Trapaças do Destino
19 A paciência é uma virtude
Notas iniciais
Antes
Enquanto espero o estrupício do Loki trazer o meu café, dobro e desdobro um guardanapo sobre a mesa e sinto que Josh está me observando minuciosamente. Intrigada com isso, ergo o olhar em sua direção e pergunto um tanto sem graça:
— O que foi?
Com um leve sorriso no rosto e um brilho no olhar, meu melhor amigo responde sem pestanejar:
— Você está muito apaixonada pelo Tom.
Epa! O que foi que Josh acabou de dizer? Eu, Olivia Mills, apaixonada pelo Tom? Digo, pelo Loki? Cruzes! Eca!
E agora? O que devo fazer? Não posso negar, já que isso iria acabar com a farsa. Mas também não posso confirmar, afinal, isso seria bem estranho e uma mentira deslavada. Sim, porque é mentira! Eu não estou apaixonada pelo Deus da Trapaça! Eu não poderia, não faria algo tão estúpido. Com certeza, estou apenas me saindo muito bem no papel de namorada apaixonada. Devo ser uma ótima atriz, só isso.
— Você acha? — é tudo o que eu consigo dizer, já que assim não estou nem confirmando nem negando esse absurdo.
Josh toma um gole do seu café, depois se recosta na cadeira, me analisa por alguns instantes, que parecem durar uma eternidade, sorri e finalmente responde:
— Está estampado na sua cara, Liv. No jeito que você olha para ele. É como se ele fosse... Sei lá... Um deus ou algo assim.
Era só o que me faltava! Será que estou olhando para o gafanhoto asgardiano com cara de retardada apaixonada?
Bem, uma coisa não dá para negar, Loki é um deus. Então, de certa forma, o que o meu amigo disse faz mais sentido do que ele pensa. Mas, fora isso, o resto não tem o menor cabimento. Eu não estou apaixonada por aquele traste! Estou apenas fingindo. Sou uma ótima atriz. Só isso.
Pensando desta forma, visto minha máscara, sorrio e mantenho a farsa:
— O que eu posso fazer? Parece que o cupido me flechou mesmo.
Josh sorri, visivelmente feliz por mim, e sinto uma ponta de culpa por estar mentindo para ele. Reprimo essa sensação ao repetir para mim mesma que eu não tenho outra escolha. Mesmo assim, sinto-me meio desconfortável.
Talvez entendendo isso como um acanhamento natural de alguém que está perdidamente apaixonada, Josh muda de assunto:
— Então, o seu aniversário é daqui a algumas semanas. O que você pretende fazer?
Sei que a intenção do meu amigo foi boa, mas a sua pergunta acaba trazendo lembranças dos meus aniversários e, consequentemente, da minha avó. E isso faz o meu peito doer automaticamente e um vazio me torturar, me afogando aos poucos.
Incapaz de lidar com o meu trauma, eu fico um pouco tensa e minto, mais para mim mesma do que para ele:
— Você sabe muito bem. Minha avó virá me visitar. Nós sempre comemoramos esta data juntas.
Josh me encara por algum tempo e com uma compaixão que me incomoda profundamente. Em seguida, ele balbucia:
— Liv...
— O assunto proibido continua proibido. — o corto rapidamente, pois sei bem o que ele pretende quando diz meu apelido neste tom de voz.
— Até quando? — meu amigo questiona na sequência, me deixando ainda mais tensa e incomodada. — Até quando você vai viver em negação desse jeito, Liv? Eu sei que é difícil aceitar, que é doloroso admitir, mas... Você sabe muito bem, a sua avó... Ela não vai aparecer.
Amasso o guardanapo com força em minha mão e peço um tanto atordoada e com raiva:
— Cala a boca.
Para meu desespero, Josh insiste no assunto proibido:
— Liv, por favor.
— Eu disse para você calar a boca! — cuspo as palavras, o fitando duramente. Mas, em seguida, me sinto culpada, já que no fundo sei que Josh só quer o meu bem, só está tentando me ajudar. Então, sentindo aquela dor no meu peito se alastrar como uma praga dentro de mim, peço com a voz embargada: — Por favor. Eu não consigo.
Longos instantes se passam, enquanto Josh me encara com uma expressão sofrida, de alguém que se vê com as mãos atadas. Logo depois, ele desvia do meu olhar, toma mais um pouco do seu café e aconselha:
— Você devia retomar a terapia.
Eu devia, mas não quero. Não gosto, não me sinto bem. Odeio aquela maldita terapeuta e as coisas que ela fala. Aquela Bruxa Má do Oeste! Aquela mulherzinha inconveniente e pedante que fica me induzindo a falar sobre coisas que eu não quero falar.
Vou fugir disso o quanto eu puder. Vou fugir até essa dor passar um pouco. Vou fugir até eu não sentir que estou me afogando toda vez que alguém me confronta com o assunto proibido.
Abro a boca para mudar de assunto, mas desisto, já que Loki finalmente volta para a mesa, se senta ao meu lado, empurra uma pelúcia do Caco e o café na minha direção, sorri de um jeito cínico e diz:
— Para você, querida. Verde como um gafanhoto, mas é um... Muppet.
Sei que a intenção deste traste foi me provocar, mas mentalmente eu lhe agradeço por me distrair, já que no mesmo instante paro de pensar no meu trauma e fuzilo o deus trapaceiro com o olhar. Logo disfarço, já que tenho que manter a farsa para o meu amigo.
— É lindo, Tom. Obrigada. — agradeço, sorrindo e acariciando o rosto dele. Só para manter a farsa, que fique bem claro.
Agora
Abro os olhos devagar e a primeira coisa que vejo é o Caco, sentadinho sobre a cômoda de frente para a minha cama. Lembro que o larguei lá, quando voltei para o meu cafofo com o Deus da Trapaça.
Eu devia jogar tal “presente” fora, mas uma coisa que Loki com certeza não sabe é que eu simpatizo muito com os Muppets, especialmente com o sapo verde. Claro que ele não é o meu amado Pica Pau, mas também é fofo, fofo, fofo!
Ainda pensando nisso, respiro fundo e me espreguiço na cama, afastando os resquícios de sono. Devo ter dormido a tarde inteira. Confirmo isso quando pego o celular sobre o criado-mudo e vejo as horas.
Logo, as três horas que dormi perdem a importância, já que vejo que recebi uma mensagem de Josh.
Me sento na cama e hesito um pouco, antes de finalmente abrí-la:
“Eu só queria ajudar, Liv, mas se você não está pronta para falar sobre o assunto proibido, tudo bem. Eu vou respeitar o seu tempo, apenas me desculpe e procure a terapeuta assim que possível.”
Sem conseguir ficar com raiva de Josh por muito tempo, sorrio levemente e envio a resposta:
“Tudo bem. Obrigada por tudo. E me desculpe também.”
A resposta do meu amigo chega logo em seguida, e é uma série de carinhas sorridentes e um convite:
“Sexta-feira, festa na casa da Vicky. Topa?”
Apesar de sentir que não estou muito no clima para festas, sei que se eu me isolar será pior. Sendo assim, me comprometo:
“Estarei lá.”
Josh envia outra mensagem na sequência:
“Não se esqueça do namorado, hein? ♥”
Vixe... Me esqueci completamente deste detalhe. Eu e a peste desalmada somos “namorados” agora, então não posso simplesmente deixá-lo de fora da minha vida social. Uma vez ou outra, tudo bem, mas neste começo de “relacionamento” tenho que fazer tudo certinho para não levantar suspeitas e comprometer a farsa.
Além disso, talvez eu possa ensinar alguma lição para o gafanhoto, o levando nessa festa. Ou apenas irritá-lo um pouco, o que já me deixaria bem feliz.
Pensando desta forma, sorrio de um jeito maquiavélico e encerro a conversa com o meu amigo:
“Estaremos lá.”
Em seguida, deixo o celular sobre o criado-mudo, levanto da cama, caminho até a porta, a destranco e saio do quarto.
Levo um baita susto, quando dou de cara com o tormento em forma de deus trapaceiro parado bem na minha frente, com a mão fechada e suspensa no ar. Constato que ele ia bater na porta, se eu não tivesse aberto antes disso.
Enquanto Loki abaixa a mão e me analisa atentamente, eu cruzo os braços contra o peito, sorrio e o provoco:
— Humm... Sentiu saudades, chuchu? Não podia esperar eu acordar, não? Ou ia ficar me espiando de novo enquanto eu dormia?
Loki ri diante das minhas perguntas e, embora eu não tenha gostado do jeito debochado que sua risada soou, tenho que admitir que ela me provoca uma leve onda de calor.
Enquanto tento conter essa sensação, o infeliz se defende:
— Em primeiro lugar, mesmo que, numa possibilidade remota, eu tivesse algum interesse em ficar olhando você babar no travesseiro, eu não poderia fazer isso, Olivia, já que eu ouvi quando você trancou a porta. E em segundo lugar, eu não te espiei enquanto você dormia esta manhã, eu ouvi você chamar o meu nome, enquanto... Sonhava comigo e resolvi checar.
Desgraçado! Não basta me acusar de babar no travesseiro, Loki ainda tem a pachorra de insinuar, de novo, que eu sonhei com ele?
Tenho quase certeza de que não sonhei, mas quando abro a boca, faço questão de fazê-la soar como uma verdade absoluta:
— Mesmo que, numa possibilidade remota, eu tivesse tido a infelicidade de sonhar com você, Loki, com certeza seria um pesadelo horrível. Daqueles de deixar a gente... — eu pretendia dizer “de cabelo em pé”, mas, por algum motivo, me perco no olhar do deus trapaceiro por um instante e o que acaba saindo é: — Arrepiada...
Engulo em seco e me recomponho, quando o olhar do dito cujo se estreita na direção do meu. Vejo um sorriso cretino e pretensioso se formando no seu rostinho e então faço questão de esclarecer:
— De medo! Arrepiada de medo!
Loki coloca as mãos para trás, enquanto desvia do meu olhar e ri levemente. Em seguida, ele volta a me encarar e recomeça:
— Certo, vamos esquecer essa questão por enquanto e nos concentrar no que realmente importa. Você voltou ao normal. — talvez percebendo que eu não entendi o que isso significa, o gafanhoto explica melhor: — Você ficou estranha, mais estranha, depois que conversou com o seu amigo desprezível. Mas, agora, ao que tudo indica, parece bem.
Eu não devia, mas sinto uma pontinha de felicidade quando percebo que, talvez, esse mequetrefe tenha ficado preocupado com o meu bem estar. Isso me deixa feliz por dois motivos. Primeiro porque prova que Loki é mesmo capaz de se importar com mais alguém, além dele mesmo e de Frigga, com quem, certamente, ele se importava. E o segundo motivo é que... Irracionalmente, eu gosto da ideia dele se importar comigo. Nem que seja só um pouquinho.
Sendo assim, não resisto e me ouço perguntando:
— Por acaso você ficou preocupado comigo, gafanhoto?
Loki parece um tanto desconcertado, quando desvia do meu olhar e responde secamente:
— Claro que não. Não seja ridícula.
Apesar disso, eu sorrio levemente sem que ele veja, pois me lembro de algo que minha avó sempre diz, que quando alguém evita olhar nos nossos olhos é um sinal de que está mentindo.
Enquanto penso nisso e contenho o sorriso, Loki prossegue sem olhar para mim:
— Eu fiquei preocupado com a minha situação, já que para minha infelicidade, eu preciso da sua ajuda e, sendo assim, preciso que você esteja em condições de me ajudar. — o Deus da Trapaça finalmente volta a me encarar e pergunta com uma expressão indecifrável: — Então... Você está?
Por um instante, me esqueço da sua pergunta e apenas o encaro. Mas, percebendo como estou sendo ridícula, me obrigo a responder do jeito mais natural que consigo:
— Com certeza. Inclusive, não entre em pânico, mas nós temos uma festa para ir na sexta-feira, chuchu.
Loki une as sobrancelhas, enquanto tenta assimilar o que eu disse. Ele não parece ter gostado da ideia, nem um pouco aliás, e isso fica claro, quando ele indica o bracelete e questiona um tanto impaciente:
— E como essa festa vai me ajudar a me livrar desta coisa, midgardiana insolente?
Dou de ombros e, antes de passar por ele e seguir em direção à cozinha, respondo:
— Eu acho que nós vamos ter que descobrir, gafanhoto. — enquanto Loki me segue, eu completo: — Não se preocupe, na pior das hipóteses, você vai se divertir um pouco. O que é bom, já que o seu humor está indo de mal a pior. Por falar nisso, como que você se aguenta?
Abro a geladeira e procuro alguma guloseima para beliscar, mas a coitada está praticamente vazia. Enquanto abro o armário, ouço Loki resmungar:
— Isso está demorando demais.
Reviro os olhos, bato a porta do armário, me viro na direção do Deus da Trapaça e retruco:
— Isso o quê, coração?
Como se eu tivesse feito uma pergunta óbvia, e talvez eu tenha feito mesmo, Loki gesticula rispidamente:
— Eu preciso me libertar deste bracelete estúpido, recuperar os meus poderes e voltar para Asgard! Logo!
Respiro fundo e procuro manter a calma, já que perder a linha não vai adiantar nada. Também procuro conter uma pontinha inexplicável de tristeza que se abateu sobre mim, ao ouvir o gafanhoto expondo o seu desejo de se livrar de mim.
Mas também, o que eu esperava? É claro que Loki quer se livrar de mim, de toda essa situação na qual nos metemos e voltar para Asgard. E é isso o que eu quero também, certo?
Me sinto um pouco sufocada ao tentar responder esta pergunta e resolvo sair um pouco. Então, passo pelo deus trapaceiro, cantarolando:
— A paciência é uma virtude.
Loki me segue a certa distância e, quando pego minha bolsa sobre a poltrona da sala, ele pergunta:
— Aonde você vai?
— Comprar suprimentos. — respondo sem olhar para trás e caminhando na direção da porta.
Logo deixo o apartamento e quando entro no elevador ainda estou tentando responder aquela pergunta. Eu quero me livrar do Loki, certo?
Penso um pouco e me obrigo a responder:
— Certo.
Algum tempo depois
Caminho entre duas prateleiras do supermercado e paro ao ficar hipnotizada pela seção onde encontra-se embalagens e mais embalagens de creme de amendoim.
Pode não ser algodão doce, mas também sou viciada nesta guloseima. Sendo assim, pego alguns potes e os coloco no meu carrinho, já abarrotado de porcarias calóricas, mas muito saborosas.
Então, com um largo sorriso no rosto, me viro e empurro o carrinho, pensando em ir para a próxima seção. Mas sou impedida de prosseguir, já que as rodinhas acabam esbarrando nos pés de alguém.
Surpresa e sem graça por quase ter atropelado uma pessoa com um carrinho de compras — quem nunca? — ergo a cabeça na direção da pobre criatura, pensando em me desculpar, mas engulo as palavras, quando reconheço Steve Rogers — meu ex-futuro marido — diante de mim.
Para variar, ele está lindo. Um pecado em forma de super soldado. Com roupas bem normais, que em nada lembram o seu uniforme super fashion, e com um boné azul bem escuro, ele me lança um discreto sorriso.
— Steve! Ai meu Deus! É você mesmo? — exclamo, sorrindo empolgada. — Não me diga que veio fazer umas comprinhas também? Aproveita porque hoje eles estão com umas promoções ótimas!
— Schhhh. — ele pede delicadamente, olhando tudo em volta.
Como estamos sozinhos nesta seção, Steve parece relaxar um pouco, e só então entendo que ele está disfarçado. Claro que ele tem que estar, afinal, além das possíveis piriguetes que devem correr atrás dele aos montes, ainda deve ter agentes remanescentes da HYDRA por aí querendo encontrar o Capitão América a todo custo. Enfim, vida de Vingador não é fácil.
E fora tudo isso, ainda tem o diacho da missão Salve um gafanhoto. Talvez Steve esteja aqui por causa disso, para me passar alguma orientação ou transmitir algum recado dos seus colegas de equipe, vai saber.
Querendo entender o motivo da sua aparição, indago baixinho:
— O que houve?
— Eu não sei ainda, mas preciso que você venha comigo até a Torre. O Bruce e os outros querem conversar com você. Eles não me deram mais detalhes. — o Capitão Lindo e Sarado América relata num tom de voz baixo, mas firme, não me dando outra escolha a não ser assentir com um meneio de cabeça e seguí-lo, enquanto empurro o carrinho aos trancos e barrancos. — Deixe as compras.
Meu coração praticamente para ao ouvir tal ordem. Então, detenho o passo, olho com certo pânico para o meu carrinho lotado de guloseimas, depois fito o Vingador lindo e loiro e murmuro:
— O quê?
Rogers detém o passo também e se volta na minha direção ao explicar:
— Desculpe, Olivia, mas nós não temos tempo para isso. O Bruce disse que é urgente. Ele parecia preocupado. Eu não sei o que está acontecendo, mas você precisa vir comigo agora.
— Mas... Mas... E o meu creme de amendoim? — choramingo, olhando para as dezenas de potes dentro do carrinho. — E as minhas jujubas? Me deixa levar as jujubas, por favor...
É a última coisa que digo, já que na sequência, Steve me segura pela mão e me guia pelo corredor até uma saída nos fundos do supermercado, onde ele deixou a sua moto estacionada.
Ele sobe, depois me ajuda a fazer o mesmo e orienta:
— Segure firme.
O Capitão não precisa pedir duas vezes. Seguro em sua cintura com força, deixando nossos corpos bem coladinhos — na inocência e na amizade, é claro — e me esqueço completamente das compras que deixei para trás.
Quais compras mesmo?
À medida que a moto se movimenta rapidamente pelas avenidas movimentadas de Nova York, fico imaginando a cara de limão azedo do Deus da Trapaça se me visse nesta situação. Agarradinha ao Capitão América.
Será que Loki ficaria com ciúmes?
Um sorriso bobo se forma no meu rosto ao pensar nisso e suspiro sem perceber. Mas, logo depois, procuro me recompor, afinal não quero que o Capitão Gato América pense que eu estou dando em cima dele de alguma forma ou que sou uma retardada. Aliás, nem sei por que suspirei ou por que fiquei feliz com a ideia de que aquele gafanhoto desprezível tenha ciúmes de mim. Devo estar ficando maluca. Só pode.
XXX
Finalmente, eu e Steve chegamos a Torre Stark. Ele deixa a moto em uma enorme garagem e depois seguimos por um dos inúmeros corredores desta verdadeira fortaleza.
Logo adentramos o laboratório onde eu fiquei por algumas horas, quando fui atropelada por uma bicicleta e Bruce me socorreu. E logo o reconheço entre Natasha, Clint, Thor e Tony.
Antes que eu possa cumprimentá-los, Steve solta a respiração com força e diz um tanto impaciente:
— Pronto, ela está aqui. Agora será que vocês podem me explicar o que está acontecendo?
— É uma ótima ideia. — concordo, só então reparando que os Vingadores diante de nós estão um tanto sérios. Demais para o meu gosto. — Ah! — bato em minha testa ao me lembrar de algo e me adianto: — Se for sobre a mentirinha inocente que eu contei para o meu amigo sobre eu e o gafanhoto, não se preocupem. Eu sei o que estou fazendo e não vou me envolver com aquele estrupício de verdade. Está tudo sob controle, okay?
— Isso não é sobre o meu irmão, Olivia. — a coisa fofa do Thor se manifesta. — Nem sobre a missão em si.
Por um instante, fico aliviada, já que o que eu menos preciso neste momento é de mais um sermão sobre não se apaixonar pelo vilão da história.
No entanto, em seguida, fico desconfiada. Intrigada. O que será que os Vingadores querem comigo então, minha Nossa Senhora?
— Então é sobre o quê? — pergunto, e só então percebo que Bruce está segurando uma espécie de prancheta com alguns papéis.
Depois de trocar um olhar indecifrável com os seus companheiros, ele se volta para mim e responde:
— É sobre você, Olivia, e a sua possível origem... — Bruce hesita, quando eu franzo o cenho sem gostar do rumo desta conversa, mas em seguida, completa: — Alienígena.
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