Notas iniciais
Estou tão revoltada que resolvi postar o capítulo logo hoje. Trapaças do Destino foi plagiada, minha gente! Plágio conceitual que é aquele que a pessoa pega o enredo e muda algumas coisas, mas a essência está lá, inclusive da protagonista, a sequência de cenas, algumas falas e expressões, pensamentos, tudo. É como um remake da minha fic. A sacanagem aconteceu no Social Spirit, eu e outras pessoas iluminadas denunciamos e agora estou aguardando a oferenda voltar para o mar. Infelizmente, não posso expor a pessoa que fez isso porque sobrará para mim (é mole?), mas se vocês quiserem denunciar também ou apenas ler e sentir o que eu senti, me mandem MP que eu passo o link. Só peço que não comentem nada na fic da criatura nem a ofendam, apenas denunciem, okay? E se quiserem. Vamos fazer a coisa certinha. Well, espero que gostem do capítulo de hoje! E olha que eu fui boazinha, hein? Tô postando antes de uma semana. Lá vai...

Estou na sala de espera do consultório do Dr. Christian Patel, meu futuro terapeuta se tudo der certo em minha primeira sessão com o dito cujo.

O lugar possui um tom bege nas paredes, alguns quadros com arte abstrata, piso de madeira, dois espaçosos e aconchegantes sofás de couro marrom e um balcão com uma cadeira alta onde a secretária, uma jovem morena e bem bonita, olha constantemente para a tela de um computador e digita algumas informações de vez em quando.

Às vezes, ela interrompe a tarefa para atender alguma ligação ou para conduzir o próximo paciente até o Dr. Patel.

Quando percebo que o último deles acabou de passar pela porta do outro lado da sala de espera, olho para a ficha incompleta em meu colo, mordo o bocal da caneta para conter a ansiedade e começo a mexer uma das minhas pernas sem parar.

Só paro de fazer isso quando sinto a mão de Josh repousar em meu joelho. Então olho para ele imediatamente e o ouço com atenção:

— Você ainda tem tempo, gata. Aquele paciente acabou de entrar. Relaxa.

Em seguida, Amy, que está sentada à minha esquerda no sofá, se oferece gentilmente:

— Se você quiser ajuda para preencher a ficha, eu estou aqui.

— Nós estamos — Josh ressalta, apertando o meu joelho sutilmente.

Respiro fundo, tentando relaxar um pouco, endireito a postura e respondo aos dois:

— Tudo bem, eu consigo. Qualquer um é capaz de preencher uma ficha dessas. Não tem nada de mais. Eu só estou um pouco ansiosa, mas eu consigo.

Determinada, dou uma olhada no formulário e constato que até agora só preenchi o meu nome nele. Isso porque eu entrei em pânico quando percebi que teria que responder uma série de perguntas bem pessoais, como uma espécie de check list para a primeira consulta. De certo, para o Dr. Patel me conhecer melhor e saber com que tipo de maluca está lidando.

Respiro fundo novamente e decido preencher o restante dos dados pessoais. Levo cerca de dez minutos só para informar minha data de nascimento, endereço e telefones para contato.

Sim, eu estou enrolando. Me julguem.

Contudo e inevitavelmente, me vejo obrigada a encarar o questionário logo abaixo das informações básicas e engulo em seco.

A primeira pergunta pede uma definição de qual é a minha patologia e só deverá ser respondida se o paciente já possuir um histórico com outro médico e, portanto, se ele tem certeza do seu diagnóstico. Ou seja, é o meu caso.

Hesitante, escrevo primeiro a sigla TEPT e depois, como se eu estivesse chamando meu futuro analista de burro, acrescento por extenso: Transtorno do Estresse Pós-Traumático.

Sinto que minhas mãos começam a suar ao me lembrar do acidente que me separou para sempre da minha avó e do longo e insuportável período de terapia que em pouco me ajudou.

Disposta a levar o tratamento a sério desta vez, mantenho-me firme e passo para a próxima pergunta, sobre que tipos de medicamentos eu já tomei e se estou consumindo algum no momento.

As outras questões são mais fáceis, é um questionário sobre a minha personalidade, pontos fortes e fracos, essas coisas. Ah! E por fim, como eu fiquei sabendo da clínica do Dr. Patel.

Esta parte faço questão que Josh e Amy leiam. Para isso, me recosto no sofá, ampliando o campo de visão deles, e escrevo pausadamente com uma letra tão legível que até um cego veria: "Por indicação de Sr. Anthony Stark (o Homem de Ferro!!!) e sua girl magia Pepper Potts. Fofos, fofos, fofos! ♥"

Posso sentir os olhares de pânico de Josh e Amy quando eu me levanto determinada, sorrindo e satisfeita por ter respondido praticamente todas as perguntas. Só pulei a questão sobre o meu ponto fraco. Me julguem.

Meus amigos ainda tentam me alcançar e impedir que eu entregue a ficha, mas sou mais rápida, corro até o balcão e entrego o documento para a secretária.

Logo, ela sorri em agradecimento e diz gentilmente:

— Obrigada, Srta. Mills. Agora é só aguardar.

— Tudo bem... Margot — replico, lendo o nome em seu crachá e sorrindo de volta.

Meus amigos me seguem e sentam-se ao meu lado de novo. Josh é o primeiro a se manifestar aos sussurros:

— Liv, eu não acredito que você escreveu aquilo na sua ficha.

— O Dr. Patel vai pensar que você é maluca mesmo. Doida de pedra. — Amy diz aflita, também sussurrando. — É capaz de te internarem e tudo.

Abro a boca para afirmar com todas as letrinhas do alfabeto que eu não sou maluca e que conheço não só o Homem de Ferro, como todos os Vingadores, o vilão charmoso da história e ainda alguns asgardianos chifrudos, quando a voz de Margot ecoa pela sala de espera:

— Ah! Foi o Sr. Stark e a Srta. Potts que indicaram a clínica? — Com a minha ficha em mãos, ela esclarece: — Eu registro esta informação em sistema para fazer um relatório analítico no final do mês, mas não se preocupe, as demais perguntas só serão lidas e analisadas pelo Dr. Patel. — Assinto com um meneio de cabeça, confirmando sua pergunta anterior, e Margot me pede: — Se você ver os dois por esses dias, diga que eu mandei lembranças, por favor?

Pela minha visão periférica, vejo Josh boquiaberto, e não preciso olhar para Amy para constatar que ela também está.

Satisfeita por ter provado que eu não sou doida e que não inventei a história que relatei mais cedo no meu cafofo, sorrio para a secretária e me comprometo:

— Eu direi, pode deixar.

O silêncio que se instala na sequência é tão engraçado que tenho que pensar numa coisa bem aleatória — como o pôr do sol — para não cair na gargalhada aqui mesmo.

Momentos depois, meu amigo me desperta de tal pensamento quando questiona baixinho e ainda um tanto incrédulo:

— Então é mesmo verdade? Você conhece os Vingadores? E se envolveu em uma missão maluca e arriscada por causa deles?

— Isso mesmo — confirmo tranquilamente, afinal não culpo nem o top model asgardiano nem nenhum dos seus companheiros de equipe por eu ter aceitado participar daquela insanidade.

Após um breve momento de silêncio, Amy indaga:

— Você acolheu aquele monstro que quase destruiu a nossa cidade embaixo do seu próprio teto?

Algo queima dentro de mim ao ouvir minha amiga falar mal do gafanhoto e, por isso, tento amenizar a situação:

— Loki não é um monstro. — Depois de pensar um pouco e me lembrar que ele não merece que eu o defenda, articulo com mágoa: — É só um idiota tentando ser um monstro. E sim, infelizmente, eu abriguei o traste no meu humilde cafofo, lhe comprei cuecas maneiras e ainda... Me apaixonei por ele. — Com raiva de mim mesma, começo a me estapear e me xingo veementemente: — Burra! Burra! Burra! Mil vezes burra! Tapada! Burra!

Enquanto Amy sorri sem graça para Margot e inventa uma desculpa qualquer para o meu momento de desatino, Josh segura os meus punhos de um jeito firme e delicado ao mesmo, me encara fixamente e ordena:

— Pode parar com a autoflagelação. — Franzo o cenho e acho que meu queixo treme um pouco, já que Josh me repreende com o olhar e ordena mais uma vez: — Não se atreva. Engole o choro, gata.

Aos poucos, me recomponho. Em seguida, me aproximo e meu amigo entende o que eu quero prontamente, já que relaxa um pouco e me abraça carinhosamente.

Amy se junta ao abraço logo depois e ainda me faz um cafuné, enquanto um som gutural meio manhoso escapa de sua garganta.

Tenho certeza que a secretária do Dr. Patel não está entendendo nada, mas nenhum de nós dá a mínima para isso. Simplesmente continuamos abraçados no sofá, até que Josh volta a se pronunciar:

— Pelo o que eu entendi, esse tal Loki é um idiota, então não se atreva a borrar o seu rímel por causa dele, okay? — Depois que eu assinto várias vezes, ele me consola: — Vai ficar tudo bem.

Procuro acreditar em suas palavras, até que Amy muda de assunto:

— Eu vou precisar de um tempo para assimilar toda essa história.

Na sequência, Josh admite:

— Eu também. Inclusive, eu acho que vou marcar uma sessão com o Dr. Patel também porque, depois dessa, meu cérebro deu pane geral.

Eu e Amy rimos. Josh não aguenta e logo se junta a nós, rindo de si mesmo. Aos poucos, nos desvencilhamos, mas permanecemos bem próximos no sofá. Margot nos oferece café em seguida e aceitamos.

Algum tempo depois, Josh parece se lembrar de alguma coisa e recomeça intrigado:

— Espera... Aquele vídeo que eu gravei na festa da Vicky, com você e o Tom, que não se chama Tom, mas sim Loki... Como eu não o reconheci? Eu me lembro do ataque a Nova York e aquele imbecil que dançou com você no terraço era bem... Diferente do monstro que quase destruiu a cidade.

Sinto meu sangue gelar nas veias ao ouvir tal questionamento e um frio percorrer o meu corpo. Isso porque as palavras de Josh me remetem às minhas origens alienígenas e eu não sei se estou pronta para compartilhar esse pequeno detalhe com os meus amigos. Pelo menos, não aqui nem agora.

Sendo assim, engulo em seco e desconverso:

— Loki estava preso a um bracelete mágico que ocultava a sua verdadeira aparência e o deixava parecido com nós.

Minhas bochechas queimam e isso faz Josh e Amy me encararem desconfiados por alguns instantes. É ela quem acaba perguntando:

— É só isso mesmo ou tem mais alguma coisa que você não está nos contando, Liv?

Engulo em seco de novo e olho de um para o outro, procurando uma forma de contornar essa saia justa. Todavia não consigo raciocinar direito.

Quando Josh abre a boca — provavelmente para insistir no assunto — sou salva pelo gongo. Digo, pelo paciente do Dr. Patel que abre a porta do consultório, se despede de nós e de Margot com um breve aceno de cabeça e um simpático "boa tarde" e deixa a clínica.

Olho para os meus amigos e vejo que eles me encaram ainda mais desconfiados. Entretanto, graças a Odin, sou salva pelo gongo mais uma vez. Ou seria por um deus grego?

Não sei ao certo. Tudo o que sei é que um homem simplesmente lindo e vestido elegantemente sai do consultório do Dr. Patel e se dirige ao balcão.

Não preciso ser muito inteligente para deduzir que este verdadeiro pão é o Dr. Christian Patel. E isso se confirma quando Margot entrega minha ficha a ele e avisa:

— Ah... Doutor, o senhor tem mais uma paciente. Ela veio por intermédio do Sr. Stark e da Srta. Potts.

— Oh! Sério? Tudo bem, vamos lá — ele assente com uma voz simplesmente... Sexy, maravilhosa e aveludada, antes de se virar em nossa direção e caminhar até nós.

Eu, Josh e Amy nos levantamos do sofá ao mesmo tempo. E eu não preciso olhar para eles para ter certeza que os dois estão tão impressionados quanto eu.

Não me entendam mal, eu não estou pensando em tirar uma casquinha — na inocência e na amizade — do meu futuro analista. Aliás, depois do que aconteceu entre mim e o gafanhoto asgardiano, eu quero distância de qualquer homem, seja deste planeta ou não. Contudo, é impossível não ficar abalada com a beleza elegante e avassaladora do Dr. Patel. É de parar o trânsito e fazer qualquer uma suspirar profundamente. Mesmo que você esteja no meio de uma crise de asma.

Aparentando ter uns trinta e poucos anos, alto e com um corpo visivelmente viril embaixo de roupas de extremo bom gosto, o meu futuro terapeuta tem um rosto anguloso simplesmente perfeito, olhos de um azul intenso e perigoso contornados por um óculos no melhor estilo nerd, cabelos castanhos tão sedosos que dá vontade de tocá-los e perguntar que shampoo o dito cujo usa, e um sorriso de derreter um iceberg em poucos segundos.

Resumo da ópera, o Dr. Patel é um gato, gatíssimo, gatão!

— Nossa senhora... — Josh deixa escapar quando ele para diante de nós. — Desculpa... Pensei alto — desconversa completamente sem graça, rindo um tanto nervoso, enquanto passa a mão pela nuca.

— Ele é de verdade? — Amy questiona baixinho, provavelmente também sem perceber.

Apesar disso, o deus grego ouve e então disfarça um meio sorriso. Com certeza deve estar acostumado a provocar esse tipo de reação nos reles mortais.

Em seguida, mantendo uma postura profissional e gentil, ele lhe estende a mão e a cumprimenta:

— Olá, eu sou o Dr. Christian Patel, como você já deve ter deduzido. É um prazer conhecê-la...

— Amy... Prescott... — minha amiga se apresenta como se estivesse morrendo, como se cada sílaba fosse um esforço sobre-humano, segurando a mão do terapeuta gato como se estivesse a ponto de desmaiar, sem forças. — Ah! Esse é o meu irmão! Josh — ela diz na sequência, despertando do transe, visivelmente sem graça, soltando a mão do doutor e indicando meu amigo entre nós duas.

— Muito prazer, Sr. Prescott — o deus grego o cumprimenta, apertando sua mão demoradamente.

— Apenas Josh, por favor. E o prazer é todo meu, Dr. Patel — meu amigo replica com o olhar fixo nas orbes azuis do analista.

— Christian — retribui o outro.

E então eu — e com certeza Amy também — sentimos algo diferente no ar enquanto os dois continuam com as mãos unidas e os olhares um no outro.

Me chamem de maluca, mas eu diria que está rolando um clima e tanto por aqui.

Posso sentir Amy murchando frustrada à medida que chega a mesma conclusão que eu. Não resta a menor dúvida, meu futuro terapeuta é gay. Ou bissexual, no mínimo.

O fato é que está bem claro que ele gostou de Josh. O que é totalmente compreensível, afinal meu amigo é tão lindo quanto ele. Não só por fora. Josh é uma das pessoas mais lindas por dentro que eu já conheci e eu o amo como se fosse um irmão.

Às vezes, sinto até uma invejinha branca de Amy, pois deve ser muito legal ter um irmão. Ainda mais como Josh que tem um coração de ouro.

Sempre lamentei o fato de ser filha única. Perdi minha mãe no momento em que nasci, minha avó há três anos, meu pai continua sendo um mistério que eu não sei se quero mesmo desvendar e eu não tenho primos ou primas. Ninguém. Apenas meus amigos. Às vezes, mesmo na companhia deles, me sinto sozinha e estranhamente vazia.

Amy solta um pigarro, me despertando de tais pensamentos e fazendo Josh finalmente soltar a mão do meu futuro terapeuta. Este, por sua vez, parece fazer certo esforço para desviar o olhar do meu amigo.

Em seguida, ele retoma a postura profissional, se aproxima de mim e deduz de um jeito fofo:

— Então, você deve ser a Srta. Olivia Mills, certo?

Sei que é uma pergunta retórica, por isso apenas sorrio em concordância e aperto a sua mão, permitindo que o Dr. Patel prossiga:

— Seja muito bem vinda. Eu espero que esse seja apenas o começo de uma ótima e proveitosa parceria.

— E eu espero não te deixar maluco com os meus problemas existenciais porque o babado é forte — deixo escapar, rindo sem humor de mim mesma.

Prontamente, o top model da psicoterapia me tranquiliza:

— Ah, não se preocupe. Eu estou disposto a ouvir qualquer coisa que você se sinta à vontade para compartilhar e espero que eu consiga te ajudar da melhor maneira possível.

Fofo! Fofo! Fofo! Acho que gostei do meu novo terapeuta. Como não gostar?

Aliás, pela primeira vez desde que eu pus os pés na clínica, sinto-me verdadeiramente animada para retomar o meu acompanhamento psicológico.

Pensando assim, eu respiro fundo e digo:

— Eu estou pronta para começar.

Satisfeito, ele sorri gentilmente, indica o seu consultório e orienta:

— Por aqui, Srta. Mills. Por favor.

— Olivia — corrijo, permitindo que ele passe a me tratar apenas pelo primeiro nome, afinal de contas, o Dr. Patel vai ouvir todos os meus podres e maluquices, então é bom começarmos uma amizade sincera de uma vez.

Por falar nisso, faço uma nota mental para me lembrar de perguntar qual é a sua cor favorita assim que tiver a oportunidade.

Caminho lado a lado com ele que toca suavemente em meu ombro, enquanto me guia até a sua sala.

E não preciso olhar para trás para ter certeza que, neste exato momento, Josh deve estar olhando para o traseiro do Dr. Patel. Talvez até Amy esteja, apesar da constatação a que chegou rapidamente sobre a orientação sexual dele.

Assim que adentro o seu consultório, me desligo do mundo exterior e me aproximo hesitante de um divã em couro meio avermelhado.

— Fique à vontade, Olivia. Você pode se sentar ou deitar, o que for melhor para você. Eu só vou te pedir alguns minutos enquanto eu leio a sua ficha inicial, tudo bem? — ele diz, depois de fechar a porta e se aproximar de uma poltrona ao lado do divã.

O Dr. Patel só se acomoda nela, depois que eu lhe lanço um sorriso amarelo e praticamente me jogo no divã.

O que foi? Ele disse que era para eu ficar à vontade, não disse? Pois então...

XXX

Não sei quanto tempo se passa, mas enquanto o Dr. Patel faz a minha pré-análise com base nas informações que eu prestei no formulário, fico olhando para o teto do seu consultório. Ele é azul claro e tem umas partes brancas meio disformes. Parecem nuvens. Ou... Algodão doce sem nenhuma cor.

Sinto um aperto em meu peito ao lembrar de minha avó, afinal foi ela que me apresentou tal guloseima. Sinto esse aperto ao me lembrar dos aniversários em que ela sempre me dava um pijama novo e muito algodão doce. Sinto esse aperto ao me lembrar dela.

Não estar mais em negação não mudou nada, eu continuo me culpando pelo o que houve e sentindo sua falta todos os dias. E isso dói. Muito.

De repente, uma risada discreta escapa da garganta do Dr. Patel, mas ele disfarça imediatamente, quando eu, ofendida, franzo o cenho em sua direção.

Rapidamente, ele se explica:

— Desculpe, é que eu cheguei na parte que você fala sobre o Homem de Ferro e sua girl magia. — Relaxo no mesmo instante, feliz pelo meu analista ter gostado da forma como me expressei e ouço suas palavras na sequência: — Você está certa, Olivia, o seu senso de humor é mesmo o seu ponto forte. Eu percebi isso bem antes de ler a sua ficha. Mas... Por que você não respondeu a questão sobre o seu ponto fraco?

— Porque eu tenho tantos que nem sei por onde começar — admito simplesmente.

Depois de avaliar minha resposta por alguns instantes, o Dr. Patel coloca a minha ficha em uma pequena mesa ao seu lado, pega um tablet também sobre ela — acho que para tomar notas —, se endireita na poltrona e sugere:

— Que tal pelo começo?

Respiro fundo e penso por tempo suficiente para que a minha existência passe como um filme diante dos meus olhinhos de noite serena.

Em seguida, me encho de coragem e resolvo acatar a sua sugestão. Começo falando sobre a minha avó. E quando dou por mim, já lhe contei tudo sobre minha relação com ela. Desde as nossas brigas por causa do mistério acerca do meu pai até o acidente que nos separou para sempre.

Decido deixar o assunto Deus da Trapaça para uma sessão futura, pois não quero assustar o meu analista fofo com tantos assuntos ao mesmo tempo. Também não mencionei que o meu pai é um alienígena, me limitei a classificá-lo como desconhecido.

Sei que Tony Stark — o Homem de Ferro!!! — não me indicou o Dr. Patel por acaso, sei que posso confiar qualquer informação a ele, mas acho melhor ir com calma.

Apesar de não ter lhe contado tudo sobre mim, foi bem mais fácil me abrir com o Dr. Patel do que com minha antiga terapeuta. Deve ser porque eu amadureci, pelo menos um pouco, de lá para cá e consegui aceitar que minha avó se foi mesmo. Para sempre.

Essa perda sempre vai doer, mas pela primeira vez, eu estou disposta a encontrar uma forma de superar o que aconteceu e seguir em frente, como ela certamente gostaria que eu fizesse.

O Dr. Patel diz tantas coisas que eu mal consigo enumerar, mas suas palavras fazem com que esse desejo de virar a página ganhe força dentro de mim. Principalmente quando ele diz acreditar piamente que minha avó relevou todas as nossas discussões — inclusive a última delas — em prol das boas lembranças que teve comigo. E que são esses bons momentos que eu devo guardar também.

Ele ressalta que o que aconteceu foi um acidente, uma fatalidade e que eu devo me perdoar, pois foi algo que fugiu do meu controle e que acontece com mais frequência e com mais pessoas do que eu posso imaginar.

Além disso, de acordo com o que lhe contei, o Dr. Patel me fez refletir sobre o motorista do caminhão, já que ele entrou na contra mão aquela noite e bateu no meu carro, causando o acidente.

Todavia, o Dr. Patel me aconselhou a não odiá-lo ou transferir a culpa que sinto para ele, mas sim a perdoá-lo, pois nós não sabemos todas as circunstâncias e o que o levou a se distrair a tal ponto. Além disso, o sujeito com certeza já deve se culpar o suficiente pela vida que foi perdida naquela ponte.

Comprometo-me a pensar sobre tudo isso e a tentar seguir suas orientações. E quando eu me sento, pensando que a minha primeira sessão terminou, o Dr. Patel retoma:

— Olivia, você mencionou que os seus antidepressivos acabaram e eu acredito que, neste momento, você ainda precise deles. Por isso, eu irei providenciar uma receita. Entretanto, eu não quero que você fique limitada a medicação, eu quero trabalhar em conjunto com as suas atitudes. Então, eu vou te fazer um pedido muito importante e eu espero que você ao menos pense a respeito dele.

Tomada por certo receio e por certa curiosidade ao mesmo tempo, assinto com um meneio de cabeça, dando o aval para o meu analista fazer o tal pedido:

— Eu quero que você faça algo pela sua avó. E por você. Por vocês duas, na verdade.

— Como assim? — questiono confusa.

De um jeito sereno e cauteloso, o Dr. Christian Patel explica:

— Você disse que não foi ao enterro da sua avó. Que fugiu dele e que deixou o Texas às pressas. Bem, esse é um dos seus pontos fracos, pelo o que percebi até agora. Você costuma fugir quando não sabe lidar com uma situação dolorosa, difícil. Eu não te julgo por isso, mas se você quer superar o que aconteceu, Olivia, precisa parar de fugir em algum momento. Você precisa enfrentar a sua dor, senti-la ao máximo e, por fim, encontrar uma forma de superá-la. Pelo menos, tentar. Nem sempre é de primeira que nós conseguimos fazer isso, mas tentar é necessário e primordial.

Fico pensativa por algum tempo e acabo percebendo que o Dr. Patel parece a minha avó falando. Sabem, com essa questão de sentir o medo e enfrentá-lo.

Pondero suas palavras, deixo que elas mergulhem em minha mente e em meu ser. Logo, uma ideia surge e se consolida dentro de mim. Fico surpresa comigo mesma e acho que meu terapeuta percebe, já que questiona:

— No que você está pensando?

Após um breve momento, avaliando a minha ideia e deixando que ela vire uma decisão sem volta, respondo:

— No que você disse, que eu não me despedi da minha avó. E que talvez... Este seja um bom momento para fazer isso. — Organizo meus pensamentos e exponho melhor: — Eu vou voltar para o Texas. Para a nossa fazenda. E eu prometo que vou tentar me despedir e superar a minha dor.

Percebo um discreto sorriso de satisfação no rostinho lindo do Dr. Patel e então ele diz:

— Muito bem. Mas não se esqueça que nós temos uma nova sessão daqui a uma semana. Portanto, esteja de volta a tempo.

— Uau! — exclamo meio chocada. — Eu te achava fofo até agora, mas vendo por esse lado, você é bem exigente, doutor.

— Eu tenho que ser. Afinal, eu não quero correr o risco de você fugir de mim, como fez com a sua antiga médica — ele brinca, mas sinto a pontada de acusação.

Estreito meu olhar em sua direção e me defendo:

— Eu não vou fugir. Não, se preocupe.

Após me encarar por um instante, o Dr. Patel encerra:

— Então por hoje é só, Olivia.

Claro que antes de deixar o seu consultório, pergunto a ele sobre a sua cor favorita. E apesar de não entender por que eu quero saber isso, meu analista responde. Branco.

Quando ele pergunta sobre a minha, eu digo verde sem pestanejar, mas em seguida me corrijo desesperadamente, dizendo que é, sempre foi e sempre será preto. E ponto final!

Tenho certeza que a minha postura deixou o Dr. Patel intrigado, mas a sessão acabou, então eu saio pela tangente, de fininho, sorrindo e acenando como os pinguins de Madagascar.

E tenho uma baita surpresa quando me dirijo ao balcão. Simplesmente sou impedida de pagar pela sessão do terapeuta gato.

Oxente! É isso mesmo, produção?

Depois de muita insistência, Margot acaba abrindo o jogo e me conta que alguém realizou um depósito na conta da clínica, no mesmo dia em que eu liguei para agendar um horário com o Dr. Patel e que eu não devo me preocupar com as próximas despesas, pois ela foi orientada a repassar toda e qualquer cobrança do meu tratamento a tal pessoa misteriosa, por um email sigiloso.

Tony bancando o filantropo? Será? Pepper? Pepper sob orientação de Tony? O inverso? Os dois em consenso? Não sei. Mas faço uma nota mental para agradecê-los por isso na primeira oportunidade, pois tenho certeza que eles estão por trás disso. Fofos, fofos, fofos!

Me sentindo incrivelmente bem e leve, deixo a clínica na companhia de Amy e Josh, decidida a contar a eles sobre a minha viagem ao Texas o quanto antes.

Ainda não acredito que vou voltar para casa.

Notas finais
E aí? Gostaram do capítulo? Eu amei escrevê-lo, mas como estou com ódio no core por conta do plágio, vou ficar por aqui e passar a bola para ocês. Reviews? PS: Oi! Editando para dizer que um adm respondeu a denúncia, disse que houve mesmo o plágio parcial do enredo e que a usuária será banida. Ufa! Obrigada a todos pelo apoio!