Notas iniciais
O capítulo de hoje é sobre Física. Hein? Oi, gente!!! Tô chegando com mais um capítulo!!!! Antes de mais nada, quero dizer que hoje de madrugada, eu estava lendo uns paranauês no Nyah e o site saiu do ar. Então, fiquei com medo do site entrar em manutenção (o que graças a Odin não aconteceu) e queria avisá-los (acho que vocês até já sabem) que eu também posto Trapaças do Destino lá no Social Spirit. Estou com o mesmo nome, só que tudo junto, então qualquer eventualidade é só vocês me caçarem por lá, blz? Quero dizer também que toda semana, eu vou postar singelas novidades sobre a fic no meu Twitter (Priniscinislais), então, querendo saber dos babados, é só me caçar por lá também. Tenho uma novidade (não é sobre Trapaças), mas vou contar nas notinhas finais! Sobre o capítulo de hoje, acho que é um dos mais importantes até agora, um divisor de águas. Espero que gostem! Boa leitura e não chorem!

Três anos atrás

Não sei onde estou ou o que aconteceu. Tudo o que sei é que meus pulmões doem, minha cabeça dói, meu corpo dói, minha alma dói.

Sinto que estou começando a despertar, mas ainda não tenho forças o suficiente para lutar contra o torpor que domina o meu corpo e que me impede de abrir os olhos.

No entanto, meus ouvidos começam a perceber pequenos sons à minha volta. A sirene de uma ambulância ao longe, passos apressados em um corredor, o bipe constante de um aparelho perto de mim. E uma voz... Uma voz feminina e gentil que praticamente sussurra:

— É um milagre ela ter sobrevivido, doutor.

— Nem me fale, Nancy. Eu ainda estou tentando entender como isso é possível. Em todos esses anos como médico, eu nunca vi alguém sobreviver a um acidente assim. Ela ficou quanto tempo submersa? Quarenta minutos? — uma voz masculina e grave sibila em algum lugar da minha mente.

— Talvez mais, doutor. — a tal Nancy responde.

Um médico e provavelmente uma enfermeira. Estou em um hospital.

O que aconteceu comigo? Como eu vim parar aqui? De que acidente eles estão falando? Eu estive submersa? Eu me afoguei? Minha cabeça lateja quando tento me lembrar e uma dor profunda domina o meu ser pouco a pouco.

Então, eu ouço o ruído de papéis sendo folheados e a voz masculina retoma:

— Tem alguma coisa errada com os exames dela. Refaça-os, por favor, Nancy.

— Sim, doutor. Eu vou providenciar uma nova coleta de sangue. — a enfermeira responde.

Sinto uma onda de desespero que se mistura à confusão que está a minha cabeça. Meu coração acelera e o bipe do aparelho, que parece estar bem perto de mim, se torna mais constante e ritmado.

— Não agora, Nancy. Ela está acordando. — ouço a voz masculina de novo e depois escuto os seus passos se aproximando de onde estou. — Srta. Mills? — ele me chama, enquanto luto para abrir os olhos.

Finalmente consigo e o branco do quarto quase me cega por alguns instantes. Em seguida, estreito o meu olhar e focalizo a figura de um homem de aproximadamente trinta anos me encarando. Ele usa um jaleco branco, tem um estetoscópio em volta do pescoço e usa óculos.

Percebo um discreto sorriso em seu rosto anguloso, como se ele estivesse diante de um milagre, e na sequência o médico diz:

— Oi, eu sou o Dr. Lance. Como você se sente, Srta. Mills?

— Péssima. — respondo, surpresa com o som quase inaudível da minha voz.

Minha garganta queima e o quarto parece girar por um instante. Enquanto isso, o médico parece sorrir largamente quando diz descontraído:

— Sinceridade. Eu gosto disso. — após um instante e enquanto a enfermeira se aproxima da cama, ele retoma mais sério, porém ainda de um jeito gentil: — Você passou por muita coisa, é normal que se sinta assim. Mas não se preocupe, você não corre nenhum perigo, está se recuperando melhor do que qualquer médico aqui poderia imaginar e logo poderá ir para a casa.

Casa. Férias. Texas. Fazenda. Minha avó.

Sinto o meu coração disparar à medida que vários flashes surgem em minha mente como um efeito dominó. Minha avó. Nossa discussão. O caminhão. O acidente. Nós duas nos afogando. A dor. A sensação sufocante de não conseguir respirar. A sensação desesperadora de morrer pouco a pouco. A sensação desesperadora de não conseguir morrer.

Em pânico, eu me lembro de tudo e tento me sentar, mas sou prontamente impedida pelo Dr. Lance, que coloca a mão no meu ombro e esclarece:

— Eu disse logo, não agora. Você precisa descansar. Não é exagero nenhum dizer que a senhorita nasceu de novo, mas o seu corpo precisa de algum tempo para se recuperar, tudo bem? Então, fique calma e deite-se...

— Cadê a minha avó? — questiono, tentando me livrar da mão do médico que continua firme no meu ombro. Só então vejo que estou com uma camisola azul típica de hospital. — Onde ela está? Ela está bem? — pergunto com um desespero crescente que se mistura à dor que continua se espalhando pelo meu ser.

O Dr. Lance e a enfermeira Nancy trocam um olhar cúmplice e sério, que eu não gosto nem um pouco. Depois disso, ela orienta calmamente:

— A senhorita precisa descansar e se concentrar na sua recuperação.

Droga! Eles são surdos?!

Atordoada e querendo respostas, questiono novamente sem qualquer paciência:

— Onde ela está?!

Para meu desespero, os dois trocam outro olhar misterioso, fazendo o meu peito ficar apertado. Sinto uma tristeza tão profunda que não consigo respirar por alguns instantes. Me obrigo a puxar o ar, quando meus pulmões clamam por oxigênio. Meus olhos ardem e minha garganta fica seca, como se houvesse um nó ali.

Por fim, o Dr. Lance me olha de um jeito piedoso e diz hesitante:

— Srta. Mills... Eu sinto muito...

Dias atuais

A palavra que Bruce disse sobre mim — alienígena — ainda ecoa nos meus ouvidos, enquanto o fito atônita e confusa. Na verdade, ainda não consigo acreditar no que ouvi, não consigo acreditar que ele sugeriu que eu tenho origens extraterrestres, não consigo assimilar isso e não consigo entender como, de repente, eu virei assunto de pauta para os Vingadores. Que palhaçada é essa?

— Muito sútil, Verdão. — Tony critica o amigo com certa ironia, enquanto lhe lança um olhar de soslaio.

Um tanto ansioso, Bruce tenta se explicar:

— Desculpe, mas não tem outra forma de dizer isso.

Steve me olha de canto, tão confuso quanto eu, mas não consigo lhe dizer nada, pois ainda estou digerindo o fato de que Bruce Banner, meu amigo fofo e Incrível Hulk nas horas vagas, sugeriu que eu tenho algum parentesco com o ET de Varginha.

Depois de ajeitar o óculos, que estava praticamente caindo do seu nariz, e talvez percebendo o meu estado de choque, Bruce recomeça com mais calma:

— Olivia, você se lembra quando nós perguntamos sobre a sua família?

Essa não... Assunto proibido.

Sentindo um aperto em meu peito, dou um passo para trás, mas paro quando sinto a mão de Steve em meu ombro. Olho para ele rapidamente e constato que, embora esteja tão confuso quanto eu, ele quer entender o que está acontecendo aqui, enquanto eu não tenho tanta certeza se quero descobrir, se consigo suportar essa conversa na qual o assunto principal remete ao assunto proibido. Meus pais, minha avó, meus traumas.

— Você disse que a sua avó e os seus pais eram de Midgard. — desta vez é o Deus do Trovão que se manifesta, me fazendo olhar para ele com certa decepção. Não gostei nem um pouco dele ter se referido a minha avó como algo passado. — Bem, você estava certa sobre a sua avó e sobre a sua mãe. Elas, definitivamente, eram mesmo deste Reino. Mas, sobre o seu pai, nós não podemos dizer o mesmo.

As palavras entram nos meus ouvidos, mas eu não consigo absorvê-las. E ainda estou tentando entender por que os Vingadores estão tendo esta conversa comigo, quando Natasha se afasta um pouco de Clint, dá um passo à frente e se pronuncia:

— Eu não consegui encontrar nada de concreto sobre ele, nem mesmo um nome. Seu pai é um grande mistério, Olivia.

— Mas uma coisa nós sabemos, com certeza. Ele não era daqui. — Clint diz simplesmente, cruzando os braços de um jeito natural e tranquilo.

Ele não era daqui... Tal frase ecoa em minha mente e me transporta para três anos atrás, mais precisamente para o acidente de carro que sofri com minha avó.

Enquanto a água invadia o meu carro rapidamente, ela disse algo sobre o meu pai. Algo que minha mãe costumava dizer, mas que minha avó só compartilhou naquele momento crucial de nossas vidas: “Ele não era daqui.”

— Pelo menos, é isso que nós podemos concluir com base no mapeamento do seu DNA. Parte dele tem cromossomos incompatíveis com o da raça humana. São, definitivamente, alienígenas. — Bruce relata com um ar científico que me irrita, me fazendo olhar em sua direção ainda mais estarrecida com esta palhaçada toda.

— Meu DNA...? — balbucio, enquanto finalmente começo a entender o que está acontecendo. Os Vingadores me investigaram. Me analisaram. Eu não sei como, quando ou por que, mas foi isso que eles fizeram. — Como você tem o meu DNA? — é tudo o que consigo perguntar, enquanto sinto uma ponta de decepção ganhando força dentro de mim.

Parece que Bruce percebe que eu não estou gostando nem um pouco do rumo desta conversa, já que ele hesita e é Stark que resolve me dar uma dica:

— Lembra quando você veio aqui a primeira vez? E que você bebeu um pouco, antes do Capicolé aparecer?

Sim, eu me lembro. E o Homem de Ferro não precisa me dizer mais nada. Automaticamente, me lembro do whisky que bebi naquela ocasião e do copo sendo retirado da minha mão, quando me engasguei devido ao alto teor de álcool. Então, Steve Rogers entrou na sala, eu só tinha olhos para ele e nunca mais vi aquele copo de novo.

— Vocês pegaram uma amostra do meu DNA sem me consultar? — questiono, sentindo meu corpo completamente tenso e uma raiva crescente, embora externamente, eu pareça incrivelmente calma. — Sem a minha permissão?

Os Vingadores, com exceção do Capitão América, que permanece imóvel ao meu lado, se entreolham. Finalmente parecem ter percebido que eu não gostei desta invasão à minha vida.

Então, Thor resolve se explicar:

— Olivia, por favor, não me entenda mal, mas eu precisava descobrir como você pode ver a real aparência do Loki e as outras pessoas deste Reino não.

— Então a ideia foi sua? — indago, fitando o top model asgardiano e sentindo um nó surgir em minha garganta. — E vocês simplesmente concordaram com isso? — questiono, encarando Bruce, Natasha, Clint e Tony com profunda decepção. — Em me investigar, me analisar como se eu fosse um rato de laboratório, um enigma a ser desvendado ou algo assim?! — cuspo tais palavras, me sentindo profundamente traída por aqueles que pensei serem meus mais novos e incríveis amigos, mas que na verdade estavam agindo pelas minhas costas este tempo todo. — E você, Cap? — cruzo os braços e me volto na direção de Steve com desconfiança. — Por acaso, sabia disso também?

O meu ex-futuro marido me lança um olhar ofendido, o que me faz entender prontamente que ele era o único Vingador que não sabia daquela investigação ao meu respeito. Tenho a confirmação disso quando ele diz:

— Acredite, Olivia, eu estou tão surpreso quanto você.

Ratificando o que Rogers disse, Stark se manifesta:

— Ele não sabia de nada. Aliás, o Capicolé é sempre o último a saber das coisas por aqui. É triste, mas é verdade.

Não gosto nem um pouco do tom debochado de Tony Stark, mas relevo porque no fundo acredito que ele não fez de propósito. Ele simplesmente é assim e, portanto, talvez sua intenção não tenha sido fazer piada desta situação.

— Olivia... — Bruce se aproxima um pouco, segurando aquela maldita prancheta com o mapeamento do meu DNA, me fazendo encará-lo com os olhos marejados. — Como Thor disse, nós precisávamos de uma explicação para a sua imunidade ao bracelete. E depois do que eu acabei descobrindo, eu... Nós achamos que você tinha o direito de saber. Que você quisesse saber a sua origem paterna.

Engulo o nó que se formou na minha garganta e me esforço para dizer secamente:

— Bem, você se enganou feio, Dr. Banner. Eu não queria saber. Eu quis, boa parte da minha vida, mas... Da última vez que eu toquei neste assunto, alguém se machucou, então eu... Parei de tentar descobrir qualquer coisa sobre o meu pai biológico depois disso. — encaro os cinco Vingadores traidores e percebo que eles não parecem nem um pouco surpresos com o que eu disse. Então, sinto uma dor profunda e uma decepção ainda maior, quando constato: — Vocês sabem da minha avó. Vocês investigaram isso também.

O silêncio que se segue confirma minha suspeita. Então os cinco se entreolham seriamente e Thor lamenta:

— Sim, nós sabemos, Olivia. E sentimos muito.

— O que aconteceu com a sua avó? — ouço Steve perguntar ao meu lado, e quando olho para ele, uma lágrima inesperada me escapa.

Enxugo o rosto rapidamente e o Capitão parece deduzir a resposta porque não diz mais nada, apenas me lança um olhar solidário e compreensivo.

Talvez Steve tenha se lembrado da nossa conversa, há alguns dias, quando eu demonstrei que entendia o vazio que ele sentiu, quando acordou e se deu conta de que a maioria dos seus amigos havia morrido, há décadas.

Eu entendi o que Steve sentiu porque senti o mesmo, há três anos, quando acordei naquele maldito hospital no Texas. No mesmo dia em que Loki resolveu atacar Nova York com o exército de Chitauris.

Foi por isso que eu não reconheci o Deus da Trapaça prontamente, quando ele despencou na minha vida, há pouco mais de uma semana. Porque no dia em que ele trouxe aqueles malditos aliens para a Terra, eu estava ocupada demais, procurando a minha avó por cada quarto daquele hospital, enquanto várias enfermeiras e o Dr. Lance me seguiam às pressas, tentavam me segurar e me sedar, para que eu me acalmasse e, finalmente, entendesse que...

— Minha avó está bem. — afirmo, incapaz de lidar com a dura realidade e preferindo continuar em negação, como Josh e a bruxa da minha terapeuta tanto me acusam de fazer. — Ela está ótima, na verdade. Está viva e virá me visitar no meu aniversário, trazendo um pijama novo e algodão doce, como ela faz todos os anos. — continuo com a voz embargada, enquanto os heróis me encaram abismados, talvez achando que eu sou maluca. Tento sorrir, embora meus olhos estejam cada vez mais marejados, e peço: — E eu agradeço muito se vocês puderem deixar as coisas assim. Como eu preciso acreditar que elas estão. — como ninguém diz nada, eu respiro fundo e comunico com a voz embargada: — Eu vou embora.

Não espero eles responderem, simplesmente lhes dou as costas e caminho na direção da saída do laboratório, enquanto Steve me segue dizendo:

— Eu te levo.

No entanto, ambos paramos quando Stark nos alcança e pede:

— Olivia, espera. Escuta...

Giro nos calcanhares e enxugo novas lágrimas do meu rosto, enquanto tento disfarçar a dor e a raiva que me consomem por dentro. Não consigo e, antes que Tony prossiga, eu grito com o dedo em riste:

— Não! Escutem, vocês! — e quando percebo que tenho a atenção de todos eles, continuo com indignação: — Vocês precisavam mesmo me investigar? Meu pai ser um ET ou não muda alguma coisa para vocês? Aliás, isso tudo não era sobre o Loki? Não era nele que nós devíamos nos concentrar? Então por que de repente eu virei o objeto de estudo aqui? E como vocês puderam examinar o meu DNA sem a minha autorização? Por que agiram pelas minhas costas?!

Neste momento, Thor dá alguns passos em minha direção, faz uma carinha de cachorrinho abandonado, que só me deixa mais possessa, e articula:

— Olivia, eu entendo que você esteja magoada e sinto muito por isso, não foi minha intenção. Vendo por esse lado, você tem toda a razão de se sentir assim. Mas, por outro lado, eu realmente precisava descobrir o motivo de você conseguir ver a real aparência do meu irmão. Eu precisava saber se o bracelete tinha algum tipo de defeito, limitação, algo que pudesse oferecer algum risco à você, à missão ou...

— E então você acabou descobrindo que o defeito era comigo, certo? — rebato, o interrompendo de um jeito ríspido, pois para mim o que ele disse não passa de uma desculpa muito da esfarrapada.

— Eu não quis dizer isso. Não tem nada de errado com você. — Thor se defende, visivelmente atônito com a minha reação.

Rio sem humor e debocho de um jeito sádico:

— Nossa! Isso conta muito vindo de um alienígena que gosta de se vestir com cortinas.

Longos instantes se passam, enquanto procuro me acalmar — sem êxito — e Thor parece refletir sobre tudo o que eu disse, até que me lança um olhar firme e volta a se pronunciar:

— Me desculpe, eu não tive a intenção de te desrespeitar, Olivia.

— Mas desrespeitou! — o acuso, perdendo a calma de vez. E olhando para os outros traidores com uma mágoa que se alastra a cada instante, despejo: — Todos vocês desrespeitaram. Vocês me manipularam, me atraíram para cá, apenas para conseguirem uma amostra do meu DNA. Qual é o problema? Por acaso, heróis não sabem pedir? — deixo a questão no ar por algum tempo, esperando que eles reflitam sobre o que fizeram e, logo depois, prossigo: — Vocês podiam ter me pedido para fazer esse maldito teste. E tudo bem, provavelmente, eu não concordaria, mas eu estaria no meu direito, certo? — fico em silêncio novamente, os obrigando a pensar a respeito, e só depois de algum tempo, profundamente magoada e me sentindo meio usada por eles, volto a me manifestar: — Eu tenho feito tudo o que vocês me pediram. Desde o começo, sem questionar. Eu tenho feito de tudo para ajudar aquele traste, ignorando o fato de que a minha vida virou de cabeça para baixo desde então e que, provavelmente, nunca mais será a mesma coisa. E em troca dessa ajuda, que eu sei, não é grande coisa, mas é de coração, o que vocês fizeram? Invadiram a minha privacidade. Mais até do que a rádio patroa do Heimdall tem invadido.

Um longo e aterrador momento de silêncio se instala no laboratório, enquanto eu observo os cinco traidores diante de mim e chego à conclusão de que consegui deixá-los sem graça, sentindo uma pontinha que seja de culpa por terem agido daquele jeito comigo.

De repente, Bruce se aproxima mais um pouco de mim e articula calmamente, comprovando a minha teoria:

— Olivia, eu sei que você está com... Raiva. Acredite, eu conheço bem a sensação e, por isso, eu te peço desculpas. Eu não queria te causar isso, mas eu pensei que talvez estivesse te fazendo um favor. Que no fim das contas, você pudesse ficar empolgada com a ideia de saber mais sobre as suas origens.

Até aqui, tudo bem. Bruce está arrependido e pedindo desculpas. Apesar de muito magoada, sinto que sou capaz de desculpá-lo por ter sido um cientista idiota.

No entanto, para meu desespero, incredulidade, profunda irritação e como se eu tivesse falado grego até então, ele recomeça:

— Olha, mesmo com a S.H.I.E.L.D. em reformulação, nós temos alguns recursos que podem nos ajudar a descobrir mais sobre o seu pai e...

Sinto o meu sangue ferver e fuzilo Bruce com o olhar. Então, com um movimento rápido e brusco, dou um tapa violento na sua prancheta, fazendo-a voar para o outro lado do laboratório e estilhaçar a porta de vidro de um dos armários, antes de cair no chão, espalhando papéis por toda a parte.

Tal atitude parece deixar não só Bruce, mas também os outros Vingadores apreensivos e um tanto assustados. E sem me importar com o que eles estão pensando de mim neste momento, apenas querendo expor o que estou sentindo e o que tanto me incomoda, esbravejo possessa:

— Qual a parte de "eu não quero saber nada sobre as minhas origens", você não entendeu?! Pare de me estudar, Dr. Banner! Eu não sou um mistério a ser desvendado! Nem o meu pai! Aliás, eu não tenho pai! Apenas um reprodutor alienígena, pelo o que entendi! É isso o que ele, seja lá quem ele for, é! Então, não! Eu não quero descobrir nada sobre este desgraçado que abandonou a minha mãe e a mim! Eu não quero!

Bruce engole em seco, olha para os seus companheiros por um instante, finalmente parece entender que eu estou falando sério, depois volta a me fitar, visivelmente sem graça, e então assente de um jeito incrivelmente manso para uma fera:

— Entendido. — e logo depois, completa: — Desculpe, Olivia.

Respiro fundo e me afasto um pouco, tentando retomar a calma. Passo as mãos pelo rosto e pelos cabelos, enquanto penso sobre tudo aquilo e começo a tomar uma decisão.

Em seguida, volto-me na direção dos cinco Vingadores que me traíram e exponho:

— Eu preciso de um tempo. De um tempo de todos vocês. — vendo que eles ficaram um tanto desconcertados com o que eu disse, resolvo tranquilizá-los: — Não se preocupem, a missão ainda está de pé. — e após refletir um pouco, rio sem humor e prossigo com certo escárnio: — É engraçado, não? Que tenham sido os mocinhos, e não o vilão da história, que me enganaram no final das contas?

— Você está sendo injusta. — Natasha diz de um jeito firme, enquanto me encara seriamente.

— Estou? — rebato prontamente, sem me deixar abalar por aquela mulher extremamente forte e destemida, mas que assim como Bruce, Thor, Tony e Clint, também me decepcionou muito. — Eu não acho que estou. — afirmo, antes de articular: — O gafanhoto tem muitos defeitos, é verdade. É um imprestável que não sabe lavar um prato direito, mas, pelo menos com ele, eu sei exatamente onde estou pisando. É tudo preto no branco. Ele é mau, eu sou doida, e assim nós vamos levando. Mas com vocês...

Antes que eu consiga encontrar palavras para definir como me sinto em relação a eles, Stark ergue as mãos em sinal de rendição e admite:

— Tudo bem, nós pisamos na bola. Mas nenhum de nós sabia que você ficaria tão magoada com isso.

— Nós não pensamos que estávamos te fazendo mal, Olivia. — Clint ratifica, visivelmente desconfortável com esta situação, talvez finalmente entendendo os meus motivos. — Desculpe se mesmo assim, nós fizemos.

Penso um pouco sobre os argumentos que ouvi até então e me ouço dizendo um tanto seca:

— Eu acredito em vocês. Vocês realmente pensaram que não estavam fazendo nada demais. E sabem por quê? Porque vocês acham que, por serem os Vingadores, estão acima do bem e do mal. Acima da privacidade de uma midgardiana desprezível como eu. — paro um instante, tentando conter a mágoa que sinto. Não consigo e completo: — Bem, sinto em informá-los que vocês estão errados. — engulo em seco, controlo uma vontade de me entregar ao choro, mantenho-me firme e reforço determinada: — Eu realmente preciso de um tempo. E durante este tempo, eu quero que vocês mantenham distância de mim. Apenas o Capitão aqui tem permissão para ficar nas redondezas do meu cafofo. Eu fui clara?

— Olivia... — Thor começa a dizer.

Mas eu o corto duramente, insistindo entredentes e com um olhar feroz em sua direção:

— Eu fui clara?!

Os cinco Vingadores se entreolham, depois fitam Steve por um instante, e então Thor finalmente concorda com os meus termos:

— Sim.

Olho para Bruce, Natasha, Clint e Tony, esperando que eles também confirmem que entenderam que eu não estou para brincadeira e, quando eles finalmente assentem com breves meneios de cabeça, eu encerro friamente:

— Que bom. Estamos conversados então.

Não espero que eles digam mais uma palavra sequer. Me viro e saio do laboratório como um foguete, sentindo que algo se partiu dentro de mim. A confiança que eu tinha naqueles heróis tão fenomenais está terrivelmente abalada. E honestamente, eu não sei se conseguirei reconstruí-la algum dia. Eu quero, mas não sei se consigo.

Caminho apressada por um corredor, tentando conter a vontade de chorar, quando ouço passos atrás de mim e a voz do Capitão América:

— Eu te dou uma carona.

— Não precisa, eu pego um táxi. — dispenso, pois tudo o que quero neste momento é ficar sozinha.

— Eu te trouxe, eu te levo. — ele insiste, me alcançando por fim.

Então, eu detenho o passo, giro nos calcanhares, ficando de frente para o Capitão, e esclareço:

— Eu não quero brigar com você também, Steve. Por favor, eu preciso ficar sozinha. Eu vou pegar um táxi.

Meu ex-futuro marido me encara por alguns instantes, me avalia e então propõe:

— Neste caso, eu te levo até um ponto perto daqui.

Resolvo não tentar dissuadí-lo de tal ideia. Algo me diz que seria em vão mesmo. Sendo assim, caminho lado a lado com o Capitão Fofo América, o único Vingador que não mentiu para mim, e logo deixamos a Torre Stark para trás.

XXX

Steve abre a porta do táxi para mim e eu faço menção de entrar no veículo. Mas então, hesito, me volto em sua direção e, querendo tirar uma certa dúvida, questiono:

— Se eles tivessem falado com você desde o começo, você teria concordado com isso? Em revirar o meu passado e minhas possíveis origens deste jeito?

A resposta do meu Vingador favorito não demora um segundo e é claramente sincera:

— Não. Não nesses termos, pelo menos. Eu exigiria que eles te consultassem primeiro. Talvez eu mesmo fizesse isso. — após um instante, me encarando, Steve ressalva: — Mas eu os entendo também, Olivia. Foi como você disse, nós não estamos acima do bem e do mal. E, por isso, cometemos erros também. Mas eu tenho certeza que eles não fizeram isso com a intenção de te magoar.

Talvez não, mas mesmo assim eles fizeram e eu vou demorar um tempo para conseguir engolir essa história. Estou remoendo isso, quando o Capitão recomeça seriamente:

— Olivia, sobre o que você disse lá dentro, sobre o Loki... Cuidado. Eu sei que toda ação tem uma reação e que os meus companheiros erraram, mas não deixe que isso te aproxime ainda mais do Loki.

Me sinto incomodada com o conselho velado de Steve. O que ele pensa que eu sou? Uma idiota? E quantas vezes eu tenho que dizer que não vou me envolver com aquele estrupício asgardiano?

Procuro manter a calma, para não azedar a minha relação com o Capitão América também, e respondo:

— Não se preocupe, eu não sou estúpida. Eu só quis provocar aqueles traidores. Eu fiquei p da vida, ainda estou na verdade, e nada melhor do que se vingar, fazendo os mocinhos se sentirem piores do que o bandido.

— Foi só por isso mesmo que você disse aquelas coisas? — Steve indaga desconfiado.

— Sim. — afirmo do jeito mais convincente que consigo, antes de me despedir dele e entrar no carro.

XXX

Enquanto o táxi segue em direção ao prédio onde moro, deixo que lágrimas silenciosas escapem de meus olhos.

Do lado de fora, a noite começa a cair, deve ser aproximadamente sete horas, e o movimento nas calçadas e avenidas é intenso. O céu está encoberto por nuvens pesadas e escuras, o que me leva a deduzir que vem uma tempestade das grandes por aí.

Ainda não acredito que Bruce e Thor, com o apoio de Tony, Clint e Natasha, trouxeram o meu maior trauma à tona. E não, eu não estou falando sobre o meu pai biológico. Ainda vou demorar algum tempo para assimilar o fato de que ele não é da Terra. E honestamente, não sei se isso importa realmente. Eu perdi completamente o interesse em descobrir qualquer coisa sobre o meu pai, depois do acidente de três anos atrás.

Por incrível que pareça, o fato de eu não ser totalmente humana também não importa neste momento. Tudo o que importa é o meu maior trauma e que agora os Vingadores sabem qual é. Eles sabem que eu matei a minha avó. Eles sabem!

— Senhorita? Você está bem? — a voz do taxista me desperta de tais pensamentos, e só então percebo que estou chorando copiosamente, aos soluços.

Vendo que estou relativamente perto de casa, pago a corrida às pressas e, antes de sair do veículo, digo:

— Obrigada, eu vou a pé.

Enquanto caminho pela calçada, a chuva começa a cair. Pessoas correm ao meu lado, tentando escapar dos pingos gelados e do vento forte, mas eu continuo seguindo no mesmo ritmo, deixando que a chuva se misture ao meu pranto e me transporte para as lembranças do acidente.

Uma tristeza profunda se abate sobre mim, se misturando a culpa aos poucos. Por fim, me lembro da discussão na Torre Stark e sinto que cheguei ao fundo do poço. E não sei como sair dele. Não sei se consigo.

Em dado momento, finalmente chego ao meu prédio e logo abro a porta do meu cafofo, enxugo o rosto e entro. Ao fazer isso, ouço a voz do Deus da Trapaça:

— Você saiu para comprar suprimentos, volta com as mãos vazias e ainda por cima neste estado deplorável e encharcado? Isso é estranho.

Loki, para variar, está desconfiado de alguma coisa. E incapaz de inventar uma desculpa melhor, olho na direção da varanda, onde ele permanece em pé, me encarando com um olhar perspicaz, e minto:

— Eu fui assaltada.

— O quê? — o estrupício indaga, um tanto surpreso e incrédulo ao mesmo tempo.

Eu o encaro em silêncio, enquanto a tempestade continua caindo lá fora, relâmpagos iluminam minha sala e trovões se propagam pelo ar.

Então, sem medir as consequências do que estou prestes a fazer, simplesmente faço. Caminho até o deus trapaceiro, sem pensar duas vezes, me jogo em seus braços, enterrando meu rosto em sua roupa de cosplay — parece que Loki sentiu saudade do seu traje extravagante e resolveu vestí-lo — engulo meu orgulho, minha vergonha na cara, meu pudor, tudo, e peço:

— Me abrace.

— O quê...? — ele balbucia confuso e surpreso com o meu pedido inimaginável.

— Me abrace, gafanhoto. — insisto impaciente, me aconchegando mais em seu corpo e passando os braços em volta do seu pescoço. — Depois você pode jogar na minha cara que eu te pedi isso. — articulo ao perceber a sua relutância, hesitação, tensão, o que for. — Mas agora... Apenas me abrace. Por favor. — reforço com a voz embargada, enquanto minhas lágrimas molham a sua roupa esverdeada.

O Deus da Trapaça hesita mais um pouco. Porém, por algum motivo, acaba acatando o meu pedido. Um tanto sem jeito, entrelaçando a minha cintura com seus braços. Braços estranhamente acolhedores. Braços que me pressionam contra o seu corpo pouco a pouco.

Ação e reação. Steve Rogers estava certo, afinal.

Notas finais
Ai ai... Está tão perto desses dois se beijarem na boca. Pronto, falei! Esta cena final, foi escrita ao som de uma musiqueta muito diva: I All Need - Within Temptation, que para mim já é a música oficial de Lokivia. Ouçam, pesquisem a letra e me digam se não combina com o casal? Ah! E saibam que esta música irá tocar em breve, em um momento beeeeeeeem especial para esses dois kkkkkkkkkkkk E aí, gente? O que acharam do capítulo? Entenderam agora que a avó da Olivia está mesmo mortinha da Silva e que a moçoila vive em negação? Entenderam que este trauma é o cume do assunto proibido? Triste não? E mais triste ainda foi os Vings revirarem o passado da Olivia deste jeito. Eles realmente não fizeram por mal, mas mesmo assim, acabaram passando por cima dela, o que fez a moçoila rodar a baiana neste capítulo. Gostaram do pequeno barraco? E o Steve (fofo, fofo, fofo!) falando para a Srta. Mills não deixar que esta raiva e mágoa que ela está sentindo a aproxime do Lokito? Pelo visto, entrou por um ouvido e saiu pelo outro, né? Porque foi exatamente isso que aconteceu. Daí o título "Ação e Reação." Para quem estava ficando com raiva dos Vings, que sempre atrapalham Lokivia, saibam que agora ninguém segura esses dois, meu beeeeeeeeeeeeem kkkkkkkkkkkkkkkk E, como eu disse, o famigerado e aguardado beijo está próximo... Ah! Não sei se ficou muiiiiiito claro, mas o Bruce analisou o DNA da Olivia com base na saliva dela. Digamos que quando ela viu o Capitão, pela primeira vez, babou um pouco no copo kkkkkkkkkk Oi? Mentira, mas tinha um pouquinho de saliva sim. E como eles são os Vingadores e tem recursos para isso, acho que a explicação cabe. Porém, pode ser que futuramente, Bruce explique essa história direito para a dona Olivia. Mas, basicamente, é isso. Sobre o pai de Olivia Mills, neeeeeeem adianta me perguntar quem ele é, porque eu sou malvada e só vou revelar isso no final e olhe lá! Cuma? Bem, espero que tenham gostado do capítulo de hoje e não se esqueçam das reviews, hein? Ah!!!! Agora mudando completamente de assunto, quero contar a novidade! Ocês viram que o Nyah lançou um desafio para julho e agosto? Se não viram, vejam aqui: http://fanfiction.com.br/noticia/263/especial_10_anos_e_desafios_do_ano/ Então, depois de muita indecisão e medinho, eu resolvi que vou participar. Vou escrever uma fic de Arquivo X, sobre abdução alienígena, porque sim! Até já comecei o primeiro capitulo e encomendei a capinha. A história se chamará "I want to believe" porque sim. E se alguém quiser acompanhar também, me deixará muito happy! Quando eu postar, aviso aqui e no Twitter, blz? Por hoje é só, pessoal! Bjs e inté semana que vem!