guloseima, quando Loki me surpreende completamente ao segurar a minha mão no ar. Em seguida, ele a leva para perto de si e anuncia:

— Eu conheço duas palavras mágicas bem mais interessantes, midgardiana tola. — por algum motivo, não penso em puxar a minha mão de volta e apenas o ouço com atenção, como se eu estivesse hipnotizada: — Nem morto.

Então, Loki me surpreende mais uma vez, ao levar a minha mão para mais perto do seu rosto. Em seguida, ele aproxima o chocolate de sua boca e dá uma mordida em um pedaço da barra. Isso tudo sem desviar o seu olhar do meu.

Não sei se foi o gesto em si, a sua mão segurando a minha ou ainda o leve contato da minha pele com o gélido bracelete, mas sinto um frio surgir no meu estômago e se espalhar pelo meu corpo rapidamente, me deixando completamente arrepiada, mas com as bochechas incrivelmente quentes e, possivelmente, com uma cara de retardada.

Quando Loki finalmente solta a minha mão, eu levo algum tempo para trazê-la até o meu colo. Em seguida, engulo em seco e é como se eu ainda estivesse hipnotizada, pois simplesmente não consigo desviar o meu olhar daquela imagem: o Deus da Trapaça saboreando um pedaço do meu chocolate, com os olhos fechados e recostado no sofá de um jeito bem relaxado.

Quando o gafanhoto abre os olhos e me encara com uma sobrancelha levemente arqueada, eu pisco algumas vezes, despertando daquele transe esquisito e constrangedor, e ouço a sua avaliação:

— Nada mal para um doce midgardiano, mas claro que não se compara aos doces de Asgard.

— Claro... — eu murmuro sem perceber, fazendo o deus trapaceiro franzir o cenho, provavelmente confuso diante do meu estado meio catatônico.

Esta não sou eu. Eu não sei o que está acontecendo comigo, mas esta garota embasbacada diante do Loki, definitivamente, não sou eu.

Com raiva de mim mesma por ter me deixado abalar por uma atitude que não foi nem de longe um pouquinho sexy, fecho a cara, me levanto da mesinha e, enquanto caminho em direção ao meu quarto, encerro a conversa:

— Boa noite, Loki.

Estou quase adentrando o meu quarto, quando ouço a sua resposta:

— Boa noite, Olivia.

Detenho o passo imediatamente ao ouví-lo dizendo o meu nome pela segunda vez, em menos de vinte e quatro horas. E honestamente, não sei mais se isso me incomoda mesmo ou se na verdade... Eu gosto de ouvir o meu nome em sua boca.

O fato é que, instintivamente, olho para trás e vejo um sorriso discreto nos lábios daquele desgraçado. E por algum motivo desconhecido, eu sinto o meu corpo se arrepiar de novo.

Eca! Cruzes! Que horror! O que está acontecendo comigo? Esta não sou eu! Esta não pode ser eu!

Ainda estou tentando entender por que, de repente, estou me sentindo tão esquisita em relação ao gafanhoto, quando percebo pela sua expressão que ele está se divertindo com tudo aquilo.

É isso. Loki gosta de me ver sem graça, gosta de provocar certas reações em mim, gosta de me constranger. E isso tudo é mais uma estratégia de defesa. Ele se sente humilhado por mim e está tentando fazer o mesmo para se defender.

Então, a raiva que eu estava sentindo de mim mesma por permitir que Loki me abalasse daquele jeito logo passa a ser direcionada única e exclusivamente para ele. Concentro a minha raiva nele e percebo o quanto o odeio. É isso, eu odeio o Loki. Mais do que isso, eu não o suporto. E eu odeio e não suporto toda aquela situação na qual me meti.

Porém, como não posso e não quero desistir da minha missão, lhe lanço um olhar petulante e digo seca:

— Para você é Srta. Mills. Ou midgardiana, sem nenhum adjetivo no final.

Sem esperar por resposta e ainda me sentindo esquisita, lhe dou as costas e entro no meu quarto.

Para meu desespero, quando estou prestes a fechar a porta, ouço o infeliz dizer de um jeito... Sonso:

— Até amanhã... Olivia.

Bato a porta com força, depois de imaginar o gafanhoto explodindo e virando uma insignificante fumaça esverdeada.

No dia seguinte

Nada como uma boa noite de sono para colocar a cabeça em ordem, não é mesmo?

Digo isso porque acordei super disposta esta manhã e, graças a Deus, consegui enterrar aquele momento estranho de ontem, entre mim e o estrupício do gafanhoto, em um lugar bem escondidinho da minha mente perturbada. E não penso em resgatar tal lembrança tão cedo. Nunca, eu diria.

Tudo o que quero é tomar um banho relaxante e demorado, me arrumar como uma diva do mundo corporativo e ir para o trabalho.

Nunca pensei que eu fosse dizer isso, mas a ideia de ter que aguentar os meus chefes demônios em mais uma semana de trabalho que se inicia não parece tão ruim, quando eu lembro do meu conturbado final de semana na companhia daquele demônio asgardiano, cujo nome prefiro não pensar no momento para não estragar o meu dia.

Com um sorriso no rosto, tomo o meu banho demorado e quentinho. Depois disso, encaro o meu reflexo no espelho e, inevitavelmente, fico séria, pois conheço bem este momento do meu dia. Instantes depois, abro o pequeno armário do banheiro e engulo o meu antidepressivo com certa pressa e sem pensar muito nos motivos que me fazem precisar daquela medicação regularmente.

Volto a sorrir quando vou para o meu quarto. Me arrumo e me maquio, enquanto danço ao som de uma das minhas músicas favoritas que meu celular reproduz repetidas vezes: King of anything, da Sara Bareilles.

Finalmente abro a porta e dou alguns passos em direção à sala, segurando minha bolsa em uma mão e meu celular em outra. Detenho o passo, quando vejo o demônio asgardiano dormindo todo torto no meu sofá.

Ai que dó! Só que não...

Depois de lançar um olhar mortal sobre o dito cujo, coloco o meu celular no último volume e o deixo na estante, bem perto do sofá. Loki se mexe um pouco, mas só acorda de vez quando eu abro as cortinas, permitindo que a luz do Sol ilumine todo o ambiente.

Passo por ele, sem dizer nada, e sigo na direção da cozinha, caminhando a la Gisele Bündchen. Tropeço na mesinha de centro no percurso, mas me recomponho rapidamente e sigo em frente de cabeça erguida, como se nada tivesse acontecido.

— Bom dia... Olivia. — ouço Loki dizer, com um mau humor palpável.

— Bom dia, tormento. — respondo seca, antes de chegar na cozinha e abrir a porta da geladeira.

— Desligue essa coisa. — ele ordena num tom de voz mais alto que a música.

Um sorriso de satisfação se forma em meu rosto, mas eu o contenho antes que ele vire uma sonora gargalhada, e então respondo dissimulada:

— Oh! Desculpe! Eu te acordei? Não foi a minha intenção, querido gafanhoto. Eu pensei que você já estava acordado. Ou que nem tinha conseguido dormir neste sofá tão desconfortável. Mas, pelo visto você está se acostumando com a sua nova e dura realidade, não é? — fecho a geladeira, decidida a tomar meu café da manhã em alguma cafeteria no caminho do trabalho mesmo. Bem melhor do que ter que aguentar a companhia desta gentalha asgardiana.

Caminho até a sala, mas detenho o passo quando vejo Loki de pé, olhando para o meu celular em suas mãos. Desgraçado!

Sem muito esforço, ele descobre como parar a música e, em seguida, ergue o olhar na minha direção e me lança um sorriso displicente.

Sentindo um ponta de nervosismo, eu estendo a mão e ordeno:

— Devolve.

Para meu desespero, aquele... Ser retruca:

— Só se você disser as duas palavrinhas mágicas.

Respiro fundo, dou um passo a frente, parando bem diante dele, estendo a mão novamente e replico:

— Não tem graça.

— Não é uma piada. — ele rebate rapidamente e o meu sangue começa a ferver em minhas veias. — Se você quer mesmo me ensinar boas maneiras, não acha que deveria dar o exemplo de vez em quando... Olivia?

Controlo a raiva, abaixo a minha mão, lhe lanço um sorriso amarelo e articulo:

— Sabe... Quando eu era criança, um garoto na escola me importunou e quando eu cheguei em casa, super nervosa, contei tudo para a minha avó. E sabe o que ela me aconselhou a fazer? Ela disse que se o menino voltasse a me incomodar, eu deveria chutar os documentos dele. Sem dó nem piedade. Por sorte, o menino me deixou em paz e eu não precisei partir para tal violência. — vejo certa confusão no semblante do Deus da Trapaça e resolvo ser mais clara: — Eu só vou dizer uma vez, Loki. Devolva o meu celular agora ou eu vou colocar em prática o conselho da minha avó. Só que em você. — como ele continua confuso, eu direciono o meu olhar para uma área específica do seu corpo e reforço: — Desta distância, eu não consigo chutar, mas uma joelhada certeira deve resolver.

Ergo meu olhar em sua direção e vejo certo pânico em seu semblante. Ótimo, sinal de que ele finalmente entendeu a minha ameaça.

Prontamente, Loki me entrega o celular, depois recua um pouco e posiciona os braços na frente do corpo, como se quisesse preservar a integridade dos seus documentos.

Apesar disso, ele mantém a postura ereta, a cabeça erguida e um olhar petulante sobre mim, como se não quisesse admitir que ficou com uma pontinha de medo de uma midgardiana desprezível como eu.

— Bom menino. — digo com sarcasmo, depois de guardar o celular na bolsa e me afastar, indo em direção à saída do apartamento.

Abro a porta no exato instante em que Loki volta a se manifestar:

— Espera. Você vai sair assim? Sem servir o meu café da manhã?

Ele só pode estar brincando...

Conto até dez mentalmente, me viro para encará-lo e encerro o primeiro round do dia dizendo:

— Com este cérebro super evoluído, eu tenho certeza que você é plenamente capaz de servir o seu café sozinho. Tenha um bom dia, chuchu. E não quebre nada.

Não espero Loki responder. Saio do apartamento e fecho a porta atrás de mim.

Momentos depois, estou no meu carro, seguindo para o meu trabalho. Paro no caminho e compro um café expresso e um brioche. Depois continuo o meu percurso.

Algum tempo depois...

Certo, esqueçam o que eu falei antes sobre aguentar os meus chefes não ser tão ruim em comparação a suportar o demônio asgardiano. Digo isso porque os meus chefes começaram a semana ainda mais endemoninhados do que o de costume. Pior, eles resolveram aparecer no escritório logo cedo. Pior ainda, antes que eu chegasse na sucursal do inferno.

Geralmente, Mark Lee e John Lewis — os dois demônios — chegam no escritório por volta de meio dia, afinal eles são muito importantes para acordarem cedo como qualquer reles mortal.

E apesar de achar isso em parte injusto, eu gosto de passar algumas horas da manhã sozinha na Lee & Lewis Publicidade. É o tempo que eu tenho para programar o meu dia de trabalho com calma, resolver algumas pendências, organizar as salas dos ditos cujos, responder os primeiros emails do dia, regar as plantinhas do escritório — que vivem cabisbaixas, tadinhas, provavelmente absorvendo a energia negativa dos meus chefes — e preparar o meu espírito para o momento em que aquelas duas pestes em forma de gente cruzam a porta do lugar.

Sendo assim, imaginem o meu desespero quando cheguei esta manhã no escritório e me deparei com o Sr. Lee saindo da sala de reuniões, enxugando o rosto com um lenço, visivelmente transtornado e caminhando até mim enquanto resmungava:

— Isso são horas, Srta. Mills?

Exato, nem um reles "bom dia" eu mereço. Ah! E só para constar, eu não estou atrasada. Na verdade, estou até um pouco adiantada.

— Bom dia, Sr. Lee. Como foi o final de semana? — eu pergunto, tentando ser educada e gentil para desarmá-lo.

Não funciona e ele retruca ainda mais impaciente:

— Eu não tenho tempo para conversa fiada. Eu estou no meio de uma reunião muito importante e preciso, urgentemente, que a senhorita sirva um cafezinho para nós.

Nós quem? E que reunião? É o que me pergunto quando vejo meu outro demônio... Digo, meu outro chefe saindo da sala de reunião.

— Bom dia, Sr. Lewis. Como foi o... — começo a dizer enquanto ele se aproxima, mas sou brutalmente interrompida.

— Isso são horas, Srta. Mills? Francamente... Eu não pago o seu salário para que a senhorita chegue a essa hora! — ele diz.

Eu não estou atrasada! Mas será o Benedito?!

Estou pensando nisso, quando o Sr. Lee se vira para o sócio e questiona indignado:

— Você deixou o nosso futuro cliente sozinho?!

— Que futuro cliente? — eu pergunto confusa, quase implorando para que alguém me explique o que está acontecendo.

O Sr. Lewis me encara de um jeito antipático e desconversa às pressas:

— Não importa, Srta. Mills. Ele apenas nos contatou, marcou a reunião para hoje e, infelizmente, nós não tivemos tempo de avisar a nossa reles estagiária. Quem sabe se tivéssemos avisado, a senhorita não teria chegado tão atrasada, não é mesmo?

Respiro fundo e conto mentalmente até dez, antes de me defender:

— Eu não estou atrasada.

Desta vez, é o demônio do Sr. Lee que se manifesta de um jeito ríspido:

— Mas está parada na nossa frente, quando deveria estar fazendo o que eu ordenei. O café, lembra? É pra hoje! Para agora! Já!

Dito isso, ele se afasta e volta para a sala de reuniões. Em seguida, me volto para o Sr. Lewis, que também parece bem nervoso, e ele encerra a conversa questionando:

— O que você está esperando, Srta. Mills? O café! Ande logo!

Logo depois, o segundo demônio também volta para a sala de reuniões e eu me coloco em movimento imediatamente. Largo a bolsa na minha cadeira e sigo aos tropeços até a copa.

"Não sei para que tanto drama." É o que penso enquanto faço o café na máquina.

"Aposto que essa prospecção não vai dar em nada. Incompetentes do jeito que são, aqueles dois demônios vão acabar estragando tudo." Penso na sequência, enquanto arrumo as xícaras cheias de café em uma bonita bandeja de couro.

No fundo, estou morrendo de curiosidade para saber quem é o tal cliente. Com certeza, deve ser alguém bem importante para ter agendado a reunião diretamente com os dois demônios e os feito acordarem cedo em plena segunda-feira. Quem será ele, hein?

Bem, só tem um jeito de saber. E é pensando em desvendar este mistério de uma vez que termino de arrumar a bandeja e me dirijo para a sala de reuniões.

Chegando lá, empurro a porta dupla com as minhas costas e entro um tanto distraída, olhando para a bandeja e dizendo:

— Com licença.

Ouço as cadeiras sendo arrastadas e ergo o meu olhar a tempo de ver os meus queridos chefes levantando. Eles se atrapalham, mas por fim, um deles — o Sr. Lewis — indica uma certa pessoa acomodada na cabeceira da mesa e diz:

— Srta. Mills, este é o Sr...

Meu chefe continua a apresentação formal, mas eu não estou prestando a menor atenção no que a besta do Apocalipse diz. Não preciso. Sua voz perde completamente a importância, pois assim que bato os meus olhinhos de noite serena no tal cliente misterioso, o reconheço imediatamente. E arregalo os olhos automaticamente.

A emoção e o nervosismo por estar a poucos metros do gênio, bilionário, playboy e filantropo Tony Stark — também conhecido como o Homem de Ferro — toma conta de mim. Estou chocada, emocionada, confusa e em pânico com esta situação.

Sem que eu consiga controlar, a bandeja começa a tremer em minhas mãos. Faço um esforço para estabilizá-la, mas é em vão. O tremor persiste, evolui e deve chegar ao nível 9 da Escala Richter em questão de segundos, porque o café começa a transbordar das xícaras, o recipiente com adoçante tomba para o lado e os cubos de açúcar parecem dançar Harlem Shake dentro do açucareiro.

Logo percebo que não são só as minhas mãos ou a bandeja que tremem, mas todo o meu corpo. E por mais que eu lute para me acalmar e parar de tremer, não consigo. Toda vez que olho para aquele ser... Divo e ele me encara de volta, a emoção se multiplica dentro de mim.

Tenho a impressão de que o Lúcifer 1 e o Lúcifer 2 gritam comigo, para chamarem a minha atenção, mas não consigo entender uma palavra que sai de suas bocas malditas. Não quando eu fico ainda mais maravilhada com a imagem de Tony Stark se levantando da cadeira e caminhando até...

Epa! O Homem de Ferro está caminhando até mim? É isso mesmo?

Tremo ainda mais.

Notas finais
E aí? O que acharam? Será que até o próximo capítulo a Olivia para de tremer nas bases? kkkkkkkkkkkkkkk Gostaram da ilustre presença do menino Stark? Well, espero que sim porque no próximo capítulo, ele vai divar kkkkkkkkkk Ah! E o Lokito comendo chocolate, hein? Humm... Sentiram o climinha? Alguma coisa está mudando, sociedade. Alguma coisa está mudando... E por mais que a Olivia relute em admitir isso agora, afinal ainda é cedo, em algum momento ficará difícil de negar que... Alguma coisa está mudando kkkkkkkk Ah! E os chefinhos fofos da Olivia? O que acharam dos trastes? Se vocês acharam que eles foram dois trogloditas com a Olivia, aguardem o próximo capítulo... E o Lokito finalmente lavou a louça! Aeeeeeeeeeeeeeee!!! Mas, pelo visto, não adiantou muita coisa. O gafanhoto ficou se sentindo humilhado e nem um pouquinho mais digno. Mas vamos ter fé porque a Olivia não vai desistir de amansar a fera. Por fim, uma perguntinha para ocês refletirem: se a Olivia ficou neste estado de tremedeira geral diante do Tony Divo Stark, como será que ela vai reagir quando conhecer o Capitão Gato América? Por falar nisso, já escrevi a participação do velhote kkkkkkk me aguardem! Por hoje é só, pessoal! Não esqueçam das minhas reviews, hein? Quero saber tudin! Bjs!