Notas iniciais
Oi, chuchus! Olha quem apareceu mais cedo? Eu! Trazendo mais uma bíblia... Digo, um capítulo para ocês! E já adianto que ameiiiiiiiiiii escrevê-lo eheheheh Sobre o plágio, tudo foi resolvido rapidamente e a fic da menina já foi excluída. Obrigada a todos pelo apoio! Humm... Sobre a moçoila se mexendo no banner deste capítulo (oi?) ela é a personagem Jessica Wally, da fanfic Perpétuas Mudanças, que pertence inteiramente a minha mishamiga Hunter Debora Jones e que eu já citei em um capítulo aí, se eu não me engano foi logo depois do ataque de piriguetismo da Olivia para cima do Capitão América. Gentilmente, a Debora cedeu sua protagonista para eu fazer uma coisa. Oi de novo? Resumindo, estou dando os devidos créditos a autora kkkkkkk Jessica Wally não me pertence, okay? Muito obrigada Miss Queen e Agent Nalla pelo banner lindo! Amei! E sem mais delongas, o capítulo de hoje!

Organizar a viagem ao Texas foi relativamente fácil. Eu tenho carro próprio e estou desempregada, então não precisei pedir licença a ninguém, muito menos comprar passagem. Precisei apenas fazer a mala, encher o tanque e tomar coragem.

Confesso que esta última parte não foi tão fácil assim, mas eu consegui, peguei a estrada e é isso que importa.

A princípio, Amy e Josh ficaram receosos, mas quando eu disse que a ideia partiu do Dr. Patel — lê-se meu terapeuta gato que secou discretamente o meu melhor amigo — e que, segundo ele, será bom para mim visitar o passado, me despedir da minha avó e lidar com o meu trauma, meus amigos aceitaram melhor e me deram força para prosseguir.

Josh e Amy até se ofereceram para me acompanhar, mas eu dispensei a oferta porque sei que essa é uma jornada que tenho que fazer sozinha.

Tive que parar em alguns hoteis pelo caminho, afinal Nova York e Texas ficam bem distantes geograficamente. Mas eu consegui, eu prossegui e aqui estou eu, em uma estrada relativamente deserta, prestes a cruzar a ponte que mudou a minha vida para sempre.

O dia está amanhecendo lá fora, colorindo o céu com matizes alaranjadas. Entretanto, quando o meu carro finalmente alcança a ponte, é como se eu tivesse sido levada de volta ao passado, de volta àquela noite, está tudo escuro e chuvoso de novo.

Sinto-me um pouco sufocada, como se estivesse me afogando de novo, mas busco forças dentro de mim e sigo em frente.

Lembranças vêm em meu pensamento mesmo assim. Minha avó puxando assunto sobre o meu aniversário e a frieza como a tratei. Mas na sequência, me lembro dos nossos bons momentos, de tantas festas que ela organizou para mim, sua amada netinha, como costumava me chamar.

Lembro-me do algodão doce e dos pijamas com personagens de desenhos animados ou filmes da Disney, do toque suave da minha avó quando acariciava o meu rosto e do seu abraço sempre caloroso e forte.

Sinto meus olhos marejados quando finalmente deixo a ponte para trás e digo para mim mesma:

— Foi um acidente. Não foi minha culpa.

Sinto-me mais leve ao pronunciar isso em voz alta, porém sei que terei que repetir mais algumas vezes até me convencer disso, até me perdoar e seguir em frente, como certamente a Sra. Susan Mills gostaria que eu fizesse.

Será difícil, mas por ela e pelo meu próprio bem, eu tenho que tentar e conseguir. E eu vou.

Pensando assim, respiro fundo, enxugo as lágrimas e sigo viagem.

Algum tempo depois

A fazenda está como eu me lembro de tê-la deixado. Saí às pressas daqui no dia do velório de minha avó, mas apesar de terem se passado três anos desde então, a propriedade está bem cuidada.

Algumas vacas e bois estão no pasto e erguem suas cabeças, quando meu carro passa por uma estrada de terra no entorno da fazenda.

Vejo alguns porcos no chiqueiro também, quando desço do carro. E quando bato a porta do veículo, ouço o cacarejar alarmado vindo do galinheiro.

Sorrio um tanto incrédula e confusa, mas logo deduzo que o fazendeiro vizinho, Joseph Kent e antigo amigo de minha avó, deve ter cuidado desse lugar depois que ela morreu e eu fui embora. Com certeza, ele deve mandar alguém da sua fazenda regularmente até aqui, sem receber um dólar sequer por isso, apenas em nome da amizade que tinha com minha avó e da consideração que tem com a sua neta fujona.

Sinto-me profundamente agradecida e faço uma nota mental para lhe fazer uma visita antes de voltar para Nova York. Em seguida, pego as chaves no bolso do meu casaco, minha bolsa de viagem no porta-malas e caminho até a minha antiga casa devagar.

Sou acometida por mais lembranças. Algumas de brigas, mas a maioria de risos. Me culpei tanto pelo acidente que acabei esquecendo que, apesar dos desentendimentos, eu e minha avó sempre fazíamos as pazes no final, sempre superávamos todas as adversidades da nossa relação porque... Nos amávamos muito.

Pisco algumas vezes e olho para cima, contendo lágrimas que querem me dominar e por fim consigo. Logo depois, subo o lance de degraus, fazendo a madeira ranger embaixo dos meus pés. Respiro fundo, me encho de coragem, dou alguns passos pela varanda, coloco uma das chaves na fechadura e giro-a com cuidado.

Quando finalmente abro a porta e revejo a enorme e empoeirada sala de estar, solto um suspiro e determino:

— Primeira coisa: esse lugar está precisando de uma boa faxina.

Reúno forças dentro de mim e adentro o meu passado. Abro algumas janelas e poucos minutos depois, começo a limpar e arrumar tudo, sem me importar que os produtos de limpeza armazenados no porão estejam... Humm... Com os prazos de validade um tanto suspeitos.

Não importa, é o que temos para hoje. Minha avó diria isso se estivesse aqui.

Ela não está...

— Tenho que superar, tenho que superar, tenho que superar — repito como um mantra, enquanto dou um jeito na baderna do meu quarto. Ele sempre foi uma baderna, mas agora está uma baderna coberta por pó e teias de aranha.

Passei o aspirador de pó em tudo, me surpreendendo com o fato de não terem cortado a energia elétrica da propriedade.

De certo, o Sr. Kent andou pagando as minhas contas também. Que vergonha... Preciso mesmo lhe fazer uma visita, agradecer por tudo e lhe pagar todo o dinheiro gasto aqui. Assim que eu conseguir um emprego, é claro.

Adiei ao máximo entrar no quarto de minha avó, mas em determinado momento, não teve jeito. Só faltava limpar aquele cômodo e então... Eu fui até lá. E doeu muito ver o lugar tão vazio e, ao mesmo tempo, cheio de lembranças e pertences dela. Inclusive uma foto nossa em um porta-retrato sobre a sua penteadeira.

Não sei como consegui forças para estar aqui e, por um momento, tenho vontade de matar o Dr. Patel por ter me convencido de que isso era uma boa ideia.

Tenho vontade de desistir e ir embora, mas algo dentro de mim me impede. Eu preciso fazer isso. Preciso lidar com o passado e me despedir dele. Dela. Só assim eu vou conseguir viver o presente e planejar o meu futuro sem remorso e assuntos mal resolvidos. Eu preciso disso. E sendo assim, termino a arrumação.

Fico esbaforida no final, mas valeu a pena. A casa está um brinco. Como nos velhos tempos. Minha avó ia gostar de ver, se estivesse aqui.

Afasto tal pensamento e decido preparar alguma coisa para comer, afinal essa verdadeira maratona me deixou com uma fome danada.

Por sorte, passei em um mercado no caminho até aqui, comprei suprimentos e uma boa quantidade de guloseimas calóricas e nada saudáveis.

Como sentada à mesa da cozinha, sentindo o silêncio à minha volta me sufocar. Engulo o sanduíche com um copo de suco de laranja rapidamente, me levanto e deixo a cozinha para trás. Junto com as guloseimas que parecem ter perdido a graça nesse momento.

Isso está sendo mais difícil do que eu havia imaginado. Este lugar está repleto de memórias e eu não sei se sou mesmo capaz de passar por esse teste.

— Sim, você consegue, Olivia Mills — afirmo para mim mesma, enquanto subo as escadas decidida. — Você só precisa... — Paro no corredor e penso um pouco. — Se despedir — concluo, sabendo muito bem o que tenho que fazer agora, afinal foi para isso que eu vim até aqui, não foi? Para me despedir da minha avó.

Então... Está mais do que na hora de visitar o seu túmulo.

Depois de tomar um banho demorado, coloco um vestido preto que trouxe comigo. Com um comprimento até os joelhos e modelo simples, acho que ele cai como uma luva para essa ocasião. Se eu tivesse ido ao velório de minha avó, com certeza teria usado algo assim.

Paro de enrolar e deixo meu antigo quarto para trás, depois de fazer uma rápida trança em meus cabelos.

Ao sair da casa, vejo uma roseira aos pés da varanda e me surpreendo por ela continuar aqui, firme e forte, como eu me lembrava dela.

Aproximo-me mais um pouco e colho uma rosa com cuidado. Em seguida, caminho até o meu carro, entro e dirijo rumo ao cemitério que fica nas proximidades.

Algum tempo depois

É estranho estar aqui. Diante da lápide com o nome de minha avó, sua data de nascimento e falecimento. É como se fosse pra valer agora. É como se uma parte insana de mim ainda acreditasse que aquele acidente não aconteceu e que Susan Mills não morreu aquela noite. Mas ela se foi. Realmente se foi. É para valer mesmo.

Sentindo um nó crescente em minha garganta e um aperto incômodo em meu peito, olho para os lados e constato mais uma vez que estou sozinha neste cemitério. O que deixa tudo mais difícil.

Por um momento, desejo não ter recusado a oferta de Josh e Amy. Seria ótimo ter dois ombros amigos agora.

Por um momento, penso em Loki também. E em como ele me entenderia nesse momento, já que também perdeu alguém especial. Frigga.

Balanço a cabeça negativamente e tento afastar o traste dos meus pensamentos. Como tenho tentado todos os dias, aliás.

Loki não merece que eu perca um segundo da minha existência pensando nele. Mesmo que seja em um momento como esse em que eu adoraria que ele me abraçasse. Como naquela noite em que... Me abraçou pela primeira vez no meu cafofo, quando eu estava frágil e P da vida com os Vingadores.

Sinto meu coração acelerar ao recordar a sensação reconfortante do seu abraço. E fecho os olhos com força, novamente tentando afastá-lo de minha mente, mesmo que o infeliz tenha se instalado de vez em meu coração estúpido.

Abro os olhos e volto a fitar a lápide. É nisso que tenho que me concentrar. Em minha avó. Nós merecemos essa despedida, embora eu não tenha a mínima ideia do que dizer nesse momento.

Resolvo começar com a primeira coisa que me vem a cabeça. E minha voz sai meio engasgada quando finalmente sibilo:

— Oi, vovó.

Apenas o vento me responde, zunindo à minha volta e deixando esse cenário ainda mais desolador. Sem falar no aperto em meu coração. Cada vez mais doloroso.

Engulo a vontade de chorar, recrimino o instinto de fugir dessa situação, me mantenho firme e retomo:

— Eu sinto muito. Por tudo. Pelo acidente, por não ter me despedido como a senhora merecia, por ter fugido daqui e faltado ao seu enterro como uma neta insensível e... Por todas as nossas malditas brigas. Especialmente por elas. — Respiro fundo, penso um pouco e, sentindo o meu coração um pouco mais leve, indago: — Mas nós tivemos bons momentos também, não foi? Bem mais do que momentos ruins, eu acho. — Sorrio ao ter certeza de que minha avó concordaria com essa parte e assinto brevemente, antes de continuar: — E se a senhora não se importar, eu adoraria guardar apenas esses momentos e esquecer todo o resto.

Paro um pouco ao sentir aquele nó em minha garganta de novo e pisco algumas vezes, mas as lágrimas acabam me vencendo. Fungo, engulo o choro e olho tudo em volta enquanto ordeno meus sentimentos nesse momento. Finalmente volto a fitar o túmulo e despejo um tanto afoita:

— Olha, eu realmente sinto muito, tudo bem? Por tudo. E eu sei, eu tenho certeza, que se a senhora estivesse aqui, iria me perdoar. Ou melhor, a senhora ia dizer que não há o que se perdoar. Sim... Seria isso que a senhora diria, então eu vou aceitar isso e seguir em frente, okay? Eu vou me esforçar e... Eu vou sentir a sua falta, mas eu preciso me despedir e pensar na senhora com carinho e com amor sim, mas também como uma lembrança porque... Você não vai voltar. — Desisto de conter o choro, mas procuro me recompor um pouco antes de concluir: — Obrigada por ter sido a melhor avó do mundo, por ter me aguentado e aberto mão da sua vida, dos seus interesses, de tudo para ser a minha única família. Eu... Eu te amo, vovó. Eu sempre amarei.

Sentindo-me profundamente emocionada, dou um beijo sútil na rosa que trouxe comigo, a coloco delicadamente sobre o túmulo e me despeço com o coração mais leve:

— Adeus e... Fique em paz.

Observo as letras que compõem o seu nome por alguns instantes, enxugo as lágrimas, solto o ar com força e finalmente me afasto, caminhando em direção à saída do cemitério.

Sinto-me triste por saber que minha avó realmente se foi, mas aliviada por ter conseguido me despedir e animada com a possibilidade de deixá-la orgulhosa, onde quer que ela esteja.

Eu só preciso pensar em uma forma de fazer isso. Em uma forma de seguir em frente de verdade. De recomeçar.

Acho que eu poderia começar por um emprego novo, mas não tenho ideia do que quero fazer da minha vida agora.

XXX

Ainda estou pensando sobre isso quando volto para a fazenda e estaciono meu carro no mesmo lugar de antes. Desço, fecho a porta e estou pronta para seguir rumo à casa, quando noto que algo está diferente aqui.

O que chama a minha atenção primeiro é o barulho de uma porta batendo. E basta uma rápida examinada em volta para descobrir a sua origem. Uma das portas de um antigo celeiro está entreaberta e batendo em virtude do vento que a balança constantemente.

O único problema é que eu não me lembro de ter mexido nela. Só me lembro que a tranca parecia bem firme quando eu cheguei na fazenda, há algumas horas. E que ela estava bem fechada quando eu saí rumo ao cemitério.

Hesitante e desconfiada, caminho lentamente até lá, abro-a também devagar e dou uma espiada no interior do celeiro. E não vejo nada de anormal aqui dentro.

Um antigo trator encontra-se coberto com uma lona em um canto, há uma escada de madeira do outro lado, umas caixas com algumas ferramentas perto da única janela e uma quantidade razoável de feno amontoada no fundo do lugar.

Sem encontrar nada de peculiar aqui dentro, fecho a porta e ajeito a tranca. Mas então o meu coração dispara em um sobressalto quando eu ouço passos atrás de mim.

Viro-me rapidamente, já com a mão no coração, e me recosto na porta quando vejo uma mulher jovem, loira, vestindo uma espécie de uniforme cinza escuro e bem colado em seu corpo, a poucos metros de mim.

— Papagaio! — exclamo assustada, quando ela para, sorri levemente e me encara como se fosse a coisa mais normal do mundo invadir propriedades alheias assim.

Estou quase perguntando se isso é um assalto, sequestro ou abdução alienígena, quando a jovem misteriosa cruza os braços contra o peito, arqueia uma sobrancelha e se pronuncia com uma voz séria e definitivamente encenada:

— Olá, Olivia. Por acaso você já ouviu falar da Iniciativa Vingadores?

Sem entender como ela sabe o meu nome, se está falando sério ou se isso é algum tipo de piada, franzo o cenho confusa.

Contudo não tenho tempo de dizer qualquer coisa pois antes que eu abra a boca, ouço mais passos e uma voz grave que a repreende:

— Agente Wally. Comporte-se.

Wally? Onde foi que eu ouvi esse sobrenome? Por que me soa tão familiar?

Paro de me perguntar isso, quando ela endireita a postura prontamente, descruza os braços, olha para o homem que parou ao seu lado, abre um sorriso amarelo e retruca:

— Desculpe por roubar a sua fala, Capitão Tapa-Olho, mas eu sempre sonhei em dizer isso.

O homem que é negro, alto e forte, traja roupas pretas e um sobretudo de couro da mesma cor, e que realmente usa um tapa-olho, lhe encara por alguns instantes, fazendo a tal agente desmanchar o sorriso aos poucos e protestar:

— Sabe, um pouco de bom humor não vai te matar. — Mas parecendo que se lembrou de algo importante, a loira emenda: — Nossa! Isso soou bem estranho porque, para todos os efeitos, você partiu dessa para uma melhor, então...

Pigarreio e com isso a agente Wally olha imediatamente para mim, bem como o homem misterioso ao seu lado.

Percebendo que tenho a atenção dos dois, os cumprimento com ironia:

— Olá para vocês também... Estranhos. Posso ajudá-los em alguma coisa? Vocês estão perdidos ou é de praxe invadir propriedades assim sem mais nem menos?

Posso estar ficando maluca, mas acho que vejo um discreto sorriso no semblante do Morpheus de Matrix — versão pirata, é claro —, que disfarça rapidamente antes de se apresentar de um jeito firme e um tanto formal:

— Olá, Srta. Mills. Eu sou Nick Fury e essa é a agente Jessica Wally. Eu peço desculpas por aparecermos assim, mas você não estava e eu achei melhor te esperarmos por aqui mesmo.

Nick Fury... Jessica Wally...

Tenho certeza que já ouvi pelo menos um desses nomes antes e, depois de pensar um pouco, lembro-me de uma conversa que tive com o Capitão Gato América e mato a charada.

A loira diante de mim é a garota que roubou o coração do velhote sarado. Claro! É ela! Jessica Wally! Em outros tempos, eu a odiaria por isso, mas neste momento, só consigo retribuir o seu leve sorriso ao imaginá-la ao lado de Steve. Não dá para negar que eles formam um casal bem fofo.

O sujeito de sobretudo deve ser algum tipo de líder, chefe, manda-chuva, sei lá. Só não entendi o lance dele estar morto teoricamente. Muito menos o que ele e a agente Wally estão fazendo aqui.

Como se tivesse lido meu último pensamento, Fury esclarece:

— Nós viemos conversar com você e te fazer uma proposta.

— Uma proposta? — repito desconfiada e curiosa ao mesmo tempo. — Que tipo de proposta?

— De trabalho — ele diz simplesmente.

Pisco algumas vezes enquanto absorvo o que ouvi e quando finalmente consigo, tento abrir os olhos do homem à minha frente. Ou melhor, o único olho que ele tem:

— Desculpe, mas eu não me encaixo na Iniciativa Vingadores. Eu não tenho nenhum poder ou habilidade especial e...

Paro de falar quando Nick Fury me interrompe:

— Não se preocupe, isso não tem nada a ver com os Vingadores, mas com a S.H.I.E.L.D.

Mais essa agora? O que significa S.H.I.E.L.D. mesmo? Ah é! Superintendência Humana de Intervenção, Espionagem, Logística e Dissuasão. Acho que é isso.

Mas espera aí... A S.H.I.E.L.D. não caiu por terra devido a uma organização do mal e fã de mitologia grega? HYDRA, certo? Acho que eu vi alguma coisa sobre isso nos jornais.

Sou despertada desses pensamentos, quando o Morpheus pirata retoma:

— O Diretor Coulson está fazendo de tudo para reestruturar e reerguer a nossa organização. E ele estaria aqui hoje para te fazer essa proposta pessoalmente, se não tivesse tido um pequeno imprevisto.

Ainda mais confusa, sem saber quem é Coulson nem aonde a dupla diante de mim quer chegar com essa conversa, digo:

— Eu não estou entendendo. Onde eu me encaixo nisso?

Desta vez, é a girl magia do Capitão América que se pronuncia:

— A S.H.I.E.L.D. perdeu muitos agentes, Olivia. E diante dessa situação, pessoas de confiança são essenciais para o nosso trabalho poder continuar.

Não sei se me sinto honrada ou incrédula, mas o fato é que uma pergunta escapa da minha garganta:

— Eu sou alguém de confiança?

— Claro! — a agente exclama sorrindo, e eu não sei por que, mas de repente começo a achá-la bem fofa. — O Capitão Porto Rico... Digo, Steve me contou sobre a sua missão envolvendo Loki. Você foi sensacional e muito corajosa.

Oh não... Esse papo de novo. Loki, sempre Loki. Por mais que eu tente esquecê-lo, alguém ou algo sempre acaba trazendo o assunto à tona de novo.

Com raiva por ouvir o nome do traste e por pintarem o que aconteceu entre mim e ele de um jeito diferente do que realmente foi — afinal, ficou bem claro para mim que tudo aquilo não passou de um grande erro —, retruco um tanto indignada:

— A missão foi um fiasco, aquele trapaceiro de uma figa se foi e neste momento deve estar nos confins dos Nove Reinos, armando um novo ataque contra a Terra.

— Eu duvido muito — Nick Fury argumenta prontamente.

Abro a boca para retrucar, mas percebo que a agente Wally parece meio nervosa, apreensiva e inquieta, olhando para os lados constantemente.

E então resolvo perguntar:

— Está tudo bem, agente?

— Sim, sim, claro — ela responde meio no susto e incerta, voltando atrás na sequência: — Quer dizer, não. — E depois de respirar fundo, questiona apreensiva: — Desculpe perguntar, mas por acaso não tem javalis por aqui, tem? É que eu tenho um histórico meio traumático com essas criaturas horrendas e sem coração. — Acho que franzo o cenho automaticamente ao ouvir isso, já que a girl magia de Steve Fofo Rogers justifica-se no mesmo instante: — Acredite, se você tivesse sido atropelada por um deles, também teria medo. Pavor, na verdade.

— Não tem javalis por aqui, agente Wally — é tudo o que digo, enquanto me sinto meio idiota por afirmar tal coisa.

Parecendo um pouco mais calma, ela me pede:

— Me chame de Jessie.

Assinto rapidamente e tento lhe passar mais segurança:

— Okay, Jessie, não se preocupe. A única vez que eu vi um javali por aqui, foi na televisão da sala, enquanto eu assistia O Rei Leão com a minha... Avó.

Sinto uma pontada de dor em meu peito ao me lembrar dela, mas rapidamente me agarro às boas lembranças e à promessa que lhe fiz no cemitério. De que eu vou seguir em frente. Superar. Recomeçar. Arranjar um emprego e... Oops.

Acho que uma lâmpada se acende ao lado da minha cabeça quando finalmente enxergo o que está acontecendo aqui.

Mesmo assim, procuro confirmar:

— Espera... Vocês estão mesmo me oferecendo um emprego? Na S.H.I.E.L.D.?

— Legal, né?! — Jessie vibra com uma empolgação que parece incomodar Fury, já que rapidamente, ela assume uma postura mais comedida e diz um tanto séria: — Isso mesmo.

— Por quê? — questiono, olhando ora para um, ora para outro. — Eu entendi o lance de precisar de pessoas de confiança para reconstruir a S.H.I.E.L.D., mas por que vocês pensaram em mim? Justo em mim?

Depois de trocar um rápido olhar com a agente ao seu lado, o pirata de sobretudo esclarece pausadamente:

— Tony Stark falou de você para o Diretor Coulson. Ele contou que você recusou um emprego em uma das suas subsidiárias porque pretende fazer algo mais importante da sua vida. E eu sei que esse não é o emprego dos sonhos, longe disso, mas algo me diz que você se sairia muito bem como nossa agente. Você tem um propósito, Srta. Mills, e a S.H.I.E.L.D. precisa de pessoas assim.

Novamente não sei se me sinto honrada ou descrente. Então resolvo lembrá-los:

— Mas eu não sei lutar, atirar, me defender, atacar, matar barata, nada disso.

Prontamente, Nick Fury apresenta uma solução:

— A agente Wally pode te ensinar essa parte. Com exceção de matar baratas, mas eu não acho que isso seja primordial no momento. Então, se você aceitar a oferta, ela poderá te passar cada protocolo e te auxiliar no treinamento.

Olho na direção de Jessie e ela me lança um olhar amigável e um sorriso discreto, mas muito fofo de qualquer jeito. Sinto-me acolhida e tentada a aceitar a proposta, mas ao mesmo tempo tenho que ser honesta e, por isso, abro o jogo um pouco sem graça:

— Mas eu sou... Uma adulta infantilizada, emocionalmente desequilibrada, que precisa tomar antidepressivos regularmente e fazer terapia uma vez por semana.

O silêncio que se segue é no mínimo sufocante, e incomodada com isso, eu desvio dos olhares dos dois e engulo em seco.

Contudo e para minha surpresa, Fury ameniza a situação mais uma vez:

— Todo mundo tem os seus problemas, mas o importante é que você está tentando superá-los. Além disso, você terá uma folga semanal, então poderá prosseguir com o tratamento normalmente. Você ficará bem.

Mama Mia... Isso é bom demais para ser verdade. E bem assustador também, afinal se eu aceitar essa proposta de trabalho, minha vida vai mudar completamente.

Sinta o medo e o enfrente, é o que minha avó diria num momento desses. Mas algo diferente do medo me faz hesitar de repente. Uma desconfiança que eu exponho logo em seguida:

— Espera... O que mais o Homem de Ferro falou sobre mim? Ele contou sobre... Sobre...

— Sobre as suas origens alienígenas? Sim — Fury completa o meu raciocínio, respondendo a minha pergunta, ao mesmo tempo em que eu olho para Jessie e percebo pelo seu semblante que ela também está por dentro do babado envolvendo o meu DNA. — Mas eu posso te garantir que não é por isso que a S.H.I.E.L.D. decidiu fazer esta oferta. Apesar de você não acreditar no seu próprio potencial, você fez mesmo um excelente trabalho em relação aquele... Ao Loki. E eu tenho certeza que fará muito mais pelo mundo, caso se junte a nós.

Não sei o que responder. Me sinto meio zonza e, como não quero tomar nenhuma atitude precipitada — como me precipitei quando atendi ao pedido do top model asgardiano e me envolvi em toda aquela confusão envolvendo o gafanhoto — proponho:

— Eu posso... Pelo menos pensar um pouco antes de dar a minha resposta final?

Um instante depois, o Morpheus versão S.H.I.E.L.D. responde com uma satisfação notável:

— Eu não esperaria outra coisa de você, Srta. Mills.

Sem dizer mais nada, ele acena discretamente com a cabeça, me dá as costas e começa a se afastar.

Jessie Fofa Wally, por sua vez, sorri em despedida e diz:

— Desculpe pela tranca do celeiro, Olivia. Eu só quis fazer um pouco de suspense. O Capitão Tapa-Olho ali gosta de entradas triunfais, sabe? — antes que eu diga qualquer coisa, ela se despede: — Vejo você por aí.

Mas quando a girl magia do meu ex-par perfeito me dá as costas também e começa a caminhar na direção de Nick Fury, eu sou tomada por um ímpeto e a chamo rapidamente:

— Ei, Jessie!

— Sim? — A loira detém o passo e olha na minha direção.

Sinto-me meio idiota e hesito um pouco, todavia acabo desembuchando de uma vez:

— Qual a sua cor favorita?

Apesar de parecer não ter entendido o motivo da pergunta, Jessie sorri e responde:

— Azul.

Lembro-me de Steve Rogers no mesmo instante e insinuo:

— Suspeitei desde o princípio.

— E a sua? — ela pergunta, semicerrando o olhar com certa curiosidade.

Vixe Maria! Preto ou verde? Verde ou preto? Preto esverdeado ou um preto puxando para o verde?

É verde. Eu sei que é verde e eu sei por que é verde. Mas, por motivos óbvios, acho melhor desconversar e encerro a questão:

— É complicado.

Talvez Jessie não tenha entendido por que eu fugi da sua pergunta, mas para minha sorte, ela não insiste no assunto. Ao invés disso, apenas meneia a cabeça, sorri mais uma vez e segue o seu caminho.

Fofa! Fofa! Fofa! Gostei dela. Me julguem.

Mais tarde

Quando me deito para dormir em meu antigo quarto, demoro longos minutos até me desligar de tudo o que aconteceu neste dia, afinal ele foi bem movimentado.

E quando finalmente consigo adormecer, sonho com a minha avó. Ela parece feliz e serena, enquanto caminha ao meu lado por uma enorme plantação de algodão doce de todas as cores possíveis. O lugar é simplesmente lindo.

Sinto-me leve e feliz. Ah! E tentada a provar um pouquinho da guloseima, é claro. Por isso não perco mais tempo, paro diante de um dos pés, puxo uma quantidade razoável do algodão doce e estou prestes a levá-lo à minha boca salivante, quando uma voz masculina, familiar e com um sotaque irresistível de arrepiar qualquer cristã invade a minha mente:

— E não importa em qual cama Olivia Mills durma... Ela sempre acaba assim, babando no travesseiro.

Confusa, olho para minha avó como quem pede uma explicação, embora no fundo do meu coração eu saiba muito bem a quem esta voz inconfundível pertence.

Tudo o que a Sra. Susan Mills do meu sonho faz é sorrir levemente, enquanto acaricia o meu rosto por um instante e diz:

— Hora de acordar, querida.

— Hora de acordar, tormento — A voz inconfundível se pronuncia novamente, me despertando no mesmo instante.

Abro os olhos assustada e com o coração estranhamente acelerado — temo que não seja só pelo susto.

E por mais que eu tenha reconhecido a voz dele, não consigo controlar a surpresa e o sobressalto que me atingem quando reconheço Loki em pé, diante da minha cama, na claridade parcial do quarto que é iluminado pelo sol que começa a nascer lá fora.

Com um movimento rápido, brusco e respirando de um jeito ofegante, sento-me na cama, levo a mão ao coração e exclamo atônita:

— Jesus amado!

Em resposta, o deus trapaceiro estreita um olhar nada satisfeito na minha direção — lê-se Loki está com sua clássica cara de limão azedo da qual eu senti muita falta, me julguem — e replica com um sarcasmo extremamente charmoso:

— Oh! Veja só. Ela até já esqueceu o meu nome.

Notas finais
Rá! Siiiiiiiiiim, eu terminei bem aí... Lero lero kkkkkkkkkkkk Lokito voltou, minha gente! É para glorificar de pé, hein? kkkkkkkkk Bem, no próximo capítulo (que será pov gafanhoto) entenderemos por que ele sumiu e por que está de volta. E será um dos capítulos mais importantes da fic, especial e revelador. Mas falando sobre esse capítulo, gostaram? Olivia finalmente lidando com a realidade, Nick Fury na área (adoreiiiiiiii escrever a participação dele) e Jessie... Cara, não tenho muito o que falar da Jessie, mas digamos que gosto tanto dela que serviu como fonte de inspiração para criar a Olivia. Inspiração, não plágio, okay? kkkkkkkkkkkk Digamos que as duas tem um forte senso de humor. Por falar nisso, deixo aqui o link de Perpétuas Mudanças. Quem ainda não conhece, vai abizoiar e ser feliz! https://fanfiction.com.br/historia/556845/PerpetuasMudancas Mudando de assunto, algumas leitoras palpitaram há algum tempo que a Olivia acabaria indo trabalhar na S.H.I.E.L.D. Humm... A proposta foi feita, mas será que ela vai aceitar mesmo? Resposta em breve. Ah! Gostaria de lembrar que a fic está terminando... Mais quatro capítulos e eu vou tirar férias no Havaí. Beijos de luz e me contem tudinho que acharam do capítulo nas reviews!