Trapaças do Destino
21 Hoorayyyyyy
Notas iniciais
Eu devia estar pensando no que Bruce descobriu sobre mim, ao analisar o meu DNA. Eu devia estar pensando no meu misterioso pai, afinal, o cara, definitivamente, não é das bandas deste Reino. Eu devia estar me fazendo uma série de perguntas, querendo mais informações sobre ele e entrando em parafuso, afinal, não é todo dia que você descobre que o seu pai é parente do ET de Varginha e que, portanto, você não é completamente humana.
Eu também devia estar remoendo a discussão antológica que tive com boa parte do time de Vingadores ontem. Eu devia estar remoendo o fato de que agora eles sabem tudo sobre o meu passado, meus traumas e sobre a minha avó. Eu devia estar pensando em tudo isso. Mas, ao invés disso, desde que abri os olhos esta manhã e fitei o teto do meu quarto, só consigo pensar no Deus da Trapaça e no nosso inconveniente e inimaginável abraço.
Onde diabos eu estava com a minha cabeça, quando pedi ao Loki para me abraçar? E por que diabos ele acatou o meu pedido desvairado, aparentemente, sem muita relutância? O que diabos está acontecendo entre nós? Está acontecendo alguma coisa ou eu estou apenas imaginando isso? Por que meu coração bateu mais forte ontem diante daquele abraço? E por que bate mais forte toda vez que me pego pensando naquele traste?
Incapaz de responder tais perguntas, me reviro na cama algumas vezes, depois me obrigo a parar em determinada posição, respiro fundo e procuro esvaziar a minha mente. Mas, assim que eu fecho os olhos, os flashes da noite anterior vem com força total em meu pensamento...
Eu praticamente me jogando nos braços do gafanhoto. Meu choro ridículo. Eu implorando para que ele me abraçasse. Loki, visivelmente confuso e pego de surpresa, mas me abraçando no final das contas. A sensação reconfortante do seu abraço. Os seus batimentos cardíacos, estranhamente acelerados, se propagando no meu ouvido, quando eu encostei minha cabeça em seu peito e fechei os olhos. Eu, finalmente, me acalmando. Me desvencilhando aos poucos dos seus braços em volta do meu corpo. Eu encarando o deus trapaceiro de um jeito patético. Olhando para a sua boca de um jeito ainda mais patético. Me obrigando a parar de lhe olhar daquele jeito... Patético. Lhe dando as costas e me afastando, sem dizer uma palavra sequer, enquanto meu rosto queimava de tão quente e vermelho que ficou.
Qual é o meu problema, afinal? O que deu em mim?
Respiro fundo novamente e me convenço de que só abracei o Deus da Trapaça porque eu estava muito sensibilizada com tudo o que havia acontecido na Torre Stark. Eu não estava no meu juízo perfeito, nos meus melhores dias, é isso. Foi um momento de fraqueza, certamente. Algo que eu não deveria dar tanta importância assim. Algo que passou. Algo que não vai se repetir.
Inexplicavelmente, sinto certo vazio ao repetir para mim mesma que nunca mais abraçarei aquela gentalha. Loki tem muitos defeitos, é verdade, mas uma coisa eu tenho que admitir, o seu abraço fez eu me sentir bem melhor, mais calma, segura e... Me fez sentir outra coisa também. Uma coisa que eu prefiro não descobrir o que é. Uma coisa que eu não posso sentir. Seria loucura sentir, afinal, é do Deus da Trapaça que estamos falando.
Tenho que esquecer o que senti ontem, quando o gafanhoto asgardiano me abraçou. Mas como farei isso, se assim que eu levantar desta cama e sair deste quarto, vou dar de cara com ele?
Faço uma careta de vergonha e cubro o meu rosto com o cobertor ao imaginar as milhares de piadinhas que aquela gentalha fará quando me ver. Ou as perguntas que fará sobre aquele fatídico abraço. Ou o que estará pensando sobre a minha atitude.
Enfim, estou perdida. Mesmo que num milagre de Deus, Loki deixe essa questão para lá, isso não muda o fato de que eu o abracei. E de que eu gostei. E pior, de que agora eu terei que encará-lo.
Embora a ideia de passar o resto dos meus dias trancada neste quarto me agrade muito, sei que não posso fazer isso. Então, sem outra escolha, me levanto devagar, me dirijo ao banheiro do meu quarto e tomo um banho demorado.
Depois disso e de engolir o meu antidepressivo, volto para o quarto, enrolada em uma toalha, e abro o guarda-roupa. E é então que tenho uma ideia mirabolante para lidar com a vergonha e o receio que sinto em ter que encarar o gafanhoto. Vou me camuflar. Vou ficar praticamente invisível. Irreconhecível, eu diria.
Algum tempo depois
Enquanto mastigo o meu cereal matinal com um pouco de leite, sinto o olhar de Loki sobre mim. Ele está ao meu lado, sentado no sofá, enquanto a televisão diante de nós reproduz os meus episódios favoritos do Pica Pau.
Decidi reassistí-los para arejar a cabeça, me distrair e para não ter que conversar com o gafanhoto asgardiano que, surpreendentemente, não fez nenhum comentário até agora sobre a noite anterior ou sobre os meus trajes atuais.
Só para constar, estou vestindo um conjunto de moletom cinza, que fica simplesmente enorme em mim. Pantufas dos Minions cobrem e esquentam os meus pés. Um enorme óculos escuro, com lentes azuis espelhadas, cobre meus olhos e boa parte do meu rosto. Um gorro colorido, de gosto duvidoso, que achei no fundo do guarda-roupa e que não tenho ideia de como ou quando se materializou lá, esconde os meus cabelos, minha testa e minhas orelhas.
Devo estar ridícula, eu sei, mas pelo menos estou me sentindo mais à vontade, como se eu estivesse protegida por uma barreira ou algo assim. Camuflada é a palavra.
— Você é estranha. — Loki finalmente corta o silêncio e claro que tinha que ser com algo meigo assim.
Não olho em sua direção, continuo fazendo barulho de plástico bolha enquanto mastigo o meu cereal distraidamente, até que percebo que a minha cena favorita, do episódio das Cataratas do Niágara, está se aproximando.
Imediatamente, deixo a tigela no meu colo e aguardo o momento exato em que o Pica Pau, acidentalmente, induz um personagem a descer as cataratas dentro de um barril. E os turistas, em pé em uma espécie de plataforma e vestidos com capas amarelas de chuva, erguem as mãos acima de suas cabeças.
Então, imito tal gesto e, enquanto o barril despenca em queda livre, exclamo junto com eles:
— Hoorayyyyyy!
Uma risada inevitável escapa da minha garganta no final, me levando a dar um tapa na minha perna e jogar minhas costas para trás. Já perdi as contas de quantas vezes assisti este episódio e ele nunca perde a graça. É incrível!
A cena se repete algumas vezes e eu ainda estou tentando controlar o riso, quando Loki reforça:
— Você é muito estranha, Olivia.
Paro de rir quase imediatamente, olho em sua direção e rezo para que o deus asgardiano não perceba que eu fiquei arrepiada ao ouvir o meu nome em sua boca. Aliás, eu não sei por que, mas toda vez que Loki diz o meu nome, eu me sinto assim. Já virou um círculo vicioso que eu luto para conter. Sem sucesso.
Sem querer dar muita importância para isso e sentindo que preciso dizer alguma coisa logo, antes que este momento entre nós se torne embaraçoso, eu me visto de sarcasmo e rebato:
— São seus olhos, chuchu.
Em resposta, Loki arqueia uma sobrancelha, examina os meus trajes, se concentrando no meu óculos logo depois, e questiona de um jeito cínico:
— Você percebe como soa ridícula dizendo isso... Assim, certo?
Tudo bem, eu não devo estar muito bonita, mas também não precisa humilhar.
Então, com certa raiva, ergo o óculos, deixo-o no topo da minha cabeça, encontro o olhar do gafanhoto e indago seca:
— Melhor?
Loki não responde, apenas me encara. E eu, inevitavelmente, o encaro de volta. Tenho a impressão de que nós dois estamos pensando na mesma coisa, — no nosso abraço — quando ele finalmente quebra o silêncio constrangedor:
— O que aconteceu ontem?
Por um momento, sinto uma onda de nervosismo se alastrar dentro de mim e minha garganta fica seca. Não acredito que Loki tocou neste assunto. Não acredito que ele quer mesmo conversar sobre aquele abraço.
Como se tivesse lido os meus pensamentos, o traste esclarece rapidamente:
— Você disse que foi assaltada.
A onda de nervosismo se transforma em certa decepção já que, aparentemente, o Deus da Trapaça não quer conversar sobre o nosso abraço. Talvez aquilo não tenha significado nada para ele, afinal.
Mas também o que eu queria? Que tivesse significado? Significou alguma coisa para mim?
Me pergunto isso e me convenço de que não, não significou absolutamente nada. Então, a decepção se dissipa dentro de mim. Nada mudou entre mim e o gafanhoto, afinal. E isso é bom. Eu já tenho problemas demais. Não posso me dar ao luxo de ter mais um. Não posso me dar ao luxo de me... De me... Apaixonar por esta coisa! É isso. Não posso.
Não posso! Não posso! Não posso!
Pensando desta forma, desvio do seu olhar e repito a minha mentira de ontem:
— Sim, eu fui assaltada.
— E o que levaram? — Loki pergunta na sequência.
Isso faz eu me lembrar do que os Vingadores, com exceção de Steve, fizeram. Me faz lembrar da discussão na Torre Stark e do que eu senti, como se algo tivesse se quebrado dentro de mim.
Resumindo, eu posso até não ter sido assaltada de verdade, mas certamente, roubaram alguma coisa de mim ontem. E sendo assim, eu respondo:
— A confiança que eu tinha nas pessoas. — mas, percebendo que Loki me analisa de soslaio um tanto intrigado, resolvo deixar essa questão para lá, me levanto do sofá e digo de um jeito acelerado: — Quer saber? Não importa. Sabe o que importa realmente? Que eu acabei não fazendo as compras ontem e, portanto, nós continuamos sem suprimentos. Então eu vou lá no supermercado agora mesmo e resolver isso de uma vez. O que você me diz? Quer vir comigo?
Não sei o que deu em mim para convidar o deus trapaceiro para ir às compras comigo, mas... Sei lá, já que o nosso abraço de ontem não significou nada para ele, muito menos para mim, é melhor que as coisas voltem ao normal entre nós de uma vez por todas.
Além disso, levar Loki ao supermercado, obrigá-lo a me ajudar a carregar as compras até o carro e depois até o meu cafofo não deixa de ser uma boa ação que ele pode fazer. Não deixa de ser mais uma lição para ele refletir. No fim, é na missão que eu tenho que me concentrar mesmo, certo?
Loki parece pensar na minha proposta, até que me mede da cabeça aos pés e pergunta com certo assombro:
— Por acaso você vai assim?
Um riso escapa da minha garganta, antes que eu consiga responder:
— Claro que não, chuchu. Eu posso ser maluca, mas tenho senso de moda, sabia? Ao contrário de certas criaturas que adoram andar por aí fantasiadas de cosplay de gafanhoto e com chifres de rena.
Loki me lança um sorriso amarelo, antes de se levantar do sofá, colocar as mãos para trás e perguntar com aquela maldita língua afiada:
— Se você tem mesmo senso de moda, então por que se vestiu assim, para começo de conversa?
Agora ele me pegou. Não posso responder esta pergunta. Não sem admitir que fiquei constrangida demais com aquele abraço entre nós e quis me esconder de alguma forma. No caso, me vestindo deste jeito.
Apesar de continuar calada, tenho a impressão de que Loki sabe a resposta da pergunta que me fez, já que me observa de um jeito cínico e presunçoso.
Desgraçado...
Incapaz de contornar a situação, respiro fundo e desconverso:
— Eu vou trocar de roupa.
Antes que Loki diga qualquer coisa, lhe dou as costas e caminho apressada até o quarto. Ao chegar lá, fecho a porta atrás de mim e me apoio nela. Fico assim por algum tempo. Pensando naquele maldito abraço...
Dias depois
O resto da semana passou voando e, gradualmente, eu e o estrupício do Loki fomos voltando ao normal. Ao nosso normal, pelo menos. Que não é nada normal, diga-se.
Logo chegou a sexta-feira, o fatídico dia da festa na casa da Vicky, uma prima de Josh e Amy.
Vicky é o tipo de pessoa que deu certo na vida. Enquanto eu e os primos dela ainda estamos na faculdade, nos matando de tanto estudar — teoricamente — e lutando por um lugar ao sol, ela se formou em Marketing Empresarial com louvor há dois anos, conseguiu um ótimo emprego em uma multinacional com sede em Nova York e tem uma casa enorme em Manhattan.
Droga... Manhattan me lembra a Torre Stark que, consequentemente, me lembra o Homem de Ferro e a última vez que vi não só ele, mas o Bruce, o top model asgardiano e o casal Robin Hood e Lady Marian também. Ou seja, me lembra que eu rompi relações, por tempo indeterminado, com boa parte do time de Vingadores.
Durante essa semana, vi o Capitão Gato América duas vezes. Uma delas, nesta manhã, quando fui comprar um vestido novo para a festa. Steve me seguiu e mais uma vez tentou me convencer a conversar com os seus companheiros, disse que eles estão arrependidos e lamentam muito por terem me magoado.
Como a minha mágoa diminuiu um pouquinho — só um pouquinho, pois sou muito orgulhosa — me comprometi a pensar no assunto e voltar a conversar com Steve na próxima semana sobre isso.
A verdade é que uma parte de mim quer esquecer tudo o que aconteceu e fazer as pazes com os outros Vingadores, mas... A outra parte está gostando de não tê-los por perto e, assim, de não ser tão policiada por eles.
Em outras palavras, é bem melhor lidar com o gafanhoto, sem que a Viúva Negra me aconselhe a manter certo distanciamento dele, e sem o Bruce insinuando que eu, Olivia Mills da Silva Sauro, estou a meio caminho de me apaixonar pelo Deus da Trapaça.
Rá! Até parece que eu me apaixonaria por aquela coisa de outro mundo! Nem que Loki fosse o último bofe disponível no mercado dos Nove Reinos!
Estou me convencendo disso, quando termino o meu banho e caminho até o quarto. Fico algum tempo diante da cama, olhando para o vestido sobre ela e tentando entender por que o comprei. Não é como se eu não precisasse de um vestido novo para ir à festa, mas... Se a minha cor favorita é preto, por que diabos eu escolhi um vestido verde escuro?
Tudo bem, o modelo é lindo, bem acinturado, valoriza as minhas curvas e, como diz a minha avó, eu vou ficar uma verdadeira teteia com ele. Mas... Essa cor... Por que justo essa cor?
Estou me perguntando isso, quando ouço batidas na porta do meu quarto e uma respiração impaciente do outro lado. Claro que é o deus trapaceiro e claro que ele está tiririca com a minha demora. Não que eu esteja demorando, mas para os homens — e pelo visto, para os deuses também — as mulheres sempre demoram para se arrumar.
Sem querer discutir e correr o risco de perder o meu acompanhante para a festa, digo do jeito mais simpático que consigo:
— Já estou saindo, gafanhoto! Só mais dez minutinhos!
Loki não responde, mas ouço os seus passos se afastando da porta. E depois os ouço novamente. Passos impacientes percorrendo toda a minha sala, de um lado para o outro, sem parar por um instante, enquanto eu me visto, me maquio e ajeito os meus cabelos.
Sei que o deus trapaceiro não está nada satisfeito por eu ter praticamente o obrigado a me acompanhar hoje. Po isso, procuro me arrumar o mais rápido que consigo, para que Loki não tenha tempo de pensar em uma desculpa e desistir de ir comigo.
Quarenta minutos depois, saio do quarto um tanto distraída, ajeitando minha pequena bolsa a tiracolo e cantarolando:
— Estou pronta...
Paro no meio da sala e ergo a cabeça ao mesmo tempo em que Loki se levanta do sofá. Talvez ele tenha se cansado de caminhar para lá e para cá feito uma barata tonta, afinal.
Ainda estou refletindo sobre isso, quando acontece algo que me desconcerta imediatamente, faz um frio engraçado surgir no meu estômago, se espalhar pelo meu corpo e me deixa arrepiada.
E tudo isso porque... O gafanhoto asgardiano me analisa. Me mede. Me analisa de novo. E me mede mais uma vez. Não com desprezo, mas... Com outra coisa. Como se ele estivesse um tanto surpreso diante do que está vendo. Como se não soubesse o que dizer. Como se estivesse com certa raiva de si mesmo por não conseguir se recompor e parar de me olhar deste jeito... Inconveniente.
Resolvo ajudá-lo, pigarreando antes de dar uma voltinha — não sei por que dei esta voltinha ridícula, mas tudo bem — até que paro novamente de frente para ele e pergunto:
— E então? Como eu estou?
Não sei por que perguntei isso. Ou melhor, sei sim. Acho que quero arrancar um elogio do gafanhoto asgardiano. Por algum motivo, meu orgulho feminino precisa disso. Preciso que Loki reconheça que eu estou uma teteia! Me julguem!
— Você está... — ele começa enquanto me mede mais uma vez.
Uno as sobrancelhas e estreito o meu olhar em sua direção, esperando um elogio fenomenal, daqueles de fazer a gente se sentir uma diva!
No entanto, o Deus da Trapaça continua lá, parado diante de mim, um tanto tenso, procurando a palavra certa, lutando para me fitar nos olhos, até que por fim, consegue se recompor, me encara com uma sobrancelha levemente arqueada e, com um sorriso quase imperceptível nos lábios, diz:
— Apresentável.
Por um instante, é como se tivessem jogado um balde de água fria em mim. Em seguida, tenho uma sensação de déjà vu, afinal, me lembro muito bem de ter usado este mesmo adjetivo chocho para me referir ao gafanhoto, certa vez. Com certeza, ele viu a oportunidade ideal para pagar na mesma moeda.
Desgraçado...
Mas também o que eu esperava? Que Loki dissesse que eu estou linda, deslumbrante, poderosa, sexy...?
Me julguem, mas acho que uma parte de mim — uma parte irracional de mim, diga-se — queria exatamente isso. Devo estar ficando maluca... Só pode.
Respiro fundo, camuflando minha decepção com um sorriso amarelo, e me contento com o apresentável mesmo. Em seguida, dou uma olhada rápida nos trajes do mequetrefe, que se resumem a uma combinação bem casual de calça, camisa e blazer, e lhe dou o troco com certo desdém:
— Você também está apresentável, gafanhoto.
Na verdade, Loki está bem mais do que apresentável. As roupas que eu comprei para ele, há alguns dias, lhe caíram muito bem. Em parte, pelo meu bom gosto, mas também porque... Porque... Okay, digamos que o traste até que tem um corpo... Bonito. Razoavelmente bonito. Apenas razoavelmente, que fique bem claro.
Ao pensar nisso, acabo me lembrando do fatídico dia em que o vi só de toalhinha, desfilando pelo meu cafofo, me encostando contra a porta e...
Respiro fundo e afasto tal lembrança, antes de dizer um tanto tensa:
— Vamos?
Não espero o Deus da Trapaça responder. Ao invés disso, caminho até a porta e logo ouço os seus passos atrás de mim. Instantes depois, entramos no elevador e, enquanto a porta se fecha, eu peço:
— Por favor, prometa que você vai se comportar na frente dos meus amigos.
Loki não responde. De soslaio, eu vejo um sorriso torto e cínico se formando em seus lábios e tenho um leve pressentimento ruim. Mas, acabo me convencendo de que o deus trapaceiro vai se comportar sim. Ele só está tentando me deixar em pânico, me provocar, mas não vai funcionar. Vai dar tudo certo.
Sorrio minimamente ao repetir isso mentalmente, até que a porta do elevador se abre.
Seja o que Deus quiser.
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