Notas iniciais
Oi, gente!!! Tô chegando com mais um capítulo feito com muito Sazón para ocês! Seguinte, quero agradecer a todo mundo que comentou o capítulo anterior e a todos que estão acompanhando a fic! Notei que tem bastante gente nova na área e fiquei muito feliz! Aliás, estou DESMAIADA com o alcance da fic, visualizações, comentários, tudin! Valeu mesmo, people! E saibam que isso me incentiva muito a continuar devaneiando este devaneio lokiano. Oi? Eu sei... Redundante. Well, não vou comentar nada sobre o capítulo aqui em cima, maaaaaaas, vejo ocês nas notas finais, of course. Boa leitura e divirtam-se!

Tremendo feito vara verde, como diz minha amada vózinha. É assim que estou me sentindo, quando o ilustre — e muito gato — Homem de Ferro para de frente para mim, na sala de reunião, e se oferece para me auxiliar com a bandeja:

— Deixe que eu te ajudo com isso, Srta. Mills.

Tenho a impressão de que ele frisa muito o meu nome e me encara brevemente, como se soubesse exatamente quem eu sou. Logo, deduzo que o top model asgardiano, o fofo do Bruce e o casalzinho apaixonado de Vingadores devem ter falado de mim e daquela missão maluca para ele. É claro que é por isso que Tony Stark está aqui. Ele está envolvido nisso, assim como os outros heróis.

Se pelo menos uma das minhas mãos estivesse desocupada, juro que eu bateria na minha própria testa por só ter chegado a essa conclusão óbvia agora. Mas, ao invés disso, eu continuo tremendo e fazendo tudo dentro da bandeja tremer junto comigo, como numa dança maluca e descompassada, até que aquele deus da indústria capitalista estende as suas lindas e másculas mãos e as coloca embaixo da bandeja.

— Sr. Stark, isso não é necessário. — ouço um dos meus chefes demoníacos dizer, mas não consigo parar de olhar para o moreno espetacular na minha frente.

Meu futuro marido que me perdoe, mas o Homem de Ferro é muito gato, viu? Ô lá em casa...

Sacudo a cabeça levemente, tentando manter o foco e a compostura. E se minhas duas mãos estivessem desocupadas neste momento, juro que iria me estapear loucamente por ter traído — em pensamento e por um milésimo de segundo — o grande amor da minha vida, mais conhecido como Capitão América.

A voz do outro demônio finalmente me desperta, quando o dito cujo diz de um jeito extremamente cretino:

— Ela é totalmente capaz de servir um cafezinho para nós.

Posso sentir o seu olhar fuzilador na minha direção, mas o ignoro completamente. Isso porque, estou convencida de que tenho que me concentrar em dizer alguma coisa logo, ou vou acabar passando por retardada. Isso se já não estou passando esta imagem. Será que estou?

— Ai meu Deus. — finalmente consigo dizer algo, enquanto meus olhinhos de noite serena brilham diante daquele ser tão divo na minha frente.

Se comporte, Olivia! Não aja como uma retardada!

— Me chame de Tony. — o Vingador gênio, bilionário, playboy e filantropo me corrige e pisca para mim, fazendo minhas pernas tremerem ainda mais e o meu cérebro virar geleia.

Lindo! Lindo! Lindo!

— Tudo bem, no três, você solta. — Tony Stark orienta na sequência, e eu paro de olhar para ele como uma pessoa desprovida de cérebro e me obrigo a prestar atenção na sua contagem: — Um. Dois... Três.

Solto a bandeja devagar e ele rapidamente a equilibra em suas mãos firmes e... Másculas. Em seguida, Tony se vira, dá um passo à frente e coloca a bandeja sobre a mesa, enquanto confabula com os seus botões:

— Vamos ver o que dá para salvar aqui... Humm. Nada. — e depois de se voltar na minha direção, ele dá de ombros e desconversa: — Tudo bem, eu não queria mesmo.

Fico muda por longos instantes, enquanto o observo minuciosamente, e quando abro a minha boca, tudo o que consigo é fazer uma constatação óbvia:

— Você é o Homem de Ferro.

— Sim, eu sou. — ele confirma, como se fosse mesmo necessário.

Pela minha visão periférica, vejo o Sr. Lee enxugar o rosto com um lenço impacientemente, antes de me repreender:

— Srta. Mills, isso é totalmente inapropriado.

Pode até ser inapropriado, mas caramba! É do Homem de Ferro que estamos falando! Como eu posso ficar quieta numa situação como essa, minha gente? Não dá, não consigo, não resisto e exclamo admirada:

— Nossa Senhora da bicicletinha sem freio! Você é o Homem de Ferro mesmo! Tipo... Mesmo!

Enquanto Tony arqueia as sobrancelhas e me encara intrigado, talvez tentando entender qual é a minha dificuldade em aceitar isso de uma vez, o Sr. Lewis me critica veladamente:

— Me desculpe, Sr. Stark, geralmente a Srta. Mills não fica tietando os nossos clientes desta forma constrangedora e infantil, mas...

Para minha alegria, Tony o interrompe e gesticula de uma forma descontraída:

— Tudo bem, eu entendo perfeitamente. Eu costumo mesmo causar essa admiração toda nas pessoas. É uma coisa natural, sobre a qual eu simplesmente não tenho o menor controle. Além disso, para ser bem sincero, até que eu gosto de ser tietado. Ainda mais por mulheres tão bonitas e inteligentes.

Lindo! Fofo! Lindo! Fofo!

Suspiro profundamente e murmuro o óbvio mais uma vez:

— Você é o Homem de Ferro...

Desta vez, Tony me encara um tanto incomodado e diz:

— Certo, agora isso está começando a ficar repetitivo.

Tenho que concordar com ele. Estou parecendo uma vitrola, um disco riscado, uma idiota. Por isso, tento mudar o meu repertório, abro minha boca e o que sai é:

— Você é muito... Gato! Nossa Senhora!

— Humm, eu gostei disso. — Tony admite cheio de si, porém em seguida, ressalva: — Mas a Pepper, com certeza, não iria gostar de ouvir a senhorita me elogiando assim. Ela é tão ciumenta... Louca, maluca por mim, sabe? E claro que eu entendo perfeitamente por que ela se sente assim. Até eu sou maluco por mim mesmo.

Enquanto penso no nome que o Homem de Ferro disse e me lembro que, de acordo com os tabloides, ele namora a executiva Pepper Potts, seu braço direito nas Indústrias Stark, o Sr. Lee me adverte mais uma vez:

— Srta. Mills, pelo amor de Deus, se comporte.

— Nos deixe sozinhos com o Sr. Stark agora mesmo. — o outro demônio exige na sequência.

Me preparo para zarpar da sala, rezando para não tropeçar em minhas próprias pernas no caminho, mas então, para minha surpresa, Tony se volta na direção dos meus chefes e anuncia:

— Bem, na verdade, eu vou ter que pedir para ela ficar.

— O quê? — os demônios dizem ao mesmo tempo, visivelmente surpresos e confusos.

— O quê? — eu emendo baixinho.

— A Srta. Mills tem que ficar porque a reunião é sobre ela. — Tony responde, como se isso fosse explicação suficiente.

Como não é, o Sr. Lee indaga:

— Como assim? Ela é só uma estagiária, Sr.Stark.

Ela é só uma estagiária. Não sei por que, mas essa frase soa um pouco ofensiva para mim. É quase como se o demônio tivesse dito que eu sou burra como uma porta, uma imprestável, alguém totalmente dispensável e desprezível.

Me entristeço quando chego a conclusão de que foi exatamente isso que o meu chefe quis dizer...

Mas então, para minha alegria e surpresa, Tony Stark — Ai meu Deus! É o Homem de Ferro! — se aproxima de mim, posiciona uma das suas mãos nas minhas costas e começa a me guiar para a mesa, enquanto argumenta:

— Uma excelente estagiária, pelo o que eu ouvi falar.

— O senhor já ouviu falar da Sr. Mills? — o Sr. Lewis indaga perplexo.

Mentalmente, eu respondo a sua pergunta, já que sei que foi o Bruce. Foi aquela fofura de ser humano esverdeado que falou de mim para o Homem de Ferro. Ai! Quando eu encontrá-lo, vou apertar tanto aquelas bochechinhas!

Como se tivesse lido os meus pensamentos — exceto a parte em que eu quero apertar as bochechas do Hulk — Tony Lindo Fofo Stark lança um olhar significativo para mim, confirmando minha suspeita. Ele está mesmo aqui por intermédio do Verdão.

Em seguida, para desespero dos meus chefes do mal e para minha glória, ele faz eu me sentar à cabeceira da mesa e depois se senta ao meu lado. Assim, ele fica de frente para os diabos, que também se sentam em suas respectivas cadeiras, e finalmente articula de um jeito bem firme:

— Na verdade, eu fiz a minha lição de casa, antes de me reunir com vocês. Fiz algumas ligações, conversei com alguns clientes da Lee & Lewis Publicidade e descobri que a Srta. Mills esteve envolvida diretamente em dez das dez campanhas organizadas por vocês nos últimos meses. E que se mostrou muito competente e engajada em tais projetos.

Logo entendo que Tony deve ter pedido para alguém da sua empresa, ou talvez até para a Viúva Negra, fazer uma breve pesquisa ao meu respeito. Deduzo também que ele não pode mencionar que, inicialmente, soube de mim por causa do Incrível Hulk.

Mas, um discreto sorriso se forma no meu rosto ao imaginar como meus chefes reagiriam se soubessem deste grande e verde detalhe. Eu poderia dizer, inclusive, que o Hulk está à caminho daqui, neste exato momento, e que está vindo especialmente para esmagá-los, como o diabo amassou o pão, só para ver os dois correndo apavorados pelo escritório.

Ainda estou imaginando os dois correndo feito duas baratas tontas, e sorrindo maquiavelicamente, quando Tony retoma:

— Por isso, eu tenho certeza que Olivia Mills é exatamente o que as Indústrias Stark precisam neste momento. Ela é esperta, inteligente, criativa, competente. Com certeza, vai dar uma nova roupagem ao departamento de criação da minha empresa. E é por isso que eu vou... Contratá-la. Não como estagiária, mas como funcionária efetiva.

Epa! Epa! Epa! O que foi que Tony — o Homem de Ferro! — disse mesmo?

É o que me pergunto mentalmente, mas o que sai da minha garganta é:

— Oi?

Por um momento, eu pensei que Tony Stark — o Homem de Ferro!!! — tinha vindo até o meu trabalho, apenas por causa da missão Salve um gafanhoto, para transmitir algum recado dos outros Vingadores ou até mesmo para contratar os serviços da agência, para assim se aproximar de mim e poder acompanhar a missão mais de perto. Eu tinha pensado em qualquer explicação, menos no óbvio. E o óbvio é que o Bruce realmente me indicou para trabalhar nas Indústrias Stark. Tô chocada! Nude! DESMAIADA!

Meus chefes também parecem bem chocados ao entenderem o verdadeiro motivo da presença de Tony Stark aqui. Isso porque está bem claro que ele não veio para contratar nossos serviços publicitários, mas sim para me levar embora deste inferno na Terra, para levar embora a estagiária faz-tudo destes dois demônios boquiabertos diante de nós.

E apesar de chocada, nada pode descrever o prazer mórbido que estou sentindo agora, quando percebo certo pânico nos olhares dos meus chefes. Ou seriam ex-chefes?

— Eu não estou entendendo... — o Sr. Lee murmura atordoado. — O senhor quer contratar a Srta. Mills?

Meu nome é pronunciado com desdém e incredulidade, o que me leva a fuzilar meu chefe possuído com um olhar mortal, mas que ele, convenientemente, ignora.

Talvez percebendo que já perdeu o cliente mesmo e que foi feito de idiota por um magnata playboyzinho, o outro demônio resolve jogar sujo:

— Isso seria um erro. Um grande erro, Sr. Stark. — e para meu desespero, o infeliz ainda enumera: — A Srta. Mills é atrapalhada, insolente, mal educada, incompetente... Ela já estava com os dias contados aqui e, por isso, eu me vejo na obrigação de alertá-lo. Com certeza, ela vai colocar fogo na sua empresa na primeira semana. No primeiro dia, eu diria.

Tony hesita por um instante e me olha, como se estivesse me perguntando se eu sou mesmo um desastre ambulante como o meu chefinho lindo descreveu.

Como resposta, eu faço minha melhor imitação do Gato de Botas, lançando um olhar meigo e inocente na direção do meu futuro chefe, e ele parece se convencer de que tudo aquilo é apenas intriga da oposição.

Por fim, Tony volta a encarar os filhotes de Lúcifer e argumenta de um jeito seguro e... Fofo:

— Senhores, por favor. Ao invés de tentarem denegrir as habilidades profissionais desta jovem tão... Adorável e peculiar, eu acho que vocês deveriam se preocupar em contratar alguém tão competente quanto ela, afinal, no que depender de mim, a Srta. Mills não precisa passar nem mais um minuto aqui.

Uma onda de felicidade me inunda ao ouvir Tony — o Homem de Ferro!!! — comprando o meu peixe deste jeito. E fico ainda mais feliz, quando olho para o Sr. Lee e para o Sr. Lewis e vejo mais revolta em suas expressões incrédulas.

Como eu esperei por esse dia, meu Deus! O dia em que eu finalmente poderei chutar aqueles dois traseiros gordos da minha vida e sair desta sucursal do inferno de cabeça erguida.

Exalando felicidade e permitindo que um largo sorriso se forme em meu rosto, eu me inclino na direção de Tony — o Homem de Ferro!!! — e, me lembrando de como ele vem me chamando até então, digo de um jeito gentil:

— Me chame de Olivia, chefinho.

Tony assente com um sorriso discreto na minha direção e, em seguida, pergunta:

— Bem, então eu acho que nós podemos dar esta reunião como encerrada, certo? O que você me diz, Olivia?

— Eu acho que ela já durou tempo suficiente, Sr. Stark. — digo com um ar formal, apenas para provocar meus ex-chefes demônios do mal. E por falar nessas bestas do Apocalipse, volto minha atenção para os dois, respiro fundo e, me sentindo a última Coca-Cola no deserto, digo cheia de mim: — É com grande pesar e com o meu coração em frangalhos, que eu terei que pedir a minha carta de alforria. Foi um prazer ser escravizada pelos senhores. Só que não.

O Sr. Lee e o Sr. Lewis me encaram ESTUPEFATOS e, por um milésimo de segundo, chego a pensar que eles vão cair em lágrimas e me implorarem para ficar.

Os dois podem até achar que eu sou uma insolente, mas eles também sabem muito bem que vão ter que se virar nos trinta para suprir a minha ausência e estão apavorados com isso.

Por fim, Tony se levanta da mesa e anuncia:

— Bem, se os senhores me dão licença, eu preciso ir. Eu estou trabalhando em uma nova armadura, e ainda tenho que pedir para o RH cuidar da contratação desta gênia do ramo publicitário.

Aproveitando o embalo, me levanto também e sigo Tony a passos largos e um tanto desajeitados. Mas pelo menos, eu não tropecei em nada.

— Srta. Mills? — ouço meus ex-chefes chamando mansamente, como dois carneirinhos que nem de longe lembram os demônios desalmados que realmente são.

Giro nos calcanhares e, enquanto ando de costas em direção à saída, aceno para eles e me despeço com um sorriso no rosto:

— Adiós, muchachos!

Me viro e meu pé direito enrosca no carpete. Me desequilibro um pouco — muito — mas me recomponho rapidamente. E de cabeça erguida, saio e fecho a porta atrás de mim.

XXX

Depois de pegar minha bolsa sobre minha ex-mesa, acompanho Tony até a saída do escritório e paramos diante do elevador. Então, eu volto ao planeta Terra e pergunto humildemente:

— Tudo bem, isso foi maravilhoso e lavou a minha alma, mas falando sério, quando é a minha entrevista?

O Vingador divo se volta para mim, me encara de um jeito confuso e rebate:

— Que entrevista?

Engraçadinho...

Certo, por um momento, durante aquela reunião maluca, eu até cheguei a pensar que o ilustre Tony Stark iria me contratar apenas com base na indicação do Bruce. Mas convenhamos, ele seria muito maluco se fizesse isso realmente, não seria?

Eu sei muito bem que o fofíssimo do Bruce deve ter contado para o gatíssimo do Tony que a minha relação com os meus chefes demônios era um verdadeiro martírio e, talvez por isso, o Homem de Ferro — Ai meu Deus! O Homem de Ferro!!! — quis me proporcionar uma vingancinha básica. Mas, agora o teatro acabou. Estamos de volta à vida real e, sendo assim, eu preciso provar que sou capacitada e competente o bastante para ganhar o emprego dos meus sonhos.

Antes que eu transforme tais pensamentos em palavras, Tony deduz o que está se passando na minha cabeça e articula:

— Eu não preciso te entrevistar, Olivia. Digamos que você já provou o seu valor. — diante da minha expressão surpresa, ele aperta o botão para chamar o elevador e completa: — É isso mesmo, pode comemorar. Você é a mais nova contratada das Indústrias Stark. Parabéns! Enche a cara por mim, tudo bem?

— Ah! Fala sério! — exclamo ainda mais surpresa e até indignada. Mas, ao perceber que estou soando como uma má agradecida, recomeço de um jeito mais contido: — Digo... Simples assim? Sem nenhuma entrevista de verdade? Sem nenhum teste de aptidão?

— Oh... Desculpe, mas eu não faço mais o teste do sofá. Eu sou um homem comprometido agora. — Tony diz tranquilamente, e eu abro a minha boca até o limite, tamanho o meu espanto e constrangimento diante da sua brincadeirinha inocente. — Além disso, eu fiquei sabendo que você está interessada em um certo velhote. — pega de surpresa, fecho a boca e ele prossegue: — E isso é ótimo! Eu dou todo o apoio. Alguém tem mesmo que tirar o atraso do Capicolé. Quem sabe ele melhora aquele humor, não é? Ou melhor, aquela total falta de senso de humor. Velho chato...

Apesar das suas palavras de incentivo, fico um pouco sem graça por ouvir essas coisas, ainda mais porque envolve a minha alma gêmea. Então, procuro retomar o assunto inicial:

— Ãn... E quando eu devo começar no meu novo emprego, chefinho?

Rapidamente, Tony responde:

— Logo depois que uma certa Rena voltar para o Polo Norte.

Rena? Polo Norte?

Okay, levo apenas alguns segundos para entender que o Homem de Ferro — o Homem de Ferro!!! — está se referindo ao gafanhoto e a Asgard. E, imediatamente, respondo:

— Mas isso pode demorar séculos! — ao perceber que ele não gostou da minha previsão pessimista, eu amenizo com muito otimismo: — Ou... Alguns dias. — em seguida, um questionamento surge em minha mente e, me sentindo constrangida, já que mal comecei a trabalhar para as Indústrias Stark, tento sondar: — Então como eu vou fazer para me manter... Para me manter...

Engasgo com as palavras, incapaz de prosseguir, e Tony me ajuda:

— Financeiramente?

— Isso! — confirmo com certa empolgação, mas em seguida, me contenho e prossigo sem graça: — Como eu vou fazer para me manter... Financeiramente até o fatídico dia em que eu terei a honra de chutar o traseiro da rena rumo à ponte do arco-íris?

Esclarecendo, ponte do arco-íris... Bifröst, okay?

— Não se preocupe com isso, Olivia. — Stark me tranquiliza na sequência. — Eu pedirei para a Pepper providenciar um adiantamento. Ah! E uma bonificação também, afinal aguentar o irmão problemático da Barbie não deve ser nada fácil.

Barbie... Barbie... Barbie! Certo, ele está falando do top model asgardiano, mais conhecido como Thor, o Deus do Trovão. O loirinho fofo, fofo, fofo!

— Até que não tem sido tão ruim assim. — essas palavras simplesmente saem da minha garganta, sem que eu pense sobre elas, sem que eu entenda o que acabei de dizer ou por que disse.

Esperem um pouquinho aí... Por acaso, eu acabei de dizer que aguentar o traste, o estrupício, o tormento do Loki no meu cafofo, desfilando aquela fantasia ridícula para lá e para cá, não está sendo tão ruim assim? Cuma?

Acho que meu cérebro entrou em pane... Só pode ser isso.

— Você é boa! Por um momento, eu quase acreditei que você estava falando sério. — Tony diz, me despertando do meu estado de transe.

Imediatamente, pisco algumas vezes e tenho a impressão de que minto para mim mesma quando digo:

— É claro que eu não estou falando sério, bobinho... — sinto que não fui muito convincente, pois o Homem de Ferro me encara intrigado. Graças a Deus, eu sou salva pelo gongo. Digo, pela porta do elevador que finalmente se abre. — Você apertou o botão para subir. — constato, tentando mudar de assunto, mas também querendo entender por que ele fez isso.

— É porque eu estou indo para o terraço. — Tony responde tranquilamente, antes de entrar no elevador.

Eu seguro a porta, impedindo assim que ela se feche, e então suponho admirada:

— Ai meu Deus... Você veio voando para cá? Naquela armadura super... Fashion?

— Claro. Você já reparou no trânsito absurdo desta cidade? — Stark diz de um jeito irreverente. — Por acaso você quer dar uma volta? — me convida e eu, obviamente, fico tentada a aceitar.

Mas então, me lembro da minha avó e de que, segundo ela, muitas vezes, quando uma pessoa nos convida para fazer alguma coisa muito legal, essa pessoa só está fazendo isso por educação e nós não devemos aceitar, pois é feio ser inconveniente e oferecida.

— Você está falando sério? — pergunto, sorrindo largamente e ignorando o conselho da minha avó.

— Pode apostar que sim. — ele confirma com uma tranquilidade sincera.

Me sinto ainda mais tentada. Uma voltinha com o Homem de Ferro pelo céu de Nova York? Quem não ia querer um troço desses? Deve ser uma experiência e tanto! Uma experiência extracorpórea, eu diria!

Dou um passo à frente, disposta a entrar no elevador de uma vez e seja lá o que Deus quiser! Mas, surpreendentemente, eu paro no meio do caminho e hesito ao lembrar do... Loki.

Cruzes! Credo! Que horror!

Okay, que fique bem claro que eu não pensei só naquele trapaceiro insuportável, mas na minha missão de uma forma geral e até na minha avó novamente.

Sendo assim, desmancho o meu sorriso, enquanto me convenço de que, por mais que Tony Stark esteja realmente me convidando para pegar uma carona na sua armadura, isso não seria certo. Pelo menos, não neste momento.

Pensando desta forma, eu dispenso do jeito mais educado que consigo:

— Eu adoraria. Mesmo. Mas eu acho melhor não chamar muito a atenção por enquanto. Algo assim poderia sair na mídia, nas redes sociais e, de alguma forma, a Rena poderia ficar sabendo e então... Adeus missão.

Tony me observa por alguns instantes, enquanto avalia o que eu disse e, logo depois, concorda:

— Você tem razão. Fica para um outro momento. — após uma breve pausa, ele completa: — Então... Nos vemos por aí, Olivia. Boa sorte com a Rena. E tome cuidado.

— Você também. — eu retribuo antes de tirar a minha mão da porta. — Tchau, Tony. Vai com Deus, viu? — finalizo, enquanto ela começa a se fechar e ele manda uns beijinhos simpáticos para mim, que eu retribuo sacudindo minha mão no ar de um jeito que me lembra os Teletubbies na hora de dar tchau.

Finalmente sozinha naquele corredor, eu aperto o botão para chamar o elevador. Instantes depois, um deles chega, eu entro e aperto o botão para descer.

Algum tempo depois

Estou chegando ao meu prédio, quando avisto alguém do outro lado da calçada, parado em uma banca de jornal, folheando uma revista qualquer.

Imediatamente, estaciono meu possante de qualquer jeito no meio fio, saio dele às pressas, atravesso a rua e quase sou atropelada algumas vezes, até que finalmente paro diante de Bruce.

Sem erguer o olhar na minha direção e ainda fingindo que está lendo a tal revista, ele me alerta discretamente:

— Olivia, nós estamos perto do seu apartamento. O Loki não é um prisioneiro lá, ele pode sair, nos ver aqui...

— Bruce Banner, você é a própria encarnação da fofura! — eu o interrompo ofegante por causa da corrida até ali, e com isso, ele finalmente me encara. — E eu serei eternamente grata pelo o que você fez por mim. Obrigada, fofucho! — agradeço, antes de me aproximar mais um pouco, segurar o seu rosto e lhe dar um beijo estalado na bochecha. E mais um na outra. E na testa também. — Lindo! — finalizo, antes de apertar as suas bochechinhas ligeiramente coradas.

Antes que ele se recupere do meu rompante, entenda ao que estou me referindo ou diga qualquer coisa, eu me afasto e atravesso a rua correndo. Quase sou atropelada de novo, mas consigo chegar no meu carrinho sã e salva.

Então eu entro, aceno para o Incrível Hulk, que permanece imóvel — talvez ainda digerindo o que eu fiz ou se perguntando se eu sou maluca — e finalmente sigo para a garagem do meu prédio.

XXX

Fico alguns instantes parada diante da porta do meu apartamento, pois sei que tenho que inventar uma boa desculpa para ter chegado tão cedo. Também estou parada aqui porque preciso entender como eu, em sã consciência — até que se prove o contrário — pude dizer para Tony Gato Stark — o Homem de Ferro!!! — que aguentar o Loki não tem sido tão ruim.

Onde eu estava com a minha cachola quando disse uma asneira dessas? Eu hein...

Incapaz de encontrar uma explicação para isso e de formular uma desculpa para estar aqui à essa hora da manhã, eu abro a porta e entro imitando o Dino da Família Dinossauros:

— Querida, cheguei!

O silêncio impera no apartamento e, um tanto distraída, eu fecho a porta e giro nos calcanhares. Dou um passo à frente, mas logo detenho o passo seguinte, tomada pela surpresa que se acomete sobre mim.

Isso porque vejo Loki saindo do toalete. Mas não com a sua habitual e cafona fantasia de cosplay de gafanhoto. Desta vez, o Deus da Trapaça está vestido com uma das roupas mais elegantes que eu lhe dei, e os seus cabelos estão ligeiramente molhados do banho, que ele deve ter tomado minutos antes da minha chegada.

Surpreendentemente, as peças caíram muito bem no seu corpinho de gafanhoto. Mais do que isso. Eu tenho que admitir que, se a versão midgardiana do Loki é daquele jeito, então Josh e Amy estão completamente certos quando se referiram à ele como um... Gato.

Epa! Epa! Epa! Planeta Terra chamando Olivia Mills! O que foi que eu acabei de pensar mesmo? Loki... Um gato?

Tento me convencer de que estou imaginando tal absurdo e procuro retomar o foco, mas, tudo o que consigo fazer é dar um discreto confere no gafanhoto, enquanto meu rosto fica mais quente e — droga! — vermelho.

Talvez percebendo isso e se divertindo internamente com a minha súbita privação de razão e constrangimento, Loki me lança um sorriso torto, arqueia sutilmente as sobrancelhas, ergue um pouco os braços e indaga:

— Algum comentário, midgardiana?

Comentário, comentário, comentário... Preciso de um comentário urgentemente para provar que não estou mexida com esta cena diante dos meus olhos!

Mesmo porque eu não estou. Que fique bem claro. Eu só estou... Surpresa. Sim! É isso! Eu estou surpresa. Não só com o que estou vendo, mas também porque o gafanhoto não me xingou desta vez.

Aliás, por que ele não me xingou desta vez? Era tudo o que eu precisava para acordar deste... Transe maldito e patético!

Planeta Terra chamando Olivia Mills! Planeta Terra chamando Olivia Mills! Olivia Mills, responda! Olivia Mills?

Loki arqueia mais as sobrancelhas, como se estivesse cobrando a minha resposta, e eu finalmente desperto. Pisco algumas vezes, terminando de me recompor e, por fim, me obrigo a dizer qualquer coisa:

— Você está... Você está... — pigarreio, antes de completar: — Apresentável.

Sinto o meu rosto ruborizar ainda mais, porém, por sorte Loki fica um tanto distraído, avaliando o que eu falei. Ele abaixa os braços, desvia do meu olhar e tenho a impressão de que ficou decepcionado com o meu elogio simplório. De certo, estava esperando algo mais, algo mais, mais... Mais. Ponto.

O silêncio entre nós começa a ficar embaraçoso e, por isso, eu resolvo dizer de uma vez:

— Eu fui demitida.

Ótimo, consegui chamar a atenção de Loki novamente. Mais do que isso, consegui fazê-lo voltar ao normal, já que ele me fita, lança um sorriso displicente na minha direção e debocha:

— Bem feito.

O fuzilo com um olhar mortal, embora no fundo, eu esteja feliz por termos voltado ao nosso típico jogo de gata e rato/gafanhoto/rena.

— E o que você aprontou para isso acontecer, midgardiana insolente?

Graças a Deus! Uma ofensa! Um mísero xingamento! Voltamos mesmo ao normal!

— Não é da sua conta. — retruco, cruzando os braços contra o peito. — Posso saber o que a mademoiselle ficou fazendo durante a minha ausência? — mudo de assunto, antes que o deus trapaceiro perceba que ao invés de triste, eu estou soltando rojões por ter perdido o emprego. Na verdade, me demitido depois de receber uma oferta muito melhor. — Além de se arrumar como uma mocinha, é claro. — eu completo com escárnio.

Loki parece não gostar dos termos mademoiselle e mocinha, mas acaba respondendo:

— Eu estive pensando.

Vixe... Loki pensando. Isso nunca é um bom sinal. Só Jesus na causa...

— Pensando no quê, cara pálida? — questiono temerosa.

Seu sorriso se abre mais, quando ele revela tranquilamente:

— Em um plano B.

Oh não... De novo essa história de plano B? Really?

Por um momento, cheguei a pensar que o gafanhoto asgardiano tinha entendido que a única forma de se livrar do bracelete é seguindo à risca todas as orientações de Frigga e também as minhas. Mas, pelo visto, aquela coisinha teimosa não desistiu de tentar uma trapaça ali e outra acolá.

Impaciente, eu reviro os olhos e, prevendo uma longa discussão sobre aquilo, murmuro:

— E lá vamos nós…

Notas finais
E aí? Gostaram? Se divertiram? Sim? Não? Talvez? Ahahahahah eu curti muito escrever este capítulo, meu povo e minha pova! Adorei esta singela participação do menino Stark e, não se preocupem, ele vai voltar a aparecer por aqui, okay? Sobre o emprego novo da Olivia, algumas leitoras chutaram e acertaram eheheheheh Mas, conforme o Tony Lindo Stark mencionou, a Olivia só vai começar de fato, depois que a situação da Rena (lê-se Loki) estiver resolvida. A questão é: a situação será mesmo resolvida? Muaaaaahhhhhhh Oi? Well, gostaram das reações da Olivia neste capítulo? Tava toda assanhada para cima do moçoilo de ferro e futuro chefe, né? E toda feliz por se livrar dos seus chefes demônios do mal eheheheh E a breve aparição do Bruce sendo beijado por essa louca? kkkkkkkkkk Tadinho, ficou todo sem graça. E essa história de plano B do Lokito, hein? Quando a gente pensa que o danado tá cedendo um pouquinho, ele me aparece com essa? Xiiii... E lá vamos nós. Mas, pelo menos, ele vestiu uma das roupinhas novas, né? Já é alguma coisa kkkkkkkk Por falar nisso, só para constar: apresentável = muito gato! People, espero que tenham curtido, me deixem saber o que ocês acharam nos coments e inté o próximo capítulo! Bjs!