Trapaças do Destino
24 Decisão
Notas iniciais
Tem certos dias em que eu penso mais na minha avó. Dias em que sinto mais a falta dela. Hoje é um desses dias.
Queria muito que a Sra. Susan Mills estivesse aqui comigo. Ela saberia exatamente o que me dizer, que conselho me dar, ou talvez ficasse no mais completo silêncio, apenas me ouvindo, e isso já me ajudaria muito. Nós tínhamos nossas desavenças, é verdade, mas ela sempre foi uma ótima conselheira. Uma ótima avó. E a única mãe que tive.
Por que estou pensando tanto em minha avó? Porque ontem eu tentei beijar o Loki. Sim, eu me lembro. É um fato.
E eu adoraria ser daquele tipo de pessoa que não se lembra de absolutamente nada no dia seguinte a uma bebedeira, mas não sou assim. Adoraria ser daquele tipo de pessoa que usa o álcool para justificar determinado comportamento, mas eu também não sou assim.
Não poderia ser, já que sou neta de Susan Mills, e, embora não esteja aqui comigo, eu me lembro muito bem de uma coisa que ela costumava me dizer: nada do que se faz ou se diz bêbada, não foi se pensado sóbria antes.
Sabem o que isso significa? Significa que eu realmente quis beijar o gafanhoto asgardiano. Por quê? É uma ótima pergunta. E a verdade é que eu tenho medo de tentar respondê-la. Me julguem.
Me reviro na cama, atormentada por tal pergunta e tento afastar esses pensamentos. Mas, é só fechar os meus olhinhos de noite serena que tudo vem à minha mente como um filme, fazendo o meu coração bater mais forte.
Eu e o Deus da Trapaça dançando no terraço, aquele clima estranho, mas muito bom entre nós, o ímpeto que tive de beijá-lo ao final da dança, Josh aparecendo, o constrangimento, eu bêbada e me insinuando para Loki, nós dois voltando de táxi, eu me insinuando para ele de novo, desta vez no elevador, e depois aqui no meu quarto...
Droga! Eu ainda cheguei a dizer que aquele traste é bonito! Eu, Olivia Mills, encarei Loki com o meu olhar 43 e afirmei com todas as letras que o acho bonito! Que ódio!
E, para fechar com chave de ouro — só que não — eu ainda anunciei que iria beijá-lo. E estava pronta para fazer isso. Mas, por sorte, apaguei antes que cometesse tal insanidade.
Sim, porque beijar Loki seria uma verdadeira insanidade, certo?
Certo, certíssimo, com certeza! Sem sombra de dúvida!
Me reviro na cama mais uma vez, pouco convencida disso e ciente apenas de uma única coisa: de que não posso culpar o álcool pelo meu comportamento ontem à noite, porque não sou deste tipo de pessoa e porque, de fato, não foi culpa da bebida.
Em algum momento, sóbria, eu reparei no deus trapaceiro e megalomaníaco. Em algum momento, eu o achei... Bonitinho sim. Pegável. E, em algum momento, eu quis beijá-lo. Mais precisamente enquanto dançávamos no terraço da casa de Vicky. Ali, eu não estava chapada ainda. E eu quis beijá-lo. É um fato. E talvez, mesmo antes daquele momento, eu tenha pensado em Loki de um jeito diferente.
Fecho os olhos e levo minhas mãos ao rosto, enquanto me lembro das inúmeras vezes em que Thor e seus companheiros de equipe me alertaram sobre isso. Sobre não me deixar envolver pelo charme vilanesco do Deus da Trapaça, sobre não... Me... Apaixonar por ele.
Droga...
E, mesmo com tantos alertas e conselhos chatos, aqui estou eu. Pensando demais naquele estrupício, sentindo o meu coração acelerar toda vez que relembro o que aconteceu naquela festa e admitindo para mim mesma que eu, realmente, quis beijá-lo. Aqui estou eu, mais confusa do que nunca, com medo de sair do meu quarto e ter que encarar o mequetrefe do Loki.
Como lidar?
Não posso passar a vida inteira neste quarto, evitando um reencontro, fugindo de Loki como o diabo foge da cruz. Mas, também não posso vê-lo. Não agora. Não assim.
Impaciente, me sento na cama e só então percebo que tem um cobertor em cima de mim. Franzo o cenho, achando isso muito estranho, já que não me lembro de ter pegado-o no guarda-roupa ontem. Só me lembro de ter apagado nos braços do maldito gafanhoto asgardiano.
Espera... Então... Será que Loki...?
Não, não. Isso é ridículo. Ele não se daria ao trabalho de me cobrir. Não mesmo. Portanto, a única explicação plausível é que eu me levantei durante a madrugada — provavelmente num ato de sonambulismo, embora eu não seja sonâmbula, mas tudo bem — e peguei o cobertor. Ponto final. Foi isso.
Uma pontinha de tristeza se abate sobre mim ao pensar desta forma. E uma pontinha de esperança se acende, quando cogito a possibilidade de Loki ter demonstrado algum cuidado em relação a mim. Será?
Quando percebo, estou sorrindo. Mas, obviamente, desmancho tal sorriso na sequência, afinal, isso não tem o menor cabimento.
Sinto raiva de mim mesma, já que eu não deveria cogitar nada disso, não deveria estar pensando tanto assim em Loki, muito menos me dando certas... Esperanças.
Onde eu estou com a minha cabeça? O que eu estou planejando ao pensar essas coisas? Eu e aquele mequetrefe? Eca! Cruzes! Deus me livre!
Além disso, por mais que uma parte irracional de mim até acredite que Loki se importa um pouquinho comigo — afinal, ele não me jogou pela janela, quando teve a oportunidade para tal —, a única coisa que eu sei realmente é que ele quer voltar para Asgard o quanto antes. E, para isso, ele precisa se livrar daquele bracelete e, consequentemente, de mim.
É isso o que nos une. Essa maldita missão. Apenas isso.
Será mesmo?
Mas... Então por que eu tive a impressão de que Loki também sentiu alguma coisa ontem à noite? Por que eu senti, por um segundo, que Loki também queria me beijar? Será que ele quis?
Não, não e não! Não se iluda, Olivia Mills! Aquele gafanhoto prepotente não quis te beijar! No máximo, zombar de você, como fez nos fatídicos episódios da toalha e das cuecas GG!
Aquele energúmeno do mal não é o seu príncipe! Não é o seu par perfeito! E ponto final! Desapega!
É o que estou repetindo para mim mesma, quando levanto com raiva e começo a andar de um lado para o outro do quarto, assim como Loki fez, quando despencou na frente do meu carro em uma noite chuvosa, que parece estranhamente distante agora.
Nós passamos por tanta coisa desde aquela noite que... Eu não sei, mas sinto que o deus trapaceiro subiu um pouquinho no meu conceito. Apenas um pouquinho, é claro. Tipo 0,000001%. Talvez nem isso.
Paro de andar feito barata tonta, quando vejo o Caco sentadinho sobre a minha cômoda. Sem saber por que, caminho até ele e o pego com certo carinho. O abraço, volto para a cama e me sento, enquanto volto a pensar em Loki, na missão, nos conselhos dos Vingadores, em minha avó e no que ela me diria numa situação como essa.
Sinto uma ponta de culpa ao perceber que desde que acordei, estou pensando na Sra. Susan Mills como algo passado. É a primeira vez, desde o acidente, que paro de agir como se ela ainda estivesse viva. Ela não está.
Eu nunca vou saber o que minha avó me diria e, portanto, tenho que arrumar a bagunça que eu fiz. Sozinha, por minha conta.
Mas como farei isso, se eu sinto que não sou capaz de lidar com os sentimentos inexplicáveis que pareço ter desenvolvido por Loki? Como, se eu não consigo aceitar o fato de que... Sim, eu estou apaixonada por aquele alienígena do mal?
Sinto um calafrio ao admitir isso para mim mesma. Ao admitir que estou... Apaixonada pelo deus trapaceiro. Arrgghhh! Que horror!
Como eu deixei isso acontecer? Como eu não percebi o que estava acontecendo comigo? Como eu não evitei tudo isso? Como eu pude ignorar os alertas de Thor? De Natasha? De Bruce? Do Capitão Gato América? Do meu horóscopo diário? Como? Como eu pude me apaixonar pelo vilão da história?
Minha cabeça está à ponto de explodir e, por mais que eu odeie, meu coração continua batendo mais forte, quando penso no Deus da Trapaça. E no meio de toda essa confusão dentro de mim e do medo que sinto de tudo isso, eu só tenho certeza de uma coisa: eu não sou capaz de lidar com esta situação.
E quando eu não sou capaz de lidar com algo, o que eu costumo fazer? Eu me nego a encarar a realidade, eu fujo, eu passo a viver em negação.
Pensando desta forma, e enquanto encaro os olhinhos meigos do Caco em meu colo, tomo uma decisão. Uma decisão nem um pouco nobre. Uma decisão muito covarde, aliás, mas a única que irá manter os meus pés no chão e um pouco da minha sanidade. A única que irá me preservar e evitar que eu sofra.
Tal decisão se consolida dentro de mim, me deixando inevitavelmente triste e tomada por um estranho vazio. Mas, me convenço de que esse é mesmo o único jeito de lidar com essa situação. E sei muito bem qual é o primeiro passo que devo dar.
Preciso conversar com o top model asgardiano — lê-se Thor. Preciso lhe avisar que... Que eu estou fora. Que esta missão... Acabou. Eu não posso mais ajudar o Loki. Acabou. É isso. Olivia Mills vai pedir para sair.
XXX
Depois do banho mais longo da minha vida, visto um roupão e volto para o meu quarto, estranhando o fato de eu não estar com um pingo de ressaca, dor de cabeça, nada.
Pelo visto, além de uma certa resistência física — que me salvou de morrer afogada, há três anos —, eu devo ter desenvolvido alguma resistência aos efeitos do álcool também. Bem, pelo menos, no que diz respeito a ressacas, já que não sou imune à embriaguez em si.
Abro o guarda-roupa, mas não sei o que vestir. Estou com medo de escolher algo, porque sei que, depois disso, terei que sair do quarto. E, consequentemente, encarar Loki.
Avisto uma peça volumosa e amarela vibrante no final de uma pilha de roupas e, por um momento, cogito vestir a minha fantasia de Pikachu. Seria uma ótima forma de me camuflar, como fiz há alguns dias, quando, me sentindo estranhamente envergonhada, depois de um abraço impensado entre mim e Loki, desejei ficar invisível.
Não deu muito certo, é claro. Aliás, acho que o meu modelito naquela ocasião apenas me destacou mais. Assim, como a minha fantasia de Pikachu faria agora. Tenho que pensar em outra coisa. E tenho que sair deste quarto.
Pego uma legging preta, uma blusa cinza, comprida e meio folgada, e me visto de uma vez. Depois, calço um par de botas marrom de cano curto, prendo meus cabelos em um rabo de cavalo, pego uma pequena bolsa e me observo no espelho do guarda-roupa. Em seguida, olho na direção da porta e, inevitavelmente, engulo em seco.
E quando percebo que fiz isso, me xingo mentalmente e me obrigo a parar de ser tão covarde.
Tudo bem querer desistir da missão, eu tenho os meus motivos para isso. Mas, em algum momento, eu vou ter que encarar o gafanhoto. E é melhor que seja logo. Oxente! Não estou devendo nada para aquele traste, por que vou ficar me escondendo pelos cantos do meu próprio cafofo?
Pensando assim, ligo o botão do foda-se, caminho resoluta até a porta e a abro com um movimento rápido.
Logo, estou na sala, pronta para encarar aquele serzinho desprezível, trapaceiro e nada lindo, mas, para minha surpresa, não vejo Loki em parte alguma.
Penso um pouco e me pergunto se o dito cujo está tomando o seu banho matinal. Esse palpite se confirma, quando meus ouvidos captam o barulho do chuveiro ao longe, no banheiro social da minha humilde residência.
Sinto um alívio profundo por ter escapado de Loki — ou pelo menos adiado o momento em que terei que encarar aqueles olhos nada lindos e verdes. E, sem pensar duas vezes, saio do meu apartamento em disparada e só relaxo quando já estou dentro do elevador.
Ufa! Foi por pouco!
Lembrando-me da minha decisão covarde, respiro fundo, olho para o teto da cabine e, me sentindo meio ridícula, pigarreio e digo:
— Rádio patroa... Digo, Heimdall. Será que você poderia avisar ao Thor que eu preciso falar com ele, tipo... Já? Com urgência urgentíssima? Valeu, hein?
Instantes depois, a porta do elevador se abre e logo eu alcanço a rua. Olho tudo em volta, mas duvido muito que o Deus do Trovão vá aparecer aqui, na frente dos transeuntes que caminham por toda a parte. É então que eu me lembro do beco, onde me encontrei com ele, Bruce, Clint e Natasha, certa vez.
Começo a caminhar na direção daquele lugar, mas, não chego a alcançá-lo. Quando vou atravessar uma rua menos movimentada, ouço o ronco de uma moto que se aproxima de mim, e me viro na direção do som.
Então, Steve Gato Loiro Rogers encosta a moto ao meu lado, me encara e explica prontamente:
— Stark me ligou. Ele disse que Thor está na Torre e que você quer falar com ele. É verdade?
Droga... Não queria voltar naquele lugar. Não depois da última vez que estive lá. Mas, convencida de que depois de hoje, eu não precisarei mais colocar meus pés na Torre Stark, confirmo:
— Sim.
Steve me observa por alguns instantes, como se estivesse pensando em perguntar o que eu estou planejando com isso. No entanto, como o ser fofo que é, ele não pergunta nada, simplesmente me entrega um capacete e indica a garupa da moto.
Eu subo instantes depois, sem pestanejar. E sem tirar uma casquinha dele desta vez. Steve Rogers é meu amigo. Ponto. Não parece certo me aproveitar do seu corpinho lindo e sarado, mesmo que seja na inocência e na amizade.
Além do mais e não que eu goste disso, mas sinto que tirar uma casquinha do Capitão América, enquanto penso constantemente no Deus da Trapaça é errado. Não tenho nem vou ter nada com aquele traste, mas também não quero trair meus sentimentos por Loki.
Meus sentimentos por Loki... Eca! Como eu pude deixar isso acontecer mesmo?
Passo a curta viagem até a Torre Stark me perguntando isso. E, quando chego lá, ainda não encontrei uma resposta satisfatória para tal tragédia. Simplesmente aconteceu, como essas coisas costumam acontecer.
XXX
Caminho por alguns corredores ao lado de Steve, até que avisto Tony Stark vindo na direção oposta e diminuo o passo. Logo, paramos frente a frente e, antes que o gênio, bilionário, playboy e filantropo diga alguma gracinha, eu cruzo os braços contra o peito e o cumprimento seca:
— Oi.
Em resposta, o Homem de Ferro ergue as mãos na altura do peito e pergunta:
— Ainda com raiva de mim, Adestradora de Rena?
Lembro-me de alguns dias atrás, quando descobri que os Vingadores — com exceção de Steve — mapearam o meu DNA e investigaram o meu passado, e respondo ainda mais seca:
— Sim, ainda, Homem de Lata.
Stark abaixa as mãos e me encara de um jeito sério, mas resignado, antes de desviar do meu olhar. É como se ele soubesse que pisou na bola comigo, mas não soubesse como se desculpar.
Sinto uma ponta de culpa, já que talvez, eu esteja sendo muito dura com ele.
Então, respiro fundo e digo de um jeito mais maleável:
— Mas, eu espero que isso passe... Algum dia.
— Eu também espero. — ele assente, voltando a me encarar.
Em seguida, Tony olha para Steve ao meu lado e eu sigo o seu olhar. Vejo um sorriso discreto e esperançoso no rostinho lindo do Capitão América, como se ele também desejasse aquilo, que eu desculpasse os seus companheiros por terem invadido a minha privacidade daquela forma e trazido o meu pior trauma à tona: a morte da minha avó.
Talvez, depois de hoje, eu finalmente consiga fazer isso. Começar a perdoá-los. Quero deixar tudo aquilo para trás, junto com... Loki.
Querendo resolver a minha situação de vez, pigarreio para chamar a atenção dos dois e pergunto:
— Onde o Thor está?
— Me siga. — Stark orienta, virando-se e caminhando na mesma direção de onde veio.
Eu o sigo prontamente, junto com Steve, que pergunta:
— Nós podemos participar da conversa?
Penso um pouco e respondo:
— Eu prefiro que não. Mas, depois ele poderá contar tudo para vocês, não se preocupem.
Depois de parar diante de uma enorme e metálica porta dupla, Tony se volta para mim e questiona:
— Por que essa preferência toda pelo Shakespeare?
Demoro alguns instantes para entender que ele está se referindo ao Deus do Trovão, e então respondo:
— Foi ele que me procurou, para começo de conversa, e me incumbiu desta missão. Nada mais justo que eu o procure agora.
— Agora? — Steve repete, franzindo o cenho.
— Como assim? — Stark questiona.
Quando os dois se entreolham, me convenço de que Thor nem precisará explicar o que eu vim conversar com ele. Parece que os dois heróis diante de mim já começaram a matar a charada.
Mas, sem querer confirmar isso, eu indico a porta e pergunto um pouco impaciente:
— Eu posso entrar?
Stark pisca algumas vezes, voltando a si. Em seguida, aperta um botão ao lado da porta, que se abre automaticamente, revelando uma enorme sala do outro lado, e diz:
— Cuidado que ele não está sozinho.
— Como assim? — pergunto confusa, adentrando o recinto distraidamente, mas quando olho para trás, a porta já se fechou.
Então, me volto para a frente e logo reconheço o top model asgardiano de costas, diante da varanda e de uma deslumbrante vista de Manhattan. E Tony tem razão. Ele não está sozinho aqui.
Há uma mulher ao seu lado. Ela parece ter uns trinta anos, possui cabelos lisos, compridos e castanhos, é bem bonita e tem um rosto tão delicado e perfeito, que parece até uma boneca.
E a dita cuja está vestindo uma camisa xadrez tão linda, que eu tenho vontade de roubar imediatamente e sair correndo. Mas, me contenho, é claro.
É esta mulher misteriosa que nota a minha presença primeiro, já que ela está de costas para a vista, apoiada na varanda e, portanto, de frente para a entrada da sala.
— Oi! — ela me cumprimenta, abrindo um sorriso radiante, antes de dar um cutucão entre as costelas de Thor e caminhar até mim a passos largos. — Eu sou Jane Foster. — se apresenta, enquanto Thor a segue prontamente.
Jane Foster... Jane Foster... Certo! Jane Foster! A cientista sortuda que fisgou o coraçãozinho do Deus do Trovão! Como eu pude esquecer? Eu já li sobre ela em algumas revistas científicas e também em alguns tabloides.
— Olivia Mills. — me apresento também, e sou surpreendida por um abraço forte e caloroso na sequência.
— É um prazer finalmente conhecê-la, Olivia. — Jane diz de um jeito tão gentil, que só posso assimilar a surpresa o mais rápido possível e corresponder o seu abraço do mesmo jeito.
Gostei dela. De certa forma, eu também sou assim. Gosto de surpreender as pessoas que acabo de conhecer com abraços calorosos e meio constrangedores. Foi assim com Natasha Romanoff, por exemplo. Aquela diva que, infelizmente, traiu a minha confiança.
— O prazer é todo meu, Jane. — retribuo, afastando a tristeza por me lembrar do meu desentendimento com a Viúva Negra.
Em seguida, Jane me solta e, sorrindo, abre caminho para o seu namorado alienígena, que começa a me cumprimentar:
— Olivia...
No entanto, quando Thor dá um passo em minha direção e abre um pouco os braços, eu recuo imediatamente, cruzo os meus contra o peito, desvio do seu olhar e digo simplesmente:
— Oi, Thor. Tudo bem?
De soslaio, vejo Jane desmanchar o sorriso e olhar para mim e Thor algumas vezes. Tenho a impressão de que ele abaixa os braços e, consequentemente, o Mjölnir em sua mão direita.
Me sentindo meio infantil, me obrigo a deixar o orgulho de lado e a olhar para ele, que diz um pouco contido e desconfortável:
— Me diga você. O que aconteceu?
— Você já deve saber. — não é a melhor forma de iniciar o assunto, mas é tudo o que sai da minha garganta.
Sua resposta vem na sequência e de um jeito firme:
— Eu sei o que o Heimdall me reporta, Olivia. Mas, se você me chamou aqui, eu imagino que seja por que tem algo específico para me dizer. E parece ser urgente, pelo o que eu entendi.
É agora ou nunca. A hora da verdade. Preciso dizer o que me trouxe até aqui e retomar o controle da minha vida, mas, fico um pouco incomodada com a presença de Jane Foster. Nada contra ela, que eu já considero uma pessoa muito fofa, mas este assunto é entre mim e o top model asgardiano. Apenas.
Percebendo a minha hesitação, Thor se manifesta:
— Jane está passando uns dias comigo em Asgard e fez questão de me acompanhar até aqui, quando Heimdall me disse que você precisava falar comigo com urgência. Está tudo bem, você pode dizer qualquer coisa na frente dela, Olivia.
Reiterando a explicação do Deus do Trovão, Jane se volta para mim e diz de um jeito simpático:
— Você tem feito tanta coisa pela ovelha negra da família Odinson, que eu fiquei muito curiosa, Olivia. Eu precisava te conhecer pessoalmente.
Franzo o cenho, achando aquilo meio exagerado, e disparo:
— Eu só comprei umas cuecas para aquela gentalha, não foi nada de mais.
A renomada cientista ri feito criança quando eu digo isso. Se descontrola e eu me pergunto se, em algum momento, ela vai rolar no chão de tanto rir.
Será que foi tão engraçado assim?
Quando ela finalmente se recompõe, visivelmente sem graça, Thor endireita o corpo, volta a olhar para mim e intima:
— Então, o que eu posso fazer por você, Olivia?
Contenho uma força estranha dentro de mim, que quer que eu desista dessa decisão que tomei, me encho de coragem — ou de covardia, não sei bem —, e murmuro de um jeito quase inaudível:
— Tirar o seu irmão problemático do meu cafofo, por obséquio.
— O quê?! — Jane parece muito surpresa.
— O quê? — Thor emenda, franzindo o cenho e me fitando com confusão e surpresa também, mas de um jeito mais contido do que a sua namorada midgardiana.
Engulo em seco e me obrigo a prosseguir com a minha decisão, dizendo com mais determinação:
— Eu estou fora. A missão acabou. Eu não consigo mais, Thor, me desculpe. Eu sei que me comprometi, e eu realmente queria ajudar o gafanhoto a se tornar alguém um pouco mais digno, eu queria te ajudar a ter o seu irmão de volta, mas... — hesito, sentindo o meu coração estranhamente acelerado, engulo em seco mais uma vez e tento me explicar: — As coisas mudaram. Eu... Sinto que eu mudei. E não consigo mais. Eu estou fora. Me desculpe.
Thor parece mais do que surpreso agora. Ele parece inconformado com a minha decisão e disposto a contra argumentar.
— Olivia...
Não permito que ele tente me convencer a voltar atrás e, me alterando um pouco, despejo:
— Você estava certo. Bruce estava certo também, todos vocês estavam. Eu me envolvi... Emocionalmente. A missão foi comprometida e, por isso, eu não posso mais continuar com ela. — desvio do seu olhar, sentindo-me constrangida, fraca e covarde, mas me obrigo a encarar Thor novamente e concluo: — Mesmo que eu conseguisse deixar esses... Esses... Sentimentos de lado, a verdade é que eu não sei mais como ajudar o Loki.
Não acredito que confessei o meu amor descabido e platônico pelo vilão da história. Me sinto ridícula e desvio dos olhares de Thor e sua leal companheira novamente, sentindo meu rosto ruborizar. Só queria que um buraco negro se abrisse embaixo dos meus pés neste exato momento.
— Você já está ajudando. — a voz de Jane Foster me desperta de tais pensamentos, me fazendo fitá-la novamente. — Mais do que você imagina, Olivia. — completa com uma segurança e uma calma que eu não compreendo.
Me volto para o Deus do Trovão, esperando que ele explique o que a sua midgardiana quis dizer com isso, porém, fico mais confusa ainda, quando ele fala:
— Loki está mudando. Graças a você. Ontem à noite, isso ficou bem claro.
Não sei o que o top model asgardiano está tentando dizer com isso, mas me ouço retrucando:
— Ontem à noite foi um erro. — e que minha avó não me ouça do além, mas eu resolvo culpar o álcool: — Eu estava bêbada.
— Mas o meu irmão não. — é a vez de Thor retrucar. E, depois de me encarar de um jeito emblemático, ele completa: — Loki sentiu alguma coisa também, Olivia. Ele está sentindo alguma coisa. Mas, reluta em admitir porque considera isso uma... Fraqueza. Bem, ele está errado. E quando perceber isso...
— Espera! — interrompo o Vingador alienígena, me sentindo zonza com os absurdos que estou ouvindo, e questiono: — O que você está querendo dizer com isso?
O silêncio impera por algum tempo e, quando a resposta vem, ela sai da boca de Jane Foster de um jeito tímido, mas firme:
— Que você não é a única que se envolveu... Emocionalmente.
Me volto para Thor e o seu olhar confirma a teoria de sua namorada. Teoria absurda, por sinal.
Quando finalmente assimilo o que ouvi, começo a rir e digo:
— Essa foi boa!
— Não é uma piada, Olivia. — Thor afirma seriamente. — E você pode fingir que isso é um absurdo, mas eu sei que, no fundo, você não quer que seja. E, acredite, não é.
Paro de rir automaticamente. E odeio admitir, mas, neste ponto o top model asgardiano está certo. Uma parte irracional de mim fica feliz com a possibilidade do gafanhoto não ser indiferente a mim, com a possibilidade dele... Sentir algo também. Se importar comigo de verdade.
Claro que a parte racional fala mais alto, mantendo os meus pés no chão e me ajudando a me lembrar do porquê estou aqui. A missão acabou. Não tem volta.
— Eu não entendo. — recomeço, cruzando os braços contra o peito. — Você me alertou tanto para que eu não me envolvesse, disse que o seu irmão era um manipulador de carteirinha, e agora... Parece até que quer ser o nosso padrinho.
— Eu estava errado. — Thor diz de um jeito firme e seguro.
— Não. — discordo, depois de pensar um pouco e ouvir o meu lado racional de novo. — Eu estava. E agora, eu estou tentando fazer a coisa certa. Então, por favor, tire o gafanhoto do meu cafofo hoje mesmo. — dito isso, dou as costas para os dois e caminho em direção a saída, dizendo: — Foi um prazer, Jane.
— Eu não vou fazer isso. — a voz do Deus do Trovão me faz deter o passo imediatamente.
Confusa, me volto em sua direção e balbucio:
— O quê?
Depois de trocar um breve olhar com Jane, Thor endireita a postura novamente, me encara e responde:
— Eu não posso te obrigar a continuar ajudando o meu irmão, Olivia, é um fato. Mas, eu também não vou buscá-lo.
— Como assim, você não vai buscá-lo? — questiono entredentes, me reaproximando. — Você o trouxe para a minha vida e agora...
— Não. — Thor me interrompe, e eu detenho o passo um pouco assustada com a seriedade em sua voz. — Loki surgiu na sua vida e você decidiu ajudá-lo. Eu apareci depois disso. Eu apareci depois que você já tinha decidido levá-lo para o seu apartamento. A escolha foi sua, Olivia. E mesmo depois, quando eu, de fato, pedi a sua ajuda, a escolha de aceitar a missão também foi sua. Então, se agora você quer que Loki saia de lá, você mesma terá que dizer isso a ele.
Não acredito que essa Barbie californiana está tirando o corpo fora e me desafiando deste jeito!
O sangue ferve em minhas veias, mas me esforço para não deixar transparecer o quanto estou possessa com isso.
Sendo assim, e me deixando levar pelo orgulho e pela teimosia, faço cara de paisagem, dou de ombros e asseguro:
— Sem problemas. Eu direi.
Em seguida, dou as costas para os dois novamente e caminho apressada em direção à porta. Soltando fogo pelas ventas, como minha avó diria, se estivesse aqui.
Novamente, o Deus do Trovão me faz deter o passo, quando diz em alto e bom tom:
— Mas eu preciso que você saiba que Loki não terá para onde ir depois disso.
Essa criatura só pode estar brincando comigo...
Me viro devagar e indago abismada:
— Você vai largar o seu irmão no sereno?!
O top model asgardiano é rápido na resposta:
— Pelo o que eu entendi, você vai fazer isso.
O observo por alguns instantes, ainda sem acreditar que ele está mesmo falando sério. Thor vai largar o gafanhoto ao deus dará? E está insinuando que a culpa será minha?
Sem conseguir acreditar nisso, arrisco:
— Você está blefando.
— Não, ele não está. — é Jane Foster quem diz desta vez, me fazendo olhar em sua direção automaticamente. Então, ela expõe com calma: — Loki não pode voltar para Asgard com aquele bracelete e eu duvido muito que outra pessoa lhe ofereça abrigo por aqui, então... Ele só tem você, Olivia. Pense bem no que você vai fazer.
Reflito um pouco sobre tais palavras, me atentando ao conselho final. Depois, começo a me perguntar por que Thor não veio sozinho conversar comigo, mas sim acompanhado de sua namorada midgardiana. Por fim, o quebra-cabeças se revela em minha mente, eu rio sem humor e deduzo:
— Foi por isso que você veio, Jane? Para ajudar o top model aí a me convencer do contrário? De alguma forma, vocês sabiam o que eu tinha em mente?
— Eu vim porque queria te conhecer, Olivia. — ela diz de um jeito natural, enquanto me encara sem hesitar. — E também porque... O Heimdall disse que você parecia confusa esta manhã. Eu só achei que você quisesse conversar sobre isso e que não se sentiria à vontade em falar com o Thor, mas sim com uma mulher que também se apaixonou por um deus de outro mundo. — Jane troca um olhar rápido, mas repleto de carinho com o seu boy magia, depois volta a me encarar e conclui com firmeza: — A ideia foi minha. Eu só queria ajudar. E não, nós não sabíamos o que você tinha decidido até então.
Olho para o Deus do Trovão e ele assente com um meneio de cabeça, ratificando tudo o que ela disse.
Respiro fundo, procurando manter a calma e me lembrando da educação que minha avó me deu. Em seguida, digo de um jeito gentil:
— Obrigada pela sua sinceridade, Jane. Mas não há mais nada que eu queira conversar. — e olhando para Thor, encerro a conversa de vez: — A missão acabou e o fato do seu irmão virar um andarilho não será minha culpa, mas sua.
Não sei se será mesmo, mas preciso jogar essa responsabilidade em cima de alguém.
Pensando assim, finalmente deixo a sala, decidida a resolver a minha situação e de Loki ainda hoje.
Dou alguns passos pelo corredor e vejo Steve andando de um lado para o outro logo a frente. Quando ele percebe minha presença, começa a se aproximar e tenho a impressão de que vai me encher de perguntas.
No entanto, não há tempo para isso, já que ambos avistamos Tony Stark, saindo de uma sala no mesmo corredor e vindo em nossa direção.
Então, o Homem de Ferro abre os braços em sinal de incredulidade, para diante de mim e questiona:
— Como assim a missão acabou? E como assim você está afim do homem rena? É sério?
Na sequência e visivelmente surpreso, Steve também indaga:
— O quê?
Todavia, estou focada demais na expressão tranquila do Homem de Ferro para me atentar ao Capitão América neste momento.
— Você ouviu a conversa. — é uma afirmação e não uma pergunta que sai da minha boca, enquanto observo Tony abismada.
— Desculpe, mas curiosidade é um dos meus defeitos. — ele se justifica, dando de ombros.
— Eu sei. — digo seriamente, me lembrando de que Tony fez parte da panelinha que revirou o meu passado e meu DNA em busca de respostas sobre mim.
Parece que deixei o Homem de Ferro sem graça, já que ele fica completamente sem palavras e desvia do meu olhar.
— Olivia. — a voz de Steve me desperta e eu olho em sua direção. — É verdade?
Me limito a assentir afirmativamente algumas vezes e depois oriento:
— É melhor você ir conversar com Thor. Ele te explicará tudo. — percebo que o ser fofo vai abrir a boca, presumo o que dirá e me adianto: — E não se preocupe, eu estou bem e posso voltar para o meu cafofo sozinha. — sinto que ele vai protestar mesmo assim, mas me antecipo mais uma vez: — Eu quero ficar sozinha, Cap. Sem ofensa. Eu preciso disso.
Steve me observa por algum tempo e percebo que ele não gosta da minha ideia, mas, por fim, ele respira fundo e resolve respeitar a minha decisão:
— Tudo bem.
Então, assim que ele se afasta, me volto para Tony e digo de um jeito mais seco do que eu gostaria:
— Se você quiser ouvir a história de novo, é melhor acompanhá-lo. Talvez você tenha perdido algum detalhe.
Lhe dou as costas logo depois e sigo pelo corredor, até que o ouço me chamando:
— Olivia.
Paro e hesito um pouco, antes de olhar para trás e indagar sem qualquer ânimo:
— Sim?
Tony Stark parece perdido por alguns instantes, olhando para o chão, como se procurasse algo. Já estou quase me convencendo a ir embora, quando ele ergue o olhar em minha direção e lamenta sem jeito:
— Eu sinto muito.
Sei que Stark se esforçou muito para dizer tais palavras, mas confesso que não sei pelo o que, exatamente, ele está se desculpando ou lamentando.
Por ter me investigado? Por ter ouvido a minha conversa com Thor e Jane? Por eu ter desisto da missão? Por eu ter me apaixonado pelo vilão desta maldita história? Eu não sei. Talvez seja por tudo.
A única coisa que sei e que sinto é que devo desculpá-lo. Seria o que minha avó me diria para fazer, se estivesse aqui.
— Está tudo bem, Homem de Lata. — o desculpo por fim, me forçando a sorrir um pouco, antes de deixar aquele corredor para trás definitivamente.
Mas, assim que eu viro no próximo corredor, com quem eu dou de cara? Bruce, Clint e Natasha.
Ao me verem, eles param de conversar e diminuem o ritmo de seus passos.
Noto que a Viúva Negra está de mãos dadas com o seu boy arqueiro magia, e Bruce está um pouco a frente dos dois, com um jaleco branco e uma prancheta em mãos.
Sei que minha avó diria para eu fazer as pazes com eles também, mas, eu não sou a Madre Teresa de Calcutá, okay? Cada coisa a seu tempo. Além disso, eu já desculpei um Vingador hoje. Mais de um, vira festa.
Sendo assim, passo por eles, cumprimentando-os aos poucos e de um jeito sério:
— Dr. Banner. Barton. Romanoff.
O trio não diz nada. No entanto, não ouço mais os seus passos, o que significa que eles pararam e, provavelmente, estão olhando para mim.
Não olho para trás para confirmar isso. Apenas aviso:
— O Deus do Trovão precisa falar com vocês. Parece ser importante.
Algum tempo depois
A porta do elevador se abre no andar do meu cafofo, mas eu não consigo me mexer. Hesito, pois não sei como vou expulsar o gafanhoto asgardiano da minha vida, mesmo tendo pensado nisso durante o caminho inteiro até aqui. No fundo, nem sei se devo fazer isso.
Devo?
Sinto que mandar Loki embora será como abandonar um animal de estimação. Não que ele seja um animal. Digo, às vezes, ele até se parece com um, mas... Enfim. O que eu quero dizer é que Loki não terá para onde ir. Porque ele só tem a mim, como Jane Foster mesma disse. É como se eu fosse a sua dona e ele um pobre cachorrinho indefeso.
Será mesmo?
Não! Não! E não! Não acredito que estou hesitando! Não acredito que a conversa na Torre Stark me desestabilizou a ponto de me fazer questionar a minha decisão. Não posso fraquejar agora. Não posso!
Loki não é um cachorrinho indefeso! Na verdade, ele está mais para um gato traiçoeiro e folgado, isso sim!
Além disso, eu duvido muito que Thor vá deixar o seu irmão na rua da amargura. E mesmo que, numa possibilidade remota, ele esteja falando sério, eu aposto que com aquele sotaque e aquele charme todo, logo logo, outra midgardiana vai se oferecer para dar casa, comida e roupa lavada para o Deus da Trapaça.
Sinto algo arder em meu peito e me recuso a admitir que fiquei com ciúmes de Loki, ao cogitar tal cenário. Não fiquei.
A porta do elevador começa a se fechar e eu me lanço para frente, fazendo-a se abrir de novo. Saio da cabine e olho tudo em volta. Me arrependo e tento voltar atrás, mas a porta se fecha antes que eu consiga entrar de novo. O elevador começa a descer.
Sem escapatória, me viro e encaro a entrada do meu humilde cafofo. E começo a me aproximar dela.
Respiro fundo, me encho de coragem, destranco a porta, giro a maçaneta com calma e abro a porta lentamente.
Quando finalmente adentro a sala, a primeira coisa que meus olhos veem é o deus trapaceiro. Loki está em pé, diante da estante, com sua clássica roupa de cosplay de gafanhoto, observando um porta-retrato da minha avó.
Quando percebe que tem companhia, ele se volta para mim, me lança um sorriso displicente e diz de um jeito sonso:
— Olivia, você voltou. Eu já estava começando a pensar que você estava fugindo de mim.
Minha Nossa Senhora Protetora das Midgardianas Desprezíveis Que Se Apaixonam Pelos Vilões das Histórias! Me ajuda!
Eu estou perdida. Isso vai ser muito mais difícil do que eu havia imaginado.
Como eu vou mandar o gafanhoto embora, se quando eu olho para ele, tudo o que eu penso em fazer é... Beijá-lo aqui e agora?
Fecho a porta atrás de mim e apoio as costas nela, tentando ignorar certa dormência em minhas pernas e uma tensão crescente em meu corpo.
Loki, por sua vez, estreita o seu olhar em minha direção e começa a se aproximar. Visivelmente intrigado.
Meu coração dispara.
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