Notas iniciais
Oi, gente! Antes tarde do que mais tarde, né? Chegou mais um capítulo, aleluia! Eu ameiiiiiiiiiiiiii escrevê-lo, então acho que valeu a pena a maratona que foi para terminá-lo. Boa leitura e espero que gostem!

Um passeio que tinha tudo para ser proveitoso e repleto de saliências, infelizmente termina de uma forma bem decepcionante e estranha. Isso porque, depois que eu expus meu plano para dar uma rasteira na Hydra, Loki simplesmente assumiu sua cara de limão azedo versão impenetrável e se fechou como uma ostra quando alguém vai xeretar sua pérola. Sem dizer uma palavra sequer, subiu em seu cavalo e limitou-se a me estender a mão para que eu montasse no bicho também.

Agora, enquanto o vento no sentido contrário faz um estrago catastrófico no meu cabelo — com certeza, deixando-me bem parecida com um minion roxo —, arrependo-me profundamente por ter aceitado a oferta.

Entretanto, como tudo tem o seu lado positivo, aproveito para me segurar bem no Deus da Trapaça, envolvendo bem a sua cintura com meus braços, colando bem meu corpinho em suas costas e encaixando bem o rosto entre seu ombro e pescoço. Tudo na inocência e na amizade — só que não, é claro.

Como resposta, sinto seus músculos se retesarem com a tensão tangível entre nós.

É, talvez o passeio não tenha terminado tão mal assim... Aquela carinha, rá!

Num claro esforço para ficar indiferente a nossa proximidade e ao calor que emana dela, Loki se endireita e incentiva o animal a cavalgar mais rápido, querendo chegar logo ao estábulo e pôr um fim na tortura de Olivia Piriguete Mills.

Mas se a intenção do gafanhoto era me afastar alguns centímetros, sua atitude me induz a fazer justamente o contrário, afinal, para não me espatifar no chão a qualquer momento, tenho que fazer o imensurável sacrifício de segurá-lo ainda mais forte. Tolinho!

Posso sentir a sua raiva e o seu desejo à medida que seguimos o caminho de volta. Tenho que me segurar para não cair na risada diante do seu autocontrole. Tentando me distrair — e provocá-lo mais um pouco —, começo a cantar em seu ouvido:

— Que nem chiclete, que nem chiclete grudadinha em você...

De repente, o alazão dispara sob o comando do trapaceiro irresistível. O vento mais forte em meu rosto me impede de continuar a cantoria. Num piscar de olhos, chegamos ao estábulo real.

Resolvo ser uma boa menina e desço do animal sem mais provocações, ao mesmo tempo em que ajeito o cabelo rapidamente. Loki salta na sequência e, depois de me lançar um olhar fulminante, entrega o cavalo a um servo real e começa a se afastar.

Irritada com sua postura intransigente, decido segui-lo enquanto resmungo:

— Cara feia pra mim é fome.

O trapaceiro de uma figa continua mudo e segue seu caminho rumo ao palácio. Apresso o passo, cutuco seu ombro e insisto:

— Não vai falar nada, mal educado?

O efeito é imediato, Loki gira nos calcanhares e dispara com o olhar cravado no meu:

— Eu pensei que você tivesse desistido da missão absurda de me transformar em um fantoche da S.H.I.E.L.D. Pelo visto me enganei.

Surpresa, pisco algumas vezes até assimilar sua conclusão equivocada e faço questão de esclarecer com firmeza:

— Então é isso que você acha que eu estou tentando fazer? Não se preocupe, eu desisti sim de te transformar em um Vingador. Mas uma cooperação pontual como esta não vai te matar. Você já fez isso com o seu irmão fofo, não fez? Trabalhou em equipe e lutou contra aquele elfo do mal? Pois então, agora seria a mesma coisa.

Evito entrar em detalhes, já que sei que a treta maligna com o tal Malekith é um assunto delicado para Loki. Eu nunca vou conhecer minha sogrinha Frigga, mas ele perdeu a mãe por culpa do líder dos elfos.

Então, para não alimentar a lembrança certamente dolorosa, mudo de estratégia:

— Olha, eu entendo que uma parceria assim te incomode, mas pense pelo lado positivo. Os Vingadores vão precisar de você. É a sua chance de esfregar isso naquelas carinhas lindas. No fim, você pode provocá-los e dizer que sem a sua ajuda, eles estariam completamente perdidos. Que tal? Você pode sair por cima da situação com louvor, gafanhoto. Vai ser divertido

— Apelando para minha vaidade, Olivia? — Loki estreita o olhar e um sorriso displicente quase imperceptível surge por um instante. — Eu reconheço que é uma boa estratégia, mas não o suficiente para me fazer lutar ao lado dos seus ilustres amigos.

Assimilo suas palavras e penso um pouco. Na sequência, e não que eu queira me gabar, resolvo ser mais incisiva:

—  Nós dois sabemos muito bem que você não estaria fazendo isso por eles.

O Deus da Trapaça franze o cenho, fazendo-se de desentendido ou talvez achando que eu fui convencida demais. Então calço as sandálias da humildade e me explico melhor:

— Você já deixou claro que fica incomodado com o perigo iminente que eu corro enquanto a Hydra está à espreita. Esse risco constante não vai mudar enquanto os Vingadores não a desestabilizarem e vencerem ao menos uma batalha nessa guerra. Então, qual o problema de unir forças e mostrar para a Hydra com quantos paus se faz uma canoa? Será bom para todo mundo. — Hesito um instante e solto meu último argumento: — Agora... se você não estiver disposto a colaborar, infelizmente eu terei que prosseguir com o plano por minha conta em risco. Será um plano B muito mais arriscado do que o A que você está recusando, mas cada um com seus problemas, não é?

Eita! A cara de limão azedo ataca novamente! Sinal de que toquei no grande X da questão.

Imediatamente e de um jeito taxativo, o gafanhoto afirma:

— Nem os Vingadores nem a S.H.I.E.L.D. concordariam em te usar como isca.

— Talvez não — assinto, pois provavelmente ele está certo neste ponto. Ergo o queixo desafiadora e apresento uma solução: — Mas se eu não conseguir convencê-los por bem, pode apostar que farei tudo sozinha de uma forma ou de outra. Sinto muito, mas parece que eu terei que fazer exatamente o que você não quer: algo estúpido e arriscado.

Loki engole em seco, como se minhas palavras fossem intragáveis. Visivelmente pressionado, ele tenta disfarçar certa inquietação — com certeza devido à ideia de me ver em perigo de novo. Um significativo silêncio paira no ar, até que ele diz na defensiva:

— Você não se atreveria.

— Quer apostar? — desafio com um sorriso torto, embora por dentro eu esteja tremendo nas bases com a possibilidade de executar o plano B. — Tchau, querido.

Afasto-me e sigo meu caminho antes que Loki perceba que eu só estou blefando. Não pretendo voltar para Midgard por causa de mais um impasse entre nós. Não vim até aqui e me entendi com o traste para continuar com esse círculo vicioso. Prefiro acreditar que passamos definitivamente desta fase e lhe dar um tempo para pensar em minha proposta.

Por falar nela, Loki está certo quando diz que nem a S.H.I.E.L.D. nem os Vingadores concordariam em me usar como isca. E eu sei muito bem que, sem a aprovação deles, dificilmente eu teria coragem para colocar o plano B em prática sozinha. Eu não teria nem meios para isso, já que não posso sair da Torre sem algum membro da equipe, que dirá atrair o inimigo para uma armadilha e permitir que seus lacaios me levem desta vez.

Além disso, mesmo que numa possibilidade remota desse certo e eu conseguisse descobrir onde fica a base de Von Strucker, as coisas poderiam dar muito errado por lá. E se o caldo entornasse de vez, a Hydra teria exatamente o que ela quer: eu de bandeja, como um rato de laboratório, pronta para ter meu DNA do ET de Varginha estudado com afinco.

Pensar nisso faz um arrepio gelado percorrer minha coluna. Faço um esforço para afastar essa ideia da minha mente e procuro relaxar, respirando fundo.

Não posso agir sozinha. Isso é fato, afinal não seria um gesto altruísta pelo bem maior, seria uma prova de imaturidade e meu provável fim. Não posso brincar de ser uma agente da S.H.I.E.L.D., tenho que ser de verdade. Tenho que fazer por merecer e mostrar que meu empregador pode confiar em mim. Mesmo se eu saísse ilesa no final, estaria abalando essa confiança que mal se estabeleceu. Com certeza, não ganharia uma medalha pelo risco que corri, provavelmente seria afastada de minhas atividades. Talvez definitivamente.

De repente, sinto-me muito culpada por ter feito Loki acreditar que eu estava falando sério sobre agir por conta própria. Não posso usar o que ele sente por mim desta forma, muito menos fazê-lo acreditar que sou tão corajosa — e estúpida — assim. Se ele não quer fazer parte do plano A, não é justo torturá-lo com a menção ao plano B. Tenho vontade de me estapear por ter sido tão bicha má com o pobrezinho.

Detenho o passo na escadaria do palácio e penso mais um pouco. Tomo uma decisão e me viro, disposta a ir atrás do dito cujo, esclarecer tudo e avisar que ele pode ficar tranquilo porque eu pensarei em outra solução. Mas antes que eu desça o primeiro degrau, sou surpreendida por sua imagem aos pés da escada.

Enquanto me pergunto há quanto tempo esse stalker está me seguindo e o quão distraída eu estava para não ter ouvido seus passos sorrateiros, ele coloca as mãos para trás, ergue o queixo de um jeito superior e se pronuncia resoluto:

— Eu acho que não fui muito claro quando disse que você não se atreveria a colocar o seu plano B em prática, tormento. Eu quis dizer que não vou deixar.

— Não vai deixar? — repito meio confusa.

Quando assimilo totalmente o significado disso, meu sangue ferve e me esqueço de tudo o que refleti antes. Subitamente, tenho vontade de colocar uma melancia no pescoço para chamar a atenção da Hydra, só para contrariar esse abusado e machista disfarçado de príncipe asgardiano.

— Eu odeio quando você banca o homem das cavernas — critico, cruzando os braços e fuzilando-o com o olhar.

— E eu odeio quando você me encosta contra a parede — o trapaceiro rebate no mesmo tom. — Parece que estamos quites.

Apesar da insatisfação em sua voz, sinto outra coisa em suas palavras e no fato dele ter me seguido até aqui. Algo implícito e diferente do que deduzi num primeiro momento. Me chamem de maluca, mas sinto que Loki...

— Você mudou de ideia. — Exponho o que estou pensando. Apesar de surpresa, isso não soa como uma pergunta.

O Deus da Trapaça inclina a cabeça ligeiramente e estreita o olhar, como se estivesse recapitulando nossa conversa de minutos antes. Em seguida, arqueia as sobrancelhas e argumenta de um jeito meio sonso:

— Aparentemente, Midgard precisa de alguém capacitado para resolver os problemas que seus grandes heróis não são capazes de sanar sozinhos. E se eu posso contribuir, ser esse alguém, como resistir ao ímpeto de fazer uma boa ação? Como você disse, pode ser divertido. Na verdade, será um prazer ajudar.

Um sorriso travesso surge em seu semblante enquanto pondero suas palavras por um momento. Claro que o gafanhoto não ia perder a oportunidade de provocar os Vingadores. De certo, meu argumento o convenceu.

Afinal, se tudo der certo, eles terão que reconhecer que Loki foi importante para a missão. Tenho certeza que o trapaceiro gosta da ideia de ter o seu valor reconhecido e ser aceito de uma vez por todas. Talvez esteja até imaginando que será ovacionado pela sua contribuição — exibido e orgulhoso como é.

Entretanto, sinto que ele usa sua vaidade como uma desculpa para camuflar o motivo mais forte para ter mudado de ideia subitamente. Não pretendo parecer convencida, mas sei que Loki quer a Hydra fora do caminho por minha causa. E ter dito que eu a enfrentaria sozinha se fosse preciso deve ter pesado para que ele decidisse me seguir e considerar o plano A. Como, em sua mente paranoica, Loki não pode admitir em voz alta que está zelando pela minha segurança, tem que usar as palavras ao seu favor.

Eu poderia ficar chateada com sua incapacidade de demonstrar certos sentimentos e admitir determinadas coisas, mas não fico. Também não sou a pessoa mais aberta do mundo e, mesmo assim, tenho certeza que Loki sabe exatamente como estou me sentindo agora: feliz, satisfeita e empolgada.

Tudo isso deve estar estampado no meu rosto, já que quando eu me preparo para descer os degraus e agarrar o trapaceiro irresistível, ele ergue o dedo em riste, fazendo-me parar no meio do caminho.

— Antes que você comemore, eu tenho condições — ressalva.

Murcho consideravelmente, mas procuro manter a esperança e lhe dou o aval para prosseguir:

— Claro que tem, desembucha.

Com uma postura ainda mais altiva, Loki expõe a primeira regra:

— Que fique claro para os Vingadores que a ideia partiu de você. Exclusivamente de você. Afinal, independentemente da minha generosidade e competência para lidar com essa situação específica, no fundo eles sabem que eu não faria a menor questão de ajudá-los no que quer que fosse. Em outras palavras, que fique claro que eu estou lhes fazendo um favor, atendendo a um pedido seu. Um favor e tanto, por sinal. Um sacrifício pelo bem de Midgard.

Minha vontade é dizer "Seje menas, gafanhoto", mas para não alimentar uma discussão e lhe dar motivo para recuar, reviro os olhos e limito-me a concordar:

— Nada mais justo que eu fique com os créditos e você com o seu orgulho besta. — Cruzo os braços e pergunto: — O que mais, coração?

Loki fica em silêncio por alguns instantes, parecendo me avaliar ao mesmo tempo em que escolhe as palavras certas. Por fim, dispara:

— A condição mais importante. Se a resposta deles for não, sob hipótese alguma você colocará o plano B em prática.

Embora eu tenha desconsiderado o tal plano B, o gafanhoto não sabe disso. Então faço cara de desesperada, arregalando os olhos e abrindo a boca para protestar.

— Essas são as minhas condições, tormento — ele me interrompe firme. — Fique à vontade para argumentar com os Vingadores, eu não me importo que você insista no plano A exaustivamente. Mas se no fim a resposta deles for não, será não para tudo.

Tenho que dizer, o Deus da Trapaça é mesmo muito esperto. Rei das manipulações. Danadinho. Ele sabe que não será fácil convencer os Vingadores, apesar da aparente trégua e da consideração que têm por mim, e quer se eximir de qualquer responsabilidade, caso os heróis batam os pés e recusem a ideia em definitivo. Além disso, quer que eu me comprometa a desistir do plano B, é claro.

Como eu já desisti mesmo, acho que não fará diferença Loki acreditar que estou atendendo sua exigência. Na verdade, é quase uma forma de dizer que me importo com sua apreensão a respeito e que também estou disposta a ceder. Também é um incentivo para que eu consiga colocar o plano A em prática custe o que custar. Por fim, nada mais justo que Loki acredite que me colocou contra a parede também, que inverteu o jogo, que estou em suas mãos.

Aliás, acho que estou mesmo, afinal ele só me deixou uma alternativa. Se alguma parte estúpida de mim ainda podia reconsiderar o plano B em um momento de desespero, agora ganhou uma boa desculpa para esquecê-lo de vez. Loki me salvou de mim mesma. E nem sabe disso.

— O que você me diz? — indaga de repente, visivelmente ansioso, querendo encerrar o assunto.

Noto uma nuance de apreensão no seu olhar determinado. Respiro fundo e finjo que estou encurralada:

— Papagaio, viu...

— Que significa? — pergunta, disfarçando um discreto sorriso de vitória.

Analiso-o por um momento e reconheço que, mesmo tentando me manipular e se preservar, Loki está se dispondo a ajudar caso os Vingadores e a S.H.I.E.L.D. concordem. Independentemente dos motivos, é sim uma boa ação.

Pensando assim, desço os degraus restantes e paro diante dele. Aproximo-me e envolvo seu pescoço com meus braços. O gafanhoto não sai da defensiva tão fácil, já que claramente quer a minha resposta em alto e bom tom primeiro. Talvez esteja pensando que eu vou distraí-lo com um beijo ou alguma gracinha, só para não me comprometer.

Com um sorriso cúmplice, faço exatamente o contrário:

— Avante, Loki.

Não preciso dizer mais nada, prontamente ele entende que concordei com suas condições. Mesmo um pouco desconfiado por eu não ter batido o pé, se dá por satisfeito.

E por mais que minha vontade seja de aproveitar mais um dia em Asgard ao seu lado, sinto que o dever me chama. Não será nada fácil expor o plano para os Vingadores, muito menos convencê-los de que é uma boa ideia confiar no Deus da Trapaça, todavia tenho que começar de alguma forma. Como diria Jack estripador, vamos por partes.

Pensando assim, sugiro com certo receio:

— Já que nós estamos entendidos, o que você acha de dar um pulo no meu planeta agora mesmo, gafanhoto?

Para minha surpresa, Loki parece gostar da ideia. Não faz a menor questão de conter um sorrisinho debochado e arteiro quando responde:

— Que assim seja, tormento. De repente, eu fiquei ansioso para conversar com os Vingadores.

Sentindo um frio no estômago, acompanho-o com o olhar quando ele se vira e segue rumo à Bifröst. Pensativa, sigo-o enquanto analiso a situação como um todo.

Loki mudou de ideia muito rápido. O que seria estranho, caso eu não soubesse como sua cabeça funciona. Passada a raiva por eu tê-lo pressionado, ele com certeza pensou melhor e percebeu que, apesar dos riscos, só tem a ganhar com essa situação.

Isso porque se os Vingadores se opuserem à ideia, ele fez a sua parte e conseguiu me afastar do plano B. Se os Vingadores concordarem, Loki terá a chance de mostrar o seu valor e, de quebra, provocá-los até o fim dos tempos por precisarem de sua ajuda.

O irônico é que fiz questão de abrir os seus olhinhos de noite serena para que o trapaceiro enxergasse as coisas desta forma. Dei-lhe o empurrãozinho para isso.

Agora só espero que os Vingadores não descubram ou fiquem magoados comigo de alguma forma. E principalmente que, na medida do possível, Loki se comporte.

Algum tempo depois

O silêncio na Torre dos Vingadores é sufocante. Sentada de frente para o gafanhoto em uma sala de reunião, somos constantemente observados pelo Robin Hood — lê-se Clint —, sua Lady Marian — vulgo Dona Aranha —, Capitão Porto Rico — simplesmente amo o apelido que Jessica Wally colocou em seu boy magia — e por Bruce Fofo Banner.

Nenhum deles entendeu patavinas quando cheguei de Asgard, trazendo Loki a tiracolo. Muito menos quando solicitei uma reunião de emergência. Tampouco quando requisitei também as presenças do top model asgardiano, Homem de Lata e do meu chefinho.

Apesar do clima tenso e de apreensão no ar, todos estão bem comportados. Em nenhum momento, destrataram o Deus da Trapaça ou vice-versa — o que já é motivo para comemorar, convenhamos. Parece que a trégua entre eles é mesmo possível. Tomara que a parceria que tenho em mente também seja. Oremos.

Estou pensando nisso quando a porta de entrada se abre automaticamente e Thor passa por ela, desfilando sua capa diva e seu martelo mágico digno da minha invejinha branca.

Imediatamente, sinto-me culpada por ter atrapalhado sua viagem romântica a Londres. Com um sorriso amarelo, indago sem jeito:

— Como a Jane está?

— Muito bem, muito bem — responde um tanto ansioso, antes de olhar de mim para Loki e perguntar: — O que aconteceu? Algum problema?

Abro a boca para tranquilizá-lo, porém o gafanhoto me interrompe com uma risada sonsa e rebate:

— Por que você faz essa pergunta olhando para mim, irmão?

Antes que o Deus do Trovão possa responder, o Gavião Arqueiro solta um comentário no ar:

— Jura que você não sabe?

— Clint — Natasha chama sua atenção discretamente, provavelmente querendo manter o clima civilizado, e ele ergue as mãos em sinal de rendição.

Todo pomposo, o trapaceiro irresistível faz questão de insinuar:

— Sinto em desapontá-los, mas eu asseguro que não vim trazer problemas desta vez. Na verdade, é justamente o contrário. Talvez eu esteja aqui para ajudá-los a solucionar um certo problema. Um problema de vocês, vale ressaltar.

Estava demorando...

— Como assim? — Steve pergunta intrigado, unindo suas sobrancelhas perfeitas.

— É, como assim? — Bruce se junta a ele, igualmente curioso, mexendo-se um pouco na cadeira ao lado do amigo.

Antes que a criatura abusada na minha frente bata com a língua nos dentes, digo em alto e bom tom:

— Cada coisa no seu devido tempo, chuchus. Sosseguem porque ainda faltam duas pessoas nessa reunião.

— Agora apenas uma. Olá, Olivia. — Coulson adentra a sala e se aproxima com sua postura firme e profissional. — Deixe-me adivinhar, Stark está atrasado? — deduz depois de observar rapidamente cada rosto em torno da mesa.

Enquanto o Diretor da S.H.I.E.L.D. cumprimenta todos com um breve aceno de cabeça e se demora tempo demais encarando o Capitão América com um sorriso de admiração — se eu fosse a Jessie, ficava de olho —, uma súbita ventania percorre a sala quando a enorme janela de vidro que isola a varanda se abre.

É quando ninguém mais ninguém menos que Tony Stark entra planando por ela e aterrissa num tipo de plataforma a poucos metros da mesa onde estamos. À medida que ele caminha sobre ela, sua armadura é desmontada peça por peça e guardada por hastes mecânicas em compartimentos sob seus pés.

— Desculpem a demora — o Homem de Ferro diz, enquanto a janela volta a se fechar. E dando sinais de que estava ouvindo a conversa antes de pisar na Torre, se explica: — Gênio, bilionário, playboy, filantropo e super herói não é para qualquer um, mas aqui estou eu. — Olhando diretamente para mim, me provoca: — Olivia, eu pensei que você fosse ficar mais tempo em Asgard.

Lanço-lhe um sorriso amarelo e rebato:

— Eu também senti sua falta, Tony.

— Imagino, totalmente compreensível. Então, do que se trata essa reunião de emergência? — pergunta enquanto as últimas partes de sua armadura são retiradas, revelando uma roupa bem casual e moderninha por baixo. Bem o seu estilo playboy.

Temendo que Loki passe por cima de mim, apresso-me em anunciar:

— Eu tive uma ideia. Gostaria muito que vocês ouvissem com atenção e pelo menos a considerassem antes de tomar qualquer atitude.

Prontamente, o Homem de Lata para no meio da sala, franze o cenho e debocha:

— Espere, você disse que teve uma ideia? Eu preciso de uma bebida. Alguém mais? — Caminhando de costas rumo ao balcão do outro lado, ele olha para Steve e o provoca também: — Exceto você, Capicolé, que em virtude da idade avançada não pode abusar de álcool. E de você, Verdão. — Volta-se para Bruce. — Embora eu seja um grande fã do Outro Cara, é bom não abusar também. Ainda mais porque o Homem Rena está por aqui e isso, somado à bebida, pode desencadear um remake daquela surra antológica que o Hulk deu nele. O que seria hilário, mas eu não estou a fim de outra reforma no momento, então vamos nos comportar.

Loki, até então todo superior e seguro de si, fecha a cara diante da alfinetada e fuzila o Homem de Ferro com o olhar.

— Que tal dar o exemplo? — Steve Rogers sugere em tom de bronca, lançando um olhar estreito para Tony.

Este, por sua vez, abre uma garrafa de cerveja, que acabou de retirar do frigobar, e entorna o líquido gelado na boca. Contrariado como uma criança que foi constrangida pelos pais na frente dos coleguinhas.

Talvez tentando dissipar a tensão no ar, Natasha diz:

— Eu aceito uma.

Sua tática funciona e os ânimos parecem se acalmar. Então Tony pega outra garrafa e se aproxima. Entrega a bebida para a Viúva Negra, toma mais um gole da sua, finalmente parece se lembrar da trégua e sai da defensiva:

— Tudo bem, eu estou ouvindo.

Seu olhar encontra o meu na sequência. Bem como o de Steve, Clint, Bruce, Thor, Coulson e Natasha. Todos se voltam para mim. Isso me deixa acuada e temerosa, afinal chegou a hora de contar o que tenho em mente.

Por fim, procuro o olhar do gafanhoto e me deparo com um discreto sorriso em seu lábios. É como se ele estivesse dizendo: “Eu te avisei que não ia ser fácil. Boa sorte.” e “Lembre-se das minhas condições, midgardiana, ou nada feito.”

Torno a fitar os semblantes questionadores a minha volta e confabulo baixinho com meus botões:

— Vixe Maria. É agora que a porca torce o rabo...

Limpo a garganta, respiro fundo, avalio a melhor estratégia para explicar a situação e percebo que não tenho outra saída, a não ser desembuchar tudo de uma vez, na lata, sem mais rodeios. Então... é exatamente isso que eu faço.

Fecho os olhos ao final do discurso inflamado e afoito que proferi. Escondo o rosto entre as mãos. Com os cotovelos apoiados na mesa, espero pela indignação, saraivada de perguntas, críticas, heróis rodando a baiana, todas as reações negativas possíveis.

Contudo, tudo o que recebo nos instantes seguintes é o mais absoluto e pesado silêncio.

Será que isso é um bom sinal? Eis a questão.

Notas finais
Minha internet está muito ruim, então vou sair correndo e rezar para o capítulo upar. Pero antes, deu para entender qual era o plano B da Olivia? Resumindo, seria a moçoila servir como isca, atrair a atenção da Hydra, ser sequestrada pra valer (e de propósito) e assim descobrir onde von Strucker está. E, obviamente, os Vings iriam rastreá-la de alguma forma. Agora se esse era o plano B, então qual é o plano A? Ficou meio implícito, será que vocês desconfiam de que forma se dará a participação de Lokito nisso? Será que os Vings vão concordar com tal plano? Mudando um pouquinho de assunto, ontem foi meu aniversário e gostaria muito de reviews de presente. Oi? (ah... vai que cola?) Falando sério, é muito importante saber a opinião de vocês e me inspira demais a escrever. Se você nunca comentou ou não sabe como fazer isso, tô aceitando qualquer manifestação, pode ser uma palavrinha de apoio que já fico happy. Quem quiser me perguntar coisitas sobre a fic e demais projetos, criei uma conta no Ask. http://ask.fm/HunterPriRosen1 Beijos de luz e inté o próximo capítulo!